sexta-feira, abril 13, 2018

Imaginário-Médio: newsletters de Novembro 2014

Já se encontram disponíveis nos respectivos links do blogue Imaginário-Médio, os posts desta semana, alusivos às newsletters recuperadas referentes ao mês virtual de Novembro de 2014; nomeadamente, os #489, #490, #491 e #492.

quarta-feira, abril 11, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: PAULO MONTEIRO, Cineasta

Prestigiado autor de quadradinhos, e director do Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, Paulo Monteiro estreia-se como realizador com a curta metragem de animação Porque É Este o Meu Ofício (2018),em produção de Animanostra com Filmanimática, e financiamento do Instituto do Cinema e do Audiovisual/ICA.

Também argumentista e criador gráfico, Paulo Monteiro concebe um filme sobre a voragem do tempo. E ainda sobre a infância e a forma como nos marca para a vida toda. É um filme que fala da relação de um filho com o seu pai. E das muitas palavras que nunca se dizem, porque estão escritas no coração.


Porque É Este o Meu Ofício inspira-se em banda desenhada epónima de Paulo Monteiro, inserida na sua antologia O Amor Infinito Que Te Tenho e Outras Histórias – sob chancela original de Polvo em 2010, e já com várias edições – distinguida como Melhor Álbum Nacional (AmadoraBD – 2011) ou Melhor Publicação Independente (Troféus Central Comics – 2011), e depois publicada em França (Prix Sheriff d’Or – 2013), no Brasil e na Polónia.

Ver trailers em:
Porque é este o meu Ofício - trailer 1
Porque é este o meu Ofício - trailer 2

IMAG
.36-149-226-384-452-514-568-616-668

sexta-feira, abril 06, 2018

IMAGINÁRiO #710

José de Matos-Cruz | 08 Junho 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

ESPIONAGENS
Durante décadas, a divisão do mundo em dois grandes blocos - os países do leste, as democracias ocidentais - favoreceu e consolidou o privilégio das agências de espionagem, com um poder quase ilimitado. O termo da Guerra Fria tornou mais sofisticada a respectiva intervenção, pelas margens da impunidade. A queda do Muro de Berlim, as roturas na Cortina de Ferro, a dissolução da União Soviética, alteraram profundamente o xadrez político internacional. Mesmo nos Estados Unidos, o estatuto e as dotações orçamentais dos serviços secretos passaram a suscitar uma importante controvérsia. Alguns dos seus responsáveis parecem inconformados com tal situação - enquanto os principais desafios resultam, sobretudo, de chantagens subversivas, do tráfico de armas ou de drogas…
Foi neste panorama que em 1996, do pequeno ao grande ecrã, se precipitou uma excitante Missão: Impossível, pelo veterano Brian DePalma - dando origem a um novo fenómeno sequencial, e que já cinematizara outra popular série televisiva, Os Intocáveis (1987). Tom Cruise protagonizou o novo herói de Missão: Impossível - Ethan Hunt, um agente hábil e corajoso, acusado de corrupção e perseguido pela própria Impossible Mission Force. Tudo, porque só ele terá sobrevivido a uma operação forjada - para revelar um traidor infiltrado na organização. Acossado, recorrendo a processos de risco extremo, Hunt decide então resgatar a honra pessoal e desmascarar o inimigo - afinal o seu tutor, mítico e sacrificado comandante Jim Phelps! IMAG.101-134-452


CALENDÁRiO

28OUT2017-04FEV2018 - Em Lisboa, Atelier-Museu Júlio Pomar expõe Tawapayera de Júlio Pomar, Tiago Alexandre, Igor Jesus e Dealmeida Esilva, sendo curador SinopseAlexandre Melo.
IMAG.19-312-449-495-505-534-552-553-562-582-596-604-610-620-631-635-646-652-676

06JAN-27FEV2018 - Em Lisboa, Galeria Diferença apresenta Gardens - exposição de desenho de Luís Silveirinha.

