Após
a inauguração no final do ano passado, a Bedeteca José de Matos-Cruz, incluída na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana, dá início à sua programação nas lides da arte sequencial e
demais àreas de afinidade, com a rúbrica Conversa(s) sobre Banda Desenhada, tendo
como primeiro convidado o mestre José Ruy,
num encontro com moderação por José de
Matos-Cruz.
A entrada é gratuita e
agradece-se a divulgação da iniciativa.
quinta-feira, setembro 08, 2016
quarta-feira, setembro 07, 2016
IMAGINÁRiO #626
José
de Matos-Cruz | 08 Setembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV –
Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
Um
lendário criador dos quadradinhos americanos, Stan Lee - pai de
Spiderman,
Hulk
ou X-Men
-
foi, em 2001, homenageado pelos DC Comics, com a fascinante vertente
Just
Imagine.
Tendo como base o conceito e o carácter de heróis primordiais, o
celebrado artista é colocado em virtual aliança, com alguns maiores
autores da actualidade, numa perspectiva editorial. Assim, Just
Imagine Stan Lee With Jim Lee Creating Wonder Woman considera
o fenomenal fundador da WildStorm, para apresentar uma bela e brava
justiceira, em acção na selva do Perú. Quando a sua terra natal é
espoliada dos tesouros ancestrais, a idealista Maria Mendonza
serve-se dum artefacto mágico para adquirir os extraordinários
poderes de Wonder Woman, combatendo o cruel e odiado Señor Gómez -
também responsável pela morte de seu pai, um prestigiado juíz…
Imaginada pela dupla Lee - a propósito, não há parentesco entre
Stan e Jim - esta aventura exótica, empolgante, culmina com Gómez
transformado pelo sinistro Reverendo Darrke numa criatura ainda mais
pérfida e fatídica!
IMAG.1-3-5-18-20-23-27-28-40-45-47-74-98-110-114-133-148-155-199-203-217-219-248-372-416-448-461-477-508-609
VISTORiA
¨Que
harmonia suave
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?
És
tu, meu anjo, cuja voz divina
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?
Oh,
sim!, és tu, que na infantil idade,
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: «Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.»
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d’ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!…
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: «Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.»
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d’ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!…
Alexandre
Herculano
Os
Cavaleiros de Almacave
De
capa e volta, de calção e vara,
hei-de
ir, Procurador do meu Concelho,
falar
ao Senhor-Rey com fala clara,
dizer-lhe
uma oratória que aparelho!
Cortes-Gerais.
O Reyno se prepara
p'ra
ouvir a voz dos Povos em conselho,
Monforte
ao Banco-Doze me mandara.
Real!
Real! –
e incline-se o joelho.
Ó
Deus de Ourique, cumpre o prometido!
Leva-nos
contra os novos muçulmanos,
– nós
somos livres, livre é o nosso Rey!
Eu
reconheço-lhe o morrião florido.
Onde
eu me achava há setecentos anos
com
ele, já erguido, me encontrei!
António
Sardinha
-
Epopeia
da Planície
MEMÓRiA
09SET1887-1925
- António
Maria de Sousa Sardinha, aliás António Sardinha: Poeta e ensaísta
português, membro do Integralismo Lusitano - «Meu
coração de lusitano antigo / bateu às portas de Toledo, a
estranha. / Mais roto e ensanguentado que um mendigo, / só a saudade
os passos lhe acompanha. // Pois a saudade ali me deu abrigo, / ao pé
do Tejo que a Toledo banha. / Levava os dias a falar comigo, / como
um pastor com outro na montanha. // Em todo o mundo há terra
portuguesa, / desde que a alma a tenha na lembrança / e a sirva
sempre com fervor igual. // Talvez por isso, em horas de tristeza, /
eu pude à sua amada semelhança /criar p’ra mim um novo Portugal!»
(Memória
- Na
Corte da Saudade).IMAG.55-498
1782-10SET1857
- Sophia Petrovna Soïmonov, aliás Anne Sophie Swetchine: Mística e
escritora russa, radicada em França - «A cada passo, os homens
invocam a justiça, quando a justiça deveria fazê-los tremer».
IMAG.395
¨
10SET1897-1962
- Georges Albert Maurice Victor Bataille, aliás Georges Bataille:
Escritor e intelectual francês, nas áreas da antropologia,
filosofia, sociologia e história da arte - «Um homem que ignora o
erotismo, é tão estranho como um homem sem experiência interior».
