segunda-feira, junho 17, 2019

IMAGINÁRiO #776

José de Matos-Cruz | 24 Outubro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

TESTEMUNHOS
À época, as ocorrências da guerra colonial não tiveram, no cinema português, uma expressiva incidência directa, em actualidades e reportagens, ao contrário do que havia sucedido noutros períodos marcados pelas circunstâncias político-militares. Por dois motivos principais: a influência da censura e a importância sucedânea da televisão. Em alternativa, o documentarismo africano mereceu um notável incremento, graças ao apoio oficial, especialmente sobre Angola e Moçambique, em múltiplas vertentes - sociais, económicas, turísticas, de ensino - sempre com uma dinâmica de progresso e desenvolvimento. Por outro lado, desde meados dos anos de 1960, a guerra colonial reflectiu-se na área ficcional da nossa cinematografia, com destaque para as longas metragens. Em causa, sobretudo, estão os conflitos individuais - os quais se repercutem pelo envolvimento familiar e comunitário, através das convencionais implicações dramáticas. Entretanto, a partir de finais do Século XX, passou a registar-se - em pequeno e grande ecrãs, com a assinatura ou o desempenho das novas gerações - uma multiplicidade significativa de propostas romanescas e testemunhadoras.
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CALENDÁRiO

02FEV-14ABR2019 - Em Lisboa, Galeria Quadrum expõe Assentamento de António Bolota - em jogo, a arquitectura, a engenharia dos materiais e a escultura, sendo curadora Sara Antónia Matos. IMAG.597-641

08FEV-06MAI2019 - Em Lisboa, Espaço Projecto do Museu Calouste Gulbenkian expõe Moi Je Suis la Langue et Vous Êtes Les Dents de Yto Barrada (Marrocos/França), sendo comissária Rita Fabiana.

09FEV-27ABR2019 - Em Lisboa, Galeria Zé dos Bois apresenta Mil Órbitas por António Poppe - exposição de colagens, desenhos, caligrafias, livros e esculturas, sendo curador Natxo Checa. IMAG.461

1941-15FEV2019 - Bruno Ganz: Actor suíço do teatro, da televisão e do cinema internacionais, intérprete de A Cidade Branca (1982 - Alain Tanner) - «Os guiões têm de me agarrar, de me irritar, de me seduzir. Não quero repetir-me nos meus papéis». IMAG.127-208-268

15FEV-21ABR2019 - Em Lisboa, Museu da Marioneta apresenta, com Monstra - Festival de Animação de Lisboa, A Magia dos Estúdios Aardman (GB) - exposição de marionetas, cenários, esquissos e storyboards de filmes e séries televisivas. IMAG.159

15FEV-19MAI2019 - Em Lisboa, Culturgest apresenta Once In A Life Time [Repeat] - exposição antológica de João Onofre, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.575

19FEV-24JUN2019 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe, com Museo Guggenheim Bilbao e Kunsthall Rotterdam, I’m Your Mirror de Joana Vasconcelos, sendo comissário Enrique Juncosa. IMAG.294-497-761

22FEV-20ABR2019 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Mapa Luga, Uma Lacuna - exposição de desenho Rui Horta Pereira. IMAG.541-601-735

02MAR2019 - Em Lisboa, Galeria Diferença expõe Diários de Lisboa de André Ruivo. IMAG.375-378-390-405-407-416-430-435-596-771

VISTORiA

Contigo o Céu

Se me aparto de Ti, Deus de bondade,
que ausência tão cruel! Como é possível
que me leve a um abismo tão terrível
pendor infeliz da humanidade.

Conforta-me, Senhor, que esta saudade
me despedaça o coração sensível;
se a Teus olhos na cruz sou desprezível,
não olhes para a minha iniquidade.

À suave esperança me entregaste,
e o preço do Teu sangue precioso
me afiança que não me abandonaste.

