terça-feira, maio 07, 2019

IMAGINÁRiO #770

José de Matos-Cruz | 08 Setembro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CONSPIRAÇÕES
Em 1997, Val Kilmer protagonizou o sortilégio ambíguo, furtivo de Simon Templar, aliás O Santo - uma realização de Philip Noyce. Os argumentistas Wesley Strick & Jonathan Hensleigh inspiram-se no romanesco literário de Leslie Charteris, e a rodagem decorreu nos Estúdios Pinewood, em Inglaterra. Com orçamento estimado em setenta milhões de dólares, os exteriores correspondem aos locais onde decorre a acção - em Londres e Oxford, além da Rússia, sobretudo em Moscovo e com destaque para a Praça Vermelha. Ali foi contratado Valery Nikolaev, para interpretar Ilya - filho do milionário Ivan Tretiak (o croata Rade Serbedzija), o qual ambiciona tornar-se líder do novo império russo. Demagógico e sem escrúpulos, Tretiak goza de influências ao mais alto nível. Além da imagem pública, e em total impunidade, tenta apoderar-se de amplos meios para atingir os seus desígnios. É o caso de uma revolucionária fórmula de combustível, descoberta pela bela cientista Emma Russell (Elisabeth Shue). Só que ela está também na mira de Simon Templar, um aventureiro insinuante e ousado… IMAG.174

CALENDÁRiO

17JAN-09MAR2019 - Em Lisboa, Galeria Quadrado Azul apresenta Mãos Negativas - exposição de escultura e pintura de Hugo Canoilas, Vasco Costa e Filipe Feijão. IMAG.721-760

19JAN-23FEV2019 - No Porto, Espaço Mira apresenta Escavar Um Buraco. Um Projecto Para Uma Exposição-Instalação de Paulo Mendes, sendo curadores José Maia e João Terras. IMAG.398

VISTORiA

A Um Cavalo

Vai, mísero Cavalo lazarento,
pastar longas campinas livremente;
não percas tempo, enquanto t’o consente
de magros cães faminto ajuntamento:

Esta sela, teu único ornamento,
para sinal de minha dor veemente,
de torto prego ficará pendente,
despojo inútil do inconstante vento:

Morre em paz; que em havendo algum dinheiro,
hei de mandar, em honra de teu nome,
abrir em negra pedra este letreiro:

«Aqui, piedoso entulho, os ossos come
do mais fiel, mais rápido sendeiro,
que fora eterno a não morrer de fome».
Nicolau Tolentino de Almeida

Aprendizado

Do mesmo modo que te abriste à alegria
abre-te agora ao sofrimento
que é fruto dela
e seu avesso ardente.

Do mesmo modo
que da alegria foste
ao fundo
e te perdeste nela
e te achaste
nessa perda
deixa que a dor se exerça agora
sem mentiras
nem desculpas
e em tua carne vaporize
toda ilusão.

Que a vida só consome
o que a alimenta.
Ferreira Gullar

MEMÓRiA

10SET1740-1811 - Nicolau Tolentino de Almeida: Poeta português - «Vejo a Europa em armas; ouço o flagelo da guerra ao redor os confins da minha pátria; e parece-me que não desaprovaria esta sátira aquele ministro hábil que, debaixo da direcção dos seus soberanos, intenta manter uma paz profunda no meio dos fogos das nações armadas» (dedicatória de A Guerra ao Visconde de Vila Nova de Cerveira). IMAG.290-328

10SET1930-2016 - José Ribamar Ferreira, aliás Ferreira Gullar: Poeta brasileiro, crítico e ensaísta, distinguido com o Prémio Camões (2010) - «A arte existe porque a vida não basta». IMAG.334-458-653

11SET1910-1984 - Manuel Mujica Lainez: Escritor e jornalista argentino - «Sempre sonhei com um lugar assim, afastado e próximo, e os mosteiros sucessivos que povoaram os meus monólogos - o principal dos quais ficava em Córdoba, nas proximidades de Nono - foram apenas prenúncios do que, por fim, encontrei n’O Paraíso». IMAG.219-290-463

12SET1880-1956 - Henry Louis Mencken, aliás Henry Mencken: Jornalista e analista social americano - «O pior governo é o mais moral. Um governo composto de cínicos é frequentemente mais tolerante e humano. Mas, quando os fanáticos tomam o poder, não há limite para a opressão». IMAG.290-548-637

14SET1580-1645 - Francisco Gómez de Quevedo Villegas y Santibáñez Cevallos, aliás Francisco de Quevedo: Ficcionista e poeta espanhol - «Só quem ama com amor, é servido com fidelidade… São ténues os limites que separam a resignação da hipocrisia». IMAG.291-529

15SET1890-1976 - Agatha Mary Clarissa Christie, aliás Agatha Christie: Escritora britânica, criadora de Hercule Poirot e de Miss Marple - «Não me parece que a necessidade seja a mãe da invenção - em minha opinião, a necessidade deriva directamente do ócio, e provavelmente da preguiça. Para nos livrar de sarilhos». IMAG.66-125-173-180-228-290-546-577


