segunda-feira, setembro 13, 2021

FUNDA|MENTAL 111

José de Matos-Cruz | 08 Dezembro 2021 | Edição Kafre | Ano III – Semanário – Desde 2019

FENDA|MENTAL

JUSTA|POSIÇÃO

08DEZ1900-19DEZ1994 - Maria Fernanda Teles de Castro e Quadros Ferro, aliás Fernanda de Castro: Escritora portuguesa, ficcionista, poetisa, dramaturga, memorialista e tradutora - «Alma serena, a consciência pura, / assim eu quero a vida que me resta. / Saudade não é dor nem amargura, / dilui-se ao longe a derradeira festa. // Não me tentam as rotas da aventura, / agora sei que a minha estrada é esta: / difícil de subir, áspera e dura, / mas branca a urze, de oiro puro a giesta. // Assim meu canto fácil de entender, / como chuva a cair, planta a nascer, / como raiz na terra, água corrente. // Tão fácil o difícil verso obscuro! / Eu não canto, porém, atrás dum muro, / eu canto ao sol e para toda a gente.» (Alma Serena - in Na Ronda das Horas Lentas, 1989).

08DEZ1921-03ABR2010 - Maria da Conceição de Vasconcelos Pritchard, aliás Leonor Maia: Actriz portuguesa de cinema (após interpretar Tatão em O Pai Tirano - 1941 de António Lopes Ribeiro); carreira em Itália; estadia nos EUA e na Holanda.

10DEZ1908-27ABR1992 - Olivier Eugène Charles Prosper Messiaen, aliás Olivier Messiaen: Compositor francês, organista e pianista; professor de música; autor de Quatuor Pour la Fin du Temps (1940); casado (1961) com Yvonne Loriod (1924-2010); criador original e vanguardista, distinguido com o Prémio Internacional Paulo VI (1989) - «Não deveria ser permitido que alguém fizesse música, como se fosse de madeira. O texto musical deve ser reproduzido exactamente, mas não tocado como uma pedra… Sou um francês das montanhas, tal como Berliotz!» (Entretiens Avec Olivier Messiaen - excerto, 1967 - Claude Samuel). 

11DEZ1928-16ABR1996 - Tomás Gutiérrez Alea: Cineasta cubano, argumentista e realizador de A Última Ceia / La Última Cena (1976), de Morango e Chocolate / Fresa y Chocolate (1994) ou de Guantanamera (1995) - «O cinema proporciona um elemento activo e de mobilização, que estimula a participação no processo revolucionário. Então, não basta ter um cinema moralizante, baseado na arenga e na exortação. Precisamos de um cinema que promova e desenvolva uma atitude crítica. Mas, como criticar e, ao mesmo tempo, consolidar a realidade na qual nos submergem?». 

 

ÁGUA|FORTE

(Leonor Maia)

FUNDA|MENSAL

ACTUAL|IDADE

06SET1944-14JUL2021 - Christian Liberté Boltanski, aliás Christian Boltanski: Artista francês, de múltipla expressão (pintura e escultura, fotografia e filme, instalação e livro); autor de Vitrine de Référence (1969-1970), de Les Enfants de Berlin (1975), de Le Lac des Morts (1990) ou de Théâtre d’Ombres (1984-1997) - «Um dos pontos do meu trabalho tem que ver com o esquecimento a que todos somos votados. Somos importantes, porque somos únicos, mas ao mesmo tempo somos facilmente esquecidos. As novas gerações esquecem as precedentes. Não nos lembramos» (2012 - ao Público / Ípsilon).

15JUL-14NOV2021 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta, na Casa do Cinema Manoel de Oliveira, Alexander Kluge: Política dos Sentimentos - mostra sobre a obra do escritor, cineasta e filósofo alemão, nas múltiplas dimensões e variantes, envolvendo uma retrospectiva das suas produções fílmica e televisiva, e uma apresentação de objectos especificamente concebidos e pensados para o espaço expositivo, sendo curadores António Preto e Vicent Pauval. F|M.59

PASSA|TEMPO

Universal edita em CD e DVD, E Ainda… de Carlos do Carmo (1939-2021). F|M.44-58-84-89

Porto Editora lança Arsène Lupin, Cavalheiro Ladrão de Maurice Leblanc (1864-1941); tradução de Ivan Figueiras.

