domingo, junho 03, 2018

IMAGINÁRiO #718

José de Matos-Cruz | 08 Agosto 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PRIMÓRDIOS
Tendo recriado todas as virtualidades do espectáculo, Hollywood consumou um outro divertimento irresistível, em Os Flintstones (1994) - pelo qual foi responsável Steven Spielberg, com realização de Brian Levant, que reclamou «uma das melhores experiências da minha vida». Além dos prodígios de transposição de um clássico da animação para o imaginário realista, houve uma ambiciosa estratégia comercial. Os Flintstones baseia-se numa famosa série televisiva, por Hanna & Barbera. Tudo começou em 1960, na cadeia ABC. Durante seis anos, centena e meia de episódios recriaram esta sátira amável - sobre a sociedade americana, através do seu núcleo familiar. Um sucesso fenomenal, que ainda hoje se prolonga, entre milhões de fanáticos em todo o mundo. William Hanna gostava de salientar que Os Flintstones era a primeira saga em animação do mundo, pois ambienta-se na Idade da Pedra! Tudo decorre na cidade de Bedrock, dotada dos mais sofisticados meios - automóveis, televisão - só que à maneira dos nossos antepassados. Fred Flintstone e Barney Rubble são dois compinchas inseparáveis, para o trabalho ou os lazeres… IMAG.273

CALENDÁRiO

1925-2018 - Armando de Almeida Servais Tiago, aliás Servais Tiago: Escritor português, criador de banda desenhada e de cinema de animação - «O seu estilo caricatural e humorístico era invulgar em Portugal, onde os artistas optavam, de forma geral, por um desenho realista» (
Mania dos Quadradinhos - 2008). IMAG.227


23FEV-22ABR2018 - Em Lisboa, Culturgest apresenta
The Sound of Snow - exposição de som, filme e vídeo de Michael Snow (Canadá), sendo comissário Delfim Sardo.

08MAR2018 - Midas Filmes estreia
Correspondências (2017) de Rita Azevedo Gomes; com Eva Truffaut e Pierre Léon. IMAG.172-404

10MAR-08ABR2018 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta, no ciclo Oito
XOito, Ana - exposição de fotografia de Bruno Saavedra (Brasil).



VISTORiA

Depois de Ler Jean Meslier

Maldito sejas tu, padre descrido,
Que às portas do sepulcro ainda blasfemas.
E no Deus, que juraste amar com culto,
Cuspiste sem piedade.


Maldito sejas tu, que me levaste

Às bordas dum abismo tenebroso,
E, com frases de hipócritas remorsos,
Lá me arrojaste então.


Maldito sejas tu, que me turvaste

As crenças cardeais de toda a vida;
Que, apontando o altar, disseste: «nada»,
«Nada», apontando a campa.


O bronze, meia-noite, geme ao longe;

O mocho nas ruínas pia, e eu tremo;
Maldito sejas tu, padre descrido,
Que me fazes tremer.


Maldito sejas tu, que me apavoras,

E horrorosas visões me dás à mente;
Maldito sejas tu, que escarneceste
O Deus que eu tanto amava.


Se esta crença morrer, quem, oh! maldito,

Me dará outra igual? Sem esta crença,
Quem, se o egoísmo do homem me repele,
Me afagará na dor?


Errarei sobre a terra, abandonado,

Em busca duma cova, onde me esconda,
E ainda ali, oh! maldito, eu, que fui homem,
Cinza só ficarei!!...


Maldito sejas tu, se foi a ciência,

Que te abriu os arcanos tenebrosos
De verdades cruéis… cruéis. Se mentes,
Maldito sejas tu.
Francisco Martins Sarmento 

MEMÓRiA

08AGO1879-10ABR1919 - Emiliano Zapata Salazar, aliás Emiliano Zapata: Revolucionário mexicano - «Mais vale morrer de pé, do que viver de joelhos!».
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08AGO1929-2011 - Josef Suk: Maestro e violinista checo, bisneto de Antonin Dvorák - «Toca com energia, segurança, e com todo o ritmo que um concerto envolvente e sugestivo pode exigir» (Harold C. Schoenberg - 1964).
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08AGO1929-2012 - José Luis Borau Moradell, aliás José Luis Borau: Cineasta espanhol, argumentista e realizador (
Furtivos - 1975), presidente da Academia das Artes e das Ciências Cinematográficas (1994-1999) e membro da Real Academia Espanhola (2008) - «Fazemos filmes, como fazemos amor - o melhor que podemos». IMAG.438

