domingo, novembro 11, 2018

IMAGINÁRiO #743

José de Matos-Cruz | 16 Fevereiro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

OUSADIAS
Uma das mais fascinantes e talentosas duplas artísticas, na banda desenhada de expressão europeia, Schuiten & Peeters formam uma parceria quase mítica pela singular e deslumbrante obra publicada. Sob original chancela Casterman, Memórias do Eterno Presente (1993), do ciclo Les Cités Obscures, propõe uma variação sobre o universo do filme Taxandria de Raoul Servais, do qual Benoît Peeters foi co-argumentista, sendo a concepção gráfica de François Schuiten. Estamos no País do Eterno Presente, seguindo a passagem de Aimé - um miúdo libertário, como sempre atrasado de manhã, ao ir para a escola - pelas ruas e edifícios dessa fantástica metrópole, solitária e arruinada. Uma história que Aimé nos revela, curioso e ousado, enquanto protagoniza um futuro virtual… Com uma alternativa titular em Memórias do Eterno Retorno, eis a prodigiosa arquitectura do imaginário - plena de referências irónicas e alegóricas, pela magistral recriação de Schuiten & Peeters. Segundo este, «a partir da banda desenhada, podemos referenciar outras famílias de imagem. Desde logo, há uma relação privilegiada com os filmes clássicos». IMAG.215-248-269-400-444-520-532


CALENDÁRiO

18ABR1918-19JUL2018- Shinobu Hashimoto: Cineasta japonês, realizador e produtor, argumentista (de Akira Kurosawa: Às Portas do Inferno/Rashomon - 1950 e Os Sete Samurais/Shichinin no Samurai - 1954) - «A mera partilha de argumentos não gera clássicos ou obras-primas, mas evita certas incongruências, que não escapam ao cuidado de vários olhares» (2006).

13JUL-06OUT2018 - Em Braga, Gnration apresenta All the Way Down - instalação de Matthew Biederman (EUA), integrada no programa Scale Travels, em parceria com o Laboratório Ibérico de Nanotecnologia/LIN.

20JUL-23SET2018 - Em Lisboa, Galeria da Boavista apresenta Pálpembrana - exposição de escultura, instalação e filme de Alice dos Reis, sendo curadores Sara Antónia Matos e Pedro Faro.

23JUL-30SET2018 - Em Matosinhos, Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões apresenta A Conspiração das Formas - exposição colectiva / selecção de Obras da Colecção de Serralves, sendo curadora Gabriela Vaz-Pinheiro.

26JUL2018-31DEZ2019 - Em Lisboa, Museu Nacional de História Natural e da Ciência apresenta Moranças | Habitats Tradicionais da Guiné-Bissau - exposição de fotografia e desenho (1959-1960) de Fernando Schiappa Campos, António Saragga Seabra e Amadeu de Castilho Soares, sendo curadores Catarina Mateus e João Santos.

27JUL-14SET2018 - Em Lisboa, Galeria Abysmo apresenta Ilustração Portuguesa - exposição colectiva de trabalhos publicados em 2017-2018.

06-09SET2018 - Passeio Marítimo de Algés apresenta a quinta edição de Comic Con Portugal - megaevento cultural promovido por City Conventions in the Yard, incluindo cinema, televisão, banda desenhada, literatura, o mundo do cosplay, gaming, new media, música, Pop Asia e expositores. IMAG.544-596-707-Extra

SUMÁRiO

Marcos Portugal
Aos nove anos, Marcos António da Fonseca Portugal ingressou no Seminário da Patriarcal de Lisboa, onde estudou com João de Sousa Carvalho.
Viveu oito anos em Itália, de Setembro de 1792 até 1800. Aí estreou pelo menos 21 óperas, a maior parte delas bufas, com um sucesso sem precedentes, e milhares de representações.
No Rio de Janeiro, juntou-se à coroa real portuguesa, por vontade expressa de D. João VI. Chega ali em 1811, compondo sobretudo música sacra.
Com a saúde debilitada, não acompanhou a corte no regresso a Lisboa. Compôs um Hino da Independência do Brasil, cantado durante dezenas de anos.
Morreu a 17 de Fevereiro de 1830, no Rio de Janeiro, aos 67 anos. Tinha nascido em Lisboa, a 24 de Março de 1762.
30MAR2013 - Diário de Notícias

VISTORiA

A Despedida

Três modos de despedida
Tem o meu bem para mim:
- «Até logo»; «até à vista»;
Ou «adeus» – É sempre assim.

