A recuperação dos newsletters previamente inéditos online, no blog Imaginário-Médio, entrou num novo ano virtual, com os posts alusivos a Janeiro de 2014. que engloba as newsletters #449, #450, #451 e #452. Assim, permanecem por carregar menos de 50 posts antigos! Acessem-nos através dos links disponibilizados.
quinta-feira, fevereiro 01, 2018
terça-feira, janeiro 30, 2018
IMAGINÁRiO #700
José
de Matos-Cruz | 24 Março 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal
– Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
APOCALIPSES
Desde
que o cinema existe, sob o signo de Hollywood, o espectáculo da
guerra sempre constituiu um fascínio perverso e perigoso, enquanto
abordagem limite ou fenómeno ritual. Assim, o imaginário do
Vietname suscitaria, inevitavelmente, uma referência ao Apocalypse
Now (1979) de Francis Ford
Coppola - obra-prima cujas fortíssimas implicações temáticas e
estéticas, em que se reconstitui um universo de demolição
irracional, sob o crepúsculo da humanidade, pressupõe uma incursão
alegórica e fantástica pelo inferno na Terra. Em 1986, Oliver Stone
ousou sondar de novo esse coração
das trevas com Platoon
/ Os Bravos do Pelotão -
expondo o desafio limite para um punhado de jovens soldados ianques,
ante a morte espectral: vítimas de um absurdo devastador, em
sacrifício ou sobrevivência, que é simbolizado no fatídico
antagonismo de dois desses combatentes…
A evolução político-social no Sudoeste Asiático provocou uma
rodagem noutros cenários naturais, as Filipinas, e a memória
traumática do próprio realizador - sobre a sua
experiência no Vietname, aliada à consagração como argumentista -
atribui uma ressonância clássica, épica, a este testemunho tão
perturbante e avassalador. Oliver
Stone consuma, afinal, uma
capacidade excepcional para definir - através de uma dimensão
expiatória, que transcende a convulsão histórica
entre poderes e ideais - os sentimentos, as contradições, os
horrores e os pesadelos solitários de tão precários protagonistas
bélicos.
IMAG.6-47-67-157-295-576-587-596
CALENDÁRiO
07OUT2017-06JAN2018
- Em Lisboa, Galeria Zé dos Bois
apresenta, em parceria com
Culturgest, Chama Xamânica
- exposição de desenhos, objectos e esculturas de Otelo M. F.,
sendo curador Nuno Faria.
25OUT-26NOV2017
- Em Alcabideche, CascaiShopping apresenta, em parceria com The
Archives LLC e Iconic Images, a exposição de fotografia Marilyn
[Monroe - 1926-1962] by Milton
H. Greene (EUA), sendo
curadora Cristina Carrillo de Albornoz.
IMAG.70-85-114-189-360-381-386-449-456-463-471-565-669
26OUT2017
- Leopardo Filmes produziu, e estreia Todos
os Sonhos do Mundo / Tous les Rêves du Monde
(2017) de Laurence Ferreira Barbosa; com Paméla Constantino Ramos e
António Torres Lima.
26OUT2017-05FEV2017
- Em Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian apresenta Do
Outro Lado do Espelho -
exposição múltipla, sendo curadoras Maria
Rosa Figueiredo e Leonor Nazaré.
VISTORiA
Como
meio de elaboração, o Espiritismo procede exactamente da mesma
forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental.
Factos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis
conhecidas; ele observa-os, compara, analisa e, remontando dos
efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as
consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu
nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a
existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem
a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu
pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou
evidente da observação dos factos, procedendo de igual maneira
quanto aos outros princípios. Não foram os factos que vieram a
posteriori confirmar a
teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os
factos. É, pois, rigorosamente exacto dizer-se que o Espiritismo é
uma ciência de observação e não um produto da imaginação. As
ciências só fizeram progressos importantes depois que os seus
estudos se basearam no método experimental; até então,
acreditou-se que esse método só era aplicável à matéria, ao
passo que o é, também, às coisas metafísicas.