1833-09AGO1899 - Francisco Martins de Gouveia de Morais Sarmento, aliás Francisco Martins Sarmento: Escritor português, fotógrafo e arqueólogo, procedeu à exploração metódica e intensa da Citânia de Briteiros (1875), sendo autor de
Lusitanos, Lígures e Celtas (1880), Ora Marítima (1880) ou Os Argonautas (1887). IMAG.410

11AGO1929-2002 - Herlander de Seixas de Vasconcelos Peyroteo, aliás Herlander Peyroteo: Realizador português de televisão e cinema, encenador teatral - «Prefiro um bom texto teatral, a um mau guião fílmico ou televisivo. Mas, porque será que alguns do cinema me querem confinar ao vídeo? Teatro filmado, em reportagem, é execrável. Reportagem de teatro, bem filmada, é possível. O Shakespeare
filmado por Orson Welles é admirável. Arrisco e temo…». IMAG.239-367-457

13AGO1899-1980 - Alfred Joseph Hitchcock, aliás Alfred Hitchcock: Cineasta inglês - «As loiras
fazem, sempre, as melhores vítimas… São como a neve virginal, em que começam a aparecer as primeiras gotas de sangue».

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1913-13AGO1979 - Gilbert Cesbron: Escritor francês - «Existir, é conseguir esquecer-se de si mesmo. Ser alguém, é poder colocar-se inteiramente na pele dos outros, e ser capaz de assumir tal situação». IMAG.402

TRAJECTÓRiA

Francisco Martins Sarmento

Francisco Martins Sarmento nasceu a 9 de março de 1833, em Guimarães, e faleceu a 9 de agosto de 1899. Era filho de Francisco Joaquim de Gouveia Morais Sarmento, senhor da Casa da Ponte em Briteiros, e de D. Joaquina Cândida de Araújo Martins. Foi um homem sábio, grande pré-historiador, etnólogo e arqueólogo. Foi, sem dúvida, um dos pioneiros da moderna arqueologia em Portugal.
Aos vinte anos de idade, Francisco Sarmento completou os seus estudos em Direito na Universidade de Coimbra. Ainda jovem, herdou a fortuna de seus pais, a qual utilizou em prol do aumento dos seus conhecimentos humanísticos e da sua sabedoria.
Segundo o historiador Alberto Sampaio, vimaranense e contemporâneo de Francisco Sarmento, a evolução mental de Francisco Sarmento pode ser dividida em três fases: uma primeira, que denominou de ciclo romântico, devido às composições poéticas e literárias que realizou aos vinte e dois anos; uma segunda fase, que corresponde aos seus estudos sociológicos e jornalísticos, que decorreram entre 1856 e 1874; por fim, a última fase, que corresponde aos estudos históricos e arqueológicos que preencheram o resto da sua vida.
A partir de 1874, após as suas primeiras escavações nas ruínas da citânia de Briteiros, que duraram até 1899, investigou todo o passado remoto da origem dos então denominados povos lusitanos. Após uma profícua sequência de descobertas e explorações, bem como de sucessivos estudos e leituras sobre os investigadores estrangeiros e historiadores da Antiguidade clássica, adquiriu conhecimentos sólidos que lhe granjearam uma afamada reputação além-fronteiras. Este facto deu-se precisamente após a visita dos congressistas do Congresso Internacional de Antropologia e Arqueologia Pré-Históricas (1880) às suas escavações na região de Entre Douro e Minho.
Em 1882, um grupo de admiradores fundou em Guimarães a Sociedade Martins Sarmento. Nesta instituição podemos encontrar a coleção arqueológica, de gravuras antigas e outros bens que lhe foram legados pelo próprio.
Deixou-nos também algumas obras, para além de vários artigos escritos em revistas e jornais e diversos manuscritos. Das obras literárias salientam-se: Os Lusitanos (1880); Ora Marítima (1880, 2. ed., 1896), Os Argonautas (1887). Dos manuscritos, deixou cerca de 4000 páginas, cujo tema principal são os seus estudos e prospeções arqueológicas, realizadas na região de entre Douro e Minho.
O seu nome surge em muitos tratados de arqueologia clássica, sendo referenciado como um dos mais notáveis pioneiros do campo da arqueologia. Foi condecorado pelo Governo francês com a Legião de Honra. Pertenceu ainda a inúmeras associações de arqueólogos quer em Portugal quer no estrangeiro.