«Adeus», é lindo, mas triste;
«Adeus»… A Deus entregamos
Nossos destinos: partimos,
Mal sabendo se voltamos.

«Até logo», é já mais doce;
Tem distancia e ausência, é certo;
Mas não é nem ano e dia,
Nem tão-pouco algum deserto.

Vale mais «até à vista»,
Do que «até logo» ou «adeus»;
«À vista», lembra, voltando,
Meus olhos fitos nos teus.

Três modos de despedida
Tem, assim, o meu Amor;
Antes não tivesse tantos!
Nem um só… Fora melhor.
António Correia de Oliveira

MEMÓRiA

16FEV1850-1911 - Maximiliano Eugénio de Azevedo, aliás Maximiliano d’Azevedo: - Escritor e jornalista, militar português, autor de Histórias das Ilhas - Reminiscências dos Açores e da Madeira (1909) - durante mais de dez anos, coadjuvou Latino Coelho na preparação dos materiais para a história política e militar de Portugal nos fins do Século XVIII e princípios do Século XIX.

1762-17FEV1830 - Marcos António da Fonseca Portugal, aliás Marcos Portugal: Compositor português, e organista celebrado de música erudita, com carreira e sucesso internacional - em 1792, partiu para Itália, graças à protecção do príncipe regente e futuro Rei D. João VI; em 1801, a sua ópera Non Irritare le Donne foi seleccionada para reabrir o Teatro Italiano de Paris. IMAG.169-270-303-364

17FEV1930-2015 - Ruth Barbara Rendell, aliás Ruth Rendell: Escritora inglesa de romances policiais, criadora do Inspector Reginald Wexford - «Uma observadora elegante e perspicaz da sociedade, muitos dos seus premiados thrillers e mistérios psicológicos de crime sublinharam as causas ela apoiava» (Gail Rebuck). IMAG.224-227-296-567

17FEV1940-1993 - Nelson Dias: Artista plástico português, ilustrador de Wanya - Escala Em Orongo (1972) - «A violência que perpassa é sempre contada em flashback, como recordação - tanto do que vitimou Orongo, como do que ocorreu na Terra, antes de ter superado uma atávica inclinação guerreira». IMAG.166-173-178-263-385-404-551

1878-20FEV1960 - António Correia de Oliveira: Poeta português - «Cristão, um trovador e um cavalheiro. Cantou, como os maiores, o sentimento do Povo, o encanto da Terra e a fascinação do Céu» (Caldeira Coelho). IMAG.668-699

22FEV1900-1983 - Luís Buñuel Portolés, aliás Luís Buñuel: Cineasta espanhol - «A nossa memória é nossa consciência, a nossa razão, a nossa acção, o nosso sentimento… Sem ela, somos nada. A imaginação é o nosso primeiro privilégio, tão inexplicável como o fenómeno que a provoca».  
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TRAJECTÓRiA

NELSON DIAS
Nasceu em Matosinhos, a 17 de Fevereiro de 1940. Concluiu o Curso Superior de Pintura em 1964, na Escola Superior de Belas Artes do Porto/FBA-UP. Realizou a sua primeira exposição individual na Galeria Quadrante/Lisboa, em 1968. Nos anos que se seguiram, realizou várias encomendas para tapeçaria e, no campo da pintura, efectuou intensa pesquisa numa linguagem pop, que nunca veio a público. Em 1972, publicou o álbum de banda desenhada Wanya, Escala Em Orongo, com texto de Augusto Mota. Em 1973, estes mesmos artistas concretizaram Copra, a Flor da Memória.