11JAN-10MAR2018 - Em Lisboa, Galeria Filomena Soares apresenta Unbuilt Memories - exposição de escultura, fotografia e vídeo de Didier Fiúza Faustino.

13JAN-24FEV2018 - Em Oeiras, Livraria-Galeria Verney apresenta Mythos da Mesopotâmia - exposição de pintura de Hugo Claro.

18JAN-04MAR2018 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta Obra Prima - exposição de fotografia de Matthias Schaller.

VISTORiA

Passara o tempo. Todavia, não passava ele de modo diferente para cada um, seguindo atalhos diversos? Como um rio, o tempo para o homem às vezes escoa-se rapidamente, às vezes segue em ritmos mais lentos. Acontecia também nem sempre se escoar, mas permanecer ali a estagnar-se. Se o tempo cósmico se escoa à mesma velocidade para todos os homens, o tempo humano, este varia conforme cada um. O tempo escoa-se de modo semelhante para todos os seres humanos, mas cada homem move-se dentro dele de acordo com um ritmo que lhe é próprio.
Yasunari Kawabata
- Beleza e Tristeza (excerto)

Passámos da máquina mediática de concessões, controlada pelo Estado directa ou indirectamente, para a máquina mediática do mercado, em que a lei da oferta e da procura estabelece que os mais poderosos sempre acabem por controlá-la.
Manuel Vázquez Montalbán
- Manifesto do Planeta dos Macacos (excerto)
MEMÓRiA

1924-08JUN1989 - António Maria de Matos, aliás Tony de Matos: Cantor e actor português - «Cantou em quatro continentes, a sua voz está implantada em milhares de discos, o rosto surgiu na tela grande, a presença firmou-se na retina de quem o aplaude no teatro ou na televisão, quem o escuta nas mais diversas horas do dia penetrando em nossos lares.» (Antena - 1967). IMAG.483

1908-10JUN1979 - Joaquim Belford Correia da Silva, aliás Joaquim Paço d’Arcos: Ficcionista, poeta e ensaísta português - «Escrever é projectar-se além da Vida, / É vencer a Morte. / Um dia esta virá, de surpresa, ou tardia, / Mas uma coisa não levará, não reduzirá a cinzas, / E sobre ela a sua álgida mão não terá poder.» (Escrever É Vencer a Morte - excerto). IMAG.219-230-529-662

1907-11JUN1979 - Marion Michael Morrison, aliás John Wayne: Actor americano - «O amanhã é o mais importante que temos na vida. Chega, sempre, à meia-noite. É puro e perfeito, ao confiar-se em nossas mãos. E traz a esperança de que tenhamos aprendido algo no dia de ontem». IMAG.23-56-85-114-132-230-362-596-612

1924-13JUN2009 - Irisalva Moita: Arqueóloga portuguesa, historiadora, museóloga, olissipógrafa, membro da Academia Nacional de Belas Artes, pioneira de escavações em contexto urbano, realizadas no Teatro Romano de Lisboa, Hospital Real de Todos-os-Santos ou Necrópole Romana na Praça da Figueira, responsável por exposições de referência como O Culto de Sto. António, Na Região de Lisboa, Lisboa e o Marquês de Pombal, Lisboa Quinhentista. A Imagem e a Vida Na Cidade e Faianças de Rafael Bordalo Pinheiro. IMAG.256-466

14JUN1899-1972 - Yasunari Kawabata: Escritor japonês, distinguido Prémio Nobel da Literatura em 1968 - «A cameleira, quatro vezes centenária, exibia a esplêndida profusão das suas flores. Os raios do sol poente eram como que aspirados pelo interior da árvore, de tal forma que parecia reinar dentro daquela massa de flores uma quente exalação. Embora não houvesse um vento por aí além, a extremidade dos ramos floridos abanava docemente.» (A Casa das Belas Adormecidas - excerto). IMAG.285-366-668

