Mostrar mensagens com a etiqueta Video. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Video. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, agosto 08, 2019

Extra: IMAGINÁRiO #1 (2004)

Em celebração deste percurso de quinze anos que agora culminou, durante o qual assinei e difundi o newsletter Imaginário ao longo de 784 publicações semanais, volto pontualmente ao início da epopeia, que remontaria a 2004, e reproduzo aqui a edição #1, do dia 1 de Julho daquele ano, ancorada ao portal Truca.pt. Porém, o Imaginário não se extingue, antes se irá tornar Funda|Mental...

*  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *  *

PRONTUÁRiO


OLHARES, MEMÓRIAS
Chego até vós com a minha proposta mais recente - a folha IMAGINÁRiO, em confluência entre os quadradinhos e outros fenómenos culturais, como o cinema e a literatura. Através dela, procurarei reflectir, por via tri-mensal, uma vivência crítica e criativa - feita de leituras, de correspondências, de perspectivas. Trata-se, pois, de um exercício despretensioso, de um desafio ainda a germinar. Ou seja, um espaço próprio de apreço e de comentário - que, pelo estímulo da arte e do olhar, envolverá a divulgação, a informação e a memória, podendo assim evoluir para outros territórios e experiências em que, de futuro, se irá definir a respectiva amplitude e expansão. Consumando, simultaneamente, com os leitores virtuais, um círculo de amizade e um apelo à imaginação.

RELATÓRiO

CORTO MALTESE VIRTUAL
«Corto Maltese não nasceu de um dia para o outro, é fruto duma laboração de muitos anos. Ele encerra em si um pouco de todos os homens que encontrei pelo mundo, onde se apercebe, mais ou menos viva, a busca de liberdade. Eu estou bem ligado a ele, até porque possui com certeza algo de mim.» Assim nos referia Hugo Pratt (1927-95), em entrevista de 1974, sobre o seu herói primordial - cujas origens remontam a 1967, durante A Balada do Mar Salgado. Obra-prima da banda desenhada europeia - entre nós pelas Edições Asa, e referenciada pela literatura romântica de R.L. Stevenson, J. London ou M. Conrad, na qual se expande e aprofunda o fulgor épico - a sua saga continua, sob o signo da animação, com La Court Secrete des Arcanes - um filme realizado por Pascal Morelli, e já disponível em DVD pela Lusomundo, a partir de Corto Maltese na Sibéria (1987). Uma aventura culminante, que principia em Hong-Kong por 1919, durante o encontro entre Corto e Rasputine, até se precipitar numa convulsa Revolução Russa. Além desta ampla dimensão, adversa mas idealista, sobressai o domínio estético e alusivo - na exploração de um envolvimento subtil, estilizado pelos prodígios e desafios da natureza. Assim evolui, também, a dimensão mítica e trágica do ser humano. Palavras de Guido Fuga, sagrando uma cúmplice afeição criativa: «Pratt evocava constantemente o seu mundo fantástico, transformava-se com um mínimo de gestos e improvisava hilariantes diálogos surrealistas com tudo o que o rodeava, animando os objectos que se lhe rebelavam. Quando me pedem para falar de Hugo, repito que se tratava de um verdadeiro homem-orquestra, cantor, bailarino, actor, narrador genial e, para concluir, um desenhador extraordinário! Energia pura. O meu primeiro Mestre.»


BREVIÁRiO

Atalanta Filmes edita em DVD: A Vizinha do Lado (1945) de António Lopes Ribeiro, Tráfico (1998) de João Botelho, Ganhar a Vida (2001) de João Canijo e Rasganço (2001) de Raquel Freire.
José Abrantes apresenta uma nova personagem – o ingénuo e barbudo Capitão Marselha, que não gosta (mesmo nada!) de futebol… Em época de desafios do Euro 2004, esperam-se grandes vitórias.

A cooperativa Cinema Novo, responsável pelo Festival Internacional de Cinema do Porto, lança o Concurso do Conto Fantástico, cujo vencedor será publicado com menção no Livro de Contos Fantasporto: 25 Anos, entre contribuições de outros escritores convidados.



