quarta-feira, agosto 15, 2018

IMAGINÁRiO #730

José de Matos-Cruz | 08 Novembro 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

AFEIÇÕES
Em 1989, o veterano Herbert Ross (1927-2001) realizou Flores de Aço / Steel Magnolias, transpondo um argumento de Robert Harling, baseado em peça teatral de que também é autor, com grande sucesso na Broadway. As principais personagens são mulheres, e elas protagonizam o desafio de uma afirmação solidária - para além das tensões, das angústias, dos egoísmos ou das diferenças pessoais. Assim, quatro amigas partilham as emoções, assumem os percalços, restabelecendo-se dos desencantos, exorcizando os seus fantasmas. É do passado que conservam essa peculiar cumplicidade - numa pequena cidade do Luisiana, Natchitoches, onde Harling se inspirou na corajosa experiência materna - apesar dos distintos rumos, quanto às respectivas existências: uma como mãe e doméstica; outra irascível e solitária, mas rica; a terceira casada com o ex-presidente da câmara; a última proprietária dum salão de beleza - onde todas se costumam encontrar. Tal núcleo virtual reconstitui-se com duas jovens: uma recém-chegada, aceite como empregada naquele estabelecimento; e a filha da primeira, que opta pelo matrimónio e ter crianças, apesar de doença à qual pode sucumbir. Um dilema na vertigem da afeição e da morte, transfigurada por seis actrizes extraordinárias: Shirley MacLaine, Olympia Dukakis, Sally Field, Julia Roberts, Daryl Hannah e Dolly Parton.

CALENDÁRiO

17OUT1948-13MAI2018 - Margaret Ruth Kidder, aliás Margot Kidder: Actriz canadiana naturalizada americana, intérprete de Lois Lane na saga fílmica de Superman (1978-1987) - «Na tela, era mágica. Como pessoa, foi a mulher mais simpática, divertida e carinhosa que conheci» (Mark Hamill).

17MAI-01SET2018 - Em Lisboa, Galeria Zé dos Bois apresenta A Invenção do Sim e do Não - exposição de pintura de Jorge Queiroz, sendo curador Natxo Checa. IMAG.351-603-621-666-715

18MAI-17JUN2018 - Museu das Artes de Sintra / Mu.Sa apresenta A Paisagem - Imagem de Sintra - exposição de pintura, desenho e gravura (meados do Século XVIII / finais do Século XIX).

24MAI2018 - NOS Audiovisuais estreia O Labirinto da Saudade (2018) de Miguel Gonçalves Mendes; sobre a obra epónima / com a participação de Eduardo Lourenço. IMAG.17-123-175-189-331-419-475-498

VISTORiA

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios, nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida a minha face?
Cecília Meireles
EPISTOLÁRiO

El-Rei D. Manuel II ao Primeiro Ministro

Meu caro Teixeira de Sousa
Forçado pelas circunstâncias vejo-me obrigado a embarcar no yatch real Amelia. Sou português e sê-lo-ei sempre. Tenho a convicção de ter sempre cumprido o meu dever de Rei em todas as circunstâncias e de ter posto o meu coração e a minha vida ao serviço do meu Pais. Espero que ele, convicto dos meus direitos e da minha dedicação, o saberá reconhecer! Viva Portugal! Dê a esta carta a publicidade que puder. Sempre mº afectuosamente
Manuel R.
- yatch real Amelia - 5 de Outubro de 1910
PARLATÓRiO

Grace Kelly

Ela entregou-se com empenho às artes, à cultura e ao envolvimento social, particularmente através da sua atenção às crianças, aos incapacitados e aos idosos.
Rainier III do Mónaco


MEMÓRiA

1528-08NOV1599 - Francisco Guerrero: Compositor espanhol da Renascença - «Considerava que a música polifónica devia estar muito presente nas cerimónias religiosas, e assim o mostrou ao Papa Pio V, na dedicatória de um dos seus livros de música. Além disso, era de opinião que a música sacra devia contar com poucos ornamentos e ser mais austera, para assim honrar a Deus» (Mercedes Cebrián Coello). IMAG.389-677

09NOV1929-2016 - Imre Kertész: Escritor húngaro, sobrevivente do Holocausto, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 2002 (por «uma escrita que suporta a experiência frágil do individual contra a bárbara arbitrariedade da História»). IMAG.613

1901-09NOV1969 - Cecília Benevides de Carvalho Meireles, aliás Cecília Meireles: Poetisa e pintora brasileira - «Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre».

