sábado, julho 07, 2018

IMAGINÁRiO #724

José de Matos-Cruz | 24 Maio 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CONTRASTES
Transposição do romance Requiem For a Dream de Hubert Selby - considerado um dos mais importantes escritores do pós-guerra, e autor do argumento com o realizador Darren Aronofsky -, A Vida Não É Um Sonho (2000) gira em volta de três habitantes de Coney Island: Sara, uma mulher madura, fanática de concursos de televisão, e que é escolhida para o seu favorito; o filho Harry, que costuma penhorar o aparelho de tv da mãe, para comprar heroína e curtir com um amigo; e a namorada de Harry, Marion, decepcionada pois não era apenas um apartamento e um psiquiatra o que pretendia dos pais ricos mas ausentes. Cada uma destas personagens vacilará, da euforia para o abismo: Sara obcecada por uma dieta, para aparecer esbelta na televisão; Harry, prosperando com Tyrone como traficante de drogas; Marion, ao naufragar no desencanto de um amor traído… A direcção de Aronofsky é subjugadora mas virtualista, na correspondência entre a denúncia crepuscular e os aliciantes da conversão imaginética. Um vínculo que, inerente à actual tendência, consolida a abordagem dramática de uma sociedade solitária, hostil, sem recursos ou alienada, resvalando para o pesadelo capitalista. IMAG.8

CALENDÁRiO

12ABR-16SET2018 - Em Lisboa, Palácio Pimenta - Museu da Cidade expõe Lisboa, Cidade Triste e Alegre: Arquitectura de Um Livro - sobre a obra (1959) de Victor Palla (1922-2006) e Costa Martins (1922-1996), sendo comissária Rita Palla Aragão. IMAG.92-226-358-560-670

1932-14ABR2018 - Jan Tomáš Forman, aliás Milos Forman: Cineasta de origem checa, naturalizado americano (1977), realizador de Voando Sobre Um Ninho de Cucos (1975) ou Amadeus (1984) - «Foi um criador capaz de conservar a energia dos seus trabalhos iniciais no tão peculiar contexto de Hollywood, preservando mesmo um desejo de realismo cuja pertinência a passagem dos anos reforçou» (João Lopes). IMAG.36-532

20SET1929-15ABR2018 - Vittorio Taviani: Cineasta italiano, em dupla com o irmão, Paolo Taviani, realizadores de Pai Patrão (1977) ou César Deve Morrer (2012) - «Narraram a história, a realidade e as contradições do país desde os anos ‘60» (La Reppublica).

20ABR-17JUN2018 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Birmânia: Momentos - exposição de fotografia de Lorie Karnath (EUA). 
 
ANTIQUÁRiO

30SET1929 - Em Londres, a BBC inaugura as suas emissões regulares de televisão. Significando visão à distância, e permitindo apresentar imagens acompanhadas de som, a primeira e remota versão do invento data do Século XIX, sendo denominada fototelegrafia. Em 1923, o escocês John Logie Baird contribuiu para o seu aperfeiçoamento. Em finais da década de 1920, efectuaram-se os primeiros testes de transmissão televisiva. IMAG.40-52-62-86-116-128-136-177-424-591

PARLATÓRiO

O avanço irresistível das ciências naturais, desde os tempos de Galileu, fez a sua primeira paragem perante o estudo das partes superiores do cérebro, o órgão das relações mais complicadas do animal com o mundo exterior… Agora, estamos, realmente, num momento crítico para as ciências naturais, para o cérebro, na sua mais alta complexidade - o cérebro humano - que criou e continua a criar as ciências naturais, tendo-se convertido em objecto destas mesmas ciências.
Ivan Pavlov

COMENTÁRiO

Heidegger
Só o homem pensa e conhece a Morte. Ou porque seja, com Scheler, o único animal que objectiva, dizendo eu e o Mundo; ou porque, com Heidegger, viva um tempo primordial onde o passado se acusa no presente e onde o futuro se abre à projecção da sua angústia.
Heidegger encontra, com efeito, na existência humana perdida no mundo e na existência humana reencontrando-se, os caracteres fenomenológicos da existência. A fenomenologia da existência é, para ele, a ontologia da realidade. Existência, que se encontra na existência humana, pois que nenhuma existência há que não esteja nesta envolvida – ele o conclui por um renovo do argumento ontológico de Santo Anselmo. O primeiro carácter dá a inquietação, o mal-estar e o medo, que o homem banal adormece na uniformidade do mal de todo o Mundo. O segundo carácter dá a angústia perante o desamparo da sua existência finita e humilhada. Esta angústia é, sobretudo, a angústia perante a Morte, temporalização primordial, em que o passado e o presente se englobam num verdadeiro futuro.
Leonardo Coimbra
- O Homem às Mãos Com o Destino (1936)

