sexta-feira, junho 09, 2017

Quadradinhos Portugueses - Olhares & Estilos

Revelando, desde as primeiras manifestações, contactos e referências quanto às suas congéneres, logo europeias e americanas, a banda desenhada em Portugal cedo exprimiu, pela criatividade artística ou no apreço dos leitores, uma motivação original sobre os temas explorados e as distintas facetas de concretização.

Entre a afirmação dos pioneiros e a evolução das vanguardas, as nossas histórias em quadradinhos consumar-se-iam por singulares talento e longevidade. Para além de escolas, de movimentos, ou de eventuais alcances jornalísticos e editoriais. Por outro lado, o recurso tecnológico tornou-se mais que um suporte relevante.

Pelas vertentes lúdica e didáctica, sob os auspícios culturais ou de entretenimento, fluindo o privilégio do imaginário quanto ao primado narrativo, em sagração realista, poética ou fantástica, da evocação tradicional à perspectiva actual ou futurista, sobressaem o engenho e a sensibilidade, o fascínio, a espontaneidade e o apuro.

Detalhando o esboço pelo domínio da maturidade, conferindo interesse juvenil ao entrecho para adultos, envolvendo alternativas em prol da simplicidade, suscitando a ponderação no desfecho da aventura, exercendo verosimilhança pelo contexto simbólico, expandindo uma cadência subtil entre contrastes e subentendidos...

Em testemunho e representatividade, Quadradinhos Portugueses propõe um percurso esparso mas sintomático por tais Olhares & Estilos, para o qual se convocaram autores de várias épocas e tendências. A todos, foi solicitada uma escolha prévia e pessoal a partir dos materiais disponíveis, e que considerassem significativos.

Atendendo às diversas fases de concepção e processamento, bem como ao modo próprio de elaboração por cada artista, expõem-se diferentes tipos de imagens ou pranchas – delineadas, finalizadas, digitalizadas ou impressas, em preto e branco ou a cores. Eis a dinâmica peculiar e complexa que caracteriza os quadradinhos.

Tributo e memória, convite ao sonho, ensaio ou reinvenção, revitalização convencional, projecto insólito, matriz das consciências, viagem alegórica, fulcro de identidades, sagração colectiva, portal da evasão – em realce modelar por indícios e palavras, alusões e silêncios, sugerindo ou ilustrando, em rotura ou reincidência…

Ao salientar uma visão autónoma em banda desenhada, pelas virtualidades gráficas e estéticas, sobre quaisquer géneros ou abordagens, reflectem-se ainda os aspectos múltiplos de partilha e contiguidade. Assim ressalta, também, de uma ampla experiência entre nós – e que, agora, temos patente nos seus traços e estímulos essenciais.

José de Matos-Cruz

Quadradinhos Portugueses - Olhares & Estilos
Cidadela Art District | 24 Junho-3 Setembro | Entrada gratuita

quinta-feira, junho 08, 2017

IMAGINÁRiO #666

José de Matos-Cruz | 08 Julho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

TRADIÇÕES
Um dos filmes de Leitão de Barros (1896-1967) que maior consenso granjeou, cumulando admiradores e rendendo críticos, Ala-Arriba! (1942) é, também, o único que «faria da mesma forma, segundo o mesmo estilo técnico, e reincidindo no mesmo casting». O argumento original inspirou-se em O Poveiro, obra de A. Santos Graça, rica em termos descritivos; elaborou-o Alfredo Cortez, partindo de um caso verídico. Houve, depois, que encontrar soluções de compromisso, na planificação - como esclareceu Fernando Fragoso, que assistiu à sua génese - para «tornar compreensíveis certos usos e costumes dos poveiros». Consciente do terreno em que se movia, Leitão de Barros - sempre determinado entre o documentário e a ficção, num jogo de incidências recíprocas - alertou que Ala-Arriba! deve «ser considerado num plano especial». Tendo recorrido a actores profissionais ou amadores, de Maria do Mar (1930) - que medeia a trilogia litoral, após Nazaré, Praia de Pescadores e Zona de Turismo (1929) - a Lisboa, Crónica Anedótica (1930), fora deste contexto ambiental, Leitão de Barros deixa aos «pescadores autênticos, peixeiros, operários humildes dos arredores da Póvoa de Varzim» a assunção dos seus dramas e vivências. Só Maria Olguim, como suporte, e Luís Pinto, que narra a tradição, vêm de fora…
IMAG.68-76-78-82-94-95-103-115-130-154-161-164-175-180-221-222-227-232-239-242-245-269-297-307-327-370-395-436-500-583-601-606-616-638-639

