segunda-feira, fevereiro 04, 2019

IMAGINÁRiO #756

José de Matos-Cruz | 24 Maio 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

SORTILÉGIOS
A carreira de Don Bluth, como herdeiro e dissidente da companhia Walt Disney na animação, culminaria em Titan - Depois da Destruição da Terra (2000), sempre aliado a Gary Goldman. Conjugou-se assim o investimento comercial, com uma reciclagem do material clássico - em que o processo tecnológico, ou as actuais potencialidades artísticas, reinstalassem o sortilégio e o fascínio populares. Bluth & Goldman propõem uma técnica de animação mista, entre duas e três dimensões, fundindo o universo gráfico com a textura digital. O resultado é um imaginário denso e dinâmico…
Eis o ano de 3028, quando a humanidade atingiu as galáxias, mantendo porém o coração na Terra. Ora, quando o planeta-mãe é instantaneamente destruído pelos Drej, uma raça invejosa e predadora, alguns sobreviventes escapam na gigantesca nave Titan, com destino desconhecido. Cale, o filho do cientista que a concebeu, tem na sua mão o código genético para a localizar, mantendo em si a esperança. A Titan preserva segredos que poderão recriar a Terra. Ante um desafio de ressurreição, aliado à bela Akima e ao comandante Corso, a bordo da Valkyrie, Cale assumirá a própria identidade original - em reconciliação com o pai, por quem se julgara abandonado. IMAG.175-506-619

CALENDÁRiO

1933-06OUT2018 - María de Montserrat Bibiana Concepción Caballé i Folch, aliás Montserrat Caballé: Cantora lírica espanhola - «As suas voz e doçura estarão sempre connosco» (Pedro Sánchez).

1943-07OUT2018 - Maria Ema Mendes de Campos, aliás Mariema: Cantora e actriz portuguesa, de teatro, televisão e cinema, intérprete de O Fado Mora Em Lisboa (1965) - «Tinha uma maneira de representar que era diferente, muito aberta, sempre muito risonha e quase chaplinesca» (Vítor Pavão dos Santos).

11OUT2018 - Midas Filmes estreia 9 Dedos / 9 Doigts (2017) de F.J. Ossang; coprodução de O Som e a Fúria, com Diogo Dória e Paul Hamy. IMAG.284

11OUT2018 - Cinemundo estreia Fátima: O Derradeiro Mistério / Fátima, el Ultimo Misterio (2017) de Andrés Garrigó; com Fran Calvo e Eva Higueras González.

11OUT2018 - Leopardo Filmes coproduziu, e estreia O Caderno Negro (2018) de Valeria Sarmiento; sobre Livro Negro de Padre Dinis de Camilo Castelo Branco (1825-1890), com Lou de Laâge e Victoria Guerra. IMAG.357-430

20OUT2018-03MAR2019 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo apresenta a exposição de pintura Candido Portinari [1903-1962 - Brasil] Em Portugal, sendo curadoras Raquel Henriques da Silva e Luísa Duarte Santos. IMAG.79-553-689

VISTORiA
Felicidade Impossível

Felicidade impossível disse a lua afinando a sua guitarra

Meu coração está sempre não no lugar certo

Simplesmente não esperava ver a mesma
horrível e infestada condição no
lado exactamente oposto no corpo dela –
Estava agora mais surpreso e
atónito – e agora Olhava
dentro dos olhos dela & ela tinha
olhos calmos de um profundo oliva pacíficos dóceis tristes
olhos que me pareciam dizer
estou bem – é gentileza sua
ter trazido comida para mim
e quero agradecer
mas não sei a sua Língua
então digo silenciosamente com meus olhos
Peter Orlovsky

VISTORiA

Não sei se foi o Adolfo Casais Monteiro que um dia, na aula de Português, me pediu para explicar um trecho dos Lusíadas depois de ter lido o meu exercício sobre o assassínio de Inês de Castro… Passados poucos meses, a liberdade mental de Adolfo Casais Monteiro meteu-o na cadeia. Apareceu, então, como professor de Português o animal que regia Latim e que a meu respeito tinha a mais fraca das opiniões.
Ruben A.
- O Mundo à Minha Procura (1968 - excerto)
TRAJECTÓRiA