IMAG.13
11SET1917-2012
- Herbert Charles Angelo Kuchacevich von Schluderbacheru, aliás
Herbert Lom: Actor inglês de origem austro-húngara, personificou o
Comissário Charles Dreyfus na série A
Pantera Cor-de-Rosa
(a partir de 1964), sendo protagonista Peter Sellers - «Ele era uma
pessoa magnífica, mas muito cruel com as crianças. Comigo, acontece
o contrário. São os meus filhos que me tratam mal» (2004).
IMAG.429
¨
1810-13SET1877
- Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, aliás Alexandre
Herculano: Ficcionista, poeta, dramaturgo, historiador e jornalista
português - «Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e
mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e
aprender».
IMAG.38-95-146-220-268-309-312-321-338-384-412-416-430-489-541-544-552-618
¯27MAI1877-14SET1927
-
Angela Isadora Duncan,
aliás Isadora Duncan: Bailarina americana - «Quem
era eu, o menino que vivia das sopas de Cerqueira César, para
afrontar de perto, sozinho e a horas mortas, o gênio andejo da
mulher despida que levara o escândalo de seu espírito e o fascínio
de sua carne às cinco partes do mundo?» (Oswald de Andrade - Um
Homem Sem Profissão).
15SET1907-2004
- Vina
Fay Wray, aliás Fay
Wray: Actriz do cinema americano, nascida no Canadá, protagonista
feminina de King
Kong (1933
- Merian
C. Cooper e Ernest B. Schoedsack)
- «King Kong foi o meu namorado mais impressionante».
IMAG.7-94
VISTORiA
O
Erotismo Na Experiência Interior
¨
O
erotismo, aspecto imediato
da experiência interior, opondo-se à sexualidade animal
O
erotismo é um dos aspectos da vida interior do homem. Nisso nos
enganamos, porque ele procura constantemente fora um objecto de
desejo. Mas este objecto responde à interioridade
do
desejo. A escolha de um objecto depende sempre dos gostos pessoais do
indivíduo: mesmo se ela recai sobre a mulher que a maioria teria
escolhido, o que entra em jogo é frequentemente um aspecto
indizível, não uma qualidade objectiva dessa mulher, que talvez não
tivesse, se ela não nos tocasse o ser interior, nada que nos
forçasse a escolhê-la. Em resumo, mesmo estando de acordo com a
maioria, a escolha humana difere da do animal: ela apela para essa
mobilidade interior, infinitamente complexa, que é típica do homem.
O animal tem ele próprio uma vida subjectiva, mas essa vida, parece,
é-lhe dada, como acontece com os objectos sem vida, de uma vez por
todas. O erotismo do homem difere da sexualidade animal justamente no
ponto em que ele põe a vida interior em questão. O
erotismo é na consciência do homem aquilo que põe nele o ser em
questão. A
própria sexualidade animal introduz um desequilíbrio e este
desequilíbrio ameaça a vida, mas o animal não o sabe. Nele nada se
abre que se assemelhe com uma questão.
Seja
como for, se o erotismo é a actividade sexual do homem, é-o na
medida em que ela difere da dos animais. A actividade sexual dos
homens não é necessariamente erótica. Ela o é sempre que não for
rudimentar, que não for simplesmente animal.
Georges
Bataille
-
O
Erotismo
(1957, excerto
-
Tradução
de Antonio Carlos Viana)
CALENDÁRiO
¢14MAI-04SET2016
- No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta Quasi
Tutto -
exposição de pintura e desenho de Giorgio Griffa, sendo curador
Andrea Bellini.
¢17JUN-28AGO2016
- No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta No
Limite da Forma
- exposição de escultura de Pedro Figueiredo.
23JUN-26AGO2016
- Na Bedeteca da Amadora, Clube Português de Banda Desenhada / CPBD
apresenta Augusto
Trigo e Jorge Magalhães -
exposição da obra conjunta do ilustrador e do argumentista.
IMAG.126-129-132-149-160-234-256-385-414-416-430-453-550
BREVÁRiO
¨ Sistema Solar edita O Nascimento da Arte de Georges Bataille (1897-1962); tradução de Aníbal Fernandes.
