quinta-feira, outubro 19, 2017

O Infante Portugal em Universos Reunidos

Concebido e recriado por José de Matos-Cruz em narrativa ilustrada, o Infante Portugal  é um emblemático herói, agora adaptado à banda desenhada nesta obra autónoma e conclusiva, cuja publicação assinala o 10º aniversário da revelação original da personagem.

O Infante Portugal em Universos Reunidos visa introduzir os novos leitores à origem dos paladinos de um universo lusitano mágico e iniciático, e, ainda, ligar a saga do herói primordial, publicada por Apenas Livros (2010-2012), à recente sequela sobre Aurora Boreal, apresentada em Maio de 2017, no XIII FIBDB.

Evocando momentos decisivos de uma história nacional, fantástica, desde eras imemoriais até à actualidade virtual, seguimos as proezas permutáveis d’O Infante Portugal e do Condestável Lusitano em momentos de crise ou euforia, tal como foram registados pelo Livro Livre, um artefacto místico, até à chegada da misteriosa Aurora Boreal.

Escrito por José de Matos-Cruz e desenhado por Daniel Maia, sendo artistas convidados Susana Resende e Daniel Henriques, e com uma participação especial dos mestres José Garcês e José Ruy, que primeiro os delinearam, O Infante Portugal em Universos Reunidos é uma edição independente e de tiragem limitada, incluindo conteúdos adicionais sobre o conceito ficcional e as incidências anteriores, além de uma caracterização das personagens fundamentais.
Apresentada no XIII FIBDB, a revista será lançada no 28º AmadoraBD, com a presença dos autores.

O Infante Portugal em Universos Reunidos
[Kafre/
Arga Warga]
Author/Autor: José de Matos-Cruz
Artist/Desenhador: Daniel Maia
Guest Artist/Desenhadora Convidada: Susana Resende
Guest Inker/Arte-Finalista Convidado: Daniel Henrique
Guest Cameo/Participação Especial – José Garcês & José Ruy
1st Edition/1a Edição: Outubro 2017
Depósito Legal: 432770/17
Comics/BD | 28p | 5,00€/$

terça-feira, outubro 17, 2017

Aurora Boreal e O Princípio Infinito - Livro Um

ilustração de Susana Resende
Após a estreia da heroína e a introdução ao seu universo criativo num título especial de lançamento, Aurora Boreal e O Instinto Supremo, com apresentação no XIII FIBDB, a Apenas Livros edita e distribui, no final de Outubro, o primeiro livro de cordel do ciclo inaugural sobre esta enigmática personagem, intitulado O Princípio Infinito.

Escrito por José de Matos-Cruz, em sequela da trilogia O Infante Portugal (Apenas Livros, 2007-2010), e tendo Aurora Boreal como protagonista, culmina assim um desafio criativo invulgar, pois não se trata de narrativa ilustrada, mas de literatura imaginada; em suma, os artistas, de percursos criativos variados e tendências autorais diversas, foram desafiados a conceber mundos originais e um conjunto de imagens alusivas, nas quais o autor depois se inspirou para tecer as peripécias.

Aurora Boreal e O Princípio Infinito: Primeiro Universo – O Bestiário Humano é o primeiro de quatro livros de cordel que completam o ciclo inicial, a que se seguirão outros dois ciclos, e tem a intervenção dos ilustradores Susana Resende (criadora do visão original da protagonista e ilustradora da capa do primeiro ciclo), Teotónio Agostinho (ilustrador da capa do primeiro universo), Renato Abreu e Daniel Maia.

A edição é complementada por galeria de imagens alternativas e pela banda desenhada curta Aurora Boreal e a Primeira Mutação, com argumento de José de Matos-Cruz e ilustração de Renato Abreu.

Aurora Boreal
Surgiu na saga d’O Infante Portugal, nascida de uma relação efémera
entre a soviética Oktobraia e o cósmico Malsão. Irradiando além das luzes
e das trevas, a sua aparência torna-se Presente, ao romper os ciclos da infância
e da realidade, pelo capricho súbito e intenso de uma libertação…

O Bestiário Humano
Houve, em tempos, um deus incerto, minucioso, que decidiu esmiuçar
a cartografia da humanidade. Sem dúvida, não fora ele a concebê-la,
e muito menos a criá-la. Porém, sentia-se intrigado com tanta quantidade
de espécies e aspectos, com tamanha qualidade de ousadias e vacilações.