Durante a sua carreira, Nelson Dias participou em inúmeras exposições colectivas, em Portugal e no estrangeiro, e realizou várias exposições individuais, de que se destacam as últimas: 1989 - Anamnésias (Galeria São Francisco - Lisboa), 1990 - Metamorfoses (Galeria AlfaMixta - Lisboa), 1991- Géneses (Galeria Espiral - Oeiras). Está representado no Museu Armindo Teixeira Lopes, no museu Bello Pinero na Corunha/Espanha, no Museu da Caixa Geral de Depósitos e em inúmeras colecções particulares. À data do seu falecimento, em 26 de Janeiro de 1993, fazia parte integrante, como Professor Agregado, do corpo docente da FBA-UL, onde exercia docência desde 1982.
Foi distinguido com o 1º Prémio na Bienal de Desenho da Cooperativa Árvore (Porto, 1985), o 2º Prémio no Concurso Internacional de Desenho Perez Villaamil (Corunha/Espanha, 1988), o 1º Prémio de Desenho na III Bienal de Escultura e Desenho das Caldas da Rainha (1991), e o 1º Prémio de Pintura no V Concurso Internacional de Pintura de Freiburg (Alemanha, 1992).

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Vida e Obra de Fernando Pessoa (1888-1935) de João Gaspar Simões (1903-1987).
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Dom Quixote edita Isto Não Pode Acontecer Aqui de Sinclair Lewis (1885-1951); tradução de José Roberto.

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

A MELANCOLIA FIXA DO CONTROLADOR DE ONDAS - 8

E no entanto, o fantasmagórico Damião de Magalhães atravessara já Cascais, espantado e escorraçado com os sinais dos tempos, prosseguindo um erradio litoral para as bandas de Lisboa. Estava, afinal, com o sol em ocaso, nesse cúmulo telúrico que lhe havia sido familiar, Belém, onde e quando se tornava ilíquida a fusão de marés, entre Tejo e Atlântico.
Continua

quarta-feira, novembro 07, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livros Três [Apenas Livros]

Retomada a publicação do ciclo inicial da série Aurora Boreal, criada por José de Matos-Cruz e publicada por Apenas Livros, a edição do 3º Universo, intitulado O Instinto Supremo – foi lançada durante o 29º AmadoraBD, em Novembro de 2018, com a presença do respectivo autor e ilustradores Susana Resende e Daniel Maia.
Explorando o universo criativo de uma Lisboa misteriosa e mágica, povoada por super-heróis e seres sobrenaturais, que fora revelada originalmente na saga d'O Infante Portugal, a enigmática Aurora Boreal continua as suas aventuras por novos mundos, e através de outras realidades e dimensões.

Aurora Boreal e O Princípio Infinito: Terceiro Universo – O Instinto Supremo é o 3º de quatro livros de cordel do ciclo inicial desta heroína, concebida originalmente por Susana Resende e com ilustrações suas, assinando igualmente a capa desta edição, e dos artistas Daniel Maia, Renato Abreu e Teotónio Agostinho. O livro é completado por uma diversa galeria de desenhos e de esboços adicionais.

Aurora Boreal
Surgiu na saga d’O Infante Portugal, nascida de uma relação efémera
entre a soviética Oktobraia e o cósmico Malsão. Irradiando além das luzes
e das trevas, a sua aparência torna-se Presente, ao romper os ciclos da infância
e da realidade, pelo capricho súbito e intenso de uma libertação…

O Instinto Supremo

A força que os impelia da profundidade à plenitude…
Tudo ignoravam, talvez, sobre as origens, nem saberiam
quem eram, mas viviam abismados a contemplar a transcendência.
Alguns sobressaíam, com suas máscaras ou seus prodígios



Aurora Boreal e O Princípio Infinito
Terceiro Universo: O Instinto Supremo

(Apenas Livros)
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustração: Susana Resende,
Daniel Maia, Renato Abreu e Teotónio Agostinho
1ª Edição: Outubro 2018
Prosa Ilustrada | 40p/PB | PVP: 3,90 €

segunda-feira, novembro 05, 2018

IMAGINÁRiO #742

José de Matos-Cruz | 08 Fevereiro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