INVENTÁRiO

O REGRESSO DE VALÉRIAN
Tendo comemorado um quarto de século em 1992, a saga de Valérian, Agente Espácio-Temporal - por Pierre Christin (argumento) & Jean-Claude Mézières (ilustração) - converteu-se num dos mais celebrados títulos da banda desenhada franco-belga, expoente nos domínios infinitos do fantástico, como épico que subverteria os códigos da ficção científica, sagrando um imaginário prodigioso e efabulativo, bizarro e futurista. Em colecção própria, editada pela Dargaud, Valérian regressará em breve, com T.19: Au Bord du Grand Rien: para além da aventura fértil, luxuriante, entre perigos e deslumbramento, com ironia ou sortilégio, estabelecendo um mítico roteiro de fascínio e heroísmo. Pelo versátil talento de Christin, uma das mais fecundas alianças artísticas consuma e expande - através do Agente Espácio-Temporal - o grafismo sóbrio, mas vigoroso de Mézières. Entre a inspiração e o prazer da leitura, eis a revisão que nos propôs Christin: «Valérian era militarista, antes de se converter num desempregado de luxo - ao serviço de Galaxity, a comunidade responsável pelo destino dos planetas. Tornou-se menos rígido, mais experiente e propenso a ousadias...»

CAPRICHOS DE KIKI
Independente, desinibida, sôfrega, libertina, sempre à espera e preparada - na posição que lhe dê maior prazer ou a torne mais acessível - Aline apresentou entre nós Adão Iturrusgarai, como autor duma heroina incontornável, jovem adulta e de poucas subtilezas sexuais. Uma ousadia editorial da Devir, que com Kiki, A Primeira Vez - emancipada em 2000, nas páginas da revista Capricho - prossegue a revelação de um dos mais importantes e radicais cartoonistas brasileiros, na actualidade. Nascido no Rio Grande do Sul, e habitual em tiras desenhadas na importante Folha de São Paulo, Iturrusgarai desvenda em Kiki uma adolescente tímida, feiosa, ousada, expectante, indolente, propícia às excitações da vida, do amor, e perplexa ante os caprichos da idade, da virgindade. Considerada por Benda Fucuta, directora de redacção da Capricho, «a irmã mais nova de Aline», com Kiki evolui o estilo tropical de uma graciosidade feminina: dela, «acompanhamos as dúvidas existenciais, a preguiça de fazer dieta, a vontade de virar modelo, as engraçadíssimas experiências com os ficantes e, como não podia deixar de ser, a primeira vez dela». E outras se seguirão!

AVENTURAS DO CAPITÃO AMÉRICA
Como nenhum outro super-herói, o Capitão América reflecte um imaginário ianque de exaltação e abismo - simbolizando, ao que o nome sugere, um paladino emblemático: o uniforme é uma derivação da bandeira nacional, e o escudo - seu único apetrecho - constitui uma arma defensiva e agressora. Nascido em 1941, com argumento de Joe Simon e desenhos de Jack Kirby, Captain America tornou-se famoso pelos rasgos de patriotismo durante a Grande Guerra, ao enfrentar os nazis como inimigo principal. Logo o Caveira Vermelha, interpretado por Scott Paulin em As Aventuras do Capitão América (1990) de Albert Pyun, sendo protagonista Matt Salinger.



Na origem estava Steve Rogers, um débil soldado que, servindo de cobaia a experiências científicas, se converte em paladino aliado a Bucky Barnes, um rapaz mais tarde falecido. Afinal, também a sua carreira se encontra pejada de ocasos e ressurreições: incapaz de resistir à criminalidade civil, desapareceu em 1949, para surgir meteoricamente em 1954. Relançado em 1964 - explicando-se a ausência por se encontrar congelado num icebergue - reapareceu em força a partir de 1968. Mais de cem artistas recriaram o Cap, com destaque para Kirby & Stan Lee, que sublimou as suas contradições: antigo espião e justiceiro, tornou-se um funâmbulo atormentado e introvertido...
Em finais de 2003, a par com um novo projecto do Capitão América em grande ecrã, surgem notícias duma questão de direitos, cedidos verbalmente por Simon em 1940, a uma predecessora da Marvel. Resolvida a disputa em favor do produtor Avi Arad, este convidou escritores e cineastas a revirtualizarem o Cap, transfigurado à luz dos valores e dos fascínios da juventude actual.


terça-feira, julho 30, 2019

IMAGINÁRiO #783

José de Matos-Cruz | 16 Dezembro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

