quarta-feira, junho 06, 2018

IMAGINÁRiO #719

José de Matos-Cruz | 16 Abril 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

ARREPIOS
«O Sombra ri, e os facínoras estremecem de medo. Uma estranha, feroz criatura de manto negro, com olhos flamejantes, brilhando no escuro, uma forma silenciosa flutuando pela noite…» Assim descreve The Shadow Laughs - novela de 1931, por Walter Brown Gibson, sob o pseudónimo de Maxwell Grant. Previamente, The Shadow apareceu na rádio, em Agosto de 1930, em Detective Story, da CBS; o próprio Orson Welles lhe cedeu a bem timbrada voz. Em Abril de 1931, surgiu o primeiro pulp, The Living Shadow, edição Street and Smith - que, em Março de 1940, lançou uma revista de quadradinhos (com arte de Jack Binder, Bud Powell ou Ed Cartier). Figura misteriosa, personalidade altruística mas paranóica, cuja missão é ajudar os inocentes e punir os culpados, o Sombra manifesta uma inquietante faculdade para resolver os mais intrincados crimes. Num mundo de terror, corrupção e violência, a sua feroz gargalhada faz gelar o sangue aos mais implacáveis bandidos. Mas quem se esconde por detrás da enigmática silhueta, com chapéu de abas largas? E quem é, afinal, o elegante Lamont Cranston, milionário e explorador?  
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CALENDÁRiO

03MAR-15ABR2018 - Galeria Quadrum/Palácio dos Coruchéus expõe Pintura Gestual, Informal e/ou Caligráfica de Inspiração Zen de Eurico Gonçalves, sendo curadores Sara Antónia Matos e Pedro Faro. IMAG.55-537

15MAR2018 - Alce Filmes/No Comboio estreia Colo (2017) de Teresa Villaverde; com João Pedro Vaz e Alice Albergaria Borges.  
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15MAR2018 - Carrossel Produções estreia Setembro a Vida Inteira (2017) de Ana Sofia Fonseca; documentário sobre o vinho em Portugal.

VISTORiA

A Palavra Mais Bela

Fui ver ao dicionário de sinónimos
a palavra mais bela e sem igual,
perfeita como a nave dos Jerónimos…
E o dicionário disse-me Natal.

Pergunto aos poetas que releio:
Gabriela, Régio, Goethe, Poe, Quental,
Lorca, Olegário… E a resposta veio:
E é Christmas… Natividad… Noël… Natal.

Interroguei o firmamento todo!
Cobra, formiga, pássaro, chacal!
O aço em chispa, o
pipe-line, o lodo!
E a voz das coisas respondeu Natal!

Pedi ao vento e trouxe-me, dispersos,
– riscos de luz, fragmentos de papel –
cânticos, sinos, lágrimas e versos:
Um N, um A, um T, um A, um L…

Perguntei a mim próprio e fiquei mudo…
Qual a mais bela das palavras, qual?
Para quê perguntar se tudo, tudo,
diz Natal, diz Natal e diz Natal?!
Adolfo Simões Müller
- Moço, Bengala e Cão (1971)

sem um numero
um numero
numero
zero
um
o
nu
mero
numero
um numero
um sem numero
Haroldo de Campos

PARLATÓRiO

Ninguém que esteja apaixonado com o seu trabalho pode temer seja o que for na vida.
Samuel Goldwin

Óscar Ribas

Pela [sua] mão, somos introduzidos na intimidade das cubatas e, sentados na mesma esteira, tomamos contacto com figuras da vida real dos muceques.
Joaquim Pinto de Andrade

MEMÓRiA

16AGO1929-1980 - William John Evans, aliás Bill Evans: Pianista americano de jazz - «A minha crença na arte em geral é que ela deve enriquecer a alma, deve ensinar espiritualmente, mostrando às pessoas uma parte delas próprias, que todavia não conhecem… Uma parte que nem mesmo saberiam que existia». IMAG.433

17AGO1879-1974 - Samuel Goldfish, aliás Samuel Goldwin: Produtor de cinema americano, nascido em Varsóvia e pioneiro de Hollywood, ligado às origens da Paramount e fundador da Goldwin - que se fundiria à Metro-Goldwyn-Mayer (1924) - «Um grande ecrã apenas torna duplamente mau um filme sem qualidade». IMAG.552