SUCESSOS
Na busca de novos géneros com sucesso comercial para o cinema português - após o termo da guerra mundial, durante a qual culminou o triunfo da comédia - Fado, História d’Uma Cantadeira (1947) é um filme decisivo, assinalando a estreia como realizador de Perdigão Queiroga (1916-1980). Em formulação pelo melodrama romântico, eis ritualizada a canção nacional - tendo como protagonista a sua genuína intérprete, Amália Rodrigues. As expectativas foram amplamente logradas - com enorme sucesso de bilheteira, rendendo o público aos amores simples e aos dilemas da fama, entre figuras típicas dos bairros lisboetas - que ainda se conservam, na emoção dos espectadores. A responsabilidade da História d’Uma Cantadeira coube por inteiro à Lisboa Filme - com um notável orçamento de 2500 contos, e visando «um espectáculo para todos os portugueses». A fluidez plástica de Queiroga ressalta com perfeitas transparência cénica e definição fisionómica. Além da irradiante Amália Rodrigues, os intérpretes são naturais, aliciantes - sobressaindo Virgílio Teixeira, pela simplicidade com que desempenha um caráracter espontâneo, desenvolto. Fado foi galardoado com o Grande Prémio do Secretariado Nacional da Informação/SNI, que distinguiu Amália como Melhor Actriz do ano.
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CALENDÁRiO

10JUL-15SET2018 - Em Lisboa, Galeria Cristina Guerra apresenta A Mão Na Coisa, A Coisa Na Boca, A Boca Na Coisa, A Coisa Na Mão - exposição de escultura de João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira. IMAG.398

14JUL-15SET2018 - Em Faro, Solar das Pontes de Marchil apresenta
289 | Projecto de Pedro Cabrita Reis - exposição colectiva, sendo curador João Pinharanda. IMAG.405-427-612-676-689-720

21JUL-16SET2018 - Em Matosinhos, Casa da Arquitectura apresenta
Still Cabanon - exposição colectiva, organizada por Atelier do Corvo e Otiima ArtWorks, sendo curador José Miguel Pinto.

21JUL-24SET2018 - Em Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian apresenta
Convidado de Verão: Joaquim Sapinho (curador) - diálogo entre as colecções original (de Calouste Sarkis Gulbenkian - 1869-1955) e póstuma (arte moderna e contemporânea, reunida pela Fundação).

26JUL2018 - NOS Audiovisuais estreia Linhas de Sangue (2018) de Manuel Pureza e Sérgio Graciano; com Lourenço Ortigão e Kelly Bailey. IMAG.407-525-674

28JUL-26AGO2018 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe, no ciclo OitoXOito, Plasticidade: Do Território à Ecologia de Tatiana Silva.

28JUL-30SET2018 - No Crato, Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa apresenta Imaculada - instalação e exposição de fotografia de José M. Rodrigues. IMAG.667-682-685

VISTORiA

Advertência:
Se este discurso parece demasiadamente longo para ser lido de uma só vez, podemos dividi-lo em seis partes. Na primeira, encontraremos diversas considerações sobre as ciências. Na segunda, as principais regras do método procuradas pelo autor. Na terceira, algumas regras sobre a moral tiradas do método. Na quarta, as razões pelas quais ele prova a existência de Deus e da alma humana, que são os fundamentos da metafísica. Na quinta, ele procurou ordenar questões sobre a física, especialmente a explicação do movimento do coração e de algumas outras dificuldades relativas à medicina, bem como a diferença que existe entre a nossa alma e as dos animais. Por último, quais as coisas que não existem e que o autor julga necessárias para se avançar na pesquisa da natureza, e as razões que o levaram a escrevê-las.
René Descartes
- O Discurso do Método
MEMÓRiA

1826-08FEV1860 - António Augusto Soares de Passos, aliás Soares de Passos: Poeta português, expoente do Ultra-Romantismo - «Vês este peito? Reina a morte aqui… / É já sem forças, ai de mim, gelado, / Mas inda pulsa com amor por ti.» (O Noivado do Sepulcro - excerto). IMAG.75-244

08FEV1960-2015 - Nuno Jorge Lopes de Melo Cardoso, aliás Nuno Melo: Actor português de teatro, cinema e televisão - «Era um actor fora da norma, diferente dos actores que há em Portugal» (Jorge Silva Melo). IMAG.189-381-573

