quinta-feira, junho 20, 2019

IMAGINÁRiO #777

José de Matos-Cruz | 01 Novembro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EXPANSÕES
Forjados na Equidade, na Honra e na Verdade, os super-heróis expandiram-se da banda desenhada à animação, para sagrar as Justice League Adventures, sob a chancela Cartoon Network. Simultaneamente, em 2002, tal universo recriado transferiu-se para os quadradinhos originais - em lançamento DC Comics, sendo as capas assinadas pelos incomparáveis Bruce Timm e Alex Ross. Num satélite de vigilância Watchower, que paira em altitude sobre a Terra, encontram-se os mais formidáveis paladinos actuais: Superman, Wonder Woman, Batman, Martian Manhunter, Green Lantern, Hawkgirl, The Flash… Eles são a esperança transcendente da humanidade, para exterminar o mal e a perversão - num recôndito lugar planetário, ou algures no universo ilimitado. Escrita por Ty Templeton, a primeira missão teve ilustração de Min S. Ku & Dan Davis, e a acção principia sob uma ameaça iminente - quando um misterioso meteoro cai algures, numa periferia americana. A Justice League é chamada a investigar, deparando-se com os riscos de um conflito intergaláctico, cujo inimigo principal indiciaria um responsável insuspeito: o próprio Green Lantern, fazendo vacilar os companheiros! IMAG.6-27-586

CALENDÁRiO

1933-19FEV2019 - Karl-Otto Lagerfeldt, aliás Karl Lagerfeld: Criador alemão de alta-costura, ligado à casa Chanel, designer, fotógrafo e ilustrador - «A moda é efémera, perigosa e injusta».

1936-19FEV2019 - Geraldes Lino: Autor e divulgador português de banda desenhada, colecionador, articulista e palestrante, editor, fanzinista e blogger - «Desde criança, um apaixonado da banda desenhada. Não é de estranhar, visto que ele e a revista infanto-juvenil O Mosquito nasceram ambos em Janeiro de 1936, e ela foi a sua primeira leitura logo aos sete anos, porque aprendera a ler aos seis. Foi assim que se tornou um leitor fascinado de histórias aos quadradinhos nas várias revistas da especialidade que foram surgindo em Lisboa, sua terra natal» (Síntese Autobiográfica Na 3ª Pessoa). IMAG.45-103-127-149-229-493-Extra

18JUL1929-21FEV2019 - José Carlos de Sequeira Costa, aliás Sequeira Costa: Pianista e pedagogo português - «Formámos uma escola excecional: Beethoven, que ensinou Karl Czerney, que foi professor de Franz Liszt, que por sua vez ensinou Vianna da Motta, eu, seu discípulo, e, a seguir a mim, Artur Pizarro» (2008). IMAG.158

21FEV2019 - NOS Audiovisuais estreia Portugal Não Está à Venda (2018) de André Badalo; com Pedro Teixeira e Rita Pereira. IMAG.328

VISTORiA

A Estupidez
Se a estupidez, com efeito vista por dentro, não se confundisse com o talento, se, vista por fora, não tivesse todas as aparências do progresso, do génio, da esperança, ninguém desejaria ser estúpido e não existiria a estupidez. Pelo menos, seria muito fácil combatê-la.
O pior é que ela tem qualquer coisa de extraordinariamente natural e convincente. Por isso, quando alguém considera um cromo mais artístico do que um quadro a óleo, este juízo comporta uma parte de verdade muito mais simples de demonstrar que o génio de Van Gogh. Da mesma forma se torna muito mais fácil e rentável ser-se um dramaturgo muito mais poderoso do que Shakespeare, um romancista mais igual do que Goethe; um bom lugar-comum é sempre mais humano que uma nova descoberta. Não surge um único pensamento importante do qual a estupidez não saiba imediatamente aproveitar-se, ela pode mover-se em qualquer direcção e assumir todos os trajes da verdade. A verdade, essa só tem um traje, um só caminho, por isso fica sempre de pior partido.
Robert Musil
- O Homem Sem Qualidades (1930-1943, excerto)
MEMÓRiA

1811-NOV1890 - Ignacio de Vilhena Barbosa: Escritor e erudito português, fundador de O Universo Pittoresco (1839), sócio bibliotecário da Academia Real das Ciências, autor de Monumentos de Portugal (1886). IMAG.249-357