SEQUELAS
Em 1981, John Carpenter estilizou ao paroxismo o seu pessimismo visionário sobre o futuro, em Nova Iorque 1997/Escape From New York. Alvo de atentado, o avião do Presidente dos Estados Unidos cai na fortaleza de Manhattan, habitada por uma chusma de criminosos e sub-humanos. Um misterioso emissário tentará resgatá-lo, em certo lapso de tempo - durante o qual a sua vida pode ser, ainda, politicamente relevante… Solitário, inexorável, Snake Plissken converteu-se num anti-herói de culto, indissociável do carismático protagonista Kurt Russell - que, aproximando-se o ano da crepuscular profecia, reassumiu com Carpenter um desafio ainda mais radical. Eis Fuga de Los Angeles/Escape From L.A. (1996) - tempos depois, com outro líder e em nova situação de catástrofe. A América está sob um regime totalitarista, que tudo controla - dos vícios privados às virtudes místicas. Os indesejáveis são deportados para a Cidade dos Anjos - devastada pelo Mega-Terramoto, uma ilha infernal sob o domínio do revolucionário Cuervo Jones. Junta-se-lhe Utopia, a rebelde filha do Presidente, tendo consigo um mecanismo capaz de arrasar o nosso mundo. Cabe a Snake eliminar Utopia e anular a ameaça. Para tal corre riscos fatais, estabelece bizarros pactos, mas o juízo final paira já sobre o caos e a insanidade… IMAG.20-224-623


CALENDÁRiO

1930-30MAR2019 - Anna Mascolo: Bailarina, coreógrafa e pedagoga, professora de dança, nascida em Itália - «Foi uma grande impulsionadora do ensino artístico integrado em Portugal» (Sofia Campos).

30MAR-11MAI2019 - Galeria Municipal de Matosinhos apresenta Uma Coisa - exposição de gravura, desenho e escultura de José Pedro Croft, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.427-539-641-670-709-761

30MAR-18MAI2019 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa apresenta Ser Sombra [Desenho] - exposição de António Bolota, sendo curador Nuno Faria. IMAG.597-641-776
04ABR2019 - NOS Audiovisuais estreia Diamantino (2018) de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt; com Carloto Cotta e Anabela Moreira. IMAG.326-571-621

05ABR-29JUN2019 - Em Lisboa, Arquivo Fotográfico Municipal expõe Saudade de Pedra de Jorge Guerra. IMAG.398

05ABR-30SET2019 - Em Cascais, Casa Sommer expõe Entrelinhas - Retratos de Cascais de José Carlos Santos (fotografia) e Marco Grieco (texto).

07ABR-26MAI2019 - Em Algés, Palácio dos Anjos apresenta Living Among What’s Left Behind - exposição de fotografia de Mário Cruz.

PARLATÓRiO

Legisladores! Farei agora menção a um artigo que, segundo a minha consciência, devia omitir. Numa Constituição política não deverá prescrever-se uma profissão religiosa, porque segundo as melhores doutrinas sobre as leis fundamentais estas são as garantias dos direitos políticos e civis, mas a religião não se integra em nenhum desses direitos, é de natureza indefinível na ordem social e pertence à moral intelectual. A religião governa o homem em casa, no gabinete, dentro de si próprio: ela apenas tem o direito de examinar a sua consciência íntima. As leis, pelo contrário, têm em vista a superfície das coisas: governam fora da casa dos cidadãos. Aplicando estas considerações, poderá um Estado reger a consciência dos seus súbditos, velar pelo cumprimento das leis religiosas e atribuir prémio ou castigo, quando os tribunais estão no céu e quando Deus é o juiz? Só a Inquisição seria capaz de substituí-los neste mundo. Voltará ainda a Inquisição - com os seus archotes incendiários?
Simón Bolívar
- Manifesto ao Congresso Constituinte da Bolívia (1924-1925)

COMENTÁRiO

Frank Zappa foi um dos primeiros a tentar derrubar as barreiras entre rock, jazz e música clássica. No final dos anos de 1960, o seu Mothers of Invention iria colocar a Petroushka de Stravinsky dentro de Bristol Stomp de The Dovells, antes de irromperem os guinchos do saxofone inspirados por Albert Ayler.
A História Ilustrada do Rock & Roll / Rolling Stone



BREVIÁRiO

Assírio & Alvim edita Poemas Escolhidos de William Wordsworth (1770-1850); seleção, tradução e introdução de Daniel Jonas. IMAG.301

Cavalo de Ferro edita A Lã e a Neve de Ferreira de Castro (1898-1974). 
IMAG.26-37-47-83-115-128-156-180-217-244-472-629-660

Distrijazz edita em CD, sob chancela Aquarela do Brasil, Meu Brasil Brasileiro de Ary Barroso (1903-1964) e Um Interpreta o Outro de Ary Barroso e Dorival Caymmi (1914-2008). IMAG.211-419-464-671