VISTORiA
Se Eu Tivesse…

Se eu tivesse os olhos do mar

com que te olhasse à beira da falésia!…
(…e a voz dos gemidos das cavernas…)
se eu fosse a maré tornada arfar
de um peito no recife,
se eu tivesse o frio das águas
nos pulsos com que te retenho
entre algas, pedras e declives,
seria todo o golfo de um refúgio manso
em que flutuaríamos como barcos,
na pequena imensidão
das feições da terra!
Servais Tiago


BREVIÁRiO

Guerra & Paz edita Dois Povos Ibéricos - Portugal & Catalunha de Félix Cucurull (1919-1996).
 

sábado, maio 26, 2018

IMAGINÁRiO #717

José de Matos-Cruz | 01 Agosto 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

SINTOMAS
Aquilo que parecia impossível, estará mesmo a acontecer? É verdade! Superboy corre o risco de enfrentar um perigo pior que o mais perverso inimigo, e que provém de ele próprio: sente-se cada vez mais aborrecido e desleixado… Esta novidade surgiu na revista Superboy #83 (2002), com os então artistas responsáveis: o argumentista Joe Kelly (lembrar Steampunk) e o ilustrador Pascual Ferry (Warlock) juntaram-se ao habitual colorista Keith Champagne, reservando para o Kid ainda mais surpresas, em que a acção é matizada pelo humor. Atravessando uma crise de adolescência, Superboy começa a fartar-se com as circunstâncias que o converteram num prodígio do Universo DC, e em que considerava fora de moda o que tinha acontecido cinco minutos antes. Preocupado com tais sintomas, Superboy aconselha-se com alguns amigos - como Superman, Steel e outros jovens heróis da Young Justice. Por fim, disposto a tomar medidas drásticas, Kid faz mesmo a sua autocrítica, acabando por concluir que, para ultrapassar qualquer problema de identidade, o melhor é cuidar mais do seu aspecto exterior!IMAG.183

CALENDÁRiO

1932-01MAR2018 - Artur Costa Correia, aliás Artur Correia: Artista português de banda desenhada e de cinema de animação - «Desenhador notável, de traço simples e gentil, os seus filmes fazem parte do imaginário de uma geração» (Cinemateca Portuguesa). IMAG.17-92-128-256-278-312-365-409

02MAR-30SET2018 - Em Lisboa, Teatro Nacional D. Maria II apresenta Amélia (Rey Colaço - 1898-1990) - exposição de fotografia e objectos, sendo comissários Cláudia Madeira, Filipe Figueiredo e Teresa Flores.
IMAG.107-169-194-307-328-339-400-434-534-635-649-673-698

08MAR-27MAI2018 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta, no Museu, Urbe - exposição de desenho de Pedro Gomes. IMAG.292 
 
VISTORiA

Voz

Voz modelada na certeza irreal
da montanha que respira o húmus do vento,
espalha as sementes vegetais do sal,
nos lagos da terra, único alimento!

E os lagos se vestem de ondas que assaltam
a parede lisa deste quarto fechado:
a abóboda celeste que os anjos asfaltam
dum visgo babado…
Alexandre Pinheiro Torres

Vigília

No panorama de frio
jazia cristalizado o voo dos gaviões.

Ao seu encontro ia fremente
o respirar da terra quente quase adormecida.

Fluía um riso irónico das dentaduras alvas da neblina
para bocas de ouvidos,
olhos de bocas.

Surgiu então coberto de silêncio
o homem que desde sempre morrera trucidado.

O seu sangue caía enquanto andava.
Das gotas pelo chão se levantaram logo as árvores de fogo
dentro em pouco a floresta incendiária
de todo o frio que o chamava.

E antes que soprasse a ventania
a borboleta colorida foi queimada.

