quarta-feira, novembro 23, 2016

IMAGINÁRiO #637

José de Matos-Cruz | 1 Dezembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

VIRAGEM
Entre a evolução e a continuidade, como antes fora vanguardista em Os Verdes Anos (1963), Paulo Rocha (1935-2012) regressou com Mudar de Vida (1966) - também argumentista, sobre pretextos realistas e implicações dramáticas, sendo os diálogos de António Reis. No horizonte sociológico, os contornos duma comunidade litoral - suas fainas e rituais, existência precária e conflitos individuais. Mas a perspectiva de Rocha tornara-se mais alegórica: ao evidenciar «a harmonia que os homens conseguiram estabelecer entre a vida à beira do rio e à beira do mar», reencontrando «a aliança primitiva dos elementos: a água e a terra». Com orçamento de 700 contos, e sempre responsável António da Cunha Telles, a rodagem decorreu na região vareira (Furadouro, próximo de Ovar), onde Rocha foi criado; a fotografia tem o rigor de Elso Roque, autenticando o dilema dos pescadores, ante as necessidades de industrialização. A música de Carlos Paredes manifesta-se, outra vez, um elemento apelativo e motivador. Quanto ao elenco, Isabel Ruth reaparece, vitalista ao lado do brasileiro Geraldo del Rey, e de uma excelente Maria Barroso. Aliás, heróis entre a fadiga e o inconformismo, o desencanto e a alienação, que a saudade fere e para quem o coração é traiçoeiro. Afectados pela guerra em África, ou com teimosia em resistir, numa época de viragem para o sucesso ou o fracasso… IMAG.4-31-87-180-445-521-543-567-627

CALENDÁRiO

1930-25AGO2016 - Sonia Flis, aliás Sonia Rykiel: Estilista e escritora francesa, inventora da démode (cada pessoa adapta a moda à sua personalidade) - «Deixa um legado extraordinário» (Jean-Marc Loubier).

1939-03SET2016 - Maria Isabel Barreno de Faria Martins, aliás Maria Isabel Barreno: Escritora e investigadora portuguesa, uma das Três Marias (com Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa), coautora de Novas Cartas Portuguesas (1971) - «Uma mulher com uma capacidade intelectual fora do vulgar, com uma escrita ficcional muitíssimo nova e moderna» (João Rodrigues). IMAG.144-351

08SET2016 - B’lizzard produziu, e estreia Amateur - Um Filme Sobre Carlos Relvas (2015) de Olga Ramos. IMAG.48-76-169-202

1929-10SET2016 - Mário Silva: Artista plástico português - «Figura incontornável da vida cultural coimbrã» (Público), «a sua obra estética consagra-se principalmente à pintura, mas alarga-se aos domínios das artes gráficas (monotipia, gravura, serigrafia, ilustração, cartaz), da cerâmica, escultura e arte pública monumental» (Mestre Mário Silva). IMAG.393

09-18SET2016 - Em Cascais, decorre o II Festival Internacional de Cultura / FIC, organizado pela Câmara Municipal e por LeYa, sendo curadora Inês Pedrosa. IMAG.574

09SET-06NOV2016 - Fórum da Maia expõe O Regresso do Objecto - Arte dos Anos 1980 Na Colecção de Serralves.

14SET-22OUT - Em Lisboa, Artistas Unidos apresenta, no Teatro da Politécnica, Noite, Noite, Mais do Que Hoje - exposição de pintura de João Jacinto. IMAG.627

15SET-27NOV2016 - Em Lisboa, Museu do Oriente expõe ChinAware - Design de Porcelana Feita Na China Contemporânea.

VISTOR
iA

A Cidade É Um Chão

A cidade é um chão de palavras pisadas
a palavra criança a palavra segredo.
A cidade é um céu de palavras paradas
a palavra distância e a palavra medo.

A cidade é um saco um pulmão que respira
pela palavra água pela palavra brisa.
A cidade é um poro um corpo que transpira
pela palavra sangue pela palavra ira.

A cidade tem praças de palavras abertas
como estátuas mandadas apear.
A cidade tem ruas de palavras desertas
como jardins mandados arrancar.

A palavra sarcasmo é uma rosa rubra.
A palavra silêncio é uma rosa chá.
Não há céu de palavras que a cidade não cubra
não há rua de sons que a palavra não corra
à procura da sombra de uma luz que não há.
- José Carlos Ary dos Santos

COMENTÁRiO

Joseph Conrad
Bastante mais terrível [que o Inferno de Dante] é o O Coração das Trevas, o rio de África que o capitão Marlow sobe, entre margens de ruínas e de selvas e que pode muito bem ser uma projecção do abominável Kurtz, que é a meta. Em 1889, Jósef Teodor Konrad Korzeniowski subiu o Congo até Stanley Falls; em 1902, Joseph Conrad, hoje célebre, publicou em Londres O Coração das Trevas, talvez o mais intenso dos contos elaborado pela imaginação humana. No Extremo Limite não é menos trágico. A chave da história é um facto que não revelaremos e que o leitor descobrirá gradualmente. Nas primeiras páginas já há indícios. H. L. Mencken, que certamente não é pródigo em ditirambos, afirma que No Extremo Limite é uma das melhores narrativas, extensa ou breve, nova ou antiga, das letras inglesas. Compara os dois textos deste livro às composições musicais de Johannes Sebastian Bach.
- J.L. Borges
ANUÁRiO