1907-09NOV1969 - Carlos Augusto da Silva Ramos, aliás Carlos Ramos: Músico português, fadista e guitarrista - «Genuíno e típico alfacinha a todo o pano, com agradabilíssimo pendor romântico, foi um dos intérpretes de Fado mais benquistos perante o genérico auditório português. Possuidor de uma voz harmoniosa e quente, que dominava como queria, sob postura tranquilamente modesta e discreta, conseguiu lançar-se numa carreira artística a tempo integral, no decurso da qual protagonizou grandes êxitos, sobretudo no início da década de sessenta, divulgado através da rádio com frequente apreço» (António Torre da Guia). IMAG.150-249

10NOV1759-1805 - Johann Christoph Friedrich von Schiller, aliás Friedrich Schiller: Poeta e filósofo alemão - «Queres conhecer-te a ti mesmo, olha como agem os outros: / Queres compreender os outros, olha em teu próprio coração… / O que rejeitares do momento, / Eternidade nenhuma o restituirá!». IMAG.71-252-513

12NOV1929-1982 - Grace Patricia Kelly, aliás Grace Kelly: Actriz americana de cinema, princesa do Mónaco - «A emancipação da mulher fê-la perder o seu mistério». IMAG.47-250-381-386-495

15NOV1889-1932 - Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança Orléans Saboia e Saxe-Coburgo Gotha, aliás El-Rei D. Manuel II, o Patriota: «Um Homem que viveu intimamente, em perfeita lealdade consigo mesmo, o juramento que prestara ao País de o servir como Monarca Constitucional e na melancolia do exílio, em vez de deixar mirrar a alma na estreiteza corrosiva do ressentimento e da desforra» (Joaquim de Carvalho).  
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COMENTÁRiO

Grace Kelly
François Truffaut: …Não tenho a certeza de que o seu gosto coincida com o da maioria das pessoas. Parece-me que o público masculino gosta das mulheres chamativas, e isso poderia confirmar-se pelo facto de algumas delas atingirem o estatuto de estrelas, embora intervenham quase sempre em filmes medíocres - como Jane Russell, Marilyn Monroe, Sophia Loren, Brigitte Bardot. Creio que a grande maioria do público aprecia o sexo explícito ou, como o senhor diz, «o sexo estampado no rosto».
Alfred Hitchcock: É possível, mas você mesmo concorda comigo, que elas só têm feito filmes maus. E porquê? Porque, com elas, não pode haver surpresa nem, portanto, cenas impecáveis; com elas, não há a descoberta do sexo. Tome em atenção o princípio de Ladrão de Casaca / To Catch a Thief (1955). Fotografei Grace Kelly impassível, e a posição mais frequente que escolho é a de perfil, com um ar clássico, muito esbelta e glacial. Mas, enquanto caminha pelos corredores do hotel, e Cary Grant a acompanha até à porta do quarto, o que faz ela? Sem rodeios, mete os seus lábios entre os do homem.
François Truffaut: Isso é verdade, mas aí esperava-se tudo, menos uma tal reacção. No entanto, em meu entender, a sua teoria do sexo um pouco frígido é algo que o senhor consegue impor, independentemente da inclinação natural do público, a quem apetece ir logo ver as tais mulheres fáceis.
Alfred Hitchcock: Talvez tenha razão, mas não se esqueça de que, quando um filme meu acaba, sente-se que os espectadores estão satisfeitos.
François Truffaut: Eu não me esqueço, mas atrevo-me a propor uma hipótese: não acha que esse aspecto dos seus filmes agrada mais ao público feminino do que ao masculino?
Alfred Hitchcock: É possível, mas responder-lhe-ei que, num casal, é a mulher quem escolhe o filme que vão ver; e direi mais, é ela quem decide, no fim, se era bom ou mau. As mulheres podem suportar a vulgaridade na tela, desde que não a protagonizem pessoas do seu próprio sexo. O meu trabalho com Grace Kelly consistiu em proporcionar-lhe, de Chamada Para a Morte / Dial M For Murder (1954) a Ladrão de Casaca, papéis cada vez mais interessantes, de um filme para o outro. Em Ladrão de Casaca, que era sobretudo uma comédia nostálgica, eu sabia que não podia optar por um final completamente feliz. Por isso rodei aquela cena que decorre numa árvore, quando Grace Kelly segura Cary Grant por uma manga. Cary Grant deixa-se convencer, casará com Grace Kelly, mas a sogra irá viver com eles. Deste modo, será um epílogo quase trágico.
François Truffaut
- O Cinema de Alfred Hitchcock

