terça-feira, dezembro 04, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: JORGE MAGALHÃES, Até Sempre

O nome de Jorge Magalhães (1938-2018) é indissociável das histórias em quadradinhos, desde que passou a coordenar o Mundo de Aventuras, em 1974. Iniciando uma intensa e múltipla actividade editorial, que se estende da essência dos fanzines à virtualidade dos blogues.
Noutras duas vertentes desenvolveu, também, um labor excepcional – logo, enquanto crítico e historiador em jornais e revistas; e como argumentista, tendo colaborado com inúmeros artistas, veteranos ou em iniciação, através de obras originais ou adaptações literárias.
Investigador, Jorge Magalhães conjugou a versatilidade autoral com o rigor do testemunho. Ficcionista, aliou uma fértil inspiração ao fascínio das narrativas clássicas, por diversos géneros, ou em alcances actuais e realistas. Numa feliz relação com os ilustradores.
Paixão e experiência motivaram, e distinguiram a intervenção exemplar de Jorge Magalhães. Com quem partilhei tantas vivências de amizade e colaboração, desde a troca epistolar durante a sua estadia em Angola, por 1968, e depois na Agência Portuguesa de Revistas…
Até à participação do Jorge, com Catherine Labey, nas Conversa(s) Sobre Banda Desenhada, em 2017, na Bedeteca José de Matos-Cruz/Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana, em Cascais. Evocando um longo caminho mútuo, de memórias e transfigurações.

IMAG
.126-129-132-160-234-256-385-414-430-453-550-626-648-681-725-Extra

Foto de Catherine Labey

segunda-feira, dezembro 03, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: ORION #2

Com coordenação e edição de Renato Abreu, surge o número 2 do fanzine Orion, acessível online na Yumpu, com data de Janeiro de 2019, e tendo ainda uma edição de referência em papel, destinada aos colaboradores.
São eles Bernardino Costantino, Jeremy Smookler, José de Matos-Cruz, Nicola
Rettino, Ornella Micheli, Renato Abreu, Shigehiro Okada e Sofia Gonçalves Lobo.

Entretanto, o número 1 de Orion, referenciado a Julho de 2018, e o número 0, experimental e aparecido em Março de 2018, continuam patentes online na Yumpu, podendo também ser estabelecidos contactos através de: Zorion@sapo.pt

IMAG.721-740-Extra

sábado, dezembro 01, 2018

IMAGINÁRiO #746

José de Matos-Cruz | 08 Março 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PRECONCEITOS
A solitária Carrie, com dezasseis anos, é vítima de escárnio das companheiras de liceu, pelas suas inabilidade e ignorância, face às questões essenciais da vida. Tais problemas resultam, em grande parte, da educação repressiva e traumatizante da mãe, uma fanática religiosa cuja obsessão do pecado, a par de horror pelo comportamento sexual, se devem ao abandono do marido com outra mulher. Durante a festa de finalistas, Carrie - com poderes especiais, para movimentar pessoas e objectos - é ridicularizada pelas colegas. Desesperada, inicia então uma vingança terrível e sanguinária - que se estende à progenitora, para quem está possuída pelo demónio…Carrie (1976) é um dos filmes marcantes de Brian DePalma, em homenagem ao seu mestre Alfred Hitchcock - sob o signo do terror-fantástico, com argumento de Lawrence D. Cohen, sobre uma novela de Stephen King (de novo transposta em 2013, por Kimberly Peirce). Eis a família americana em causa, quanto aos preconceitos morais e aos fantasmas da sensualidade. Um perturbante desempenho por Sissy Spacek, candidata ao Oscar, ao lado de John Travolta em ascensão. IMAG.101-134-152-710

CALENDÁRiO

05JUL-23SET2018 - Em Lisboa, Galeria Avenida da Índia apresenta La Neblina - instalações de escultura, colagem, desenho, performance e vídeo de Runo Lagomarsino (Suécia), sendo curadora Filipa Oliveira.