Ruben A. Leitão
Ficcionista e ensaísta português, Ruben Alfredo Andresen Leitão nasceu a 26 de maio de 1920, em Lisboa, e morreu a 26 de setembro de 1975, em Londres. Formado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, foi docente na área da Língua e Cultura Portuguesas na Universidade de Londres (1947-1952), tendo sido convidado para desenvolver atividade docente na Universidade de Oxford alguns meses antes da sua morte. Entre 1954 e 1972, foi funcionário da Embaixada do Brasil em Lisboa. Estudioso de D. Pedro V, tendo procedido à edição de documentos de governação e correspondência inédita do monarca, foi ainda autor de vários verbetes no Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão. Integrou, em 1972, o Conselho de Administração da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, no domínio da qual foi responsável por uma importante atividade de edição. Colaborou com algumas publicações periódicas, tendo, por exemplo, redigido inúmeras recensões críticas na secção de Livros Escolhidos no Diário Popular, entre 1963 e 1974. Estreou-se, em 1949, com Páginas, uma obra híbrida, misto de diário e de ficção, cujo sexto volume seria editado em 1970. Chocando pela mordacidade, pela irreverência linguística e pela desconstrução dos eixos narrativos tradicionais, estreara-se, entretanto, na novelística com o romance Caranguejo, publicado em 1954, a que se seguiria, em 1965, um dos seus maiores sucessos, A Torre da Barbela (prémio Ricardo Malheiros), obra que sobrepõe, num delírio verbal apostado na caricatura da psicologia portuguesa, várias épocas da História da nacionalidade. A segunda metade da década de 60 será marcada pela publicação dos três volumes autobiográficos: O Mundo à Minha Procura. Em 1973, publicou a sua última obra, a novela Silêncio para 4, deixando inédito o romance de inspiração histórica Kaos. A obra vasta de Ruben A. incide particularmente sobre dois tipos de registos literários: a ficção autobiográfica e a ficção histórica. Num longo itinerário de conhecimento da existência através do ato de escrita, seja no registo diarístico, seja ficcional, seja histórico, Ruben A. é um dos autores que, partindo da fratura da identidade operada por Fernando Pessoa ou por Mário de Sá-Carneiro, mais recorrentemente problematizam o desdobramento do eu, numa reflexão que culminaria com obras como O Outro que Era Eu, uma introspeção sobre o «processo de desintegração do eu abandonado à sensação de “embarcar no Outro”, até ao acontecimento insólito de “integração total de um ser em outro” enquanto sinónimo de uma nova era». Este projeto de busca de si mesmo alcança, em obras como A Torre da Barbela e Kaos, uma dimensão de busca da identidade coletiva que, pela subversão cronológica, se posiciona como crítica irónica e surrealizante a uma certa forma de ser português. Pouco conhecido como autor dramático, Ruben A. é autor de uma peça em dois atos, Júlia, publicada em 1963, onde, segundo Luiz Francisco Rebello (cf. 100 Anos de Teatro Português (1880-1980), Porto, ed. Brasília, 1984, p. 35), «é notória a influência do moderno teatro inglês em geral e de T. S. Eliot em particular», tendo ainda deixado alguns textos inéditos, como a peça em um ato Triálogo.

MEMÓRiA

24MAI1940-1996 - Iosif Aleksandrovich Brodsky, aliás Joseph Brodsky: Poeta russo, naturalizado americano, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1987) «pela genuinidade como autor, imbuída de um pensamento claro e de intensidade poética» - «Sou judeu - um poeta russo, e um ensaísta inglês». IMAG.276-548

25MAI1930-2016 - Sonia Flis, aliás Sonia Rykiel: Estilista e escritora francesa, pertencente ao movimento do prêt à porter  (a moda sem complexos, fabricada em série) - «Adoro tudo o que apimenta a vida - um bom Saint-Émilion, chocolate preto, homens». IMAG.637