1929-15SET1980 - William John Evans, aliás Bill Evans: Pianista americano de jazz - «Acredito que as coisas se processam graças a um trabalho duro. Sempre apreciei pessoas que se desenvolveram e evoluíram, sobretudo através da introspecção e de muita dedicação, de um modo muito profundo e belo». IMAG.433-719

ANUÁRiO

1490-1576 - Tiziano Vecellio, aliás Ticiano: Pintor veneziano, ligado ao Renascimento - «Os últimos quadros são elaborados com largas e ousadas pinceladas e manchas, de modo que, de perto, não se pode ver nada, enquanto a certa distância parecem perfeitos» (Giorgio Vassari - 1566). IMAG.154-576-634

VISTORiA

Durante tantos casos criminais em que actuámos juntos, a simetria foi sempre uma inclinação minha, lembra-se?
Talvez você tenha suspeitado da verdade. Talvez, ao ler-me neste momento, você sinta que já o soubera.
Por outro lado, creio que não. Você é demasiado confiante. Tem uma natureza demasiado pura…
Não acredito que um ser humano deva executar a Lei por suas próprias mãos… Mas, por outro lado, eu sou a Lei!
Agatha Christie
- Cai o Pano (excertos)

Recordo agora em que outra expressão desencantada a sua me faz pensar, em que outros olhos observei o mesmo modo de ver, mas não é a mesma coisa, é algo diferente e até oposto, embora deva referi-lo e descrevê-lo, pois não poderia levar tal comigo para além da morte. Parecia pueril, insignificante, mas não era. Se repararmos bem, perceberemos que não era. Tinha um tipo de crueldade irreflexiva, maquinal, uma crueldade predisposta a ser cruel.
Manuel Mujica Lainez
- A Casa (excerto)
BREVIÁRiO

Minotauro edita Paisagem Sem Barcos / Os Armários Vazios / O Seu Amor Por Etel de Maria Judite de Carvalho (1921-1988). IMAG.376-643-764

Assírio & Alvim edita Rente ao Dizer de Eugénio de Andrade (1923-2005); prefácio de Federico Bertolazzi.  
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EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

À TRIPA SOLTA, A COBRA É MOLE - 5

Todavia, o Catraio preparara cominar toda a sua perfídia. Por essa altura, aproveitando os ricaços que em Benfica passavam a estação calmosa, tinha-se ele insinuado junto dos proprietários de char-à-bancs e americanos, incutindo-lhes a vantagem de estabelecer uma última carreira para Lisboa, nos dias da semana, às nove da noite, por isso que às oito horas, como actualmente, era muito cedo para tornarem.
Continua
 

quarta-feira, maio 01, 2019

IMAGINÁRiO #769

José de Matos-Cruz | 01 Setembro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EVOCAÇÕES
Um cruzamento privilegiado entre modos actuais de informação, meios consagrados de divulgação artística, e métodos didácticos de expressão convergem na História de Oliveira do Hospital - Povo Valoroso, Passado Heróico (2001). Álbum de José Garcês, lançado com o patrocínio da Região de Turismo da Serra da Estrela, por Âncora Editora - assim, concretizando outras propostas de revitalização, em incidências culturais, políticas, e em primordiais implicações comunitárias. A História de Oliveira do Hospital em banda desenhada principia Por Terras de Ulvária - nos tempos do Condado Portucalense, com a Condessa D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques; culminando sobre O Património Artístico e Religioso de Lourosa, sendo o desenvolvimento social a preocupação no início do Século XXI. A concessão do Foral formalizou-se em 1514, por El-Rei D. Manuel I; em 1810, o exército francês, sob o comando do General Massena, deixou um rasto de destruição; a elevação a Cidade ocorreu em 1993… Eis uma incidência aliciante, pela concepção de mestre José Garcês, atribuindo à figuração narrativa uma componente interactiva, da função pedagógica ao entretenimento.
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CALENDÁRiO

17JAN2019 - Take 2000 produziu, e estreia Os Dois Irmãos (2018) de Francisco Manso; com Flávio Hamilton e Manuel Estevão.
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17JAN2019 - Leopardo Filmes coproduziu, e estreia Selvagens / Sauvages (2018) de Dennis Berry; com Nadja Tereszkiewicz e Catarina Wallenstein.

17JAN2019 - NOS Audiovisuais estreia Tiro e Queda (2018) de Ramón de los Santos; com Eduardo Madeira e Manuel Marques.

17JAN-17MAR2019 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta, na Casa-Atelier, A Porta ao Lado É Aqui Que Eu Moro - exposição de pintura de Isabel Almeida Garrett.

18JAN-28FEV2019 - Em Odivelas, Centro Cultural Malaposta apresenta Olhares - exposição de fotografia de Serafim Tavares.

