quinta-feira, agosto 15, 2019

FUNDA|MENTAL 1

José de Matos-Cruz | 24 Agosto 2019 | Edição Kafre | Ano I – Semanário – Desde 2019

A experiência iniciada em 2004, atingiria a sua expressão culminante na virtualidade de uma prospecção intemporal. Porém, o IMAGINÁRiO não se extinguiu, antes se torna FUNDA|MENTAL, e assim regressa agora à partilha periódica. Continuando a privilegiar memórias e olhares sobre os fenómenos culturais e os testemunhos representativos, ou as múltiplas perspectivas de uma actualidade em evolução, entre referências e confluências.

FENDA|MENTAL

JUSTA|POSIÇÃO

27AGO1770-14NOV1831 - Georg Wilhelm Friedrich Hegel, aliás Georg Hegel: Filósofo alemão - «Tudo é inteligível para o ser que, idêntico no seu fundo com o Espírito ou a Ideia infinita, se manifesta no universo concreto graças ao movimento dialéctico: tese, antítese, síntese».

27AGO1927-10SET1991 - António Ferreira Gonçalves dos Reis, aliás António Reis: Cineasta português, realizador (ficcionista e documentarista), argumentista, produtor e actor, professor, poeta e artista plástico.

29AGO1920-12MAR1955 - Charles Parker, aliás Charlie Parker, aliás Yardbird: Compositor americano, saxofonista de jazz - «A música é a tua própria experiência, o teu pensamento, a tua sabedoria. Se não a viveres, ela jamais vai brotar do teu instrumento».

29AGO1958-25JUN2009 - Michael Joseph Jackson, aliás Michael Jackson: Cantor, actor, dançarino, compositor, encenador e empresário americano; aos onze anos, membro dos Jackson 5; em carreira a solo desde 1971, the King of Pop - «Poderemos sonhar, para que os nossos sonhos se tornem realidade… Mas, teremos de ser nós a concretizá-los».

FUNDA|MENSAL

ACTUAL|IDADE

18ABR2019 - NOS Audiovisuais estreia Quero-te Tanto! (2019) de Vicente Alves do Ó; com Benedita Pereira e Pedro Teixeira.

01MAI2019 - Até ao Fim do Mundo produziu, e estreia Até Que o Porno Nos Separe (2017) de Jorge Pelicano; com Eulália Almeida e Sydney Fernandes/Fostter Riviera.

01MAI2019 - Big Pictures estreia Solum (2018) de Diogo Morgado; com Diogo Morgado e Darwin Shaw.

09MAI-14JUL2019 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta a exposição colectiva Instantes Decisivos da Fotografia do Século XX | Coleção Julian Castilla.

14JUN-27OUT2019 - Em Lisboa, Cordoaria Nacional apresenta Banksy: Génio ou Vândalo? - exposição de escultura, serigrafia, fotografia, instalação e vídeo, sendo curador Alexander Nachkebiya.

PASSA|TEMPO

CNM edita em CD, sob chancela Naxos, Fernando Lopes-Graça [1906-1994]: Songs and Folk Songs por Susana Gaspar, Cátia Moreso e Fernando Guimarães, com o pianista Nuno Vieira de Almeida.

Fundação Francisco Manuel dos Santos edita Da Costa: Praias e Montes da Caparica de Luísa Costa Gomes.

Apenas Livros edita Aurora Boreal e O Eterno Paradoxo - Primeiro Universo: O Denominador Comum de José de Matos-Cruz, com visões de Dário Vidal, João Amaral, José Ruy e Maria João Worm.

Ala dos Livros edita A Morte Viva de Olivier Vatine (argumento) e Alberto Varanda (desenho); adaptação de O Império dos Mutantes / La Mort Vivante de Stefan Wull.

Tinta da China edita Labareda de Alberto de Lacerda (1928-2007); selecção e prefácio de Luís Amorim de Sousa.