14JUN1939-2003 - Manuel Vázquez Montalbán: Escritor espanhol - «Por vezes, costumo autoclassificar-me de conservador, porque não corrigi a minha visão do mundo desde que fiz cinquenta anos, tendo então decidido que já era responsável pela minha cara.» (Marcos: O Senhor dos Espelhos - excerto). IMAG.440

15JUN1949-2014 - Jorge Faustino Fallorca Gaspar, aliás Jorge Fallorca: Poeta e tradutor português, jornalista e radialista - «Contaram-me que as letras descansam de lado, nas páginas macias dos livros antigos. / Outros afirmam-me que os textos mudam ao sabor das edições, e que nenhuma se compara / à que se leu primeiro.» (Telhados de Vidro - excerto). IMAG.411-507

VISTORiA

Numa tarde de Julho de 1926 atravessava as florestas de Cheringona, no território da Companhia de Moçambique, um expresso de uma só carruagem da Trans-Zambézia Railway.
Regressava da Zambézia à Beira o governador do Território. Acompanhavam-no, além dos seus ajudantes, o autor destas linhas e uma pessoa estranha à comitiva: Carlos Sobral.
Carlos Sobral era ao tempo director em África da «Mozambique Industrial & Commercial Coy. Ltd.», um desdobramento, para fins comerciais, da Companhia de Moçambique.
Naquele pequeno salão da carruagem de caminho-de-ferro conversaram durante longas horas da monótona viagem, esses dois homens, tão profunda e apaixonadamente portugueses, que o destino por ironia, mas por útil ironia, colocara a dirigir interesses que meses mais tarde se haviam de patentear tão opostos aos nacionais.
Eram homens de diferentes idades: o governador aproximava-se dos cinquenta, Carlos Sobral andaria pelos trinta.
Mourejando por terras onde frequentemente o português se avilta, adoptando os hábitos de indolência a que o clima convida, os usos mesquinhos próprios dos meios pequenos, esses dois homens, ao contrário, mantinham íntegras em si as melhores qualidades da raça. Eram dois verdadeiros portugueses.
Carlos Sobral estava em conflito aberto com os dirigentes londrinos da companhia que superintendia em África. Admitia como muito provável a hipótese de repudiar a situação em que trabalhava. Era um lugar magnífico, e muitos outros homens, em circunstâncias idênticas, transigiriam em tudo para não perder a situação que usufruíam. Ele não transigia em nada e ao perguntarem-lhe o que iria fazer no caso de se encontrar desempregado, respondia tranquilo, cheio de confiança e de optimismo: trabalhar. E já se expandia por todo um projecto de se dedicar à cultura do solo, à criação de gado, na vida rude e fatigante do mato, que ele tanto amava.
É preciso conhecer certos territórios de África e a eterna dependência em que o português ali vive do Estado ou das grandes companhias, alheado por completo das qualidades de iniciativa que fazem dele um elemento tão útil no Brasil, é preciso conhecer aqueles meios de parasitagem e de covardia, para admirar em todo o seu valor a serena confiança com que Carlos Sobral, por ser português de «antes quebrar que torcer», trocava uma cómoda e rendosa situação pela tão mais humilde e ingrata profissão de pequeno agricultor.
Nessa tarde – curiosa coincidência do acaso! – esses mesmos homens perante cuja arrogância Sobral não cedia, assinavam em Londres o terceiro e último contrato sobre o porto da Beira. Meses decorridos, por uma triste e dolorosa fatalidade, Carlos Sobral morria na Zambézia, vítima de si próprio, da sua coragem magnífica.
Alguns dias depois do seu falecimento chegavam à Beira, para conhecimento do governador, e para serem executados, os contratos do porto.
O governador não os executou. Era a vez dele, agora, num assunto de muito maior gravidade, assumir a atitude para a qual, meses atrás, serenamente, dignamente, Carlos Sobral se encaminhava.
Joaquim Paço d’Arcos
- Herói Derradeiro (Introdução - excerto)

BREVIÁRiO

Saída de Emergência edita Terrarium de João Barreiros e Luís Filipe Silva. IMAG.435-455-478

Relógio D’Água edita Roma de Nikolai Gógol (1809-1852); tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra. IMAG.118-219-223-361-474-593-637-699

Douda Correria edita Nada Natural de Gary Snyder; tradução de Nuno Marques e Margarida Vale de Gato.