BREVIÁRiO

Universal edita, sob chancela Parlophone, Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (Anniversary Edition) por The Beatles.  
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quinta-feira, agosto 09, 2018

IMAGINÁRiO #729

José de Matos-Cruz | 01 Novembro 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

METAMORFOSES
Autor versátil e fulgurante, ao estilizar as potencialidades gráficas / narrativas da banda desenhada, em que evoluem - pelo signo erótico - a aliciante insurreição ficcional ou uma perversa sofisticação estética, Milo Manara revelou em 1999, como argumentista e ilustrador, A Metamorfose de Lucius / La Métamorphose de Lucius, subvertendo-se como artista da líbido… Ironia, exibicionismo - através de peripécias / experiências excitantes, sob uma vertigem obsessiva / exuberante - pontuam ou transgridem, além dos preconceitos e das convenções, este universo múltiplo, transfigurado, cujo herói - descendente de Plutarco - se dirige da Macedónia à Tessália, acabando por consumar todas as ambições luxuriantes, todos os impulsos fantasistas. Assim corporizando fábulas incríveis de mágicos e de feiticeiras, de horríveis mutações - mesmo que, depois de inúmeras peripécias e temáticas, tudo se dissolva nas ilusões mais efémeras e sumptuosas. Eis, pois, reincidências sediciosas ou dissolutas, entre visões de uma saga interminável - que se transferem, perturbantes, ao próprio olhar do leitor.
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CALENDÁRiO

13MAR-17JUN2018 - Em Lisboa, Casual Lounge Caffé apresenta Schiappa 2018 - exposição de pintura de Pedro Schiappa.

21MAR-16SET2018 - Em Lisboa, Museu Colecção Berardo expõe Linha, Forma e Cor - Obras da Colecção Berardo, sendo curadores Rita Lougares e Jorge André Catarino.

05MAI-23JUN2018 - Em Lisboa, Galeria 111 apresenta Azimute - exposição de pintura, vídeo e objectos de Pedro Vaz, sendo curador Sérgio Fazenda Rodrigues.

1930-14MAI2018 - Thomas Kennerly Wolfe, aliás Tom Wolfe: Escritor e jornalista americano, ficcionista e ensaísta, autor de A Fogueira das Vaidades (1987) - «Como campeão do esplendor estilístico, não tem rival no mundo ocidental» (Joseph Epstein). IMAG.120

18MAI-09SET2018 - Em Lisboa, Culturgest apresenta Michael Biberstein [1948-2013]: X - Uma Reprospectiva - exposição de pintura, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.606

19MAI-17JUN2018 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, no ciclo OitoXOito, Reflexão - exposição de figurações e geometrias em composições abstractas de Jéssica Rosa.

26MAI-11NOV2018 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo apresenta Conflito e Unidade - exposição de João Ferro Martins, Mafalda Santos e Susana Gaudêncio, sendo curadoras Sandra Vieira Jürgens e Paula Loura Batista, e dando continuidade ao ciclo de arte contemporânea Cosmo/Política. IMAG.706

COMENTÁRiO

Lucram com a desordem os governos desacreditados, que, vivendo apenas de viver, tendo violado todas as leis, faltado a todos os deveres, perdido toda a estima pública, necessitam de romancear revoluções, que recomendem o zelo da administração pela estabilidade da paz, autorizem a perpetração de insídias contra o direito desarmado, e encubram, na confusão das ruas, a mão da polícia, que passa, executando os seus cálculos de eliminação homicida.
Ruy Barbosa
- Obras Completas
PARLATÓRiO

Como etnólogo, só posso constatar que o mundo contemporâneo perdeu a fé nos seus próprios valores. Sei que este não é, aliás, o nosso problema principal, mas todos sabemos que, no fim de contas, nenhuma civilização se pode desenvolver, se não possui valores aos quais se agarrar profundamente. Acredito, por sinal, que nenhuma civilização possa, sequer, manter-se na situação em que a nossa se encontra.
Claude Lévi-Strauss
(2003)
VISTORiA

Quem a Tem…

Não hei-de morrer sem saber
Qual a cor da liberdade.
Eu não posso senão ser
Desta terra em que nasci.

Embora ao mundo pertença
E sempre a verdade vença,
Qual será ser livre aqui,
Não hei-de morrer sem saber.
Trocaram tudo em maldade,
É quase um crime viver.