Allan
Kardec
-
A
Génese,
Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo
(1868
– excerto)
COMENTÁRiO
Raymond
Chandler
Dois
anos antes de falecer, Raymond Chandler escreveu ao seu agente de
Londres: «Vivi a minha existência à beira do nada». Sentia a vida
com grande intensidade, e isso contribuiu para fazer dele um dos
melhores romancistas do seu tempo, com um alcance emocional que
poucos dos seus contemporâneos lograram atingir. Como principal
expoente da escola do homem
duro nas narrativas de
mistério, Chandler era também um poeta sentimental. Ao longo do
tempo granjeou de sucesso como autor, e o herói dos seus livros,
Philip Marlowe, era conhecido por milhões de leitores. No entanto, a
sensibilidade temperamental que tornou possível o êxito como
escritor, também fez dele um ser humano infortunado.
O
escritor galês Jon Manchip White, que conheceu Chandler no Hotel
Conaught de Londres, onde costumava hospedar-se pelos últimos anos,
descreveu-o como «um homem extraordinariamente complexo e
extraordinariamente infeliz. Na sua personalidade não cabia a
resignação, e era incapaz de aceitar o facto de que nenhum de nós,
e muito menos um artista, nunca encontre o que procura e afinal tenha
de conformar-se com o que tem e é». Raymond Chandler era
intrinsecamente incapaz desse tipo de atitude. «Suponho que todos os
escritores são loucos» – escreveu – «mas, se há alguns mais
medíocres, creio que, mesmo assim, possuem uma terrível
integridade».
Frank
MacShane
-
A
Vida de Raymond Chandler
(1976 - excerto)
VISTORiA
En
Este Mismo Instante…
En
este mismo instante
hay
un hombre que sufre,
un
hombre torturado
tan
sólo por amar
la
libertad. Ignoro
dónde
vive, qué lengua
habla,
de qué color
tiene
la piel, cómo
se
llama, pero
en
este mismo instante,
cuando
tus ojos leen
mi
pequeño poema,
ese
hombre existe, grita,
se
puede oír su llanto
de
animal acosado,
mientras
muerde sus labios
para
no denunciar
a
los amigos. ¿Oyes?
Un
hombre solo
grita
maniatado, existe
en
algún sitio. ¿He dicho solo?
¿No
sientes, como yo,
el
dolor de su cuerpo
repetido
en el tuyo?
¿No
te mana la sangre
bajo
los golpes ciegos?
Nadie
está solo. Ahora,
en
este mismo instante,
también
a ti y a mí
nos
tienen maniatados.
José
Agustín Goytisolo
MEMÓRiA
1926-30MAR1988
- John Clellon Holmes: Novelista, poeta e professor americano, membro
da Beat Generation
- «Mais do que simples fadiga, beat
implica a sensação de ter sido usado, de estar em carne viva.
Envolve uma espécie de desnudamento da mente e, em última
instância, da alma: a sensação de estar sendo reduzido às bases
da consciência. Em síntese, significa ser empurrado sem drama
contra o muro do isolamento» (1952). IMAG.362-554-652
1928-19MAR1999
- José Agustín Goytisolo: Escritor espanhol, irmão de Juan
Goytisolo e Luis Goytisolo, autor de Palabras
Para Julia - «Me anunciará
tu paso el breve salto / de un pájaro en ese instante fresco y
huidizo / que determina el vuelo, / y la hierba otra vez como una
orilla / cederá poco a poco a tu presencia.» (Cuando
Todo Suceda - excerto).
IMAG.654
24MAR1909-1934
- Clyde Barrow: Criminoso americano - «Esta é Miss
Bonnie Parker. Eu chamo-me Clyde Barrow… Estamos aqui para fazer o
nosso trabalho - somos assaltantes de bancos!». IMAG.212-293-467
1888-26MAR1959
- Raymond Thornton Chandler, aliás Raymond Chandler: Ficcionista
americano - «Em tudo que chamamos arte, existe uma expectativa de
redenção». IMAG.86-190-216-220-236-282-283-449-567-578-667
28MAR1909-1981
- Nelson Ahlgren Abraham, aliás Nelson Algren: Ficcionista
americano, autor de Vidas
Perdidas / A Walk On the Wild Side
(1956) - «Nunca comi num lugar que se chamasse Mamã. Nunca joguei
cartas com um homem a quem tratassem por Doutor. E nunca tive de
lidar com uma mulher que me trouxesse tantos problemas como tu!»