1597-1646 - Virgilio Mazzochi: Compositor italiano, mestre de capela de várias instituições e igrejas romanas, autor com intensa produção de música sacra e litúrgica. IMAG.266

1907-1974 - Francisco da Cunha Leão: Escritor, director do Diário Popular (1953-1958), autor de O Enigma Português (1960) e de Ensaio de Psicologia Portuguesa (1971) - «Povo mesclado, poliétnico, porventura dos contingentes francos e romanos lhe adveio a quota-parte sanguínea, dos nórdicos algo de fleuma, e dos mediterrâneos e arábicos a emotividade primária, movediça de muitos dos seus homens». IMAG.461

1937-2006 - Fernando Monteiro de Bragança Gil, aliás Fernando Gil: Filósofo português, distinguido com o Prémio Pessoa (1993), autor de Traité de l'Évience (1993) ou Viagens do Olhar: Retrospeção, Visão e Profecia no Renascimento Português (com Hélder Macedo - 1998) - «As controvérsias mais importantes e mais interessantes são, em geral, as mais indecidíveis e, sobretudo, aquelas em que - antes ainda das divergências sobre as melhores soluções - os objectos não são os mesmos para todos.» (Mimesis e Negação - 1984). IMAG.555

1864-1957 - Francisco da Silva Rocha: Arquitecto, criador plástico e pedagogo, professor da Escola de Desenho Industrial de Aveiro, autor primordial da Arte Nova. IMAG.240-491

MEMÓRiA

02DEZ1927-2011 - James Henry Kinmel Sangster, aliás Jimmy Sangster: Escritor inglês, argumentista de clássicos da Hammer, como O Horror de Drácula (1957), A Vingança de Frankenstein (1958) ou A Múmia (1959) - «Por meia dúzia de filmes, fizeram de mim uma figura de culto». IMAG.372

03DEZ1857-1924 - Józef Teodor Nałęcz Korzeniowski, aliás Joseph Conrad: Escritor britânico de origem polaca, autor de O Coração das Trevas (1902) - «O espírito revolucionário é muito conveniente. Ele liberta-nos de todos os escrúpulos, no que se refere a ideias». IMAG.157-224-243-303-418-477-564-571

05DEZ1687-1762 - Francesco Saverio Geminiani: Compositor, maestro e violinista italiano, teórico e pedagogo, director da orquestra do teatro da Opera di Napoli (1711) - «Em breve tempo, destacou-se a tal ponto pelas suas impecáveis interpretações que, todos os que desejavam compreender ou amar a música, foram impelidos a ir escutá-lo e, entre os nobres, muitos houve que, com frequência, se sentiram honrados em serem seus patronos» (John Hawkins). IMAG.426

07DEZ1937-1984 - José Carlos Ary dos Santos: Poeta e declamador português - «Desbaratamos deuses, procurando / Um que nos satisfaça ou justifique. / Desbaratamos esperança, imaginando / Uma causa maior que nos explique.» (Ecce Homo - excerto). IMAG.157-276-451

BREVIÁRiO

Sistema Solar edita Freya das Sete Ilhas de Joseph Conrad (1857-1924); tradução de Aníbal Fernandes.

Porto editora lança O Fim do Homem Soviético de Svetlana Aleksievitch/Alexievich; tradução de António Pescada. IMAG.588

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, O Retiro de Rodrigo Leão; com Orquestra & Coro Gulbenkian, sob a direcção de Rui Pinheiro. IMAG.26-565-581

Dom Quixote edita A Lição de Anatomia de Philip Roth; tradução de Francisco Agarez. IMAG.182-198-240-290-328-375-390-412-440-479

Relógio D’Água edita Contos de Petersburgo de Nikolai Gogol (1809-1852); tradução de Carlos Leite. IMAG.118-219-223-361-474-593

Warner edita em CD, sob chancela Rhino, Otis Redding / Otis Redding [1941-1967] Sings Soul. IMAG.328-612

Tinta da China edita Bronco Angel, o Cowboy Analfabeto de Fernando Assis Pacheco (1937-1995); ilustrações de João Fazenda. IMAG. 117-190-317-416-539-549-597

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO - 13
Ele era, está claro, o maior... ironizou o Manso, fixando o seu tom mais soturno. Mas nós, mesmo insignificantes, também temos tamanho!
Lisboa pasma. Curva-se a noite. E, em seu dorso, ascende a alvorada.
- Continua

segunda-feira, novembro 21, 2016

IMAGINÁRiO #636

José de Matos-Cruz | 24 Novembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

