domingo, junho 09, 2019

IMAGINÁRiO #775

José de Matos-Cruz | 16 Outubro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

RADICAL
Independente, desinibida, sôfrega, libertina, sempre à espera e preparada - na posição que lhe dê mais prazer ou a torne mais acessível - eis Aline, uma heroína incontornável e de poucas subtilezas sexuais, que Adão Iturrusgarai exibe em Cama, Mesa e Banho (2001). Uma edição Devir, que assim prosseguiu a revelação dos mais importantes e radicais cartunistas brasileiros da actualidade. Nascido no Rio Grande do Sul, e habitual em tiras desenhadas na importante Folha de São Paulo, Iturrusgarai revelara já Aline em Fantasias Urbanas, refinando desta vez o seu quotidiano íntimo, debochado, com os namorados Otto e Pedro. Mas, quando Aline põe um anúncio - «Ruivinha, mignon, selvagem, deseja conhecer gentil cavalheiro, viril» - logo outros se juntam ao bacanal erótico, como o psiquiatra Dr. Yuri ou Paulo, o canalizador voyeur. Absolutamente para adultos, e com reservas, a saga de Aline reivindica «o manifesto nu, de uma sociedade que já se despiu da hipocrisia e dos falsos pudores». IMAG.1

CALENDÁRiO

1944-24JAN2019 - José Manuel Domingues Alves Mendes, aliás Zé Manel - Artista português de banda desenhada, cartunista e ilustrador, designer e cenógrafo, autor de vitrais, distinguido com o Prémio de Honra do AmadoraBD 2011, filho de António Alves Mendes/Méco - «Embora reservado, fazia parte, com gosto, de tertúlias onde pontificavam artistas e intelectuais, mas sem nunca lhe apetecer o palco e as luzes, nem ceder à tentação do deslumbramento, mesmo no auge da sua brilhante carreira» (Dinis de Abreu).
 IMAG.149-218-230-237-256-416-430-505-Extra

05ABR1939-03FEV2019 - Rogério Octávio da Costa Matos, aliás Octávio Matos: Actor português de teatro, cinema e televisão - «O mundo perde um grande senhor… O universo ganha uma Enorme Estrela…» (Rui de Sá). IMAG.485

1936-07FEV2019 - Albert Terence Finney Jr, aliás Albert Finney: Actor inglês de teatro, cinema e televisão - «Detesto comprometer-me - com uma rapariga, um produtor ou uma certa imagem fílmica». IMAG.477

1927-08FEV2019 - Cremilda Gil: Actriz portuguesa de teatro, cinema e televisão - «Nunca me servi de subterfúgios para manter carreira, nem estou à espera de elogios. Se alguém mos faz, é uma alegria. Mas sinto-me agradecida, as pessoas reconhecem-me com facilidade na rua».

08FEV-07ABR2019 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Através da Superfície - exposição de escultura de Rui Matos, sendo curadora Joana Consiglieri.

1931-09FEV2019 - Jean-Thomas Ungerer, aliás Tomi Ungerer: Escritor e ilustrador francês - «Era um artista que ridicularizava as fronteiras entre os géneros, manipulava idiomas e deixou uma marca profunda nas artes gráficas» (Lusa).

VISTORiA

Em 1517, indo Duarte Coelho com Fernão Peres de Andrade, caminho da China, com um temporal que lhe deu arribou à costa do reyno de Sião, e entrou por o rio Menam, que o atravessa, nas correntes do qual está situada a cidade de Hudiá, capital do reyno, 30 leguas da qual elle invernou aquelle anno, e de ali tornou a fazer seu caminho por a China, d’onde era vindo…
Quando, no anno seguinte, D. Aleixo de Menezes, tendo ordenado os negocios da cidade de Malaca, sua provisão e segurança, ordenou envia-l’o a el rey de Sião com cartas e um presente que lhe el rey D. Manuel mandara na armada em que d’este reyno se partiu Antonio de Saldanha o anno de dezassete. E isto em retorno de que o mesmo rey lhe tinha envido por Antonio de Miranda, quando lá foi por embaixador por mandado de Affonso de Albuquerque, depois de tomada Malaca, em traz do qual fora o mesmo Duarte Coelho, como atraz fica dito.
João de Barros
- Décadas (excerto)
MEMÓRiA