1936-01NOV2010 - Carlos Amado: Escultor, cenógrafo, professor universitário - «Um artista e uma personalidade humana de uma disponibilidade afectiva singular, que procurou conciliar uma tradição clássica do renascimento italiano com a modernidade que se verificou no início do século XX, tendo acompanhado de perto o percurso de artistas e intelectuais de várias gerações» (António Valdemar). IMAG.330-585

1856-02NOV1950 - George Bernard Shaw: Dramaturgo e ensaísta irlandês - «Imaginar é o princípio da criação. Nós imaginamos o que desejamos, queremos o que imaginamos e, finalmente, criamos aquilo que queremos… Não há segredos mais bem guardados do que os segredos que todos conhecem».
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1924-02NOV2010 - Rudolf Borisovich Barshai, aliás Rudolf Barshai: Maestro e violinista russo, celebrado pelo arranjo e interpretação de composições musicais de Sergei Prokofiev (1891-1953) e Dmitri Shostakovich (1906-1975). IMAG.580

1944-05NOV2010 - Jill Clayburgh: Actriz do cinema americano - «Acho que as pessoas olham para mim, no ecrã, e pensam que sou uma personagem muito sensível. Mas isso não é o que eu faço melhor. As minhas melhores personagens são as que, em termos emocionais, estão a desfazer-se a olhos vistos».IMAG.331-464

06NOV1860-1935 - Bento de Sousa Carqueja, aliás Bento Carqueja: Escritor e jornalista português, autor de A Liberdade de Imprensa (1893) - «Desejo não ser nada no meu País, fora do meu lugar de jornalista e da minha cadeira de professor». IMAG.525

06NOV1880-1942 - Robert Musil: Escritor austríaco - «Não é o génio que se adianta um século em relação ao seu tempo, é a Humanidade que se encontra cem anos atrás dele». IMAG. 56-202-231-236-297-366-370

06NOV1930-2013 - Alcino Peixoto de Castro Soutinho, aliás Alcino Soutinho: Pintor e arquitecto português, referencial da Escola do Porto - «Discreto, moldado por uma sensibilidade feita de curiosidade imensa, culto como poucos, corajoso, cidadão empenhado e com causas, nunca perdendo de vista a luta por uma sociedade diferente e justa» (Valdemar Cruz). IMAG.491

1912-07NOV1990 - Lawrence George Durrell, aliás Lawrence Durrell: Escritor britânico, nascido na Índia, autor de Papisa Joana - «É necessária muita energia e muita neurose para escrever um romance. Se fôssemos realmente sensatos, faríamos outra coisa». IMAG.368-690

1942-07NOV2010 - Manuel Cintra Ferreira: Crítico de cinema, programador da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema - «Foi através dos filmes e dos textos que sobre eles escreveu que expressou o seu humanismo, a sua cidadania e o seu gosto artístico» (António Loja Neves). IMAG.26-72-92-161-169-331-397-501

SUMÁRiO

George Bernard Shaw
Polemista e dramaturgo, nasceu em Dublin e iniciou carreira como crítico de artes. Exercitou a ficção e o ensaio, mostrando o poder de fogo da ironia cortante e a visão do mundo peculiar em que vivia. Consagrou-se no teatro, deixando clássicos como A Profissão da Sra. Warren (1893) e Pigmalião (1913), esta última, a sua peça mais popular, e que, em 1964, deu origem ao filme My Fair Lady. Em 1925, foi agraciado com o Prémio Nobel de Literatura.

PALATÓRiO

Alguns homens vêem as coisas como são, e dizem «Por quê?». Eu sonho com as coisas que nunca foram, e digo «Por que não?»… Nenhuma pergunta é tão difícil de se responder, como aquela cuja resposta é óbvia.
George Bernard Shaw

Procuramos preencher o vazio da nossa individualidade e, por um breve momento, desfrutamos da ilusão de estar completos. Mas é, apenas, uma ilusão. O amor une e, depois, divide.
Lawrence Durrell
COMENTÁRiO