MEMÓRiA

1922-16DEZ2010 - William Blake Crump, aliás Blake Edwards: Actor, argumentista e realizador do cinema americano, distinguido com um Óscar Honorário pela Academia de Hollywood (2004) - «Para muitos críticos, foi difícil aceitar que ele era mais do que um cineasta popular. Os seus detractores reconhecem o seu estilo formal, mas deploram-lhe a ausência de profundidade. Sob a aparência da comédia e do divertimento, todos os seus filmes reflectem, com rigor, os valores da vida contemporânea» (George Morris). IMAG.14-225-335-380-471-499-705-752

17DEZ1770-1827 - Ludwig van Beethoven: Compositor alemão, entre o classicismo e o romantismo - «A música é uma revelação superior a toda a sabedoria e a toda a filosofia. Música é o terreno inebriante em que o nosso espírito vive, pensa e inventa».
IMAG.134-163-202-204-210-228-229-236-237-239-255-268-285-298-303-323-360-375-384-409-430-431-432-436-442-445-452-458-481-502-529-581-604-605-635-647-666-667-681-707-724-726-733

1783-17DEZ1830 - Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palacios y Blanco, aliás Simón Bolívar: Militar e político venezuelano - «Colombianos! A minha última vontade é a felicidade da pátria. Se a minha morte contribuir para o fim do partidarismo e para a consolidação da União, baixarei em paz à sepultura!» (último discurso ao povo da Colômbia - 08DEZ1830). IMAG.303-428

18DEZ1870-1916 - Hector Hugh Munro, aliás Saki: Escritor britânico - «A dignidade perdida não é um bem que possamos restabelecer de um momento para o outro, é quase tão dolorosa como a lenta recuperação de um afogamento». IMAG.174-303-586

19DEZ1910-1986 - Jean Genet: Ficcionista, poeta e dramaturgo francês - «O principal objectivo de uma revolução é a libertação do homem, não a interpretação e aplicação de uma qualquer ideologia transcendente».  
IMAG.78-139-303-342-546-558

1913-19DEZ1990 - Rubem Dias Ferro Braga, aliás Rubem Braga: Escritor e jornalista brasileiro - «Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.» (A Traição das Elegantes - excerto, 1967). IMAG.402

1896-21DEZ1940 - Francis Scott Key Fitzgerald, aliás F. Scott Fitzgerald: Escritor americano, autor de O Grande Gatsby (1925) - «Brigas familiares não obedecem a nenhuma regra. Não causam muita dor ou feridas, mas produzem fendas que não fecham porque falta matéria suficiente.» (Babylon Revisited - excerto, 1920-1932)». IMAG.161-248-303-334-376-580

21DEZ1940-1993 - Frank Vincent Zappa, aliás Frank Zappa: Compositor e guitarrista americano - «Já que eu não tive nenhum tipo formal de formação, não fazia qualquer diferença para mim se estava a ouvir Lightnin’Slim, ou um grupo vocal chamado Jewels…, ou Webern, ou Varèse, ou Stravinsky. Para mim, era tudo boa música!» (1989). IMAG.303-445

1912-21DEZ1980 - Nelson Falcão Rodrigues, aliás Nelson Rodrigues: Escritor e jornalista brasileiro - «Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito». IMAG.304-383-659-690

1836-22DEZ1870 - Gustavo Adolfo Claudio Domínguez Bastida, aliás Gustavo Adolfo Bécquer: Poeta e ficcionista espanhol - «Três séculos decorreram, ao fim dos quais, tornando ao meu antigo ser, o deus me perguntou: “Que queres?” “A imortalidade.” “E que mais?” “A suprema inteligência.” “Só isso?” “E ser homem.” “De hoje em diante, os teus desejos serão cumpridos.” E fui homem imortal e infalível; vivi no mundo, regenerei as sociedades, escrevi leis e… o pagamento das minhas vigílias, dos meus afãs e do meu amor foi tal, que pedi para voltar a ser corvo; e ainda que, depois de haverem procedido ao meu julgamento na tumba, os homens me tenham feito justiça, eis-me aqui e corvo sou e corvo serei até à consumação dos séculos.» (Lendas - excerto, 1859-1865). IMAG.77-551

PARLATÓRiO

A marca de uma inteligência de primeira ordem é a capacidade de ter duas ideias opostas, presentes no espírito ao mesmo tempo, e nem por isso deixar de funcionar.
F. Scott Fitzgerald