Companhia das Letras edita A Rosa do Povo de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). IMAG.79-384-392-543-623
 

quarta-feira, abril 04, 2018

Imaginário-Médio: newsletters de Outubro 2014

Alusivas à data virtual de Outubro 2014, as newsletters esta semana recuperadas para a internet - #485, #486, #487 e #488 - já estão disponíveis no blog Imaginário-Médio.


sexta-feira, março 30, 2018

IMAGINÁRiO #709

José de Matos-Cruz | 01 Junho 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

RECRIAÇÕES
Avigon tem um problema. Vive encerrada num universo gótico, onde os andróides são vendidos como gado, nuvens sombrias ocultam o sol, e os rios escorrem negros como óleo. Avigon tem vontade de evadir-se - mas como, e para onde? Avigon está num dilema. A sua mente vagueia por dimensões para além da imaginação, o seu espírito revela-se a verdades mais profundas que os segredos recônditos. Avigon precisa de encontrar um caminho - mas por que preço? O destino virtual de Avigon é uma cidade estranha e distante. Porém, logrará Avigon assumir uma nova existência, e um futuro auspicioso, evitando que as suas nefastas origens acabem por lhe destruir todas as expectativas? Aparecida em 2001, sob chancela Image Comics, Avigon - concebida por Che’ Gilson (argumento) & Jimmie Robinson (ilustração) - desvenda-nos um universo estilizado e surreal, influenciado pelo onirismo visionário do cineasta Tim Burton. Segundo Gilson, trata-se de «uma fábula pós-industrial, em que os mitos e as lendas resistem, precariamente, a uma recriação massiva. Avigon é um símbolo do seu mundo. A rainha quer corrompê-la. O próprio criador tenta controlá-la, enquanto os políticos fazem tudo para a destruir…»

CALENDÁRiO

15JUN2017-14JAN2018 - Em Bragança, Centro de Arte Contemporânea Graça Morais apresenta A Coragem e o Medo - exposição de pintura e desenho de Graça Morais, sendo curador Jorge da Costa. IMAG.65-68-139-305-318-448-621-693

16NOV2017-20JAN2018 - Em Lisboa, Galeria Vera Cortês expõe 2 Desenhos, 2 Esculturas de José Pedro Croft. IMAG.427-539-641-670

23NOV2017-06JAN2018 - Em Lisboa, Galeria Filomena Soares expõe Saga de Pedro Barateiro. IMAG.349-556

25NOV2017-13JAN2018 - Em Lisboa, Galeria Carlos Carvalho apresenta Paisagem Instável - exposição de desenho, pintura, escultura e instalação de Catarina Leitão.
12DEZ2017-20JAN2018 - Em Lisboa, Fundação Portuguesa das Comunicações expõe (Podemos Sempre Fugir de Carro) de Luísa Jacinto.
13DEZ2017-17FEV2018 - Em Lisboa, Kunsthalle Lissabon expõe Indexing Water de Irene Kopelman (Argentina).

1950-02JAN2018 - Maria Margarida Gouveia Vaquinhas, aliás Guida Maria: Actriz portuguesa de cinema, teatro e televisão - «Perfeccionista, expressiva e desinibida, sem nunca roçar a vulgaridade» (Ana Sousa Dias). IMAG.696

06JAN-21FEV2018 - Em Lisboa, Ermida de Nossa Senhora da Conceição apresenta Luz Cega - exposição de fotografia de Cláudio Garrido.