Se justo, castigar-me Te é forçoso,
lembra-Te que Te amei e me criaste
para habitar contigo o Céu lustroso!
Alcipe
(D. Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre)

MEMÓRiA


25OUT1890-1953 - Raul Ferrão: Maestro e compositor português, autor de Abril Em Portugal, oficial do exército, engenheiro químico, professor - «O nome de Raul Ferrão fica sinónimo com os bons momentos da música portuguesa» (D. Belo). IMAG.417-464

25OUT1930-2015 - Joaquim Manuel Durão, aliás Joaquim Durão: Xadrezista português, Mestre Internacional - «Trabalhei muito pelo xadrez. Foram treze anos dedicados ao dirigismo da FIDE/Federação Internacional de Xadrez, influenciando os destinos da modalidade, nos bons e nos maus momentos» (1999). IMAG.569

26OUT1910-1996 - Fernando Carvalho Trindade Bento, aliás Fernando Bento: Ilustrador, figurinista, pintor, autor de banda desenhada - transpôs As Mil e Uma Noites de Adolfo Simões Muller, e colaborou no Cavaleiro Andante a partir de 1952. IMAG.257-299-307-328-367-533-550-578-643

1901-27OUT1980 - José Claudino Rodrigues Miguéis, aliás José Rodrigues Miguéis: Escritor português - «Começo a compreender, com espanto, o que me move: um desejo de identificação com os humildes deste mundo.» (Gente da Terceira Classe - 1962). IMAG.311-350-376

28OUT1900-1967 - Eduardo Augusto D’Oliveira Morais Melo Jorge Malta, aliás Eduardo Malta: Pintor português, distinguido com o Prémio Columbano (1936), director do Museu de Arte Contemporânea (1959-1967) - «Os retratos de Eduardo Malta vivem carnal e espiritualmente» (Teixeira de Pascoaes). IMAG.612

31OUT1750-1839 - D. Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre: Condessa de Oeynhausen-Gravenburg, Condessa de Assumar e Marquesa de Alorna, poetisa de nome literário Alcipe - «Nos discretos caracteres, / Vão teus olhos magoados / Ora lendo o seu conforto, / Ora o decreto dos Fados. // Já te lanças brandamente / No seio da paciência; / Já te recreia admirar / O aspecto da Providência. // Eu te sigo, suspirando, / E teço então sobre a lira / Estas cantigas saudosas / Que o contemplar-te me inspira. // Se os meus versos te consolam, / Sempre a branda simpatia / Conduzirá no silêncio / A Musa que teme o dia!» (A Uma Freira Em Chelas). IMAG.246-296-726

31OUT1950-2016 - Zaha Mohammad Hadid, aliás Zaha Hadid: Arquitecta inglesa de origem iraquiana, distinguida com o prémio Pritzker em 2004 - «O que a fazia diferente, era essa vontade de dar movimento ao espaço» (Lina Santos). IMAG.613

TRAJECTÓRiA

Raul Ferrão

Ninguém diria, mas o compositor de algumas das mais populares e conhecidas canções, fados e marchas de Lisboa era… militar de carreira! Raul Ferrão escreveu música para mais de uma centena de peças de teatro e revistas e ainda para alguns dos mais aclamados filmes portugueses.
A ele se devem êxitos como Cochicho, As Camélias, Burrié, Velha Tendinha, Rosa Enjeitada, Ribatejo, e ainda canções para os filmes A Canção de Lisboa, Maria Papoila, Aldeia da Roupa Branca e Varanda dos Rouxinóis; e escreveu ainda música para operetas como A Invasão, Ribatejo, Nazaré, Colete Encarnado ou Senhora da Atalaia.
Em 1907, com 17 anos de idade, ingressou na carreira militar. Foi professor da Escola de Guerra em 1917 e 1918, depois de ter cumprido comissões de serviço em África durante a I Guerra Mundial.
Ferrão, formado em engenharia química, começou a compor durante os anos vinte e chegou a ser representante da antecessora da Sociedade Portuguesa de Autores, a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais, em congressos internacionais de direitos de autor.
Extraordinariamente produtivo como compositor (só na década de quarenta escreveu música para quase quarenta revistas!), as suas criações atravessaram gerações, e basta recordarmos duas das mais importantes: Lisboa Não Sejas Francesa, originalmente composta para a opereta A Invasão, e o eterno Coimbra, que, contudo, tem uma história curiosa.
De facto, a melodia de Coimbra existia desde 1939 sem que Ferrão conseguisse que lha aceitassem numa peça. A canção foi ficando na gaveta até que, finalmente, apareceu em 1947 no filme Capas Negras, onde foi criada por Alberto Ribeiro, ironicamente, sem grande sucesso. Só três anos mais tarde, quando Amália a interpreta numa digressão internacional, a canção se tornaria popular em todo o mundo, ficando conhecida no estrangeiro como Avríl au Portugal ou Apríl in Portugal… Ferrão ainda assistiu ao triunfo desta canção enjeitada antes de falecer em 1953. O realizador e produtor televisivo Ruy Ferrão, seu filho, encarregou-se de manter viva a sua memória.