26MAI1920-1975 - Ruben Alfredo Andresen Leitão, aliás Ruben A.: Escritor português, autor de D. Pedro V - Um Homem e Um Rei (1950) - «A História não pode idealizar figuras quando elas têm valor para transcender o ambiente literário - perde-se a lenda e fica o homem na mais pura concepção da actuação vivida.». IMAG.52-406-478-531

1782-27MAI1840 - Niccolò Paganini: Compositor e violinista italiano - «Isto é um homem! Isto é um violino! Isto é artista! Céus! Que sofrimentos, que miséria, que tortura nestas quatro cordas!» (Franz Liszt). IMAG.92-392-497

29MAI1880-1936 - Oswald Arnold Gottfried Spengler, aliás Oswald Spengler: Filósofo e historiador alemão, autor de A Decadência do Ocidente (1918) - «Eis o final da Democracia. No mundo das verdades, a prova decide tudo. No mundo das realidades, por sua vez, quem decide é o êxito. Pelo Dinheiro, a Democracia anula-se a si própria, depois de o dinheiro ter anulado o espírito.». IMAG.562

1936-29MAI2010 - Dennis Lee Hopper, aliás Dennis Hopper: Actor e cineasta americano - «Tinha eu dezoito anos, e julgava que era o melhor actor do mundo… Até que conheci James Dean. Antes, nunca tinha visto ninguém a improvisar. Nunca tinha visto alguém que fizesse coisas que não estavam no papel. Fiquei deslumbrado!». IMAG.127-250-257-305-564

1933-30MAI2010 - Peter Anton Orlovsky, aliás Peter Orlovsky: Poeta da beat generation, companheiro de Allen Ginsberg - «Um espírito original e requintado» (Gregory Corso - 1977). IMAG.306-426

BREVIÁRiO

Cavalo de Ferro edita A Revolta dos Anjos de Anatole France (1844-1924); tradução de Álvaro Salema. IMAG.306-463

Sibila Publicações edita Só Acontece aos Outros de Maria Antónia Palla.

Ponto de Fuga edita O Mundo É Redondo de Gertrude Stein (1874-1946); tradução de Luísa Costa Gomes, ilustrações de Rachel Caiano. IMAG.677
 

domingo, fevereiro 03, 2019

IMAGINÁRiO #755

José de Matos-Cruz | 16 Maio 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PERCORRER
Após um período ressurgente na edição da banda desenhada por artistas nacionais, seguida de uma frustrante ausência quando ao panorama primordial dos álbuns em quadradinhos, verificou-se uma aliciante reconciliação, de que são primordiais beneficiários tanto os autores como os leitores. Sob chancela Meribérica/Liber, assim ressaltaria Pêro da Covilhã - Viagens (2000) por Filipe Sousa (argumento) & Rui Sousa (ilustração), através do qual se retoma ainda uma significativa tradição, explorada entre a história e o imaginário. Em causa estão as «aventuras & desventuras de um português andarilho & embarcadiço em terras do Egipto, Arábia, Índia, Costa da Cafraria & Etiópia, de onde não mais voltou…»
Patrocinada pelo Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, esta notável publicação tem um duplo interesse lúdico e pedagógico - acentuado pelas criteriosas notas de rodapé; ou estilizado por um grafismo insólito mas apelativo. Exotismo, comunhão. Além das proezas de Pêro da Covilhã (1460-1530), sublimando um espírito nosso, repartido, sobressai o sentido errático de percorrer, para o perdido carácter lusitano.

CALENDÁRiO

1931-29SET2018 - António da Silva Barbosa, aliás Alves Barbosa: Ciclista português, protagonista de O Homem do Dia (1958 - Henrique Campos) - «Uma das maiores figuras da história do ciclismo português, tendo granjeado prestígio enquanto corredor - um dos melhores de sempre -, mas também como treinador e como dirigente» (Federação Portuguesa de Ciclismo/FPC). IMAG.116-398-466

1945-30SET2018 - René Pétillon: Ilustrador francês, autor de banda desenhada - «Trabalhou no Canard Enchainé, onde se tornou um dos principais cartunistas, devido ao traço original e ao humor sarcástico» (José Cutileiro).