(What Every Young Man Should
Know - excerto). IMAG.503
1913-29MAR2009
- Helen Levitt: Fotógrafa americana, uma
das mais importantes do Século XX, famosa pelos instantâneos de rua
em Nova Iorque
- «Saía, andava por aí a fazer click!,
seguia o meu olhar e fixava o que lhe chamava a atenção».
IMAG.243-432
1924-29MAR2009
- Maurice-Alexis Jarre, aliás Maurice Jarre: Compositor francês -
«Trabalhando com os maiores cineastas do mundo, enquanto compositor
mostrou que a música é tão importante para o sucesso de um filme
como as próprias imagens» (Nicolas Sarkozy). IMAG.243-320-482
1804-31MAR1869
- Hippolyte Léon Denizard Rivail, aliás Allan Kardec: Educador,
escritor e tradutor francês, codificador do Espiritismo - «O estado
das almas depois da morte não é mais um sistema, e sim o resultado
da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na
plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o
descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os
próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua
situação.» (O Céu e o
Inferno - 1865, excerto).
IMAG.127-187-220
31MAR1929-2014
- Menahem Globus, aliás Menahem Golan: Cineasta israelita,
realizador e produtor, com sucesso em Hollywood através da Cannon
Films, associado ao primo Yoram Globus - para quem «conseguimos
viver do que para nós era uma paixão». IMAG.527
PARLATÓRiO
Maurice
Jarre
Os
compositores de cinema ficam, frequentemente, à sombra dos
realizadores e dos intérpretes; porém, a sua música para filmes
faz parte inesquecível da história da sétima arte.
Dieter
Kosslick
BREVIÁRiO
Relógio
D’Água edita Dentes de Rato
de Agustina Bessa-Luís.
IMAG.11-33-83-92-209-216-223-239-243-341-481-520-539-633-639-694-698
Quetzal
edita Memórias
de Raul Brandão (1867-1930).
IMAG.48-161-293-301-342-350-384-394-400-431-495-582-602-641-642-668-670-694
quinta-feira, janeiro 25, 2018
Imaginário-Médio: newsletters de Dezembro 2013
Chegamos ao fim do ano virtual de 2013 no blog Imaginário-Médio, recuperando as newsletters deste, previamente inéditas online. Como sempre, aproveitamos para disponibilizar aqui os links directos - #445, #446, #447 e #448 - e, já agora, votos de Feliz Ano Novo!
segunda-feira, janeiro 22, 2018
IMAGINÁRiO #699
José
de Matos-Cruz | 16 Março 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal
– Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
PRONTUÁRiO
COMUNICAR
Em
meados do Século XX, mais precisamente a 26 de Setembro de 1946,
eram fundadas as Éditions du Lombard, cuja vocação aventurosa se
instalaria a nível europeu, e graças à banda desenhada, entre
várias gerações de leitores, dos 7 aos 77 anos. Desde esses tempos
pioneiros, cuja referência primordial é o Journal
Tintin,
estende-se um historial de sucessos e desafios, de ousadias e
vitórias, que culminou numa venda estimada, durante 2000, em cerca
de um milhão de álbuns em quadradinhos. A estrutura fundamental
destaca uma honrosa tradição de artistas veteranos, pela chancela
Signé,
le Lombard,
entre os quais sobressai Derib
- aliás, Claude de Ribaupierre - com uma carreira coerente pela
figuração narrativa, entre o testemunho e o entretenimento, através
de títulos como
Yakari, Buddy Longway, Red Road, Jo,
Pour Toi,
Sandra
ou
No Limits
- numa obra perturbante de acuidade e actualidade… Derib esclarece:
«Na banda desenhada, encontrei um modo simples e eficaz de comunicar
com as outras pessoas. Os jovens têm problemas delicados para
enfrentar, e eu procuro tratá-los, não numa perspectiva moral, mas
expondo-os em quadradinhos, através das suas implicações humanas».
CALENDÁRiO
14MAI1947-05OUT2017
- Anne Wiazemsky: Actriz, cineasta e escritora francesa, intérprete
de Peregrinação Exemplar /
Au Hasard Balthazar (1966 -
Robert Bresson) - «Nascera com grandes dons; circunstâncias
excepcionais levaram a que frutificassem cedo» (José Cutileiro).