Imprensa da Universidade de Coimbra edita As Troianas de Hélia Correia e Jaime Rocha.

quinta-feira, agosto 08, 2019

Extra: IMAGINÁRiO #1 (2004)

Em celebração deste percurso de quinze anos que agora culminou, durante o qual assinei e difundi o newsletter Imaginário ao longo de 784 publicações semanais, volto pontualmente ao início da epopeia, que remontaria a 2004, e reproduzo aqui a edição #1, do dia 1 de Julho daquele ano, ancorada ao portal Truca.pt. Porém, o Imaginário não se extingue, antes se irá tornar Funda|Mental...

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PRONTUÁRiO


OLHARES, MEMÓRIAS
Chego até vós com a minha proposta mais recente - a folha IMAGINÁRiO, em confluência entre os quadradinhos e outros fenómenos culturais, como o cinema e a literatura. Através dela, procurarei reflectir, por via tri-mensal, uma vivência crítica e criativa - feita de leituras, de correspondências, de perspectivas. Trata-se, pois, de um exercício despretensioso, de um desafio ainda a germinar. Ou seja, um espaço próprio de apreço e de comentário - que, pelo estímulo da arte e do olhar, envolverá a divulgação, a informação e a memória, podendo assim evoluir para outros territórios e experiências em que, de futuro, se irá definir a respectiva amplitude e expansão. Consumando, simultaneamente, com os leitores virtuais, um círculo de amizade e um apelo à imaginação.

RELATÓRiO

CORTO MALTESE VIRTUAL
«Corto Maltese não nasceu de um dia para o outro, é fruto duma laboração de muitos anos. Ele encerra em si um pouco de todos os homens que encontrei pelo mundo, onde se apercebe, mais ou menos viva, a busca de liberdade. Eu estou bem ligado a ele, até porque possui com certeza algo de mim.» Assim nos referia Hugo Pratt (1927-95), em entrevista de 1974, sobre o seu herói primordial - cujas origens remontam a 1967, durante A Balada do Mar Salgado. Obra-prima da banda desenhada europeia - entre nós pelas Edições Asa, e referenciada pela literatura romântica de R.L. Stevenson, J. London ou M. Conrad, na qual se expande e aprofunda o fulgor épico - a sua saga continua, sob o signo da animação, com La Court Secrete des Arcanes - um filme realizado por Pascal Morelli, e já disponível em DVD pela Lusomundo, a partir de Corto Maltese na Sibéria (1987). Uma aventura culminante, que principia em Hong-Kong por 1919, durante o encontro entre Corto e Rasputine, até se precipitar numa convulsa Revolução Russa. Além desta ampla dimensão, adversa mas idealista, sobressai o domínio estético e alusivo - na exploração de um envolvimento subtil, estilizado pelos prodígios e desafios da natureza. Assim evolui, também, a dimensão mítica e trágica do ser humano. Palavras de Guido Fuga, sagrando uma cúmplice afeição criativa: «Pratt evocava constantemente o seu mundo fantástico, transformava-se com um mínimo de gestos e improvisava hilariantes diálogos surrealistas com tudo o que o rodeava, animando os objectos que se lhe rebelavam. Quando me pedem para falar de Hugo, repito que se tratava de um verdadeiro homem-orquestra, cantor, bailarino, actor, narrador genial e, para concluir, um desenhador extraordinário! Energia pura. O meu primeiro Mestre.»


BREVIÁRiO

Atalanta Filmes edita em DVD: A Vizinha do Lado (1945) de António Lopes Ribeiro, Tráfico (1998) de João Botelho, Ganhar a Vida (2001) de João Canijo e Rasganço (2001) de Raquel Freire.
José Abrantes apresenta uma nova personagem – o ingénuo e barbudo Capitão Marselha, que não gosta (mesmo nada!) de futebol… Em época de desafios do Euro 2004, esperam-se grandes vitórias.

A cooperativa Cinema Novo, responsável pelo Festival Internacional de Cinema do Porto, lança o Concurso do Conto Fantástico, cujo vencedor será publicado com menção no Livro de Contos Fantasporto: 25 Anos, entre contribuições de outros escritores convidados.