RESISTÊNCIA
Brutalmente sequestrado pela milícia de uma misteriosa organização denominada Conceito, o astrólogo Capricorne é prisioneiro num terrível campo de concentração… Eis o tema de Capricorne (1997) - um herói e uma saga, com assinatura de Andreas, em edição Le Lombard. Expandindo-se na vertente Troisième Vague, o sexto álbum Attaque (2001) atingiu um clímax dramático e épico. Confrontadas com a brutalidade do comandante Granitt, as vítimas do Conceito apercebem-se que o seu objectivo é conquistar o mundo, exterminando todos os videntes e presumíveis adivinhos. Enquanto preparam uma evasão, Capricorne é submetido às mais cruéis sevícias: o seu corpo atrozmente torturado dissuadirá os outros a não se rebelarem. Porém, um jovem guarda, de aspecto estranho, parece desejar que ele sobreviva, e trata-lhe as feridas. Certa manhã, Capricorne é incumbido de uma missão pungente: os que tentaram fugir, foram mortos, e ele tem, com outros detidos, de transportar os cadáveres para um laboratório do campo. Assim, descobre que são realizadas, secretamente, operações cirúrgicas. Tal evidência significa uma condenação à morte. Se não lograr, antes, a liberdade…

CALENDÁRiO

09SET-20NOV2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe
Hansi Staël [1913-1961] - Pintura, Cerâmica: Modernidade e Tradição.

SUMÁRiO

HANSI STAËL
Baptizada como Ilona Hanna Emilie Lenard, Hansi Staël nasceu em Budapeste, em 28 de Março de 1913. Em 1932, com apenas dezoito anos, formou-se no Kunstgewerbeschule em Budapeste, para além de estudar na Universidade de Viena, onde obteve o diploma de intérprete em Húngaro Alemão-Inglês.
Até 1938, ano em que se casou com o sueco Barão Didrik Staël von Holstein, Hansi Staël viveu um período em que sempre desenhou e pintou, ao mesmo tempo que trabalhava na Agência de viagens da família. Logo depois de se casar, foi viver para a Suécia, antes mesmo do início da guerra, onde realizou várias encomendas de desenhos para têxteis e joalharia para a conhecida empresa de decoração de interiores Svensk Tenn.
Em 1946, a família mudou-se para Portugal. Aconselhada pelo arquitecto Leonardo Castro Freire, Hansi Staël especializou-se em cerâmica e, em 1950, começou a trabalhar na Secla, nas Caldas da Rainha. Pouco tempo depois, passou a directora artística. Nesse período, inovou na produção da fábrica, introduzindo novos desenhos. Apesar de trabalhar na Secla, Hansi Staël dividia o seu tempo entre as Caldas da Rainha e Lisboa. Na capital, pintava e fazia experiências com outros materiais. Até à sua morte em 1961, produziu uma vasta obra artística, que passou pela pintura e cerâmica e também pela litografia e gravura.

VISTORiA

O Jardim do Amor

Tendo ingressado no Jardim do Amor,
Deparei-me com algo inusitado:
Haviam construído uma Capela
No meio do prado, onde eu brincava.

E ela estava fechada; «Não Farás»,
Era a legenda sobre a porta escrita.
Voltei-me então para o Jardim do Amor,
Onde crescia tanta flor bonita.

E recoberto o vi de sepulturas
E lousas sepulcrais, em vez de flores;
E em vestes negras e hediondas os padres faziam rondas,
E atavam com nó espinhoso meus desejos e meu gozo.
- William Blake

VISTORiA

Foi-me garantido em Londres por um americano dos meus conhecimentos, homem muito instruído, que uma criança saudável e bem alimentada constitui, com um ano de idade, alimento delicioso, nutritivo e saudável, quer estufada, quer assada, quer cozida no forno, quer escalfada; e não tenho dúvidas de que também será possível cozinhá-la em fricassé ou em guisado.
Jonathan Swift
- Singela Proposta e Outros Textos Satíricos (excerto)

O mundo da imaginação é o mundo da Eternidade. É o seio para o qual nos dirigimos após a morte do corpo vegetativo. Esse mundo é infinito e Eterno, enquanto o mundo da procriação é finito e temporal. Todas as coisas, em suas Formas Eternas, estão dentro do corpo divino do Salvador, a verdadeira voz da Eternidade.
William Blake
- A Vision of the Last Judgment (excerto)

O próprio fenómeno da mendicidade levanta a suspeita de que a pobreza na Índia não é um facto contingente e remediável, mas sim um traço constitutivo, de modo que modificá-la ou tentar anulá-la significaria alterar completamente o carácter do povo indiano.
Alberto Moravia
- Uma Ideia da Índia (excerto)
 
MEMÓRiA

20NOV1957-2012 - Bruno Le Floc’h: Ilustrador e criador de animação, artista de quadradinhos, distinguido com o Prémio Goscinny ao Argumentista por
Trois Éclats Blancs (2004) - «Para mim, a banda desenhada é a liberdade». IMAG.431