IMAG.502
01MAI1917-17OUT2017
- Danielle Darrieux: Actriz e cantora francesa, intérprete de O
Vermelho e o Negro / Le Rouge et le Noir (1954
- Claude Autant-Lara) - «O meu sucesso precoce ter-se-á devido a
ter um tipo físico pouco comum, no cinema».
1940-19OUT2017
- Manuel Figueiredo de Oliveira, aliás Manuel Oliveira: Atleta
português - «Um grande ídolo do desporto nacional»
(WikiSporting).
20OUT-01DEZ2017
- Em Linda-a-Velha, Fundação Marquês de Pombal apresenta, no
Palácio dos Aciprestes, Diálogos
- exposição de pintura / desenho de Vítor Higgs, José Augusto
Coelho e Adelaide Monteiro.
26OUT2017-15ABR2018
- Em Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, na Casa das Histórias
Paula Rego, Pra Lá e Pra Cá
- exposição de gravura e figurinos de Paula Rego, sendo curadora
Catarina Alfaro.
IMAG.11-13-31-199-205-258-269-325-342-351-357-364-370-399-416-464-486-489-515-545-596-597-620-621-629-651-659-669-680-693
BREVIÁRiO
INCM/Imprensa
Nacional - Casa da Moeda edita O
Essencial Sobre Pablo Picasso (1881-1973)
de José-Augusto França.
IMAG.14-119-187-224-281-310-344-347-356-381-413-420-485-536-538-666
VISTORiA
Ivan
Iákovlevitch vestiu, por respeito das conveniências, a casaca por
cima da camisa e, sentando-se à mesa, serviu-se de sal, preparou
duas cebolas, pegou na faca e, com uma expressão eloquente na cara,
pôs-se a cortar o pão. Ao abri-lo ao meio, olhou para o miolo e,
surpresa sua, viu algo esbranquiçado.
Escavou
cuidadosamente com a faca e apalpou com um dedo. «É duro, – disse
para si. – Que poderá ser?». Enfiou os dedos e tirou – um
nariz!… Caiu das nuvens; esfregou os olhos e começou a apalpar:
nariz, nariz de certeza! Ainda por cima de alguém conhecido,
parecia-lhe. Desenhou-se o terror no rosto de Ivan Iákovlevitch.
Nikolai
Gogol
-
O Nariz
(1836 – excerto)
VISTORiA
Se
duvidas
Que teu corpo
Possa estremecer comigo
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
Desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
Às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
Que teu corpo
Possa estremecer comigo
E sentir
O mesmo amplexo carnal,
Desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
Às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
António
Botto
COMENTÁRiO
António
Botto
A
vasta obra poética de Botto, em parte ainda dispersa ou
não-recoligida, apesar de e também pelo muito que ele publicou,
republicou, reorganizou em volumes dispersos ou suprimia de volumes
anteriores, etc., poderá repartir-se em quatro fases: a juvenil, em
que continua o tom da quadra dita popular, conjugando-o com aspectos
da dicção simbolista que poetas como Correia de Oliveira, Augusto
Cid, e sobretudo Lopes Vieira haviam introduzido nela; a
simbolístico-esteticista, em que a juvenilidade tradicionalizante se
literaliza dos requebros esteticísticos que marcaram, nos anos 20,
muita poesia simultaneamente da tradição saudosista e modernista (é
a das primeiras edições das Canções
e breves plaquetes seguintes, em que todavia a personalidade do poeta
já figura inteira em diversos poemas); a fase pessoal e original,
nos anos 30, desde as edições de 1930-32 das Canções
(em que ele ia incorporando selecções de colectâneas anteriores)
até A Vida Que Te Dei
e Os Sonetos
(fase que é também a dos seus excepcionais contos infantis que
tiveram realmente as edições estrangeiras que se julgava ser uma
das mentiras megalomaníacas do poeta, da «novela dramática»
António,
e da peça Alfama);
e a última fase, nos anos 40 e 50, até à morte que é a de uma
longa e triste decadência, com poemas desvairadamente oportunistas,
revisões desastrosas afectando nas reedições alguns dos melhores
poemas anteriores.