19JAN-31MAR2019 - Alfândega do Porto apresenta Banksy’s, Dismaland and Others - exposição de fotografia de Barry Cawston (GB). IMAG.515

24JAN2019 - Midas Filmes estreia Debaixo do Céu (2018) de Nicholas Oulman; coprodução de UkBar Filmes, com Anita Sanders e Helga Liné. IMAG.276-279-341

24JAN2019 - Cine-Clube de Avanca produziu, e estreia Uma Vida Sublime (2018) de Luís Diogo; com Eric da Silva e Susie Filipe. IMAG.510

24JAN-24MAR2019 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Memories of Futures Past - exposição de pintura de Andrew Hart Adler (EUA), sendo curadora Sofia Muller e Sousa. 
 
COMENTÁRiO

A primeira reacção de Fernando Pessoa em face do mundo, incluindo o eu que reflecte, é um sentimento de estranheza, um arrepio de espanto. Pessoa nega-se, com todas as forças do seu espírito, a aceitar um mundo tal como as suas percepções lho transmitem: é absurdo, não pode ser. Tomado da angústia de intuir o mistério, interroga para satisfazer de certeza uma razão exigente. Toda a sua obra exprime a interrogação ou as respostas possíveis para essa interrogação, ou a melancolia de saber que não há resposta.
Jacinto do Prado Coelho
- Diversidade e Unidade Em Fernando Pessoa (1951)

MEMÓRiA

1825-SET1880 - João Victor da Silva Brandão, aliás João Brandão, aliás o Terror das Beiras: Salteador português - «Na Beira contava-se de muitos assassínios, que ele praticara por perversidade; mas eram afirmações sem provas, e vinham de fontes suspeitas» (Bulhão Pato - 1890). IMAG.57

03SET1940-2015 - Eduardo Hughes Galeano, aliás Eduardo Galeano: Intelectual uruguaio, jornalista e escritor - «Não vale a pena vivermos para vencer… Vale, sim, a pena viver para seguirmos a nossa consciência». IMAG.564

01SET1920-1984 - Jacinto de Almeida do Prado Coelho, aliás Jacinto do Prado Coelho: Escritor português, investigador, crítico literário, professor universitário - «Ler colectivamente (em diálogo com a obra literária, em diálogo de leitor com outros leitores) é, com efeito, além de prazer estético, um modo apaixonante de conhecimento… Não há, suponho, disciplina mais formativa que a do ensino da literatura. Saber idiomático, experiência prática e vital, sensibilidade, gosto, capacidade de ver, fantasia, espírito crítico – a tudo isto faz apelo a obra literária, tudo isto o seu estudo mobiliza… A literatura não se faz para ensinar: é a reflexão sobre a literatura que nos ensina.» (Como Ensinar Literatura - Ao Contrário de Penélope - 1976). IMAG.187-352-467

1885-01SET1970 - François Charles Mauriac, aliás François Mauriac: Escritor francês, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1952) - «O desejo transforma o ser de quem nos aproximamos num monstro que não se parece com ele». IMAG.534-605

1844-02SET1910 - Henri Julien Félix Rousseau, aliás Henri Rousseau: Artista plástico francês - «Somos os maiores pintores do nosso tempo… Tu, ao modo egípcio; eu, ao estilo moderno» (Pablo Picasso). IMAG.14

03SET1930-2005 - Daciano Henrique Monteiro da Costa, aliás Daciano da Costa: Arquitecto português, pintor, designer e professor - «Acho que há tralha a mais no mundo». IMAG.63-447

03SET1930-2014 - Fernando Machado Soares: Compositor e poeta português, cantor da música de Coimbra, autor de A Balada da Despedida - «Deu um contributo importante na criação das condições da transição do fado clássico para as baladas e para as trovas que as vozes de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira vieram a imortalizar» (Portal do Fado). IMAG.547

1924-04SET2010 - Paul Francis Conrad, aliás Paul Conrad: Cartoonista americano, veterano de Los Angeles Times (1964-1993), três vezes distinguido com o Prémio Pulitzer (1964, 1971 e 1984), cujas ilustrações, motivadas por uma postura liberal, satirizavam os políticos e enfureciam os mais conservadores, com um estilo visual persistente e agressivo - «O seu trabalho é de efeito imediato, e pleno de emoção. Tratando-se de um pugilista, seria daqueles que não param de atacar o adversário» (Mike Keefe). IMAG.324-472

1926-06SET2010 - Clive Stanley Donner, aliás Clive Donner: Realizador britânico de cinema e televisão, iniciou carreira nos Pinewood Studios aos quinze anos, tendo dirigido O Que Há de Novo, Gatinha? / What's New Pussycat? (1965) - «Uma das coisas de que mais se orgulhava, era a sua influência na carreira de um número significativo de actores, como Alan Bates, David Hemmings e Ian McKellen» (Gavin Asher). IMAG.325-547