Aurora Boreal e O Princípio Infinito
Primeiro Universo: O Bestiário Humano
(Apenas Livros)
Autor/Author: José de Matos-Cruz
Ilustração/Illustrations: Teotónio Agostinho,
Renato Abreu, Daniel Maia e Susana Resende
BD: José de Matos-Cruz (texto) e Renato Abreu (desenho)
1.ª Edição: Outubro 2017
Prosa Ilustrada | 36p/PB | PVP: 3,90€

Para mais informação, visitar o Facebook da editora Apenas Livros.

segunda-feira, outubro 16, 2017

IMAGINÁRiO #685

José de Matos-Cruz | 01 Dezembro 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CREPÚSCULOS
Em 1998, um dos mais prestigiados artistas europeus da banda desenhada, Enki Bilal sondou O Sono do Monstro - iniciando a tetralogia Monstro, culminante em 2007, sobre a terra onde nasceu, Jugoslávia. Testemunho impressionante de uma memória colectiva, latente e solitária - que Enki dedicou «a meu pai, filho de Ljubuški» - através das imagens fragmentárias, devastadas sobre a realidade nacional algures perdida e presente, entre o sortilégio do passado e os dilemas do futuro. História e fantástico, símbolos e ideais, armadilhas e perversões reflectiriam, em sua conexão temporal, a própria corrupção ou vulnerabilidade do ser humano - cujo crepúsculo se transcende além do horror e da morte, em momentos trágicos de um apocalipse bélico. Nostalgia, decepção, vingança, remorso, fundem-se pela densidade narrativa, a intensidade dos conflitos - estigmatizados num traço subtil, quanto à expressiva transparência sobre cenários e paisagens… Argumentista, ilustrador e colorista, Bilal confirmou, assim, o seu talento perturbante, inquieto mas emocionante como criador, transcendendo uma arquitectura onírica, nocturna elegia entre a liberdade e a opressão, nas virtualidades épico-dramáticas do imaginário. IMAG. 11-53-60-303-312-401-497

CALENDÁRiO

08JUL-30DEZ2017 - Em Elvas, Museu de Arte Contemporânea expõe Uma Colecção = Um Museu | 2007-2017 | Obras da Colecção António Cachola, sendo curador João Silvério. IMAG.575-610-631-670

14JUL-30SET2017 - Em Lisboa, Fundação Portuguesa das Comunicações apresenta, com Giefarte, Now and Ever | Oliveiras - exposição de fotografia pintada de Renée Gagnon, sendo curador Manuel Costa Cabral.

1943-27JUL2017 - Samuel Shepard Rogers III, aliás Sam Shepard: Escritor americano, dramaturgo e argumentista, realizador e actor - «Um dos primeiros, mais importantes e influentes escritores do movimento Off Broadway, especializado em captar os lados mais negros da vida americana em família» (Sopan Deb - The New York Times).

23JAN1928-31JUL2017 - Jeanne Moreau: Artista francesa, actriz, cantora e cineasta - «Para mim, a vida é sempre subir, até sermos queimados pelas chamas». IMAG.40-266

05AGO-05OUT2017 - Em Alvito, Espaço Adães Bermudes apresenta Louva, Lava, Leva - exposição de fotografia de Maria-do-Mar Rego e José M. Rodrigues. IMAG.667-682

27SET2017-21JAN2018 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva expõe Artes e Letras - Edições da Galeria Jeanne Bucher Jaeger (Paris), incluindo livros de artista alusivos a Max Ernst (1891-1976) e Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992).
IMAG.14-39-42-75-134-168-182-224-227-382-386-392-434-461-486-490-499-500-502-522-553-554-567-579-603-604-609-662-664

VISTORiA

Num insigne e real trono, de longe
Ofuscando a riqueza de Ormuz e Índia,
Ou lá onde o bel Este com mão fértil
Sobre bárbaros reis verte ouro e pérolas,
Se sentava Satã, alçado em glória
E valor à eminência má; de afronta
Solevado ao mais alto aquém da esperança
Aspira a mais além, voraz no fito
De armas vãs contra o Céu, e certo de êxito
Mostra do seu preitês enredo, excertos.
John Milton
- Paraíso Perdido - Livro II (fragmento)