Jorge
de Sena
-
Líricas Portuguesas
(1958)
MEMÓRiA
16MAR1799-1871
- Anna Children, aliás Anna Atkins: Botânica inglesa, considerada a
original mulher-fotógrafa, publicou Photographs
of British Algae: Cyanotype Impressions
(1843-1853) - porventura, o primeiro livro ilustrado com imagens
fotográficas; «apesar da simplicidade de meios, o seu projecto foi
um esforço precursor e sustentado na demonstração das
virtualidades da fotografia como prática científica e deleite
estético» (Encyclopædia
Britannica).
1897-16MAR1959
- António Tomás Botto, aliás António Botto: Poeta português,
autor de Ciúme
- «Eu creio que sonhar o impossível / É como que ouvir uma voz de
alguma coisa / Que pede existência e que nos chama de longe. // Sim,
o mais importante na vida / É ser-se criador. / E para o impossível
/ Só devemos caminhar de olhos fechados / Como a fé e como o amor.»
(Curiosidades Estéticas).
IMAG.292-307-622-639
17MAR1919-1965
- Nathaniel Adams Coles, aliás Nat King Cole: Cantor e pianista
americano - «Quando conseguimos levar as pessoas o olharem para
alguém que canta, é porque realmente já atingimos uma parte das
nossas expectativas». IMAG.502-599
17MAR1919-1995
- Maria da Graça Neves Saramago, aliás Maria da Graça: Cantora e
actriz portuguesa, intérprete de O
Pátio das Cantigas (1941 -
António Lopes Ribeiro). IMAG.501
20MAR1809-1852
- Nikolai Vassilievitch Gogol, aliás Nikolai Gogol: Escritor russo
de origem ucraniana - «Quanto mais sublimes forem as verdades, mais
prudência exige o seu uso; senão, de um dia para o outro, tornam-se
lugares comuns, e as pessoas nunca mais acreditam nelas».
IMAG.118-219-223-361-474-593-637
21MAR1839-1881
- Modest Petrovich Mussorgsky:
Compositor russo - «A arte não é um fim, mas sim um meio para nos
dirigirmos à humanidade».
IMAG.540-698
TRAJECTÓRiA
Nat
King Cole
Nat King Cole é um dos mais importantes vocalistas do pop jazz do século
XX. O seu estilo agradável, a dicção perfeita, a beleza do timbre
de barítono contribuem para o tornar popular, mas era a modéstia
implícita do canto deste inovador pianista da história do jazz que
parecia tornar fácil e vulgar, em vez de original, a sua forma de
cantar: ele cantava e o ouvinte julga que pode cantar como ele. Pura
ilusão.
1917-1936
- A família de Nathaniel Coles muda-se do Alabama para Chicago
quando o pequeno Nat tinha 4 anos; aos 12 anos, já tocava órgão e
cantava na igreja aonde seu pai pregava. Cole é bastante
influenciado por Earl Hines, o pianista mais famoso de Chicago.
1936
- Cole prefere mudar-se para Los Angeles após tentativas falhadas de
tocar em vários grupos. Forma um trio com o guitarrista Oscar Moore
e Wesley Price no baixo tornando-se residentes no clube Swanne Inn,
em Hollywood. O estilo definido pelo trio de Nat viria a influenciar
fortemente Art Tatum e Oscar Peterson. O próprio conceito de trio de
jazz é praticamente estabelecido por este formato.
1943
- Cole grava Straighten Up And
Fly Right, o seu primeiro
solo vocal com o seu trio que se torna um sucesso a nível nacional
dos EUA. Cole, à medida que vai cantando o seu sucesso vai
aumentando, e as suas aparições com o seu trio vão reduzindo.
1946
- The Christmas Song
é um êxito e também a sua primeira gravação com uma orquestra.
Tornou-se um clássico da época natalícia.
1948-50s
- Cole é um dos primeiros negros a ter um programa semanal na rádio
e, no princípio dos anos 50, era já internacionalmente famoso. Em
56, começa a fazer um programa semanal na televisão, mas os
patrocinadores faltam por ele ser negro.
1958
- Um dos filmes em que participou, Saint
Louis Blues, ficcionaliza a
vida de W. C. Handy.