10FEV1890-30MAI1960 - Boris Leonidovitch Pasternak, aliás Boris Pasternak: Poeta e ficcionista russo, Prémio Nobel da Literatura em 1958 - «As revoluções duram semanas, anos; depois, durante decénios e séculos, adora-se, como algo de sagrado, esse espírito de mediocridade que as suscitou». IMAG.102-199-262-320-418

10FEV1910-1994 - Jorge Brum do Canto: Actor e realizador do cinema português - «De maneira nenhuma estou disposto a alinhar nos maus hábitos do cinema nacional, em que normalmente as coisas se passam assim: aparece um sujeito que fez ou arranjou uma história, e procura afanosamente um capitalista, para explorar a negociata».  
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1596-11FEV1650 - René Descartes: Filósofo e matemático francês, autor de O Discurso do Método - «As maiores almas são tão capazes dos maiores vícios como das maiores virtudes, e os que avançam muito lentamente são capazes de obter maiores vantagens, se seguirem sempre o caminho recto, do que aqueles que correm muito, mas se afastam desse caminho.». IMAG.80-262-342-556-581

1922-12FEV2000 - Charles Monroe Schulz: Artista americano de quadradinhos, autor de Peanuts - «Pode estar para além da compreensão humana que alguém nascesse para ser autor de banda desenhada… Mas, desde que me conheço, essa foi sempre a minha ambição».  
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13FEV1740-1802 - Madeleine-Sophie Arnould, aliás Sophie Arnould: Cantora de ópera, soprano francesa - «A maior parte das mulheres galantes entrega-se a Deus, quando o Diabo já não as pretende». IMAG.391

VISTORiA

Ser Famoso…
Ser famoso não é bonito.
Não nos torna mais criativos.
São dispensáveis os arquivos.
Um manuscrito é só um escrito.

O fim da arte é doar somente.
Não são os louros nem as loas.
Constrange a nós, pobres pessoas,
Estar na boca de toda a gente.

Cumpre viver sem impostura.
Viver até aos últimos passos.
Aprender a amar os espaços
E a ouvir o som da voz futura.

Convém deixar brancos à beira
Não do papel, mas do destino,
E nesses vãos tornar inscritos
Capítulos da vida inteira.

Apagar-se no anonimato,
Ocultando a nossa passagem
Pela vida, como a paisagem
Oculta a nuvem com recato.

Alguns seguirão, passo a passo,
As pegadas do teu passar,
Mas tu não deves separar
O teu sucesso do teu fracasso.

Não deves renunciar a um mínimo
Pedaço do teu ser,
Só estar vivo e permanecer
Vivo, e viver até o fim.
Boris Pasternak

COMENTÁRiO

O ESTILO BRUM DO CANTO
Crítico de cinema n’O Século - a primeira crónica na secção O Século Cinegráfico foi sobre Moana, de Robert Flaherty - e depois no Cinéfilo, Jorge Brum do Canto, influenciado pela vanguarda francesa, não resistiu ao apelo da produção cinematográfica. A Dança dos Paroxismos, a sua primeira experiência começou a ser rodada em Dezembro de 1929, e para além da direcção, Canto foi autor do argumento e dos décors e ainda intérprete principal. Trata-se de um ensaio visual, expressamente dedicado a Marcel l’Herbier.
Revelando as suas intenções, e até o seu posicionamento face à arte cinematográfica, nesse momento de viragem, Jorge Brum do Canto asseverou então que «Este meu primeiro passo, nos domínios tentadores mas perigosos, do cinematógrafo, não é um filme vanguardista, como impropriamente o poderiam intitular, à semelhança do que costuma suceder com qualquer obra que possua certa ousadia - ou certo pretensiosismo… -, quer assente sobre uma base arrojada, quer desenvolva um estilo menos comum. Pondo de parte o subjectivismo fácil, pretendo apenas, neste ensaio, nesta dança visual, reunir, em um só bloco, o máximo, o paroxismo das actuais possibilidades objectivas do cinema, em que já de si são paroxismos».
Mas depois de concluído e de ter sido exibido numa sessão particular, para um reduzido número de pessoas, no Central, em Novembro de 1930, Brum do Canto decidiu mantê-lo inédito para o público em geral. Só em Outubro de 1984, num ciclo dedicado à sua obra na Cinemateca Portuguesa, foi de novo possível ver esta obra de cariz único no cinema nacional.
Apesar daquela decisão, do foro pessoal, Brum do Canto não desistiu da actividade cinematográfica, começando as filmagens de Paisagem, um filme de ficção sobre a emigração clandestina, nas zonas rurais. Brum do Canto deslocou-se à região de Pessegueiro do Vouga, onde rodou várias sequências. No entanto, o investimento claudicou e o filme ficaria incompleto, embora o material fosse integrado em João Ratão (1940).