Ignacio de Vilhena Barbosa
A [sua] existência tem corrido plácida e serena, semeando afectos, e não tendo ódios. Permita que no frontispício d’este seu livro se inscreva não só a homenagem que é devida pelo crítico à sua vasta erudição e ao seu formoso talento, mas também a homenagem que é devida por um confrade à bondade nativa do seu coração e à levantada nobreza do seu carácter.
Pinheiro Chagas
- Prefácio a Monumentos de Portugal (1886)
EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

À TRIPA SOLTA, A COBRA É MOLE - 8

Foi assim. A Xarolas fez-lhe tudo o que é preciso para endoidecer um homem, até ele visar com raiva toda a humanidade, e estar capaz de desfazê-la às postas. Com tal bestialidade, que o palerma do Catraio nem tugiu nem mugiu. Já em pedaços, era uma atracção mórbida e anónima para eventual espectáculo qual sensação bizarra. Ao gosto de cientista com apetites góticos. Portanto, Julião Silvares levou ao gáudio os fanáticos aprendizes da Escola Médico-Cirúrgica, que desbarataram seus restos espectrais perante o olhar embevecido e académico do mestre Deodato Seromenho.
Continua

quarta-feira, junho 19, 2019

IMAGINÁRiO-Extra: ORION #3+4

Com coordenação e edição de Renato Abreu, surge o número #3/4 do fanzine Orion, acessível online na Yumpu, com data de Junho de 2019, e tendo ainda uma edição de referência em papel, destinada aos colaboradores. São eles Andro Malis, Bernardino Costantino, Françoise Duvivier, Jeremy Smookler, Joan Blaisse, José de Matos-Cruz, Léo Quiévreux, Luís Filipe Silva, Luís Louro, Marco Limbo Maraggi, Nicola Rettino, Ornela Michelli, Sarah Fisthole e Sofia Gonçalves Lobo.
Entretanto, os números anteriores de Orion continuam patentes online na Yumpu: o #0, experimental e aparecido em Março de 2018; o #1, referenciado a Julho de 2018; e o #2, com data de Janeiro de 2019, podendo também ser estabelecidos contactos através de: Zorion@sapo.pt
 
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segunda-feira, junho 17, 2019

IMAGINÁRiO #776

José de Matos-Cruz | 24 Outubro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

TESTEMUNHOS
À época, as ocorrências da guerra colonial não tiveram, no cinema português, uma expressiva incidência directa, em actualidades e reportagens, ao contrário do que havia sucedido noutros períodos marcados pelas circunstâncias político-militares. Por dois motivos principais: a influência da censura e a importância sucedânea da televisão. Em alternativa, o documentarismo africano mereceu um notável incremento, graças ao apoio oficial, especialmente sobre Angola e Moçambique, em múltiplas vertentes - sociais, económicas, turísticas, de ensino - sempre com uma dinâmica de progresso e desenvolvimento. Por outro lado, desde meados dos anos de 1960, a guerra colonial reflectiu-se na área ficcional da nossa cinematografia, com destaque para as longas metragens. Em causa, sobretudo, estão os conflitos individuais - os quais se repercutem pelo envolvimento familiar e comunitário, através das convencionais implicações dramáticas. Entretanto, a partir de finais do Século XX, passou a registar-se - em pequeno e grande ecrãs, com a assinatura ou o desempenho das novas gerações - uma multiplicidade significativa de propostas romanescas e testemunhadoras.
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CALENDÁRiO

02FEV-14ABR2019 - Em Lisboa, Galeria Quadrum expõe Assentamento de António Bolota - em jogo, a arquitectura, a engenharia dos materiais e a escultura, sendo curadora Sara Antónia Matos. IMAG.597-641

08FEV-06MAI2019 - Em Lisboa, Espaço Projecto do Museu Calouste Gulbenkian expõe Moi Je Suis la Langue et Vous Êtes Les Dents de Yto Barrada (Marrocos/França), sendo comissária Rita Fabiana.