ANUÁRiO

1921-1990 - José Araújo de Medeiros, aliás José Medeiros: Fotógrafo brasileiro, de cariz documental e fotojornalista - «É um dos nossos mais brilhantes, modernos e inteligentes fotógrafos. Saltou por cima de sua geração de fotógrafos corretos e acadêmicos, inventando um estilo pessoal, cheio de poesia, inspiração e improvisação, criando uma estrutura técnica absolutamente livre de dogmas, perfeitamente adaptada às dificuldades reais do cinema brasileiro. Nesse sentido, ele é um precursor solitário, cujos ensinamentos vão fertilizar muito a fotografia do cinema brasileiro» (Cacá Diegues). IMAG.448-556

PARLATÓRiO

José Medeiros
Sob o olhar de Medeiros, a cidade se mostra como limiar histórico e geográfico entre dois mundos: a paisagem parece dar as costas para o interior do país, num anseio geral de modernidade e cosmopolitismo; ao mesmo tempo, estão sempre presentes as marcas da história brasileira profunda, de raiz colonial, e Medeiros não deixa nunca de capturá-las. É assim que Medeiros mergulha de forma intensa, mas também crítica, nesse Rio festivo e despreocupado. Pelas suas folhas de contacto desse período desfilam criaturas de sonho, transitando por coquetéis, à beira de piscinas, no Jockey Club ou nos bailes a fantasia.
Deixa-se fascinar pela vida noturna - mas a segregação social não lhe escapa nunca, mesmo quando ele fotografa cenas de alegria coletiva. Medeiros é capaz de ousadias raras para a época: não abandona o seu interesse pelo elemento popular, à margem da vida mundana e burguesa; regista a tristeza e a solidão de fim de Carnaval; dá ao travesti Juju o status de estrela cinematográfica; e não hesita no registo mordaz, quase satírico, da vida das elites sociais e políticas. Esse vaivém entre a elite e o povo, entre o moderno e o arcaico pode ser visto com especial nitidez na sua obra carioca, e é exatamente por ter captado essa ambivalência no coração da vida social que Medeiros merece um lugar de destaque na história da fotografia no Brasil.
Sergio Burgi e Élise Jasmin
BREVIÁRiO

Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema edita em DVD, A Revolução de Maio (1937) de António Lopes Ribeiro (1908-1995); com Maria Clara e António Martínez.  
IMAG.1-27-31-48-74-76-94-115-130-131-164-166-175-189-210-221-224-227-229-256-297-307-317-328-335-339-345-347-355-412-436-457-458-501-511-527-572-574-606-639-656-673-699-712

Relógio D’Água edita As Variedades da Experiência Religiosa de William James (1842-1910); tradução de Helena Briga Nogueira e Margarida Periquito. IMAG.768
 

segunda-feira, abril 29, 2019

IMAGINÁRiO #768

José de Matos-Cruz | 24 Agosto 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004 

PRONTUÁRiO

HERANÇAS
É porventura supérfluo citar Walt Disney (1901-1966) como referência essencial, quanto ao cinema de Hollywood no domínio da animação. Além da controvérsia jamais sanada, sobre as virtualidades intrínsecas e as ousadias do criador, subsiste a complexidade perante uma chancela consensual e, por vezes, inextrincável nas perspectivas técnica e artística. Mais do que isolar Disney como pioneiro ou vanguardista, realçam-se os contornos de uma personalidade que, primordialmente, teria assinado alguns clássicos ainda insuperados - apesar dos múltiplos talentos que na Companhia se revelaram, ou da evolução e dos recursos sectoriais da indústria fílmica. Por outro lado, e com razoável fidelidade ao seu mentor, o império Disney estendeu-se a outras áreas ou alcances de prospecção, sob o signo sofisticado do entretenimento e do espectáculo. Ou seja, mantido o culto e processada a respectiva reciclagem - sempre através de figuras, padrões e fenómenos que o popularizaram - toda a persistência passa pelo vínculo potencial de homenagem e rendibilidade. Com incidências dificilmente perspectiváveis, originalmente: basta pensar no acesso através da televisão, ou no negócio prefigurado pelo vídeo e que, entretanto, se repercutiria pelas mais-valias próprias ou adicionais de difusão.
IMAG.7-8-18-21-30-32-37-47-50-69-80-90-99-107-110-116-123-155-175-203-219-250-260-304-349-470-506-510-529-545-590-619-622-674-702-708-717-753-756-766

CALENDÁRiO

27OUT2018-31JAN2019 - Biblioteca Pública Municipal do Porto expõe Editor de Vanguardas: Fernando Ribeiro de Mello [1941-1992] e a Afrodite, sendo curador Pedro Piedade Marques.

06NOV2018-02FEV2019 - Em Almada, Galeria Municipal de Arte apresenta Geografia Dormente - exposição de fotografia e vídeo de Mónica de Miranda, sendo curadora Filipa Oliveira. IMAG.458

05-25JAN2019 - No Porto, Mosteiro de São Bento da Vitória apresenta Mnémosyne - exposição de fotografia e performance de Josef Nadj (Sérvia / França). 
 