28NOV1757-12AGO1827 - William Blake: Poeta, pintor e tipógrafo inglês, autor de Canções de Inocência e de Experiência - «A ave constrói o ninho; a aranha, a teia; o homem, a amizade». IMAG.63-156-204-298

28NOV1907-1990 - Alberto Pincherle, aliás Alberto Moravia: Escritor e jornalista italiano - «O amor-próprio é um animal curioso, que consegue dormir sob os golpes mais cruéis, mas que acorda ferido de morte perante uma simples beliscadura… O senso comum é uma espécie de saúde contagiosa». IMAG.229-292

29NOV1797-1848 - Domenico Gaetano Maria Donizetti, aliás Gaetano Donizetti: Compositor italiano, do período romântico - «Era expansivo, tinha um temperamento amável e obcecado pela sua criatividade. Estava sempre a escrever, indiferente ou ignorando as invejas que o rodeavam, chegando a concluir em um só ano duas ou três óperas importantes» (Alexander Weatherson). IMAG.156-297-317-416-585

30NOV1667-1745 - Jonathan Swift: Escritor irlandês - «As leis são como teias de aranha: boas para capturar mosquitos, mas os insectos maiores rompem o seu emaranhado, e logram escapar». IMAG.373-510-535-628

1892-30NOV1947 - Ernst Lubitsch: Cineasta alemão, realizador, produtor, argumentista e actor - «Nos meus filmes, tento que os espectadores dêem livre curso à sua imaginação… Mas, o que hei-de fazer, se a tendência é desvirtuar as minhas sugestões?». IMAG.156-356-358-415

COMENTÁRiO

Uma verdade que é dita com má intenção derrota todas as mentiras que possamos inventar.
-William Blake

Bruno Le Floc’h
Com a sua dezena e meia de álbuns finamente cinzelados, sem dúvida, este artista bretão encontra facilmente o seu lugar no panteão dos desenhadores, entre Hugo Pratt e René Sterne. Dois homens de aventuras e de oceanos, tal como ele.
Vincent Genot
- Le Vif - L’Express

PARLATÓRiO

Todos poderemos recordar as grandes estrelas do cinema silencioso que deixaram de brilhar; os grandes realizadores que desapareceram; os grandes argumentistas que foram afastados. Mas lembrem-se disto, enquanto viverem: os produtores nunca perdem um homem. São eles que fazem a diferença. É entre eles que encontramos o maior talento. 
- Ernst Lubitsch

BREVIÁRiO

Assírio & Alvim edita
O Peso da Sombra de Eugénio de Andrade (1923-2005).
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Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Witold Lutoslavski [1913-1994]: Piano Concerto; Symphony Nº 2 por Krystian Zimerman, com Berliner Philharmoniker, sob a direcção de Simon Rattle.

Quetzal edita
Levantai Alto o Pau de Fileira, Carpinteiros, e Seymour - Uma Introdução de J.D. Salinger (1919-2010); tradução de Salvato Telles de Menezes. IMAG.288-534

Warner Classics edita em CD, Héroїque por Bryan Hymel, com PKF - Prague Philharmonia, sob a direcção de Emmanuel Villaume.

Clube do Autor edita Ehrengard - A Ninfa do Lago de Karen Blixen (1885-1962); tradução de Maria João Andrade. IMAG.42-266-385-440-510

Cavalo de Ferro edita O Tempo de Sua Graça de Eyvind Johnson (1900-1976); tradução de João Reis.
 

sexta-feira, novembro 18, 2016

IMAGINÁRIO EXTRA - 2ª Conversa(s) sobre Banda Desenhada: José Garcês

Integrado nas comemorações do 1º aniversário da Bedeteca José de Matos-Cruz – integrada na Biblioteca de S. Domingos de Rana, das bibliotecas municipais de Cascais – irá dar-se continuação ao ciclo iniciado em Setembro com esta 2ª Conversa(s) sobre Banda Desenhada, encontro que terá como convidado o mestre José Garcês, autor de BD e ilustrador veterano, novamente sob a moderação de José de Matos-Cruz.
O encontro tem lugar este Sábado, 19 de Novembro, pelas 16h. A entrada é gratuíta e limitada aos lugares existentes, e agradece-se a divulgação da iniciativa.