09FEV-27ABR2019 - Em Lisboa, Galeria Zé dos Bois apresenta Mil Órbitas por António Poppe - exposição de colagens, desenhos, caligrafias, livros e esculturas, sendo curador Natxo Checa. IMAG.461

1941-15FEV2019 - Bruno Ganz: Actor suíço do teatro, da televisão e do cinema internacionais, intérprete de A Cidade Branca (1982 - Alain Tanner) - «Os guiões têm de me agarrar, de me irritar, de me seduzir. Não quero repetir-me nos meus papéis». IMAG.127-208-268

15FEV-21ABR2019 - Em Lisboa, Museu da Marioneta apresenta, com Monstra - Festival de Animação de Lisboa, A Magia dos Estúdios Aardman (GB) - exposição de marionetas, cenários, esquissos e storyboards de filmes e séries televisivas. IMAG.159

15FEV-19MAI2019 - Em Lisboa, Culturgest apresenta Once In A Life Time [Repeat] - exposição antológica de João Onofre, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.575

19FEV-24JUN2019 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe, com Museo Guggenheim Bilbao e Kunsthall Rotterdam, I’m Your Mirror de Joana Vasconcelos, sendo comissário Enrique Juncosa. IMAG.294-497-761

22FEV-20ABR2019 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Mapa Luga, Uma Lacuna - exposição de desenho Rui Horta Pereira. IMAG.541-601-735

02MAR2019 - Em Lisboa, Galeria Diferença expõe Diários de Lisboa de André Ruivo. IMAG.375-378-390-405-407-416-430-435-596-771

VISTORiA

Contigo o Céu

Se me aparto de Ti, Deus de bondade,
que ausência tão cruel! Como é possível
que me leve a um abismo tão terrível
pendor infeliz da humanidade.

Conforta-me, Senhor, que esta saudade
me despedaça o coração sensível;
se a Teus olhos na cruz sou desprezível,
não olhes para a minha iniquidade.

À suave esperança me entregaste,
e o preço do Teu sangue precioso
me afiança que não me abandonaste.

Se justo, castigar-me Te é forçoso,
lembra-Te que Te amei e me criaste
para habitar contigo o Céu lustroso!
Alcipe
(D. Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre)

MEMÓRiA


25OUT1890-1953 - Raul Ferrão: Maestro e compositor português, autor de Abril Em Portugal, oficial do exército, engenheiro químico, professor - «O nome de Raul Ferrão fica sinónimo com os bons momentos da música portuguesa» (D. Belo). IMAG.417-464

25OUT1930-2015 - Joaquim Manuel Durão, aliás Joaquim Durão: Xadrezista português, Mestre Internacional - «Trabalhei muito pelo xadrez. Foram treze anos dedicados ao dirigismo da FIDE/Federação Internacional de Xadrez, influenciando os destinos da modalidade, nos bons e nos maus momentos» (1999). IMAG.569

26OUT1910-1996 - Fernando Carvalho Trindade Bento, aliás Fernando Bento: Ilustrador, figurinista, pintor, autor de banda desenhada - transpôs As Mil e Uma Noites de Adolfo Simões Muller, e colaborou no Cavaleiro Andante a partir de 1952. IMAG.257-299-307-328-367-533-550-578-643

1901-27OUT1980 - José Claudino Rodrigues Miguéis, aliás José Rodrigues Miguéis: Escritor português - «Começo a compreender, com espanto, o que me move: um desejo de identificação com os humildes deste mundo.» (Gente da Terceira Classe - 1962). IMAG.311-350-376

28OUT1900-1967 - Eduardo Augusto D’Oliveira Morais Melo Jorge Malta, aliás Eduardo Malta: Pintor português, distinguido com o Prémio Columbano (1936), director do Museu de Arte Contemporânea (1959-1967) - «Os retratos de Eduardo Malta vivem carnal e espiritualmente» (Teixeira de Pascoaes). IMAG.612

31OUT1750-1839 - D. Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre: Condessa de Oeynhausen-Gravenburg, Condessa de Assumar e Marquesa de Alorna, poetisa de nome literário Alcipe - «Nos discretos caracteres, / Vão teus olhos magoados / Ora lendo o seu conforto, / Ora o decreto dos Fados. // Já te lanças brandamente / No seio da paciência; / Já te recreia admirar / O aspecto da Providência. // Eu te sigo, suspirando, / E teço então sobre a lira / Estas cantigas saudosas / Que o contemplar-te me inspira. // Se os meus versos te consolam, / Sempre a branda simpatia / Conduzirá no silêncio / A Musa que teme o dia!» (A Uma Freira Em Chelas). IMAG.246-296-726