segunda-feira, setembro 05, 2016
IMAGINÁRiO #625
José
de Matos-Cruz | 01 Setembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV –
Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
AUDIOVISUAL
Entendido
como um fenómeno interactivo, sob a chancela de Hollywood, o
audiovisual transformou a indústria artística simbolizada no
cinema. As fitas tornaram-se produtos híbridos quanto a temas ou
géneros, tendo em vista um agrado espontâneo por toda a gente, com
uma uniformização dos meios - cinema, televisão, digital -
interligados para uma exploração sucedânea e globalizadora. Mas,
paralelamente, os imaginários sagrados tornaram-se mais familiares,
disponíveis, contribuindo tal imediatez ou acessibilidade para uma
democratização e o refinamento da cinefilia. Assim se instituiu a
edição videográfica. Mas nem por isso os mais exigentes deixarão
de protestar que os filmes foram concebidos para serem vistos numa
sala, em grande ecrã. Claro que sim, esse é o objectivo
prioritário. Porém, há que atenuar inconvenientes e realçar
vantagens. Os mais elitistas continuam - por exemplo - a insistir que
uma obra dos primórdios apenas poderá ser apreciada no sortilégio
das cópias originais em nitrato. Em contrapartida, a transição do
VHS para o DVD não só melhorou a qualidade, como diversificaria o
manancial sobre as imagens animadas…
CALENDÁRiO
¢19MAI-27JUL2016
- Em Lisboa, Galeria Pedro Cera apresenta LL/EE
- exposição de escultura e objectos de Rachel Foullon & Matt
Keegan (EUA).
¢28MAI-28AGO2016
- Em Lisboa, Pavilhão Branco do Museu da Cidade apresenta Mise
En Abyme - exposição de
pintura de Eduardo Batarda, sendo curador Julião Sarmento.
IMAG.146-388-515
1942-03JUN2016
- Cassius Marcellus Clay Jr, aliás Cassius Clay, aliás Muhammad
Ali: Pugilista americano, activista político e religioso, campeão
do mundo de boxe de pesos pesados em 1964, 1974 e 1978 - «Flutuo
como uma borboleta e pico como uma abelha… As mãos não podem
chegar ao que os olhos não vêem».
09JUN-03JUL2016
- Em Setúbal, Galeria Municipal do 11 apresenta Exposição
Retrospectica de Luís Filipe de Abreu -
em desenho e ilustração.
Lisboa
onde todos os que bebem água, não tem mais de um estreito chafariz
para tanta gente… Deve de trazer a Lisboa Água Livre que de duas
léguas dela trouxeram os Romanos, por condutas debaixo da terra,
subterrâneos furando muitos montes e com muito gasto e trabalho…
Francisco
de Holanda
-
Da Fábrica Que Falece à Cidade de Lisboa (1571
- excerto)
Interrogação
¨Não
sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se
alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E
apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde
fosses feliz, e eu feliz contigo.
Por
ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E
nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem
depois de acordar te procurei no leito
Como
a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.
Se
é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A
tua cor sadia, o teu sorriso terno…
Mas
sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que
me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo
contigo a tarde e sempre sem receio
Da
luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu
não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem
me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu
não sei se é amor. Será talvez começo…
Eu
não sei que mudança a minha alma pressente…
Amor
não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que
adoecia talvez de te saber doente.
Camilo
Pessanha
MEMÓRiA
¨
01SET1887-1961 - Frédéric Louis Sauser, aliás Blaise Cendrars:
Poeta e ficcionista suíço - «Interlaken. A estação de Marte…
Elevadores sobem e descem. Fortes projectores acendem-se. Sinais
luminosos. Telegrafia óptica colorida. O comboio que parte, é
agarrado e, depois, arremessado pela funda dos dínamos gigantes. Um
relâmpago ultra-violeta. Desenrola-se uma espiral. O comboio já
partiu. Vemos o seu farol traseiro desaparecer no céu estrelado. Os
sinais luminosos redobram de intensidade.» (O
Fim do Mundo Filmado Pelo Anjo N.-D.).
IMAG.68
02SET1907-1993
- Hermínia Silva Leite Guerreiro, aliás Hermínia Silva: Fadista e
actriz portuguesa - «Desde que me entendo que gostei de cantar. E o
fado, cantava o a todo o momento, e por toda a parte:
na rua, em casa, na escola, desde que aos seis anos comecei a
frequentar a escola… O meu fado foi sempre de revista, de teatro».
IMAG.150-371-422
02SET1917-2013
- Armando Trovaioli: Maestro e pianista italiano, compositor
cinematográfico - para filmes de realizadores como Dino Risi e
Alberto Lattuada. IMAG.454
¯1926-03SET1987
- Morton Feldman: Compositor americano - «Fala-se das suas peças
como se fala das profundezas de um mar gelado» (JS). IMAG.502-546
1843-04SET1907
- Edvard Hagerup Grieg, aliás Edvard Grieg: Compositor norueguês -
«E porque não lembrar a sensação maravilhosa, quase mística de,
pela primeira vez, estender os braços até ao piano, e começar a
criar? Não uma melodia, ainda longe disso».
IMAG.163-367-422-451-533-551
04SET1927-2011
- John McCarthy: Matemático americano, pioneiro da inteligência
artificial e cientista informático - «A inteligência artificial
lida com objectos e predicados que não admitem simples e meras
definições. Cabe-lhe aproximar teorias e carências para estudar a
relação entre entidades e diferentes níveis de abordagem».
