terça-feira, junho 02, 2015

IMAGINÁRiO #559

José de Matos-Cruz | 08 Abril 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
VIVÊNCIAS
Tendo consagrado um empolgante universo em quadradinhos, com as aventuras extraordinárias do viquingue Thorgal, o artista polaco Grzegorz Rosinski decidiu – após vinte e cinco álbuns, durante um quarto de século – que era tempo de surpreender e revirtualizar o panorama da banda desenhada franco-belga. Assim, e já cumpridos os cinquenta anos, Rosinski – para quem «só o que nunca foi desenhado me inspira» – voltou a surpreender com A Fábula das Terras Perdidas/Complainte des Landes Perdues, recriando uma saga concebida por Jean Dufaux, o popular autor de Jessica Blandy. Eis um imaginário prodigioso e periclitante, que oprime/resgata em quatro capítulos – simbolizando os laços de sangue e de poder – que fizeram história ao longo de uma década: Sioban (1993), Blackmore (1994), Dame Gerfaut (1996), Kyle of Klanach (1998)… Tudo acontece na tiranizada ilha de Eruin Dulea, onde o perverso Lord Blackmore consolida o seu regime, ao forçar o casamento com Lady O’Mara, após a morte do marido/líder Wolf, o Lobo Branco. A trágica senhora espera, assim, garantir a segurança de sua filha, a bela e corajosa Sioban – com quem se precipitará uma heróica jornada contra a ambição, o desejo, a subjugação e a crueldade. IMAG.32



VISTORiA

À Morte Peço a Paz
¨À morte peço a paz farto de tudo,
de ver talento a mendigar o pão,
e o oco abonitado e farfalhudo,
e a pura fé rasgada na traição,

e galas de ouro e despejados bustos,
e a virgindade à bruta rebentada,
e em justa perfeição tratos injustos,
e o valor da inépcia valer nada,

e autoridade na arte pôr mordaça,
e pedantes a engenho dando lei,
e a verdade por lorpa como passa,

e no cativo bem o mal ser rei.
Farto disto, não deixo o meu caminho,
pois, se eu morrer, é o meu amor sozinho.
William Shakespeare
- Sonetos (66)

Boda Espiritual
¨Tu não estás comigo em momentos escassos:
No pensamento meu, amor, tu vives nua
– Toda nua, púdica e bela, nos meus braços.

O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende a tua cabeça. Eu amacio-a… Afago-a…
Ah, como a minha mão treme… Como ela é tua…

Põe no teu rosto o gozo, uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra n’água.

Gemes quase a chorar. Suplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso…

Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo…

E te amo como se ama um passarinho morto.
Manuel Bandeira
     
CALENDÁRiO

¢12MAR-12MAI2015 - Em Lisboa, Torreão Poente / Terreiro do Paço expõe Caprichos de [Francisco de] Goya (1746-1828); iniciativa de Objectivos do Milénio/UNESCO, com colecção de gravuras do Museu Casa-Palácio de Cuenca. IMAG.207-357-446-469-556

¢17MAR-02MAI2015 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa expõe A Outra Mão de Graça Pereira Coutinho, sendo curador Paulo Pires do Vale.

VISTORiA


¨Este que aqui vedes de rosto aquilino, de cabelo castanho, testa lisa e descarregada, de alegres olhos e de nariz curvo, embora bem proporcionado; as barbas de prata, que não há vinte anos eram de ouro, os bigodes grandes, a boca pequena, os dentes nem miúdos nem graúdos, pois não tem mais do que seis, e estes mal postos e pior dispostos, porque não têm correspondência uns com os outros; o corpo entre dois extremos, nem grande, nem pequeno; a cor viva, mais branca do que morena, as costas algum tanto encurvadas e os pés não muito ligeiros; este digo que é o rosto do autor de A Galateia e de D. Quixote, e de quem fez a Viagem de Parnaso, à imitação de Cesare Carali Perusino, e outras obras que por aí andam desgarradas, e talvez sem o nome de seu dono. Chama-se comummente Miguel de Cervantes Saavedra. Foi soldado muitos anos e cinco e meio cativo, onde aprendeu a ter paciência nas adversidades. Perdeu a mão esquerda de uma arcabuzada na batalha naval de Lepanto, ferida que, embora pareça feia, ele a tem por formosa, por tê-la recebido na mais memorável e alta ocasião que viram os passados séculos e esperam ver os vindouros, militando sob as vencedoras bandeiras do filho do corisco de guerra, Carlo Quinto, de feliz memória.
Miguel de Cervantes
- Novelas Exemplares (1613 - excerto)
MEMÓRiA