INVENTÁRiO

O REGRESSO DE VALÉRIAN
Tendo comemorado um quarto de século em 1992, a saga de Valérian, Agente Espácio-Temporal - por Pierre Christin (argumento) & Jean-Claude Mézières (ilustração) - converteu-se num dos mais celebrados títulos da banda desenhada franco-belga, expoente nos domínios infinitos do fantástico, como épico que subverteria os códigos da ficção científica, sagrando um imaginário prodigioso e efabulativo, bizarro e futurista. Em colecção própria, editada pela Dargaud, Valérian regressará em breve, com T.19: Au Bord du Grand Rien: para além da aventura fértil, luxuriante, entre perigos e deslumbramento, com ironia ou sortilégio, estabelecendo um mítico roteiro de fascínio e heroísmo. Pelo versátil talento de Christin, uma das mais fecundas alianças artísticas consuma e expande - através do Agente Espácio-Temporal - o grafismo sóbrio, mas vigoroso de Mézières. Entre a inspiração e o prazer da leitura, eis a revisão que nos propôs Christin: «Valérian era militarista, antes de se converter num desempregado de luxo - ao serviço de Galaxity, a comunidade responsável pelo destino dos planetas. Tornou-se menos rígido, mais experiente e propenso a ousadias...»

CAPRICHOS DE KIKI
Independente, desinibida, sôfrega, libertina, sempre à espera e preparada - na posição que lhe dê maior prazer ou a torne mais acessível - Aline apresentou entre nós Adão Iturrusgarai, como autor duma heroina incontornável, jovem adulta e de poucas subtilezas sexuais. Uma ousadia editorial da Devir, que com Kiki, A Primeira Vez - emancipada em 2000, nas páginas da revista Capricho - prossegue a revelação de um dos mais importantes e radicais cartoonistas brasileiros, na actualidade. Nascido no Rio Grande do Sul, e habitual em tiras desenhadas na importante Folha de São Paulo, Iturrusgarai desvenda em Kiki uma adolescente tímida, feiosa, ousada, expectante, indolente, propícia às excitações da vida, do amor, e perplexa ante os caprichos da idade, da virgindade. Considerada por Benda Fucuta, directora de redacção da Capricho, «a irmã mais nova de Aline», com Kiki evolui o estilo tropical de uma graciosidade feminina: dela, «acompanhamos as dúvidas existenciais, a preguiça de fazer dieta, a vontade de virar modelo, as engraçadíssimas experiências com os ficantes e, como não podia deixar de ser, a primeira vez dela». E outras se seguirão!

AVENTURAS DO CAPITÃO AMÉRICA
Como nenhum outro super-herói, o Capitão América reflecte um imaginário ianque de exaltação e abismo - simbolizando, ao que o nome sugere, um paladino emblemático: o uniforme é uma derivação da bandeira nacional, e o escudo - seu único apetrecho - constitui uma arma defensiva e agressora. Nascido em 1941, com argumento de Joe Simon e desenhos de Jack Kirby, Captain America tornou-se famoso pelos rasgos de patriotismo durante a Grande Guerra, ao enfrentar os nazis como inimigo principal. Logo o Caveira Vermelha, interpretado por Scott Paulin em As Aventuras do Capitão América (1990) de Albert Pyun, sendo protagonista Matt Salinger.



Na origem estava Steve Rogers, um débil soldado que, servindo de cobaia a experiências científicas, se converte em paladino aliado a Bucky Barnes, um rapaz mais tarde falecido. Afinal, também a sua carreira se encontra pejada de ocasos e ressurreições: incapaz de resistir à criminalidade civil, desapareceu em 1949, para surgir meteoricamente em 1954. Relançado em 1964 - explicando-se a ausência por se encontrar congelado num icebergue - reapareceu em força a partir de 1968. Mais de cem artistas recriaram o Cap, com destaque para Kirby & Stan Lee, que sublimou as suas contradições: antigo espião e justiceiro, tornou-se um funâmbulo atormentado e introvertido...
Em finais de 2003, a par com um novo projecto do Capitão América em grande ecrã, surgem notícias duma questão de direitos, cedidos verbalmente por Simon em 1940, a uma predecessora da Marvel. Resolvida a disputa em favor do produtor Avi Arad, este convidou escritores e cineastas a revirtualizarem o Cap, transfigurado à luz dos valores e dos fascínios da juventude actual.


quarta-feira, agosto 07, 2019

IMAGINÁRiO #784

José de Matos-Cruz | 24 Dezembro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

