quinta-feira, julho 28, 2016

IMAGINÁRiO #620

José de Matos-Cruz | 24 Julho 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

MORDIDELAS
Sem ela, não existiriam
Shi, ou Razor, ou Lady Death, ou Dawn. Aliás, a sua mordidela continua fatal, apesar da idade. Poderia ser mãe daquelas prodigiosas heroínas, já na reforma, mas ela é única e persiste em acção, mantendo uma figura escultural, estonteante. O seu nome, Vampirella – a mais célebre vampira cujas proezas foram narradas em ficção popular, desde que Bram Stoker imprimiu com sangue as páginas de Drácula, por 1897. Como todos os vampiros, também ela não nasceu - antes apareceu, pelos trágico-românticos anos ‘60, estarrecendo as histórias em quadradinhos. Quando Spider-Man começava a trepar às paredes da pop-art, e Batman se tornara um inocente produto televisivo para os miúdos, Vampirella desafiava o Comics Code Authorithy, pela luxuriante imaginação de Jim Warren, em Creepy & Eerie. A partir de então, uma extraordinária dinastia artística grafou a visão original: Neal Adams, Berni Wrightson, Barry Windsor-Smith, Richard Corben, Reed Crandall, Russ Heath, Mike Ploog, Wally Wood ou Alex Toth, até José Gonzalez lhe estabilizar a imagem fascinante e carnal…
Originária do planeta Drakulon, Vampirella chegou à Terra para caçar os monstros demoníacos que, há trinta séculos, assassinaram o seu pai.
IMAG.221-301-385

CALENDÁRiO

¢05MAI-04SET2016 - Em Lisboa, Atelier-Museu Júlio Pomar expõe Decorativo, Apenas? Júlio Pomar e a Integração das Artes, sendo comissária Catarina Rosendo. IMAG.19-312-449-495-505-534-552-553-562-582-596-604-610

µ07MAI-25SET2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea apresenta Depois - exposição de fotografia de André Cepeda, sendo curador Sérgio Mah. IMAG.297-543

¢10MAI2016 - Museu de Évora expõe 15 Anos da Associação de Gravura Água-Forte.

µ13MAI-01JUL2016 - Em Évora, Casa de Burgos apresenta Malagueira - Álvaro Siza’s Legacy - exposição de fotografia de Brigitte Fleck, sendo curadores Pedro Guilherme, Sofia Salema e João Soares. IMAG.41-56-298-424-432-447-495-510-579-611

¢13MAI-30AGO2016 - Em Lisboa, Palácio Nacional da Ajuda expõe Pintura Romena Moderna (1875-1945). Acervo da Fundação Bonte, em organização com Instituto Cultural Romeno, Fundação Bonte e Embaixada da Roménia.

¢18MAI-15JUN2016 - Na Lousã, Museu Etnográfico Dr. Louzã Henriques apresenta Blitzkrieg - A Última Grande Guerra Entre a Arte e a Apatia - exposição de pintura e desenho de João Fonte Santa e Sara Franco. IMAG.168-248-416-430-549-568

¢18MAI-17JUL2016 - Em Cascais, Casa das Histórias Paula Rego apresenta O Verão Era Assim Como Uma Casa de Morar Onde Todas as Coisas Estão… - exposição de pintura de Manuel Amado, sendo curadoras Paula Rego e Catarina Alfaro. IMAG.168

¢19MAI-10JUL2016 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta, na Casa-Atelier Vieira da Silva, Tables Sans Couples - exposição de pintura de Catarina Castel Branco. IMAG.435

PARLATÓRiO

Quem, como eu, nasceu numa família de pastores, aprende muito cedo a olhar os bastidores da vida e da morte.
Em breve, trava-se conhecimento com o diabo e, à maneira das crianças, sente-se necessidade de dar-lhe uma expressão concreta.
O nosso pai teve um funeral, um casamento, um baptizado, deixou uma meditação, escreveu um sermão.
Sou muito atraído pela minha infância, tenho por ela uma quase obsessão.
Trata-se de imagens, impressões claras e sensíveis. Por vezes, consigo percorrer a paisagem das minhas origens - os quartos que habitei, os móveis, os quadros na parede, a luz. É como cinema, pedaços de cintilações - e faço accionar o projector. Posso reconstituir tudo, mesmo os cheiros.
Ingmar Bergman

COMENTÁRiO

ANTONIONI
Transfigurando uma paisagem de névoa e angústia - território volúvel, cujas marcas lhe são obsessivas, opressivas, através da sofisticação urbana, ou do resguardo realista, que não esbate a densidade das relações ou a tragédia existencial, pelo conflito das luzes e das trevas - Michelangelo Antonioni desafia, sobretudo, a vertigem dos limites, o abismo dos desencantos, por uma virtual incursão pelos estímulos/mistérios da intimidade feminina, nas margens vulneráveis do fantástico - logo, tendo Monica Vitti por musa e ícone. Clássico, vanguardista - em ternos narrativos, em tensão dramática - eis um prodígio de rigor e sensibilidade, entre a síntese casuística e a dilatação emocional… Com o abandono e a tragédia, a solidão e a fantasia, a vitimação e o vazio, o desespero e a precariedade, vislumbra-se - para além da crispada travessia pelos infernos sociais - uma outra dimensão afectiva e solidária, a qual constitui a matéria transitória, sublimatória, do imaginário em transe.