COMENTÁRiO

FERNANDO BENTO

Com um historial esparso, mas de notável qualidade, graças a um leque de artistas que, tendo-se afirmado pela época áurea, persistiram em actividade, a banda desenhada portuguesa constitui um fecundo património - ciosamente preservado por coleccionadores, apreciado por leitores nostálgicos e, ao ressurgir em álbum, seduzindo as mais jovens gerações.
Um exemplo único, a nível internacional, pelo fascinante grafismo, ágil e harmonioso, inconfundível, Fernando Bento tem justa evocação - através de obras-primas clássicas, oportunamente relançadas. Um universo fabuloso e aliciante, a redescobrir do original preto-e-branco à prancha colorida.

VISTORiA

Ao longo dos passeios de Nova Iorque, por sobre as estações e galerias do subway, abrem-se grandes respiradouros gradeados por onde cai de tudo: o sol, a chuva, o luar e a neve, luvas, lunetas e botões, papelada, chewing gum, tacões de sapatos de mulheres que ficam entalados e até dinheiro. Às vezes, lá no fundo, no lixo acumulado, ou em poças de água estagnada, brilham moedas de níquel e mesmo de prata.
José Rodrigues Miguéis
- Arroz do Céu (1962, excerto)
BREVIÁRiO

Porto Editora lança Burgueses Somos Nós Todos ou Ainda Menos de Mário de Carvalho. IMAG.327-410-528-541-542-543-581-603-612-618-666-676-6784
 

terça-feira, junho 11, 2019

Imaginário-Extra: Directório #2

Secção adicional, temática e aperiódica, que complementa as newsletters do Imaginário, os Extra destacam matérias da actualidade, em formato de divulgação e/ou crítica. Abaixo listados estão os mais recentes vinte Imaginários-Extra, de Maio de 2018 a Março de 2019.
Para consultar os primeiros trinta Extra, consulte o Directório #1 – AQUI.

#31 – Orion: Fanzine de Ficção-Científica
#32 – Paulo Monteiro, cineasta
#33 – Susana Resende: Curso de BD no Montijo
#34 – Susana Resende: 1º e 2º Iniciação à Arte Sequencial

#35 – Renato Abreu: Orion #1


#36 – 1º Barreiro IlustraBD
#37
– Comic Con Portugal em Algés
#38
– Nomeações aos XVI Troféus Central Comics
#39
Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livro Dois [Apenas Livros]
#40
– Susana Resende: Gatos Baralhados [Apenas Livros]



#41
– José Ruy: Dois novos Álbum em Quadradinhos [Âncora Editora]
#42
– Aurora Boreal e O Infante Portugal no Amadora BD e XVI TCC
#43
Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livro Três [Apenas Livros]
#44
Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livro Quatro [Apenas Livros]
#45
– Renato Abreu: Orion #2




#46
– Jorge Magalhães, até sempre
#47
Aurora Boreal e O Princípio Infinito [Apenas Livros]
#48
– Zé Manel, até sempre 

#49 – Geraldes Lino, até sempre
#50
– Susana Resende: Lances em Banda Desenhada

domingo, junho 09, 2019

IMAGINÁRiO #775

José de Matos-Cruz | 16 Outubro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