Mas antes que o sol humidamente
repousasse num clarão de olhos fechados,
as cinzas de pirâmides se espalhavam
indo ferir o enorme olho esbugalhado
que de aquém fitava um espaço maior!
Edmundo de Bettencourt
- Poemas Surdos

VISTORiA

A educada presteza com que alguém recebe dinheiro é realmente maravilhosa, considerando que tão gravemente acreditamos que o dinheiro é a raiz de todos os males terrenos e que em hipótese nenhuma um homem endinheirado entrará no paraíso. Ah! Com que alegria nos despachamos para a perdição!
Herman Melville
- Moby Dick (excerto)

Traz Outro Amigo Também

Amigo
Maior que o pensamento
Por essa estrada amigo vem
Não percas tempo que o vento
É meu amigo também

Em terras
Em todas as fronteiras
Seja benvindo quem vier por bem
Se alguém houver que não queira
Trá-lo contigo também

Aqueles
Aqueles que ficaram
(Em toda a parte todo o mundo tem)
Em sonhos me visitaram
Traz outro amigo também
José Afonso

MEMÓRiA

01AGO1819-1891 - Herman Melville: Ficcionista, poeta e ensaísta americano - «Uma parte indispensável do trabalho de copista reside, precisamente, em verificar a exactidão da cópia que faz, palavra a palavra. Quando existem dois ou mais, ajudam-se mutuamente nesse exame, um lendo a cópia e o outro seguindo o original. É um trabalho aborrecido, enfadonho e entorpecedor. Imagina-se facilmente quão intolerável será para um temperamento sanguíneo.» (Bartleby - excerto). IMAG.59-339-340-551-578-590

1936-01AGO2009 - Manuel António dos Santos Lourenço, aliás M.S. Lourenço: Escritor português, poeta, filósofo, professor e tradutor - «Pois bem, nada mudou, nem um grão. / Ainda vamos, pela manhã, olhar o caminho / Da janela alta da casa. Nada, nem um traço.» IMAG.264-294-562

02AGO1939-2015 - Wesley Earl Craven, aliás Wes Craven: Cineasta americano, realizador, argumentista, produtor e actor - «Às vezes, interrogo-me se gostaria de granjear um grande reconhecimento. Depois, lembro-me dos impressionistas franceses, que receavam não poder ousar, caso fossem membros de uma academia… O que não me agradaria mesmo nada». IMAG.341-582

1923-03AGO1999 - Alexandre Pinheiro Torres: Escritor português - «No fundo, era um homem extremamente bondoso e um incansável trabalhador. A sua biblioteca pessoal era gigantesca, trepando pelas paredes da sua casa e invadindo, com eloquência, as do seu gabinete de trabalho: livros obviamente lidos, com voracidade e penetração» (Eugénio Lisboa). IMAG.237-440-655

02AGO1929-1987 - José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, aliás José Afonso: Cantor e compositor português - «O que mais me prende à vida / Não é amor de ninguém. / É que a morte de esquecida / Deixa o mal e leva o bem.» (Trovas Antigas - excerto).  
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1914-05AGO2009 - Seymour Wilson Schulberg, aliás Budd Schulberg: Escritor e argumentista de cinema, distinguido com o Oscar por Há Lodo No Cais (1954) - «Viver de um modo consciente é como conduzir um automóvel com falhas dos travões… O silêncio é o sinal mais evidente de que estamos no caminho certo para sobreviver em Hollywood». IMAG.205-265-460

06AGO1809-1892 - Alfred Tennyson: Poeta inglês, autor de Crossing the Bar - «Ainda que muito esteja perdido, muito nos resta; e ainda que perdida a força dos velhos dias, que movia céus e terras. Somos o que somos; uma coragem única nos corações heróicos, débeis pelo tempo e pelo destino, mas persistentes em lutar, achar, buscar e jamais nos rendermos». IMAG.389

07AGO1899-1973 - Edmundo de Bettencourt: Poeta e cantor português - «Mistérios a pouco e pouco vão morrendo / e extenuados de vigília os anjos / são afinal as sussurrantes sibilinas vozes / que desvendam adivinham segredos / atrás de sentinelas / cuja ferocidade é uma ironia de ternura… / Na palidez da luz / cercando uma velha cabeça / a quem um sono de embrião já tolda os olhos / sorriem enigmáticos os sonhos.» (O Segredo e o Mistério). IMAG.175-237-405-513

07AGO1919-2014 - Abel Caetano Escoto, aliás Abel Escoto: Cineasta português, realizador e director de fotografia de Os Toiros de Mary Foster (1972 - Henrique Campos) - «expondo em 70 mm um imaginário de adversidades e coragem» (José de Matos-Cruz). IMAG.534