terça-feira, novembro 15, 2016

IMAGINÁRIO #635

José de Matos-Cruz | 16 Novembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CLÁSSICOS
Filme intemporal, correspondendo embora a uma produção com quase sessenta anos, Spartacus (1960) representa, antes de mais, uma homenagem a Kirk Douglas que o produziu, logrando ainda uma impressionante composição como protagonista. Em 1958, Douglas interpretara Horizontes de Glória sob direcção de Stanley Kubrick, ao qual solicitou que terminasse Spartacus, após duas semanas às ordens de Anthony Mann, com quem o temperamental actor se tinha incompatibilizado. Mann concluíra já a sequência inicial, e preparava a grande cena de combate entre os gladiadores. Por esta única vez, Kubrick aceitou levar a cabo um filme em que não trabalhou no argumento, nem teria o controlo da versão final ou da distribuição. Além da estima por Douglas ou de um implícito desafio épico, Kubrick estaria interessado no projecto e na simbologia do tema. Além disso, assinava o argumento Danton Trumbo - a partir dum romance de Howard Fast, um autor de esquerda. Nos anos ’50, Trumbo tornara-se um dos Dez de Hollywood - artistas e intelectuais irradiados, sob a acusação de serem comunistas, durante a caça às bruxas do Senador Joseph MacCarthy. Em 1971, logrou realizar E Deram-lhe Uma Espingarda… À primeira vista, Spartacus representa mais um colosso típico da época, sobre o Império Romano e a propósito da Revolta dos Escravos. Foi uma tal ênfase autêntica e espectacular que contribuiu para o enorme sucesso comercial e o culto do público. Além disso, a Academia de Hollywood distinguiu-o com quatro Oscars: ao desempenho secundário de Peter Ustinov, à fotografia colorida de Russell Metty, à cenografia (Alexander Golitzen, Eric Orbon) e ao guarda-roupa (Bill Thomas). IMAG.188

CALENDÁRiO

30JUN-09SET2016 - Em Lisboa, Galeria 111 apresenta
Ver o Que Salta aos Olhos - exposição de pintura de Júlio Pomar e Vítor Pomar. IMAG.19-312-449-461-495-505-534-552-553-562-582-596-604-610-620-631

30JUN-16OUT2016 - Em Lisboa, Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia apresenta Silóquios e Solilóquios Sobre a Morte, a Vida e Outros Interlúdios - exposição de fotografia de Edgar Martins, sendo curador Sérgio Mah. IMAG.380-523

21JUL1916-18AGO2016 - Maria Madalena Pereira Othão, aliás Madalena Sotto: Actriz portuguesa de cinema, teatro e televisão - «Sempre lhe ouvi elogiar a dedicação, aquela coisa a que agora chamam o profissionalismo» (Jorge Silva Melo - 2011).

1933-29AGO2016 - Jerome Silberman, aliás Gene Wilder: Actor e cineasta americano, realizador, coargumentista e intérprete de Frankenstein Júnior / Young Frankenstein (1974) - «Há muitos actores cómicos que extraem a sua principal energia do comportamento infantil. Mesmo os maiores comediantes gostam de fazer coisas disparatadas, do género que as crianças assumem de um modo natural». IMAG.617

1932-31AGO2016 - Maria Zulmira Pereira Lemos Zeiger, aliás Anna Paula: Actriz portuguesa de cinema, teatro e televisão, dramaturga e professora do Conservatório - «…Uma diva… Conheci-a deslumbrante» (Herman José).

01SET2016 - O Som e a Fúria produziu, e estreia Cartas da Guerra (2016) de Ivo M. Ferreira; com Miguel Nunes e Margarida Vila-Nova. IMAG.327-360

NOTICIÁR
iO

Columbano
A fim de não ferirem a modéstia de Columbano Bordallo Pinheiro, está posta de parte a ideia de que os amigos d’aquele artista lhe ofereçam um banquete, como manifestação de protesto pela votação do júri do concurso para a cadeira de Pintura Histórica na Escola de Bellas-Artes. Estes amigos, porém, vão redigir um protesto que, depois de assinado por literatos e artistas, será entregue ao Governo.
20ABR1897 - Diário de Notícias


MEMÓRiA

14NOV1797-1875 - Charles Lyell: Advogado e geólogo britânico, definiu a Teoria do Uniformitarismo (segundo a qual os processos naturais que acontecem no presente, ocorreram também no passado, e de forma semelhante) - «Vejo através dos seus olhos. Metade do que está nos meus livros, provêm do cérebro dele» (Charles Darwin).
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15NOV1887-1972 - Marianne Craig Moore, aliás Marianne Moore: Poetisa americana, ligada ao modernismo - «Quando a técnica não tem qualquer interesse para um escritor, duvido que esse escritor seja um artista». IMAG.155

17NOV1917-1996 - Romeu Henrique Correia, aliás Romeu Correia: Escritor português, ficcionista e dramaturgo, desportista amador - «Na nossa literatura espalha-se a fibra romântica, a inclinação melancólica, saudosista, passadista, e a centelha irónica, sarcástica, inconforme e revoltada que caracterizam o homem português. Subjectivismo lírico e realismo irónico ou irreverente, são as duas constantes da literatura nacional». IMAG.169-496-566

17NOV1927-1993 - Rogério Gomes Lopes Ferreira, aliás Rogério Paulo: Actor português do teatro, do cinema e da televisão, um dos fundadores do Teatro Moderno de Lisboa (1961) - «Uma criatura muito honesta e um grande companheiro, para além de ser um grande actor» (Eunice Muñoz). IMAG.107-155-443

17NOV1927-2013 - Maurice Rosy: Artista belga, argumentista e ilustrador de banda desenhada, responsável pela editora Dupuis, director artístico da revista Spirou (1956-1971), criador de Bobo (1959). IMAG.453