26JUL-09SET2018 - Em Lisboa, Capela do Rato apresenta Junto ao Chão - instalação de Carlos Nogueira, com textos de Manuel de Freitas. IMAG.279-300/732

10AGO1950-16AGO2018 - Pedro Leitão de Campos Rosado, aliás Pedro de Campos Rosado: Artista plástico português, escultor e professor, cofundador da Escola Superior de Arte e Design/ESAD das Caldas da Rainha.

1942-18AGO2018 - Maria Isabel Laginhas Vaz, aliás Isabel Laginhas: Artista plástica portuguesa, ilustradora e figurinista, professora de tapeçaria e desenho - «Para além da obra artística, deixa também uma experiência de vida única nos seus antigos alunos» (António Costa).

23AGO2018 - Leopardo Filmes produziu, e estreia Sol Cortante / Soleil Battant (2017) de Clara Laperrousaz e Laura Laperrousaz; com Ana Girardot e Teresa Madruga.

25AGO-14OUT2018 - Torre do Castelo de Evoramonte apresenta Marcado Pelo Tempo - exposição de cerâmica de Yvonne Halfens (Holanda).

VISTORiA

A Vida

Foi-se-me pouco a pouco amortecendo
a luz que nesta vida me guiava,
olhos fitos na qual até contava
ir os degraus do túmulo descendo.

Em se ela anuviando, em a não vendo,
já se me a luz de tudo anuviava;
despontava ela apenas, despontava
logo em minha alma a luz que ia perdendo.

Alma gémea da minha, e ingénua e pura
como os anjos do céu (se o não sonharam…)
quis mostrar-me que o bem bem pouco dura!

Não sei se me voou, se ma levaram;
nem saiba eu nunca a minha desventura
contar aos que inda em vida não choraram…
João de Deus
- Campo de Flores
VISTORiA


Tudo passa. Sofrimentos, dores, sangue, fome e peste. A espada vai desaparecer, mas as estrelas vão permanecer no céu, quando nem uma sombra dos nossos corpos e das nossas obras restar no mundo.
Milkhail Bulgákov
- A Guarda Branca (excerto)

MEMÓRiA

08MAR1830-1896 - João de Deus de Nogueira Ramos, aliás João de Deus: Poeta e pedagogo português, autor de Campo de Flores e criador do método de leitura Cartilha Maternal - «A vida é o dia de hoje, / a vida é ai que mal soa, / a vida é sombra que foge, / a vida é nuvem que voa; / a vida é sonho tão leve / que se desfaz como a neve / e como o fumo se esvai: / A vida dura um momento, / mais leve que o pensamento, / a vida leva-a o vento, / a vida é folha que cai!» (A Vida - excerto).  
IMAG.66-244-266-307-355-442-504-514-546-656

09MAR1910-1981 - Samuel Osborne Barber, aliás Samuel Barber: Compositor americano - «A minha obra nasce daquilo que eu sinto. Não sou um criador por consciência própria». IMAG.443-612

09MAR1930-2015 - Randolph Denard Ornette Coleman, aliás Ornette Coleman: Compositor e saxofonista americano - «…A quem se devem algumas das mais importantes inovações na história do jazz» (João Moço). IMAG.574-618

1926-09MAR2010 - Alda Neves da Graça do Espírito Santo, aliás Alda Graça, aliás Alda do Espírito Santo: Escritora natural de São Tomé e Príncipe, militante da luta pela independência, autora do Hino Nacional, ministra e deputada - «Perde a literatura de língua portuguesa uma grande figura, e perdemos todos no campo dos afectos» (Pepetela). IMAG.293-560

10MAR1920-1959 - Boris Paul Vian, aliás Boris Vian: Ficcionista, poeta, actor e cantor francês - «Se nos queremos lembrar apenas dos bons momentos, então para que servem os maus?».
 IMAG.231-286-289-310-342-408-524-711-739

1882-10MAR1930 - Artur Alves Cardoso: Pintor português, discípulo de Carlos Reis, membro do Grupo Silva Porto - «Descansarei trabalhando, habituando de novo a minha visão ao ambiente da nossa terra» (1929). IMAG.639

1891-10MAR940 - Milkhail Afanásievitch Bulgákov, aliás Milkhail Bulgákov: Ficcionista e dramaturgo russo - «Todo o poder é uma violência exercida contra as pessoas». IMAG.378-588