1887-17OUT1920 - John Silas Reed, aliás John Reed: Escritor e activista americano, autor de Dez Dias Que Abalaram o Mundo (1919) - «Se alguém pensa que as massas russas queriam essa guerra, é só colocar o ouvido no chão nestes dias, agora que elas estão a romper o seu silêncio secular, e escutar o troar cada vez mais próximo da paz». IMAG.631

17OUT1920-12MAR2010 - Miguel Delibes Setién, aliás Miguel Delibes: Escritor espanhol, membro da Real Academia (1975), autor de Os Santos Inocentes (1981) - «A máquina veio acalentar o estômago do homem, mas esfriou o seu coração». IMAG.293

18OUT1820-1886 - José da Silva Mendes Leal: Escritor, jornalista, diplomata e político português - «Salve, salve, ó majestade / Moribunda a sucumbir! / Como o espinho da saudade / Te havia fundo pungir! / Como o homem sofreria / Do monarca na agonia! / Longe do que era tão seu, / Da esposa e filhos briosos, / E dos campos seus formosos, / E do seu formoso céu!» (Ave, César! - excerto). IMAG.540-575

1839-18OUT1860 - Casimiro José Marques de Abreu, aliás Casimiro de Abreu: Poeta brasileiro - «Minh’alma é triste como a flor que morre / Pendida à beira do riacho ingrato; / Nem beijos dá-lhe a viração que corre, / Nem doce canto o sabiá do mato! // E como a flor que solitária pende / Sem ter carícias no voar da brisa, / Minh’alma murcha, mas ninguém entende / Que a pobrezinha só de amor precisa!» (Minh’Alma É Triste). IMAG.689

1496-20OUT1570 - João de Barros: - Historiador português, pioneiro da normalização gramatical da língua - «O dia é passado e a noite vem-se…» (Ropicapnefma - excerto). IMAG.68-159-353-590

20OUT1940-2017 - Manuel Figueiredo de Oliveira, aliás Manuel Oliveira: Atleta português - «O melhor atleta português dos anos 60» (WikiSporting). IMAG.699

1905-20OUT1990 - Joel Albert McCrea, aliás Joel McCrea: Actor americano, distinguido em filmes sobre a saga western - «Não lamento nada… Excepto, talvez, não me ter esforçado mais para ser um melhor intérprete». IMAG.57

1922-20OUT2010 - Mariana Dolores Rey Colaço Robles Monteiro, aliás Mariana Rey Monteiro: Actriz portuguesa de teatro, cinema e televisão, filha de Amélia Rey Colaço e de Robles Monteiro - «O facto de pertencer a uma família de grandes actores, como eram Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, nunca a tornou soberba. Antes pelo contrário. Cumpria o que os encenadores diziam sem questionar, e por isso a adoravam» (Manuela Maria).IMAG.328-400

21OUT1790-1869 - Alphonse Marie Louis de Prat de Lamartine, aliás Alphonse de Lamartine: Ficionista, poeta e político francês - «Arrependermo-nos das boas acções, é sacrificarmos a consciência ao egoísmo da paixão». IMAG.216-295-696

22OUT1870-1953 - Ivan Alekseyevich Bunin, aliás Ivan Bunin: Escritor russo, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1933) - «A noite avança com o seu passo silencioso / tristemente oh coração descansa pois / e esquece, repousa coração, repousa e dorme.» (Calma Vespertina - excerto). IMAG.295-442

1918-22OUT1990 - Louis Pierre Althusser, aliás Louis Althusser: Filósofo francês, nascido na Argélia - «A ideologia é indispensável em qualquer sociedade, se os homens pretendem ser formados, transformados e habilitados a responder às exigências das suas condições de existência». IMAG.199-295-679

VISTORiA

Que É Simpatia

Simpatia – é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia – são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia – meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d’agosto
É o que m’inspira teu rosto…
– Simpatia – é quase amor!
Casimiro de Abreu

Riem-se de ti, minha terra,
escarnecem do miserável
pardieiro enegrecido
da tua simplicidade…

O filho é um tolo insolente:
entre os amigos da cidade,
como se envergonha da mãe –
tímida, triste e cansada.