CALENDÁRiO

08MAR-15ABR2017 - Em Lisboa, Galeria Baginski apresenta Romanian Dances - exposição de pintura de Mariana Gomes.

10MAR-22ABR2017 - Em Lisboa, Galeria 3+1 apresenta A Múmia e o Astronauta exposição de pintura de Jorge Queiroz. IMAG.351-603-621

11MAR-22ABR2017 - No Porto, Galeria Ap’Arte apresenta Tempos do Nosso Tempo - exposição de pintura de Gil Teixeira Lopes. IMAG.236-499

13MAR-22ABR2017 - Em Lisboa, Casa-Museu Medeiros e Almeida expõe Isto Não É Só Um Écran - Noronha da Costa - 50 Anos de Pintura (1967-2017), sendo curador Bernardo Pinto de Almeida. IMAG.32-405-495-498-604

16MAR2017 - Cinemundo estreia Malapata (2017) de Diogo Morgado; com Marco Horácio e Rui Unas. IMAG.200-248-253-408-541

16MAR-29ABR2017 - Em Lisboa, Galeria Quadrado Azul apresenta Walls and Torsos - exposição de escultura, desenho e material impresso de Gonçalo Sena. IMAG.597

192618MAR2017 - Charles Edward Anderson, aliás Chuck Berry: Músico americano, compositor e intérprete, pioneiro do rock’n’roll - «Com o silêncio definitivo da sua guitarra Gibson, morre mais um pouco do rock e da sua envolvente mitologia» (João Gobern). IMAG.384

18MAR-29OUT2017 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo expõe Carlos de Oliveira [1921-1981]: A Parte Submersa do Iceberg - sobre «um dos maiores vultos da literatura portuguesa do Século XX», sendo curador Osvaldo Silvestre. IMAG.79-237-329-440-544-553

30MAR-25JUN2017 - Em Lisboa, Museu do Design e da Moda/MUDE expõe, no Palácio Pombal, O Mais Profundo É a Pele - sobre a colecção de pele tatuada e desenhos do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciência Forense/INMLCF, sendo curadores Catarina Pombo Nabais e Carlos Branco.

PARLATÓRiO

Muitos artistas assemelham-se a crianças grandes. Picasso, por exemplo, tem um rosto juvenil. Churchill, também. E Stravinski, Orson Welles, Hindemith. Poderia citar-se, igualmente, Mozart. Claro que não conhecemos, exactamente, a sua fisionomia. Mas, a julgar pelos retratos pintados, parece uma criança grande. E Beethoven, lembra um miúdo colérico.
Quando entro num estúdio, ou disponho de uma câmara, com técnicos à volta, apercebo-me disso. Então, digo: «É engraçado, vamos iniciar um jogo». Lembro-me exactamente como, quando era pequeno, retirava os brinquedos do baú, antes de brincar… Um pouco mais ou menos, a sensação que tenho quando começo a realizar um filme.
Ingmar Bergman

MEMÓRiA

20FEV1888-05JUL1948 - Louis-Émile-Clément-Georges Bernanos, aliás Georges Bernanos: Escritor e jornalista francês, autor de
Diário de Um Pároco de Aldeia - «O vento que a máquina deslocava deixara de ser, como de princípio, o obstáculo a que eu me apoiava com todo o meu peso, tinha-se tornado um corredor vertiginoso, um vazio entre duas colunas de ar activado a uma velocidade fulminante.». IMAG.593