31OUT1950-2016 - Zaha Mohammad Hadid, aliás Zaha Hadid: Arquitecta inglesa de origem iraquiana, distinguida com o prémio Pritzker em 2004 - «O que a fazia diferente, era essa vontade de dar movimento ao espaço» (Lina Santos). IMAG.613

TRAJECTÓRiA

Raul Ferrão

Ninguém diria, mas o compositor de algumas das mais populares e conhecidas canções, fados e marchas de Lisboa era… militar de carreira! Raul Ferrão escreveu música para mais de uma centena de peças de teatro e revistas e ainda para alguns dos mais aclamados filmes portugueses.
A ele se devem êxitos como Cochicho, As Camélias, Burrié, Velha Tendinha, Rosa Enjeitada, Ribatejo, e ainda canções para os filmes A Canção de Lisboa, Maria Papoila, Aldeia da Roupa Branca e Varanda dos Rouxinóis; e escreveu ainda música para operetas como A Invasão, Ribatejo, Nazaré, Colete Encarnado ou Senhora da Atalaia.
Em 1907, com 17 anos de idade, ingressou na carreira militar. Foi professor da Escola de Guerra em 1917 e 1918, depois de ter cumprido comissões de serviço em África durante a I Guerra Mundial.
Ferrão, formado em engenharia química, começou a compor durante os anos vinte e chegou a ser representante da antecessora da Sociedade Portuguesa de Autores, a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais, em congressos internacionais de direitos de autor.
Extraordinariamente produtivo como compositor (só na década de quarenta escreveu música para quase quarenta revistas!), as suas criações atravessaram gerações, e basta recordarmos duas das mais importantes: Lisboa Não Sejas Francesa, originalmente composta para a opereta A Invasão, e o eterno Coimbra, que, contudo, tem uma história curiosa.
De facto, a melodia de Coimbra existia desde 1939 sem que Ferrão conseguisse que lha aceitassem numa peça. A canção foi ficando na gaveta até que, finalmente, apareceu em 1947 no filme Capas Negras, onde foi criada por Alberto Ribeiro, ironicamente, sem grande sucesso. Só três anos mais tarde, quando Amália a interpreta numa digressão internacional, a canção se tornaria popular em todo o mundo, ficando conhecida no estrangeiro como Avríl au Portugal ou Apríl in Portugal… Ferrão ainda assistiu ao triunfo desta canção enjeitada antes de falecer em 1953. O realizador e produtor televisivo Ruy Ferrão, seu filho, encarregou-se de manter viva a sua memória.

COMENTÁRiO

FERNANDO BENTO

Com um historial esparso, mas de notável qualidade, graças a um leque de artistas que, tendo-se afirmado pela época áurea, persistiram em actividade, a banda desenhada portuguesa constitui um fecundo património - ciosamente preservado por coleccionadores, apreciado por leitores nostálgicos e, ao ressurgir em álbum, seduzindo as mais jovens gerações.
Um exemplo único, a nível internacional, pelo fascinante grafismo, ágil e harmonioso, inconfundível, Fernando Bento tem justa evocação - através de obras-primas clássicas, oportunamente relançadas. Um universo fabuloso e aliciante, a redescobrir do original preto-e-branco à prancha colorida.

VISTORiA

Ao longo dos passeios de Nova Iorque, por sobre as estações e galerias do subway, abrem-se grandes respiradouros gradeados por onde cai de tudo: o sol, a chuva, o luar e a neve, luvas, lunetas e botões, papelada, chewing gum, tacões de sapatos de mulheres que ficam entalados e até dinheiro. Às vezes, lá no fundo, no lixo acumulado, ou em poças de água estagnada, brilham moedas de níquel e mesmo de prata.
José Rodrigues Miguéis
- Arroz do Céu (1962, excerto)
BREVIÁRiO

Porto Editora lança Burgueses Somos Nós Todos ou Ainda Menos de Mário de Carvalho. IMAG.327-410-528-541-542-543-581-603-612-618-666-676-6784
 

terça-feira, junho 11, 2019

Imaginário-Extra: Directório #2

Secção adicional, temática e aperiódica, que complementa as newsletters do Imaginário, os Extra destacam matérias da actualidade, em formato de divulgação e/ou crítica. Abaixo listados estão os mais recentes vinte Imaginários-Extra, de Maio de 2018 a Maio de 2019.
Para consultar os primeiros trinta Extra, consulte o Directório #1 – AQUI.