IMAG.383
05SET1847-1882
- Jesse Woodson James,
aliás
Jesse James: Bandoleiro americano, assaltante de bancos e comboios -
«Apesar de tudo, continuo a ter esperança… Durante a Guerra, fui
ferido sete vezes, e uma outra no mesmo pulmão… Não acredito que
vá morrer».
IMAG.365-467
¨
1798-05SET1857 - Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, aliás
Auguste Comte: Filósofo francês, fundador da Sociologia - «A moral
consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os
impulsos egoístas».
05SET1857-1935
- Konstantin Eduardovich Tsiolkovsky: Físico russo, pioneiro no
estudo da cosmonáutica - «A
Terra é o berço da Humanidade, mas ninguém pode viver no berço
para sempre». IMAG.531
06SET1517-1584
- Francisco de Holanda: Escritor e ensaísta português, arquitecto e
pintor, bolseiro em Roma, discípulo de Miguel Ângelo, vulto do
Renascimento, autor de Da
Fábrica Que Falece à Cidade de Lisboa.
IMAG.471
¨
07SET1867-1926 - Camilo de Almeida Pessanha, aliás Camilo Pessanha:
Escritor português, poeta simbolista - «Ao meu coração um peso de
ferro / Eu hei-de prender na volta do mar. / Ao meu coração um peso
de ferro… / Lançá-lo ao mar. // Quem vai embarcar, que vai
degredado, / As penas do amor não queira levar… / Marujos, erguei
o cofre pesado, / Lançai-o ao mar.» (Canção
da Partida - excerto).
IMAG.5-72-307-326-553
ANTIQUÁRiO
03SET1907
- No Theatro do Príncipe Real, estreia O
Rapto de Uma Actriz de Lino
Ferreira - primeiro filme português de ficção, sketch
integrado na revista Ó da
Guarda!, sendo protagonistas
Lucinda do Carmo, Carlos Leal e Nascimento Fernandes.
IMAG.7-108-145-209-257
COMENTÁRiO
Autêntica,
igual a si própria, fruto da sua vivência, revela uma subtileza
interpretativa e de fino recorte vocal. A sua voz parece uma cascata
de água fresca. Nunca ninguém tentou imitá-la, ou sequer
aproximar-se do seu estilo.
A
sua capacidade de criar melodias dentro da melodia tornaram-na única,
e de tal forma extraordinária que, se foi grande entre nós,
sê-lo-ia em qualquer outra parte do mundo. Hermínia tinha uma
capacidade inultrapassável de improviso, tanto a cantar como no
teatro onde foi aclamada pelas plateias. O público adorava-a,
escreveram os jornais que a adorava até ao fanatismo.
Hermínia
foi essencialmente uma criativa! Criava sempre algo de novo em cada
fado que cantava mesmo que o cantasse todas as noites e que todos o
conhecêssemos.
N.L.
BREVIÁRiO
¯Naxos
edita em CD, José Vianna da
Motta [1868-1948]:
À Pátria - Sinfonia, Inês
de Castro, Chula,
Three Impromptus,
Vito
por Royal Liverpool Philharmonic, sob a direcção de Álvaro
Cassuto. IMAG.48-115-158-175-182-187-513
¨
Biblioteca
Nacional de Portugal/BNP edita Diários
1883-93 - José Vianna da Motta (1868-1948)
de Christine Wassermann Beirão, José Manuel Beirão e Elvira
Archer.terça-feira, agosto 30, 2016
IMAGINÁRiO #624
José
de Matos-Cruz | 24 Agosto 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal
– Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
ILUSTRAÇÕES
Em
2000, um dos mais prestigiados criadores portugueses de quadradinhos,
também distinto artista plástico, Carlos Alberto Santos regressou
ao convívio do grande público com Guerra Peninsular 1,
ilustrando a Infantaria 1806-1815. Os seus admiradores de
sempre puderam apreciar esta expressão peculiar em Guerra e Paz -
Colecção «alicerçada em detalhada e aprofundada informação
sobre uniformes, equipamentos, armamentos e organização».