Mas embora escondam tudo
E me queiram cego e mudo,
Não hei-de morrer sem saber
Qual a cor da liberdade.
Jorge de Sena

MEMÓRiA

1908-01NOV2009 - Claude Lévi-Strauss: Antropólogo e filósofo francês - «A humanidade está constantemente às voltas com dois processos contraditórios: um tende a criar um sistema unificado, enquanto o outro visa manter ou restaurar a diversificação.» (Race et Histoire - 1952). IMAG.278-684

02NOV1919-1978 - Jorge Cândido de Sena, aliás Jorge de Sena: Escritor português, poeta e ficcionista, dramaturgo e ensaísta, professor universitário - «Nada me prende ou liga a uma baixeza tanta / quanto esse arroto de passadas glórias. / Amigos meus mais caros tenho nela, / saudosamente nela, mas amigos são / por serem meus amigos, e mais nada.» (A Portugal - excerto)  
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1922-02NOV2009 - José Luis López Vázquez de la Torre, aliás José Luís López Vázquez: Actor espanhol do cinema, do teatro e da televisão - «A sua filmografia pertence ao puro património espanhol, foi um dos maiores tragicómicos do nosso cinema.» (El País - 2009). IMAG.277-362

1933-03NOV2009 - Sheldon Dorf: Artista e coleccionador americano de banda desenhada, fundador do Comic-Con - «Era uma pessoa de uma generosidade extrema, inteiramente dedicado à fruição e à divulgação da arte dos quadradinhos, tendo-se esforçado por reunir os leitores e os criadores» (J.M. Mike Towry). IMAG.277-448

05NOV1849-1923 - Ruy Barbosa de Oliveira, aliás Ruy Barbosa: Escritor, filólogo, jurista e político brasileiro - «De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.» (Discurso no Senado - 1914). IMAG.249-409

1903-05NOV1989 - Vladimir Samoylovych Horowitz, aliás Vladimir Horowitz: Pianista de origem ucraniana (ao tempo do Império Russo), naturalizado americano (1944) - «Há três espécies de pianistas: os pianistas judeus, os pianistas homossexuais e os maus pianistas». IMAG.661

06NOV1919-2004 - Sophia de Mello Breyner Andresen: Poetisa portuguesa, distinguida com o Prémio Camões (1999) - «Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio / E suportar é o tempo mais comprido. // Peço-Te que venhas e me dês a liberdade, / Que um só de Teus olhares me purifique e acabe. // Há muitas coisas que não quero ver. // Peço-Te que sejas o presente. / Peço-Te que inundes tudo. / E que o Teu reino antes do tempo venha / E se derrame sobre a Terra / Em Primavera feroz precipitado.» (Princípio).  
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1857-06NOV1929 - Columbano Augusto Bordalo Pinheiro, aliás Columbano Bordallo Pinheiro: Pintor português - Era «misantropo, fechado em si, dado a análises exaustivas, a dissecações cruéis, teve apenas um grande amor - a pintura» (Diogo de Macedo). IMAG.155-197-301-482-635-695

1925-06NOV1999 - Luís José Teixeira da Fonseca, aliás Teixeira da Fonseca: Cineasta português, realizador e actor - «Inspiro-me numa sátira construtiva, de quem luta por uma vida melhor». IMAG.56-227-457

COMENTÁRiO

Columbano - Desenhar Para a Pintura
A prática do desenho para Columbano não constitui, de modo geral, prática autónoma. Pelo contrário, ela reafirma Columbano como pintor, como um artista que recorreu ao desenho quase exclusivamente como campo de ensaio para estudos de composição, de orquestração de luzes, de caracterização de pormenores anatómicos e de atitudes individuais de figuras que integram composições maiores. Se os desenhos registam as variações estilísticas ao longo deste período, muitas vezes acompanhando as transformações pictóricas, será na mudança de um género para outro que estas diferenças se tornam evidentes: do intimismo das cenas de interior pequeno-burguesas, que por vezes impregna os retratos, para o carácter mundano que perpassa em alguns estudos de figuras femininas; ou da vocação realista dos retratos, que oscilam entre a fidelidade naturalista e a vontade de caracterização psicológica, para o sentido dramático e teatral das pinturas de história. A este ritmo, assistimos a abordagens plásticas diferentes, que adoptam a espontaneidade da linha como condutora da composição ou a substituem pelo valor estrutural da luz, num tratamento apoiado na mancha ou em marcações de claro-escuro, até chegar à linearidade livre e solta dos estudos de composição para os grandes relatos de pintura de história e ciclos decorativos, cuja complexidade explica a abundância de estudos, com destaque para o tema camoniano, no geral, e para as pinturas decorativas do Museu Militar, em particular.
María Jesús Ávila