04JAN2019 - Na Amadora, Clube Português de Banda Desenhada/CPBD comemora os 100 Anos do Nascimento de Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005), iniciando uma série de exposições temáticas, que se prolongarão ao longo do ano: ETCoelho Inédito (JAN), Os Animais Na Obra de ETCoelho (FEV), ETCoelho e a Figura Humana (ABR), As Águas Na Obra de ETCoelho (MAI), ETCoelho Erótico (JUN), História e Literatura Na Obra de ETCoelho (JUL-AGO), A Flora Na Obra de ETCoelho | ETCoelho e o Western (SET), Publicidade e Postais Ilustrados Na Obra de ETCoelho | Estilização e ETCoelho (OUT), Grafismo e ETCoelho | Armas Na Obra de ETCoelho (NOV), ETCoelho Em Construções de Armar | Publicações Estrangeiras (DEZ). IMAG.28-31-41-43-85-117-129-132-209-328-372-568-578-607-617-689-727

10JAN2019 - Uma Pedra No Sapato produziu, e estreia Terra Franca (2018) de Leonor Teles; documentário sobre a vida do pescador Albertino Lobo. IMAG.617

17JAN-17MAR2019 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta, no Museu, Da História das Imagens - exposição de fotografia (1972-1988) de Manuel Casimiro, sendo curadora Isabel Lopes Gomes. IMAG.72-333-386

COMENTÁRiO

A independência é o privilégio dos fortes, da reduzida minoria que tem o ardor de auto-afirmar-se. E aquele que trata de ser independente, sem estar a isso obrigado, mostra não apenas que é forte mas, também, possuidor de uma audácia imensa. Aventura-se num labirinto, multiplica os mil perigos que a vida implica; isola-se e deixa-se arrastar por algum minotauro oculto na caverna de sua consciência. Se tal homem se extinguisse, estaria tão longe da compreensão dos homens que estes nem o sentiriam nem se comoveriam em absoluto. O seu caminho está traçado, não pode voltar atrás, nem sequer lograr a compaixão dos seres humanos.
Friedrich Nietzsche

VISTORiA

A progressão da filosofia é necessária. Toda a filosofia surgiu, necessariamente, na época do seu aparecimento. Toda a filosofia surgiu no momento em que devia: nenhuma ultrapassou o seu tempo; toda ela apreendeu, pelo pensamento, o espírito de sua época…
O conjunto da história da filosofia apresenta uma progressão em si, consequente, necessária; é racional em si, determinada por si mesma, pela ideia.

Georg Hegel
- Lições de História da Filosofia (Introdução - excerto)

MEMÓRiA

1936-24AGO2010 - Maria Dulce Andrade Ferreira Alves Machado Ribeiro, aliás Maria Dulce: Actriz portuguesa de cinema, teatro e televisão - «…Infelizmente, muito esquecida quer pelo público, quer pelos responsáveis pela cultura. Não era uma segunda figura, mas uma primeira figura do teatro português, fez trabalhos fantásticos. Se fosse inglesa, era uma dame. Aqui não, aqui morreu pobremente, com dificuldades, e esquecida por todos. É muito o espírito português, infelizmente. Em Portugal, as pessoas são muito esquecidas e maltratadas. Só quando morrem, é que se lembram delas» (Filipe La Féria). IMAG.117-322-582

1844-25AGO1900 - Friedrich Wilhelm Nietzsche: Escritor e filósofo alemão - «Quem luta com monstros, deve velar por que, ao fazê-lo, não se transforme também em monstro… E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti».  
IMAG.37-69-228-288-338-441-444-486-650-651-679

26AGO1900-1945 - Mark Rex Goldstein, aliás Mark Sandrich: Cineasta norte-americano, realizador de Chapéu Alto/Top Hat (1935) sob o signo da comédia romântica e musical, distinguido pela Academia de Hollywood com a curta metragem So This Is Harris! (1934). IMAG.26-40-288-505

1842-26AGO1910 - William James: Filósofo americano ligado ao pragmatismo, entre os fundadores da psicologia moderna - «Há várias medidas para aferir a vontade humana. A mais exacta e mais segura, é a que se exprime pela seguinte questão: de que esforço serás tu capaz?».

27AGO1770-1831 - Georg Wilhelm Friedrich Hegel, aliás Georg Hegel: Filósofo alemão - «Tudo é inteligível para o ser que, idêntico no seu fundo com o Espírito ou a Ideia infinita, se manifesta no universo concreto graças ao movimento dialéctico: tese, antítese, síntese». IMAG.346-525-657

27AGO1890-1976 - Michael Emmanuel Radnitzky, aliás Man Ray: Pintor, fotógrafo, cineasta e surrealista norte-americano - «Não há progresso na arte, tal como não o há no acto de fazer amor; existem, sim, diversas maneiras de concretizar uma e o outro»». IMAG.341-587

1908-27AGO1950 - Cesare Pavese: Ficcionista e poeta italiano - «Tudo isto é asqueroso! Palavras, não… Um gesto. Não escreverei mais nada» (1950). IMAG. 56-173-233-288-375-674

28AGO1930-2012 - Biagio Anthony Gazzara, aliás Ben Gazzara: Actor americano de teatro e cinema - «Gosto muito de homenagens, sobretudo quando sou eu o distinguido». IMAG.394