1933-07AGO2009 - Mike Seeger: Compositor e músico americano de folk - «Gravou e ajudou a produzir dezenas de álbuns daquilo a que chamava a verdadeira música americana, uma mistura das tradições britânica e africana com o jeito de contar histórias com raízes no sul» (The New York Times). IMAG.265-430

INVENTÁRiO

Artur Correia

Atraído para o desenho pela banda-desenhada, levado para o cinema de animação por influência, muito jovem, do cinema clássico da Disney, tinha no humor, na História e nos contos tradicionais portugueses as suas grandes motivações criativas.
02MAR2018 - Público / Lusa

BREVIÁRiO

Temas e Debates edita Sermão da Sexagésima e da Quaresma do Padre António Vieira (1608-1697); coordenação de Aida Lemos e Micaela Ramon.
IMAG.118-139-165-191-215-226-237-241-295-494-553-566-619-645
 

segunda-feira, maio 21, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: SUSANA RESENDE – Iniciação à Arte Sequencial I-II

ilustração por Daniel Maia
Com coordenação da autora Susana Resende, decorre desde 8 Maio e até 21 Junho, na Quinta do Pátio d’Água, o curso de banda desenhada Iniciação à Arte Sequencial, a convite e sob a organização da Câmara Municipal de Montijo.
Como referimos em Extra anterior, esta acção de formação, dirigida principalmente aos curiosos e a autores amadores, visa introduzir os formandos na história e nas linguagens da narrativa visual, observando a teoria e a prática, e procurando desenvolver aptidões para a autodisciplina e para a criatividade, aplicadas na produção de obra curta em BD, realizada em atelier.
A última aula conta com a presença do autor Penim Loureiro, num colóquio sobre o seu percurso autoral em BD e metodologia criativa, participando ainda na apreciação dos trabalhos até então produzidos pelos alunos.

Entretanto, a forte adesão, com interessados de ambos os sexos, em variadas faixas etárias e com diversas experiências anteriores na área, levou a C.M.M., além de estender o limite de ocupação a quinze alunos, a dar continuação a esta iniciativa com a promoção de II Iniciação à Arte Sequencial, que decorrerá pouco depois da conclusão do primeiro curso, entre 29 de Junho e 27 de Julho.

Esse próximo curso – em tudo igual ao presente, e que já se encontra lotado nas mesmas quinze vagas – terá a participação de outro profissional da BD na aula conclusiva, que será o autor e director da Bedeteca de Beja, Paulo Monteiro.

IMAG.403-416-430-528-563-673-678-701-Extra

sexta-feira, maio 18, 2018

IMAGINÁRiO #716

José de Matos-Cruz | 24 Julho 2019 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

REBELIÕES
Ao celebrar 25 anos de carreira e 50 de idade, Steven Spielberg revitalizou o espectáculo total e empolgante, em Amistad (1997), sobre um motim de escravos em navio negreiro espanhol, por 1839. Ocorreu ao largo de Cuba, envolvendo meia centena de africanos da Serra Leoa, transportados em condições desumanas - acorrentados, sob tortura ou, mesmo, lançados ao mar por excesso de peso. O projecto de Amistad adquiriu notoriedade em Novembro de 1996, assinalando o vínculo entre Spielberg e Dreamwork Pictures, o estúdio por ele criado com Jeffrey Katzenberg e David Geffen. Partindo de um evento real, sobre argumento escrito por David Franzoni e Steven Zaillian, a rodagem decorreu em Los Angeles, e nas paisagens da Nova Inglaterra e das Caraíbas. Spielberg recorreu a um elenco misto de vedetas - como Morgan Freeman, Nigel Hawtorne, Matthew McConaughey ou Anthony Hopkins - nível a que ascendeu, também, Djimon Hounsou como líder da rebelião. Estreado após uma tentativa de interdição judicial pela escritora Barbara Chase-Ribaud, sob acusação de plágio do seu romance Echo of Lions, logo Amistad provocou polémica entre historiadores, comentando-se que o tráfico de escravos não era um exclusivo dos reinos ibéricos, antes envolveria, também, a coroa britânica e, mesmo, interesses norte-americanos…
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CALENDÁRiO

22FEV2018 - Midas Filmes estreia Todas as Cartas de Rimbaud (2017) de Edmundo Cordeiro; com Maria Filomena Molder. IMAG.472-582

22FEV-19MAI2018 - Em Lisboa, Galeria Millennium apresenta a exposição de fotografia Poesia Mineral - Eduardo Souto de Moura por Nuno Cera. IMAG.249-349-529-611-627-664-669-670

23FEV-30ABR2018 - Em Lisboa, Torreão Nascente da Cordoaria Nacional apresenta Todos os Títulos Estão Errados - exposição de pintura e fotografia de Paulo Quintas, sendo curadora Isabel Carlos.