#31 – Susana Resende: Iniciação à Arte Sequencial
#32
– Renato Abreu: Orion #1
#33 – 1º Barreiro IlustraBD
#34
– Comic Con Portugal em Algés
#35
– Nomeações aos XVI Troféus Central Comics



#36
Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livro Dois [Apenas Livros]
#37
– Susana Resende: Gatos Baralhados [Apenas Livros]
#38
– José Ruy: Dois novos Álbum em Quadradinhos [Âncora Editora]
#39
– Aurora Boreal e O Infante Portugal no Amadora BD e XVI TCC
#40
Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livro Três [Apenas Livros]


#41
Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livro Quatro [Apenas Livros]
#42
– Renato Abreu: Orion #2
#43
– Jorge Magalhães, até sempre
#44
Aurora Boreal e O Princípio Infinito [Apenas Livros]
#45
– Zé Manel, até sempre


#46
– Geraldes Lino, até sempre
#47
– Susana Resende: Lances em Banda Desenhada
#48
Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo – Livro Um [Apenas Livros]
#49
– Daniel Maia e Susana Resende ilustra Prémio Bandas Desenhadas
#50
Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo – Livro Dois [Apenas Livros]

domingo, junho 09, 2019

IMAGINÁRiO #775

José de Matos-Cruz | 16 Outubro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

RADICAL
Independente, desinibida, sôfrega, libertina, sempre à espera e preparada - na posição que lhe dê mais prazer ou a torne mais acessível - eis Aline, uma heroína incontornável e de poucas subtilezas sexuais, que Adão Iturrusgarai exibe em Cama, Mesa e Banho (2001). Uma edição Devir, que assim prosseguiu a revelação dos mais importantes e radicais cartunistas brasileiros da actualidade. Nascido no Rio Grande do Sul, e habitual em tiras desenhadas na importante Folha de São Paulo, Iturrusgarai revelara já Aline em Fantasias Urbanas, refinando desta vez o seu quotidiano íntimo, debochado, com os namorados Otto e Pedro. Mas, quando Aline põe um anúncio - «Ruivinha, mignon, selvagem, deseja conhecer gentil cavalheiro, viril» - logo outros se juntam ao bacanal erótico, como o psiquiatra Dr. Yuri ou Paulo, o canalizador voyeur. Absolutamente para adultos, e com reservas, a saga de Aline reivindica «o manifesto nu, de uma sociedade que já se despiu da hipocrisia e dos falsos pudores». IMAG.1

CALENDÁRiO

1944-24JAN2019 - José Manuel Domingues Alves Mendes, aliás Zé Manel - Artista português de banda desenhada, cartunista e ilustrador, designer e cenógrafo, autor de vitrais, distinguido com o Prémio de Honra do AmadoraBD 2011, filho de António Alves Mendes/Méco - «Embora reservado, fazia parte, com gosto, de tertúlias onde pontificavam artistas e intelectuais, mas sem nunca lhe apetecer o palco e as luzes, nem ceder à tentação do deslumbramento, mesmo no auge da sua brilhante carreira» (Dinis de Abreu).
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05ABR1939-03FEV2019 - Rogério Octávio da Costa Matos, aliás Octávio Matos: Actor português de teatro, cinema e televisão - «O mundo perde um grande senhor… O universo ganha uma Enorme Estrela…» (Rui de Sá). IMAG.485

1936-07FEV2019 - Albert Terence Finney Jr, aliás Albert Finney: Actor inglês de teatro, cinema e televisão - «Detesto comprometer-me - com uma rapariga, um produtor ou uma certa imagem fílmica». IMAG.477

1927-08FEV2019 - Cremilda Gil: Actriz portuguesa de teatro, cinema e televisão - «Nunca me servi de subterfúgios para manter carreira, nem estou à espera de elogios. Se alguém mos faz, é uma alegria. Mas sinto-me agradecida, as pessoas reconhecem-me com facilidade na rua».

08FEV-07ABR2019 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Através da Superfície - exposição de escultura de Rui Matos, sendo curadora Joana Consiglieri.