VISTORiA

Como Eu Não Possuo
Olho em volta de mim. Todos possuem –
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.

Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minh’alma pára e não os sente!

Quero sentir. Não sei… perco-me todo…
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.

Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse – ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!…

Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo…
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?…

Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor…
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!…

Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim – ó ânsia! – eu a teria…

Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante…

De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo.
Mário de Sá-Carneiro
SUMÁRiO

OS MARRETAS
A saga dos Marretas - um prodígio de animação mecânica em que se representa, com uma furiosa corrosão, o universo social americano em suas múltiplas vertentes - logrou um idêntico sucesso pela via da televisão ou nas salas de cinema. Trata-se de um salutar envolvimento de humor e recriação artística - que sobreviveu ao primordial autor, Jim Henson, cuja aliança com Frank Oz culminara a história fundamental dos Marretas. Oz e Henson tinham-se conhecido em 1963, durante uma Convenção sobre os (originais) Muppets. Em grande ecrã, e após As Aventuras dos Marretas (1978) por James Frawley, o próprio Henson dirigiu Os Marretas Contra-Atacam (1981). Depois, Oz realizou Os Muppets Conquistam Nova Iorque (1984), e produziu O Conto de Natal dos Marretas (1992) - a cargo de Brian Henson, e dedicado à memória de seu pai…

PARLATÓRiO

Qualquer mago lhes dirá que os cientistas são as pessoas mais fáceis de enganar do Mundo; nos seus laboratórios, os instrumentos são exactamente o que parecem. Não há espelhos ocultos, nem compartimentos secretos, nem imãs escondidos. O pensamento de um cientista é racional, baseia-se em toda uma vida de experiência com o mundo lógico. Pelo contrário, os métodos do mágico são irracionais, e totalmente alheios à experiência do cientista.
Martin Gardner
MEMÓRiA

16MAI1930-27JAN2000 - Friedrich Gulda: Compositor e pianista austríaco - fascinado por Wolfgang Amadeus Mozart, inspirado pelo jazz, professor de Martha Argerich ou Claudio Abbado. IMAG.500

1936-16MAI1990 - James Maury Henson, aliás Jim Henson: Artista americano, manipulador de bonecos, cineasta e produtor, criador de Os Marretas / Muppets (1963) e A Rua Sésamo / Sesame Street (1968) - «A minha maior esperança é deixar o mundo um pouco melhor, por ter estado aqui». IMAG.580

1445-17MAI1510 - Alessandro di Mariano di Vanni Filipepi, aliás Sandro Botticelli: Pintor italiano, renascentista, da Escola Florentina, autor de A Primavera e O Nascimento de Vénus, protegido pela família Medici. IMAG.189-214-505

1924-17MAI2010 - Yvonne Loriod: Pianista francesa, compositora e professora, mulher e intérprete de Olivier Messiaen - «Ele confessou, um dia, que estava disposto a prescindir das maiores excentricidades, ao compor para piano, sabendo que seria ela a incumbir-se da sua execução» (Paul Griffiths). IMAG.304-451

19MAI1890-1916 - Mário de Sá-Carneiro: Ficcionista e poeta português - «Como eu quisera, enfim de alma esquecida, / Dormir em paz num leito de hospital… / Cansei dentro de mim, cansei a vida / De tanto a divagar em luz irreal.» (Além-Tédio). IMAG.65-71-236-275-307-560-561-617-724

1864-22MAI1910 - Pierre-Jules Renard, aliás Jules Renard: Escritor francês, autor de Histórias Naturais (1894) - «Há pessoas tão aborrecidas que, apenas em cinco minutos, nos fazem perder um dia inteiro». IMAG.275-591