1913-28AGO1990 - Willebrord Jan Frans Maria Vandersteen, aliás Willy Vandersteen: Artista de banda desenhada franco-belga, criador de Bob et Bobette/Suske en Wiske (1945) - «Profundamente ligado à história, à tradição artística e à identidade flamenga, bem como à realidade quotidiana e humana da sua Flandres natal» (Eurico de Barros). IMAG.288-406

1618-29AGO1680 - Juan Cererols Fornells, aliás Juan Cererols: Compositor e monge espanhol, organista, harpista e violinista, mestre de capela da Abadia de Montserrat (1648). IMAG.676

29AGO1780-1867 - Jean-Auguste Dominique Ingres, aliás Ingres: Pintor e desenhista francês, entre o neoclassicismo e o romantismo - «Tende fé na vossa arte. Jamais penseis que produzireis qualquer coisa boa, sem terdes aspirações na vossa alma. Para dar forma à beleza, precisais de saber o que é o sublime. Amai tudo o que é verdadeiro, pois tudo o que é verdadeiro é também belo». IMAG.594

29AGO1920-1955 - Charles Parker, aliás Charlie Parker, aliás Yardbird: Compositor americano, saxofonista de jazz - «A música é a tua própria experiência, o teu pensamento, a tua sabedoria. Se não a viveres, ela jamais vai brotar do teu instrumento». IMAG.32-339-506

1943-30AGO2010 - Alain Roger Corneau, aliás Alain Corneau: Cineasta francês, realizador e actor - «Nunca comecei um filme sem ter a ideia precisa de uma música pré-existente, ou de um compositor com quem falei previamente. Mesmo tratando-se de uma banda sonora original, preocupei-me sempre em ter a música antes, com a possibilidade de a transformar mais tarde».IMAG.323-429

1922-31AGO2010 - Vance Nye Bourjaily, aliás Vance Bourjaily: Jornalista, editor e escritor americano - «As suas novelas descrevem o homem comum que luta - heroicamente, ou paradoxalmente - para viver com as contradições que definem a sociedade» (Dictionary of Literary Biography). IMAG.323-387

EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

À TRIPA SOLTA, A COBRA É MOLE - 4

Ali o presenciou Esther entontecida, jorrando-se a seus pés. Ela tinha o peito enodoado e, num despeito liso, Julião elevou-a à ilusão dos devaneios propícios a donzela perdida. Esther aderiu em falência, até se sentir ofendida quando Julião, pela volta, lhe falhou na íntima manutenção, e a Xarolas decidiu restabelecer o crédito menoscabado. Com tal manigância, que os testículos decepados do traiçoeiro arrivista foram parar no Teatro Anatómico.
Continua 
 

sexta-feira, abril 19, 2019

IMAGINÁRiO-Extra: Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo – Livro Um [Apenas Livros]

José Ruy
A editora Apenas Livros retoma a série Aurora Boreal, por José de Matos-Cruz, com o lançamento do segundo ciclo O Eterno Paradoxo, que agora conta com o contributo gráfico dos artistas Dário Vidal, João Amaral, José Ruy e Maria João Worm.

Na sequência da edição da primeira jornada O Princípio Infinito, entre final de 2017 e de 2018, o mundo fantástico imaginado pelo escritor José de Matos-Cruz para a trilogia O Infante Portugal (2007-2012) e partilhado pela enigmática Aurora Boreal, nascida de um encontro entre as polaridades opostas da heroína soviética exilada em Lisboa Oktobraia e o cósmico Malsão, tem aqui um novo capítulo, enquanto a heroína titular continua a romper os limites da sua infância e se aventura noutros recantos da realidade e por dimensões diversas.
Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo – Primeiro Universo: O Denominador Comum é o fascículo inaugural de quatro novos livros-de-cordel, onde a protagonista, originalmente visualizada pela autora Susana Resende, é agora reinterpretada pelos mestres ilustradores Dário Vidal – também autor da imagem da capa –, João Amaral, José Ruy e Maria João Worm.

O Denominador Comum
Eram formas instáveis, com modos coerentes. Faziam-se de brumas e inércias,
revestiam-se em vazios e ímpetos. Sem substância explícita. Com textura simbólica.
Matérias de algum sonho perdido, matrizes de uma realidade ausente.
Linhas graciosas, ângulos abissais, compassos obscuros.
Ou coisas imaginadas, objectos possíveis, animais alusivos.

Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo
Primeiro Universo: O Denominador Comum

(Apenas Livros)
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustração: Dário Vidal, João Amaral, José Ruy e Maria João Worm
1ª ediçao: Abril 2019
Prosa ilustrada | 32p/BD | PVP: 3,70€

quarta-feira, abril 17, 2019

IMAGINÁRiO #767

José de Matos-Cruz | 16 Agosto 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CRUZAMENTOS
Uma das convulsões mais trágicas do Universo DC Comics, Our Worlds at War expandiu-se, em 2001, por diversas frentes de combate, quando inimagináveis forças ameaçam os heróis e os cidadãos da Terra. Eis flagrantes incidências, nas principais revistas titulares, cujas magníficas capas são assinadas por Jae Lee: em Batman - por Ed Brubaker & Stefano Gaudiano - o Cavaleiro das Trevas investiga o que parece ser uma misteriosa derrocada na baixa de Gotham, enquanto as relações entre Bruce Wayne e o Presidente Lex Luthor se tornam insustentáveis; em Green Lantern - por Judd Winick, Dale Eaglesham & Rodney Ramos - o Lanterna Verde enfrenta o seu pior inimigo, Sinestro, tentando preencher o buraco deixado pelo desaparecimento do planeta Plutão; em Young Justice - por Dan Abnett, Andy Lanning & Todd Nauck - os jovens aventureiros são extraídos do nosso tempo, por Linear Man, e refeitos no futuro com a missão de neutralizarem a Renegade Consciousness, responsável pelas fracturas temporais. Tal afecta ainda Wonderwoman, Nightwing, The Flash ou Harley Quinn…

CALENDÁRiO

29NOV2018-26MAR2019 - Em Lisboa, Palácio Nacional da Ajuda expõe, na Galeria D. Luís, Uma História de Assombro | Portugal-Japão - Séculos XVI-XX, sendo comissárias Alexandra Curvelo e Ana Fernandes Pinto.

12DEZ2018-08FEV2019 - Em Lisboa, Kunsthalle Lissabon apresenta Astray: Prologue - instalação de Caroline Mesquita (França), sendo curadora Sofia Lemos.

13DEZ2018-21FEV2019 - Em Lisboa, Galeria Balcony apresenta Las Golondrinas - exposição múltipla de Maya Saravia (Guatemala), sendo comissário Sérgio Fazenda Rodrigues.

1943-17DEZ2918 - Carole Penny Marshall, aliás Penny Marshall: Cineasta americana, produtora e actriz, realizadora de Big (1988) - «Ela nasceu com um grande dom. Era divertida, e sabia por instinto como revelar os seus talentos» (Rob Reiner).

1939-28DEZ2018 - Amos Klausner, aliás Amos Oz: Escritor e jornalista israelita, intelectual e professor de literatura, autor de O Meu Michael (1968) - «Os prémios literários são uma coisa estranha. Eu escrevo livros, tal como bebo água ou respiro. Não posso deixar de beber água, de respirar nem de escrever».

03JAN2019 - NOS Audiovisuais estreia O Grande Circo Místico (2018) de Carlos Diegues; coprodução de Fado Filmes, com Vincent Cassel e Nuno Lopes.

17JAN-31MAR2019 - Em Lisboa, Museu do Oriente apresenta Reflexões: Homem e Natureza - exposição de pintura de Bireswar Sen (1897-1974, Índia). 
 
VISTORiA


As paixões humanas pareciam dever morrer aos pés daquelas grandes árvores que protegiam semelhante asilo dos ruídos do mundo e o retemperavam dos ardores do Sol.
Mas que desordem! – disse o senhor d’Albon de si para consigo, depois de apreciar a sombria expressão que as ruínas imprimiam àquela paisagem como que fulminada por uma maldição. Dir-se-ia um local funesto abandonado pelos homens. Por toda a parte a hera estendia os seus nervos tortuosos e as suas ricas roupagens. Musgos castanhos, esverdeados, amarelos ou vermelhos espalhavam o seu colorido romântico pelas árvores, pelos bancos, pelos telhados, pelas pedras. As janelas carcomidas estavam meio consumidas pelas chuvas, devoradas pelo tempo; as varandas quebradas, os terraços demolidos.
Honoré de Balzac
- O Último Adeus (1830 – excerto)
MEMÓRiA

1845-16AGO1900 - José Maria Eça de Queiroz, aliás Eça de Queiroz: Escritor e diplomata português - «O que são há 20 anos os partidos em Portugal? Que pensamento traduzem? Que grande facto social querem realizar? Formam-se, desagregam-se, dissolvem-se, passam, esquecem, sem que deles fique uma edificação aceitável, uma criação fecunda. Estabelecem patronatos, constroem filiações, arregimentam homens e braços trabalhadores, preparam terreno e solo robusto, onde eles possam sem embaraço tomar as livres atitudes do aparato e da vaidade reluzente. Nada mais fazem. Nascem infecundamente, morrem esterilmente» (O Distrito de Évora – 1867).
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16AGO1920-1994 - Henry Charles Bukowski Jr, aliás Charles Bukowski: Ficcionista e poeta americano, nascido na Alemanha, autor de Histórias de Loucura Normal (1983) - «O amor é uma espécie de preconceito. Amamos o que nos é preciso, amamos o que nos faz sentir bem, amamos o que é conveniente. Como podemos dizer que amamos uma pessoa, quando há dez mil outras no mundo que amaríamos mais, se as conhecêssemos? Porém, nós nunca as conheceremos».  
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17AGO1920-2015 - Maureen FitzSimons, aliás Maureen O’Hara: Actriz e cantora americana, de origem irlandesa - «Ela foi, de facto, a “rainha do technicolor”, servindo o seu cabelo ruivo e os olhos esverdeados para exaltar as maravilhas do sistema cromático que, muito justamente, associamos à idade de ouro da produção americana» (João Lopes). IMAG.114-592

