terça-feira, junho 06, 2017

IMAGINÁRiO #665

José de Matos-Cruz | 01 Julho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

INDEPENDENTES
Ao longo dos anos, os leitores de Reneé French formaram uma elite dedicada e sem reservas. Desde a sua revelação com Grit Bath, até às novelas gráficas The Ninth Gland e Corny’s Fetish, sob chancela Dark Horse, o talento desta artista sensível, mas aliciante, foi conquistando o público e a crítica. Até que tudo se alterou em 2001, com Marbles In My Underpants. Por iniciativa da Oni Press, eis o primeiro álbum retrospectivo na carreira de French. Ou melhor, uma colectânea volumosa, especialmente dedicada aos adultos - pois concilia um olhar cúmplice sobre os dilemas da vida moderna, com a delicadeza surreal das suas personagens triviais. Esta viragem editorial de French tornou-se, aliás, uma oportunidade significativa - para avaliar o modo como os quadradinhos americanos, gerados pela expressão independente ou periférica, mantêm intactas a frescura de testemunho, ou a distorção onírica que consagraram o seu culto. Para French, trata-se - sobretudo - de ampliar o leque dos que apreciam a diferença da sua criatividade: «Não me interessa, apenas, aumentar a lista de admiradores, mas fazer de cada um deles o meu fã número 1»…


CALENDÁRiO

04FEV-07MAI2017 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta A Time Coloured Space - exposição de desenho, escultura e instalação de Philippe Parreno (França), sendo comissária Suzanne Cotter.

03MAR-22MAI2017 - Em Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian apresenta Versailles. A Face Escondida do Sol - exposição de fotografia de Manuela Marques, sendo curadores João Carvalho Dias e Nuno Vassallo e Silva.

07MAR-28MAI2017 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe Álvaro Siza Vieira: Visões da Alhambra, sendo curador António Choupinha. IMAG.41-56-298-424-432-447-495-510-579-611-620-627

09MAR2017 - NOS Audiovisuais estreia São Jorge (2016) de Marco Martins; com Nuno Lopes e Mariana Nunes. IMAG.58-125-292-300-499

10MAR-29ABR2017 - Bedeteca da Amadora apresenta
Banda Escrita: David Soares - Uma Exposição Em Torno do Trabalho do Argumentista. IMAG.6-358-410-605

VISTORiA
Enquanto os homens se contentaram com as suas cabanas rústicas, enquanto se limitaram a coser as suas roupas de peles com espinhos ou arestas de pau, a enfeitarem-se com plumas e conchas, a pintar o corpo de diversas cores, a aperfeiçoar ou embelezar os seus arcos e flechas, a talhar com pedras cortantes algumas canoas de pesca ou grosseiros instrumentos de música; em uma palavra, enquanto se aplicaram exclusivamente a obras que um só podia fazer, e a artes que não necessitavam do concurso de muitas mãos, eles viveram livres, sãos, bons e felizes, tanto quanto podiam ser pela sua natureza, e continuaram a gozar entre si das doçuras de uma convivência independente. Mas, desde o instante em que um homem teve necessidade do socorro de outro; desde que percebeu que era útil a um só ter provisões para dois, a igualdade desapareceu, a propriedade foi introduzida, o trabalho tornou-se necessário e as vastas florestas transformaram-se em campos risonhos que foi preciso regar com o suor dos homens, e nos quais, em breve, se viram germinar a escravidão e a miséria a crescer com as colheitas.
Jean-Jacques Rousseau
- Origem da Desigualdade Entre os Homens

VISTORiA

Vem, Vento, Varre!

Vem vento, varre
sonhos e mortos.
Vem vento, varre
medos e culpas.
Quer seja dia,
quer faça treva,
varre sem pena,
leva adiante
paz e sossego,
leva contigo
nocturnas preces,
presságios fúnebres,
pávidos rostos
só cobardia.