1911-17NOV1997 - Orlando da Cunha Ribeiro, aliás Orlando Ribeiro: Cientista, geógrafo, historiador, escritor, fotógrafo - «Todo o pensamento científico se alimenta tanto da recolecção objectiva da realidade - a observação em Geografia - como da conceptualização teórica que permite os processos lógicos de descrever e interpretar» (Reflexões Conclusivas - 1983). IMAG.45-343-398-420-576

21NOV1857-1929 - Columbano Augusto Bordallo Pinheiro, aliás Columbano Bordallo Pinheiro: Pintor português - «A fama não eliminou o carácter de misantropia, de desconfiança, de egoísmo e de secura da personalidade de Columbano. A sua genialidade não rimava com a sua simpatia humana. O mestre criara um mundo estreito e fechado, de que era o único e terrível senhor» (Fernando de Pamplona). IMAG.155-197-301-482

ITINERÁR
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Ator português, nascido em Angola a 17 de novembro de 1927 e falecido a 26 de fevereiro de 1993. Aluno do Conservatório Nacional, em 1950 juntou-se à Companhia Rey Colaço/Robles Monteiro onde teve o privilégio de trabalhar com Amélia Rey Colaço, Palmira Bastos, Nascimento Fernandes e Maria Matos. A sua estreia cinematográfica foi em A Garça e a Serpente (1952), a que se seguiu a comédia O Costa de África (1954), onde consolidou o seu estatuto de galã e contracenou com Vasco Santana, Laura Alves, Anna Paula e Ribeirinho. Embora nunca tivesse assumido a sua ligação ao Partido Comunista Português durante a época da ditadura, colaborou na evasão de Álvaro Cunhal e de outros comunistas do Forte de Peniche a 3 de janeiro de 1960. Em 1961, fundou, conjuntamente com Armando Cortez e Paulo Renato, o Teatro Moderno de Lisboa, completamente revolucionário para a época não só por ter sido uma sociedade artística com divisão de lucros pelos associados como também pelo facto de ter sido a primeira companhia a representar em Portugal autores como Arthur Miller, August Strindberg e John Steinbeck. Gradualmente, tornou-se um dos encenadores mais reputados do panorama teatral português, estatuto que confirmou no Teatro Nacional D. Maria II onde encenou peças como Esfera Facetada (1969), de Nuno Moniz Pereira, e O Pecado de João Agonia (1969), de Bernardo Santareno. Com a Revolução de 25 de abril de 1974, assumiu as suas convicções políticas e adotou a faceta de escritor, publicando Um Ator em Viagem (1976) e Introdução ao Teatro Cubano (1978). Não descurou o cinema, tendo desempenhado um papel importante em Sem Sombra de Pecado (1983), de José Fonseca e Costa. Também fez televisão, destacando-se pela personagem Mimoso das Sardinhas na telenovela Chuva na Areia (1985). Um dos seus últimos trabalhos no palco foi Mãe Coragem e Seus Filhos (1986), de Bertolt Brecht, em que contracenou com Eunice Muñoz, Ruy de Carvalho, Catarina Avelar, Irene Cruz e Carlos Daniel, e que foi um sucesso sem precedentes com grande afluência de público.

BREVIÁRiO

Relógio D’Água edita
31 Sonetos de William Shakespeare (1564-1616); tradução de Ana Luísa Amaral.
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Sony edita em CD, Ludwig van Beethoven [1770-1827]: Symphonies 4 & 5 por Concentus Musicus Wien, sob a direcção de Nikolaus Harnoncourt (1929-2016).
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Dom Quixote edita A Instrumentalina de Lídia Jorge. IMAG.16-144-187-286-314-373-536-540-545-574

Relógio D’Água edita O Nosso Amigo Comum de Charles Dickens (1812-1870); tradução de Maria de Lurdes Guimarães. IMAG.117-278-357-447-488-552-624
 

quinta-feira, novembro 03, 2016

IMAGINÁRiO #634

José de Matos-Cruz | 8 Novembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

TRADIÇÕES
Harper Harrison é uma jovem estudante - sedutora, inteligente, popular. Nada lhe falta, e a vida bafejou-a. Mas, para além desta aparência, a menina-bonita sente-se devastada pelo suicídio do ex-namorado - uma tragédia que Harper poderia ter evitado, se não fosse tão egoísta e insolente para com ele. Embora nunca o estimasse enquanto viveram juntos, agora Harper daria tudo para estar de novo a seu lado… Mas, será que tal desejo admitiria, mesmo, um pacto com o diabo? Sob chancela DC Comics, eis Jezebelle (2001) - uma hexassérie concebida por Ben Raab (lembrar Legend of he Hawkman) e ilustrada por Steve Ellis (Tunderbook) & Mark Irwin (Wildcats: LadyTron). Sob o lema A Small Corner of Hell, novos elementos do sobrenatural são, assim, introduzidos no universo WildStorm, após a revelação - em Devil’s Night (2000) - de Jezebelle, a última de uma tradição de magas-guerreiras, iniciada há trezentos anos, durante a Caça às Bruxas de Salem. Entretanto, Jezebelle evitou que o demónio e seu inimigo Ghoulgotha se apossasse de todas as almas do planeta Terra. Mas, para o bem da humanidade, Harper deverá assumir e prosseguir o seu desígnio sagrado…