PARLATÓRiO

O coração de uma mulher bonita é uma rosa, da qual cada amante tira uma pétala… Não tarda que, para o marido, fiquem apenas os espinhos.
Sophie Arnould

BREVIÁRiO

Flávio C. Almeida edita Um Só, livro de banda desenhada de que também é autor.
 

quinta-feira, novembro 01, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: AURORA BOREAL e O INFANTE PORTUGAL no AMADORABD e nos TROFÉUS CENTRAL COMICS

No próximo dia 4 de Novembro, Domingo, às 14h 30m, será apresentado no Auditório do 29º Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora - AmadoraBD, a decorrer no Fórum Luís de Camões, na Brandoa, mais um número da série Aurora Boreal e O Princípio Infinito, por José de Matos-Cruz, com edição de Apenas Livros, e intitulado Terceiro Universo – O Instinto Supremo, sendo ilustradores Daniel Maia, Renato Abreu, Susana Resende e Teotónio Agostinho.

Entretanto, na exposição colectiva Ano Editorial Português 2017-2018, do AmadoraBD, estão também patentes o Primeiro Universo – O Bestiário Humano e o Segundo Universo – O Teatro Anatómico de Aurora Boreal, em que participaram os mesmos artistas, além de O Infante Portugal em Universos Reunidos, lançado sob chancela Kafre/Arga Warga.

Dando seguimento, em banda desenhada, à trilogia de literatura imaginada por José de Matos-Cruz, O Infante Portugal em Universos Reunidos foi recentemente distinguido pelos XVI Troféus CentralComics, na categoria Melhor Obra Curta (32% dos votos do público) e, quanto à nomeação para Melhor Publicação Independente, atingiu um significativo segundo lugar (28%, obtendo o vencedor 29% dos votos).

Como criador da personagem e autor, quero renovar a minha gratidão e prestar homenagem a Daniel Maia (coargumentista e ilustrador), aos artistas convidados Susana Resende (desenhadora), Daniel Henriques (arte-finalista), Nuno Silva (colorista e designer), e aos mestres José Garcês e José Ruy (participação especial).


Pelas suas inspiração e amizade, com os seus talentos e generosidade, tornaram possível este sonho convertido em realidade, e agora destacado pelos Troféus Central Comics. Saudação e reconhecimento que estendo a todos com quem tenho partilhado a transfiguração de Aurora Boreal, e aos que me acompanham no actual envolvimento sobre As Crónicas do Livro Livre.

segunda-feira, outubro 29, 2018

IMAGINÁRiO #741

José de Matos-Cruz | 01 Fevereiro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004
 