Mal olha a velha que fez
centos de léguas por ele,
e para o dia do encontro
poupou tostão a tostão.
Ivan Bunin
(Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra)

É essencial ler e estudar O Capital. Devo acrescentar que é necessário e essencial ler e estudar Lenine e todos os grandes textos, novos ou antigos, aos quais se devem a experiência da luta de classes do movimento operário internacional. É essencial estudar os textos práticos do movimento operário revolucionário em sua realidade, seus problemas e contradições: em seu passado e, acima de tudo, sua história presente.
Louis Althusser
- A Filosofia Como Uma Arma Revolucionária (excerto)
BREVIÁRiO

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, The [Wolfgang Amadeus] Mozart [1756-1791] Radio Broadcasts por RIAS-Symphonie-Orchester, sob a direcção de Ferenc Fricsay.
IMAG.36-55-68-90-102-106-118-172-186-205-216-217-220-227-277-284-285-290-317-321-342-349-375-406-431-449-475-500-503-534-547-589-597-640-666-667-688-703-708-715-736-755-761
 

quinta-feira, junho 06, 2019

IMAGINÁRiO-Extra: OUTRAS BANDAS #0 e TÁGIDE

"O fanzine antológico Outras Bandas é a publicação-estandarte do Tágide, um colectivo informal de BD do Montijo que co-fundei com outros artistas, sendo composto maioritariamente por residentes da cidade e arredores, entre os quais constam tanto autores experientes como amadores, bem como coleccionadores e leitores casuais, e que surge na sequência dos cursos Iniciação à Arte Sequencial promovidos pelo município em 2018, com coordenação pela autora Susana Resende e assistência minha.
Através de encontros quinzenais na sala polivalente da Quinta do Pátio d'Água (no Montijo), e da realização de projectos editoriais e exposições, o Tágide visa cultivar o gosto pela banda desenhada na região, seja promovendo os talentos do concelho e cidades circundantes na margem sul vocacionados para a criação de BD e/ou ilustração, ou providenciando um espaço onde os leitores possam partilhar as suas leituras.

O título Outras Bandas, que tive o prazer de editar em parceria com Eduardo Martins, caracteriza-se por ser uma edição independente, de cariz ecléctico e aberto a diversas sensibilidades e estilos gráficos; o fanzine contempla conteúdos em BD, prancha/tira humorística, conto ilustrado e galeria de ilustração temática, sempre com histórias curtas e auto-conclusivas, em técnicas a preto/branco.
Pautado por histórias de esperança e desespero, e por narrativas fantásticas e alegóricas, esta edição inaugural reúne obras curtas realizadas originalmente para concursos nacionais e internacionais, pelos membros do grupo António Coelho, Maria João Claré, Mário André, Patrícia Costa e Shania Santos, sendo a capa ilustrada por Susana Resende. Pela minha parte, além de assumir a coordenação da edição, também contribuí com uma ilustração interna.

Outras Bandas #0 foi apresentado no Domingo, dia 2/6, no auditório da Casa da Cultura de Beja, no fim-de-semana de abertura do 15º Festival Internacional de BD de Beja, ficando disponível no Mercado do Livro e podendo também ser solicitado através do blog TagideBD."

Daniel Maia

sexta-feira, maio 31, 2019

IMAGINÁRiO #774

José de Matos-Cruz | 08 Outubro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PROTAGONISMOS
Ao longo de decénios, a supremacia da indústria artística, sob o signo de Hollywood, permitiu ao cinema americano não só impor a sua perspectiva sobre as culturas e as civilizações de todos os tempos, mas também rever a História à sua imagem e semelhança, num artifício glorioso inclusive sobre os eventos ainda recentes. Pelo termo da II Guerra Mundial, e a propósito de Objectivo: Burma (1945 - Raoul Walsh), registou-se mesmo um incidente diplomático entre os Aliados, pois, numa missão nevrálgica contra as forças nipónicas na Birmânia, em plena frente do Pacífico, os ianques protagonizaram um sucesso que, efectivamente, coube aos ingleses. Idêntica estratégia predadora envolveu Submarino U-571 (2000) de Jonathan Mostow, também argumentista com David Ayer e Sam Montgomery. O reactivar da controvérsia suscitou um esclarecimento no final desta saga fictícia, cujo objectivo seria enaltecer a coragem dos que, realmente, executaram a operação em causa. Uma vez mais, os britânicos - a quem se ficou a dever a captura da máquina de descodificação Enigma, utilizada nas intercomunicações com segredo militar pela Marinha germânica. Tudo se passa em Abril de 1942, quando os Estados Unidos já entraram oficialmente no conflito, e a batalha do Atlântico atravessa duros reveses.