RADICAL
Independente, desinibida, sôfrega, libertina, sempre à espera e preparada - na posição que lhe dê mais prazer ou a torne mais acessível - eis Aline, uma heroína incontornável e de poucas subtilezas sexuais, que Adão Iturrusgarai exibe em Cama, Mesa e Banho (2001). Uma edição Devir, que assim prosseguiu a revelação dos mais importantes e radicais cartunistas brasileiros da actualidade. Nascido no Rio Grande do Sul, e habitual em tiras desenhadas na importante Folha de São Paulo, Iturrusgarai revelara já Aline em Fantasias Urbanas, refinando desta vez o seu quotidiano íntimo, debochado, com os namorados Otto e Pedro. Mas, quando Aline põe um anúncio - «Ruivinha, mignon, selvagem, deseja conhecer gentil cavalheiro, viril» - logo outros se juntam ao bacanal erótico, como o psiquiatra Dr. Yuri ou Paulo, o canalizador voyeur. Absolutamente para adultos, e com reservas, a saga de Aline reivindica «o manifesto nu, de uma sociedade que já se despiu da hipocrisia e dos falsos pudores». IMAG.1

CALENDÁRiO

1944-24JAN2019 - José Manuel Domingues Alves Mendes, aliás Zé Manel - Artista português de banda desenhada, cartunista e ilustrador, designer e cenógrafo, autor de vitrais, distinguido com o Prémio de Honra do AmadoraBD 2011, filho de António Alves Mendes/Méco - «Embora reservado, fazia parte, com gosto, de tertúlias onde pontificavam artistas e intelectuais, mas sem nunca lhe apetecer o palco e as luzes, nem ceder à tentação do deslumbramento, mesmo no auge da sua brilhante carreira» (Dinis de Abreu).
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05ABR1939-03FEV2019 - Rogério Octávio da Costa Matos, aliás Octávio Matos: Actor português de teatro, cinema e televisão - «O mundo perde um grande senhor… O universo ganha uma Enorme Estrela…» (Rui de Sá). IMAG.485

1936-07FEV2019 - Albert Terence Finney Jr, aliás Albert Finney: Actor inglês de teatro, cinema e televisão - «Detesto comprometer-me - com uma rapariga, um produtor ou uma certa imagem fílmica». IMAG.477

1927-08FEV2019 - Cremilda Gil: Actriz portuguesa de teatro, cinema e televisão - «Nunca me servi de subterfúgios para manter carreira, nem estou à espera de elogios. Se alguém mos faz, é uma alegria. Mas sinto-me agradecida, as pessoas reconhecem-me com facilidade na rua».

08FEV-07ABR2019 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Através da Superfície - exposição de escultura de Rui Matos, sendo curadora Joana Consiglieri.

1931-09FEV2019 - Jean-Thomas Ungerer, aliás Tomi Ungerer: Escritor e ilustrador francês - «Era um artista que ridicularizava as fronteiras entre os géneros, manipulava idiomas e deixou uma marca profunda nas artes gráficas» (Lusa).

VISTORiA

Em 1517, indo Duarte Coelho com Fernão Peres de Andrade, caminho da China, com um temporal que lhe deu arribou à costa do reyno de Sião, e entrou por o rio Menam, que o atravessa, nas correntes do qual está situada a cidade de Hudiá, capital do reyno, 30 leguas da qual elle invernou aquelle anno, e de ali tornou a fazer seu caminho por a China, d’onde era vindo…
Quando, no anno seguinte, D. Aleixo de Menezes, tendo ordenado os negocios da cidade de Malaca, sua provisão e segurança, ordenou envia-l’o a el rey de Sião com cartas e um presente que lhe el rey D. Manuel mandara na armada em que d’este reyno se partiu Antonio de Saldanha o anno de dezassete. E isto em retorno de que o mesmo rey lhe tinha envido por Antonio de Miranda, quando lá foi por embaixador por mandado de Affonso de Albuquerque, depois de tomada Malaca, em traz do qual fora o mesmo Duarte Coelho, como atraz fica dito.
João de Barros
- Décadas (excerto)
MEMÓRiA

1887-17OUT1920 - John Silas Reed, aliás John Reed: Escritor e activista americano, autor de Dez Dias Que Abalaram o Mundo (1919) - «Se alguém pensa que as massas russas queriam essa guerra, é só colocar o ouvido no chão nestes dias, agora que elas estão a romper o seu silêncio secular, e escutar o troar cada vez mais próximo da paz». IMAG.631

