domingo, junho 03, 2018

IMAGINÁRiO #718

José de Matos-Cruz | 08 Abril 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PRIMÓRDIOS
Tendo recriado todas as virtualidades do espectáculo, Hollywood consumou um outro divertimento irresistível, em Os Flintstones (1994) - pelo qual foi responsável Steven Spielberg, com realização de Brian Levant, que reclamou «uma das melhores experiências da minha vida». Além dos prodígios de transposição de um clássico da animação para o imaginário realista, houve uma ambiciosa estratégia comercial. Os Flintstones baseia-se numa famosa série televisiva, por Hanna & Barbera. Tudo começou em 1960, na cadeia ABC. Durante seis anos, centena e meia de episódios recriaram esta sátira amável - sobre a sociedade americana, através do seu núcleo familiar. Um sucesso fenomenal, que ainda hoje se prolonga, entre milhões de fanáticos em todo o mundo. William Hanna gostava de salientar que Os Flintstones era a primeira saga em animação do mundo, pois ambienta-se na Idade da Pedra! Tudo decorre na cidade de Bedrock, dotada dos mais sofisticados meios - automóveis, televisão - só que à maneira dos nossos antepassados. Fred Flintstone e Barney Rubble são dois compinchas inseparáveis, para o trabalho ou os lazeres… IMAG.273

CALENDÁRiO

1925-2018 - Armando de Almeida Servais Tiago, aliás Servais Tiago: Escritor português, criador de banda desenhada e de cinema de animação - «O seu estilo caricatural e humorístico era invulgar em Portugal, onde os artistas optavam, de forma geral, por um desenho realista» (
Mania dos Quadradinhos - 2008). IMAG.227

23FEV-22ABR2018 - Em Lisboa, Culturgest apresenta
The Sound of Snow - exposição de som, filme e vídeo de Michael Snow (Canadá), sendo comissário Delfim Sardo.

08MAR2018 - Midas Filmes estreia
Correspondências (2017) de Rita Azevedo Gomes; com Eva Truffaut e Pierre Léon. IMAG.172-404

10MAR-08ABR2018 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, no ciclo Oito
XOito, Ana - exposição de fotografia de Bruno Saavedra (Brasil).



VISTORiA

Depois de Ler Jean Meslier

Maldito sejas tu, padre descrido,
Que às portas do sepulcro ainda blasfemas.
E no Deus, que juraste amar com culto,
Cuspiste sem piedade.


Maldito sejas tu, que me levaste
Às bordas dum abismo tenebroso,
E, com frases de hipócritas remorsos,
Lá me arrojaste então.


Maldito sejas tu, que me turvaste
As crenças cardeais de toda a vida;
Que, apontando o altar, disseste: «nada»,
«Nada», apontando a campa.


O bronze, meia-noite, geme ao longe;
O mocho nas ruínas pia, e eu tremo;
Maldito sejas tu, padre descrido,
Que me fazes tremer.


Maldito sejas tu, que me apavoras,
E horrorosas visões me dás à mente;
Maldito sejas tu, que escarneceste
O Deus que eu tanto amava.


Se esta crença morrer, quem, oh! maldito,
Me dará outra igual? Sem esta crença,
Quem, se o egoísmo do homem me repele,
Me afagará na dor?


Errarei sobre a terra, abandonado,
Em busca duma cova, onde me esconda,
E ainda ali, oh! maldito, eu, que fui homem,
Cinza só ficarei!!...


Maldito sejas tu, se foi a ciência,
Que te abriu os arcanos tenebrosos
De verdades cruéis… cruéis. Se mentes,
Maldito sejas tu.
Francisco Martins Sarmento 

MEMÓRiA

08AGO1879-10ABR1919 - Emiliano Zapata Salazar, aliás Emiliano Zapata: Revolucionário mexicano - «Mais vale morrer de pé, do que viver de joelhos!».
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08AGO1929-2011 - Josef Suk: Maestro e violinista checo, bisneto de Antonin Dvorák - «Toca com energia, segurança, e com todo o ritmo que um concerto envolvente e sugestivo pode exigir» (Harold C. Schoenberg - 1964).
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08AGO1929-2012 - José Luis Borau Moradell, aliás José Luis Borau: Cineasta espanhol, argumentista e realizador (
Furtivos - 1975), presidente da Academia das Artes e das Ciências Cinematográficas (1994-1999) e membro da Real Academia Espanhola (2008) - «Fazemos filmes, como fazemos amor - o melhor que podemos». IMAG.438

1833-09AGO1899 - Francisco Martins de Gouveia de Morais Sarmento, aliás Francisco Martins Sarmento: Escritor português, fotógrafo e arqueólogo, procedeu à exploração metódica e intensa da Citânia de Briteiros (1875), sendo autor de
Lusitanos, Lígures e Celtas (1880), Ora Marítima (1880) ou Os Argonautas (1887). IMAG.410