MEMÓRIAS, OLHARES
Iniciado em 2004, na versão newsletter, o IMAGINÁRiO culmina agora uma viagem periódica, em confluência entre fenómenos culturais – como as artes plásticas, a literatura, a música, o cinema ou os quadradinhos – além de evoluir por outros territórios e experiências várias. Privilegiando distintas visões e versões, reflectindo memórias e testemunhos singulares. Mantendo-se embora na virtualidade temporal que o levou à Truca e expandiu com Kafre, ou enfim recuperado no percurso Médio. Consumando, simultaneamente, e ao cumprir a proposta original, um círculo de amizade e um apelo à imaginação. Para todos os que acompanharam ou distinguiram esta experiência tão estimulante, a minha saudação especial e a expectativa de um regresso em projecto a germinar. Aos que contribuíram para divulgar o IMAGINÁRiO – Luís Gaspar que nos acolheu, Daniel Maia que lhe deu amplitude – a gratidão essencial, e a certeza de um reencontro em breve, partilhando tantas vivências e afeições comuns.

IMAGINÁRiO
Até ao número 357 http://www.truca.pt/imaginario.html
Entre os números 358 e 499 – https://imaginario-medio.blogspot.pt/
A partir do número 500, até 784 – http://imaginario-kafre.blogspot.pt/

CALENDÁRiO

1940-04ABR2019 - José Alberto García Gallo, aliás Alberto Cortez: Cantor e poeta argentino radicado em Espanha, letrista e compositor, intérprete de Monica (1960) - «Traigo para ti desde muy lejos / un traje de amapolas con lunares, / auténticos lunares de la luna, / con un cuello de garza sibelina / y un sombrero con plumas de ave fénix / plumas infantas del ave renascidas.» (Traigo Para Ti - excerto).

06ABR-18MAI2019 - Em Lisboa, Galeria Diferença apresenta Keep In Touch - exposição de documentos afectos ao acervo pessoal de Ernesto de Sousa (1921-1988). IMAG.135-198-279-393-534-566-677-684-721

11ABR-30JUN2019 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Raw.Spective - exposição de fotografia de Miguel Ângelo.

11ABR-11AGO2019 - Em Lisboa, Museu Colecção Berardo apresenta Vida? Ou Teatro? - exposição de guache de Charlotte Salomon (1917-1943), sendo curador Éric Corne.

13ABR-25AGO2019 - Na Amadora, Casa Roque Gameiro expõe Arte e Vida do Selo - A Criação Filatélica da Família Roque Gameiro-Martins Barata.
 IMAG.197-292-558-585-602-605-638-657

1956-12ABR2019 - Ondina Maria Farias Veloso, aliás Dina: Cantora e compositora portuguesa, intérprete de Há Sempre Música Entre Nós (1981) ou Amor d’Água Fresca (1992 - vencedora do Festival RTP da Canção) - «Foi pioneira, abriu um bocadinho a estrada para as autoras no feminino na minha geração» (Ana Bacalhau).

1935-14ABR2019 - Berit Elisabeth Andersson, aliás Bibi Andersson: Actriz sueca de teatro e cinema, entre as favoritas de Ingmar Bergman - «Parece que toda uma época ficou fora do tempo. Ela era uma grande actriz e uma grande pessoa. Mesmo politicamente, manteve-se muita empenhada. Trabalhava para a cultura e para o ser humano» (Christina Olofsson).

1930-15ABR2019 - Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres, aliás Maria Alberta Menéres: Escritora portuguesa, de motivação infanto-juvenil, ficcionista e poetisa, jornalista e professora - «As pedras falam? pois falam / mas não à nossa maneira, / que todas as coisas sabem / uma história que não calam. // Debaixo dos nossos pés / ou dentro da nossa mão / O que pensarão de nós? / O que de nós pensarão? // As pedras falam? pois falam. / Só as entende quem quer, / que todas as coisas têm / uma coisa para dizer.» (As Pedras, excertos - in Conversas Com Versos, 1968). IMAG.149

27ABR-29SET2019 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo apresenta Quando as Máquinas Param - exposição de Catarina Botelho, Eduardo Matos e Vasco Costa, sendo curadoras Sandra Vieira Jürgens e Paula Loura Batista, e dando continuidade ao ciclo de arte contemporânea Cosmo/Política. IMAG.706-729-760