17OUT1920-12MAR2010 - Miguel Delibes Setién, aliás Miguel Delibes: Escritor espanhol, membro da Real Academia (1975), autor de Os Santos Inocentes (1981) - «A máquina veio acalentar o estômago do homem, mas esfriou o seu coração». IMAG.293

18OUT1820-1886 - José da Silva Mendes Leal: Escritor, jornalista, diplomata e político português - «Salve, salve, ó majestade / Moribunda a sucumbir! / Como o espinho da saudade / Te havia fundo pungir! / Como o homem sofreria / Do monarca na agonia! / Longe do que era tão seu, / Da esposa e filhos briosos, / E dos campos seus formosos, / E do seu formoso céu!» (Ave, César! - excerto). IMAG.540-575

1839-18OUT1860 - Casimiro José Marques de Abreu, aliás Casimiro de Abreu: Poeta brasileiro - «Minh’alma é triste como a flor que morre / Pendida à beira do riacho ingrato; / Nem beijos dá-lhe a viração que corre, / Nem doce canto o sabiá do mato! // E como a flor que solitária pende / Sem ter carícias no voar da brisa, / Minh’alma murcha, mas ninguém entende / Que a pobrezinha só de amor precisa!» (Minh’Alma É Triste). IMAG.689

1496-20OUT1570 - João de Barros: - Historiador português, pioneiro da normalização gramatical da língua - «O dia é passado e a noite vem-se…» (Ropicapnefma - excerto). IMAG.68-159-353-590

20OUT1940-2017 - Manuel Figueiredo de Oliveira, aliás Manuel Oliveira: Atleta português - «O melhor atleta português dos anos 60» (WikiSporting). IMAG.699

1905-20OUT1990 - Joel Albert McCrea, aliás Joel McCrea: Actor americano, distinguido em filmes sobre a saga western - «Não lamento nada… Excepto, talvez, não me ter esforçado mais para ser um melhor intérprete». IMAG.57

1922-20OUT2010 - Mariana Dolores Rey Colaço Robles Monteiro, aliás Mariana Rey Monteiro: Actriz portuguesa de teatro, cinema e televisão, filha de Amélia Rey Colaço e de Robles Monteiro - «O facto de pertencer a uma família de grandes actores, como eram Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, nunca a tornou soberba. Antes pelo contrário. Cumpria o que os encenadores diziam sem questionar, e por isso a adoravam» (Manuela Maria).IMAG.328-400

21OUT1790-1869 - Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine, aliás Alphonse de Lamartine: Ficionista, poeta e político francês - «Arrependermo-nos das boas acções, é sacrificarmos a consciência ao egoísmo da paixão». IMAG.216-295-696

22OUT1870-1953 - Ivan Alekseyevich Bunin, aliás Ivan Bunin: Escritor russo, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1933) - «A noite avança com o seu passo silencioso / tristemente oh coração descansa pois / e esquece, repousa coração, repousa e dorme.» (Calma Vespertina - excerto). IMAG.295-442

1918-22OUT1990 - Louis Pierre Althusser, aliás Louis Althusser: Filósofo francês, nascido na Argélia - «A ideologia é indispensável em qualquer sociedade, se os homens pretendem ser formados, transformados e habilitados a responder às exigências das suas condições de existência». IMAG.199-295-679

VISTORiA

Que É Simpatia

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto…
– Simpatia – é quase amor!
Casimiro de Abreu

Riem-se de ti, minha terra,
escarnecem do miserável
pardieiro enegrecido
da tua simplicidade…

O filho é um tolo insolente:
entre os amigos da cidade,
como se envergonha da mãe –
tímida, triste e cansada.