17AGO1909-2004 - Óscar Bento Ribas, aliás Óscar Ribas: Escritor, poeta, jornalista e ensaísta angolano, autor de Tudo Isto Aconteceu (1975) - «Foi a principal biblioteca viva, porque tinha um saber e um conhecimento da nossa maneira de estar no mundo como único» (Botelho de Vasconcelos). IMAG.232-471

18AGO1909-17ABR1989 - Adolfo Simões Müller: Escritor e jornalista português - «Quando eu era pequenino / gostava de ouvir contar / histórias de princesinhas / encantadas ao luar. // Lendas de reis e de fadas, / inda me encheis a lembrança! / Que saudades de vós tenho, / ó meus contos de criança!»
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19AGO1929-2003 - Haroldo Eurico Browne de Campos, aliás Haroldo de Campos: Poeta e tradutor brasileiro, fundador do movimento concretista (1956) - «o instante / é pluma // seu holograma / radia estável // como quem olha pelo cristal / do tempo // feixe fixo / de luz // (já não se vê se o olho deixa sua seteira) // prisma // o sol / chove / de um teto / zenital // elipse: um estilo de persianas» (O Instante).
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21AGO1939-2015 - Beatriz da Conceição Mendes Lage, aliás Beatriz da Conceição: Fadista portuguesa - «Uma das três ou quatro figuras mais importantes da história do fado do último meio século» (Rui Vieira Nery).  
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ANTIQUÁRiO

JOSÉ DO TELHADO

Em 1929, nos estúdios da antiga Invicta Film, remodelados para o efeito e como alternativa à paisagem das Beiras, Rino Lupo dirigiu José do Telhado, sobre o popular romance – publicado originariamente no Jornal de Notícias – de Eduardo de Noronha, também autor dos diálogos. Pedro Santos ocupou-se da decoração, sendo os figurinos de Jayme Valverde. Em sagração, as proezas do famoso bandoleiro e salteador – que a justiça condenou pelos seus crimes, e a alma do povo elevou e acarinhou pelas suas virtudes. Casado com uma prima, desiludido e sem recursos, tornou-se chefe de uma quadrilha…
Como envolvimento histórico, a época em que se travaram as primeiras lutas liberais. Ao lado de Carlos Azedo, destacam-se – no elenco – Julieta Palmeiro, Maria Emília Castelo Branco, Luís de Magalhães, Aida Lupo e Rafael Alves. Com produção de Lupo Film – executada por Júlio Valverde, e Carlos Lello em delegação da empresa apoiante, Lello & Irmão – e distribuição de Raul Lopes Freire, a estreia – no Olympia (Porto) a 10 de Dezembro de 1929, e no Politeama (Lisboa) a 3 de Abril de 1930 – foi coroada de sucesso comercial, apesar das reservas da crítica. A Livraria Tavares Martins publicou, na Colecção-Cinema, uma novelização por Campos Monteiro, ilustrada com fotografias de Maurice Laumann, responsável pela manivelação da fita.
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BREVIÁRiO

Opera Omnia edita O Padre de Raul Brandão (1867-1930).
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E-Primatur edita As Novas Aventuras de Robinson Crusoe de Daniel Defoe (1660-1731); tradução de Virgílio Tenreiro Viseu.
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Dom Quixote edita O Jogo das Contas de Vidro de Hermann Hesse (1877-1962); tradução de Carlos Leite. IMAG.137-349-382-617-669

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS - Folhetim Aperiódico

IRONIA E RECONSTITUIÇÃO DA CAVEIRA HIPOCONDRÍACA - 5

Sem espírito, não havia política. Uma alvorada iria culminar, com A Revolução de Abril. Perpetuando os seus protagonistas...
Nessa altura, Arthur Lopes de Barros reassumiu-se, para a atmosfera suspensa em seu redor. Sentia alguma tensão. Ergueu-se, para desentorpecer o corpo, já desembaraçado do apetrecho acústico. A sua atenção fixou-se, embora vaga, para um canto obscuro e quase oculto pela Câmara Nº 1, onde Eliezer Kramensky e Ulisses Galhardo cavaqueavam. Supostamente, à espera das suas instruções. No entanto, impressionou-o sobretudo a expressão danada do actor Galhardo, entre inquieto e ansioso.
Continua

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