14JUL1918-2007 - Ernst Ingmar Bergman, aliás Ingmar Bergman: Cineasta e encenador sueco - «Não tenho religião. É algo que, para mim, não significa nada. Só me interessa, na medida em que se trata de um poder que impõe às pessoas limites e restrições». IMAG.28-112-113-125-158-186-215-331-362-399-412-422-470-495-540-620

INVENTÁRiO

FANNY E ALEXANDRE
Um olhar perturbante sobre a realidade, esmaltado por visões volúveis entre a história e o imaginário, tal é a estratégia indispensável para envolver o fenómeno espectacular de certos filmes - que, à primeira vista, se consumariam no impacto insinuante dos seus efeitos e artifícios. Aliás, prenúncios contemplados desde sempre pelo cinema - com uma inquietação simbólica, como Ingmar Bergman sagrou em Fanny e Alexandre / Fanny och Alexander (1982), com Erland Josephsson e Harriet Andersson.
Uma pequena aldeia sueca, pelo início do Século XX. As únicas alterações derivam das mudanças de estação, ao longo do ano. O teatro local fora comprado por um rico comerciante, depois de casar com uma jovem e popular actriz de Estocolmo. Tendo-se instalado no outro lado da praça, numa acolhedora vivenda, três filhos nasceram. Entretanto, Helena enviuvou, dedicando-se à família e aos negócios herdados…
Realizador e argumentista, sobre implicações autobiográficas de infância, Ingmar Bergman sagra «uma história ao mesmo tempo tranquila, terrível e divertida. O meu filme mais romântico» - galardoado com três Oscars. 

BREVIÁRiO

Paulinas edita
Diário de Um Pároco de Aldeia de Georges Bernanos (1888-1948); tradução de João Gaspar Simões.

Zest edita Portugal por/by Urban Sketchers de Urban Sketchers Portugal. IMAG.544-631

Porto Editora lança Cadernos de Lanzarote III de José Saramago (1922-2010). IMAG.38-75-155-158-196-198-224-241-245-252-263-268-311-331-385-394-412-475-521-539-553-564-585-655-664

Artes & Letras edita Sonetos Completos de Antero de Quental (1842-1891).IMAG.59-147-338-367-371-577-585-639

Porto Editora lança Ronda das Mil Belas Em Frol de Mário de Carvalho. IMAG.327-410-528-541-542-543-581-603-612-618

Dom Quixote edita As Mentiras Que as Mulheres Contam de Luís Fernando Veríssimo.

ANUÁRiO

1528-1584 - Frei Heitor da Covilhã, aliás Frei Heitor Pinto: Escritor português, monge da Ordem de São Jerónimo, autor de
Imagem da Vida Cristã Ordenada Por Diálogos - «Assim como as ervas do Outono nascem frescas com as primeiras águas, mas queimam-se logo com os frios de Novembro, assim as amizades inconstantes começam com as primeiras palavras do primeiro encontro e acabam-se à primeira experiência que delas se faz».

COMENTÁRiO

Ninguém é bom senão Deus. Assim como o centro é um indivisível, e está no meio e dele saem as linhas para a circunferência, assim Deus é uma unidade simplícissima, um acto puríssimo, que está em todas as coisas, do qual procedem os raios de formosura das criaturas. Ele está dentro em nós, e é fonte de todo o ser, sendo mesmo nosso ser, mais íntimo a nós que nós.
Frei Heitor Pinto
VISTORiA

seguindo o fio
da tinta
que desenha
as palavras
e tenta
fugir ao tumulto
em que as raízes
grassam,
engrossam, embaraçam
a escrita
e o escritor:
Carlos de Oliveira
- Micropaisagem (1969)
EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ
- 12

E se tivessem nascido outros? Como assim, únicos – a divergência que entretanto assumiriam.
E se pudessem morrer autênticos? Quem então, impessoais – anteriores ao sobressalto da sua coincidência.
Continua

terça-feira, junho 06, 2017

IMAGINÁRiO #665

José de Matos-Cruz | 01 Julho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