CALENDÁRiO

01ABR1927-25AGO2016 - Maria Eugénia Rodrigues Branco Pinto do Amaral, aliás Maria Eugénia: Actriz portuguesa de cinema, protagonista de A Menina da Rádio (1944) - «Um cometa que passou por nós» (Júlio Isidro). IMAG.574

25AGO2016 - NOS Audiovisuais estreia Refrigerantes e Canções de Amor (2016) de Luís Galvão Teles; com Ivo Canelas e Victoria Guerra. IMAG.34-38-143-608

02SET-15OUT2016 - Bedeteca da Amadora apresenta Banda Escrita: Nuno Duarte - Uma Exposição Em Torno do Trabalho do Argumentista. IMAG.424

EPISTOLÁRiO
Meu Querido Tio
Estranhei a sua carta pela maneira como me compreendeu, ou eu mal me exprimi. A minha vida não é nada de contemplação, ao contrário tudo o que há de mais real, mais de facto. Nem eu sou um temperamento contemplativo, essa idade passou quando eu ia pelo Coliseu ouvir a Tosca. Não, isso permite-se numa outra idade, e se acaso não passa, é um sinal incontestável de inferioridade. Agora a minha idade é outra - resolver problemas e marchar, subir em cultura física, e espiritual e artística ao mais alto degrau, aproveitar desta vida o mais possível, pois que tudo é passageiro, e o Céu outrora prometido já não seduz os homens modernos. Em Arte estamos em absoluto desacordo. De resto, estou-o também com os amigos compatriotas que marcham numa rotina atrasada. Arte é bem outra coisa que quase toda a gente pensa, é bem mais que muita gente julga. Tudo quanto para aqui se faz é medíocre, aparte raras coisas. Porque eu não gosto de Rodin ou Ticiano, todos me dizem que sigo um mau caminho. E porquê? Se cada um se fiasse no caminho que nos aconselham nada de mais se fazia, pois que eles, os outros, só sabem indicar-nos as suas próprias pisadas. Há gente que chama ao meu estado uma pretensão para sair fora do vulgar - que pensem o que queiram, indiferente me é – eu tenho as minhas razões e bastam. Eu sei o que agrada em geral – eu na generalidade desagrado. Até certo ponto não é menos lisonjeiro.
A técnica de que fala é coisa em que nem penso. Fixar aí a ideia é parar muito aquém do fim. Qualquer aprende. Ninguém deixa de fazer uma obra de arte intensa por falta de técnica, mas por falta de outra coisa que se chama temperamento.
Enfim, para mim os tais artistas de técnica acabaram.
Não é precisamente uma exposição que vou fazer. São apenas alguns desenhos e alguns cartões que fiz aí que colocarei no meu atelier com o fim de serem visitados em intimidade e ver se vendo alguns. Tudo isto são coisas a que não ligo nenhuma sorte de importância e talvez as únicas que poderei vender. Eu não me iludo, sei separar-me de mim para julgar…
Agora outra coisa: as minhas ideias não têm relação nenhuma com a nossa estima, e espero que me julgue sempre bom amigo e grato a toda a afeição e favores que me concede. Dê um abraço à Avozinha e outro para si do seu sobrinho e grande amigo
- Amadeo de Souza-Cardoso
( Carta ao tio Francisco Cardoso - c1910 – excerto)

VISTORiA

Elegia do Amor

Lembras-te, meu amor,
Das tardes outonais,
Em que íamos os dois,
Sozinhos, passear,
Para fora do povo
Alegre e dos casais,
Onde só Deus pudesse
Ouvir-nos conversar?
Tu levavas, na mão,
Um lírio enamorado,
E davas-me o teu braço;
E eu triste, meditava
Na vida, em Deus, em ti…
E, além, o sol doirado
Morria, conhecendo
A noite que deixava.
Harmonias astrais
Beijavam teus ouvidos;
Um crepúsculo terno
E doce diluía,
Na sombra, o teu perfil
E os montes doloridos…
Erravam, pelo Azul,
Canções do fim do dia.
Canções que, de tão longe,
O vento vagabundo
Trazia, na memória…
Assim o que partiu
Em frágil caravela,
E andou por todo o mundo,
Traz, no seu coração,
A imagem do que viu.
Olhavas para mim,
Às vezes, distraída,
Como quem olha o mar,
À tarde, dos rochedos…
E eu ficava a sonhar,
Qual névoa adormecida,
Quando o vento também
Dorme nos arvoredos.
Olhavas para mim…
Meu corpo rude e bruto
Vibrava, como a onda
A alar-se em nevoeiro.
Olhavas, descuidada
E triste… Ainda hoje te escuto
A música ideal
Do teu olhar primeiro!
Ouço bem a tua voz,
Vejo melhor teu rosto
No silêncio sem fim,
Na escuridão completa!
Ouço-te em minha dor,
Ouço-te em meu desgosto
E na minha esperança
Eterna de poeta!
O sol morria, ao longe;
E a sombra da tristeza
Velava, com amor,
Nossas doridas frontes.
Hora em que a flor medita
E a pedra chora e reza,
E desmaiam de mágoa
As cristalinas fontes.
Hora santa e perfeita,
Em que íamos, sozinhos,
Felizes, através
Da aldeia muda e calma,
Mãos dadas, a sonhar,
Ao longo dos caminhos…