ITINERÁRiO

Compositor clássico norte-americano, nasceu a 9 de março de 1910, em West Chester, Pensilvânia, e faleceu a 23 de janeiro de 1981, em Nova Iorque. O seu talento musical revelou-se bastante cedo: aos sete anos de idade escrevia a sua primeira peça, aos 10 anos tentava a sua primeira ópera e, aos 12, conseguia um emprego como organista.
Com 14 anos entrou para o Curtis Institut of Music, em Filadélfia, onde estudou voz com Emílio de Gogorza, composição com Rosário Scalero e piano com Isabelle Vengerova.
Neste instituto conheceu Gian Carlo Menotti, com quem iria manter uma longa relação profissional e de amizade. Depois de cumprir o serviço militar, durante o qual compôs a Segunda Sinfonia, voltou para os Estados Unidos, partilhando uma casa com Menotti. Aqui, em Mt. Kisco, compôs a maioria das suas obras pós-guerra. Menotti forneceu os libretos para as óperas Vanessa (com a qual Barber venceu o Pulitzer) e A Hand of Bridge. Em 1963, voltou a vencer um Prémio Pulitzer com Concerto for Piano and Orchestra. A estreia mundial da ópera Antony and Cleópatra deu-se em 1966, na abertura do novo auditório da Metropolitan Opera do Lincoln Centre for the Perfoming Arts.
A composição orquestral tornou-se predominante na sua criação, sendo Adagio for Strings a sua mais famosa obra. Barber atingiu o reconhecimento mundial como o primeiro americano a ser interpretado por Toscanini e pela NBC Symphony, quando apresentaram Adagio juntamente com Essay nº 1 for Orchestra.
Apesar de a sua popularidade provir de Adagio for Strings, as suas composições para voz representavam uma significante parte da sua obra. Barber era sobrinho da famosa contra-alto Louise Homer, daí ter acesso à música desde muito cedo, levando-o mesmo a estudar voz, mais tarde.
Foi galardoado com inúmeros prémios e distinções, entre os quais o American Prix de Rome, dois Pulitzer Awards e a eleição para a Academia Americana de Artes e Letras.
A sua obra intensamente lírica Adagio for Strings tornou-se numa das mais amadas composições, estando presente em inúmeros concertos e bandas sonoras (Platoon, The Elephant Man, El Norte, Lorenzo’s Oil).

LAUDATÓRiO

João de Deus
João de Deus é uma das personificações mais belas do nosso carácter peninsular; vivo e indolente, devaneador e apaixonado, crente e sentimental. É uma flor do meio-dia, cheia de seiva e colorido, dos poetas e nunca ninguém sentiu entre nós mais ardente a sua imortalidade do que Bocage. Com que entusiasmo ele exclamava ao ver os seus versos elogiados na boca de Filinto: «Zoilos tremei; posteridade, és minha!» Sob este ponto de vista, João de Deus é a antítese completa de Bocage. Este tinha a inspiração orgulhosa, cheia de fogo, rebentando quase num caudal de ironia e de sarcasmo. João de Deus tem a inspiração serena, espontânea, quase inconsciente. João de Deus é como a flor do campo, que rebenta formosa sem cultivo, velada apenas pela graça de Deus, o jardineiro supremo. As suas poesias são verdadeiras flores do campo, mas das mimosas, das encantadoras na sua singeleza, das que, guardadas num álbum, conservam perfeitamente a delicadeza da forma, o colorido transparente da corola, o aveludado do cálice, a disposição encantadora das pétalas.
08MAR1895 - Diário de Notícias

BREVIÁRiO

Ítaca edita O Castelo de Franz Kafka (1883-1924); tradução de Isabel Castro Silva.
IMAG.31-84-131-165-426-469-474-493-582-593-652-654


sábado, novembro 24, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livro Quatro [Apenas Livros]

O novo segmento de Aurora Boreal, criada por José de Matos-Cruz, corresponde ao 4º Universo da primeira série, O Princípio Infinito, e intitula-se A Mecânica Celeste. A edição, sob chancela Apenas Livros, será apresentada no próximo encontro da Tertúlia BD de Lisboa (na Casa do Alentejo), no dia 4 de Dezembro, a partir das 19h, onde igualmente estarão disponíveis para consulta e para aquisição os restantes #1, #2 e #3.