CALENDÁRiO

19JAN-24FEV2019 Em Portimão, Museu Municipal expõe O Desporto Na Filatelia Portuguesa. IMAG.482-697

1940-28JAN2019 - Susan Hiller: Artista americana radicada em Inglaterra, tendo-se dedicado à pesquisa / criação paraconceptual, através de pintura, escultura, escrita, fotografia, vídeo, performance e instalação.

01FEV-28ABR2019 - Em Lisboa, Palácio Pimenta - Museu da Cidade apresenta Vicente. O Mito Em Lisboa - exposição sobre a actualidade do mito de S. Vicente, sendo curador Mário Caeiro. IMAG.132-265-546-760

21FEV-26MAI2019 - Em Lisboa, Museu do Oriente apresenta Futuro Doméstico Primitivo - exposição sobre o arquitecto Sou Fujimoto (Japão), sendo comissário João Almeida e Silva.

PARLATÓRiO
Música Portuguesa Contemporânea
A inconsistência da música, a inconsistência do criador musical, são ideias que levam naturalmente a considerar que a música é apenas a arte de combinar os sons de uma maneira agradável ao ouvido. Umas certas sensações, umas certas impressões, traduzidas por meio dos sons causam prazer. Eis para quem assim pensa, o fim social da música. No aspecto estético nada de análise, nada de aplicação prática; um professor que não saiba uma nota de música pode ensinar estética musical por este processo, puramente verbalístico. Sempre as sensações, as impressões, palavras, muitas palavras, palavras que, desligadas das forças físicas que fazem a música, prejudicam em vez de facilitar, a compreensão.
Tecnicamente o que se ensina, e aqui tenho de novo que dizer: o que se ensina em geral e não o que ensinam os raros entre nós, é o sistema do baixo cifrado, o maior-menor a imperar, não só na harmonia como até no contraponto, o princípio da tonalidade e da modulação regidos pelo número de acidentes à clave, e outras induções igualmente funestas ao bom gosto e à boa composição musicais.
Chego agora a uma questão candente, a uma questão de interesse muito mais geral do que os problemas ligados à substância sonora, de que tenho estado a tratar: refiro-me à interpretação. Pensa-se entre nós sobre o assunto o mesmo que Berlioz pensava quando disse: Wagner dirige «librement, comme Klindworth joue du piano». Isto está longe de ser um elogio para quem pense como Berlioz, pois que, apesar de grande compositor ele, neste aspecto, não tinha razão. A frase não pode ser compreendida senão como uma censura a Wagner e Klindworth, frase vinda de um músico educado, como todos os músicos em geral, na cega submissão à tirania do tempo e do compasso, esses dois inimigos natos do ritmo, e na atitude fria perante a música dos chamados clássicos.
Luís de Freitas Branco
- Conferência na Academia de Amadores de Música (excerto – 11ABR1946)

MEMÓRiA

08OUT1920-1986 - Franklin Patrick Herbert Jr, aliás Frank Herbert: Escritor americano de ficção científica, autor de Dune / Duna (1963-1965) - «Em minha opinião, a ficção científica é inspiradora, e aponta em direcções muito interessantes. Isto é, orienta-nos para dimensões eventuais. Graças à nossa imaginação, podemos tentar outras oportunidades, tomar opções distintas. Por tendência, ficamos presos a escolhas limitadas…». IMAG.111-462-550

1932-09OUT2010 - Paulo-Guilherme Tomáz Dúlio Ribeiro  d’Eça Leal, aliás Paulo-Guilherme d’Eça Leal: Arquitecto, cenógrafo, fotógrafo, cineasta, poeta, filho de Olavo d’Eça Leal - «Gastei as quatro folhas do meu trevo / e outro não consigo encontrar. / Foi-se-me a sorte, resta-me o destino. / Em todo o caso, lê o que eu escrevo, / lê tudo o que puderes decifrar, / na minha letra tosca de menino.» (Depressa Que o Verso Foge… - excerto, 1999). IMAG.327-397

09OUT1940-08DEZ1980 - John Winston Lennon, aliás John Lennon: Músico, compositor, guitarrista e cantor britânico, membro de The Beatles - «A mulher é o negro do mundo. A mulher é a escrava dos escravos. Se ela tenta ser livre, tu dizes que ela não te ama. Se ela pensa, tu dizes que ela quer ser homem».  
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10OUT1910-2005 - Ramón Gaya Pomés, aliás Ramón Gaya: Pintor e escritor espanhol - «Ser criador é isso: obedecer. Ser artista, pelo contrário, é desobedecer, e daí essa quase travessura que tem quase toda a arte moderna, pois trata-se de uma arte especialmente artística, artificial.» (El Sentimiento de la Pintura - excerto, 1959). IMAG.244-294-534