1931-09FEV2019 - Jean-Thomas Ungerer, aliás Tomi Ungerer: Escritor e ilustrador francês - «Era um artista que ridicularizava as fronteiras entre os géneros, manipulava idiomas e deixou uma marca profunda nas artes gráficas» (Lusa).

VISTORiA

Em 1517, indo Duarte Coelho com Fernão Peres de Andrade, caminho da China, com um temporal que lhe deu arribou à costa do reyno de Sião, e entrou por o rio Menam, que o atravessa, nas correntes do qual está situada a cidade de Hudiá, capital do reyno, 30 leguas da qual elle invernou aquelle anno, e de ali tornou a fazer seu caminho por a China, d’onde era vindo…
Quando, no anno seguinte, D. Aleixo de Menezes, tendo ordenado os negocios da cidade de Malaca, sua provisão e segurança, ordenou envia-l’o a el rey de Sião com cartas e um presente que lhe el rey D. Manuel mandara na armada em que d’este reyno se partiu Antonio de Saldanha o anno de dezassete. E isto em retorno de que o mesmo rey lhe tinha envido por Antonio de Miranda, quando lá foi por embaixador por mandado de Affonso de Albuquerque, depois de tomada Malaca, em traz do qual fora o mesmo Duarte Coelho, como atraz fica dito.
João de Barros
- Décadas (excerto)
MEMÓRiA

1887-17OUT1920 - John Silas Reed, aliás John Reed: Escritor e activista americano, autor de Dez Dias Que Abalaram o Mundo (1919) - «Se alguém pensa que as massas russas queriam essa guerra, é só colocar o ouvido no chão nestes dias, agora que elas estão a romper o seu silêncio secular, e escutar o troar cada vez mais próximo da paz». IMAG.631

17OUT1920-12MAR2010 - Miguel Delibes Setién, aliás Miguel Delibes: Escritor espanhol, membro da Real Academia (1975), autor de Os Santos Inocentes (1981) - «A máquina veio acalentar o estômago do homem, mas esfriou o seu coração». IMAG.293

18OUT1820-1886 - José da Silva Mendes Leal: Escritor, jornalista, diplomata e político português - «Salve, salve, ó majestade / Moribunda a sucumbir! / Como o espinho da saudade / Te havia fundo pungir! / Como o homem sofreria / Do monarca na agonia! / Longe do que era tão seu, / Da esposa e filhos briosos, / E dos campos seus formosos, / E do seu formoso céu!» (Ave, César! - excerto). IMAG.540-575

1839-18OUT1860 - Casimiro José Marques de Abreu, aliás Casimiro de Abreu: Poeta brasileiro - «Minh’alma é triste como a flor que morre / Pendida à beira do riacho ingrato; / Nem beijos dá-lhe a viração que corre, / Nem doce canto o sabiá do mato! // E como a flor que solitária pende / Sem ter carícias no voar da brisa, / Minh’alma murcha, mas ninguém entende / Que a pobrezinha só de amor precisa!» (Minh’Alma É Triste). IMAG.689

1496-20OUT1570 - João de Barros: - Historiador português, pioneiro da normalização gramatical da língua - «O dia é passado e a noite vem-se…» (Ropicapnefma - excerto). IMAG.68-159-353-590

20OUT1940-2017 - Manuel Figueiredo de Oliveira, aliás Manuel Oliveira: Atleta português - «O melhor atleta português dos anos 60» (WikiSporting). IMAG.699

1905-20OUT1990 - Joel Albert McCrea, aliás Joel McCrea: Actor americano, distinguido em filmes sobre a saga western - «Não lamento nada… Excepto, talvez, não me ter esforçado mais para ser um melhor intérprete». IMAG.57

1922-20OUT2010 - Mariana Dolores Rey Colaço Robles Monteiro, aliás Mariana Rey Monteiro: Actriz portuguesa de teatro, cinema e televisão, filha de Amélia Rey Colaço e de Robles Monteiro - «O facto de pertencer a uma família de grandes actores, como eram Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, nunca a tornou soberba. Antes pelo contrário. Cumpria o que os encenadores diziam sem questionar, e por isso a adoravam» (Manuela Maria).IMAG.328-400

21OUT1790-1869 - Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine, aliás Alphonse de Lamartine: Ficionista, poeta e político francês - «Arrependermo-nos das boas acções, é sacrificarmos a consciência ao egoísmo da paixão». IMAG.216-295-696