Uma iniciativa das Edições Destarte, dirigida por Jorge Linhares e com apresentação bilingue, sendo autor do texto Manuel A. Ribeiro Rodrigues. Em Prefácio, faz-se luz sobre a história: «A organização do Exército de 19 de Maio de 1806, ampliada pelo Decreto de fins de Outubro de 1807, não chegou a ter execução prática senão em 1808, em virtude de, a 30 de Novembro de 1807, Junot - à testa de quarenta e cinco mil homens de tropas francesas e espanholas - ter invadido Portugal sem declaração de guerra, com a desculpa de nos quererem livrar da “influência maligna” da Inglaterra». Aos leitores atraídos para além da banda desenhada, sugerem-se ainda As Campanhas Ultramarinas 1961/1974 - Guiné, Angola e Moçambique - Exército (2000). IMAG.149-256-487
Uma iniciativa das Edições Destarte, dirigida por Jorge Linhares e com apresentação bilingue, sendo autor do texto Manuel A. Ribeiro Rodrigues. Em Prefácio, faz-se luz sobre a história: «A organização do Exército de 19 de Maio de 1806, ampliada pelo Decreto de fins de Outubro de 1807, não chegou a ter execução prática senão em 1808, em virtude de, a 30 de Novembro de 1807, Junot - à testa de quarenta e cinco mil homens de tropas francesas e espanholas - ter invadido Portugal sem declaração de guerra, com a desculpa de nos quererem livrar da “influência maligna” da Inglaterra». Aos leitores atraídos para além da banda desenhada, sugerem-se ainda As Campanhas Ultramarinas 1961/1974 - Guiné, Angola e Moçambique - Exército (2000). IMAG.149-256-487
COMENTÁRiO
Na
sua lírica fluidez, Meteorologias
envolve-nos numa experimentação silenciosa com o tempo, a duração
e o ritmo. A sua forma – o estilo mutável dos desenhos, a
sequenciação das vinhetas e a composição das páginas – suscita
uma reflexão sobre temporalidades múltiplas que se entrelaçam: a
duração e as cadências variáveis da leitura, a velocidade e as
intensidades do desenho, bem como a relação entre o tempo
histórico, de escala humana, e o profundo e anti-humano tempo
geológico.
Aarnoud
Rommens
-
Prefácio a Meteorologias de
Diniz Conefrey
CALENDÁRiO
¯1928-28MAI2016
- Vicente Maria do Carmo de Noronha da Câmara, aliás D. Vicente da
Câmara: Fadista português, intérprete e autor, distinguido com o
Prémio Amália Rodrigues/Carreira (2013) - «O que é a
aristocracia? A aristocracia tanto pode estar no povo, como noutra
coisa qualquer… O aristocrata é aquele que sobressaiu».
¢02JUN-04SET2016
- Museu de Évora apresenta as exposições de pintura Ilha
dos Imortais de Tereza
Trigalhos e Global Make - Up
Program de Zoran (Sérvia).
03JUN-03JUL2016
- Em Setúbal, Galeria da Casa da Cultura apresenta Fónix
- exposição de ilustração
de Nuno Saraiva. IMAG.4-311-424-538
06JUN2016
- Em Ourique, Centro de Arqueologia Caetano de Mello Beirão expõe
Depósito Votivo de Garvão -
II Idade do Ferro.
VISTORiA
Carta
a Ninguém
Não
tornes a queixar-te! Se morreu
aquele grande amor e malfadado,
porque o mataste, filha? Ai! o culpado
bem vês que não fui eu…
aquele grande amor e malfadado,
porque o mataste, filha? Ai! o culpado
bem vês que não fui eu…
Julguei-te
abandonada, solitária:
quis fazer da tu’alma a ideal
e doce irmã da minha... e afinal
ela era como as outras? ordinária…
quis fazer da tu’alma a ideal
e doce irmã da minha... e afinal
ela era como as outras? ordinária…
Não
tornes a queixar-te mais de mim!
Eu não te posso amar: amar assim,
como os outros, não sei... era um engano…
Eu não te posso amar: amar assim,
como os outros, não sei... era um engano…
Foi
bem maior que a tua a minha dor:
tu sofreste o desamor,
mas eu, filha, sofri? o desengano…
tu sofreste o desamor,
mas eu, filha, sofri? o desengano…
Manuel
Laranjeira
-
Comigo. Versos Dum Solitário
VISTORiA
Durante
algumas semanas, levei uma vida miserável no bosque, procurando
curar a ferida aberta. A bala tinha entrado no ombro e não sabia se
lá havia ficado alojada; fosse como fosse, não dispunha do
necessário para a extrair. O meu padecimento era ainda acrescentado
pela injustiça e ingratidão com que fora tratado. Diariamente
jurava vingar-me, jurava uma profunda e mortífera vingança, a única
que poderia compensar-me dos ultrajes e das agonias que suportara.![]() |
| Ilustração de Bernie Wrightson |
Mary
Shelley
-
Frankenstein (excerto)
A
Serpente Que Dança
Em
teu corpo, lânguida amante,
Me apraz contemplar,
Como um tecido vacilante,
A pele a faiscar.
Me apraz contemplar,
Como um tecido vacilante,
A pele a faiscar.