Que fique apenas
erecto e duro
o tronco estreme
de raiz funda.
Leva a doçura,
se for preciso:
ao canto fundo
basta o que basta.
Vem vento, varre!
Adolfo Casais Monteiro

MEMÓRiA

1712-02JUL1778 - Jean-Jacques Rousseau: Escritor e filósofo de origem suíça, teórico político, autor de O Contrato Social - «O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: “Isto é meu!”, e encontrou pessoas bastante simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao género humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: “Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdidos, se esquecerdes que os frutos são de todos, e a terra de ninguém!”». IMAG.185-270-309-376-555

04JUL1908-1972 - Adolfo Casais Monteiro: Escritor português e crítico literário - «Deram-me o silêncio para eu guardar dentro de mim / A vida que não se troca por palavras. / Deram-mo para eu guardar dentro de mim / As vozes que só em mim são verdadeiras. / Deram-mo para eu guardar dentro de mim / A impossível palavra da verdade.». IMAG.58-82-185-233-335-379

07JUL1858-1941 - José Leite de Vasconcellos Cardoso Pereira de Melo, aliás Leite de Vasconcellos: Arqueólogo, etnógrafo, linguista e filólogo português - «Convém conservar certos costumes que não contradizem formalmente o progresso e, pelo contrário, servem para pôr ou manter no espírito dos cidadãos o apego à vida local». IMAG.128-185-196-651

GALERiA

Versailles - A Face Escondida do Sol

Percorrendo os espaços mais recônditos, Manuela Marques capturou atmosferas e registou pormenores de objectos sumptuosos ou grafitis inesperados, e ainda sons que remetem para a vivência contemporânea dos espaços, lugar de trabalho para uns, e de deleite para os milhões de visitantes que percorrem as suas salas, corredores, jardins.

Este projecto, que tem Versalhes como epicentro, suscitou a criação de um itinerário, que se alargou pelas galerias de arte francesa do Século XVIII da colecção Calouste Gulbenkian, destacando, entre outros temas, o mecenato régio, as indústrias do luxo e o dinamismo da actividade cultural, que encontrou na produção editorial um dos seus momentos mais significativos. Para todos eles, a colecção apresenta importantes exemplares em exposição permanente ou provenientes das reservas, permitindo que sejam mostrados pela primeira vez. Merecem particular destaque obras de ourivesaria, mobiliário, pintura, têxteis, porcelanas e arte do livro, muitas das quais encomendas régias e da nobreza francesa entre os reinados de Luís XIV e Luís XVI.

BREVIÁRiO

Abysmo edita A Minha Casa Não Tem Dentro de António Jorge Gonçalves. IMAG.19-169-183-195-227-252-292-296-310-342-356-430-433-498-521-551-595

Polydor edita em CD, Blue & Lonesome por The Rolling Stones.
IMAG.54-118-206-309-313-384-463-556-655

Pianola edita Judea de Diniz Conefrey.
IMAG.289-301-325-332-377-395-430-448-504-534-596-624-651

E-Primatur edita Casos de Direito Galáctico e Outros Textos Esquecidos de Mário-Henrique Leiria (1923-1980). IMAG.165-190

Caminho edita O Convidador de Pirilampos de Ondjaki (narrativa) e António Jorge Gonçalves (ilustração).
IMAG.19-169-183-195-227-252-292-296-310-342-356-430-433-498-521-551-595

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 11

Melancolia mansa, fúria selvagem. Nunca mais.
Por natureza, nunca mais seriam. Profanados, destilavam o paradoxo de tal perplexidade, numa existência alternativa.
– Continua 
 

sábado, junho 03, 2017

IMAGINÁRiO EXTRA - PALESTRA COM JOÃO MASCARENHAS


O dinâmico autor João Mascarenhas, responsável pelo selo editorial Extratus e autor de diversos livros de banda desenhada, tais como O Menino Triste e Butterfly Chronicles, marca presença em palestra no auditório da Bedeteca José de Matos-Cruz, na Biblioteca S.Domingos de Rana, dia 3, às 16h00. A palestra intitula-se "Fontes de Inspiração na BD: Do Tintim ao Menino Triste." 


quinta-feira, junho 01, 2017

IMAGINÁRIO EXTRA - 3ª Conversa(s) sobre Banda Desenhada: Jorge Magalhães & Catherine Labey