Mal olha a velha que fez
centos de léguas por ele,
e para o dia do encontro
poupou tostão a tostão.
Ivan Bunin
(Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra)

É essencial ler e estudar O Capital. Devo acrescentar que é necessário e essencial ler e estudar Lenine e todos os grandes textos, novos ou antigos, aos quais se devem a experiência da luta de classes do movimento operário internacional. É essencial estudar os textos práticos do movimento operário revolucionário em sua realidade, seus problemas e contradições: em seu passado e, acima de tudo, sua história presente.
Louis Althusser
- A Filosofia Como Uma Arma Revolucionária (excerto)
BREVIÁRiO

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, The [Wolfgang Amadeus] Mozart [1756-1791] Radio Broadcasts por RIAS-Symphonie-Orchester, sob a direcção de Ferenc Fricsay.
IMAG.36-55-68-90-102-106-118-172-186-205-216-217-220-227-277-284-285-290-317-321-342-349-375-406-431-449-475-500-503-534-547-589-597-640-666-667-688-703-708-715-736-755-761
 

quinta-feira, junho 06, 2019

IMAGINÁRiO-Extra: OUTRAS BANDAS #0 e TÁGIDE

"O fanzine antológico Outras Bandas é a publicação-estandarte do Tágide, um colectivo informal de BD do Montijo que co-fundei com outros artistas, sendo composto maioritariamente por residentes da cidade e arredores, entre os quais constam tanto autores experientes como amadores, bem como coleccionadores e leitores casuais, e que surge na sequência dos cursos Iniciação à Arte Sequencial promovidos pelo município em 2018, com coordenação pela autora Susana Resende e assistência minha.
Através de encontros quinzenais na sala polivalente da Quinta do Pátio d'Água (no Montijo), e da realização de projectos editoriais e exposições, o Tágide visa cultivar o gosto pela banda desenhada na região, seja promovendo os talentos do concelho e cidades circundantes na margem sul vocacionados para a criação de BD e/ou ilustração, ou providenciando um espaço onde os leitores possam partilhar as suas leituras.

O título Outras Bandas, que tive o prazer de editar em parceria com Eduardo Martins, caracteriza-se por ser uma edição independente, de cariz ecléctico e aberto a diversas sensibilidades e estilos gráficos; o fanzine contempla conteúdos em BD, prancha/tira humorística, conto ilustrado e galeria de ilustração temática, sempre com histórias curtas e auto-conclusivas, em técnicas a preto/branco.
Pautado por histórias de esperança e desespero, e por narrativas fantásticas e alegóricas, esta edição inaugural reúne obras curtas realizadas originalmente para concursos nacionais e internacionais, pelos membros do grupo António Coelho, Maria João Claré, Mário André, Patrícia Costa e Shania Santos, sendo a capa ilustrada por Susana Resende. Pela minha parte, além de assumir a coordenação da edição, também contribuí com uma ilustração interna.

Outras Bandas #0 foi apresentado no Domingo, dia 2/6, no auditório da Casa da Cultura de Beja, no fim-de-semana de abertura do 15º Festival Internacional de BD de Beja, ficando disponível no Mercado do Livro e podendo também ser solicitado através do blog TagideBD."

Daniel Maia

sexta-feira, maio 31, 2019

IMAGINÁRiO #774

José de Matos-Cruz | 08 Outubro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PROTAGONISMOS
Ao longo de decénios, a supremacia da indústria artística, sob o signo de Hollywood, permitiu ao cinema americano não só impor a sua perspectiva sobre as culturas e as civilizações de todos os tempos, mas também rever a História à sua imagem e semelhança, num artifício glorioso inclusive sobre os eventos ainda recentes. Pelo termo da II Guerra Mundial, e a propósito de Objectivo: Burma (1945 - Raoul Walsh), registou-se mesmo um incidente diplomático entre os Aliados, pois, numa missão nevrálgica contra as forças nipónicas na Birmânia, em plena frente do Pacífico, os ianques protagonizaram um sucesso que, efectivamente, coube aos ingleses. Idêntica estratégia predadora envolveu Submarino U-571 (2000) de Jonathan Mostow, também argumentista com David Ayer e Sam Montgomery. O reactivar da controvérsia suscitou um esclarecimento no final desta saga fictícia, cujo objectivo seria enaltecer a coragem dos que, realmente, executaram a operação em causa. Uma vez mais, os britânicos - a quem se ficou a dever a captura da máquina de descodificação Enigma, utilizada nas intercomunicações com segredo militar pela Marinha germânica. Tudo se passa em Abril de 1942, quando os Estados Unidos já entraram oficialmente no conflito, e a batalha do Atlântico atravessa duros reveses.