INDEPENDENTES
Ao longo dos anos, os leitores de Reneé French formaram uma elite dedicada e sem reservas. Desde a sua revelação com Grit Bath, até às novelas gráficas The Ninth Gland e Corny’s Fetish, sob chancela Dark Horse, o talento desta artista sensível, mas aliciante, foi conquistando o público e a crítica. Até que tudo se alterou em 2001, com Marbles In My Underpants. Por iniciativa da Oni Press, eis o primeiro álbum retrospectivo na carreira de French. Ou melhor, uma colectânea volumosa, especialmente dedicada aos adultos - pois concilia um olhar cúmplice sobre os dilemas da vida moderna, com a delicadeza surreal das suas personagens triviais. Esta viragem editorial de French tornou-se, aliás, uma oportunidade significativa - para avaliar o modo como os quadradinhos americanos, gerados pela expressão independente ou periférica, mantêm intactas a frescura de testemunho, ou a distorção onírica que consagraram o seu culto. Para French, trata-se - sobretudo - de ampliar o leque dos que apreciam a diferença da sua criatividade: «Não me interessa, apenas, aumentar a lista de admiradores, mas fazer de cada um deles o meu fã número 1»…


CALENDÁRiO

04FEV-07MAI2017 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta A Time Coloured Space - exposição de desenho, escultura e instalação de Philippe Parreno (França), sendo comissária Suzanne Cotter.

03MAR-22MAI2017 - Em Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian apresenta Versailles. A Face Escondida do Sol - exposição de fotografia de Manuela Marques, sendo curadores João Carvalho Dias e Nuno Vassallo e Silva.

07MAR-28MAI2017 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe Álvaro Siza Vieira: Visões da Alhambra, sendo curador António Choupinha. IMAG.41-56-298-424-432-447-495-510-579-611-620-627

09MAR2017 - NOS Audiovisuais estreia São Jorge (2016) de Marco Martins; com Nuno Lopes e Mariana Nunes. IMAG.58-125-292-300-499

10MAR-29ABR2017 - Bedeteca da Amadora apresenta
Banda Escrita: David Soares - Uma Exposição Em Torno do Trabalho do Argumentista. IMAG.6-358-410-605

VISTORiA
Enquanto os homens se contentaram com as suas cabanas rústicas, enquanto se limitaram a coser as suas roupas de peles com espinhos ou arestas de pau, a enfeitarem-se com plumas e conchas, a pintar o corpo de diversas cores, a aperfeiçoar ou embelezar os seus arcos e flechas, a talhar com pedras cortantes algumas canoas de pesca ou grosseiros instrumentos de música; em uma palavra, enquanto se aplicaram exclusivamente a obras que um só podia fazer, e a artes que não necessitavam do concurso de muitas mãos, eles viveram livres, sãos, bons e felizes, tanto quanto podiam ser pela sua natureza, e continuaram a gozar entre si das doçuras de uma convivência independente. Mas, desde o instante em que um homem teve necessidade do socorro de outro; desde que percebeu que era útil a um só ter provisões para dois, a igualdade desapareceu, a propriedade foi introduzida, o trabalho tornou-se necessário e as vastas florestas transformaram-se em campos risonhos que foi preciso regar com o suor dos homens, e nos quais, em breve, se viram germinar a escravidão e a miséria a crescer com as colheitas.
Jean-Jacques Rousseau
- Origem da Desigualdade Entre os Homens

VISTORiA

Vem, Vento, Varre!

Vem vento, varre
sonhos e mortos.
Vem vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
nocturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só cobardia.

Que fique apenas
erecto e duro
o tronco estreme
de raiz funda.
Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.
Vem vento, varre!
Adolfo Casais Monteiro

MEMÓRiA

1712-02JUL1778 - Jean-Jacques Rousseau: Escritor e filósofo de origem suíça, teórico político, autor de O Contrato Social - «O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: “Isto é meu!”, e encontrou pessoas bastante simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao género humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: “Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdidos, se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém!”». IMAG.185-270-309-376-555

04JUL1908-1972 - Adolfo Casais Monteiro: Escritor português e crítico literário - «Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim / A vida que não se troca por palavras. / Deram-mo para eu guardar dentro de mim / As vozes que só em mim são verdadeiras. / Deram-mo para eu guardar dentro de mim / A impossível palavra da verdade.». IMAG.58-82-185-233-335-379