A meio do seu 2º ano de existência, a Bedeteca José de Matos-Cruz – integrada na Biblioteca de S. Domingos de Rana, das bibliotecas municipais de Cascais – promove a 3ª Conversa(s) sobre Banda Desenhada, no próximo dia 8 de Julho, sábado, às 16h, um encontro com o casal de autores portugueses Jorge Magalhães (argumentista e editor de banda desenhada) e Catherine Labey (ilustradora e autora de BD), sob o tema "Experiências Partilhadas," com moderação por José de Matos-Cruz.
A entrada é gratuita e limitada aos lugares existentes, e agradece-se a divulgação da iniciativa.

quarta-feira, maio 31, 2017

IMAGINÁRiO #664

José de Matos-Cruz | 24 Junho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO

MOTIVAÇÕES
Alberto Seixas Santos (1936-2016) é uma referência essencial do cinema português, a partir da geração que se afirmaria por uma identidade crítica e uma consciência de autor - os seus fantasmas e obsessões, os seus conflitos e confissões. Ensaiada a curta metragem documental, nessa ainda precária viragem da década de ’60 do Século XX, a longa revelação ficcional de Seixas Santos processou-se em 1974, com Brandos Costumes. Em causa, um certo espírito, nosso, em declínio e desolação, simbolicamente vinculado à morte do pai político e doméstico. O término de Salazar teve pois, como paralelismo, um outro luto na família em que fomos gerados e amadurecemos… Desde então - seguindo por Gestos & Fragmentos (1982), Paraíso Perdido (1992) e Mal (1999) - até E o Tempo Passa (2011), a carreira de Seixas Santos assinala uma vivência assombrada e crepuscular - de frustrações, desaires, medos, traições, angústias, roturas, decepções, memórias. Especulando uma lucidez aguda, através da realidade e das pessoas, até ao mais íntimo em que se tem degenerado quem somos, com a própria erosão comunitária. Apesar da entranhada expectativa numa ressurreição, e dos sinais exteriores que tal contrastam… IMAG.22-67-91-158-347-652

CALENDÁRiO

21JAN-01MAI2017 - Em Lisboa, Pavilhão de Portugal expõe Tutankamon: Segredos do Egipto - sobre as revelações (1922) ao arqueólogo Howard Carter (1873-1939). IMAG.81-108

23FEV-07MAI2017 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta, em Projectos Contemporâneos, Yo-Yo - exposição de pintura de Ana Manso, sendo comissário Ricardo Nicolau. IMAG.651

25FEV-01ABR2017 - No Porto, Galeria AMIarte apresenta From the Warehouse - exposição de pintura de Ricardo Campos.

03MAR-28MAR2017 - Em Tomar, Convento de Cristo apresenta Eduardo Souto de Moura: Continuidade - exposição de arquitectura, sendo curadores António Sérgio Koch e André de França Campos. IMAG.249-349-529-611-627

03-31MAR2017 - Em Odivelas, Centro Cultural Malaposta apresenta Art Feelings - exposição de pintura de Sofia Simões.

04MAR-25ABR2017 - Em Lisboa, Torreão Nascente da Cordoaria Nacional apresenta Tempo Depois do Tempo - exposição de Fotografia (1970-2017) de Alfredo Cunha. IMAG.398

04MAR-07MAI2017 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva expõe Arpad Szènes [1897-1985] e Vieira da Silva [1908-1992] - Os Anos do Exílio No Brasil (1940-1947). IMAG.14-39-42-75-134-168-182-224-227-382-386-392-434-461-486-490-499-500-502-522-554-567-579-603-604-609-662

04MAR-07MAI2017 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta a exposição de fotografia Armindo Cardoso - Heróis, Povo e Paisagem Chilena.