PARLATÓRiO


O novo é sempre construído a partir do velho, ou melhor, o que nós vemos no novo é, sempre, algo de velho no espelho retrovisor. O futuro do futuro é o presente, e isso é algo que amedronta as pessoas.
Marshall McLuhan
VISTORiA

Por mim, o gran finale desta viagem pelo arquipélago dos Açores poderia ocorrer com o observador confortavelmente sentado, e por fim serenado, na esplanada exterior do hotel Azoris Faial Garden, na Horta, tendo a piscina suspensa à sua frente e contemplando, no dia que lentamente se extingue, a montanha do Pico para lá do canal, deixando-se fundir com o ocaso solar e aspirando os matizes de luz e cor reflectidos na encosta, enquanto a constante dança das nuvens molda uma e outra e outra vez o maciço rochoso, num movimento incessante de ocultamento e desvelamento da própria montanha, até que a noite caia.

[A]percebe-se da suspensão do tempo, a imobilidade eterniza-se, a emoção irrompe, tudo ao mesmo tempo, num turbilhão perturbador e único. Enquanto isso, o Sol desce para o ocaso, lá longe na imensidão do mar das Flores, e as luzes vibrantes do dia prestes a terminar ajudam a instalar um estado de excepção, que é a expressão sublime da transcendência na vida, descobrindo, possivelmente pela primeira vez, que só assim ela vale a pena ser vivida.
Carlos Pessoa
- Açores - O Canto das Ilhas (excertos - 2019)
MEMÓRiA

1935-25DEZ2010 - Manuel Ivo Soares Cardoso Cruz, aliás Manuel Ivo Cruz: Compositor português, maestro, musicólogo e historiador - filho do maestro Ivo Cruz (1901-1985), foi maestro-director do Teatro Nacional de São Carlos, e distinguido com o Prémio Moreira e Sá do Orfeão Portuense (1969). IMAG.336-337-515-529

26DEZ1780-1872 - Mary Fairfax Somerville, aliás Mary Somerville: Escritora, matemática e astrónoma escocesa, autora de A Relação das Ciências Físicas  (1834), Geografia Física (1848) e Ciência Molecular e Microscópica (1869) - «Dificilmente podia acreditar que possuía tal tesouro, quando pensava no dia em que ouvira pela primeira vez a palavra álgebra, e nos longos anos em que tinha procurado quase sem esperança. Isso ensinou-me a nunca desistir». IMAG.396

1822-26DEZ1890 - Heinrich Schliemann: Arqueólogo alemão de vocação clássica, responsável pela descoberta das cidades de Troia e Micenas, exprimia-se em nove línguas, além do alemão: o inglês, o francês, o espanhol, o português, o holandês, o italiano, o russo, o sueco e o polaco.

1846-28DEZ1900 - Alexandre Alberto da Rocha de Serpa Pinto: Militar português, explorador e administrador colonial, entre finais de 1877 e 1879 realizou uma viagem entre Angola e Durban, na costa do Índico, Sul de África, com a missão de observações quanto à topografia, sistemas fluviais e clima, agricultura, zoologia, costumes e raças dos povos indígenas - «Lutei com a fome e a sede…». IMAG.125-247-304-559-727

1845-29DEZ1910 - Francisco Marques de Sousa Viterbo, aliás Sousa Viterbo: Poeta, arqueólogo, historiador e jornalista português - «Podeis pecar, podeis; agora eu / já não tenho ninguém que me proteja!». IMAG.27

30DEZ1910-1999 - Paul Frederic Bowles, aliás Paul Bowles: Escritor e compositor americano, autor de A Missa do Galo (1985) - «Não se via como um turista, era um viajante. A diferença tem a ver em parte com o tempo, explicou. Enquanto o turista costuma voltar a correr para casa ao cabo de semanas ou meses, o viajante, que não pertence a um lugar mais que a outro, desloca-se com vagar, durante anos, de uma parte da terra para outra…» (Sob o Céu Que Nos Protege - excerto, 1949). IMAG.204-247-251-304-469-582-672-731