07JUL1858-1941 - José Leite de Vasconcellos Cardoso Pereira de Melo, aliás Leite de Vasconcellos: Arqueólogo, etnógrafo, linguista e filólogo português - «Convém conservar certos costumes que não contradizem formalmente o progresso e, pelo contrário, servem para pôr ou manter no espírito dos cidadãos o apego à vida local». IMAG.128-185-196-651

GALERiA

Versailles - A Face Escondida do Sol

Percorrendo os espaços mais recônditos, Manuela Marques capturou atmosferas e registou pormenores de objectos sumptuosos ou grafitis inesperados, e ainda sons que remetem para a vivência contemporânea dos espaços, lugar de trabalho para uns, e de deleite para os milhões de visitantes que percorrem as suas salas, corredores, jardins.

Este projecto, que tem Versalhes como epicentro, suscitou a criação de um itinerário, que se alargou pelas galerias de arte francesa do Século XVIII da colecção Calouste Gulbenkian, destacando, entre outros temas, o mecenato régio, as indústrias do luxo e o dinamismo da actividade cultural, que encontrou na produção editorial um dos seus momentos mais significativos. Para todos eles, a colecção apresenta importantes exemplares em exposição permanente ou provenientes das reservas, permitindo que sejam mostrados pela primeira vez. Merecem particular destaque obras de ourivesaria, mobiliário, pintura, têxteis, porcelanas e arte do livro, muitas das quais encomendas régias e da nobreza francesa entre os reinados de Luís XIV e Luís XVI.

BREVIÁRiO

Abysmo edita A Minha Casa Não Tem Dentro de António Jorge Gonçalves. IMAG.19-169-183-195-227-252-292-296-310-342-356-430-433-498-521-551-595

Polydor edita em CD, Blue & Lonesome por The Rolling Stones.
IMAG.54-118-206-309-313-384-463-556-655

Pianola edita Judea de Diniz Conefrey.
IMAG.289-301-325-332-377-395-430-448-504-534-596-624-651

E-Primatur edita Casos de Direito Galáctico e Outros Textos Esquecidos de Mário-Henrique Leiria (1923-1980). IMAG.165-190

Caminho edita O Convidador de Pirilampos de Ondjaki (narrativa) e António Jorge Gonçalves (ilustração).
IMAG.19-169-183-195-227-252-292-296-310-342-356-430-433-498-521-551-595

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 11

Melancolia mansa, fúria selvagem. Nunca mais.
Por natureza, nunca mais seriam. Profanados, destilavam o paradoxo de tal perplexidade, numa existência alternativa.
Continua 
 

sábado, junho 03, 2017

IMAGINÁRiO EXTRA - PALESTRA COM JOÃO MASCARENHAS


O dinâmico autor João Mascarenhas, responsável pelo selo editorial Extratus e autor de diversos livros de banda desenhada, tais como O Menino Triste e Butterfly Chronicles, marca presença em palestra no auditório da Bedeteca José de Matos-Cruz, na Biblioteca S.Domingos de Rana, dia 3, às 16h00. A palestra intitula-se "Fontes de Inspiração na BD: Do Tintim ao Menino Triste." 


quinta-feira, junho 01, 2017

IMAGINÁRIO EXTRA - 3ª Conversa(s) sobre Banda Desenhada: Jorge Magalhães & Catherine Labey

A meio do seu 2º ano de existência, a Bedeteca José de Matos-Cruz – integrada na Biblioteca de S. Domingos de Rana, das bibliotecas municipais de Cascais – promove a 3ª Conversa(s) sobre Banda Desenhada, no próximo dia 8 de Julho, sábado, às 16h, um encontro com o casal de autores portugueses Jorge Magalhães (argumentista e editor de banda desenhada) e Catherine Labey (ilustradora e autora de BD), sob o tema "Experiências Partilhadas," com moderação por José de Matos-Cruz.
A entrada é gratuita e limitada aos lugares existentes, e agradece-se a divulgação da iniciativa.