TRAJECTÓRiA

Roald Amundsen
Nasceu em Borge, perto de Oslo, a 16 de Julho de 1872, numa família de armadores noruegueses. Não surpreende, por isso, que a paixão pelo mar cedo lhe tenha marcado a vida, apesar dos esforços da sua mãe que quer afastar da empresa da família o seu quarto filho. É assim que o orienta para o estudo da medicina, pedindo-lhe que não a abandone pelo mar; promessa que o jovem quebra após a morte da mãe. Foi ele quem chefiou a primeira expedição à Antárctida para atingir o Pólo Sul (1910-1912), e foi também o primeiro europeu a fazer com sucesso a travessia da Passagem Noroeste (1903-1906). A morte surpreendeu, aos 56 anos, este explorador norueguês que partira em auxílio de um explorador italiano (Nobile): o seu avião despenhou-se três horas após ter levantado voo.
17AGO2009 - Diário de Notícias

MEMÓRiA

1872-18JUN1928 - Roald Engelbregt Gravning Amundsen, aliás Roald Amundsen: Explorador norueguês - «O sucesso aguarda aquele que tem tudo organizado - é o que se costuma designar de sorte. A derrota é certa para quem não tomou as devidas precauções - é o que se costuma designar de azar». IMAG.183-350-379


26JUN1938-2016 - Francisco António de Vasconcelos Nicholson, aliás Francisco Nicholson: Artista português, dramaturgo e argumentista, encenador e actor de teatro, cinema e televisão - «Considero que ele é o melhor autor de telenovelas que já existiu neste país» (Rui Mendes). IMAG.615

ANUÁRiO

1928-2011 - Mariano Ayuso Bruno, aliás Mariano Ayuso: Ensaísta e editor espanhol de quadradinhos, fez parte do Grupo de Madrid da segunda geração de críticos e historiadores de banda desenhada, tendo realizado conferências em Itália, França, Portugal e México. IMAG.385-396

COMENTÁRiO

…E os Quadradinhos Nasceram Adultos…

Não é exactamente correcto que os quadradinhos sejam um divertimento para crianças. Sem dúvida, são feitos por adultos e nasceram na imprensa, onde tiveram a sua principal difusão através das tiras diárias nos jornais (daily strips). Todos sabemos que é o pai quem compra os jornais e, praticamente, só os lêem os adultos. Além das tiras diárias de imprensa, de segunda a sábado, ao domingo publica-se, independente do respectivo jornal, um suplemento a cores que, uma vez visto pelo pai, comodamente sentado na sua poltrona, passa para o filho, caso aquele o considere conveniente… Tais suplementos, a cores, publicavam uma página completa (sunday strips) que, por vezes, seguia a trama da história em quadradinhos iniciada em tira diária…
Mariano Ayuso

ANTIQUÁRiO

26NOV1922 - Liderando uma expedição científica financiada por Lord Carnavon ao Vale dos Reis, a mais importante jazida arqueológica do Egipto, Howard Carter (1873-1939) - apoiando-se nos indícios descobertos por Theodore Monroe Davis - divisa, através de uma estreita abertura motivada por árduas escavações, «coisas maravilhosas»: objectos de ouro, estátuas com forma de animais, e o túmulo de Tutankamon.

PARLATÓRiO

Assim se rasgou para sempre o véu, e um dos maiores segredos da Terra deixou de existir…
Roald Amundsen
(1911, ao atingir o Pólo Sul)

BREVIÁRiO

Livros RTP edita Ensaio Sobre a Cegueira de José Saramago (1922-2010). IMAG.38-75-155-158-196-198-224-241-245-252-263-268-311-331-385-394-412-475-521-539-553-564-585-656

Dom Quixote edita Anunciações de Maria Teresa Horta. IMAG.100-144-251-351-581-614-637


Âncora Editora lança Carolina Beatriz Ângelo [1878-1911] - Pioneira Na Cirurgia e No Voto de José Ruy, sendo consultor científico João Esteves. IMAG.4-16-19-36-61-78-96-117-129-141-149-197-223-224-252-263-267-271-279-305-392-416-430-504-514-531-553-607-639-Extra

Temas e Debates edita A Invenção da Natureza de Andrea Wulf; sobre Alexander von Humboldt (1769-1859), tradução de Pedro Vidal. IMAG.146-421-518

Harmonia Mundi edita em CD, Johannes Brahms [1833-1897]: Vier Ernste Gesänge pelo barítono Matthias Goerne, com o pianista Christoph Eschenbach. IMAG.82-171-193-199-256-286-303-324-393-417-482-531-554-597-605-608