Caminho edita História e Oficiais da História de António Borges Coelho.

terça-feira, setembro 07, 2021

FUNDA|MENTAL 110

José de Matos-Cruz | 01 Dezembro 2021 | Edição Kafre | Ano III – Semanário – Desde 2019

FENDA|MENTAL

JUSTA|POSIÇÃO

DEZ1638-14SET1715 - Dom Pierre Pérignon: Monge da abadia beneditina de Hautvilliers, perto da cidade francesa de Épernay. Conta a lenda que, um dia do ano de 1670, o frade se sobressaltou com o estalido de umas garrafas de vinho nas caves da abadia. Acorrendo ao local, Dom Pérignon viu o líquido derramado e, como bom apreciador que era, provou-o. Deu-se então conta de que o vinho fazia cócegas; encantado com o sucedido, revelou-o aos seus irmãos da comunidade. De facto, o acaso proporcionara-lhe o conhecimento da fermentação natural do vinho, produzida pela acção do açúcar e das leveduras naturais existentes na uva. No entanto, Dom Pérignon não se limitou a desfrutar do fenómeno; pelo contrário, tomou nota das circunstâncias e investigou-as, até perceber o método champagnoise de elaboração da bebida mais valiosa do mundo. Conta-se que o frade foi, também, quem determinou os dois elementos que mais ajudam a aperfeiçoar o champagne: a rolha de cortiça e a garrafa de vidro grossa.

06DEZ1890-20MAR1943 - Heinrich Robert Zimmer, aliás Heinrich Zimmer: Historiador de arte alemão, radicado nos EUA - «Observaram a ave elevar-se lentamente no céu, transportando nas suas garras uma cobra ensanguentada. Calcante, o sacerdote-adivinho, interpretou a aparição como um sinal auspicioso, que indicava o triunfo dos gregos sobre os troianos. A ave celestial destruidora da serpente simbolizava, para ele, a vitória da ordem celestial, masculina e patriarcal dos gregos, sobre o princípio feminino da Ásia e de Tróia.» (Mitos e Símbolos Nas Arte e Civilização Indianas - excerto, 1946).

FUNDA|MENSAL

ACTUAL|IDADE

10JUL-10OUT2021 - Em Sines, Centro de Artes apresenta, com Museu de Arte Contemporânea de Elvas, Linha do Tempo - exposição de artes visuais (por Ana Mansos, Ana Péres-Quiroga, Ana Rito, Augusto Alves da Silva, Edgar Martins, Fernão Cruz, Gil Amourous, Hugo Guerreiro, Ilda David, Isabel Simões, João Galrão, João Jacinto, João Paulo Serafim, João Queiroz, Jorge Molder, José Loureiro, José Pedro Croft, Luís Campos, Luís Palma, Marcelo Costa, Maria Lusitano, Marta Soares, Miguel Ângelo Rocha, Nuno Sousa Vieira, Paulo Catrica, Pedro Calapez, Pedro Casqueiro, Pedro Gomes, Rui Chafes, Rui Neiva, Rui Serra, Sofia Areal, Susana Guardado, Vasco Araújo e Vhils) da Colecção António Cachola, sendo curador Ricardo Estevam Pereira.

10AGO1935-11JUL2021 - Agostinho Vasco da Rocha e Castro, aliás Vasco de Castro, aliás Tinho, aliás Vasco: Artista português; cartoonista, desenhador, caricaturista, ilustrador; gráfico e cronista; actor de teatro e cinema; exílio em Paris (1961-1974); colaborador em revistas e jornais (França - de Le Figaro, a Le Monde; Portugal - de Diário de Notícias, ao Público), cofundador de Página Um (1976); autor de Desenhos Políticos (1975), a Montparnasse, Mon Village (1985), ou a Vasco: Desenhos Satíricos 1955-2000 (2001) - «Antes de tudo, desenho com um sangue satírico, rebelde, inconformista, de crítica o mais viva possível. Mas de paixão, de alegria, questão fundamental na vida de cada um. Sem crítica, não há vivência colectiva» (2003 - ao Público).

15JUL2021 - Vende-se Filmes coproduziu, e estreia Visões do Império (2020) de Joana Pontes; documentário sobre o modo como o império português e a sua história foram imaginados, documentados e publicitados a partir do registo fotográfico, desde o final do Século XIX até à revolução de 1974. F|M.101

09-12DEZ2021 - Em Lisboa, Parque das Nações apresenta a sétima edição de Comic Con Portugal - megaevento cultural promovido por City - Conventions in the Yard, sob o signo A New Hope, incluindo cinema, televisão, videojogos, banda desenhada, literatura, cosplay, anime, new media, música, expositores e Mercado Geek. F|M.11.