Em
tua fluida cabeleira
De ácidos perfumes,
Onde olorosa e aventureira
De azulados gumes,
De ácidos perfumes,
Onde olorosa e aventureira
De azulados gumes,
Como
um navio que amanhece
Mal desponta o vento,
Minha alma em sonho se oferece
Rumo ao firmamento
Mal desponta o vento,
Minha alma em sonho se oferece
Rumo ao firmamento
Teus
olhos que jamais traduzem
Rancor ou doçura,
São jóias frias onde luzem
O ouro e a gema impura.
Rancor ou doçura,
São jóias frias onde luzem
O ouro e a gema impura.
Ao
ver-te a cadência indolente,
Bela de exaustão,
Dir-se-á que dança uma serpente
No alto de um bastão.
Bela de exaustão,
Dir-se-á que dança uma serpente
No alto de um bastão.
Ébria
de preguiça infinita,
A fronte de infanta
Se inclina vagarosa e imita
A de uma elefanta.
A fronte de infanta
Se inclina vagarosa e imita
A de uma elefanta.
E
teu corpo pende e se aguça
Como escuna esguia,
Que às praias toca e se debruça
Sobre a espuma fria.
Como escuna esguia,
Que às praias toca e se debruça
Sobre a espuma fria.
Qual
uma inflada vaga oriunda
Dos gelos frementes,
Quando a água em tua boca inunda
A arcada dos dentes
Dos gelos frementes,
Quando a água em tua boca inunda
A arcada dos dentes
Bebo
de um vinho que me infunde
Amargura e calma,
Um líquido céu que se difunde
Astros em minha alma!
Amargura e calma,
Um líquido céu que se difunde
Astros em minha alma!
Charles
Baudelaire
(tradução
de Ivan Junqueira)
PARLATÓRiO
¢Só os maus artistas pensam que têm uma boa ideia. Um bom artista não precisa de nada…
Quando
aparece algum jovem e pergunta onde deveria estudar pintura, a nossa
vontade é recomendar algum lugar, mas a verdade é que nenhum lugar
existe. Eu não saberia sugerir onde aprender…
Ad
Reinhardt
MEMÓRiA
17AGO1877-1912
- Manuel Laranjeira: Escritor e médico português - «Ânsia de
amar! oh ânsia de viver! / Uma hora só que seja, mas vivida / e
satisfeita… e pode-se morrer / – porque se morre abençoando a
vida!» (A Tristeza de Viver).
IMAG.143-359
¯24AGO1837-1924
- François Clément Théodore Dubois, aliás Théodore Dubois:
Compositor, pedagogo e organista francês, maître
de chapelle das
Igrejas de Santa Clotilde e da Madalena (1869-1877), professor de
harmonia e composição do Conservatório de Paris (1871), membro da
Academia de Belas-Artes (1894).
25AGO1867-1905
- Mayer André Marcel Schwob, aliás Marcel Schwob: Escritor francês,
autor de Vidas Imaginárias
- «Pensa no momento… Todo o pensamento que perdura, é uma
contradição!» (O Livro de
Monelle). IMAG.369-502
25AGO1767-1794
- Louis Antoine Léon de Saint-Just: Ideólogo e revolucionário
francês - «Todas as artes só criaram maravilhas; a arte de
governar apenas produziu monstros». IMAG.476
¨
1928-27AGO2007 - Alberto Correia de Lacerda, aliás Alberto de
Lacerda: Poeta português, cofundador da revista Távola
Redonda, autor de Átrio
(1997) - «Os poemas /
envelhecem // Alguns / (muito poucos) / vão deitando raízes /
desconhecidas // No ramo mais alto / o bafo dos deuses». IMAG.163
¸
1906-28AGO1987 - John Marcellus Huston, aliás John Huston: Cineasta
americano, realizador, argumentista e actor - «Os críticos nunca
conseguiram encontrar, nos meus filmes, um tema unificador… Para
dizer a verdade, eu também não». IMAG.68-83-120-306-449-477-581
29AGO1817-1864
- John Leech: Ilustrador e caricaturista inglês, artista
litográfico, recriou o imaginário da primeira edição de Cântico
de Natal /
A Christmas Carol (1943) de
Charles Dickens, ou The Comic
History of Rome (1852) de
Gilbert Abbott A Beckett. IMAG.447-488
30AGO1797-1851
- Mary Wollstonecraft Godwin, aliás Mary Shelley: Escritora inglesa,
ficcionista e ensaísta - «A mesma energia de carácter que
transforma um homem num vilão perigoso, poderia reverter a bem da
sociedade, caso esta estivesse bem organizada».