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Memórias Secretas de Mário Cláudio; a partir das personagens de banda desenhada Príncipe Valente, Bianca Castafiore (em Tintin) e Corto Maltese. IMAG.51-220-520-522-541-591-600-723-725
 

sexta-feira, agosto 03, 2018

IMAGINÁRiO #728

José de Matos-Cruz | 24 Outubro 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

AMEAÇAS
Baseado numa investigação dos jornalistas Andrew & Leslie Cockburn, sobre o potencial nuclear mal parado, após a desagregação da União Soviética, eis o alerta latente e actual de O Pacificador (1997), com realização de Mimi Leder. A partir desta inquietante inspiração, o argumentista Michael Schiffer implicou, como principais responsáveis: a ameaça da mafia eslava, impune e sem escrúpulos; e um sector militar, insatisfeito pela perda de poder e privilégios. Assim evoluem as máscaras do terrorismo - com intuitos mercenários, sem motivações além do lucro; por fanatismo, visando objectivos políticos; ou mobilizando gente sem ideais nem ambições, instigada pelos demónios íntimos… Algures na Rússia, é a catástrofe, ao colidir um comboio de passageiros com outro que transporta armas nucleares, para serem desactivadas segundo o tratado START. Tanto a Drª Julia Kelly, cientista e conselheira da Casa Branca; como o tenente-coronel Thomas Devoe, da espionagem das Forças Armadas, suspeitam que não foi mero acidente. Parte da perigosa carga desapareceu, e ambos unem esforços em agitada missão pela Europa de Leste. Afinal, as pistas levam-nos de volta à América: nas Nações Unidas, Nova Iorque, decorre uma conferência de paz. Mas, poderão evitar o inferno dum holocausto para o mundo livre? Pelo menos, esta produção original da DreamWorks, em acção espectacular, teve o mérito de tranquilizar os meios financeiros - ao atingir o topo do box-office com receitas de treze milhões de dólares, só nos primeiros dias.

CALENDÁRiO

06ABR-26MAI2018 - Em Lisboa, Galeria Miguel Nabinho apresenta Freakquency - exposição de pintura de Pedro Casqueiro. IMAG.681

12ABR-19MAI2018 - Em Lisboa, Galeria Pedro Cera apresenta Echo Chamber - exposição de escultura e mixed media de Mariele Neudecker (Alemanha).

19ABR-19MAI2018 - Em Lisboa, Galeria Carlos Carvalho apresenta Houve Um Tempo Em Que Estávamos Todos Vivos - exposição de vídeo de Daniel Blaufuks. IMAG.475-546-583-651

1931-07MAI2018 - Ermanno Olmi: Cineasta italiano, realizador de A Árvore dos Tamancos / L'Albero degli Zoccoli (1978) - «O que eu procuro exprimir nos filmes, deriva e pertence a esse mundo, o mundo que conheci pessoalmente: a indústria moderna e a civilização que esta cria» (2012).

10MAI2018 - Midas Filmes estreia Luz Obscura (2017) de Susana de Sousa Dias; documentário sobre os arquivos do Estado Novo. IMAG.96-357

11MAI-30SET2018 - Em Lisboa, Pavilhão Branco da Galeria Municipal apresenta Inner 8000er - exposição de pintura de João Marçal, sendo curadores Sara Antónia Matos e Pedro Faro. IMAG.543

17MAI-01JUL2018 - Centro de Exposições de Odivelas apresenta Viagem Pelas Minhas Estórias - exposição de pintura de Patrícia Mouzinho.

19MAI-30JUN2018 - Em Colares/Sintra, Galeria de Arte Flores do Cabo apresenta De Que Cor Será o Sentir? - exposição de pintura de Carlos Pragana (Brasil).

ANUÁRiO

1929-2013 - Júlio Roberto: Filósofo português, poeta e ecologista, fundador / editor do ITAU - «Transformámos tudo, progredimos, inventámos, criámos coisas que tu nem imaginas. Olha, substituímos o vento e o sol por uma coisa que se chama energia nuclear.» (Poema Ecológico - excerto). IMAG.466

MEMÓRiA

24OUT1939-2018 - Madalena Lucília Iglésias do Vale de Oliveira Portugal, aliás Madalena Iglésias: Cantora portuguesa, vencedora do Festival RTP da Canção de 1966, com Ele e Ela - «[Percorri] um caminho com entusiasmo, alegria, êxitos e algumas nuvens» (Meu Nome É Madalena Iglésias - 2008). IMAG.488-711