1926-10OUT2010 - Joan Alston Sutherland, aliás Joan Sutherland, aliás La Stupenda: Soprano australiana - «Uma das gigantes do canto operático no Século XX, uma daquelas cantoras que definem uma era e que, de algum modo, mudaram o curso da história da performance operática» (Bernardo Mariano). IMAG.328-585

12OUT1890-1955 - Luís Maria da Costa de Freitas Branco, aliás Luís de Freitas Branco: Compositor português - «Ao significado da sua obra notabilíssima, da sua personalidade fecunda e dominadora, há a juntar a verdadeira paixão que possuía pela Juventude, o entusiasmo com que via os novos triunfar, a sua luta diária, durante cinquenta anos, pelo renovamento, pela europeização da cultura portuguesa, e ainda a generosidade do seu grande coração, sempre disposto a ajudar os que começavam e vivendo com o mesmo entusiasmo as obras dos próprios discípulos, que pretendia sempre colocar à frente das suas» (Joly Braga Santos).  
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1918-14OUT1990 - Louis Bernstein, aliás Leonard Bernstein: Compositor, maestro e pianista americano - «Não me interessa uma orquestra que tenha o seu próprio som… O que eu quero é que, ao tocar, ela nos transmita o som do compositor». IMAG.266-297-395-497-602-672

COMENTÁRiO

O belo não é mais do que tudo o que pode ser resgatado, arrebatado ao eterno, resgatado do eterno e levado para a formosura e a vulnerabilidade do presente.
Ramón Gaya
- Belleza, Modernidad, Realidad (excerto - 1960)
PARLATÓRiO

O homem é um idiota em não dar tudo de si, sempre, no acto de criação. Alguém escreve algo num papel. Não está a destruir, está a plantar uma semente. Então, não tem que se preocupar com inspiração, ou qualquer coisa no género. É apenas uma questão de se sentar e de pôr-se a trabalhar. Eu nunca tive problemas por escrever, apenas, um parágrafo. Fala-se muito nisso. Pela minha parte, havia dias em que me sentia relutante em escrever, ou às vezes durante semanas inteiras, outras até mais tempo. Então, preferiria muito mais pescar, por exemplo, ou pôr-me a afiar lápis, ou ia nadar, ou… Por que não? Mas, depois, voltando à leitura do que havia produzido, era incapaz de distinguir entre o que me ocorreu facilmente e o que elaborei, sentando-me e decidindo: «Bem, chegou a hora de escrever, e é isso que agora vou fazer». Não havia diferença entre uma coisa e outra que registei no papel…
Frank Herbert

04MAR1966 - O Cristianismo vai desaparecer. Vai diminuir e encolher. Nós, The Beatles, somos mais populares do que Jesus, neste momento. Não sei qual vai desaparecer primeiro - o rock and roll ou o Cristianismo. Cristo não era mau, mas os seus discípulos eram obtusos e vulgares. É a distorção deles que, em minha opinião, estraga o Cristianismo.

11AGO1966 - Se tivesse dito que a televisão era mais popular do que Jesus, ninguém teria ligado… Eu não sou anti-Deus, anti-Cristo ou anti-religião. Não estou a dizer que sejamos melhores ou maiores, ou a comparar-nos a Jesus Cristo como pessoa ou Deus ou seja o que for. Disse o que disse e estava errado - ou fui interpretado erroneamente.
John Lennon
BREVIÁRiO

Opera Omnia edita Os Pescadores de Raul Brandão (1867-1930).
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Abysmo edita Poesia II - Sonetos Completos de Antero de Quental (1842-1891); edição crítica de Luiz Fagundes Duarte.
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terça-feira, maio 28, 2019

IMAGINÁRiO-Extra: Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo – Livro Dois [Apenas Livros]

Em Abril de 2019, a editora Apenas Livros retomou a saga de Aurora Boreal, por José de Matos-Cruz, com a edição do segundo ciclo, O Eterno Paradoxo, que conta com o contributo gráfico dos artistas Dário Vidal, João Amaral, José Ruy e Maria João Worm.