1965
- Nat King
Cole morreu a 15 de Fevereiro de 65 com cancro na garganta. Apesar de
se ter tornado mundialmente famoso com o seu canto, foi no piano e
com o seu trio que influenciou o mundo do Jazz.
sexta-feira, janeiro 19, 2018
Imaginário-Médio: newsletters de Novembro 2013
Já estão disponíveis os newsletters #441, #442, #443 e #444 no blog Imaginário-Médio, alusivas à data virtual de Novembro 2013, previamente inéditas online. Consultar nos respectivos links.
terça-feira, janeiro 16, 2018
IMAGINÁRiO-Extra: 2º MÓDULO do II CURSO DE BD no MUSEU BORDALO PINHEIRO
Entre 19 de Janeiro e 9
de Fevereiro, decorre o 2º Módulo do II Curso de BD do Museu Bordalo Pinheiro, em
Lisboa, coordenado pelo autor Penim Loureiro, com orientação pela
artista plástica/ilustradora Susana Resende.
Este 2º módulo vai focar-se em introdução ao desenho e
planificação de banda desenhada pelo gesto, inovadores métodos
criativos e em análises a pranchas clássicas de BD.
Cada uma das 4 aulas será concluída com Conversa Aberta, acessível ao grande público, com os artistas convidados Bernardo Majer (dia 26), Daniela Viçoso (dia 2) e Daniel Maia (dia 9). A primeira aula será ocupada por sessão prática realizada pela formadora Susana Resende (dia 19).
Cada uma das 4 aulas será concluída com Conversa Aberta, acessível ao grande público, com os artistas convidados Bernardo Majer (dia 26), Daniela Viçoso (dia 2) e Daniel Maia (dia 9). A primeira aula será ocupada por sessão prática realizada pela formadora Susana Resende (dia 19).
Mais informações, aqui:
Museu
Bordalo Pinheiro, Penim
Loureiro e Susana
Resende.
segunda-feira, janeiro 15, 2018
IMAGINÁRiO #698
José
de Matos-Cruz | 08 Março 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal
– Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
SOBREVIVER
Entre
crises e casos, euforias e singularidades, o cinema português
celebra uma existência mais que centenária, superando-se em
indústria precária pelo engenho artístico ou pela motivação
documental. Em 2000, José
Nascimento
realizou Tarde
Demais,
sendo ainda argumentista com João Canijo. Em causa, uma história
nossa, recente e trágica. Quatro homens tentam sobreviver ao
naufrágio de uma velha canoa de pesca, no meio do Rio Tejo, entre
Lisboa e Alcochete. Após as longas horas de submersão, esperam uma
baixa da maré para poderem caminhar entre os bancos de ostras, e
chegarem a uma das duas ilhas aluviais. As opiniões dividem-se. Os
conflitos adensam-se. A separação é inevitável. Porém, os
caminhos escolhidos reservam perigos e sacrifícios inesperados… A
estrutura clássica
permite caracterizar todo o matiz humano, pelo recorte evolutivo de
cada uma das personagens várias. Assim implicando o vínculo que
partilham, sob uma desgraça na qual se debatem, com a mera e
intrínseca coragem da persistência. Ora, em tal intenso transe
subjugadas, o domínio fluvial é determinante, na sua natureza
caprichosa e ameaçadora. IMAG.53-77-189
CALENDÁRiO
1930-09OUT2017
- Jean Raoul Robert Rochefort, aliás Jean Rochefort: Actor e
cineasta francês, intérprete de O
Relojoeiro / L’Horloger de Saint-Paul
(1973 - Bertrand Tavernier) - «A sua elegância era uma simplicidade
que lhe ficava bem» (Guy Poisley).
10OUT-31DEZ2016
- Alfândega do Porto apresenta The
World of Steve McCurry (EUA)
- exposição de fotografia com curadoria de Biba Giacchetti e
cenografia de Peter Botazzi. IMAG.615
18OUT2017-29ABR2018
- No Porto, Galeria da Biodiversidade | Centro Ciência Viva expõe
National Geographic PhotoArk -
A Nova Arca de Noé de Joel
Sartore.
19OUT2017
- NOS Audiovisuais estreia Porto
(2016) de Gabe Klinger; com Anton Yelchin e Lucie Lucas.