PARLATÓRiO

Onde existe uma grande vontade de aprender, haverá necessariamente muita discussão, muita escrita, muitas opiniões; pois as opiniões dos homens bons são, apenas, conhecimento em bruto… Acima de todas as liberdades, dêem-me a de saber, de me expressar, de debater com autonomia, de acordo com a minha consciência.
John Milton

Aquilo Em Que Eu Creio
A primeira ideia que quis exprimir, a que é mais importante porque está colocada por cima de tudo, é a existência das verdades da fé católica. Tenho a sorte de ser católico, nasci crente e aconteceu que os textos sagrados me impressionaram desde a minha infância. Um certo número das minhas obras é, pois, destinado a pôr em relevo as verdades teológicas da fé católica. Este é o primeiro aspecto da minha obra, o mais nobre, indubitavelmente o mais útil, o mais válido, porventura o único que não lamentarei à hora da minha morte.
Mas sou um ser humano, como todos os seres humanos sou sensível ao amor humano, que quis exprimir em três das minhas obras com referência ao maior mito do amor humano, o de Tristão e Isolda.
Finalmente, admiro a natureza. Penso que a natureza nos ultrapassa de modo infinito, e sempre lhe pedi que me desse lições; tenho amor aos pássaros, por isso, de modo especial, interroguei os cantos dos pássaros, dediquei-me à ornitologia. Há na minha música esta justaposição da fé católica, do mito de Tristão e Isolda, e a utilização extremamente desenvolvida dos cantos dos pássaros.
Olivier Messiaen
- Entretiens Avec Olivier Messiaen
(Claude Samuel – 1967)

SUMÁRiO

Pérignon
A tradição atribui-lhe a elaboração dos primeiros vinhos espumosos fermentados em garrafa.
Enoteca Khantaros
MEMÓRiA

DEZ1638-1715 - Dom Pierre Pérignon: Monge da comunidade da abadia beneditina de Hautvilliers, perto da cidade francesa de Épernay. Conta a lenda que, um dia do ano de 1670, o frade se sobressaltou com o estalido de umas garrafas de vinho nas caves da abadia. Acorrendo ao local, Dom Perignon viu o líquido derramado e, como bom apreciador que era, provou-o. Deu-se então conta de que o vinho «fazia cócegas»; encantado com o sucedido, comunicou-o aos seus irmãos da comunidade. De facto, o acaso tinha-lhe proporcionado o conhecimento da fermentação natural do vinho, produzida pela acção do açúcar e das leveduras naturais existentes na uva. No entanto, Dom Perignon não se limitou a desfrutar do fenómeno; pelo contrário, tomou nota das circunstâncias e investigou-as, até perceber o método champagnoise de elaboração da bebida mais valiosa do mundo. Conta-se que o frade foi, também, quem determinou os dois elementos que mais ajudam a aperfeiçoar o champagne: a rolha de cortiça e a garrafa de vidro grossa. IMAG.50-205

04DEZ1638-1734 - Raphael Bluteau: Clérigo regular da Ordem de São Caetano, e filho de pais franceses, chegou a Portugal em 1668, a mando do Geral da Ordem, sendo autor de Primicias Evangelicas, ou Sermões Panegyricos (1676). «Além de importante trabalho literário, foi um dos grandes divulgadores das novas ideias científicas do seu tempo, com particular interesse pela astronomia» (Diário de Notícias). Falava inglês, francês, português, espanhol, italiano e grego - «Um fio de voz, não quebra o silêncio».

1601-06DEZ1658 - Baltasar Gracián y Morales: Jesuíta espanhol, escritor, filósofo e moralista, expoente do conceptismo, autor de A Arte da Prudência - «As coisas não são vistas pelo que são, mas pelo que parecem. São raros os que olham por dentro e muitos os que se contentam com as aparências. Não basta ter razão, se uma acção tem má aparência». IMAG.91

06DEZ1908-1934 - Lester Joseph Gillis, aliás Baby Face Nelson: Durante a década de ’30, Inimigo Público nº 1 nos EUA - «Não aceito líderes. Tenho a minha própria maneira de assaltar bancos. Entro por ali dentro, mato toda a gente e saco o dinheiro» (sobre John Dillinger). IMAG.423-475-492

09DEZ1608-1661 - John Milton: Escritor inglês - «Ao Céu ágeis ascenderam / Do Paraíso os anjos, mudos, tristes / Pelo homem, pois sabiam já da queda!». IMAG.206-489