CALENDÁRiO

19JAN-24FEV2019 Em Portimão, Museu Municipal expõe O Desporto Na Filatelia Portuguesa. IMAG.482-697

1940-28JAN2019 - Susan Hiller: Artista americana radicada em Inglaterra, tendo-se dedicado à pesquisa / criação paraconceptual, através de pintura, escultura, escrita, fotografia, vídeo, performance e instalação.

01FEV-28ABR2019 - Em Lisboa, Palácio Pimenta - Museu da Cidade apresenta Vicente. O Mito Em Lisboa - exposição sobre a actualidade do mito de S. Vicente, sendo curador Mário Caeiro. IMAG.132-265-546-760

21FEV-26MAI2019 - Em Lisboa, Museu do Oriente apresenta Futuro Doméstico Primitivo - exposição sobre o arquitecto Sou Fujimoto (Japão), sendo comissário João Almeida e Silva.

PARLATÓRiO
Música Portuguesa Contemporânea
A inconsistência da música, a inconsistência do criador musical, são ideias que levam naturalmente a considerar que a música é apenas a arte de combinar os sons de uma maneira agradável ao ouvido. Umas certas sensações, umas certas impressões, traduzidas por meio dos sons causam prazer. Eis para quem assim pensa, o fim social da música. No aspecto estético nada de análise, nada de aplicação prática; um professor que não saiba uma nota de música pode ensinar estética musical por este processo, puramente verbalístico. Sempre as sensações, as impressões, palavras, muitas palavras, palavras que, desligadas das forças físicas que fazem a música, prejudicam em vez de facilitar, a compreensão.
Tecnicamente o que se ensina, e aqui tenho de novo que dizer: o que se ensina em geral e não o que ensinam os raros entre nós, é o sistema do baixo cifrado, o maior-menor a imperar, não só na harmonia como até no contraponto, o princípio da tonalidade e da modulação regidos pelo número de acidentes à clave, e outras induções igualmente funestas ao bom gosto e à boa composição musicais.
Chego agora a uma questão candente, a uma questão de interesse muito mais geral do que os problemas ligados à substância sonora, de que tenho estado a tratar: refiro-me à interpretação. Pensa-se entre nós sobre o assunto o mesmo que Berlioz pensava quando disse: Wagner dirige «librement, comme Klindworth joue du piano». Isto está longe de ser um elogio para quem pense como Berlioz, pois que, apesar de grande compositor ele, neste aspecto, não tinha razão. A frase não pode ser compreendida senão como uma censura a Wagner e Klindworth, frase vinda de um músico educado, como todos os músicos em geral, na cega submissão à tirania do tempo e do compasso, esses dois inimigos natos do ritmo, e na atitude fria perante a música dos chamados clássicos.
Luís de Freitas Branco
- Conferência na Academia de Amadores de Música (excerto – 11ABR1946)

MEMÓRiA

08OUT1920-1986 - Franklin Patrick Herbert Jr, aliás Frank Herbert: Escritor americano de ficção científica, autor de Dune / Duna (1963-1965) - «Em minha opinião, a ficção científica é inspiradora, e aponta em direcções muito interessantes. Isto é, orienta-nos para dimensões eventuais. Graças à nossa imaginação, podemos tentar outras oportunidades, tomar opções distintas. Por tendência, ficamos presos a escolhas limitadas…». IMAG.111-462-550

1932-09OUT2010 - Paulo-Guilherme Tomáz Dúlio Ribeiro  d’Eça Leal, aliás Paulo-Guilherme d’Eça Leal: Arquitecto, cenógrafo, fotógrafo, cineasta, poeta, filho de Olavo d’Eça Leal - «Gastei as quatro folhas do meu trevo / e outro não consigo encontrar. / Foi-se-me a sorte, resta-me o destino. / Em todo o caso, lê o que eu escrevo, / lê tudo o que puderes decifrar, / na minha letra tosca de menino.» (Depressa Que o Verso Foge… - excerto, 1999). IMAG.327-397