Trabalhei com os melhores cineastas - Ford, Wyler, Preminger - e aprendi bastante com eles. Mas era pouco cooperativo. Era um miúdo rebelde, mal disposto. Talvez porque, já nessa altura, o que me interessava era dirigir, não ser dirigido.
Blake Edwards

quinta-feira, junho 27, 2019

IMAGINÁRiO #778

José de Matos-Cruz | 08 Novembro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CONTRASTES
O cinema bélico alcançou em 1969, com Patton de Franklin J. Schaffner, um dos seus expoentes mais empolgantes e anacrónicos. Impressionante pela dimensão espectacular, sagrando a indústria artística de Hollywood. Controverso como biografia do General George S. Patton, considerado um dos génios da II Guerra Mundial. Os deveres militares, os requisitos da honra, os desígnios estratégicos, os dilemas da glória, contrastam-se na personalidade complexa e arrogante deste herói americano - entre o paraíso da História e o inferno dos seus fantasmas - a que George C. Scott confere um portentoso desempenho, justamente galardoado com o Oscar ao Melhor Actor. Com rodagem na Europa e no Norte de África, outros galardões da Academia distinguiram o Melhores Filme, Argumento (de Francis Ford Coppola e Edmund H. North), Cenografia e Montagem. Segundo Franklin J. Schaffner, eis «o estudo de uma personagem, não uma tese. A guerra aparece, apenas, como pano de fundo, porque era a profissão desse homem».  
IMAG.77-251-268-672

CALENDÁRiO

1924-21FEV2019 - Stanley Donen: Cineasta americano, coreógrafo e bailarino, encenador e produtor, «o mestre do Musical» (Jean-Luc Godard), realizador de Serenata à Chuva / Singin’ In the Rain (1952 - com Gene Kelly) - «Para mim, dirigir é como o sexo: quando é bom, é muito bom; mas, quando é mau, continua a ser bom». IMAG.97-225-312-705

22FEV-03JUN2019 - Em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian expõe, no Espaço Conversas, O Pirgo de Chaves - cruzamento entre escultura / arqueologia de Francisco Tropa, sendo curadores Sérgio Carneiro e Penelope Curtis.  
IMAG.399-555-603-621-641-671

1933-23FEV2019 - João Dagoberto Forte Bigotte Chorão, aliás João Bigotte Chorão: Escritor português, professor e investigador, ensaísta literário, especialista na obra camiliana - «Autor de uma crítica humanista ou ontológica, que parte da obra para o homem, tantas vezes esquecido numa visão apenas formalista da literatura» (Quetzal - 2014). IMAG.272-293-559

1929-28FEV2019 - Andreas Ludwig Priwin, aliás André Previn: Compositor americano nascido na Alemanha, maestro e orquestrador, pianista de jazz, autor de bandas sonoras para filmes distinguido com quatro Oscars - «Um dia sem música, é um dia perdido».

28FEV2019 - Leopardo Filmes estreia A Portuguesa (2018) de Rita Azevedo Gomes; com Carla Riedenstein e Marcello Urgeghe. IMAG.172-404-718

28FEV2019 - Lanterna de Pedra produziu, e estreia Imagens Proibidas (2018) de Hugo Diogo; com Elmano Sancho e Diana Costa e Silva. IMAG.325

28FEV-28JUL2019 - Alfândega do Porto apresenta, no Centro de Congressos, Escher - exposição do artista holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972), sendo comissário Federico Giudiceandrea. IMAG.702

07MAR2019 - NOS Audiovisuais estreia Snu (2019) de Patrícia Sequeira; com Inês Castel-Branco e Pedro Almendra. IMAG.603

ELUCIDÁRiO

Leis de Kepler
Lei das Órbitas: Os planetas descrevem órbitas elípticas ao redor do Sol, sendo que este ocupa um dos focos da elipse.
Lei das Áreas: O segmento imaginário que une o centro do Sol e o centro do planeta varre áreas proporcionais aos intervalos de tempo dos percursos.
Lei dos Períodos: O quadrado do período de revolução de cada planeta é proporcional ao cubo do raio médio da respectiva órbita.
Lei da Gravitação Universal: Os corpos atraem-se com forças que são directamente proporcional à sua massa, e inversamente proporcional ao quadrado de suas distâncias.

MEMÓRiA

1822-08NOV1890 - César Auguste Jean Guillaume Hubert Franck, aliás César Franck: Compositor e organista belga, autor de Symphonie En Ré Mineur - «Ousei muito, mas, para a próxima vez, como vereis, ousarei ainda mais». IMAG.367-398

11NOV1850-1893 - António Carvalho da Silva, aliás Silva Porto: Pintor português, ligado ao Naturalismo - «…Não sorri, e parece longe… imerso na doce melancolia poética que ninguém lhe arranca, e com o espírito flutuando em mundo cor de safira e luar!» (Correio da Manhã - 1885). IMAG.287-372-767