Explorando o universo criativo de uma Lisboa misteriosa e mágica, povoada por super-heróis e seres sobrenaturais, que fora revelada originalmente na saga d'O Infante Portugal, a enigmática Aurora Boreal prossegue, assim, as suas aventuras por novos mundos, e através de outras realidades e dimensões.

Aurora Boreal e O Princípio Infinito: Quarto Universo – A Mecânica Celeste é o último de quatro livros de cordel do ciclo inicial desta heroína, concebida por Susana Resende e com ilustrações suas, e dos artistas Daniel Maia, Teotónio Agostinho e Renato Abreu, que igualmente assina a capa e a contracapa desta edição culminante. O livro é completado por uma galeria de esboços e de desenhos adicionais, e um foto-painel da autoria de Renato Abreu, com texto de José de Matos-Cruz.


Aurora Boreal
Surgiu na saga d’O Infante Portugal, nascida de uma relação efémera
entre a soviética Oktobraia e o cósmico Malsão. Irradiando além das luzes
e das trevas, a sua aparência torna-se Presente, ao romper os ciclos da infância
e da realidade, pelo capricho súbito e intenso de uma libertação…

A Mecânica Celeste
Odores pestilentos, sabores equívocos e ruídos estridentes...
Isto tudo misturado, invisível ao foco cintilante – que
desvenda os graus e degraus da realidade,
revela os perigos da volúpia humana, dispersa as trevas infinitas ou precárias.
Farol do Bugio. Garras astrais ou ancestrais ali o cravaram,
volúvel, como um caleidoscópio profundo e paradoxal.


Aurora Boreal e O Princípio Infinito
Quarto Universo: A Mecânica Celeste
(Apenas Livros)
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustração: Renato Abreu,
Daniel Maia, Susana Resende e Teotónio Agostinho
BD: Renato Abreu (arte) + José de Matos-Cruz (texto)
1ª Edição: Novembro 2018
Prosa Ilustrada | 40p/PB | PVP: 4,10€

quinta-feira, novembro 22, 2018

IMAGINÁRiO #745

José de Matos-Cruz | 01 Março 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EXPERIÊNCIAS
«Confesso que tenho ideias formadas sobre os quadradinhos, a sua importância como arte e expressão. Em minha opinião, não se trata de uma linguagem autónoma, se bem que raros criadores têm logrado uma obra incomparável, embora nem sempre reconhecida pelo público» - assim fala Max Cabanes, um dos mais prestigiados autores de banda desenhada, na expressão franco-belga. Revelado entre nós por Cabra Cega / Colin Maillard - galardoado em 1990 com o Grande Prémio no Festival de Angoulême -, Cabanes regressou com Paixões (1996), a partir de um insinuante e ousado argumento de Sylvie Brasquet.
A acção decorre em 1975, relatando as experiências de férias, em Inglaterra, da jovem Pascale, aluna do austero Colégio de St. Joseph. Sexo, religião, valores e preconceitos, revelações e libertinagem, contrastam-se numa narrativa insólita, irónica, entre o discurso convencional e a ilustração sem complexos. Em causa, o retrato simbólico e crítico de uma época em que a crise de mentalidades, por tempos de rotura e transição, representaria uma vivência determinante para o mundo presente. Afinal, como remataria Cabanes, «é preciso não ficarmos presos ao passado - as coisas evoluem e, com elas, nós próprios e as nossas expectativas».
IMAG.524

CALENDÁRiO

13JUL-16SET2018 - Em Coimbra, Museu Nacional de Machado de Castro expõe, em Tesouros Partilhados com Museu Nacional Grão Vasco, Virgem da Ternura - Ícones Russos do Legado Pereira da Gama.

18ABR-01SET2018 - Em Matosinhos, Casa do Design expõe Portugal Imaginário - Turismo, Propaganda e Poder (1910-1970), sendo curadores José Bártolo e Sara Pinheiro.
09AGO-22SET2018 - No Porto, Maus Hábitos apresenta no ciclo Caravana, promovido por Saco Azul, Eu Nunca Emergi / Emergir Para Afundar - exposição de pintura, fotografia, escultura e arte digital de Volkan Diyaroglu (Turquia).