Na sequência da primeira jornada (O Princípio Infinito, entre final de 2017 e 2018), o mundo fantástico do escritor José de Matos-Cruz – imaginado para a trilogia Infante Portugal (2007-2012), e relançado com a enigmática Aurora Boreal – suscita agora um segmento intermédio mas decisivo, enquanto a heroína titular continua a romper os limites da infância e se aventura por outros meandros da realidade e por dimensões alternativas.


Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo – Segundo Universo: As Tendências Variáveis é o novo de quatro livros-de-cordel, cuja protagonista, originalmente visualizada pela autora Susana Resende, tem aqui reinterpretação pelos mestres ilustradores José Ruy – também autor da imagem da capa –, Dário Vidal, João Amaral e Maria João Worm. A edição estará disponível no Mercado do Livro do 15º FIBDB, a partir do dia 2 de Junho.

Aurora Boreal
Surgiu na saga d’O Infante Portugal, nascida de uma relação efémera
entre a soviética Oktobraia e o cósmico Malsão. Irradiando além das luzes
e das trevas, a sua aparência torna-se Presente, ao romper os ciclos da infância
e da realidade, pelo capricho súbito e intenso de uma libertação…

As Tendências Variáveis
De cima a baixo, havia artifícios, evoluíam sinais… Como uma paisagem assombrada, a realidade transparecia os seus enigmas e sortilégios. Quem perturbaria o segredo das águas furtadas?
Como iria um rio fidelizar-se ao rumo incerto, da nascente ao estuário?
Estaria a montanha vacilante, no fascínio obscuro entre as suas entranhas e extensões?
Monstros no céu, encantariam humanos ou divindades?

Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo
Segundo Universo: As Tendências Variáveis

(Apenas Livros)
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustração: José Ruy, Dário Vidal, João Amaral e Maria João Worm
1ª edição: Junho 2019 | Prosa ilustrada | 36p/BD | PVP: 3,90€

domingo, maio 26, 2019

IMAGINÁRIO-Extra: DANIEL MAIA E SUSANA RESENDE ilustram os PRÉMIOS BANDAS DESENHADAS

A convite de Nuno Pereira de Sousa, administrador do website Bandas Desenhadas, os artistas Daniel Maia (desenho) e Susana Resende (cor) recriaram a visão antropomorfizada, correspondente a cada uma das quatro estações do ano, das Nomeações dos Prémios Bandas Desenhadas, os quais têm por fim promover, anualmente, a BD produzida e editada em Portugal, através da distinção dos melhores lançamentos editoriais de autores nacionais e estrangeiros. No início de cada ano, serão atribuídos os Prémios relativos ao ano editorial anterior.

Assim, a 1.ª edição dos Prémios Bandas Desenhadas – cujas nomeações das obras são realizadas ao longo do ano, cada uma delas correspondendo a um trimestre editorial, formalmente designado pela estação do ano que vigora na maioria do período – refere-se ao ano editorial de 2019, tendo sido anunciadas as Nomeações de Inverno e divulgada a primeira das quatro visões alusivas, concebidas por Daniel Maia e Susana Resende, interpretando o Inverno.

Como também se ressalva em Bandas Desenhadas, «a parceria efectuada com os dois ilustradores (e argumentistas, professores, editores…) em nada influencia os jurados, no caso de virem a existir obras de banda desenhada dos mesmos, elegíveis aos Prémios. Por seu turno, sublinha-se que, aquando do convite efectuado aos ilustradores, não foi divulgada a natureza específica do seu propósito».

sexta-feira, maio 24, 2019

IMAGINÁRiO #773

José de Matos-Cruz | 01 Outubro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

SUPERAÇÃO
Perdida no Quadrante Delta, a Capitã Janeway e a tripulação da nave estelar USS Voyager procuraram, durante anos, um caminho de regresso a casa. Porém, a sua busca é interrompida por circunstâncias imprevistas, com uma espantosa variedade de perigos, ameaças… e novas alianças, amizades! Uma das mais populares sagas cósmicas - da televisão ao cinema, passando pelos quadradinhos - Star Trek avançou em 2001, sob chancela DC Comics, pela vertente Wildstorm, em Voyager - Encounters With the Unknown. Uma edição monumental em trade paperback, que a capa deslumbrante de Drew Struzan alicia, e na qual se reúnem quatro capítulos virtuais: False Colors por Nathan Archer com Jeffrey Moy & W.C. Carani; Elite Force por Dan Abnett & Andy Lanning com Moy & Carani; Avalon Rising por Janine Ellen Young & Doselle Young com David Roach, e Planet Killer por Kristine Kathryn Rusch & Dean Wesley Smith com Robert Teranishi & Claude St. Aubin. Superando-se em coragem para triunfar, e determinação para sobreviver, os heróis de Star Trek demonstram ainda o maior sangue frio ao seguirem em frente, quando o seu destino está debaixo de fogo…
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CALENDÁRiO