10DEZ1908-1992 - Olivier-Eugène-Prosper-Charles Messiaen, aliás Olivier Messiaen: Compositor e organista francês, autor original e vanguardista, distinguido com o Prémio Internacional Paulo VI (1989) - «Não deveria ser permitido que alguém fizesse música, como se fosse de madeira. O texto musical deve ser reproduzido exactamente, mas não tocado como uma pedra… Sou um francês das montanhas, tal como Berliotz!».  
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BREVIÁRiO
Dom Quixote edita Poesis de Maria Teresa Horta.  
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Asa edita Jim Del Monaco - Ladrões do Tempo de Luís Louro & Tozé Simões. IMAG.4-11-187-430-493-551-584

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

BUÇO COM LEITE MANCHA O COLETE - 6

Enxovalho e tanto. Todavia, não era um serviçal ébrio dos vapores alcoólicos, daqueles que, em passando a piteira, bom será beber com conta. Nem lhe havia dado a camueca. Pelo contrário, propício ao sonambulismo, Homero nutria um bálsamo, devotando-se a ideias niilistas.
Continua
 

domingo, outubro 15, 2017

Imaginário-Médio: newsletters de Setembro 2012

Um novo lote de newsletters antigas, previamente inéditas online, agora relativos à data virtual de Setembro 2012, foi carregado nos últimos dias no Imaginário-Médio, passando a estar disponível para todos os visitantes verem. Podem aceder através do link para o blog ou via estes links directos, #385, #386, #387 e #388.

quarta-feira, outubro 11, 2017

IMAGINÁRiO #684

José de Matos-Cruz | 24 Novembro 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004
 
PRONTUÁRiO

ÍCONES
Um fenómeno complexo, mas muito aliciante, ocorreria com Tarzan. E tudo derivado de tratar-se de uma personagem - concebida por Edgar Rice Burroughs (1875-1950), em princípios do Século XX - das mais populares num imaginário romanesco, mítico e lendário. Talvez, mesmo, aquela que maior recriação artística ou lúdica suscitou, aos níveis iconográfico e realista, através de múltiplas vertentes - a literatura, a ilustração, os quadradinhos, a rádio, o teatro, o cinema ou a televisão. Logo em grande ecrã, e numa perspectiva clássica, o Homem-Macaco tornar-se-ia indissociável de uma assunção, atlética e carismática, como a que lhe proporcionou Johnny Weissmüller (1904-1984), pelos anos ’30-40. O declínio das subsequentes transposições, com outros intérpretes e sob o signo de Hollywood, motivou, por parte dos herdeiros, uma cada vez mais restringida adaptação, no que foi ponderado como uma estratégia estabilizadora: fechar o cofre para uma revitalização do fascínio, e à espera de melhores dias para a respectiva reactivação…
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CALENDÁRiO

15JUL-16AGO2017 - Castelo de Vila Nova de Cerveira apresenta, no âmbito da XIX Bienal de Cerveira, A Mão Direita Não Sabe o Que a Esquerda Anda a Fazer… - exposição de fotografia de Ernesto de Sousa (1921-1988) sobre as Oficinas de Santeiros de São Mamede do Coronado (1968), da Colecção Isabel Alves, sendo curadores Paula Pinto e Oficina Arara. IMAG.135-198-279-393-534-566-677

14JUL-10SET2017 - Em Lisboa, Museu do Oriente apresenta Tanto Mundo - exposição de fotografia de João Martins Pereira.

15JUL-17SET2017 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta, no âmbito da Capital Ibero-Americana de Cultura, Fotoformas e Sobras - exposição de fotografia de Geraldo de Barros (Brasil).

13JUL-21OUT2017 - Em Lisboa, Torreão Poente da Praça do Comércio expõe Miguel Ventura Terra, Arquitecto [1866-1919] - Do Útil e do Bello, sendo comissárias Hélia Silva, Ana Isabel Ribeiro e Rita Mégre. IMAG.447-646

1940-16JUL2017 - George Andrew Romero, aliás George A. Romero: Cineasta americano, realizador de A Noite dos Mortos-Vivos / Night of the Living Dead (1968) - «Habituei-me a ser, durante muito tempo, o único a fazer filmes de zombies».

19JUL2017 - Em Coimbra, Museu Municipal - Edifício Chiado apresenta, no âmbito do 9º Festival das Artes, Metamorfoses - exposição de pintura de Arpad Szènes (1897-1985), sendo curadora Marina Bairrão Ruivo.  
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21JUL-01OUT2017 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Portraits - exposição de fotografia de Marta Hipólito.