ÁGUA|FORTE


José de Matos-Cruz

por Vasco (1978)

PASSA|TEMPO

Antígona edita Porque Escrevo e Outros Ensaios de George Orwell (1903-1950); tradução de Desidério Murcho. F|M.87

Manufactura edita As Farpas - Antologia, Escritos Sobre Política de Ramalho Ortigão (1836-1915); prefácio de Viriato Soromenho-Marques.

Livros do Brasil edita, na colecção Vampiro, A Janela Alta de Raymond Chandler (1888-1959); tradução de Maria Dulce Teles de Menezes e Salvato Teles de Menezes. F|M.92

quinta-feira, setembro 02, 2021

FUNDA|MENTAL 109

José de Matos-Cruz | 24 Novembro 2021 | Edição Kafre | Ano III – Semanário – Desde 2019

FENDA|MENTAL

JUSTA|POSIÇÃO

27NOV1826-08FEV1860 - António Augusto Soares de Passos, aliás Soares de Passos: Poeta português, expoente do Ultra-Romantismo - «Vai alta a lua! Na mansão da morte / Já meia-noite com vagar soou; / Que paz tranquila! Dos vaivéns da sorte / Só tem descanso quem ali baixou. // Que paz tranquila!… Mas eis longe, ao longe, / Funérea campa com fragor rangeu; / Branco fantasma, semelhante a um monge, / Dentre os sepulcros a cabeça ergueu. // Ergueu-se, ergueu-se!… Na amplidão celeste / Campeia a lua com sinistra luz; / O vento geme no feral cipreste, / O mocho pia na marmórea cruz. // Ergueu-se, ergueu-se!… Com sombrio espanto / Olhou em roda… não achou ninguém… / Por entre os campos, arrastando o manto, / Com passos lentos caminhou além.» (O Noivado do Sepulcro, excerto - in Poesias, 1856).

27NOV1942-18SET1970 - Johnny Allen Hendrix, aliás James Marshall Hendrix, aliás Jimi Hendrix: Compositor, guitarrista e cantor americano de rock, soul e blues, autor de Electric Ladyland (1968) - «Well I wait around the train station / Waitin’ for that train / Waitin’ for the train, yeah / Take me, yeah, from this lonesome place / Well now a whole lotta people put me down a lot ‘a changes / My girl had called me a disgrace» (Hear My Train a Comin’ - excerto, 1967).

28NOV1820-05AGO1895 - Friedrich Engels: Filósofo alemão, teórico revolucionário, co-autor (com Karl Marx) de Manifesto do Partido Comunista (1848) - «O factor, em última análise, determinante da história, é a produção e a reprodução da vida imediata. Mas essa produção e essa reprodução são de dois tipos: por um lado, a produção de meios de existência, de produtos alimentícios, de habitação, e dos instrumentos necessários para tudo isso; por outro lado, a produção do homem em si mesmo, a continuação da espécie».

ÁGUA|FORTE

FUNDA|MENSAL

ACTUAL|IDADE

24ABR1930-05JUL2021 - Richard Donald Schwartzberg, aliás Richard Donner: Realizador e produtor americano de cinema e televisão; argumentista e autor de banda desenhada; director de Superman - O Filme / Superman: The Movie (1978), de Os Goonies / The Goonies (1985) ou da série Arma Mortífera / Lethal Weapon (1-4 - 1987-1998) - «Por uma ou outra vez, na minha vida, tive atritos com os actores… Mas nunca prejudicaram os filmes, apenas se reflectiram nos momentos de rodagem».

05JUL2021 - Tiago Rodrigues é nomeado director do Festival d’Avignon / França - o primeiro estrangeiro, desde a fundação do evento teatral, em 1947, a ocupar o cargo, o qual passará a exercer a partir de 01SET2022.

08JUL2021 - Cinemundo estreia Bem Bom (2020) de Patrícia Sequeira; sobre as Doce, grupo musical; com Lia Carvalho, Ana Marta Ferreira, Carolina Carvalho e Bárbara Branco.

10JUL-10OUT2021 - No Porto, Centro Português de Fotografia apresenta My Mind Is A Cage - exposição de fotografia, vídeo e desenho de Roger Ballen (EUA) sobre a África do Sul, sendo curadora Ângela Ferreira.

10JUL2021-29MAI2022 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo apresenta A Família Humana - exposição internacional de fotografia centrada no período de 1930/40-1970, sendo curador Jorge Calado.