09OUT1940-08DEZ1980 - John Winston Lennon, aliás John Lennon: Músico, compositor, guitarrista e cantor britânico, membro de The Beatles - «A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem».  
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10OUT1910-2005 - Ramón Gaya Pomés, aliás Ramón Gaya: Pintor e escritor espanhol - «Ser criador é isso: obedecer. Ser artista, pelo contrário, é desobedecer, e daí essa quase travessura que tem quase toda a arte moderna, pois trata-se de uma arte especialmente artística, artificial.» (El Sentimiento de la Pintura - excerto, 1959). IMAG.244-294-534

1926-10OUT2010 - Joan Alston Sutherland, aliás Joan Sutherland, aliás La Stupenda: Soprano australiana - «Uma das gigantes do canto operático no Século XX, uma daquelas cantoras que definem uma era e que, de algum modo, mudaram o curso da história da performance operática» (Bernardo Mariano). IMAG.328-585

12OUT1890-1955 - Luís Maria da Costa de Freitas Branco, aliás Luís de Freitas Branco: Compositor português - «Ao significado da sua obra notabilíssima, da sua personalidade fecunda e dominadora, há a juntar a verdadeira paixão que possuía pela Juventude, o entusiasmo com que via os novos triunfar, a sua luta diária, durante cinquenta anos, pelo renovamento, pela europeização da cultura portuguesa, e ainda a generosidade do seu grande coração, sempre disposto a ajudar os que começavam e vivendo com o mesmo entusiasmo as obras dos próprios discípulos, que pretendia sempre colocar à frente das suas» (Joly Braga Santos).  
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1918-14OUT1990 - Louis Bernstein, aliás Leonard Bernstein: Compositor, maestro e pianista americano - «Não me interessa uma orquestra que tenha o seu próprio som… O que eu quero é que, ao tocar, ela nos transmita o som do compositor». IMAG.266-297-395-497-602-672

COMENTÁRiO

O belo não é mais do que tudo o que pode ser resgatado, arrebatado ao eterno, resgatado do eterno e levado para a formosura e a vulnerabilidade do presente.
Ramón Gaya
- Belleza, Modernidad, Realidad (excerto - 1960)
PARLATÓRiO

O homem é um idiota em não dar tudo de si, sempre, no acto de criação. Alguém escreve algo num papel. Não está a destruir, está a plantar uma semente. Então, não tem que se preocupar com inspiração, ou qualquer coisa no género. É apenas uma questão de se sentar e de pôr-se a trabalhar. Eu nunca tive problemas por escrever, apenas, um parágrafo. Fala-se muito nisso. Pela minha parte, havia dias em que me sentia relutante em escrever, ou às vezes durante semanas inteiras, outras até mais tempo. Então, preferiria muito mais pescar, por exemplo, ou pôr-me a afiar lápis, ou ia nadar, ou… Por que não? Mas, depois, voltando à leitura do que havia produzido, era incapaz de distinguir entre o que me ocorreu facilmente e o que elaborei, sentando-me e decidindo: «Bem, chegou a hora de escrever, e é isso que agora vou fazer». Não havia diferença entre uma coisa e outra que registei no papel…
Frank Herbert

04MAR1966 - O Cristianismo vai desaparecer. Vai diminuir e encolher. Nós, The Beatles, somos mais populares do que Jesus, neste momento. Não sei qual vai desaparecer primeiro - o rock and roll ou o Cristianismo. Cristo não era mau, mas os seus discípulos eram obtusos e vulgares. É a distorção deles que, em minha opinião, estraga o Cristianismo.

11AGO1966 - Se tivesse dito que a televisão era mais popular do que Jesus, ninguém teria ligado… Eu não sou anti-Deus, anti-Cristo ou anti-religião. Não estou a dizer que sejamos melhores ou maiores, ou a comparar-nos a Jesus Cristo como pessoa ou Deus ou seja o que for. Disse o que disse e estava errado - ou fui interpretado erroneamente.
John Lennon
BREVIÁRiO

Opera Omnia edita Os Pescadores de Raul Brandão (1867-1930).
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Abysmo edita Poesia II - Sonetos Completos de Antero de Quental (1842-1891); edição crítica de Luiz Fagundes Duarte.
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