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

MAL TORNA AO CRIADOR QUEM, SUJEITO, SE REFAZ - 10

Algum instante, quer Ofélia quer Joel procuravam-se, com as marcas tribais da própria emanação, equívoca.
A dela, precedia-o. A dele, perseguia-a.
- És tu ou eu? – questionava a já maligna, fixando-se ao espelho. Mas logo lhe voltava as costas, como se vira a esquina para nada.
– És tu ou eu! – deduzia o torcionário ao açaimar, furtando-se à sua imagem. Então, apático, ficava com o medo reflectido no olhar.
– Continua

quarta-feira, maio 24, 2017

IMAGINÁRiO #663

José de Matos-Cruz | 16 Junho 2018 | Edição Kafre | Ano XV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CONQUISTADORES
Historicamente, a geografia lendária de El Dorado exalta uma dimensão onírica e visionária, privilegiada sobre Lope de Aguirre. Aquele que ao participar, em 1560, na expedição saída de Puerto de Lamas no Perú, em demanda do reino de Omagua, se converteria no mais infame e sangrento conquistador. Exposta à cupidez de fabulosas riquezas - que, no imaginário dos indígenas, se localizavam sempre mais longe - tal digressão acabou por configurar a expiação de homens que instituíram o seu próprio inferno. Entre a verdade e a invenção, a Dreamworks decidiu suavizar a trama, sem descurar a utopia inerente à Cidade do Ouro, que teria sobrevivido por mais de meio milénio. O Caminho Para El Dorado / The Road To El Dorado (2000) de Eric Bibo Bergeron & Don Paul favorece os secundários da grande epopeia. Tulio e Miguel - ora cúmplices, ora implicativos - dispõem de um mapa para El Dorado, mas estão cativos num navio do explorador espanhol Cortez. Logrando escapar graças ao cavalo Altivo, chegam enfim à Cidade do Ouro, onde o alto-sacerdote Tzekel-Kan os acolhe como divindades. Porém, o seu desígnio é usurpar o poder, levando Tulio e Miguel a optarem entre a fortuna e a liberdade...

CALENDÁRiO

14JAN-04MAR2017 - Em Lisboa, Galeria 111 apresenta Caravela-Salão - exposição de pintura de Fátima Mendonça.

04FEV-18MAR2017 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa apresenta Deita-te, Levanta-te e Agora Deita-te - exposição de desenho de Maria Capelo, sendo curador Nuno Faria.

08FEV-24ABR2017 - Em Lisboa, Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia / MAAT apresenta, no Cinzeiro 8, Arquivo e Democracia - exposição de fotografia e vídeo de José Maçãs de Carvalho, sendo curadora Ana Rito. IMAG.393

08FEV-29MAI2017 - Em Lisboa, Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia / MAAT apresenta Dimensões Variáveis | Artistas e Arquitectura - exposição colectiva, sendo curadores Inês Grosso e Gregory Lang.

09FEV2017 - O Som e a Fúria produziu, e estreia El Dorado XXI / La Rinconada (2015), documentário de Salomé Lamas. IMAG.491

09FEV2017 - NOS Audiovisuais estreia Delírio Em Las Vedras (2016) de Edgar Pêra; com Marina Albuquerque e José Raposo. IMAG.23-53-91-142-284-381-541-604

1911-10FEV2017 - Manuela Saraiva de Azevedo, aliás Manuela de Azevedo: Jornalista (a primeira mulher com carteira profissional em Portugal) e escritora - «Nunca escrevi à máquina. Uma das razões por que pedi a reforma - a mais importante foi a vontade de sair pelo meu próprio pé - foi saber que teria de passar a escrever num computador» (2013). IMAG.398

11-26FEV2017 - No Porto, Galerias Lumière apresenta Sê Em Céu Azul, Porto - exposição de fotografia de Fábio Fonseca.