PRONTUÁRiO

VITALIDADE
No panorama da banda desenhada franco-belga, Hermann distingue-se entre os artistas mais talentosos, sólidos e versáteis, conjugando as tradições da acção, sob o signo heróico, com o testemunho crítico, sobre a realidade em transe. Basta recordar alguns segmentos determinantes da sua extensa carreira: Jugurtha (com guiões por Laymillie), Bernard Prince e Comanche (por Greg), Nic (por Morphée), Le Secret des Hommes-Chiens (por Yves Huppen). Mas é como autor integral, que o argumentista e ilustrador Hermann atinge, porventura, a expressão da sua plena vitalidade: Abominable, Missié Vandisandi ou Sarajevo-Tango, o épico Les Tours de Bois-Maury - conjugando todas as paisagens intemporais, todos os horizontes da história, em conflitos, dramas, humores, emoções, confrontos. Ainda nesta modalidade, muitos dos fiéis leitores privilegiam o culto de Jeremiah - cuja vigésima aventura se exalta em Mercenaires (1997), sob chancela Dupuis pela vertente Repérages. Tudo começa algures numa região desolada, durante uma tempestade de areia. Jeremiah e Kurdy chegam à aldeia mineira de Sears & Como, com um velhote, Angus Greenspoon, enquanto um estranho grupo paramilitar assola a região…
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CALENDÁRiO

26MAI-22SET2018 - Em Matosinhos, Galeria Municipal apresenta Real Vinícola - Uma Reconversão - exposição de fotografia de Luís Ferreira Alves, sendo curador Guilherme Machado Vaz.

28JUN-15OUT2018 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe E Depois, a História | Besides, History de Go Hasegawa, Kersten Geers e David Van Severen, sendo curadora Giovanna Borasi, e com adaptação curatorial por Carles Muro.

10JUL-14OUT2018 - Em Lisboa, Garagem Sul do Centro Cultural de Belém expõe Histórias Construídas | Building Stories de Vylder Vinck Taillieu, Maio e Ricardo Bak Gordon, sendo curadores Amélia Brandão Costa e Rodrigo da Costa Lima.

1939-15JUL2018 - Altino Martins da Costa, aliás Altino do Tojal: Jornalista e escritor português, autor de Os Putos (1973) - onde se encontram «alguns dos melhores contos contemporâneos da infância e adolescência pobres» (Óscar Lopes).

VISTORiA


Os dez Princípios de um Código de Conduta
1. Não tenhas certeza absoluta de nada.
2. Não consideres que valha a pena proceder escondendo evidências, pois as evidências inevitavelmente virão à luz.
3. Nunca tentes desencorajar o pensamento, pois com certeza tu terás sucesso.
4. Quando encontrares oposição, mesmo que seja de teu cônjuge ou de tuas crianças, esforça-te para superá-la pelo argumento, e não pela autoridade, pois uma vitória dependente da autoridade é irreal e ilusória.
5. Não tenhas respeito pela autoridade dos outros, pois há sempre autoridades contrárias a serem achadas.
6. Não uses o poder para suprimir opiniões que consideres perniciosas, pois as opiniões irão suprimir-te.
7. Não tenhas medo de possuir opiniões excêntricas, pois todas as opiniões hoje aceitas foram um dia consideradas excêntricas.
8. Encontra mais prazer em desacordo inteligente do que em concordância passiva, pois, se valorizas a inteligência como deverias, o primeiro será um acordo mais profundo que a segunda.
9. Sê escrupulosamente verdadeiro, mesmo que a verdade seja inconveniente, pois será mais inconveniente se tentares ocultá-la.
10. Não tenhas inveja daqueles que vivem num paraíso dos tolos, pois apenas um tolo o consideraria um paraíso.
Bertrand Russell
- Autobiografia

VISTORiA

Os Treze Anos - Cantilena

Já tenho treze anos,
que os fiz por Janeiro:
madrinha, casai-me
com Pedro Gaiteiro.

Já sou mulherzinha;
já trago sombreiro,
já bailo ao Domingo
com as mais no terreiro.

Já não sou Anita,
como era primeiro;
sou a Senhora Ana,
que mora no outeiro.

Nos serões já canto,
nas feiras já feiro,
já não me dá beijos
qualquer passageiro.

Quando levo as patas,
e as deito ao ribeiro,
olho tudo à roda,
de cima do outeiro.

E só se não vejo
ninguém pelo arneiro,
me banho co’as patas
Ao pé do salgueiro.

Miro-me nas águas,
rostinho trigueiro,
que mata de amores
a muito vaqueiro.

Miro-me, olhos pretos
e um riso fagueiro,
que diz a cantiga
que são cativeiro.

Em tudo, madrinha,
já por derradeiro
me vejo mui outra
da que era primeiro.