1932-11AGO2018 - Vidiadhar Surajprasad Naipaul, aliás Vidia Naipaul, aliás V.S. Naipaul: Escritor e jornalista britânico, nascido em Trinidad, autor de The Mistic Masseur (1957), distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (2001) - «Eu sou a soma dos meus livros». IMAG.460

1947-13AGO2018 - Filipe Alberto do Paço d’Oliveira Mendes, aliás Filipe Mendes, aliás Phil Mendrix: Músico português de rock, compositor, instrumentista e vocalista, ligado a Os Chinchilas, Roxigénio ou Ena Pá 2000 - «Desde cedo considerado um virtuoso da guitarra eléctrica, e conhecido como o Jimi Hendrix português» (Luís Miguel Queirós).

1942-16AGO2018 - Aretha Louise Franklin, aliás Aretha Franklin, aliás the Queen of Soul: Cantora e pianista americana, compositora, empresária e produtora, intérprete de Respect (1967) - «Eu sou a minha música». IMAG.211

28SET2018 - Em Matosinhos, Casa da Arquitectura expõe Infinito Vão - 90 Anos de Arquitectura Brasileira, sendo curadores Fernando Serapião e Guilherme Wisnick.

COMENTÁRiO

Frédéric Chopin
A sua apresentação foi sempre nobre e bela; os seus tons cantados, ora num forte ora no mais suave piano. Teve de passar por infinitas dores, para ensinar aos pupilos o seu legato, o seu estilo cantabile de tocar. A sua crítica mais severa era: «Ele – ou ela – não sabe como combinar duas notas simultaneamente». Exigia, também, uma precisa adesão ao ritmo. Odiava tudo o que fosse vagaroso e demorado, como rubatos fora do lugar, ou exagerados andamentos… E é precisamente a esse respeito que as pessoas cometem os maiores erros, ao tocar as suas obras.
Friederike Muller

VISTORiA

As irmãs não se entregavam a grandes conversas. Agatha, loura, baixa e decidida, revoltava-se contra a atmosfera doméstica, contra a doutrina da outra face. Sobrevivia só no mundo, e estava a ponto de conquistar a sua independência. Insistia no valor dos juízos mundanos, das aparências, das maneiras, da situação social, coisas que Miriam desdenhava.
D.H. Lawrence
- Filhos e Amantes (1913 - excerto)

MEMÓRiA

MAR1360-1415 - Philippa of Lancaster, aliás D. Filipa de Lencastre, Rainha de Portugal: Princesa inglesa, filha do primeiro Duque de Lencastre, casou com El-Rei D. João I (1387), tendo fortalecido por laços familiares os acordos do Tratado de Aliança Luso-Britânica, que perdura até hoje. IMAG.43

01MAR40-104 - Marco Valério Marcial: Poeta hispano-latino - «O homem bom amplia o espaço da sua vida: poder usufruir da vida passada, é poder viver duas vezes». IMAG.495

01MAR1810-1849 - Fryderyk Franciszec, aliás Frédéric Chopin: Pianista polaco radicado em França, compositor do período romântico - «O meu desejo é que conseguisse eliminar todos os pensamentos que envenenam a minha felicidade, mas acabo por tirar uma espécie de prazer ao ser indulgente com eles».
IMAG.92-191-203-247-265-298-325-375-380-412-462-572-595-640-727

1885-02MAR1930 - David Herbert Lawrence, aliás D.H. Lawrence: Escritor inglês - «Come e embriaga-te com Baco, ou mastiga pão seco como Jesus, mas não fiques sentado sem um dos deuses». IMAG.50-58-280-401-530-593-656-669

02MAR1930-2018 - Thomas Kennerly Wolfe, aliás Tom Wolfe: Escritor e jornalista americano, ficcionista e ensaísta, autor de A Fogueira das Vaidades (1987) - «Provavelmente, o mais dotado escritor americano, pois consegue fazer mais coisas com palavras do que qualquer outro» (William F. Buckley). IMAG.120-729