1933-12NOV2010 - Henryk Mikolaj Górecki, aliás Henryk Górecki: Compositor polaco, distinguido com a Ordem da Águia Branca - «Música feita por meios tecnológicos é como feijão artificial… O problema é que o feijão artificial, quando plantado, não germina». IMAG.331-445

13NOV1850-1904 - Robert-Louis Stevenson, aliás Robert L. Stevenson: Escritor americano, ficcionista e poeta - «Os espíritos tranquilos não se confundem, continuam em seu próprio ritmo na ventura e na desgraça, tal como os relógios durante as tempestades».  
IMAG.1-35-41-151-187-257-260-298-345-423-454-493-497-550-578-652-733

1571-15NOV1630 - Johannes Kepler: Astrónomo, astrólogo e matemático alemão - «São grandes as vantagens industriais derivadas do princípio económico da divisão do trabalho - porém, e por isso mesmo, privou-se o trabalho do homem de alma e de vida». IMAG.56-115-123-124-302-344-352-590

VISTORiA

Na água dos olhos,
a contemplação.
No vento alado,
o perfume das rosas.
No trigo dourado,
a promessa do pão.
Cesar Franck

Entre os dois, sentia que tinha de escolher agora.
As minhas duas naturezas tinham memória em comum, mas todas as outras faculdades eram distribuídas muito desigualmente entre elas.
Preferi, então, o doutor já envelhecido e insatisfeito, mas rodeado de amigos e a alimentar honestas esperanças.
Dei um resoluto adeus à liberdade, à relativa juventude, ao passo leve, aos impulsos saltitantes e aos prazeres secretos que gozara na máscara de Hyde.
Talvez fizesse essa escolha com alguma reserva inconsciente, porque não desisti da casa em Soho, nem destruí as roupas de Eduard Hyde que tenho sempre prontas no meu gabinete.
Porém, durante dois meses, fui fiel à minha resolução.
Levei durante esses dois meses uma vida de tal severidade como nunca tinha levado, e gozei as compensações de uma boa consciência.
Logo o tempo começou, afinal, a obliterar o frescor de meu alarme.
Os louvores da consciência passaram a ser uma questão de hábito.
Comecei a ficar torturado com dores e anseios.
Era Hyde que lutava pela liberdade.
Finalmente, numa hora de fraqueza moral, compus mais uma vez e mais uma vez engoli a droga metamorfoseante.
O meu demónio, que por muito tempo tinha estado engaiolado, saiu rugindo.
No momento em que tomei a droga, fiquei consciente de uma propensão mais desenfreada e furiosa para o mal.
Devia ter sido isto, suponho, que desencadeou na minha alma a tempestade de impaciência com que ouvi as cortesias de minha infeliz vítima.
R.L. Stevenson
- O Médico e o Monstro (1886 - excerto)
COMENTÁRiO

A crença no efeito das constelações deriva, em primeiro lugar, da experiência – tão convincente, que só pode ser negada por gente que nunca a examinou
É, portanto, impossível que a razão não previamente instruída pudesse imaginar algo, senão que a Terra seria um tipo de casa imensa com a cúpula do céu no topo; não teria movimento e, dentro dela, o Sol tão pequeno passaria de uma região para outra, como um pássaro esvoaçando pelo ar
A Geometria existiu, e continua a existir, desde antes da Criação. É coeterna, com a mente de Deus… A Geometria forneceu a Deus um modelo para a Criação… A Geometria é o próprio Deus.
Johannes Kepler
BREVIÁRiO

Gradiva edita Charles Darwin [1809-1882] - A Bordo do Beagle de Christian Clot (texto) e Fabio Bono (desenho); tradução de Elsa Venturini. 
IMAG.16-63-74-77-87-90-101-109-119-214-234-238-241-248-295-367-505-584-635-694

Bertrand Editora lança Janela Indiscreta - O Que Dizem as Estrelas de Mário Augusto, com ilustrações de André Carrilho e prefácio de Daniela Ruah.  
IMAG.33-139-598-703-Extra

Quarto de Jade edita Planície Pintada de Diniz Conefrey e Maria João Worm - adaptação, em narrativa gráfica, de quatro textos indígenas da América do Norte.  
IMAG.289-301-325-332-359-377-386-395-409-416-430-444-448-451-504-534-553-591-594-596-613-624-651-665-725-735
 

sábado, novembro 17, 2018

IMAGINÁRiO #744

José de Matos-Cruz | 24 Fevereiro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