1746-31DEZ1830 - Stéphanie Félicité du Crest de St-Aubin, aliás Madame Brûlart, Condessa de Genlis: Escritora francesa - «As qualidades do espírito produzem invejosos; as do coração, logram amigos». IMAG.548

1911-31DEZ1980 - Herbert Marshall McLuhan, aliás Marshall McLuhan: Filósofo e pedagogo canadiano - «A nossa actualidade é um mundo inteiramente novo, em que tudo existe em simultâneo - neste momento. O tempo cessou, o espaço desapareceu. Vivemos, agora, numa aldeia global». IMAG.375

BREVIÁRiO

Relógio D’Água edita Açores - O Canto das Ilhas de Carlos Pessoa. IMAG.17-26

Ala dos Livros edita Comanche - Obra Completa de Greg e Hermann, cujo Volume 1 inclui Red Dust, Os Guerreiros do Desespero, Os Lobos do Wyoming e O Céu Está Vermelho Sobre Laramie. IMAG.319-519-569-697-741

Saída de Emergência edita Fahrenheit 451 de Ray Bradbury (1920-2012); tradução de Casimiro da Piedade. IMAG.103-412-587-767

Relógio D’Água edita Diários de Virginia Woolf (1882-1941); tradução de Jorge Vaz de Carvalho. IMAG.51-99-220-315-316-328-356-439-483-581-608-657







EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS - Folhetim Aperiódico

À TRIPA SOLTA, A COBRA É MOLE - 10
Afinal, chegou a vez da Xarolas achar-se solitária, saudosa e siderada.
Há quem caminhe para o paraíso, tendo as costas quentes pelo inferno. Esther Barreno, a Xarolas era uma estrada descarnada e tortuosa, a precisar de calcetamento e orientação.
Conclusão
 

terça-feira, julho 30, 2019

IMAGINÁRiO #783

José de Matos-Cruz | 16 Dezembro 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

SEQUELAS
Em 1981, John Carpenter estilizou ao paroxismo o seu pessimismo visionário sobre o futuro, em Nova Iorque 1997/Escape From New York. Alvo de atentado, o avião do Presidente dos Estados Unidos cai na fortaleza de Manhattan, habitada por uma chusma de criminosos e sub-humanos. Um misterioso emissário tentará resgatá-lo, em certo lapso de tempo - durante o qual a sua vida pode ser, ainda, politicamente relevante… Solitário, inexorável, Snake Plissken converteu-se num anti-herói de culto, indissociável do carismático protagonista Kurt Russell - que, aproximando-se o ano da crepuscular profecia, reassumiu com Carpenter um desafio ainda mais radical. Eis Fuga de Los Angeles/Escape From L.A. (1996) - tempos depois, com outro líder e em nova situação de catástrofe. A América está sob um regime totalitarista, que tudo controla - dos vícios privados às virtudes místicas. Os indesejáveis são deportados para a Cidade dos Anjos - devastada pelo Mega-Terramoto, uma ilha infernal sob o domínio do revolucionário Cuervo Jones. Junta-se-lhe Utopia, a rebelde filha do Presidente, tendo consigo um mecanismo capaz de arrasar o nosso mundo. Cabe a Snake eliminar Utopia e anular a ameaça. Para tal corre riscos fatais, estabelece bizarros pactos, mas o juízo final paira já sobre o caos e a insanidade… IMAG.20-224-623


CALENDÁRiO

1930-30MAR2019 - Anna Mascolo: Bailarina, coreógrafa e pedagoga, professora de dança, nascida em Itália - «Foi uma grande impulsionadora do ensino artístico integrado em Portugal» (Sofia Campos).

30MAR-11MAI2019 - Galeria Municipal de Matosinhos apresenta Uma Coisa - exposição de gravura, desenho e escultura de José Pedro Croft, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.427-539-641-670-709-761

30MAR-18MAI2019 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa apresenta Ser Sombra [Desenho] - exposição de António Bolota, sendo curador Nuno Faria. IMAG.597-641-776
04ABR2019 - NOS Audiovisuais estreia Diamantino (2018) de Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt; com Carloto Cotta e Anabela Moreira. IMAG.326-571-621

05ABR-29JUN2019 - Em Lisboa, Arquivo Fotográfico Municipal expõe Saudade de Pedra de Jorge Guerra. IMAG.398

05ABR-30SET2019 - Em Cascais, Casa Sommer expõe Entrelinhas - Retratos de Cascais de José Carlos Santos (fotografia) e Marco Grieco (texto).