1904-21MAI2000 - Arthur John Gielgud, aliás John Gielgud: Actor britânico do teatro e do cinema - «Representar significa, ao mesmo tempo, vergonha e glória; vergonha por nos exibirmos, glória por não sermos esquecidos… Como actores, antes de sermos capazes de fazer alguma coisa, é indispensável termos a certeza de que somos alguma coisa». IMAG.131-275-387-462

22MAI1940-2011 - Jacques Michel Andre Sarrazin, aliás Michael Sarrazin: Actor canadiano da televisão e do cinema americanos - protagonista de Os Cavalos Também Se Abatem/They Shoot Horses, Don’t They? (1969 - Sydney Pollack) - «Não me interessa o dinheiro, nem ser propriamente uma estrela. Apenas pretendo ser eu, um actor determinado e rigoroso. Aceitem estas premissas, ou deixem-me em paz» (1966). IMAG.357

1914-22MAI2010 - Martin Gardner: Matemático americano, escritor e divulgador científico, especialista em Lewis Carroll - «A ciência moderna deve estimular em todos nós uma humildade face à imensidão do inexplorado, e uma tolerância perante as hipóteses bizarras». IMAG.305-487

23MAI1910-2004 - Arnold Jacob Arshawsky, aliás Artie Shaw: Clarinetista e compositor americano - «Já fiz tudo o que poderia fazer com um clarinete». IMAG.22

BREVIÁRiO

Porto Editora lança A Última Viúva de África de Carlos Vale Ferraz / Carlos Matos Gomes. IMAG.3-197-616-660

Relógio D’Água edita Porquê Este Mundo - Uma Biografia de Clarice Lispector (1920-1977) de Benjamin Moser. IMAG.158-301-375-399-458-484-638-667

EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

A MELANCOLIA FIXA DO CONTROLADOR DE ONDAS - 15
Como num mistério, com os olhos bem abertos imagina o que vê. Como num enigma, vê o que imagina com os olhos bem fechados.
– Continua
 

sexta-feira, fevereiro 01, 2019

IMAGINÁRiO #754

José de Matos-Cruz | 08 Maio 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

AFIRMAÇÃO
Em 1973, Portugal vivia um ano de inquietação e incerteza, nos meios social, político e cultural. Eduardo Geada revelava Sofia e a Educação Sexual, Rogério Ceitil punha as Cartas Na Mesa, João César Monteiro envolvia Fragmentos de Um Filme-Esmola. O Instituto Português de Cinema aparecia na prática. Germinava a Revolução dos Cravos - enquanto, na América, uma outra geração insurrecta se debatia ou aliava, pela expressão artística… Era o declínio do espírito do rock. Eram Quase Famosos (2000) aqueles que se assumiam, entre a ambição e a vulnerabilidade. Entre o abalo da inocência e o compromisso comercial. Cameron Crowe, que testemunhou essa época crepuscular - como adolescente numa extraordinária oportunidade de afirmação, convivendo com as maiores estrelas a solo ou em grupo -, recria um imaginário autobiográfico, irrepetível e, portanto, nostálgico. Mas, sob uma textura calibrada pelos códigos de Hollywood com o signo da comédia melómana, Crowe procede a uma reflexão subtil, quanto ao fenómeno de viragem que então existia: a rotura familiar, a crise de mentalidades, a emancipação juvenil, a liberalização do sexo e das drogas. Tais elementos são, aliás, estigmatizados no próprio universo musical - o fascínio icónico, a corte de fãs, a digressão errática, a fragilidade dos ídolos. IMAG.96

CALENDÁRiO

26SET-03NOV2018 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa expõe A Vocação dos Ácaros de José Loureiro, sendo curadora Antónia Gaeta. IMAG.172

27SET2018-20JAN2019 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado expõe Carlos Relvas (1838-1894: Vistas Inéditas de Portugal - A Fotografia Nos Salões Europeus, sendo curadores Victor Flores, Ana David Mendes, Denis Pellerin e Emília Tavares. IMAG.48-76-169-202-637

1934-30SET2018 - Fernando de Lima Pinho Fernandes, aliás Fernando Fernandes: Livreiro e editor português, fundador da Livraria Divulgação / Leitura (Porto) - «Uma personalidade sempre muito discreta, extremamente culto, com um afecto enorme pelos livros e pela leitura» (Mário Cláudio).