1903-17AGO1980 - Domingos Monteiro Pereira Júnior, aliás Domingos Monteiro: Escritor português - «No fundo do vale, o Douro serpeava como um fio e para ele olhou com ternura como para o seu mais útil obreiro, porque todos os anos adubava com os limos das suas cheias a sua melhor quinta.». IMAG.178-446

1799-18AGO1850 - Honoré Balzac, aliás Honoré de Balzac: Escritor francês - «Custa mais ser-se amante que marido, pela simples razão de que é mais difícil ser espirituoso todos os dias do que dizer coisas bonitas uma vez por outra». IMAG.216-227-377-593-707-749

18AGO1920-2006 - Shirley Schrift, aliás Shelley Winters: Actriz americana de cinema, teatro e televisão - «Em Hollywood, todos os casamentos são felizes. Os problemas surgem, apenas, quando as pessoas tentam viver juntas». IMAG.76-117

20AGO1890-1937 - Howard Phillips Lovecraft, alias H.P. Lovecraft: Escritor americano - «Aquilo que não está morto, pode jazer eternamente… E, em estranhas circunstâncias, até a morte pode morrer».  
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1863-21AGO1940 - Carlos António Rodrigues dos Reis, aliás Carlos Reis: Pintor naturalista e histórico, retratista, professor, criou o Grupo Ar Livre - mais tarde, Grupo Silva Porto - no qual reuniu colegas e estudantes em busca de lugares pitorescos para exercerem sua arte - «[Referindo-se à paisagem] Não é pois um crime de lesa-arte e de lesa-natura não a amar, não a tratar, não fazer dela um motivo, sempre espiritual, das nossas telas, reservando ela notas e emoções para os temperamentos diversos?» (A República - 1915). IMAG.287-407-746

22AGO1880-1944 - George Joseph Herriman, aliás George Herriman: Artista americano de banda desenhada, ilustrador e caricaturista, autor de Krazy Kat (1913-1944) - «A mais engraçada e fantástica e estimulante obra de arte produzida na América hoje» (Gilbert Seldes - 1924). IMAG.124-309-464-544

22AGO1920-2012 - Ray Douglas Bradbury, aliás Ray Bradbury: Escritor americano, mestre da literatura fantástica e de ficção científica, autor de Fahrenheit 451 (1953) - «Os melhores cientistas estão abertos à experimentação, e esta começa como um romance, ou seja, com a ideia de que tudo é possível… Mas, nós somos uma impossibilidade num universo impossível». IMAG.103-412-587

COMENTÁRiO

Fahrenheit 451
Há mais de uma maneira de queimar um livro. E o mundo está cheio de pessoas que andam por aí com caixas de fósforos. Cada minoria - seja de teor Baptista, Unitário, Irlandês, Italiano, Octogenário, Zen Budista, Sionista, Adventista, Feminista, Republicano - acha que tem o direito, ou o dever, de dosear o querosene e acender o fogo. O chefe do corpo de bombeiros Capitão Beatty, no meu romance Fahrenheit 451, descreve como os livros foram queimados primeiramente pelas minorias, rasgando uma página ou duas… Até que, quando os livros já estiverem vazios e as cabeças fechadas, a biblioteca acabará por encerrar para sempre.
Há tempos, descobri que, através dos anos, alguns editores da Ballantine Books, com medo de contaminarem os jovens, tinham, pouco a pouco, censurado 75 fragmentos distintos do meu romance. Os estudantes, depois de lerem o meu livro, escreveram-me para me contarem essa delicada ironia. Entretanto, Judy-Lynn del Rey, um dos novos responsáveis da Ballantine Books, está novamente a reeditar o livro, e desta vez publicando a versão integral, com todos os diabos e infernos de volta ao seu lugar.
Ray Bradbury
(1979-1987)
EPISTOLÁRiO

O riso é a mais útil forma da crítica, porque é a mais acessível à multidão. O riso dirige-se não ao letrado e ao filósofo, mas à massa, ao imenso público anónimo. É por isso que hoje é tão útil como irreverente rir das ideias do passado: a multidão não se ocupa de ideias, ocupa-se das fórmulas visíveis, convencionais das ideias. Por exemplo: o povo em Portugal, nas províncias, não é católico - é padrista: que sabe ele da moral do cristianismo? da teologia? do ultramontanismo? Sabe do santo de barro que tem em casa, e do cura que está na igreja.
Eça de Queiroz
- Carta a Joaquim de Araújo
- 25FEV1878
BREVIÁRiO

Câmara Municipal de Matosinhos edita Óscar Lopes [1917-2013] - Retrato de Rosto de Manuela Espírito Santo. IMAG.241-456-629-741