22OUT1870-1953 - Ivan Alekseyevich Bunin, aliás Ivan Bunin: Escritor russo, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1933) - «A noite avança com o seu passo silencioso / tristemente oh coração descansa pois / e esquece, repousa coração, repousa e dorme.» (Calma Vespertina - excerto). IMAG.295-442

1918-22OUT1990 - Louis Pierre Althusser, aliás Louis Althusser: Filósofo francês, nascido na Argélia - «A ideologia é indispensável em qualquer sociedade, se os homens pretendem ser formados, transformados e habilitados a responder às exigências das suas condições de existência». IMAG.199-295-679

VISTORiA

Que É Simpatia

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto…
– Simpatia – é quase amor!
Casimiro de Abreu

Riem-se de ti, minha terra,
escarnecem do miserável
pardieiro enegrecido
da tua simplicidade…

O filho é um tolo insolente:
entre os amigos da cidade,
como se envergonha da mãe –
tímida, triste e cansada.

Mal olha a velha que fez
centos de léguas por ele,
e para o dia do encontro
poupou tostão a tostão.
Ivan Bunin
(Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra)

É essencial ler e estudar O Capital. Devo acrescentar que é necessário e essencial ler e estudar Lenine e todos os grandes textos, novos ou antigos, aos quais se devem a experiência da luta de classes do movimento operário internacional. É essencial estudar os textos práticos do movimento operário revolucionário em sua realidade, seus problemas e contradições: em seu passado e, acima de tudo, sua história presente.
Louis Althusser
- A Filosofia Como Uma Arma Revolucionária (excerto)
BREVIÁRiO

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, The [Wolfgang Amadeus] Mozart [1756-1791] Radio Broadcasts por RIAS-Symphonie-Orchester, sob a direcção de Ferenc Fricsay.
IMAG.36-55-68-90-102-106-118-172-186-205-216-217-220-227-277-284-285-290-317-321-342-349-375-406-431-449-475-500-503-534-547-589-597-640-666-667-688-703-708-715-736-755-761
 

quinta-feira, junho 06, 2019

IMAGINÁRiO-Extra: OUTRAS BANDAS #0 e TÁGIDE

"O fanzine antológico Outras Bandas é a publicação-estandarte do Tágide, um colectivo informal de BD do Montijo que co-fundei com outros artistas, sendo composto maioritariamente por residentes da cidade e arredores, entre os quais constam tanto autores experientes como amadores, bem como coleccionadores e leitores casuais, e que surge na sequência dos cursos Iniciação à Arte Sequencial promovidos pelo município em 2018, com coordenação pela autora Susana Resende e assistência minha.
Através de encontros quinzenais na sala polivalente da Quinta do Pátio d'Água (no Montijo), e da realização de projectos editoriais e exposições, o Tágide visa cultivar o gosto pela banda desenhada na região, seja promovendo os talentos do concelho e cidades circundantes na margem sul vocacionados para a criação de BD e/ou ilustração, ou providenciando um espaço onde os leitores possam partilhar as suas leituras.

O título Outras Bandas, que tive o prazer de editar em parceria com Eduardo Martins, caracteriza-se por ser uma edição independente, de cariz ecléctico e aberto a diversas sensibilidades e estilos gráficos; o fanzine contempla conteúdos em BD, prancha/tira humorística, conto ilustrado e galeria de ilustração temática, sempre com histórias curtas e auto-conclusivas, em técnicas a preto/branco.
Pautado por histórias de esperança e desespero, e por narrativas fantásticas e alegóricas, esta edição inaugural reúne obras curtas realizadas originalmente para concursos nacionais e internacionais, pelos membros do grupo António Coelho, Maria João Claré, Mário André, Patrícia Costa e Shania Santos, sendo a capa ilustrada por Susana Resende. Pela minha parte, além de assumir a coordenação da edição, também contribuí com uma ilustração interna.

Outras Bandas #0 foi apresentado no Domingo, dia 2/6, no auditório da Casa da Cultura de Beja, no fim-de-semana de abertura do 15º Festival Internacional de BD de Beja, ficando disponível no Mercado do Livro e podendo também ser solicitado através do blog TagideBD."

Daniel Maia