1924-01OUT2018 - Shahnour Vaghinagh Aznavourian, aliás Charles Aznavour: Cantor e actor francês de origem arménia, letrista e compositor, intérprete de Il Faut Savoir (1961) - «Nunca canto canções em que não esteja implicado. Para mim, uma grande canção é um grande texto. A música passa de moda. Um grande texto permanece um grande texto» (a Adelino Gomes - Público, 2008).

04OUT2018 - Fado Filmes coproduziu, e estreia Praça Paris (2017) de Lúcia Murat; com Joana de Verona e Grace Passô.

06OUT-04NOV2018 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, no ciclo OitoXOito, Seven Months At the Red House - exposição de artes plásticas de Sophie Bayntun (Inglaterra).

COMENTÁRiO

Princesa Santa Joana
Para as gentes cristãs da Beira-Ria, no meio de quem a Princesa ficou sepultada, as relíquias venerandas da Padroeira não são apenas um mero objecto de museu; consideram-nas, sobretudo, como termo de piedosas peregrinações e rodeiam-nas com o incenso de religioso amor e com o murmúrio de profunda prece. É que as personagens eminentes do passado serão tanto mais válidas no presente, quanto mais a sua memória veneranda e o seu testemunho extraordinário se tornarem presentes na vida de todos os dias.
Monsenhor João Gaspar,
Vigário Geral da Diocese de Aveiro
- A Princesa Santa Joana e a Sua Época

MEMÓRiA

1821-08MAI1880 - Gustave Flaubert: Escritor francês - «Considero como uma das felicidades da minha vida, não escrever nos jornais; é uma opção que prejudica a minha bolsa, mas favorece a minha consciência… O que o dinheiro faz por nós, não compensa o que fazemos por ele».  
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1916-08MAI1980 - José Manuel Nobre Perdigão Queiroga, aliás Perdigão Queiroga: Cineasta português, produtor, realizador de Fado, História d’Uma Cantadeira (1947) - «Esta permanecerá para sempre a sua obra máxima, e um marco do cinema português, quanto mais não fosse pela importância que teve na carreira de Amália (e também de Virgílio Teixeira, já agora). Foi um sucesso a nível de popularidade, e ainda hoje contém alguns dos momentos marcantes do cinema português» (Manuel Azinhal).
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09MAI1860-1937 - James Matthew Barrie, aliás J.M. Barrie: Ficcionista e dramaturgo escocês - «Todas as vezes que uma criança diz, não acredito em fadas, em algum lugar há uma pequena fada que cai morta no chão…» (Peter Pan). IMAG.18-20-101-183-615

11MAI1930-2017 - Maria Clotilde Belo de Carvalho Rosa Franco, aliás Clotilde Rosa: Compositora portuguesa, harpista e educadora musical, cofundadora do Grupo de Música Contemporânea de Lisboa - «Considerava-se, e numa perspectiva alargada, como pós-serialista» (Antena 2). IMAG.175-707

1452-12MAI1490 - Infanta D. Joana de Portugal, da Casa de Aviz, aliás Princesa Santa Joana: Filha de D. Afonso V e de D. Isabel e, não havendo sucessor, jurada herdeira do trono de Portugal. Quando o pai voltou da conquista de Arzila, foi viver no Convento de Odivelas, passando ao Mosteiro de Jesus, em Aveiro, onde tomou hábito em 1475. Impedida de professar, por proibição duma junta de teólogos congregados por D. Afonso V, a Infanta decidiu manter a existência secular e não voltou à Corte. Viveu sempre no Mosteiro de Jesus, excepto em 1479 e 1485, por motivo da peste que se desenvolveu em Aveiro. El-Rei D. Pedro II alcançou do Papa Inocêncio XII uma bula, confirmando-lhe o título de Santa 1693, beatificação. 12MAI1890 - Diário de Notícias. IMAG.274-357-750