09JAN-24FEV2018 - Em Lisboa, Casa da Liberdade - Mário Cesariny apresenta FotoFonias LusoGráficas - exposição de fotografia da Colecção Lusofonias/Colectivo Multimédia Perve, incluindo obras de André de Castro, Cabral Nunes, Fernando Lemos, José Chambel, Mário Macilau, Rodrigo Bettencourt da Câmara, Rui Simões, Sérgio Guerra, Sérgio Santimano, Subodh Kerkar ou Suekí.

12JAN-25MAR2018 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Belas Artes da Academia - Uma Colecção Desconhecida - selecção de pintura e escultura da Academia Nacional de Belas Artes, desde o início do Século XX até ao presente.

PARLATÓRiO

A única certeza é que nada é certo. Pasma, vermos até onde pode chegar a arrogância do coração humano, estimulada pelo menor êxito. A maior parte dos males que ocorrem ao homem é provocada por ele próprio… Do que não se pode alcançar, baste-nos que o tenhamos desejado.
Gaius Plinius Secundus, aliás Plínio, o Velho

VISTORiA

eu ontem tive a impressão
que deus quis falar comigo
não lhe dei ouvidos
quem sou eu pra falar com deus?
ele que cuide de seus problemas
que eu cuido dos meus
Paulo Leminski
- Distraídos Venceremos

A chuva deixara os boulevards quase vazios, e só restava gente agrupada no café envidraçado onde, havia meses, não a deixavam entrar.
Sonia, de pé no vestíbulo da casa vazia, viu que a chuva passava, fatigada, a manso chuvisco, viu-a cessar enquanto aumentava o frio do vento, e pensou que aquilo era sinal de boa sorte. Um pouco mais longe, do outro lado do amplo passeio, as luzes da cidade começavam a acender-se. A noite tinha início, e, respirando o aroma tristonho de seu casaco molhado, Sonia pensou que também a esperança tinha início. Sorriu, sem realmente acreditar, como uma menina a quem contaram uma história já ouvida e inverosímil.
Apalpou novamente a crespa peruca loira e com grande cuidado – tinha as unhas muito compridas – foi esticando as meias ensopadas presas pelas ligas.
Sentiu fome de novo, e lembrou-se que tinha uma sanduíche de presunto no bolso. Mas não podia estragar o desenho da boca que fizera com bâton, e com tanto cuidado. Também se lembrou que, até o fim do mês, estava em ordem com a polícia e obrigou-se a caminhar, aproximando-se da beira das calçadas para sorrir para os carros, rebolar e parar, fingindo procurar alguma coisa na bolsa enorme. Mas nada, ninguém, e ela sem dinheiro para tentar a sorte em bares onde ainda a deixavam entrar.
Era noite e, depois, madrugada no bairro sujo da grande cidade. E Sonia, já sem fome, quase sem esperança, continuava a caminhar sobre a dor dos sapatos de salto agulha.
Juan Carlos Onetti
- Amanhã Será Um Outro Dia (excerto)
MEMÓRiA

01JUN1909-1994 - Juan Carlos Onetti Borges, aliás Juan Carlos Onetti: Ficcionista uruguaio, distinguido com o Prémio Cervantes (1960) - «Alguém inventou para mim o termo e o destino de escritor comprometido. Estou inocente. O único compromisso que aceito é a persistência em escrever bem e melhor, e de tratar com sinceridade a vida que me coube conhecer e as pessoas condenadas a converter-se em personagens dos meus livros». IMAG.229-263-467

1925-02JUN2009 - Glória de Sant’Anna: Poetisa, ficcionista e professora portuguesa - «Aquilo a que poderíamos, sem exagero, chamar a sua glória, nada tem de ruidoso… Foi sempre uma personagem de um pudor e retiro exemplares» (Eugénio Lisboa - 1988). IMAG.253-516