ALGO|RITMO

Livros do Brasil edita, na colecção Dois Mundos, O Longo Vale de John Steinbeck (1902-1968); tradução de Jorge Rosa e Rebelo de Bettencourt.

Livros do Brasil edita, na colecção Dois Mundos, O Milagre de São Francisco de John Steinbeck (1902-1968); tradução de Gervásio Álvaro.

segunda-feira, agosto 30, 2021

Extra: AURORA BOREAL em QUADRADINHOS [11]

Os destaques Aurora Boreal em Quadradinhos apresentam hoje uma breve entrevista ao escritor José de Matos-Cruz, o criador das personagens e do mundo ficcional em causa, e também editor independente através do selo editoral Kafre. Como assistente editorial do novo projecto de BD, que figura a titular Aurora Boreal, tive oportunidade de abordar o autor sobre esta nova aventura criativa.


Caro José, este ano preparas-te para concluir a saga editorial da tua heroína Aurora Boreal através da antologia em banda desenhada 
Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, que foi anunciada no final do ano passado. Para quem não acompanhou a edição dos três ciclos em formato de livro-de-cordel, publicados pela Apenas Livros entre 2017 e 2020 (O Princípio InfinitoO Eterno Paradoxo, e O Círculo Imperfeito), como lhes descreverias a personagem?


JMC.
 Aurora Boreal é uma personalidade essencialmente fantástica, como deriva das suas próprias origens desvendadas - tendo nascido de uma relação efémera e sensual entre Oktobraia, uma heroína soviética exilada em Lisboa, e o Malsão, um portento cósmico que avassala o marasmo lusitano. Ou, definindo-a por outra natureza mágica, ora etérea ora onírica, em prodígios e motivações, eis um fenómeno que, quando se torna Presente, transfigura distintas vivências e virtualidades…


A Aurora Boreal, que simultaneamente é herdeira e encerra a linhagem de paladinos lusitanos, onde a precedem O Infante Portugal e Condestável Lusitano, propiciou mudanças no teu universo ficcional, tanto a nível narrativo como em estilo de escrita. Como observas a evolução da tua expressão literária ao longo destas duas sagas?

JMC. Após experiência tão gratificante com a trilogia d’O Infante Portugal, em que os artistas foram convidados a ilustrarem as personagens e situações relatadas, optei por explorar o tríptico de Aurora Boreal segundo uma formulação inversa: propondo aos criadores a concepção de um universo próprio, conforme aos seus estímulos e preferências, a partir do qual desencadeei todo o processo narrativo. Noutra perspectiva, sim, Aurora Boreal culmina uma linhagem de paladinos liderada pel’O Infante Portugal e pelo Condestável Lusitano - mas, na sua irradiação eventual, tende a contrariar uma assunção dessa mesma herança heróica!

Tal como com O Infante Portugal, que viu publicada a sua adaptação para banda desenhada n’
O Infante Portugal em Universos Reunidos (2017), celebrando assim o décimo aniversário da edição do primeiro livro, As Tramóias Capitais (2007), pela Apenas Livros, esta Aurora Boreal em Reflexos Partilhados vai marcar também dez anos desde que criaste a personagem, em 2011, nas páginas d'As Sombras Mutantes. Que importância tem para ti que estes heróis integrem, também, o panteão de personagens originais da BD portuguesa?

JMC. Assim sendo, eis, para mim, um enorme privilégio e a plena satisfação de uma expectativa primordial - pois, tendo concebido a saga d’O Infante Portugal com uma projecção romanesca / ilustrada, e a série de Aurora Boreal por uma interacção imaginada / literária, as motivações visual e gráfica logo de princípio estiveram patentes no contexto e no decurso das respectivas manifestações, em alusão e convergência artística com a banda desenhada… Como sabes, uma das minhas paixões, desde sempre!


Que memórias guardas com especial agrado dos trabalhos logrados até aqui, nestes projectos autorais?


JMC.
 Para mim, vem sendo uma experiência muito enriquecedora, tanto a nível pessoal, e criativo, como nas relações com os artistas, consolidadas ou, entretanto, iniciadas sob os auspícios da banda desenhada… As propostas de cada um dos autores, com estilos e sensibilidades tão singulares, até por vezes contrastantes, suscitam-me um manancial de inspiração amplo e surpreendente.