IMAG.26-79-94-309-365-530-617
¢1913-30AGO1967
- Adolph Frederick Reinhardt, aliás Ad Reinhardt: Pintor
norte-americano, abstracto e conceptual, entre a vanguarda e o
modernismo - «Arte é Arte. Todo o resto é todo o resto… Pela
minha parte, tentei opor o académico ao mercado». IMAG.448
1821-31AGO1867
- Charles-Pierre Baudelaire, aliás Charles Baudelaire: Poeta francês
- «Odeio do oceano as iras e os tumultos, / Que retratam minh’alma!
O riso singular / E o amargo do infeliz, misto de pranto e insultos,
/ É um riso semelhante ao do soturno mar.» (Obsessão
- excerto). IMAG.44-69-144-318-524
BREVIÁRiO
Quarto de Jade edita Meteorologias de Diniz Conefrey.IMAG.289-301-325-332-377-395-430-448-504-534-596
segunda-feira, agosto 29, 2016
IMAGINÁRiO #623
José
de Matos-Cruz | 16 Agosto 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal
– Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
RECRIAÇÕES
A
par com George Lucas - seu amigo, sócio e rival - Steven
Spielberg permanecerá como
um dos grandes e geniais criadores, no historial da indústria
artística que o cinema
simboliza, sob o signo de Hollywood. Mas ninguém como ele, na
América actual, rubricou o imaginário com a chancela de autor, ou
deu expressão irradiante à aventura como espectáculo. Aprofundando
as emoções colectivas.
Em
1993, com Parque
Jurássico/Jurassic
Park, Spielberg
converteu-se num exemplo, como realizador/produtor entre os melhor
sucedidos, na lista de recordes: cerca de 920 milhões de dólares em
todo o planeta, as maiores receitas de sempre! Em Parque
Jurássico, o excêntrico
milionário John Hammond realiza o seu grande sonho: a abertura de um
fantástico Parque de Diversões em Nublar, uma ilha ao largo da
Costa Rica. Mas, apesar do extremo secretismo, alastram os rumores:
sobre uma série de inexplicáveis acidentes durante a construção,
e questões perturbantes quanto à segurança do recinto. Os
investidores da InGen entram em pânico, tentando abafar o escândalo
e acabar com o complexo antes de ser inaugurado…
IMAG.18-23-44-63-71-72-80-88-93-136-147-155-159-171-183-199-225-273-304-383-388-391-412-443-445-465-484-488-506-535-576-583-585-604-608-619
CALENDÁRiO
¢21MAI-09JUL2016
- Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa expõe O
Segredo da Sombra - Obras Sobre Papel 2012-2016 de
Pedro Calapez, sendo curador João Miguel Fernandes Jorge.
IMAG.65-393-427
¢24MAI-27JUN2016
- Em Lisboa, Galeria São Mamede expõe Escultura
e Desenho de Jorge Vieira
(1922-1998).
¢24MAI-25SET2016 - Em Lisboa, Museu Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta Backstories - exposição de Mitsuo Miura, Pedro Calapez e Rui Sanches, sendo curadora Ana Ruivo. IMAG.65-393-427-461-603
µ28MAI-30JUL2016
- Em Lisboa, Clube Lusitano apresenta Lisboa
| Tejo | Lisboa - exposição
de fotografia de Jean-François
David/Manuel M. Pinturache e Nuno Perestrelo.
VISTORiA
Ó
Virgens Que Passais
¨Ó
virgens que passais, ao Sol-poente,
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido lar.
Cantai-me, nessa voz omnipotente,
O sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a graça, a formosura, o luar!
Cantai! Cantai as límpidas cantigas!
Das ruínas do meu lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas
Que eu vi morrer num sonho, como um ai…
Ó suaves e frescas raparigas,
adormecei-me nessa voz… cantai !
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido lar.
Cantai-me, nessa voz omnipotente,
O sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a graça, a formosura, o luar!
Cantai! Cantai as límpidas cantigas!
Das ruínas do meu lar desaterrai
Todas aquelas ilusões antigas
Que eu vi morrer num sonho, como um ai…
Ó suaves e frescas raparigas,
adormecei-me nessa voz… cantai !