03MAR1920-2011 - Ronald William Fordham Searle, aliás Ronald Searle: Ilustrador e cartoonista britânico, autor de St Trinian’s School (1948) - «Até ao fim, com um lápis e um pedaço de papel, continuou a desenhar tranquilamente, o que nos dá ideia da diferença de carácter entre ele e um ser humano comum» (Russell Branddon). IMAG.390

04MAR1810-1879 - José Feliciano de Castilho Barreto e Noronha, aliás Castilho José, aliás José Feliciano de Castilho - Escritor, bibliotecário e jornalista português, radicado no Brasil - «Em nome do progresso, que abrandou os nossos hábitos, da Constituição, cujo espírito suprime os escusados padecimentos corporais, da lei, que apagou em nossos códigos as manchas de sangue, apareça de novo uma lei de bronze, declarando o divertimento nacional dos touros impolítico, imoral, impossível». IMAG.698

05MAR1930-2011 - Jean Tabary: Ilustrador francês de banda desenhada, nascido na Suécia, criador de Iznogoud (1962, com René Goscinny) - «Je veux être calife à la place du calife!». IMAG.119-372

06MAR1930-2014 - Lorin Varencove Maazel, aliás Lorin Maazel: Maestro americano, violinista e compositor - «Um sobredotado - porque não dizê-lo: um génio, na pura acepção da palavra. Para ele, tudo vinha com facilidade, tudo absorvia, tudo dominava. Era brilhante» (B.M. - Diário de Notícias). IMAG.222-525



PARLATÓRiO

Frédéric Chopin
A sua aparência fazia lembrar algumas plantas de finos caules, que o menor contacto pode quebrar.
Franz Liszt

Ninguém encarna tão completamente a ligação entre os espirituais afro-americanos, os blues, o R&B e o rock’n’roll, o modo como a diversidade e o sofrimento se transformam em algo cheio de beleza, e vitalidade, e esperança.
Barack Obama

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Se Numa Noite de Inverno Um Viajante de Italo Calvino (1923-1985); tradução de José Colaço Barreiros.  
IMAG.51-439-482-531-631-676-686

Warner edita em CD, Hitchhiker de Neil Young. IMAG.101-157-254-339

Dom Quixote edita O Nosso Agente Em Havana de Graham Green (1904-1991); tradução de Ana Lourenço.
 IMAG.10-160-180-387-388-485-671-676

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

A MELANCOLIA FIXA DO CONTROLADOR DE ONDAS - 10

Inquieto, extrovertido, Damião de Magalhães ia-se teimando de que apenas lhe prezaria um qualquer refúgio solitário. Agora, que recobrava em razão, de onde ousara por megalomania. Sem glória, encoberto, ante o dissoluto e o ouropel. Onde o céu levantara a névoa, dissipar-se-ia o seu fascínio. Quando o escorbuto não o vitimara, torturavam-no já os escrúpulos.
Continua
 

sábado, novembro 17, 2018

IMAGINÁRiO #744

José de Matos-Cruz | 24 Fevereiro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

FATALIDADE
Ultrapassando a mera cinefilia sobre uma obra de culto, o fenómeno de Princesa Mononoke/Princess Mononoke estende-se às virtualidades duma apreensão ocidental sobre um filme genuinamente asiático, e em especial de características gráficas. Nos Estados Unidos, foi considerada a mais importante animação oriunda do Japão, até à data, permitindo ainda revelar Hayao Miyazaki, um realizador talentoso e sensível, com inspiração essencial no imaginário tradicional e popular do seu país.
Estreada em Tóquio em 1997, logrou o segundo maior sucesso comercial do ano. A Miramax decidiu recriar integralmente uma Versão Inglesa (1999), mantendo implícita fidelidade ao espírito original. Por sugestão de Quentin Tarantino, seu admirador, foi incumbido da supervisão Neil Gaiman, prestigiado escritor britânico de quadradinhos. Profundo conhecedor das mitologias universais, tal como repercute em The Sandman, Gaiman devotou-se a uma intensa pesquisa sobre o lendário nipónico, à época ritualizada por Princesa Mononoke. Em causa, a «floresta oriental do Século XVI», luxuriante e fantástica. Quando os domínios naturais são devastados pelo clã Tatara, o Grande Deus atribui extraordinários poderes às suas divindades, assim aparecendo criaturas medonhas, ilusórias. Por fatalidade, uma delas é morta pelo jovem Ashitaka, o último guerreiro do clã Emishi, em risco de extinção…
IMAG.17-21-25-26-34-49-59-86-117-188-203-240-243-537-667-714-739