Crítica de Cinema
Entre as críticas das várias Artes é a crítica de cinema aquela que, em geral, vejo fazer mais ligeiramente, e ela afigura-se-me tanto ou mais complexa que as outras. Não é isto apenas pelas específicas qualidades intelectuais do crítico, mas também pelas dificuldades práticas do próprio acto de crítica.
Não basta ser sincero e impessoal, e ter uma cultura genérica. É necessário um amplo conhecimento material da coisa cinematográfica, complexa, multímoda e volúvel. Além da cultura artística, ela obriga a uma prolixa variedade de conhecimentos técnicos, verdadeiros segredos da alquimia dos estúdios e laboratórios, abrangendo especializações tão restritas que raros podem, em consciência, afirmar dominá-las a todas. Só de termos técnicos há um verdadeiro dialecto.
Para as Artes Plásticas, Literatura e Dramaturgia os cânones, salvo interpretações subjectivas, estão de há muito fixados e estudados em pormenor. O mesmo não sucede com o cinema. É fácil a qualquer anotar as qualidades de espectáculo e construção dramática de uma película, impressões globais para que basta cerrar os olhos e rever in mente o filme. Mas se o crítico quiser pronunciar-se em pormenor sobre o valor técnico e plástico, logo se agigantam dificuldades.
Ao espectador só lhe interessa a sensação recebida. Mas tudo isto é necessário notar e tudo isto é simultâneo, tudo isto se atropela a cada instante perante os olhos daquele que não pode perder de vista os valores intelectuais, artísticos, técnicos e emocionais da história que as imagens lhe contam.
Roberto Nobre
- Anuário Cinematográfico Português (1946)

Alicia de Larrocha
Nos últimos anos de vida, ninguém lhe tirava o sorriso do rosto. Como se fossem colares de pérolas, acumulava prémios, doutoramentos honoris causa e distinções e condecorações várias. De tal forma representava o temperamento espanhol que o seu nome mais parecia uma marca gerida pela Inditex.
João Santos (2014)

MEMÓRiA

1867-24SET1939 - Karl Lämmle, aliás Carl Laemmle, aliás Carl Lemmle: Produtor do cinema americano, nascido na Alemanha, fundador dos estúdios Universal (The Universal Film Manufacturing Company - 1912). IMAG.595

1923-25SET2009 - Alicia de Larrocha i de la Calle, aliás Alicia de Larrocha: Pianista espanhola, nascida na Catalunha - «Nunca te preocupes. Sobretudo, ocupa-te!». IMAG.396-566

26SET1849-1936 - Ivan Petrovich Pavlov, aliás Ivan Pavlov: Fisiologista russo, distinguido com o Prémio Nobel da Medicina (1904) - «O homem é, ainda, um desconhecido. Só a ciência logrará lançar luz sobre essas trevas». IMAG.552

26SET1889-1976 - Martin Heidegger: Filósofo alemão - «O homem age como se fosse o senhor e o mestre da linguagem - quando, na verdade, a linguagem permanece a mestra do homem… Só há mundo, onde houver linguagem». IMAG.392-564

1903-27SET1969 - José Roberto Dias Nobre, aliás Roberto Nobre: Escritor, cineasta e ilustrador português, historiador de cinema - «O cinema português, abstruzo e timorato, não tem sido mais avesso a Eça de Queiroz que a qualquer outro dos nossos escritores consagrados, com excepção para o meigo e sorridente, embora talentoso, Júlio Dinis.» (Crítica e Autocrítica Em Eça de Queiroz - 1945). IMAG.13-58-244-269-335-347-412

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Praça de Itália de Antonio Tabucchi (1943-2012); tradução de Idalette Caçoilo. IMAG.269-273-404-421-535-621-672

Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Gremmophon, Ludwig van Beethoven [1770-1827]: Sonatas; 32 Variações Em Dó Menor pelo pianista Evgeny Kissin.
IMAG.134-163-202-204-210-228-229-236-237-239-255-268-285-298-303-323-360-375-384-409-430-431-432-436-442-445-452-458-481-502-529-581-604-605-635-647-666-667-681-707

Sextante edita O Arquipélago Gulag de Aleksandr Soljenitsin/Alexander Soljenitsine (1918-2008); tradução de António Pescada. IMAG.147-209-474-535-638-686
 

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