1631-12MAI1700 - John Dryden: Poeta e dramaturgo inglês - «Nem sempre o julgamento do povo é correcto… Muitos, podem errar tão grosseiramente como poucos». IMAG.360

12MAI1930-2013 - Jesús Franco Manera, aliás Jesús Franco, aliás Jess Franco, aliás Jess Franck, aliás Clifford Brown, aliás David Khune, aliás P. Brown: Cineasta espanhol, realizador de Cartas de Amor de Uma Freira Portuguesa (1976) - considerado um autor maldito, de série B, venerado por Quentin Tarantino. IMAG.459

1835-14MAI1889 - José Eduardo Coelho: Escritor e jornalista português, fundador e director do Diário de Notícias - «Viajar é civilizar-se. Cada hora de viagem equivale a muitas páginas de instrutiva leitura». IMAG.32-44-230-242-496-707

14MAI1920-2013 - Clarisse Belo: Actriz portuguesa de teatro, cinema e televisão - «Uma artista estupenda e uma grande amiga» (Ruy de Carvalho). IMAG.491

1886-14MAI1970 - Silvino Simões Santos Silva, aliás Silvino Santos: Documentarista de origem portuguesa, pioneiro do cinema brasileiro, realizador de No País das Amazonas (1922) - o único filme premiado com a Medalha de Ouro na Exposição do Centenário do Brasil em 1922. IMAG.28-503-561

VISTORiA

Existe um prazer garantido
em ser louco,
e que apenas os loucos conhecem.
John Dryden

Onde Será a Terra Prometida?
Triste época a nossa! Para que oceano correrá esta torrente de iniquidades? Para onde vamos nós, numa noite tão profunda? Os que querem tactear este mundo doente retiram-se depressa, aterrorizados com a corrupção que se agita nas suas entranhas.
Quando Roma se sentiu agonizar, tinha pelo menos uma esperança, entrevia por detrás da mortalha a Cruz radiosa, brilhando sobre a eternidade. Essa religião durou dois mil anos, mas agora começa a esgotar-se, já não basta, troçam dela; e as suas igrejas caem em ruínas, os seus cemitérios transbordam de mortos.
E nós, que religião teremos nós? Sermos tão velhos como somos, e caminhamos ainda no deserto, como os Hebreus que fugiam do Egipto.
Onde será a Terra prometida?
Tentámos tudo e renegámos tudo, sem esperança; e depois uma estranha ambição invadiu-nos a alma e a humanidade, há uma inquietação imensa que nos rói, há um vazio na nossa multidão; sentimos à nossa volta um frio de sepulcro.
A humanidade começou a mexer em máquinas, e ao ver o ouro que nelas brilhava, exclamou: «É Deus!» E come esse Deus. Há – e é porque tudo acabou, adeus! adeus! – vinho antes da morte! Cada um se precipita para onde o seu instinto o impele, o mundo formiga como os insectos sobre um cadáver, os poetas passam sem terem tempo para esculpir os seus pensamentos, mal os lançam nas folhas, as folhas voam; tudo brilha e ecoa nesta mascarada, sob as suas realezas de um dia e os seus ceptros de cartão; o ouro rola, o vinho jorra, a devastidão fria ergue o vestido e bamboleia-se… horror! horror!
E depois, há sobre tudo isso um véu de que cada um tira a sua parte, para se esconder o mais possível.
Escárnio! horror! horror!
Gustave Flaubert
- Memórias de Um Louco
BREVIÁRiO

Tinta da China edita Comer/Beber de Filipe Melo (argumento) e Juan Cavia (ilustração). IMAG.308-335-337-523-627

Warner em CD, sob chancela Erato, Claudio Monteverdi [1567-1643], [Antonio] Sartorio [1630-1680], [Luigi] Rossi [1597-1653]: La Storia di Orfeo por Philippe Jaroussky e Emoke Baráth, com Coro della Radiotelevisione Svizzera e I Barocchisti, sob a direcção de Diego Fasolis.  
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Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema edita Escritos Sobre Cinema de João Bénard da Costa (1935-2009).  
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