¯18ABR1666-1747 - Jean-Féry Rebel: Compositor e violinista francês, ao estilo barroco, autor de Les Éléments (1737). IMAG.294

¯1879-18ABR1936 - Ottorino Respighi: Compositor e musicólogo italiano, director da Academia de Santa Cecília em Roma (1923), pianista, violista e violinista, autor de poemas sinfónicos (como As Fontes de Roma - 1916) ou óperas (como La Fiamma - 1934), de bailados e concertos para violino ou piano.

¨ 19ABR1886-1968 - Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, aliás Manuel Bandeira: Poeta brasileiro - «Eu quero a estrela da manhã / Onde está a estrela da manhã? / Meus amigos meus inimigos / Procurem a estrela da manhã» (Estrela da Manhã - excerto). IMAG.93

20ABR1846-1900 - Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto: Militar e explorador português, responsável pela travessia do continente africano entre Angola, no Atlântico, e a Costa do Oceano Índico. IMAG.125-304

¨ 20ABR1856-1919 - Vasily Vasilievich Rozanov: Escritor e filósofo russo - «A democracia é um instrumento com o qual uma minoria bem organizada governa uma maioria organizada».

¯20MAR1936-2012 - Richard Rodney Bennett: Compositor inglês, autor da banda sonora de Um Crime No Expresso do Oriente / Murder On the Orient Express (1974) - «Eu era uma desgraça em ciência e desporto, mas a vantagem nas escolas quaker é que somos encorajados a desenvolver as áreas para as quais nos sentimos atraídos». IMAG.446

21ABR1146 - No Mosteiro do Paço da Lousã, da Ordem religiosa de São Bento, morre Egas Moniz - nascido Entre-Douro-e-Minho em 1080, senhor de Ribadouro, mordomo-mor, cavaleiro e aio de D. Afonso Henriques, dado por seu pai, o Conde D. Henrique de Borgonha.

¨ 21ABR1816-1855 - Charlotte Brontё: Ficcionista e poeta inglesa - «Mais vale vivermos sem lógica do que sem sentimentos». IMAG.13-213-263-508

¾21ABR1926-2014 - José Carlos Souto de Sousa Veloso: Engenheiro agrónomo, autor e apresentador do programa Tv Rural (1959-1990 - RTP) - «Deu voz à agricultura, com uma capacidade de comunicação única, que era simultaneamente simpática e didáctica» (Assunção Cristas). IMAG.542


1883-21ABR1946 - John Maynard Keynes: Economista britânico - «Não há meio mais subtil nem mais seguro de subverter a ordem social do que o aviltamento da moeda. Trata-se de um processo que mobiliza todas as forças ocultas da lei económica a favor da destruição, e fá-lo de maneira tal que, em um milhão de pessoas, não há uma só que seja capaz de fazer um diagnóstico». IMAG.421

¨ 1547-23ABR1616 - Miguel de Cervantes Saavedra: Ficcionista, poeta e dramaturgo castelhano, autor de Dom Quixote (1605) - «O poeta pode contar ou cantar as coisas, não como foram mas como deviam ser; e o historiador há-de escrevê-las, não como deviam ser e sim como foram, sem acrescentar ou tirar nada à verdade». IMAG.25-38-79-92-103-349-503

¨ 1564-23ABR1616 - William Shakespeare: Dramaturgo e poeta inglês - «O débil, acovardado, indeciso e servil não conhece, nem pode conhecer, o generoso impulso que guia aquele que confia em si mesmo, e cujo prazer não é ter conseguido a vitória, mas sentir-se capaz de conquistá-la». IMAG.25-26-33-66-79-92-110-131-141-146-164-179-188-193-198-199-202-232-239-322-326-342-366-377-387-404-410-415-443-457-464-471-495-499-531-533
                                           
BREVIÁRiO

¨Vega edita Lotte Em Weimar de Thomas Mann (1875-1955); tradução de Teresa Seryua. IMAG.173-233-261-517-528

¯Distrijazz edita em CD, sob chancela Impulse! / Resonance, Offering: Live at Temple University por John Coltrane (1926-1967). IMAG.190-499-528-538

¨Quetzal edita Além da Literatura de João Bigotte Chorão. IMAG.272-293


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