28OUT1909-1992 - Francis Bacon: Artista plástico anglo-irlandês - «Toda a pintura é um acidente. Porém, também não é um acidente, pois devemos seleccionar qual a parte do acidente que preferiremos preservar». IMAG.368

28OUT1919-2004 - Natércia Freire: Escritora portuguesa, poetisa e ficcionista - «Que música de prados e de fontes! / Que riso de águas vem para nos levar? / Meu rosto, no teu rosto de horizontes, /Meu corpo, no teu corpo, a flutuar.». IMAG.21

1907-28OUT1949 - José Carlos de Queiroz Nunes Ribeiro, aliás Carlos Queiroz: Poeta e ensaísta português - «Poesia! nunca mais venhas assim: / Pé ante pé, covardemente oculta / Nas ideias mais simples, / Nos mais ingénuos sentimentos: / Um sorriso, um olhar, uma lembrança… / – Não sejas como o Amor!» (Apelo à Poesia). IMAG.167-307-491-605-639

31OUT1929-2016 - Carlo Pedersoli, aliás Bud Spencer: Nadador e actor italiano, intérprete de Juntos São Dinamite (1974) com Mario Girotti / Terence Hill - «Está ligado à imagem da família reunida, numa época sem preocupações que eram os anos 1980» (Stefano Savio). IMAG.-628

VISTORiA

Meu Filho

Quantas vezes desejo falar-te
e dizer-te tanta coisa que anda comigo.
Quantas vezes quero fazer-te uma festa
e dar-te um beijo dizendo:
Meu filho como te amo!
Porém tu cresceste.
Voaste para o teu mundo
o teu mundo de jovem.
Às vezes solitário, outras perdido,
outras, alegre e distante.
E entre nós vai crescendo
essa separação.
Vamos ficando na aparência
um pouco estranhos,
divididos pelas idades
e pelos mundos de cada um.

Ah meu filho!
Porquê esta vergonha, este pudor
de te abraçar e de acarinhar,
de te dizer: Olá meu amor!
Porquê este medo que
nos deixa assim,
com o coração cheio de
ternura,
mas os gestos parados,
o olhar vazio,
as palavras todas por dizer.
Vamos mudar isto? Queres?
Então abraça-me,
um abraço forte como dois
amigos,
mais que irmãos.
Penetra no meu mundo e
eu no teu.
Demos as nossas mãos
e caminhemos juntos
na procura que tu queres
e eu também.
E vamos construir um
mundo
em que não há autoridade
nem distância
mas doçura, compreensão
e amor.
E assim, como dois jovens
talvez possamos entender
a vida
e sermos companheiros
na alegria.
E quem sabe, descobrirmo-nos
um ao outro.

Um beijo
Júlio Roberto

Erótica

A noite descia
como um cortinado
sobre a erva fria
do campo orvalhado.

E eu (fauno em vertigem)
a rondar em torno
do teu corpo virgem,
sonolento e morno,

pensava no lasso
tombar do desejo;
em breve, o cansaço
do último beijo…

E no modo como
sentir menos fácil
o maduro pomo
do teu corpo grácil:

ou sem lhe tocar
– de tanto o querer! –
ficar a olhar,
até o esquecer,

ou como por entre
reflexos do lago,
roçar-lhe no ventre
luarento afago;

perpassando os meus
nos teus lábios húmidos,
meu peito nos teus
brancos
seios
túmidos…
Carlos Queiroz

BREVIÁRiO

Fundação Francisco Manuel dos Santos edita Cinema e História - Aventuras Narrativas de João Lopes.  
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Warner edita em CD e DVD, Cellist of the Century: The Complete Warner Recordings por Mstislav Rostropovich (1927-2007). IMAG.147


EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS - Folhetim Aperiódico

IRONIA E RECONSTITUIÇÃO DA CAVEIRA HIPOCONDRÍACA - 10

O assistente, Constantino Fraga ousou, chegando-se:
- Mestre, está tudo a postos...
- Por isso mesmo… Acção! condescendeu, fascinado, Arthur Lopes de Barros, recuperando aprumo e primazia.
Continua

quarta-feira, agosto 01, 2018

IMAGINÁRiO #727

José de Matos-Cruz | 16 Outubro 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