21-31JUL-01-23SET2017 - Em Lisboa, Galeria Underdogs apresenta Printed Matters /Lisbon - instalação de Shepard Fairey (EUA).

23JUL-01OUT2017 - No Porto, Culturgest expõe Um Campo Depois da Colheita Para Deleite Estético do Nosso Corpo - instalação de Alberto Carneiro (1937-2017), sendo curador Delfim Sardo. IMAG.21-241-299-467-553-558-671

VISTORiA

Guarde-se o discreto de contar a sua mulher as histórias passadas de seus amores e de sua mocidade. Casam assim dois males: darem a conhecer às mulheres a fraqueza de seu natural e entenderem como há outras pelo mundo que se deixam enganar facilmente.
D. Francisco Manuel de Melo
- Carta de Guia de Casados (1651 – excerto)

VISTORiA

A história não está ligada ao homem, nem a qualquer objecto em particular. Consiste inteiramente no seu método; a experiência comprova que ele é indispensável para inventariar a integralidade dos elementos de uma estrutura qualquer, humana ou não humana. Longe portanto de a pesquisa da inteligibilidade resultar na história como o seu ponto de chegada, é a história que serve de ponto de partida para toda a busca de inteligibilidade. Assim como se diz de certas carreiras, a história leva a tudo, mas contanto que se saia dela.
Claude Lévi-Strauss
- O Pensamento Selvagem (1962 - excerto)

MEMÓRiA

23NOV1608-1666 - D. Francisco Manuel de Melo: Escritor português, membro do barroco - «Os príncipes e o fogo querem-se tratados de longe, porque per­to queimam, enquanto que longe alumiam». IMAG.83-576

25NOV1638-1705 - Catarina Henriqueta, aliás D. Catarina de Bragança, Rainha de Inglaterra: «Ilustríssima Princesa, Infanta do Portugal, filha do falecido D. João IV, e irmã de D. Afonso, presente rei de Portugal» (Assentamento de Casamento com Carlos II, em 1662). IMAG.64

1914-25NOV2008 - William Ford Gibson, aliás William Gibson: Ficcionista e dramaturgo americano, autor de O Milagre de Ann Sullivan - «Nenhuma cena, na actual temporada teatral, é tão arrebatadora como a cena final desta peça» (Brooks Atkinson - 1959). IMAG.226-490

28NOV1908-2009 - Claude Lévi-Strauss: Antropólogo e filósofo francês - «O antropólogo é o astrónomo das ciências sociais: ele está encarregado de descobrir um sentido para as configurações muito diferentes, pela sua ordem de grandeza e pelo seu afastamento, das que estão imediatamente próximas do observador» (Antropologia Estrutural - 1967). IMAG.278

1897-28NOV1968 - Enid Mary Blyton, aliás Enid Blyton: Escritora inglesa, autora de Os Cinco, Os Sete, Noddy, Uma Aventura Em..., O Segredo de..., As Gémeas ou O Colégio das Quatro Torres - «Os nossos livros são facetas de nós-próprios… É como espreitar por uma janela, ou um filme na minha cabeça, ver as minhas personagens e escrever tudo no papel». IMAG.147-204-229-495-550-622

EPISTOLÁRiO

A Um Parente Moço Que Partia Para a Guerra
Ide com Nosso Senhor. Lembrai-vos sempre dele e de quem sois. Falai verdade. Não aporfieis. Perguntai pouco. Jogai menos. Segui os bons; obedecei aos maiores. Não vos esqueçais de mim. E sede embora Plínio Júnior, que, se tudo isto fizerdes, ainda sereis mais. Deus vos leve, defenda e traga. ― Torre, sábado.
D. Francisco Manuel de Melo
- Cartas Familiares (Carta, 97.a - excerto)
COMENTÁRiO

Enid Blyton
Se algo fez de incorrecto, foi não reconhecer que nem todos se rendem. Alguns, como ela mesma, continuam a não achar graça às palermices dos adultos, e a preferir o mundo da aventura da descoberta. É o meu caso.
Desidério Murcho
PARLATÓRiO

O meu amor pelas crianças é a base de todo o meu trabalho. Amo-as, e quero que cresçam de modo a tornarem-se seres humanos decentes. Isto parece muito pomposo, mas é, simplesmente, o que cada mãe aspira para os seus filhos. E eu desejo-o para todas as crianças.
Enid Blyton (1963)