25FEV-25JUN2017 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo expõe Alexandre Cabral [1917-1996], Memória de Um Resistente - sobre o escritor e ensaísta, sendo curadores António Pedro Pita e Odete Belo. IMAG.390

SUMÁRiO

Charles-François Gounod
Vencedor do Prix de Rome, em 1839, Gounod (1818-1893) foi anos mais tarde desviado da vida religiosa por Pauline Viardot. Várias tentativas infelizes na ópera e uma Messe Solennelle antecedem o imenso sucesso que obtém com Faust [1859]. Êxito que (quase) repetirá com Roméo et Juliette, em 1867. É hoje ainda sobre este par de obras que repousa a posteridade de Gounod, sem esquecer, claro está, o famosíssimo Ave Maria, sobre o Prelúdio I do Cravo Bem Temperado. Modernamente, a ópera Mireille [1864] vem tendo certa reapreciação. Foi professor de Bizet e o seu estilo influenciou as gerações de músicos franceses que lhe sucederam.
08JAN2009 - Diário de Notícias

VISTORiA

Quando Samantar saiu da gruta, o sol levantava-se por cima do mar, fazendo explodir debaixo dos seus raios mágicos todas as cores da paisagem. O verde dos palmeirais, o ocre das extensões arenosas, o azul do mar, apareciam em todo o esplendor da sua frescura primitiva. Era quase um chamamento sensual, uma exortação ao amor que Samantar sentiu com uma indizível felicidade. Então, fez vaguear o olhar maravilhado por toda aquela beleza cintilante debaixo do sol, como uma oferenda àquele que simplesmente quer viver e que a ambição de um homem quase destruíra.
Albert Cossery
- Uma Ambição No Deserto
(Tradução de Sarah Adamopoulos - excerto)

Quanto ouro há na ruína
E quanta dor
Para medir o verso
E esquecer a chama
Que cresce aos meus pés:
Porque o único homem supremo
É aquele que está morto, e já não é.
Leopoldo Maria Panero


MEMÓRiA

16JUN1948-2014 - Leopoldo Maria Panero: Poeta espanhol, autor de Poemas del Manicomio de Mondragón (1987) - «Eu sou Fernando Pessoa / como Pessoa foi Álvaro de Campos». IMAG.504

17JUN1818-1893 - Charles-François Gounod: Compositor francês - «Se a vida precede a morte na sequência do tempo, a morte precede a vida na sequência da eternidade. A morte pode ser o fim da ilusão da vida, mas é o princípio da verdadeira vida, da vida imortal da alma» (1863). IMAG.54-84-183-375-439-464

1922-17JUN2008 - Tula Ellice Finklea, aliás Cyd Charisse: Actriz e bailarina americana - «Quando estávamos a dançar juntos, nem nos apercebíamos de que horas eram» (Fred Astaire). IMAG.204-362

22JUN1898-1970 - Erich Paul Remark, aliás Erich Maria Remarque: Escritor alemão - «Os horrores são suportáveis, enquanto causam sofrimento; mas passam a matar, quando reflectimos sobre eles».

1913-22JUN2008 - Albert Cossery: Escritor egípcio, de expressão francesa - «É a voz de um povo que desperta e que cedo vai estrangulá-lo. Cada minuto que passa, separa-o da sua antiga vida. O futuro está cheio de gritos. O futuro está cheio de revoltas. Como represar este rio transbordante que vai submergir as cidades?» (A Casa da Morte Certa - excerto). IMAG.205-441-563

23JUN1668-1744 - Giovanni Battista Vico, aliás Gianbattista Vico: Filósofo italiano - «A memória é muito vigorosa nas crianças e, por esse motivo, a sua imaginação é excessivamente viva, pois esta não é mais do que uma memória dilatada e composta». IMAG.451

1901-25JUN1948 - Bento de Jesus Caraça: Matemático português - «Não foi um investigador, isto é, não foi um criador de ciência. E como poderia sê-lo, tendo sido nomeado assistente aos 18 anos (!) e professor catedrático aos 28, numa Escola da Universidade Técnica, onde grande parte da massa discente entrava com uma preparação deficientíssima em matemática? O que devemos admirar, sim, é o seu esforço de autodidacta, as suas invulgares qualidades de trabalho, de que as Lições de Álgebra e Análise são um dos frutos. E sinto-me inclinado a admitir que, sob esse aspecto, a sua actividade foi realmente criadora; isto é, sou levado a pensar que Bento Caraça criou, efectivamente, um estilo de ensino da matemática, de que eu próprio sou beneficiário» (José Sebastião e Silva - 1968). IMAG.224-319