11AGO1929-2002 - Herlander de Seixas de Vasconcelos Peyroteo, aliás Herlander Peyroteo: Realizador português de televisão e cinema, encenador teatral - «Prefiro um bom texto teatral, a um mau guião fílmico ou televisivo. Mas, porque será que alguns do cinema me querem confinar ao vídeo? Teatro filmado, em reportagem, é execrável. Reportagem de teatro, bem filmada, é possível. O Shakespeare
filmado por Orson Welles é admirável. Arrisco e temo…». IMAG.239-367-457

13AGO1899-1980 - Alfred Joseph Hitchcock, aliás Alfred Hitchcock: Cineasta inglês - «As loiras
fazem, sempre, as melhores vítimas… São como a neve virginal, em que começam a aparecer as primeiras gotas de sangue».

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1913-13AGO1979 - Gilbert Cesbron: Escritor francês - «Existir, é conseguir esquecer-se de si mesmo. Ser alguém, é poder colocar-se inteiramente na pele dos outros, e ser capaz de assumir tal situação». IMAG.402

TRAJECTÓRiA

Francisco Martins Sarmento

Francisco Martins Sarmento nasceu a 9 de março de 1833, em Guimarães, e faleceu a 9 de agosto de 1899. Era filho de Francisco Joaquim de Gouveia Morais Sarmento, senhor da Casa da Ponte em Briteiros, e de D. Joaquina Cândida de Araújo Martins. Foi um homem sábio, grande pré-historiador, etnólogo e arqueólogo. Foi, sem dúvida, um dos pioneiros da moderna arqueologia em Portugal.
Aos vinte anos de idade, Francisco Sarmento completou os seus estudos em Direito na Universidade de Coimbra. Ainda jovem, herdou a fortuna de seus pais, a qual utilizou em prol do aumento dos seus conhecimentos humanísticos e da sua sabedoria.
Segundo o historiador Alberto Sampaio, vimaranense e contemporâneo de Francisco Sarmento, a evolução mental de Francisco Sarmento pode ser dividida em três fases: uma primeira, que denominou de ciclo romântico, devido às composições poéticas e literárias que realizou aos vinte e dois anos; uma segunda fase, que corresponde aos seus estudos sociológicos e jornalísticos, que decorreram entre 1856 e 1874; por fim, a última fase, que corresponde aos estudos históricos e arqueológicos que preencheram o resto da sua vida.
A partir de 1874, após as suas primeiras escavações nas ruínas da citânia de Briteiros, que duraram até 1899, investigou todo o passado remoto da origem dos então denominados povos lusitanos. Após uma profícua sequência de descobertas e explorações, bem como de sucessivos estudos e leituras sobre os investigadores estrangeiros e historiadores da Antiguidade clássica, adquiriu conhecimentos sólidos que lhe granjearam uma afamada reputação além-fronteiras. Este facto deu-se precisamente após a visita dos congressistas do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas (1880) às suas escavações na região de Entre Douro e Minho.
Em 1882, um grupo de admiradores fundou em Guimarães a Sociedade Martins Sarmento. Nesta instituição podemos encontrar a coleção arqueológica, de gravuras antigas e outros bens que lhe foram legados pelo próprio.
Deixou-nos também algumas obras, para além de vários artigos escritos em revistas e jornais e diversos manuscritos. Das obras literárias salientam-se: Os Lusitanos (1880); Ora Marítima (1880, 2. ed., 1896), Os Argonautas (1887). Dos manuscritos, deixou cerca de 4000 páginas, cujo tema principal são os seus estudos e prospeções arqueológicas, realizadas na região de entre Douro e Minho.
O seu nome surge em muitos tratados de arqueologia clássica, sendo referenciado como um dos mais notáveis pioneiros do campo da arqueologia. Foi condecorado pelo Governo francês com a Legião de Honra. Pertenceu ainda a inúmeras associações de arqueólogos quer em Portugal quer no estrangeiro.

VISTORiA

Se Eu Tivesse…

Se eu tivesse os olhos do mar
com que te olhasse à beira da falésia!…
(…e a voz dos gemidos das cavernas…)
se eu fosse a maré tornada arfar
de um peito no recife,
se eu tivesse o frio das águas
nos pulsos com que te retenho
entre algas, pedras e declives,
seria todo o golfo de um refúgio manso
em que flutuaríamos como barcos,
na pequena imensidão
das feições da terra!
Servais Tiago


BREVIÁRiO

Guerra & Paz edita Dois Povos Ibéricos - Portugal & Catalunha de Félix Cucurull (1919-1996).
 

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