1936-03JUN2009 - John Arthur Carradine, aliás David Carradine: Actor americano, filho de John Carradine, protagonista da série televisiva Kung Fu (1970) e dos filmes Kill Bill (2003-2004) - «Muitos actores passam a maior parte do tempo a treinar a sua arte. É algo que não se passa comigo. Limito-me a representar para o público, e a deixar as coisas acontecerem».
IMAG.20-253-590

06JUN1599-1660 - Diego Rodrigues da Silva y Velázquez, aliás Diego Velázquez: Pintor espanhol e retratista, do barroco contemporâneo, principal artista da corte de Filipe IV - «Uma mulher não é um ser humano, é a razão dos seres humanos».

1944-07JUN1989 - Paulo Leminski Filho, aliás Paulo Leminski: Poeta e ensaísta brasileiro - «Quando eu vi você / tive uma idéia brilhante / foi como se eu olhasse / de dentro de um diamante / e meu olho ganhasse / mil faces num só instante.» (Amor Bastante). IMAG.480

07JUN1899-1973 - Elizabeth Dorothea Cole Bowen, aliás Elizabeth Bowen: Ficcionista anglo-irlandesa, autora de A Casa Em Paris (1935) - «Uma pessoa não pergunta a si mesma – ‘o que estou eu a fazer?’ – porque sabe. Mas aquilo que uma pessoa pergunta a si mesma – ‘o que fiz eu?’ – jamais o saberá.». IMAG.653

ANUÁRiO

23-79 - Gaius Plinius Secundus, aliás Plínio, o Velho: Naturalista romano - «A diversidade de copistas, e os seus comparativos graus de habilidade, aumentam consideravelmente os riscos de se perder a semelhança com os originais. As ilustrações são propensas ao engano, especialmente quando é necessário um grande número de tintas para imitar a natureza».
IMAG.209-448

BREVIÁRiO

Guerra & Paz edita, com Inatel, Francisco Ribeiro - “Ribeirinho” (1911-1984) de Ana Sofia Patrão. 
IMAG.63-94-95-164-175-224-229-339-454-457-458-501-635

Dom Quixote edita As Oito Montanhas de Paolo Cognetti; tradução de Maria do Carmo Abreu.

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

BUÇO COM LEITE MANCHA O COLETE - 12

Entretanto, Eustacio Ferreira reconhecera o Remexido, um perigoso assassino, em vias de regeneração. Inquieto, em escrúpulo, veio a encontrá-lo no Hospital de Rilhafoles, prestes a exalar o último suspiro. Porém, o facínora ainda lhe disse, em tom de saudade profunda:
- Ah, Seu Ferreira, parece que já não me torna a prender…
Continua

quinta-feira, março 29, 2018

Imaginário-Médio: newsletters de Setembro 2014

Entramos na proverbial recta final para a conclusão da recuperação das newsletters antigas no blogue Imaginário-Médio, faltando dessas carregar apenas quinze posts e, assim, encerrar este projecto, no espaço de cinco semanas. Até lá, esta semana disponibilizamos as newsletters #481, #482, #483 e #484, acessíveis nos respectivos links.


domingo, março 25, 2018

IMAGINÁRiO #708

José de Matos-Cruz | 24 Maio 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