NAVEGANTES
Sob chancela das Edições Época de Ouro, A Arte de Bem Navegar - Navios Europeus do Século XIV ao Início do Século XVI, de Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005), surgiu por ocasião do 5º Centenário da Descoberta do Brasil (Abril de 1500 - Abril de 2000), numa publicação monumental e minuciosa, privilegiando os barcos em que os Portugueses lograram vencer os mares e os seus monstros. A par com 62 magníficas estampas, pela ilustração científica, destaca-se numa sugestiva narração histórica: «Os marinheiros, que eram conhecidos ironicamente na Europa como “varredores de escolhos”, porque não perdiam de vista as costas, vão com Vasco da Gama lançar-se por meses no grande Oceano, com navios que “se fizeram os mais fortes que se pudessem”. Gaspar Correia diz deles: “marinheiros é gente baixa, e eram maus e soberbos”; mas era gente especializada no velame latino e redondo, como bem prova aquilo que fizeram». Ao grafismo harmonioso e inimitável, ao estilo dinâmico e gracioso, alusivos à expressão em quadradinhos, confere Eduardo Teixeira Coelho o sortilégio, a nostalgia e a modernidade que distinguem os criadores primordiais.
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CALENDÁRiO

20ABR-03JUN2018 - Em Braga, Museu da Imagem apresenta Northern - Corrida e Projectos Seleccionados Entre 2010-2017 - exposição de fotografia de Tatiana Plotnikova (Rússia).

1920-25ABR2018 - Michael Joseph Anderson Sr, aliás Michael Anderson: Cineasta inglês, realizador de A Volta ao Mundo Em 80 Dias / Around the World In 80 Days (1956), ou Fuga No Século XXIII / Logan’s Run (1976) - «Uma fantasia algo extravagante e bastante divertida» (Roger Ebert).

28ABR-02SET2018 - Em Coimbra, Centro de Artes Visuais apresenta Pure Emulsion - exposição de fotografia de José Luís Neto, sendo curador Sérgio Mah. IMAG.360-393-458-649

05MAI-28JUL2018 - Em Guimarães, Centro Cultural Vila Flor apresenta Non-Fiction - exposição de fotografia, vídeo e instalação de André Príncipe. IMAG.364-539

08MAI-30SET2018 - Em Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, na Casa das Histórias Paula Rego, Contos Tradicionais e Contos de Fadas - exposição de pintura de Paula Rego, sendo curadoras Catarina Alfaro e Leonor Oliveira. 
 
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11MAI-30JUN2018 - Em Odivelas, Centro Cultural Malaposta apresenta Los Urbanos - exposição de ilustração de Inês Brito. 
 
PARLATÓRiO

Frédéric Chopin
Era um génio de enlevo universal. A sua música conquista as mais distintas audiências. Quando as primeiras notas de Chopin soam por entre o salão de concerto, há um feliz suspiro de reconhecimento. Todos os homens e mulheres do mundo conhecem a sua música… No entanto, não é uma música romântica, no sentido byroniano. Não conta histórias ou quadros pintados. É expressiva e pessoal, mas ainda assim uma arte pura. Mesmo nesta era atómica abstracta, onde a emoção não está na moda, Chopin perdura. A sua música é a linguagem universal da comunicação humana.
Arthur Rubinstein

A geração Beat era uma visão que o Jonh Clellon Holmes e eu, e também o Allen Ginsberg, mas de uma maneira ainda mais louca, tivemos no final dos anos ‘40. Tratava-se de uma geração de tipos a par de tudo, brilhantes e loucos, que de repente se ergueram para percorrer a América. Eram sérios, curiosos, vagabundos e faziam paragens em todos os pontos do caminho, em farrapos, tranquilos, de uma hedionda beleza latente na sua graça e originalidade.
Jack Kerouac

MEMÓRiA

1810-17OUT1849 - Fryderyk Franciszec, aliás Frédéric Chopin: Pianista polaco radicado em França, compositor do período romântico - «A simplicidade é a conquista final. Depois de ter tocado uma quantidade de notas e mais notas, é a simplicidade que emerge como recompensa coroada da arte».  IMAG.92-191-203-247-265-298-325-375-380-412-462-572-595-640

17OUT1929-2016 - Mário Wilson: Atleta português nascido em Moçambique, jogador e treinador de futebol - «Era reconhecidamente um cavalheiro que, como atleta e treinador, passou por inúmeros clubes, deixando sempre a sua marca» (Bruno de Carvalho). IMAG.644