CALENDÁRiO

07JUL-14OUT2018 - Museu Municipal de Tavira expõe, com Museu Calouste Gulbenkian / Colecção Moderna, Mulheres Modernas Na Obra de José de Almada Negreiros (1893-1970), sendo curadora Mariana Pinto dos Santos.
IMAG.84-135-154-173-224-278-292-305-371-413-498-547-561-579-612-630-633-660-680-704-711-715

24JUL-07OUT2018 - Museu Municipal de Caminha apresenta, com Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Quase Tudo o Que Sou Capaz - exposição de pintura, desenho e escultura (1961-1989) de Ângelo de Sousa (1938-2011), sendo curadora Paula Fernandes. IMAG.91-349-373-393-604

26JUL-22AGO2018 - Em Lisboa, Sociedade Nacional de Belas-Artes apresenta, na Galeria Pintor Fernando Azevedo, O Espaço Onde Todos Cabem - exposição de pintura de Ana Ruepp.

1923-01AGO2018 - Maria Celeste Rebordão Rodrigues, aliás Celeste Rodrigues: Fadista portuguesa, irmã de Amália Rodrigues - «Nunca se meteu na minha carreira artística, felizmente. Se não, eu tinha desistido. Canto à minha maneira, canto as minhas cantiguinhas. Como eu sinto. Nunca a imitei. Tentei fugir à maneira de ela cantar… Há tantos alfaiates. Eu não tinha de ser como ela».

07AGO-04SET2018 - Em Lisboa, Instituto Cultural Romeno expõe Manifesto de Mihai Ţopescu (Roménia).

PARLATÓRiO

Sermões
A escolha é obra da graça, como diz o Apóstolo: «No tempo presente subsiste um resto, por causa da escolha da graça». E acrescenta: «Se isto foi pela graça, não foi pelas obras; de outra sorte, a graça já não seria graça».
Ouve-me, ó ingrato, ouve-me! «Não fostes vós que me escolhestes, mas eu que vos escolhi». Não tens razão para dizer: fui escolhido porque já acreditava. Se acreditavas nele, já o tinhas escolhido. Mas ouve: «Não fostes vós que me escolhestes». Não tens razão para dizer: antes de acreditar, já realizava boas acções, e por isso fui escolhido. Se o Apóstolo diz: «O que não procede da fé é pecado», que obras boas podem existir anteriores à fé? Ao ouvir dizer: «Não fostes vós que me escolhestes», que devemos pensar? Que éramos maus e fomos escolhidos para nos tornarmos bons, pela graça de quem nos escolheu. A graça não teria razão de ser, se os méritos a precedessem. Mas a graça é graça. Não encontrou méritos, foi a causa dos méritos. Vede, caríssimos, como o Senhor não escolhe os bons, mas escolhe para fazer bons.
«Eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais frutos, e o vosso fruto permaneça».
Santo Agostinho
- Comentários ao Evangelho de São João

PARLATÓRiO

Quando eu era mais jovem, a arte era uma coisa solitária. Sem galerias, nenhum coleccionador, nenhum crítico. Nenhum dinheiro. Entretanto, foi uma época de ouro. Pois não tínhamos nada a perder, e sim um sonho para realizar. Hoje, não é a mesma coisa. É uma época de muita conversa, de actividade, de consumismo. O que é melhor para a sociedade como um todo, não me aventuro a conjecturar. Mas eu sei que muitos dos que são induzidos neste tipo de vida estão, desesperadamente, em busca daqueles momentos de tranquilidade, nos quais nos podemos refazer e crescer. Devemos todos ter esperança de encontrá-los.
Mark Rothko
ANUÁRiO