EVOLUÇÕES
O cinema de animação americano recuperará, alguma vez, o empolgamento, a magia e o maravilhoso que atingiu, por final dos anos ’30 do século passado, com os Estúdios de Walt Disney? Trata-se duma questão aparentemente imponderável - pois o progresso tecnológico, e uma contínua mutação dos requisitos artísticos, abriram excepcionais expectativas à exploração de temas apaixonantes - como fez história Toy Story - Os Rivais (1995) de John Lasseter, primeira animação longa sob o signo Disney, integralmente gerada por computador. Ao prodígio electrónico correspondia o fascínio aventuresco - pela mística dos heróis, em crise num imaginário trepidante e inteligente, emocionante e divertido. Suscitando uma serialização de Toy Story, que consolidou a aliança entre a Disney e a Pixar - pela qual se exploram todas as virtualidades da sofisticação em CGI, e respectivas vanguardas estéticas: uma fusão visionária entre a pesquisa tridimensional, e os efeitos qualitativos de textura, detalhe, luz e cor. Atributos em que a Pixar foi pioneira, com Os Rivais - e é justo realçar o aval de Thomas Schumacher, outro nome determinante na Disney, para superar os meios tradicionais de execução no vínculo apelativo ao artifício/artesanato. Justamente, Toy Story - Os Rivais valeu a Lasseter um Oscar especial, pelo contributo para o êxito da indústria, no domínio animatográfico. IMAG.80

CALENDÁRiO

26OUT-30DEZ2017 - Em Lisboa, Arquivo Fotográfico Municipal expõe [Ante]Câmara - Elenco, Retrato e Cenas Teatrais.

23DEZ2017-15FEV2018 - Em Lamego, Zona - Residências Artísticas apresenta, por iniciativa ZigurArtists, Depósito de Uma Natureza Activa - exposição visual de João Pedro Fonseca.

VISTORiA

Levem-me

Levem-me numa caravela,
Numa velha e doce caravela,
Na proa, ou se quiserem, na espuma,
E me percam, longe, longe.

No elo de uma outra era,
No veludo ilusório da neve,
No fôlego de alguns cães reunidos,
Na multidão de cansadas folhas mortas.

Levem-me sem me quebrar, nos beijos,
Nos peitos que se erguem e respiram,
Sobre os tapetes das palmas e seu sorriso,
Em corredores de longos ossos, e articulações.

Levem-me, ou melhor, enterrem-me.
Henri Michaux
- Mes Propriétés (1929)
(Revista Cisma - 2014)
Filho

Nicolau, menino, entra.
Onde estiveste, Nicolau,
que trazes a arrastar
o teu brinquedo morto?

Nicolau, menino, entra.
Vem dizer-me onde foi que tu estiveste
e a estrela fugiu das tuas mãos.

Tens comigo o teu catre de lona velha.
Deita-te, Nicolau, o fantasma ficou lá longe.

Dorme sem medo.
Porão, roça, medos imediatos,
tudo ficou lá longe.

Quando acordares a jornada será mais longa.
Nicolau, menino,
onde foi que deixaste
o corpo que te conheci?
Deus há-de querer que o sono te venha depressa
no meu catre.
Baltazar Lopes / Osvaldo Alcântara

VISTORiA

É que nessa noite, sonhou que a Santa Teresinha, sob a forma de uma menina loira com cabelos encaracolados, lhe dissera: «Porque não foste ter comigo no último domingo?» E a jovem Santa parecia exactamente a sua própria filha que imaginara há anos. E ele que não tinha filha nenhuma! E, no sonho, dizia à Santa Teresinha: «É assim que falas comigo? Esqueceste-te que sou o teu pai?» A Santa Teresinha respondia: «Desculpa, pai, mas faz-me um favor e vem ter comigo depois de amanhã, no domingo, à capela de Ste Marie des Batignolles».
Joseph Roth
- A Lenda do Santo Bebedor
(excerto - Tradução de Álvaro Gonçalves)
PARLATÓRiO

Creio que empreendi o caminho correcto - primeiro dediquei-me à experiência prática, cantando e tocando instrumentos, e só depois me devotei à composição…
Franz Joseph Haydn

MEMÓRiA

24MAI1899-1984 - Henri Michaux: Escritor e artista belga, poeta e pintor, naturalizado francês (1955), autor de Capturar / Saisir (1979) - «Com sinais capturar uma situação, que maravilha! Que transfiguração!». IMAG.704