Para mim, o acto de escrever torna tudo possível.
William Gibson (2003)

BREVIÁRiO

Assírio & Alvim edita Musa | O Búzio de Cós e Outros Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004).  
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Warner edita em CD, sob chancela Swan Song e Atlantic Records, The Complete BBC Sessions por Led Zeppelin. IMAG.192-597

Sextante edita As Fabulosas Histórias da Tapada de Mafra de Cristina Carvalho; fotografias de Nanã Sousa Dias, ilustrações de Teodora Boneva. IMAG.505

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

BUÇO COM LEITE MANCHA O COLETE - 5

Agora que o errante viajante cósmico, vindo pela Constelação do Cocheiro, se perdia entre as luminescências do Dragão, com seu núcleo diáfano e cauda, da qual alguns carecem, Estácio Pastor sentia-se aliviado, e achava que podia mesmo troçar. Contudo, andava a ficar com a reputação muito abalada.
É sabido, entre os cientistas surgem verdadeiras excentricidades. Ainda há pouco, na citada Lisboa, um tal Sebastião Homero, que gostava de exibir-se para as inferiores criaturas empalhadas do Museu Zoológico, foi apanhado atrás dumas estantes na Galeria dos Símios, a gemer.
- Já nem se avistam! balbuciou, apontando para os seus próprios órgãos genitais, pois garantia que estava a metamorfosear-se em mulher!
Continua

segunda-feira, outubro 09, 2017

Imaginário-Médio: newsletters de Agosto 2012

Novos newsletters inéditos foram carregados no blog Imaginário-Médio na passada semana e fim-de-semana, alusivos à data virtual de Agosto de 2012; estes incluem os Imaginários #381, #382, #383 e #384 - como sempre, estão acessíveis nos links indicados.

quinta-feira, outubro 05, 2017

IMAGINÁRiO: Extra – SUPER PETER: Family Day

Os maiores super-heróis de banda desenhada compareceram na St. Peter’s International School, em Palmela, para testemunharem o nascimento de Super Peter, durante o Family Day, um evento anual que reúne a comunidade educativa em convívio e celebração.
Tal ficou assinalado num sugestivo livreto de fan art, com assinatura de Daniel Maia (desenho/arte final). O texto foi escrito por Sérgio Franclim, com Diogo Simão como editor, cores digitais por Nimesh Morarji (capa) e Pedro Serpa (contracapa), e tons cinzentos digitais nas páginas interiores por Nimesh Morarji, Pedro Serpa e William Borges. O design e a contracapa estiveram a cargo de Oriana Sousa.

Personificando os valores e as valências por que se rege o colégio, Super Peter alia o carácter pedagógico às virtualidades lúdicas e simbólicas que o convertem, a partir do ano lectivo de 2016/2017, em mascote para matérias relacionadas com educação e promoção de projectos.
Sendo uma obra curta, alusiva e festiva, Super Peter – Family Day distingue-se pela notável qualidade que o talento e a sensibilidade artística de Daniel Maia conferem à sua criação/expressão gráfica e dinâmica. Conciliando as motivações didácticas e de entretenimento, ao melhor nível das publicações e dos paladinos em que se inspira e a que presta homenagem.


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terça-feira, outubro 03, 2017

IMAGINÁRiO #683

José de Matos-Cruz | 16 Novembro 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004
 
PRONTUÁRiO

MARAVILHAS
«Naufragar, só por si, já é terrível, mas naufragar em algo que não existe, é ainda mais terrível…» - assim introduz Fred o desafio heróico de Philémon, ao precipitar-se num «mundo maravilhoso». Definição esta atribuída por René Goscinny, em 1965, responsável pela revista Pilote quando O Náufrago do “A” / Le Naufragé du “A” lhe foi proposto, reclamando Fred o argumento e a ilustração. Em boa hora, pois garantiam-se as plenas características de uma obra-prima incomparável - graças à imaginação prodigiosa de Fred, aliás Frédéric Othon Théodore Aristidès (1931-2013), um dos mais talentosos / virtuais artistas dos quadradinhos franceses para adultos. Onírico, absurdo, surreal, satírico, Fred concebe / ilustra O Náufrago do “A”, espraiado entre umas misteriosas ilhas do Atlântico… Narração fascinante, expressão estilizada - uma fábula clássica, e cuja actualidade testemunha, com sugestão cultural / nostálgica, as contradições e os paroxismos da nossa sociedade, através da volúvel identidade humana. IMAG.459-495