COMENTÁRiO
Hector
Berlioz
Antes
das visitas de Berlioz, praticamente não existia, na Rússia, uma
verdadeira música académica. Foi o seu paradigma que inspirou o
género… Para a sua Terceira
Sinfonia,
Pyotr Ilyich Tchaikovsky serviu-se da Sinfonia
Fantástica como
se de um posto de gasolina se tratasse. E Modest Petrovich
Mussorgsky
morreu com uma cópia do tratado de Berlioz em cima da cama.
Norman
Lebrecht
ELUCIDÁRiO
ALGERNON
BLACKWOOD
Bizarro,
perturbador, assustador, sublime, assim é o mestre ilusionista da
escrita ficcional, Algernon Blackwood. Evocando as forças
misteriosas da natureza, toda a escrita de Blackwood percorre a
nebulosa fronteira entre a fantasia, o surpreendente, a admiração e
o horror. Na obra de Blackwood - incluindo O
Wendigo, Luzes
Antigas, A
Outra Ala ou O
Homem à Escuta - destaca-se
Os Salgueiros,
que H.P. Lovecraft apontava como sendo «a melhor história de terror
de toda a literatura».
VISTORiA
A
leitura de obras de divulgação científica gerou em mim a convicção
de que várias passagens da Bíblia não podiam ser verdadeiras.
Desenvolvi assim um fanático livre-pensamento, associado ao
sentimento de que o Estado omitia, deliberadamente, aos jovens; foi
uma revelação para a minha vida. Extraí dessa experiência uma
desconfiança em relação a toda forma de autoridade, um cepticismo
a respeito das convicções que prevaleciam na sociedade da época,
posição que jamais abandonei, ainda que depois ela tenha perdido a
sua acuidade, graças a um melhor discernimento das relações
causais.
Albert
Einstein
-
Autobiografia
MEMÓRiA
1803-08MAR1869
- Louis Hector Berlioz, aliás Hector Berlioz: Compositor francês -
«Diz-se que o tempo é um grande maestro… O pior, infelizmente, é
que acaba por matar os seus discípulos».
IMAG.54-78-84-254-308-405-409-443
1922-08MAR1999
- António Pereira Campos, aliás António Campos: Cineasta português
- «Não me interessa que os meus filmes vão para o cartaz. O que
desejo é que circulem entre o povo, que conhece ou não os problemas
focados, pois poderá passar a debatê-los». IMAG.96-180-217-372
1810-11MAR1879
- José Feliciano de Castilho Barreto e Noronha, aliás Castilho
José, aliás José Feliciano de Castilho - Escritor, bibliotecário,
tradutor e jornalista português, autor de Grito
de Liberdade: Canto Dedicado aos Emigrantes Portuguezes / Por um
Portuguez (1830), radicado no
Brasil - «…Revelou-se latinista de profundo conhecimento da língua
de Cícero, de Horácio, de Virgílio e de Plutarco; foi feliz demais
na mestria com que reproduziu completas, vivas, no português, as
frias belezas de Ovídio, que, desterrado no Ponto, oferecia ao ótimo
e ilustrado tradutor o maravilhoso tesouro das mais enlevadoras e
sublimes melancolias e saudades do poeta no seu livro das tristezas,
os Tristes»
(Joaquim Manuel de Macedo - 1879).
1926-12MAR2009
- Blanca Leonor Varela Gonzáles, aliás Blanca Varela:
Poetisa peruana - «…El
coral clava su garra en tu sombra, / tu sangre se desliza, inunda
praderas…».
IMAG.242-574
1911-13MAR1999
- Leon Harrison Gross, aliás
Lee Falk: Autor americano de
banda desenhada, criador de Mandrake
e The
Phantom - «A minha única
política é enaltecer a democracia e criticar a ditadura…
Constatei que milhões de pessoas - em todo o mundo - diariamente
gostavam das mesmas coisas que eu apreciava». IMAG.86-218-320-471
14MAR1869-1951
- Algernon Blackwood Henry, aliás Algernon Blackwood: Ficcionista
inglês, mestre da literatura fantástica, autor de Os
Salgueiros - «Acredito que a
nossa consciência é capaz de alterar-se e de expandir-se, e que,
com tais mutações e ampliações, estaremos propícios a tornar-nos
disponíveis para a realidade de outros e novos universos» (a Peter
Penzoldt). IMAG.529
14MAR1879-1955
- Albert Einstein: Físico teórico alemão, fundador da Teoria Geral
da Relatividade, distinguido com o Prémio Nobel da Física (1921) -
«Se a minha teoria da relatividade estiver correcta, a Alemanha dirá
que sou alemão, e a França, que sou cidadão do mundo. Mas, se eu
estiver errado, a França sustentará que sou alemão, e a Alemanha
garantirá que sou judeu».