 
Enquanto que Universos Reunidos - premiado com o XV Troféu Central Comics para Melhor Obra Curta, em 2018 - foi uma aventura isolada, introdutória ao teu mundo ficcional, e que fez ligação entre o tríptico d'O Infante Portugal e a então iminente saga da Aurora Boreal, Reflexos Partilhados opta por um formato de antologia. A que se deve a mudança?

JMC.
 Foram várias as circunstâncias e as alternativas… Por um lado, havia já um conjunto significativo de bandas desenhadas curtas, apresentadas em galeria, ao longo dos três ciclos de Aurora Boreal editados como livros-de-cordel. Surgiu, assim, o ensejo de uma colectânea que, simultaneamente, revelasse outras obras inéditas ou especificamente delineadas para antologia. Por outro lado, a própria Aurora Boreal é uma heroína versátil, com múltiplas facetas e potencialidades, rompendo os ciclos da idade e da realidade, pelo capricho súbito e intenso de uma libertação.


Na antologia, contas com vários artistas nacionais, tanto colaboradores recorrentes assim como estreantes no teu projecto, e que tens vindo a apresentar em destaques no teu blogue; quem são eles?

JMC. Aurora Boreal em Reflexos Partilhados reúne Daniel Maia, José Ruy, Renato Abreu e Susana Resende, que assinam diversas bandas desenhadas já divulgadas ou originais, surgindo pela primeira vez João Raz, José Macedo Bandeira e Nuno Dias, que também trazem contributos muito relevantes e peculiares.


Como tem sido a experiência de ver surgirem novas aventuras da tua heroína, em formato de BD? Como tem resultado o processo criativo?


JMC.
 Salientando, em geral, todo o meu apreço por esta aventura tão aliciante, gostaria de reafirmar que, em Reflexos Partilhados, se tornou implícita uma mais simbólica ênfase de reinvenção, para tal desafiando cada artista a concretizar uma abordagem que lhe parecesse propícia às suas expectativas criativas, através de uma aliança simultaneamente lúdica e complementar… Em alguns casos, colaborei no argumento. Outras obras são inteiramente autónomas, ou evidenciam diversas personagens dos universos de Aurora Boreal e d’O Infante Portugal.


Embora o público actual te conheça mais recentemente das publicações com a Apenas Livros, ou de presenças e mostras em eventos do sector bedéfilo, o teu percurso na área é paralelo ao raiar da edição de BD no país, tendo tu contribuído para a comunidade via promoção de exposições, apreciações literárias, organização de fanzines… Percorridas várias décadas no sector da BD portuguesa, que percepção tens do estado actual do mercado e do futuro possível para a nossa arte sequencial?


JMC.
 Parece-me que, da realização à acessibilidade, a BD portuguesa está polivalente, fecunda e vibrante, move-se entre várias plataformas e tecnologias, aliás seguindo a estratégia global de circunstâncias e oportunidades actuais. Pessoalmente, continuo a considerar e a preferir - como estágio último e mais estimulante - a edição em papel, com livros, álbuns e revistas que nos deslumbram estantes e bibliotecas.



Sabendo que, como diz o ditado popular, "não há duas sem três," que planos tens para desenvolver o teu universo mágico lusitano, habitado por personagens como a Aurora Boreal, O Infante Portugal, Condestável Lusitano, Oktobraia, Vulcão e tantos outros?


JMC.
 Consumados estes Reflexos Partilhados, dos quais Universos Reunidos - que nós produzimos juntos - foram um testemunho de referência, dedico-me agora a recriar As Crónicas do Livro Livre, a partir de um artefacto volúvel, intemporal, que o Condestável Lusitano confiou ao resguardo d’O Infante Portugal… E, uma vez mais, reencontro-me nas tuas visões e sugestões! Para além da minha admiração pelo artista talentoso e cativante, estimado Daniel, quero - afinal - realçar, em gratidão e regozijo, os teus contínuos apoio e incentivo, de que, doravante, espero continuar a usufruir!


segunda-feira, agosto 23, 2021

FUNDA|MENTAL 108

José de Matos-Cruz | 16 Novembro 2021 | Edição Kafre | Ano III – Semanário – Desde 2019

FENDA|MENTAL

JUSTA|POSIÇÃO

17NOV1925-14JUL2010 - Alan Charles Maclaurin Mackerras, aliás Charles Mackerras: Músico australiano, nascido nos EUA - «Nos últimos sessenta anos, a sua importância como maestro foi enorme, no desenvolvimento da execução musical. Era uma força da natureza, um verdadeiro artista do palco, que honrou o talento dos compositores com elegância, expressão e entusiasmo» (Antonio Pappano).