INVENTÁRiO

Guilherme Centazzi
Em 1840 foi publicado em Lisboa, pela Tipografia de António José da Rocha, o primeiro tomo do romance O Estudante de Coimbra, do médico português Guilherme Centazzi, com o subtítulo Relâmpago da História Portuguesa Desde 1826 até 1838. No ano seguinte seriam publicados mais dois tomos.
Sendo a segunda obra de ficção em prosa de Centazzi - que havia publicado, em 1838, Carlos e Julieta -, O Estudante de Coimbra constitui um marco fundamental, pela sua estrutura e estilos narrativos, na Literatura Portuguesa, devendo considerar-se o pioneiro romance moderno escrito por autores portugueses.
Com efeito, embora ainda em finais dos anos 30 do século XIX tenham começado a surgir diversos contos em revistas literárias, nomeadamente n’O Panorama e no Mosaico, considerava-se, até agora, que fora Alexandre Herculano e Almeida Garrett que tinham introduzido em Portugal o romantismo, quer através de Eurico, o Presbítero quer com O Arco de Santana e Viagens na Minha Terra. Porém, na verdade, o romance O Estudante de Coimbra é, do ponto de vista cronológico, anterior a todas estas obras de ficção.
Contudo, por razões desconhecidas, nunca até agora este romance de Guilherme Centazzi foi referenciado como a pioneira obra de ficção moderna portuguesa, sendo omitida na generalidade dos ensaios literários e académicos desde o Século XIX até aos nossos dias.

CALENDÁRiO

5MAI-08OUT2017 - Em Lisboa, Pavilhão Branco da Galeria Municipal apresenta O Oco e a Emenda - exposição de escultura de Paloma Bosquê (Brasil).

19MAI-17SET2017 - Em Lisboa, Museu Colecção Berardo expõe Aprender a Viver Com o Inimigo de Pedro Neves Marques, sendo curador Pedro Lapa.

20MAI-03SET2017 - Em Lisboa, Carpintarias de São Lázaro apresenta, no âmbito da Capital Ibero-Americana de Cultura, Shadows - exposição sobre fotografia de Alfredo Jaar (Chile).

13JUL-07OUT2017 - Em Lisboa, Museu do Dinheiro apresenta Marca de Água - exposição de escultura de Carla Rebelo.

20JUN1928-15JUL2017- Martin Landau: Actor americano de cinema e televisão - «Ninguém me conhecia… Apenas sabiam - produtores, realizadores, directores dos estúdios - que eu era o sujeito de Missão Impossível [1966]». IMAG.134-446

COMENTÁRiO

A MÁSCARA DE ZORRO
Forjado por uma insinuante mescla entre sucesso e sortilégio, o culto dos heróis corresponde aos valores em causa numa época mitificada, e às virtualidades de uma reciclagem em cada período de crise ou nostalgia. Estes vectores, que se afirmaram da memória popular aos clássicos da literatura, lograram uma correspondência alusiva no imaginário cinematográfico, sob o signo de Hollywood.
Assim, raras personagens tiveram tal notoriedade e desempenho como Zorro, ao longo de décadas. Recriado na sua autenticidade, alvo de versões subvertoras, ou suscitando inúmeras interpretações apócrifas. Afinal, esta figura irradiante, sombria, sugere todas as potencialidades para exaltação: como um conceito, entre os desígnios do bem e do mal; como um símbolo, nos desafios da justiça contra a exploração.
Mas Zorro possui, também, os sinais peculiares mais representativos: quanto à sua história, sobre a realidade envolta, através do aspecto e no estigma ritual… Trata-se de um aventureiro romântico, ou de um misterioso vingador? Quanto ao romanesco original, resultou dos talentos do escritor Johnston McCulley - em episódios publicados na revista All Story, desde 1919 - inspirado em The Scarlet Pimpernel.
No ano seguinte, as proezas de Zorro agitavam o ecrã - com Douglas Fairbanks, dirigido por Fred Niblo. Noutras cerca de quarenta transposições, sobressaem John Carroll (1937) em serial de William Witney & John English, Tyrone Power (1940) por Rouben Mamoulian, Frank Langella (1974) por Don McDougall, Alain Delon (1974) por Duccio Tessari, ou George Hamilton (1981) numa paródia de Peter Medak…
No entanto, o filão estava latente há cerca de meio século - quanto ao estímulo genuíno de garbo e bravura, ou às características espectaculares. Até que, por 1992, Steven Spielberg adquiriu os direitos à Família Gertz, que obtivera o exclusivo de McCulley em 1950. Aliando a Amblin à TriStar, Spielberg - apenas produtor - via Andy Garcia como Zorro, privilegiando Mikael Salomon entre os realizadores.
Ora, o preciosista Salomon abdicou e, em 1994, emergiu um fenomenal Robert Rodriguez. Porém, Spielberg optou por um director mais seguro e convencional - Martin Campbell, e como protagonista impôs-se Antonio Banderas - sex-symbol latino na América. Este seria o primeiro hispânico a perfilar-se na saga - e logo, caprichosamente, com A Máscara de Zorro (1998), numa assunção sucedânea.