1943-29JAN2019 - Rui Caeiro: Escritor português, poeta, tradutor e editor ligado à &etc - «Vem um dia em que o corpo não responde/ não acorda não condiz/ não se habitua// É uma primeira e definitiva recusa: alheio/ não se dá ao trabalho de/ avisar ou despedir-se//– o corpo».

VISTORiA

A-Leng, porque era ela, captou o interesse e teve a desagradável sensação de ser escrutinada de cabeça aos pés. Não estava habituada a um exame tão atrevido, sobretudo, dum estranho e demais kuai-lou. Mais perturbada que irritada, resolveu afastar o insolente, à vista das companheiras.
Ao tirar o balde carregado até o topo, fingiu desequilibrar-se e a água saltou, chapinhando o solo, atingindo os sapatos e as calças bem vincadas do belo Adozindo. Não pediu desculpas, voltando-se para encher de novo o balde. Houve risos que doeram mais ao rapaz do que o mau jeito dela, feito de propósito.
Sem  pronunciar  palavra, Adozindo seguiu caminho, enxofrado de despeito. Era a primeira vez que uma mulher se atrevia a desdenhá-lo. Em vez de enlanguescer-se perante a sua beleza irresistível, a rapariga ousava sujar-lhe os sapatos lustrosos e as calças, sem se desculpar. E era uma aguadeira ou lavadeira, de categoria abaixo duma criada de servir. A desfaçatez! Ali estava um exemplo da decantada mal-criação da gente do Cheok Chai Un. Nunca mais poria os pés ali.
O brilho do sol, a aragem refrescante que bolia com as árvores de S. José da Rua do Campo, a temperatura seca do melhor mês do ano, dissiparam-lhe o abespinhamento. Não ia consumir a sua disposição numa zanga fútil, por causa duma aguadeira.
Volveu o pensamento para a viúva do Baixo Monte, a estupenda Lucrécia, a sua última conquista que não esperara acabar o luto para se lhe entregar nos braços. Se era rica em bens, mais o era na cama, com aqueles jeitosos seios de rola arrulhante. Enquanto aguardasse o recato do luto, não viria com exigências e podia aproveitar-se bem. Quando completasse um ano, então chegaria o momento da verdade. Mas esta data ainda estava bem longe, tinha muitos meses para planear como descartar-se dela.
Ladeou o Jardim de S. Francisco, onde crianças chilreantes, acompanhadas das criadas, corriam nas áleas dos canteiros, e aproximou-se da muralha que o separava do mar. A baía da Praia Grande, desde o fortim de S. Francisco até a curva do Bom Parto, coalhava-se de juncos e lorchas, na poalha do sol. Encaminhou-se na sombra recolhida das árvores de pagode, cujos murmúrios eram um fundo musical para a cantilena da maré enchente, espumando nos granitos da Praia Grande.
Henrique de Senna Fernandes
- A Trança Feiticeira (1993 – excerto)
MEMÓRiA

01OUT1910-1934 - Bonnie Elizabeth Parker, aliás Bonnie Parker: Criminosa americana - «Tal como as flores embelezam ao sol e ao relento, também este mundo brilha mais com gente como tu!» (a Clyde Barrow). IMAG.212-293-467-700

02OUT1890-1977 - Julius Henry Marx, aliás Groucho Marx: Actor americano - «Antes de começar a falar, quero que saibam que não tenho nada de importante a dizer». IMAG.24-136-293-622-648

1851-03OUT1910 - Miguel Augusto Bombarda, aliás Miguel Bombarda: Psiquiatra e político português, professor da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, director do Hospital de Rilhafoles, membro do Comité Revolucionário que implantou a República em Portugal - «Não queria morrer já… Isso seria dar um alegrão à canalha que me odeia!». IMAG.169-293-313