Tudo, em volta de nós,
Tinha um aspecto de alma.
Tudo era sentimento,
Amor e piedade.
A folha que tombava
Era alma que subia…
E, sob os nossos pés,
A terra era saudade,
A pedra comoção
E o pó melancolia.
Falavas duma estrela
E deste bosque em flor;
Dos ceguinhos sem pão,
Dos pobres sem um manto.
Em cada tua palavra,
Havia etérea dor;
Por isso, a tua voz
Me impressionava tanto!
E punha-me a cismar
Que eras tão boa e pura,
Que, muito em breve – sim! –,
Te chamaria o céu!
E soluçava, ao ver-te
Alguma sombra escura,
Na fronte, que o luar
Cobria, como um véu.
A tua palidez
Que medo me causava!
Teu corpo fino
E leve (oh meu desgosto!)
Que eu tremia, ao sentir
O vento que passava!
Caía-me, na alma,
A neve do teu rosto.
Como eu ficava mudo
E triste, sobre a terra!
E uma vez, quando a noite
Amortalhava a aldeia,
Tu gritaste, de susto,
Olhando para a serra:
– Que incêndio! – E eu, a rir,
Disse-te: – É a lua cheia!…
E sorriste também
Do teu engano. A lua
Ergueu a branca fronte,
Acima dos pinhais,
Tão ébria de esplendor,
Tão casta e irmã da tua,
Que eu beijei, sem querer,
Seus raios virginais.
E a lua, para nós,
Os braços estendeu.
Uniu-nos num abraço,
Espiritual, profundo;
E levou-nos assim,
Com ela, até ao céu…
Mas, ai, tu não voltaste
E eu regressei ao mundo.
- Teixeira de Pascoaes
(excerto)
MEMÓRiA

08NOV1847-1912 - Abraham Stoker, aliás Bram Stoker: Romancista irlandês, autor de Drácula (1897): «Ocorreu algo semelhante a um milagre: perante o nosso olhar, e quase durante o tempo de um fôlego, todo aquele corpo se transformou em pó, desaparecendo!». IMAG.27-35-157-208-213-221-367-527-620

08NOV1877-1952 - Joaquim Pereira Teixeira de Vasconcelos, aliás Teixeira de Pascoaes: Escritor português - «Sou fraga da montanha, névoa astral, / Quimérica figura matinal, / Imagem de alma em terra modelada. / Sou o homem de si mesmo fugitivo; / Fantasma a delirar, mistério vivo, / A loucura de Deus, o sonho e o nada.». IMAG.153-398-453-537

1923-10NOV2007 - Norman Kingsley Mailer, aliás Norman Mailer: Escritor e jornalista americano - «Não acredito que a vida seja um absurdo. Penso que estamos todos, aqui, para um enorme propósito. Creio, isso sim, que temos receio da imensa finalidade que nos trouxe a este mundo». IMAG.105-171-228-404

13NOV1897-1948 - José Ângelo Cottinelli Telmo: Arquitecto e cineasta português, realizador de A Canção de Lisboa (1933) - «[Com Cristino da Silva, Cassiano Branco, Carlos Ramos, Pardal Monteiro e Segurado] vai fazer parte dessa geração de arquitectos que faz a transição das beaux-arts para o modernismo, antes da passagem para o português suave, e terá um papel notável na história da arquitectura portuguesa» (João Paulo Martins - Revista / Expresso - 29NOV2014). IMAG.78-94-95-115-130-154-164-180-222-545

14NOV1887-1918 - Amadeo de Souza-Cardoso: Pintor português, ligado aos primórdios do modernismo - «O futurismo é um truc charlatão sem sensibilidade nem cérebro, camelote do cubismo; o cubismo é uma caligrafia mental e literária. A arte tal como a sinto é um produto emotivo da natureza». IMAG.84-149-154-185-258-279-434-476-510

BREVIÁRiO

Sémele edita em CD, sob chancela Arcana, Figures of Harmony: Songs of Codex Chantilly C. 1390 por Ferrara Ensemble, sob a direcção de Crawford Young.

Cavalo de Ferro edita O Terceiro Polícia de Flann O’Brien (1911-1966); tradução de Rita Carvalho e Guerra. IMAG.496-557