António
Nobre
um
numero
numero
zero
um
o
nu
mero
numero
um
numero
um
sem numero
Décio
Pignatari
VISTORiA
Memória
¨Amar
o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos
Drummond de Andrade
MEMÓRiA
¨
16AGO1867-1900 - António Pereira Nobre, aliás António Nobre: Poeta
português, autor de Só
- «A Lua! Ela não tarda aí, espera! / O mágico poder que ela
possui / Sobre as sementes, sobre o oceano impera, / Sobre as
mulheres grávidas influi…» (Da
Influência da Lua -
excerto). IMAG.143-267-307
1935-16AGO1977
- Elvis Aaron Presley, aliás Elvis Presley: Cantor, músico e actor
americano, the King of the
Rock and Roll - «A verdade é
como o sol: pode ocultar-se durante um tempo, mas volta sempre a
aparecer». IMAG.20-160-189-322-337-372-416-498
¨
1902-17AGO1987 - Carlos Drummond de Andrade: Ficcionista e poeta
brasileiro - «Escritor: não somente uma certa maneira especial de
ver as coisas, senão também uma impossibilidade de as ver de
qualquer outra maneira». IMAG.79-384-392-543
1843-18AGO1897
- José Tomaz de Sousa Martins: Médico e professor catedrático da
Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, exemplo na caridade e protecção
aos mais desfavorecidos - «Era um verdadeiro sábio, um artista de
raça, orador de rara facúndia, professor com todos os talentos que
se podem desejar, funcionário exemplaríssimo, dotado de inexcedível
bondade, caritativo até ao excesso, carácter diamantino, como raras
vezes se haverá encontrado outro - reunia em si os mais variados
talentos e virtudes, como nunca vi associados n’outro homem»
(Conselheiro Silva Amado - Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa).
IMAG.169-554
18AGO1917-2012
- Francisco Igrejas Caeiro, aliás Igrejas Caeiro: Actor português
de teatro e cinema, encenador e radialista, fundador do Teatro Maria
Matos e responsável por Os
Companheiros da Alegria
(1951) - «Um homem sempre atento, solidário e com uma acção muito
activa… Uma vida que se expandiu pelo teatro, pelo cinema, pela
televisão, pela música: foi um homem que levou ao palco muita gente
em todo o país» (José Jorge Letria). IMAG.318-398
20AGO1927-2012
- Décio Pignatari: Poeta brasileiro, ligado ao
modernismo/concretismo - «O maior poeta-inventor da minha geração,
e um dos maiores da literatura de língua portuguesa de todos os
tempos… Incomodava universidades e academias» (Augusto de Campos).
IMAG.88-442
®20AGO1947-2014
- José Wilker Almeida, aliás osé Wilker: Actor brasileiro de
teatro, cinema e televisão, protagonista de Roque
Santeiro (1985) - «Actor,
crítico de cinema e exemplo de dedicação à arte, presenteou-nos
com interpretações que se tornaram ícones do cinema e da tv»
(Dilma Roussef). IMAG.507
BREVIÁRiO
¨Companhia das Letras edita Contos de Aprendiz de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987).
¨Matéria-Prima
edita O Assassino de Catarina
Eufémia (1928-1954) de Pedro
Prostes da Fonseca.
PARLATÓRiO
Não sou santo, mas sempre tentei não fazer nada que magoasse a minha família ou ofendesse a Deus.
Elvis
Presley
TRAJECTÓRiA
ELVIS PRESLEY - O ACTOR CANTOR
Um
dos expoentes da iconolatria musical da América, no Século XX,
Elvis Presley (1935-1977) destacou-se como estrela de cinema, em 33
longas metragens que renderam mais de 150 milhões de dólares. E o
próprio King of the Rock and
Roll foi alvo de várias
fitas, como personagem ou em testemunho: desde o primeiro disco
(1953) ao regresso a Las Vegas (1969), em Elvis
Show (1970 - Denis Sanders),
ou Elvis On Tour
(1972 - Pierre Adidge & Robert Abel); numa estilização a cargo
de Kurt Russell, em Elvis
(1979 - John Carpenter); Elvis,
o Ídolo Imortal (1981 -
Malcolm Leo & Andrew Solt) combina documentários e recriação;
Dale Midkif participou em Elvis
e Eu (1988 - Larry Peerce),
partindo de uma biografia da mulher Priscilla; Val Kilmer assumiu
Amor à Queima-Roupa
(1993 - Tony Scott)…
A
carreira Elvis como actor começou por ser orientada para
rendibilizar,
na tela, o fenómeno de popularidade como cantor, sobretudo em
comédias românticas. Entretanto, o êxito cinematográfico motivou
a escolha de argumentos com um maior realismo, atribuindo ainda
densidade às suas figurações. Por outro lado, passaram a ser
escolhidos realizadores e intérpretes com prestígio, além de
assegurar-se o contributo de compositores que revertessem o sucesso
musical de Elvis Presley. Os filmes da sua época áurea foram
produzidos pela Paramount, destacando-se: Balada
Sangrenta (1958 - Michael
Curtiz), Café Europa (1960
- Norman Taurog), Hawai Azul
(1961 - Norman Taurog) ou
Romance No Luna Park (1964
- John Rich).
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