1705-18OUT1739 - António José da Silva, o Judeu: Dramaturgo brasileiro - «Que delito fiz eu para que sinta / o peso desta aspérrima cadeia / nos horrores de um cárcere penoso / em cuja triste, lôbrega morada / habita a confusão e o susto mora? / Mas se acaso, tirana, estrela ímpia, / é culpa o não ter culpa, eu culpa tenho. / Mas se a culpa que tenho não é culpa, / para que me usurpais com impiedade / o crédito, a esposa e a liberdade?».  
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1838-19OUT1889 - Luís Filipe Maria Fernando Pedro de Alcântara António Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis João Augusto Júlio Valfando de Bragança, El-Rei D. Luís I, o Popular: «Beijo a mão a El-Rei. Estou a seis dias do mar Índico, em vésperas de concluir a minha travessia de África, feita na costa oeste. Lutei com a fome e a sede…» (Serpa Pinto - 1879). 
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19OUT1899-1974 - Miguel Ángel Asturias Rosales, aliás Miguel Ángel Asturias: Escritor e diplomata guatemalteco, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1967) - «Os espelhos são como a consciência… Vemo-nos neles como somos, ou como não somos, pois, quem se contempla no profundo de um espelho, tenta dissimular as suas fealdades e enfeitá-las para parecer como lhe apetece».

1835-19OUT1909 - Cesare Lombroso: Cientista e criminologista italiano - «Nas pessoas sãs, é livre a vontade, como diz a metafísica, mas os actos são determinados por motivos que contrastam com o bem-estar social. Quando surgem, são mais ou menos condicionados por outros motivos, como o prazer do horror, o temor da sanção, da infâmia, da Igreja, ou da hereditariedade, ou de prudentes hábitos impostos por uma ginástica mental continuada, motivos que deixam de valer nos dementes morais ou nos delinquentes natos, que logo caem na reincidência.» (O Homem Delinquente). IMAG.247

1900-19OUT1999 - Natacha Tcherniak, aliás Nathalie Sarraute: Escritora francesa de origem russa - «Em qualquer obra literária, a poesia é o que faz aparecer o invisível… Nunca percebi a razão por que escrevo».

1922-21OUT1969 - Jean-Louis Lebris de Kerouac, aliás Jack Kerouac: Escritor americano - «Um dia hei de renascer numa grande cidade de outro sistema planetário, no passado ou no futuro, onde uma única montanha de cinco quilómetros de altitude se recorta no céu azul - com toda a compaixão que sinto dentro de mim, a única coisa de que vou precisar é da sabedoria da terra». IMAG.126-141-212-217-247-338-362-404-469-484

22OUT1919-2013 - Doris May Tayler, aliás Doris Lessing: Escritora britânica, autora de O Caderno Dourado, distinguida com o Prémio Nobel da Literatura (2007) - «Eis o que é aprender: de repente, apercebemo-nos de que, algo que soubemos durante toda a vida, adquire para nós um novo entendimento».
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22OUT1929-2012 - Marcel Hanoun: Realizador francês, teórico do cinema experimental, director de Uma História Simples / Une Simple Histoire (1959) - «A criação - na perspectiva do trabalho - é, em si mesma, um grito de não obediência» (1997). IMAG.428

COMENTÁRiO

Jack Kerouac
Começámos a experimentar benzedrina e anestésicos. Eu pensava que não poderia escrever, porque a minha mente ficava confusa, mas Jack sentia que podia escrever romances usando isso. E acho que alguns dos seus romances do início dos anos ‘50 foram escritos sob efeito desses e de outros tóxicos. Praticamente, Jack sentava-se e dactilografava por várias semanas, fazia correcções, escrevia continuamente cinco, seis ou sete horas por dia, às vezes até o dia inteiro.
Allen Ginsberg

VISTORiA

Uma coisa é sentar-me aqui, colocando as palavras num papel e passando, pelo menos, cinquenta ideias para cada uma dessas palavras… No entanto, de que serve escrevê-las, se só consigo exprimir uma ideia, e todas as outras ficam diluídas?
Doris Lessing
- Roteiro Para Um Passeio ao Inferno (excerto)

BREVIÁRiO

Casa das Letras edita Só Duas Coisas Que, Entre Tantas, Me Afligiram de Alice Vieira. IMAG.16-38-92-170-495-572-603

Harmonia Mundi edita em CD, Antonin Dvorák [1841-1904]: Piano Trios Op. 65 & 90 por Trio Wanderer.  
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EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS - Folhetim Aperiódico

IRONIA E RECONSTITUIÇÃO DA CAVEIRA HIPOCONDRÍACA - 9

Um mundo ambíguo, de trevas e fantasmas, que aliás fosse possível transfigurar, estilizado pela cintilação dos holofotes.
Continua