quarta-feira, maio 31, 2017

IMAGINÁRiO #664

José de Matos-Cruz | 24 Junho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO

MOTIVAÇÕES
Alberto Seixas Santos (1936-2016) é uma referência essencial do cinema português, a partir da geração que se afirmaria por uma identidade crítica e uma consciência de autor - os seus fantasmas e obsessões, os seus conflitos e confissões. Ensaiada a curta metragem documental, nessa ainda precária viragem da década de ’60 do Século XX, a longa revelação ficcional de Seixas Santos processou-se em 1974, com Brandos Costumes. Em causa, um certo espírito, nosso, em declínio e desolação, simbolicamente vinculado à morte do pai político e doméstico. O término de Salazar teve pois, como paralelismo, um outro luto na família em que fomos gerados e amadurecemos… Desde então - seguindo por Gestos & Fragmentos (1982), Paraíso Perdido (1992) e Mal (1999) - até E o Tempo Passa (2011), a carreira de Seixas Santos assinala uma vivência assombrada e crepuscular - de frustrações, desaires, medos, traições, angústias, roturas, decepções, memórias. Especulando uma lucidez aguda, através da realidade e das pessoas, até ao mais íntimo em que se tem degenerado quem somos, com a própria erosão comunitária. Apesar da entranhada expectativa numa ressurreição, e dos sinais exteriores que tal contrastam… IMAG.22-67-91-158-347-652

CALENDÁRiO

21JAN-01MAI2017 - Em Lisboa, Pavilhão de Portugal expõe Tutankamon: Segredos do Egipto - sobre as revelações (1922) ao arqueólogo Howard Carter (1873-1939). IMAG.81-108

23FEV-07MAI2017 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta, em Projectos Contemporâneos, Yo-Yo - exposição de pintura de Ana Manso, sendo comissário Ricardo Nicolau. IMAG.651

25FEV-01ABR2017 - No Porto, Galeria AMIarte apresenta From the Warehouse - exposição de pintura de Ricardo Campos.

03MAR-28MAR2017 - Em Tomar, Convento de Cristo apresenta Eduardo Souto de Moura: Continuidade - exposição de arquitectura, sendo curadores António Sérgio Koch e André de França Campos. IMAG.249-349-529-611-627

03-31MAR2017 - Em Odivelas, Centro Cultural Malaposta apresenta Art Feelings - exposição de pintura de Sofia Simões.

04MAR-25ABR2017 - Em Lisboa, Torreão Nascente da Cordoaria Nacional apresenta Tempo Depois do Tempo - exposição de Fotografia (1970-2017) de Alfredo Cunha. IMAG.398

04MAR-07MAI2017 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva expõe Arpad Szènes [1897-1985] e Vieira da Silva [1908-1992] - Os Anos do Exílio No Brasil (1940-1947). IMAG.14-39-42-75-134-168-182-224-227-382-386-392-434-461-486-490-499-500-502-522-554-567-579-603-604-609-662

04MAR-07MAI2017 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta a exposição de fotografia Armindo Cardoso - Heróis, Povo e Paisagem Chilena.

TRAJECTÓRiA

Roald Amundsen
Nasceu em Borge, perto de Oslo, a 16 de Julho de 1872, numa família de armadores noruegueses. Não surpreende, por isso, que a paixão pelo mar cedo lhe tenha marcado a vida, apesar dos esforços da sua mãe que quer afastar da empresa da família o seu quarto filho. É assim que o orienta para o estudo da medicina, pedindo-lhe que não a abandone pelo mar; promessa que o jovem quebra após a morte da mãe. Foi ele quem chefiou a primeira expedição à Antárctida para atingir o Pólo Sul (1910-1912), e foi também o primeiro europeu a fazer com sucesso a travessia da Passagem Noroeste (1903-1906). A morte surpreendeu, aos 56 anos, este explorador norueguês que partira em auxílio de um explorador italiano (Nobile): o seu avião despenhou-se três horas após ter levantado voo.
17AGO2009 - Diário de Notícias