25MAI1919-1995 - Fernando Teixeira Curado Ribeiro, aliás Fernando Curado Ribeiro: Artista português, de cinema, teatro e rádio - «Actores, há muitos - mas senhores actores, como ele, infelizmente existem poucos. Era um homem de bom humor, que amava a vida e morreu rapaz» (Varela Silva). IMAG.44-228-574

1894-27MAI1939 - Moses Joseph Roth, aliás Joseph Roth: Escritor austríaco - «Sim, ansiava pelo mar, nas profundezas do qual cresciam, ou antes – como ele pensava – moviam-se os corais. Não havia, em parte alguma, ninguém com quem pudesse desabafar sobre a sua saudade, tinha de a trazer fechada dentro de si, tal como o mar abrigava os corais.» (O Leviatã).

1907-28MAI1989 - Baltazar Lopes da Silva, aliás Osvaldo Alcântara: Poeta, ficcionista e linguista cabo-verdiano, autor de Chiquinho (1947) e Os Trabalhos e os Dias (1987) - «Eu estarei de mãos postas, à espera do tesouro que me vem na onda do mar… / A minha principal certeza é o chão em que se amachucam os meus joelhos doloridos, / mas todos os que vierem me encontrarão agitando a minha lanterna de todas as cores / na linha de todas as batalhas.» (Ressaca - excerto). IMAG.607

1732-31MAI1809 - Franz Joseph Haydn: Compositor austríaco - «Sempre ouvi mais do que estudei. Assim, pouco a pouco, os meus conhecimentos e capacidades foram-se desenvolvendo… Também, nunca me tornei muito rápido a criar. Sempre escrevi cuidadosa e meticulosamente».
IMAG.40-219-228-240-269-271-272-273-275-276-282-285-295-296-322-349-364-407-440-472-544-589-605-680

ANUÁRiO

1734-1819 - José Monteiro da Rocha: Matemático e precursor da moderna astronomia portuguesa, autor de Memória Sobre a Determinação das Órbitas dos Cometas (Academia Real das Ciências de Lisboa - 1782) - «Lá fora o [seu] trabalho nunca chegou a ser conhecido, mas, se o tivesse sido, poder-se-ia hoje ter também o nome deste português a par do alemão [Wilhelm] Olbers, como sendo os primeiros inventores de um método prático para a determinação das órbitas parabólicas dos cometas» (Fernando Figueiredo - autor de José Monteiro da Rocha e a Atividade Científica do Observatório Astronómico e da Faculdade de Matemática de 1772-1820 - Coimbra, 2011). IMAG.462

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Em Viagem Pela Europa de Leste de Gabriel García Márquez (1927-2014); tradução de J. Teixeira de Aguillar.  
IMAG.13-224-261-294-391-509-601

Assírio & Alvim edita Poesia de Mário Cesariny (1923-2006); organização de Perfecto E. Cuadrado.  
IMAG.17-19-20-29-66-123-179-430-442-475-486-505-537-582-587-641-647-657-669-693

Warner edita em CD e DVD, Fantaisies de Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) e Robert Alexander Schumann (1810-1856) pelo pianista Piotr Anderszewski.
IMAG.36-55-68-90-102-105-106-118-172-186-194-203-205-216-217-220-227-233-268-277-278-284-285-290-301-317-321-341-342-344-349-365-375-406-418-431-449-458-475-500-503-509-534-547-572-589-597-605-640-666-667-686-688-703

Companhia das Letras edita Benjamim de Chico Buarque.  
IMAG.74-103-166-258-596

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

BUÇO COM LEITE MANCHA O COLETE - 11

Ali inquilino eventual, Euzebio Serra susteve-o com um empurrão. O Cunha reagiu à esquerda, e enviou-lhe uma facada. Com tal força que, aparando-a o dito Remexido com o braço direito, o ferro lho varou de lado a lado, até atingir ao peito. Logo, o Cunha foi esconder-se no Jardim de Santos, entre umas dálias, onde o guarda Número 39 de 3ª Esquadra lhe deitou a mão.
Continua