VISTORiA

Caracterização Psicológica do Povo Português
O Português é um misto de sonhador e de homem de acção, ou melhor, é um sonhador activo, a que não falta certo fundo prático e realista. A actividade portuguesa não tem raízes na vontade fria, mas alimenta-se da imaginação, do sonho, porque o Português é mais idealista, emotivo e imaginativo do que homem de reflexão. Compartilha com o Espanhol o desprezo fidalgo pelo interesse mesquinho, pelo utilitarismo puro e pelo conforto, assim como o gosto paradoxal pela ostentação de riqueza e pelo luxo. Mas não tem, como aquele, um forte ideal abstracto, nem acentuada tendência mística. O Português é, sobretudo, profundamente humano, sensível, amoroso e bondoso, sem ser fraco. Não gosta de fazer sofrer e evita conflitos, mas, ferido no seu orgulho, pode ser violento e cruel. A religiosidade apresenta o mesmo fundo humano peculiar ao Português. Não tem o carácter abstracto, místico ou trágico próprio da espanhola, mas possui uma forte crença no milagre e nas soluções milagrosas.
Há no Português uma enorme capacidade de adaptação a todas as coisas, ideias e seres, sem que isso implique perda de carácter. Foi esta faceta que lhe permitiu manter sempre a atitude de tolerância e que imprimiu à colonização portuguesa um carácter especial inconfundível: a assimilação por adaptação.
O Português tem um vivo sentimento da Natureza e um fundo poético e contemplativo estático diferente dos outros povos latinos. Falta-lhe também a exuberância e a alegria espontânea e ruidosa dos povos mediterrâneos. É mais inibido que os outros meridionais pelo grande sentimento do ridículo e medo da opinião alheia. É, como os Espanhóis, fortemente individualista, mas possui grande fundo de solidariedade humana. O Português não tem muito humor, mas um forte espírito crítico e trocista e uma ironia pungente.
Jorge Dias
(1950 - excerto)
MEMÓRiA

O 24JUL1787-1858 - Rodrigo da Fonseca Magalhães: Par do Reino, deputado, Conselheiro e Ministro de Estado - «Quando toda a gente funcionava por exclusão, ele funcionava por atracção. Era um congregador de pessoas… Aparentava simplicidade e modéstia, para que a sua superior inteligência (e erudição) não ofendesse(m) o comum dos mortais. Tinha todavia a pele fina e o seu orgulho ofendia-se com facilidade» (Maria de Fátima Bonifácio). IMAG.140-504

27JUL1867-1916 - Pantaleón Enrique Joaquín Granados Campiña, aliás Enrique Granados: Compositor espanhol, autor de Goyescas - «Amo a Catalunha. Quero-lhe acima de tudo, mas a minha música nasce por temperamento. A fantasia do artista é como um crisol no qual se depositam todos os materiais para que, uma vez unificados, surja a obra». IMAG.382-556-561

¢28JUL1887-1968 - Henri-Robert-Marcel Duchamp, aliás Marcel Duchamp: Pintor, escultor e poeta francês, cidadão americano a partir de 1955, inventor dos ready made - «A arte costuma ter a bela ideia de desperdiçar todas as teorias artísticas». IMAG.24-127-595

29JUL1917-2004 - Maria Paula Rosado Couvreur de Oliveira, aliás Maria Paula: Actriz e cantora portuguesa, de cinema e teatro - «É muito difícil ser actor. Mas gosto da vida, gosto de tudo quanto é bonito, de tudo quanto é bom». IMAG.11-501

1912-30JUL2007 - Michelangelo Antonioni: Cineasta italiano - «Não me considero um sociólogo ou um político. Nos meus filmes, procuro apenas imaginar o que será o futuro, e como se representará». IMAG. 99-158-206-264-319-343-388-403-475

1918-30JUL2007 - Ingmar Bergman: Cineasta e encenador sueco - «Muitas pessoas de teatro esquecem que o nosso trabalho no cinema começa com o rosto humano. Podemos, com certeza, deixar-nos absorver completamente pela estética da montagem, podemos reunir objectos e seres inanimados num ritmo fascinante, podemos fazer composições do real de uma beleza indestrutível… Mas a possibilidade de nos aproximarmos de um rosto humano é, sem dúvida, a originalidade primeira e a qualidade que distingue o cinema». IMAG.28-112-113-125-158-186-215-331-362-399-412-422-470-495-540

31JUL1907-1973 - António Jorge Dias: Etnólogo e antropólogo português - «[O Português] É um povo paradoxal e difícil de governar. Os seus defeitos podem ser as suas virtudes, e as suas virtudes os seus defeitos, conforme a égide do momento» (Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa - 1953).IMAG.431

BREVIÁRiO

Universal edita em CD, sob chancela Decca, Benjamin Britten [1913-1976]/[Samuel] Barber [1910-1981]: Piano Concertos; Nocturnes por Elizabeth Joy Roe, com London Symphony Orchestra, sob a direcção de Emil Tabakov. IMAG.71-298-443-473-481-485-589-612

¨ Quetzal edita O Lugar das Fitas de Dinis Machado (1930-2008); organização de Marta Navarro. IMAG.218-232-261-267-296-332-387-612

¨ Marcador edita Samarcanda de Amin Maalouf; tradução de Paula Caetano.


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