07ABR-26MAI2019 - Em Algés, Palácio dos Anjos apresenta Living Among What’s Left Behind - exposição de fotografia de Mário Cruz.

PARLATÓRiO

Legisladores! Farei agora menção a um artigo que, segundo a minha consciência, devia omitir. Numa Constituição política não deverá prescrever-se uma profissão religiosa, porque segundo as melhores doutrinas sobre as leis fundamentais estas são as garantias dos direitos políticos e civis, mas a religião não se integra em nenhum desses direitos, é de natureza indefinível na ordem social e pertence à moral intelectual. A religião governa o homem em casa, no gabinete, dentro de si próprio: ela apenas tem o direito de examinar a sua consciência íntima. As leis, pelo contrário, têm em vista a superfície das coisas: governam fora da casa dos cidadãos. Aplicando estas considerações, poderá um Estado reger a consciência dos seus súbditos, velar pelo cumprimento das leis religiosas e atribuir prémio ou castigo, quando os tribunais estão no céu e quando Deus é o juiz? Só a Inquisição seria capaz de substituí-los neste mundo. Voltará ainda a Inquisição - com os seus archotes incendiários?
Simón Bolívar
- Manifesto ao Congresso Constituinte da Bolívia (1924-1925)

COMENTÁRiO

Frank Zappa foi um dos primeiros a tentar derrubar as barreiras entre rock, jazz e música clássica. No final dos anos de 1960, o seu Mothers of Invention iria colocar a Petroushka de Stravinsky dentro de Bristol Stomp de The Dovells, antes de irromperem os guinchos do saxofone inspirados por Albert Ayler.
A História Ilustrada do Rock & Roll / Rolling Stone



BREVIÁRiO

Assírio & Alvim edita Poemas Escolhidos de William Wordsworth (1770-1850); seleção, tradução e introdução de Daniel Jonas. IMAG.301

Cavalo de Ferro edita A Lã e a Neve de Ferreira de Castro (1898-1974). 
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Distrijazz edita em CD, sob chancela Aquarela do Brasil, Meu Brasil Brasileiro de Ary Barroso (1903-1964) e Um Interpreta o Outro de Ary Barroso e Dorival Caymmi (1914-2008). IMAG.211-419-464-671

MEMÓRiA

1922-16DEZ2010 - William Blake Crump, aliás Blake Edwards: Actor, argumentista e realizador do cinema americano, distinguido com um Óscar Honorário pela Academia de Hollywood (2004) - «Para muitos críticos, foi difícil aceitar que ele era mais do que um cineasta popular. Os seus detractores reconhecem o seu estilo formal, mas deploram-lhe a ausência de profundidade. Sob a aparência da comédia e do divertimento, todos os seus filmes reflectem, com rigor, os valores da vida contemporânea» (George Morris). IMAG.14-225-335-380-471-499-705-752

17DEZ1770-1827 - Ludwig van Beethoven: Compositor alemão, entre o classicismo e o romantismo - «A música é uma revelação superior a toda a sabedoria e a toda a filosofia. Música é o terreno inebriante em que o nosso espírito vive, pensa e inventa».
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1783-17DEZ1830 - Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar Palacios y Blanco, aliás Simón Bolívar: Militar e político venezuelano - «Colombianos! A minha última vontade é a felicidade da pátria. Se a minha morte contribuir para o fim do partidarismo e para a consolidação da União, baixarei em paz à sepultura!» (último discurso ao povo da Colômbia - 08DEZ1830). IMAG.303-428

18DEZ1870-1916 - Hector Hugh Munro, aliás Saki: Escritor britânico - «A dignidade perdida não é um bem que possamos restabelecer de um momento para o outro, é quase tão dolorosa como a lenta recuperação de um afogamento». IMAG.174-303-586