17NOV1928-22OUT2005 - Armand Pierre Fernandez, aliás Arman: Artista francês, cofundador do grupo Nouveau Réalisme (1960), e naturalizado americano (1973); pintor e escultor, autor de Music Accumulation (1971) ou de Eros, Inside Eros (1986) - «O ser humano retrata-se a si mesmo, revela o seu tempo, a sua ansiedade, os seus gritos, as suas lágrimas e as suas gargalhadas».

20NOV1926-09JAN2006 - Artur Manuel Monteiro Ramos, aliás Artur Ramos: Realizador português de cinema e televisão (ficcionista e documentarista), montador, encenador e actor, escritor e tradutor, crítico teatral e professor. F|M.87-88

21NOV1898-28SET1962 - Bernardo Loureiro Marques, aliás Bernardo Marques: Artista plástico português, pintor e desenhador, humorista e caricaturista, ilustrador e gráfico; autor de banda desenhada; cenarista e decorador de cinema - «Os gestos do início, inseguros, sem peso, aqui e ali postos como armadilhas de imagens que em breve se precisam com outros, muitos, sobrepostos, cruzados, ora sustidos como uma respiração súbita, ora desencadeados com uma certeza imediata. Por eles passam a luz e a sombra, e o corpo das coisas é deles feito» (Fernando de Azevedo). F|M.94

23NOV1608-24AGO1666 - D. Francisco Manuel de Mello: Escritor português, de origem nobre, militar e político («Os príncipes e o fogo querem-se tratados de longe, porque per­to queimam, enquanto que longe alumiam»); ficcionista e poeta, pedagogo e moralista, historiador e dramaturgo, epistólogo e ensaísta, expoente do estilo barroco - «Guarde-se o discreto de contar a sua mulher as histórias passadas de seus amores e de sua mocidade. Casam assim dois males: darem a conhecer às mulheres a fraqueza de seu natural e entenderem como há outras pelo mundo que se deixam enganar facilmente.» (Carta de Guia de Casados - excerto, 1651).

ÁGUA|FORTE

FUNDA|MENSAL

ACTUAL|IDADE

18JUN-07NOV2021 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta Terçolho - exposição de fotografia, filme, escultura e instalação de João Maria Gusmão e Pedro Paiva, sendo curadores Marta Moreira de Almeida e Philippe Vergne, e coordenadora Filipa Loureiro. F|M.106

22JUN-14NOV2021 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado expõe, na Galeria Millennium BCP, O Caminho Para a Luz | Porque Passa Pela Luz - uma selecção de obras de arte moderna e contemporânea, sendo curador João Biscainho.

01JUL2021 - NOS Audiovisuais estreia O Último Banho (2020) de David Bonneville; com Anabela Moreira e Martim Canavarro.

02JUL-02OUT2021 - Em Lisboa, Museu do Oriente expõe Histórias de Um Império – Colecção Távora Sequeira Pinto, sendo comissário Nuno Vassallo e Silva.

03JUL-10OUT2021 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Room 1008: The Last Days - exposição de fotografia e vídeo de Rita Barros, sendo curadora Luísa Soares de Oliveira.

ALGO|RITMO

Saguão edita A Balada de Amor e Morte do Porta-Estandarte Christoph Rilke de Rainer Maria Rilke (1875-1926); tradução de Bruno C. Duarte.

Snob edita O Livro da Pobreza e da Morte de Rainer Maria Rilke (1875-1926); tradução de Ana Diogo e Rui Caeiro.

Relógio D’Água edita A Casa Assombrada e Outros Contos de Virginia Woolf (1882-1941); tradução de Miguel Serras Pereira.

Cavalo de Ferro edita Orlando de Virginia Woolf (1882-1941); tradução de Miguel Romeira.

PASSA|TEMPO


Universal edita em CD,
Voz e Violão de António Zambujo.

sábado, agosto 21, 2021

FUNDA|MENTAL 107

José de Matos-Cruz | 1 Novembro 2021 | Edição Kafre | Ano III – Semanário – Desde 2019

FENDA|MENTAL

JUSTA|POSIÇÃO

09NOV1818-03SET1883 - Ivan Sergueievitch Turgéniev, aliás Ivan Turgueniev: Escritor russo, ficcionista e poeta, dramaturgo e tradutor - «Sem autenticidade, sem educação, sem liberdade no seu significado mais amplo – na relação consigo mesmo, com as próprias ideias pré-concebidas, até mesmo com o próprio povo e com a própria história – não se pode imaginar um artista verdadeiro; sem este ar, não é possível respirar.» (A Propósito de Pais e Filhos - excerto, 1862).