PARLATÓRiO

Ascética e severa, há a música tranquila, horizontal como a linha do oceano, monótona em virtude da sua serenidade, tudo menos sensual, e ao mesmo tempo tão intensa na pulsão contemplativa que, por vezes, logra atingir o êxtase…
As ideias musicais brotam na minha mente como um voo de borboletas, e tudo o que eu tenho de fazer é estender a mão para as colher.
Charles-François Gounod

As ilusões nunca são perdidas. Elas significam o que há de melhor na vida dos homens e dos povos. Perdidos são os cépticos que escondem sob uma ironia fácil a sua impotência para compreender e agir, perdidos são aqueles períodos da história em que os melhores, gastos e cansados, se retiram da luta, sem enxergarem no horizonte nada a que se entreguem, caída uma sombra uniforme sobre o pântano estéril da vida sem formas.
Bento de Jesus Caraça

Pedirem-me para escolher entre Fred Astaire e Gene Kelly, é como comparar maçãs com laranjas. Ambas são frutos deliciosos…
Cyd Charisse

COMENTÁRiO

Observamos que todas as nações, tanto as bárbaras como as civilizadas, embora tão distintas entre si no espaço e no tempo, conservam estes três costumes humanos: todas têm alguma religião, todas contraem casamentos solenes e todas enterram os seus mortos.
Gianbattista Vico

BREVIÁRiO

Arte de Autor edita A Marca Jacobs - Uma Vida Em Banda Desenhada de Rodolphe/Rodolphe Daniel Jacquette (argumento) e Louis Alloing (ilustração); sobre Edgar Pierre Jacobs (1904-1987), criador de As Aventuras de Blake e Mortimer (1946). IMAG.10-66-119-218-245-281-348-427-451-460-487-507-599-642-658-Extra
 

quarta-feira, maio 10, 2017

AURORA BOREAL e O INSTINTO SUPREMO

Assinalando a homenagem a Daniel Maia e Susana Resende, durante o 13º Festival Internacional de BD de Beja, com uma exposição alusiva a O Infante Portugal e a Aurora Boreal, de que aqueles artistas fixaram o imaginário primordial, a editora Apenas Livros lança uma apresentação especial do projecto criativo Aurora Boreal, sob o signo fantástico, que José de Matos-Cruz tem, actualmente, em desenvolvimento ficcional.
Trata-se de Aurora Boreal e O Instinto Supremo – que incide sobre um dos universos em que se estrutura O Princípio Infinito, primeiro segmento de um tríptico dedicado à heroína titular. Aurora Boreal surgiu n’O Infante Portugal (2007-2012), nascida de uma relação efémera entre Oktobraia, uma aventureira soviética exilada em Lisboa, e o Malsão, um portento cósmico que avassala o marasmo lusitano. 
 

Para o autor, trata-se de uma experiência inversa: enquanto, na trilogia d’O Infante Portugal, diversos artistas aceitaram ilustrar personagens e situações já descritas, para Aurora Boreal foi-lhes proposta – considerando alguns elementos essenciais – a concepção de um universo próprio, segundo os seus estímulos e preferências, a partir do qual desencadeou todo o processo narrativo.

A natureza onírica e mágica de Aurora Boreal suscitou uma visão original, a qual foi solicitada a Susana Resende – que depois transfigurou O Instinto Supremo. Para a contextualização deste universo, contribuiu também Daniel Maia – cuja inspiração havia consumado a evolução icónica do Infante Portugal, culminante n’As Sombras Mutantes (2012), em que se revelara Aurora Boreal.


Aurora Boreal e O Instinto Supremo
(Apenas Livros)
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustração: Susana Resende e Daniel Maia
1ª Edição: Maio 2017 | ISBN: 9789896185671

 Livreto de Prosa Ilustrado | 28 páginas/PB | PVP: 3,60€