IMAG.31-51-103-218-443-444-511-640-679
14MAR1939-2012
- Keiji Nakazawa: Argumentista e ilustrador japonês, criador da
série Hadashi no Gen
(1973), mangà
autobiográfica sobre a deflagração da bomba atómica em Hiroxima,
de que foi sobrevivente. IMAG.446
PARLATÓRiO
Tendo
inesperadamente desabado sobre mim, Shakespeare fulminou-me… Nele,
reconheci a verdadeira grandeza, a verdadeira beleza e a autêntica
verdade dramática.
Hector
Berlioz
Cada
artista, para além das suas motivações e imaginação, recria um
mundo pessoal na banda desenhada de que é autor - e isto é verdade
para The Peanuts,
Beetle Bailey,
Popeye,
para todas as melhores séries. E tal consegue-se, não imitando os
outros - seguindo as nossas próprias ideias. The
Phantom e Mandrake
são bem reais - muito mais do que a maior parte das pessoas que
andam por esse mundo. Temos que acreditar nas personagens a que damos
vida.
Lee
Falk
Basta-me
pensar num filme, e ter um mínimo de dinheiro para o fazer…
Entrego-me de corpo e alma quando os temas me sensibilizam, me
apaixonam.
António
Campos
TRAJECTÓRiA
LEE
FALK
Na
banda desenhada americana, pelos rumos da aventura, um criador
influenciou a história dos heróis ao longo de décadas,
reflectindo-se por um culto mutante entre os leitores: Lee Falk, com
os essenciais Mandrake the
Magician e The
Phantom. Em talento e
inspiração, Falk era um autor esotérico, irónico, ritualista.
Narrador primordial, inspirado em cultos ancestrais, lendários de
variegadas civilizações e exotismos. Por outro lado, a partir
destes conceitos e destes símbolos fundamentais, Falk provou possuir
- também - um engenho fértil e distinto. Bastaria observar as
características que contrastam Mandrake
e o Fantasma,
praticamente num recorte de oposição entre si. Aliás, ambos
evoluíram ao longo dos anos, com as respectivas sagas. Em
cumplicidade com os leitores próprios, Falk suscitou também dois
encontros - alusivos a uma velha amizade entre si - de Mandrake e
Fantasma, em momento de excepcional importância na vida de cada um:
o casamento - do Homem-Mascarado, Kit Walker com Diana Palmer em
1977; e de Mandrake com a princesa Narda de Cockaigne, em 1997-1998.
Lee Falk (1911-1999) iniciou os prodígios de Mandrake
em 1934, dois anos antes de
explorar as proezas do Duende Caminhante na selva de Bengalla. O
modelo físico de Mandrake teria sido o próprio Falk - estilizado
pelo grafismo de Phil Davis e ajudantes, até à morte em 1964.
Depois, Fred Fredericks manteve o essencial, modernizando as
personagens e a dinâmica narrativa ou cénica. A partir de 1936, The
Phantom foi ilustrado por Ray
Moore (1936-1947), Wilson McCoy (1947-1961), e desde essa altura por
Sy Barry, com inúmeros colaboradores anónimos. Fiéis a um
justiceiro com mais de quatrocentos anos.
BREVIÁRiO
Fundação
Calouste Gulbenkian edita Ensaios
e Artigos (1951-2007) de
Agustina Bessa-Luís.
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Em
Biografias do Teatro Português, INCM / Imprensa Nacional - Casa da
Moeda edita Companhia [Amélia]
Rey Colaço [1898-1990]
- Robles Monteiro
(1888-1958).
IMAG.107-169-194-307-328-339-400-434-534-635-649-673
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