10NOV1668-11SET1733 - François Couperin: Compositor francês do período barroco, cravista e organiste du Roi (1693 - título conferido por Louis XIV, le Roi Soleil) nascido na região de Brie, autor de L’Art de Toucher le Clavecin (1716), criador de Concerts Royaux (1722) - «Era o músico poeta par excellence… Acreditava na habilidade de a Música (com M maiúsculo) se expressar em sa prose et ses vers» (Jordi Savall).

11NOV1928-15MAI2012 - Carlos Fuentes Macías, aliás Carlos Fuentes: Escritor nascido no Panamá, de ascendência e naturalizado mexicano (1944), professor universitário (EUA - Harvard, Princeton; RU - Cambridge) e diplomata (França); ficcionista (1985 - Velho Gringo) e ensaísta (1992 - O Espelho Enterrado), distinguido com o Prémio Cervantes (1987) - «Chegou a altura de percebermos que os filhos, vivos ou mortos, felizes ou infortunados, activos ou passivos, têm o que o pai não tem. São mais do que o pai e mais do que eles próprios. Os nossos filhos são os fantasmas da nossa descendência. O filho é o pai do homem».

15NOV1923-07MAR2015 - Maria de Lourdes Dias da Costa, aliás Bárbara Virgínia: Actriz e cineasta portuguesa, argumentista, cantora de ópera e declamadora, bailarina, intérprete radiofónica, radicada no Brasil.F|M.34

ÁGUA|FORTE


(1946)

FUNDA|MENSAL

ACTUAL|IDADE

18MAI-30SET2021 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado expõe Olhares Modernos – O Retrato Em Pintura, Escultura, Desenho (1910-1950), sendo curadora Maria de Aires Silveira.

16JUN-17OUT2021 - Em Lisboa, Museu Colecção Berardo apresenta Seja Dia ou Seja Noite Pouco Importa - exposição de pintura, desenho e fotografia de Pedro Calapez e André Gomes. F|M.83

17JUN2021 - The Stone and the Plot estreia O Movimento das Coisas (1985) de Manuela Serra; documentário sobre uma aldeia do Norte de Portugal, Lanheses - a vida e os hábitos.

25JAN1940-20JUN2021 - Ricardo António Fernandes Costa, aliás Ricardo Costa: Cineasta português; realizador, argumentista e produtor (Diafilme, RC Filmes); documentarista (séries Mar Limiar - 1975-1977, ou O Homem Montanhês - 1979-1982), ficcionista (Verde Por Fora, Vermelho Por Dentro - 1980, ou série Longes - 2003-2017); professor, pedagogo e ensaísta - «A percepção visual é a faculdade que os olhos têm de nos dar a perceber o mundo por intermédio da luz. Ao agir sobre a retina, a luz cria nela uma imagem, o ponto de partida do processo que nos permite ver. No entanto, a maneira como vemos as coisas é bem mais que isso…» (Pelo Desejo de Ver - excerto, in Os Olhos da Ideia - s/d). F|M.61

24JUN-26SET2021 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga / MNAA apresenta Vi o Reino Renovar. Arte No Tempo de D. Manuel (1469-1521) - exposição de pintura, escultura, ourivesaria, iluminura e obra impressa, sendo curadores Joaquim Caetano, Rosa Azevedo e Rui Loureiro.

INTER|MÉDIO

Bertrand edita Os Testamentos de Margaret Atwood; tradução de Sofia Ribeiro. F|M.26

Elsinore edita A Odisseia de Penélope de Margaret Atwood; tradução de Paula Reis. F|M.26

PASSA|TEMPO

Casa do Cinema / Serralves edita Ditos e Escritos de Manoel de Oliveira (1908-2015). F|M.10-52-58-63-70-75-87-91

quarta-feira, agosto 18, 2021

FUNDA|MENTAL 106

José de Matos-Cruz | 1 Novembro 2021 | Edição Kafre | Ano III – Semanário – Desde 2019

FENDA|MENTAL

JUSTA|POSIÇÃO

01NOV1645-24DEZ1708 - Tomás Pereira, aliás Xu Risheng: Missionário jesuíta português, diplomata e inventor, matemático e músico, engenheiro e arquitecto, geógrafo e astrónomo, estudioso do budismo Chen e da língua chinesa, mandarim e professor de música ocidental do imperador Kangxi - Os seus escritos «permitem avançar no estudo científico e na divulgação desta figura nuclear nas relações luso-chinesas dos finais do Século XVII e inícios do Século XVIII» (Luís Filipe Barreto).