MEMÓRiA

17NOV1928-2005 - Armand Pierre Fernandez, aliás Arman: Pintor e escultor franco-americano - «O ser humano retrata-se a si mesmo, revela o seu tempo, a sua ansiedade, os seus gritos, as suas lágrimas e as suas gargalhadas». IMAG.65

1934-17NOV2008 - Guy Peellaert: Artista belga, pintor, ilustrador, fotógrafo e autor de banda desenhada, criador de Les Aventures de Jodelle (1966) e Pravda, la Survireuse (1968) - «Um olhar crítico que jamais perde a sua frescura mesmo quando é feroz, mesmo se agita o espantalho da violência e se preconiza que, um dia, a dinamite fará tudo ir pelos ares… Reconhece-se um eco profundamente universal no seu humor corrosivo, na sua sátira do mundo mecanizado, da sociedade de consumo e dos falsos sentimentos que ela engendra» (Henry Chapier). IMAG.225-461

1797-19NOV1828 - Franz Peter Schubert, aliás Franz Schubert: Compositor austríaco: «Sinto-me o homem mais infeliz e desventurado deste mundo… Creio que nunca voltarei a estar bem, e tudo o que faço para tentar melhorar a minha situação, na realidade, torna-a pior» (1824).  
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20NOV1808-1875 - Guilherme Centazzi: Escritor português, autor de O Estudante de Coimbra (1840) - «Sem dúvida, o melhor espécime da actual escola das belles lettres portuguesas com que até à data nos deparámos» (Thomas Carlyle - Fraser's Magazine, 1848). IMAG.426-520

21NOV1898-1962 - Bernardo Loureiro Marques, aliás Bernardo Marques: Artista português, pintor, gráfico, ilustrador - «Os gestos do início, inseguros, sem peso, aqui e ali postos como armadilhas de imagens que em breve se precisam com outros, muitos, sobrepostos, cruzados, ora sustidos como uma respiração súbita, ora desencadeados com uma certeza imediata. Por eles passam a luz e a sombra, e o corpo das coisas é deles feito» (Fernando de Azevedo). IMAG.203-309

1924-22NOV1978 - Vasco Manuel Veiga Morgado, aliás Vasco Morgado: Empresário teatral e actor do cinema português - «…Era um homem charmoso, um galã… Uma pessoa adorável, criou-se entre nós uma amizade que durou até ao fim da vida. A morte do Vasco pode ser a primeira que me marcou» (Ana Zanatti). IMAG.151-203-363-467

1883-23NOV1958 - Johnston McCulley: Escritor canadense, autor de Zorro, aparecido na revista All Story em 1919 - «Todos usam máscaras, em sociedade… Tem a ver com o modo como as pessoas se manifestam, como se comportam… É algo a que todos nós recorremos». IMAG.71-87-204-209-405

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita A Vegetariana de Han Kang; tradução de Maria do Carmo Figueira.

Guerra & Paz edita Madame Bovary de Gustave Flaubert (1821-1880); tradução de Helder Guégués. IMAG.68-154-170-275-287-350-412-680

Livros do Brasil edita O Mito de Sísifo de Albert Camus (1913-1960): tradução de Urbano Tavares Rodrigues. IMAG.258-441-508-537-577-615

Sony Music Portugal edita em CD, sob chancela Columbia Records, Lazarus Cast Album por Original New York Cast, David Bowie (1947-2016).  
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