O meu gibão largo
de arminho e cordeiro,
já o dei à neta
do Brás cabaneiro,

dizendo-lhe: «Toma
gibão domingueiro,
de ilhoses de prata,
de arminho e cordeiro.

«A mim já me aperta,
e a ti te é laceiro;
tu brincas co’as outras
e eu danço em terreiro.»

Já sou mulherzinha;
já trago sombreiro,
já tenho treze anos,
que os fiz por Janeiro.

Já não sou Anita,
sou a Ana do outeiro;
madrinha, casai-me
com Pedro Gaiteiro.

Não quero o sargento,
que é muito guerreiro,
de barbas mui feras
e olhar sobranceiro.

O mineiro é velho;
não quero o mineiro:
Mais valem treze anos
que todo o dinheiro.

Tão-pouco me agrado
do pobre moleiro,
que vive na azenha
como um prisioneiro.

Marido pretendo
de humor galhofeiro,
que viva por festas,
que brilhe em terreiro;

Que em ele assomando
co’o tamborileiro,
logo se alvorote
o lugar inteiro.

Que todos acorram
por vê-lo primeiro,
e todas perguntem
se ainda é solteiro.

E eu sempre com ele,
romeira e romeiro,
vivendo de bodas,
bailando ao pandeiro.

Ai, vida de gostos!
ai, céu verdadeiro!
ai, Páscoa florida,
que dura ano inteiro!

Da parte, madrinha,
de Deus vos requeiro:
Casai-me hoje mesmo
com Pedro Gaiteiro.
António Feliciano de Castilho

MEMÓRiA

28JAN1800-1875 - António Feliciano de Castilho: Escritor e pedagogo português - «Eu! Respondia o triste, eu pôr machado / Na boa da minha árvore?  primeiro / Me falte lume alheio o inverno todo, / Que eu mate a que a meu pai já dava sestas; / A que de meu avô me foi mandada, / Que a mão pôs para si; e a que nos braços / Me embalou tanta vez sendo menino.» (Quem Poupa as Árvores Encontra Tesouros - excerto).
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1872-02FEV1970 - Bertrand Arthur William Russell, aliás Bertrand Russell: Escritor, matemático e filósofo inglês, Prémio Nobel da Literatura (1950) - «O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota, e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda».
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1932-02FEV2010 - Rosa Maria de Bettencourt Rodrigues Lobato de Faria, aliás Rosa Lobato de Faria: Actriz e escritora portuguesa - «A imaginação é magia e é arte / que nos faz inventar, sonhar e viajar. / Com imaginação podemos ir a Marte / ou ao centro da Terra, ou ao fundo do mar.» (Imaginação - excerto).
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04FEV1900-1977 - Jacques André Marie Prévert, aliás Jacques Prévert: Poeta francês, autor de Paroles - «Pelas barras do bloco penitenciário / uma laranja / passa como um raio / e cai como uma pedra / dentro do sanitário / E o prisioneiro / todo lambuzado de merda / resplandece / todo iluminado de alegria / Ela não me esqueceu / Ela ainda pensa sempre em mim» (O Meteoro).
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05FEV1940-2014 - Hans Rudolf Giger, aliás H.R. Giger: Artista plástico suíço, pintor, escultor e designer, ligado ao surrealismo e ao fantástico, colaborador em Alien, o 8º Passageiro (1978 - Oscar aos Efeitos Visuais) - «Os pesadelos e terrores nocturnos, de que sofro cronicamente, são também fontes regulares de inspiração».
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06FEV1950-2015 - Stephanie Natalie Maria Cole, aliás Natalie Cole: Cantora e compositora americana, filha de Nat King Cole - «Nunca consegui fazer a transição de rapariguinha para jovem mulher… E isso afecta-me». IMAG.599

07FEV1910-1999 - Joaquim Martins Correia: Artista plástico português, escultor e pintor - «Deixou uma obra altamente personalizada, rompendo com o academismo dominante da escultura naturalista e realista» (Lagoa Henriques).
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BREVIÁRiO

PIM edita O Mistério da Rua Saraiva de Carvalho de Reinaldo Ferreira (1897-1935).
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