01NOV1936-01NOV2010 - Carlos Augusto Lopes Amado dos Santos, aliás Carlos Amado: Escultor português, cenógrafo, professor da Faculdade de Belas Artes de Lisboa - «Um artista e uma personalidade humana de uma disponibilidade afectiva singular, que procurou conciliar uma tradição clássica do renascimento italiano com a modernidade que se verificou no início do Século XX, tendo acompanhado de perto o percurso de artistas e intelectuais de várias gerações» (António Valdemar).


05NOV1943-27JUL2017 - Samuel Shepard Rogers III, aliás Sam Shepard: Escritor e artista americano; dramaturgo (logo

Cowboys - 1964, ou La Turista - 1967), argumentista (coautor de Deserto de Almas / Zabriskie Point - 1970 de Michelangelo Antonioni) e ficcionista (até Espião Na Primeira Pessoa - 2017); actor de cinema (como Dias do Paraíso / Days of Heaven - 1978 de Terrence Mallick, Os Eleitos / The Right Stuff - 1983 de Philip Kaufman ou Estrela Solitária / Don’t Come Knocking - 2005 de Wim Wenders) e realizador (assim Silent Tongue - 1994) - «Um dos primeiros, mais importantes e influentes escritores do movimento Off Broadway, especializado em captar os lados mais negros da vida americana em família» (Sopan Deb - The New York Times). F|M.20

07NOV1926-10OUT2010 - Joan Alston Sutherland, aliás Joan Sutherland, aliás La Stupenda: Soprano australiana, intérprete consagrada de Gaetano Donizetti - «Uma das gigantes do canto operático no Século XX, uma daquelas cantoras que definem uma era e que, de algum modo, mudaram o curso da história da performance operática» (Bernardo Mariano).

FUNDA|MENSAL

ACTUAL|IDADE

08MAI--17JUL2021 - Em Setúbal, Galeria Municipal do 11 apresenta Uma Família de Artistas No Século XX Em Portugal - exposição de desenho e pintura de Mário Eloy (1900-1951) e Mário Eloy filho (1929-1977), e fotografia de Sérgio Eloy (1959-2004).

15MAI-01AGO2021 - No Porto, Museu Nacional de Soares dos Reis apresenta José Régio: [Re]Visitações à Torre de Marfim - exposição de desenhos e cadernos manuscritos do escritor e artista (1901-1969), sendo curador Rui Maia. F|M.4-97

26MAI-27AGO2021 - Em Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal / BNP apresenta Velocidade de Cruzeiro - exposição de desenho de Cruzeiro Seixas (1920-2020), sendo curador Bernardo Pinto de Almeida. F|M.38-77

02JUN-10OUT2021 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta Barber Shop - exposição de desenho de Gonçalo Pena, sendo curador João Maria Gusmão.

03JUN2021 - Zero em Comportamento / Projectos Paralelos estreia Fantasmas do Império (2020) de Ariel de Bigault; documentário sobre o passado colonial através do cinema português.

10JUN-03OUT2021 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado apresenta Francis Smith – Em Busca do Tempo Perdido - exposição sobre a vida e a obra do pintor modernista (1881-1961), sendo curador Jorge Costa.

21NOV1939-11JUN2021 - António José Freire Torrado, aliás António Torrado: Escritor português, ficcionista e poeta, dramaturgo e argumentista; jornalista e editor, pedagogo e professor; distinguido com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças e Jovens (1988); autor de A Escada de Caracol (1978), de O Mercador de Coisa Nenhuma (1983), de André Topa-Tudo No País dos Gigantes (1990), de Teatro às Três Pancadas (1995), de Verdes São os Campos (2002), ou de Corre, Corre, Cabacinha (2007) - «Os meus livros todos, os que tenho nas prateleiras que me são dedicadas, por conjunto, dá o meu tamanho deitado. Ou a minha altura» (2010).

PASSA|TEMPO

Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema edita em DVD, Auto da Floripes (1960) de Lopes Fernandes / Secção de Cinema Experimental do Cine-Clube do Porto.


Xerefé edita
O Retrato (Aquilo Que Não Se Vê) de Clovis Levi (narração) e Ana Biscaia (desenho). F|M.43