1943-04OUT1970 - Janis Lyn Joplin, aliás Janis Joplin: Compositora e cantora americana - «Mesmo que os nossos lábios não se cruzem novamente, posso dizer em silêncio tudo aquilo que ficou escondido para sempre. Haverá momentos em que os nossos pensamentos se encontrarão no espaço e, assim, sentiremos falta de estarmos novamente juntos». IMAG.599

1923-04OUT2010 - Henrique Miguel Rodrigues de Senna Fernandes, aliás Henrique de Senna Fernandes: Escritor e professor português, natural de Macau - «Não sei o quanto valem os escritos, mas escrevo e estou bem comigo». IMAG.327-439

1819-05OUT1880 - Jakob Eberst, aliás Jacques Offenbach: Compositor e violoncelista francês de origem alemã, autor de Orfeu Nos Infernos/Orphée aux Enfers - «Ele cumpre a função de remediar a estupidez, de proporcionar uma respiração à razão e de estimular a actividade mental» (Karl Krauss). IMAG.711

1923-05OUT2010 - Bernard Charles Henri Clavel, aliás Bernard Clavel: Jornalista e escritor francês, distinguido com o Prémio Goncourt (Les Fruits de L’Hiver - 1968); em 1977, abandonou a Academia Goncourt, e recusou por duas vezes a condecoração da Legião de Honra - «Messieurs les censeurs, bonsoir!». IMAG.327-420

VISTORiA

A escala social de Hollywood é alta e causa vertigens e, precisamente abaixo do degrau do fundo, encontrará, se olhar bem de perto... Ora, continue a ler.
ão vinte e três horas, e estou sentado na cama com as obras completas de Sir Walter Scott e um copo de leite quente. Não pense que tenho estado toda a noite na cama. De facto, acabei de chegar de um jantar. Encontravam-se lá seis pessoas, incluindo a anfitriã e o marido. Antes de comer, bebemos um copo de xerez cada um e, depois da refeição, tomámos um licor e conversámos durante duas horas. Às dez e meia, os bocejos generalizaram-se e, cerca das onze, já estava na cama.
Após trinta anos em Hollywood, cheguei à conclusão, lenta e relutantemente, de que sou um autêntico falhado social.
Groucho Marx
- Memórias de Um Pinga-Amor (1963 - excerto)
RELATÓRiO

Eu, Miguel Augusto Bombarda, lente da Escola Médica de Lisboa, de 59 anos de idade, casado, nascido no Rio de Janeiro, mas português, morador hoje no hospital de Rilhafoles, filho de António Pedro Bombarda e de Maria Teresa Bombarda, não professando a religião católica, desejo que, por ocasião do meu falecimento, me seja feito o enterro civilmente e por ser esta a minha espontânea e consciente vontade, quero que fielmente se cumpra.
- Lisboa, 14 de Julho de 1910


ANTIQUÁRiO

03OUT1910 - Poucas horas antes do início de uma revolução triunfante, o neurocirurgião e militante republicano Miguel Bombarda é assassinado pelo tenente Aparício Rebelo, um doente mental e seu paciente no Hospital de Rilhafoles, onde criou o Laboratório de Histologia em 1887. 
 
PARLATÓRiO

Eu nasci com apurada sensibilidade… Fui educado por uma mãe que o era verdadeiramente, e por um pai algo secreto… À nossa volta, convivendo connosco, havia artesãos, contadores de histórias que muito me impressionaram.
Bernard Clavel
BREVIÁRiO

Assírio & Alvim edita O Casamento e Outras Peças de Nikolai Gogol (1809-1852); tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra.  
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Gradiva edita O Universo de Hubert Reeves (argumento) e Daniel Casanave (ilustração). IMAG.203-534

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

À TRIPA SOLTA, A COBRA É MOLE - 7
Ouvira a Xarolas que, na Costa de Caparica, foi morto com três facadas um indivíduo apelidado Videira, que passava na localidade por sujeito bem quisto. O impiedado assassino, Appio de nome e seu próprio filho, evadiu-se num bote que meteu da Trafaria para Lisboa. Dizem que o infame era um rapaz baixo, trigueiro, magro e mal-encarado, constando que tinha regressado há pouco de certos arranjinhos torpes pelos lados de Sezimbra. O Comissário Geral da Polícia de Lisboa deu ordem para lhe descobrirem o paradeiro. Só que, entretanto, já Appio Videira outra vez se encontrava em pancas, pois banzou enfeitiçado pelo funesto sortilégio de Esther Barreno.
Continua