19DEZ1910-1986 - Jean Genet: Ficcionista, poeta e dramaturgo francês - «O principal objectivo de uma revolução é a libertação do homem, não a interpretação e aplicação de uma qualquer ideologia transcendente».  
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1913-19DEZ1990 - Rubem Dias Ferro Braga, aliás Rubem Braga: Escritor e jornalista brasileiro - «Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.» (A Traição das Elegantes - excerto, 1967). IMAG.402

1896-21DEZ1940 - Francis Scott Key Fitzgerald, aliás F. Scott Fitzgerald: Escritor americano, autor de O Grande Gatsby (1925) - «Brigas familiares não obedecem a nenhuma regra. Não causam muita dor ou feridas, mas produzem fendas que não fecham porque falta matéria suficiente.» (Babylon Revisited - excerto, 1920-1932)». IMAG.161-248-303-334-376-580

21DEZ1940-1993 - Frank Vincent Zappa, aliás Frank Zappa: Compositor e guitarrista americano - «Já que eu não tive nenhum tipo formal de formação, não fazia qualquer diferença para mim se estava a ouvir Lightnin’Slim, ou um grupo vocal chamado Jewels…, ou Webern, ou Varèse, ou Stravinsky. Para mim, era tudo boa música!» (1989). IMAG.303-445

1912-21DEZ1980 - Nelson Falcão Rodrigues, aliás Nelson Rodrigues: Escritor e jornalista brasileiro - «Chegou às redações a notícia da minha morte. E os bons colegas trataram de fazer a notícia. Se é verdade o que de mim disseram os necrológios, com a generosa abundância de todos os necrológios, sou de fato um bom sujeito». IMAG.304-383-659-690

1836-22DEZ1870 - Gustavo Adolfo Claudio Domínguez Bastida, aliás Gustavo Adolfo Bécquer: Poeta e ficcionista espanhol - «Três séculos decorreram, ao fim dos quais, tornando ao meu antigo ser, o deus me perguntou: “Que queres?” “A imortalidade.” “E que mais?” “A suprema inteligência.” “Só isso?” “E ser homem.” “De hoje em diante, os teus desejos serão cumpridos.” E fui homem imortal e infalível; vivi no mundo, regenerei as sociedades, escrevi leis e… o pagamento das minhas vigílias, dos meus afãs e do meu amor foi tal, que pedi para voltar a ser corvo; e ainda que, depois de haverem procedido ao meu julgamento na tumba, os homens me tenham feito justiça, eis-me aqui e corvo sou e corvo serei até à consumação dos séculos.» (Lendas - excerto, 1859-1865). IMAG.77-551

PARLATÓRiO

A marca de uma inteligência de primeira ordem é a capacidade de ter duas ideias opostas, presentes no espírito ao mesmo tempo, e nem por isso deixar de funcionar.
F. Scott Fitzgerald

Trabalhei com os melhores cineastas - Ford, Wyler, Preminger - e aprendi bastante com eles. Mas era pouco cooperativo. Era um miúdo rebelde, mal disposto. Talvez porque, já nessa altura, o que me interessava era dirigir, não ser dirigido.
Blake Edwards

domingo, julho 28, 2019

IMAGINÁRiO-Extra: Webcomic OSSADAS DO OFÍCIO pelo Colectivo Tágide

A banda desenhada colectiva Ossadas do Ofício, realizada pelos autores do mais recente colectivo de BD do país, Tágide, é uma narrativa sequencial feita em cadavre exquis, que o grupo tem partilhado no seu blogue.
Esta iniciativa, que visa ser mais um propósito para os frequentadores colaborarem entre si nos encontros, realizados quinzenalmente na sala multiuso na Quinta do Pátio d'Água (Montijo), ainda está no começo mas reúne as improvisações sequenciais de talentos como António Coelho, Daniel Maia, Jorge Rodrigues, Maria João Fanica, Mário André, Nuno Dias, Patrícia Costa, Rui Serra e Moura, Shania Santos e Susana Resende, e aguarda-se a participação por mais artistas, entre os quase 30 membros do colectivo.
A BD, que se quer insólita e experimental, pede 1/2 página A4 por autor, fundindo as intervenções gráficas em pranchas que são depois carregadas no blogue, em jeito de webcomic. Podem ler as páginas já carregadas (pg1-3 e pg4-5) em tagidebd.blogspot.com.