FATALIDADE
Ultrapassando a mera cinefilia sobre uma obra de culto, o fenómeno de Princesa Mononoke/Princess Mononoke estende-se às virtualidades duma apreensão ocidental sobre um filme genuinamente asiático, e em especial de características gráficas. Nos Estados Unidos, foi considerada a mais importante animação oriunda do Japão, até à data, permitindo ainda revelar Hayao Miyazaki, um realizador talentoso e sensível, com inspiração essencial no imaginário tradicional e popular do seu país.
Estreada em Tóquio em 1997, logrou o segundo maior sucesso comercial do ano. A Miramax decidiu recriar integralmente uma Versão Inglesa (1999), mantendo implícita fidelidade ao espírito original. Por sugestão de Quentin Tarantino, seu admirador, foi incumbido da supervisão Neil Gaiman, prestigiado escritor britânico de quadradinhos. Profundo conhecedor das mitologias universais, tal como repercute em The Sandman, Gaiman devotou-se a uma intensa pesquisa sobre o lendário nipónico, à época ritualizada por Princesa Mononoke. Em causa, a «floresta oriental do Século XVI», luxuriante e fantástica. Quando os domínios naturais são devastados pelo clã Tatara, o Grande Deus atribui extraordinários poderes às suas divindades, assim aparecendo criaturas medonhas, ilusórias. Por fatalidade, uma delas é morta pelo jovem Ashitaka, o último guerreiro do clã Emishi, em risco de extinção…
IMAG.17-21-25-26-34-49-59-86-117-188-203-240-243-537-667-714-739


CALENDÁRiO

07JUL-14OUT2018 - Museu Municipal de Tavira expõe, com Museu Calouste Gulbenkian / Colecção Moderna, Mulheres Modernas Na Obra de José de Almada Negreiros (1893-1970), sendo curadora Mariana Pinto dos Santos.
IMAG.84-135-154-173-224-278-292-305-371-413-498-547-561-579-612-630-633-660-680-704-711-715

24JUL-07OUT2018 - Museu Municipal de Caminha apresenta, com Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Quase Tudo o Que Sou Capaz - exposição de pintura, desenho e escultura (1961-1989) de Ângelo de Sousa (1938-2011), sendo curadora Paula Fernandes. IMAG.91-349-373-393-604

26JUL-22AGO2018 - Em Lisboa, Sociedade Nacional de Belas-Artes apresenta, na Galeria Pintor Fernando Azevedo, O Espaço Onde Todos Cabem - exposição de pintura de Ana Ruepp.

1923-01AGO2018 - Maria Celeste Rebordão Rodrigues, aliás Celeste Rodrigues: Fadista portuguesa, irmã de Amália Rodrigues - «Nunca se meteu na minha carreira artística, felizmente. Se não, eu tinha desistido. Canto à minha maneira, canto as minhas cantiguinhas. Como eu sinto. Nunca a imitei. Tentei fugir à maneira de ela cantar… Há tantos alfaiates. Eu não tinha de ser como ela».

07AGO-04SET2018 - Em Lisboa, Instituto Cultural Romeno expõe Manifesto de Mihai Ţopescu (Roménia).

PARLATÓRiO

Sermões
A escolha é obra da graça, como diz o Apóstolo: «No tempo presente subsiste um resto, por causa da escolha da graça». E acrescenta: «Se isto foi pela graça, não foi pelas obras; de outra sorte, a graça já não seria graça».
Ouve-me, ó ingrato, ouve-me! «Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi». Não tens razão para dizer: fui escolhido porque já acreditava. Se acreditavas nele, já o tinhas escolhido. Mas ouve: «Não fostes vós que me escolhestes». Não tens razão para dizer: antes de acreditar, já realizava boas acções, e por isso fui escolhido. Se o Apóstolo diz: «O que não procede da fé é pecado», que obras boas podem existir anteriores à fé? Ao ouvir dizer: «Não fostes vós que me escolhestes», que devemos pensar? Que éramos maus e fomos escolhidos para nos tornarmos bons, pela graça de quem nos escolheu. A graça não teria razão de ser, se os méritos a precedessem. Mas a graça é graça. Não encontrou méritos, foi a causa dos méritos. Vede, caríssimos, como o Senhor não escolhe os bons, mas escolhe para fazer bons.
«Eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais frutos, e o vosso fruto permaneça».
Santo Agostinho
- Comentários ao Evangelho de São João

PARLATÓRiO

Quando eu era mais jovem, a arte era uma coisa solitária. Sem galerias, nenhum coleccionador, nenhum crítico. Nenhum dinheiro. Entretanto, foi uma época de ouro. Pois não tínhamos nada a perder, e sim um sonho para realizar. Hoje, não é a mesma coisa. É uma época de muita conversa, de actividade, de consumismo. O que é melhor para a sociedade como um todo, não me aventuro a conjecturar. Mas eu sei que muitos dos que são induzidos neste tipo de vida estão, desesperadamente, em busca daqueles momentos de tranquilidade, nos quais nos podemos refazer e crescer. Devemos todos ter esperança de encontrá-los.
Mark Rothko
ANUÁRiO