MEMÓRiA

1872-18JUN1928 - Roald Engelbregt Gravning Amundsen, aliás Roald Amundsen: Explorador norueguês - «O sucesso aguarda aquele que tem tudo organizado - é o que se costuma designar de sorte. A derrota é certa para quem não tomou as devidas precauções - é o que se costuma designar de azar». IMAG.183-350-379


26JUN1938-2016 - Francisco António de Vasconcelos Nicholson, aliás Francisco Nicholson: Artista português, dramaturgo e argumentista, encenador e actor de teatro, cinema e televisão - «Considero que ele é o melhor autor de telenovelas que já existiu neste país» (Rui Mendes). IMAG.615

ANUÁRiO

1928-2011 - Mariano Ayuso Bruno, aliás Mariano Ayuso: Ensaísta e editor espanhol de quadradinhos, fez parte do Grupo de Madrid da segunda geração de críticos e historiadores de banda desenhada, tendo realizado conferências em Itália, França, Portugal e México. IMAG.385-396

COMENTÁRiO

E os Quadradinhos Nasceram Adultos…

Não é exactamente correcto que os quadradinhos sejam um divertimento para crianças. Sem dúvida, são feitos por adultos e nasceram na imprensa, onde tiveram a sua principal difusão através das tiras diárias nos jornais (daily strips). Todos sabemos que é o pai quem compra os jornais e, praticamente, só os lêem os adultos. Além das tiras diárias de imprensa, de segunda a sábado, ao domingo publica-se, independente do respectivo jornal, um suplemento a cores que, uma vez visto pelo pai, comodamente sentado na sua poltrona, passa para o filho, caso aquele o considere conveniente… Tais suplementos, a cores, publicavam uma página completa (sunday strips) que, por vezes, seguia a trama da história em quadradinhos iniciada em tira diária…
Mariano Ayuso

ANTIQUÁRiO

26NOV1922 - Liderando uma expedição científica financiada por Lord Carnavon ao Vale dos Reis, a mais importante jazida arqueológica do Egipto, Howard Carter (1873-1939) - apoiando-se nos indícios descobertos por Theodore Monroe Davis - divisa, através de uma estreita abertura motivada por árduas escavações, «coisas maravilhosas»: objectos de ouro, estátuas com forma de animais, e o túmulo de Tutankamon.

PARLATÓRiO

Assim se rasgou para sempre o véu, e um dos maiores segredos da Terra deixou de existir…
Roald Amundsen
(1911, ao atingir o Pólo Sul)

BREVIÁRiO

Livros RTP edita Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago (1922-2010). IMAG.38-75-155-158-196-198-224-241-245-252-263-268-311-331-385-394-412-475-521-539-553-564-585-656

Dom Quixote edita Anunciações de Maria Teresa Horta. IMAG.100-144-251-351-581-614-637


Âncora Editora lança Carolina Beatriz Ângelo [1878-1911] - Pioneira Na Cirurgia e No Voto de José Ruy, sendo consultor científico João Esteves. IMAG.4-16-19-36-61-78-96-117-129-141-149-197-223-224-252-263-267-271-279-305-392-416-430-504-514-531-553-607-639-Extra

Temas e Debates edita A Invenção da Natureza de Andrea Wulf; sobre Alexander von Humboldt (1769-1859), tradução de Pedro Vidal. IMAG.146-421-518

Harmonia Mundi edita em CD, Johannes Brahms [1833-1897]: Vier Ernste Gesänge pelo barítono Matthias Goerne, com o pianista Christoph Eschenbach. IMAG.82-171-193-199-256-286-303-324-393-417-482-531-554-597-605-608

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 10

Algum instante, quer Ofélia quer Joel procuravam-se, com as marcas tribais da própria emanação, equívoca.
A dela, precedia-o. A dele, perseguia-a.
- És tu ou eu? – questionava a já maligna, fixando-se ao espelho. Mas logo lhe voltava as costas, como se vira a esquina para nada.
És tu ou eu! – deduzia o torcionário ao açaimar, furtando-se à sua imagem. Então, apático, ficava com o medo reflectido no olhar.
Continua