354-430 - Aurélio Agostinho, dito de Hipona, aliás Santo Agostinho: Escritor, filósofo, teólogo e bispo latino - «A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação ensina-nos a não aceitar as coisas como estão; a coragem, esclarece-nos sobre o modo de as mudar». IMAG.19-34-116-227-282-481

MEMÓRiA

FEV1630-1684 - Josefa de Ayala Cabrera Figueira, aliás Josefa de Óbidos: Pintora portuguesa barroca, nascida em Espanha e consagrada pelos trabalhos de inspiração religiosa e pelas naturezas-mortas; raro exemplo de mulher que, à sua época, exercia o ofício, assinava e datava os seus quadros - que «traduzem a decepção de quem esperava muito mais e não achou… Não tivesse a artista tanto nome e os pareceres dos críticos seriam mais benévolos, pois sua pintura, embora sem nada excepcional, possui relativo interesse» (Fernando de Pamplona). IMAG.264-475-567

1903-25FEV1970 - Markus Rothkowitz, aliás Mark Rothko: Pintor russo, naturalizado americano - «Um quadro ganha vida, na presença do espectador que for sensível, e cuja consciência lhe atribui uma outra dimensão e amplitude». IMAG.269-436

29FEV1920-2016 - Simone Renée Roussel, aliás Michèle Morgan: Actriz francesa de teatro, cinema e televisão - «Espanta-me como os seus olhos se podem tornar duros, a sua boca insolente e a sua voz cruel» (Robert Chazal - 1957). IMAG.655

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Manuel Maria Barbosa du Bocage [1765-1805] - Antologia de Poesia Erótica; organização de Fernando Pinto do Amaral.
IMAG.42-43-50-69-103-151-308-327-543-581-583-587-639

GALERiA

Mulheres Modernas
A exposição Mulheres Modernas Na Obra de José de Almada Negreiros reúne 55 desenhos e pinturas – a maioria pertencente ao acervo da Colecção Moderna do Museu Calouste Gulbenkian –, assim como excertos da obra literária do artista e textos publicados nos jornais e revistas da época.
A mulher moderna emancipada está presente na produção artística de Almada: na moda dos anos vinte ou através da representação de mulheres fumadoras, sedutoras, rebeldes, artistas, cantoras, bailarinas, atrizes, desportistas ou acrobatas. No entanto, ainda subiste o olhar masculino e voyeur que dominou a história da arte, tornou o corpo feminino em objeto e fez dele parte substancial da sua tradição.
A figuração feminina enquanto força de trabalho também é evocada através da representação de mulheres do mar, cuja expressão endurecida e sofrida anuncia preocupações realistas, presentes na obra plástica de Almada dos anos trinta.

Manifesto

Ao longo de 2017, Mihai Ţopescu desenvolveu, na localidade de Poienari, Roménia, um projecto de land art intitulado Paradise Forest, e que constou da coloração de uma floresta para que o espetador se deparasse com um espetáculo inédito, que fizesse soar um sinal de alarme em relação à poluição ambiental, desmatamento e necessidade de proteger a natureza.
«A floresta está encarnada! O artista enche-nos com todos os seus sentimentos, enquanto a natureza, a partir da qual Mihai Ţopescu cria a sua realidade, nos chama para o seu templo. Aqui, no templo cheio de colunas coloridas, subimos no silêncio de um dia de descanso imaculado», comentou o crítico Adrian Buga.
O projeto de land art foi transposto para uma escultura-objeto-instalação, em jeito de Manifesto.
Segundo Mihai Țopescu, «é uma luta pessoal com os meus semelhantes. Pretendo fazê-los perceber que, mal pomos o pé num sítio, destruímo-lo. Enquanto artista, não posso sair à rua e manifestar-me de uma forma clássica, mas tento fazê-lo através de símbolos».

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

A MELANCOLIA FIXA DO CONTROLADOR DE ONDAS - 9

Ali, Damião de Magalhães foi então surpreendido por uma populaça que, aos morras e vivas, se acotovelava entre a língua das águas e uma edificação monumental. O efémero e o eterno. Do morro descampado, em transe, que um dia ele conhecera, mantinha-se apenas uma porção de ervas e árvores, posta à qual aquela turba humana pudesse restituir um frémito providencial.
Continua