354-430 - Aurélio Agostinho, dito de Hipona, aliás Santo Agostinho: Escritor, filósofo, teólogo e bispo latino - «A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação ensina-nos a não aceitar as coisas como estão; a coragem, esclarece-nos sobre o modo de as mudar». IMAG.19-34-116-227-282-481

MEMÓRiA

FEV1630-1684 - Josefa de Ayala Cabrera Figueira, aliás Josefa de Óbidos: Pintora portuguesa barroca, nascida em Espanha e consagrada pelos trabalhos de inspiração religiosa e pelas naturezas-mortas; raro exemplo de mulher que, à sua época, exercia o ofício, assinava e datava os seus quadros - que «traduzem a decepção de quem esperava muito mais e não achou… Não tivesse a artista tanto nome e os pareceres dos críticos seriam mais benévolos, pois sua pintura, embora sem nada excepcional, possui relativo interesse» (Fernando de Pamplona). IMAG.264-475-567

1903-25FEV1970 - Markus Rothkowitz, aliás Mark Rothko: Pintor russo, naturalizado americano - «Um quadro ganha vida, na presença do espectador que for sensível, e cuja consciência lhe atribui uma outra dimensão e amplitude». IMAG.269-436

29FEV1920-2016 - Simone Renée Roussel, aliás Michèle Morgan: Actriz francesa de teatro, cinema e televisão - «Espanta-me como os seus olhos se podem tornar duros, a sua boca insolente e a sua voz cruel» (Robert Chazal - 1957). IMAG.655

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Manuel Maria Barbosa du Bocage [1765-1805] - Antologia de Poesia Erótica; organização de Fernando Pinto do Amaral.
IMAG.42-43-50-69-103-151-308-327-543-581-583-587-639

GALERiA

Mulheres Modernas
A exposição Mulheres Modernas Na Obra de José de Almada Negreiros reúne 55 desenhos e pinturas – a maioria pertencente ao acervo da Colecção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian –, assim como excertos da obra literária do artista e textos publicados nos jornais e revistas da época.
A mulher moderna emancipada está presente na produção artística de Almada: na moda dos anos vinte ou através da representação de mulheres fumadoras, sedutoras, rebeldes, artistas, cantoras, bailarinas, atrizes, desportistas ou acrobatas. No entanto, ainda subiste o olhar masculino e voyeur que dominou a história da arte, tornou o corpo feminino em objeto e fez dele parte substancial da sua tradição.
A figuração feminina enquanto força de trabalho também é evocada através da representação de mulheres do mar, cuja expressão endurecida e sofrida anuncia preocupações realistas, presentes na obra plástica de Almada dos anos trinta.

Manifesto

Ao longo de 2017, Mihai Ţopescu desenvolveu, na localidade de Poienari, Roménia, um projecto de land art intitulado Paradise Forest, e que constou da coloração de uma floresta para que o espetador se deparasse com um espetáculo inédito, que fizesse soar um sinal de alarme em relação à poluição ambiental, desmatamento e necessidade de proteger a natureza.
«A floresta está encarnada! O artista enche-nos com todos os seus sentimentos, enquanto a natureza, a partir da qual Mihai Ţopescu cria a sua realidade, nos chama para o seu templo. Aqui, no templo cheio de colunas coloridas, subimos no silêncio de um dia de descanso imaculado», comentou o crítico Adrian Buga.
O projeto de land art foi transposto para uma escultura-objeto-instalação, em jeito de Manifesto.
Segundo Mihai Țopescu, «é uma luta pessoal com os meus semelhantes. Pretendo fazê-los perceber que, mal pomos o pé num sítio, destruímo-lo. Enquanto artista, não posso sair à rua e manifestar-me de uma forma clássica, mas tento fazê-lo através de símbolos».

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

A MELANCOLIA FIXA DO CONTROLADOR DE ONDAS - 9

Ali, Damião de Magalhães foi então surpreendido por uma populaça que, aos morras e vivas, se acotovelava entre a língua das águas e uma edificação monumental. O efémero e o eterno. Do morro descampado, em transe, que um dia ele conhecera, mantinha-se apenas uma porção de ervas e árvores, posta à qual aquela turba humana pudesse restituir um frémito providencial.
Continua