24FEV-26MAI2018 - Bedeteca da Amadora expõe, com Kingpin Books, O Elixir da Eterna Juventude - Mútuo Consentimento de Fernando Dórdio e Osvaldo Medina, com Sérgio Godinho como personagem principal. IMAG.125-508-593

28FEV-03JUN2018 - Em Lisboa, Museu Colecção Berardo expõe No Place Like Home, sendo comissária Adina Kamien-Kazhdan.

01MAR2018 - Alambique estreia Ramiro (2017) de Manuel Mozos; com António Mortágua e Madalena Almeida. IMAG.266-297-588

02MAR-29ABR2018 - Em Odivelas, Centro Cultural Malaposta apresenta Insectum Abstractus e Outras Obras - exposição de ilustração, pintura e fotografia de Sacruna.

03-31MAR2018 - Em Évora, Museu Nacional Frei Manuel do Cenáculo apresenta Ambiente - Sobressalto Permanente - exposição de pintura de José Maria Pinto Barbosa. 
 
VISTORiA

E tudo isto – a morte, o nosso medo, o nosso horror, a nossa impotência – só para aquela mão jovem, demasiado jovem, poder apanhar a miúda… Eu já mergulhava no acontecimento como se não fosse crime, mas aventura maravilhosa dos seus corpos inexperientes e surdos. Volúpia!
Witold Gombrowicz
- A Pornografia (1960 – excerto)

VISTORiA

Hesito em empregar a palavra liberdade, porque é precisamente, em nome da liberdade, que os crimes contra a humanidade são perpetrados. Essa situação não é, certamente, nova na História: pobreza e exploração foram produtos da liberdade económica; repetidamente, povos foram libertados em todo o mundo por seus amos e senhores, e a nova liberdade dessas gentes redundou em submissão não ao império da lei, mas ao império da lei dos outros. O que principiou como submissão pela força, cedo se converteu em servidão voluntária, colaboração em reproduzir uma sociedade que tornou a servidão cada vez mais compensadora e agradável ao paladar. A reprodução, maior e melhor, dos mesmos sistemas de vida, passou a significar, ainda mais nítida e conscientemente, o fechamento daqueles outros sistemas possíveis de vida que poderiam extinguir servos e senhores, assim como a produtividade de repressão.
Herbert Marcuse
- Eros & Civilização - Uma Interpretação Filosófica do Pensamento de Freud (1955 - excerto)

MEMÓRiA

1802-24JUL1879 - Jean Louis Auguste Commerson, aliás Jean Commerson: Aforista francês - «A virtude é uma linha horizontal, a força é uma linha vertical e a astúcia uma linha oblíqua». IMAG.370

1904-24JUL1969 - Witold Marian Gombrowicz, aliás Witold Gombrowicz: Ficcionista e dramaturgo polaco - «Quer saber qual é o meu plano? Nenhum. Sigo as linhas de força, compreende? As linhas do desejo. Nesta altura estou empenhado em que ele os veja e eles saibam, também, que ele os viu. Haverá que ligá-los a uma culpa. O que a seguir sucederá, mais tarde se vai ver.» (A Pornografia - 1960). IMAG.236-401-477

25JUL1929-2012 - Alexis Weissenberg: Compositor e pianista búlgaro, naturalizado francês - «Intelectualmente honesto, irónico e com uma certa distância em relação ao mundo. Não lhe interessava a fama, nem a intensa carreira de um pianista de concerto. Só tocava quando sentia que tinha algo a dizer ao mundo» (Norman Lebrecht). IMAG.391

1858-29JUL1939 - Ricardo de Almeida Jorge, aliás Ricardo Jorge: Escritor e médico português, investigador e higienista, professor e fundador do Instituto Nacional de Saúde. Nos anos ’20, terá suscitado a proibição da Coca-Cola em Portugal, ao conhecer o slogan publicitário de Fernando Pessoa - «Primeiro estranha-se, depois entranha-se». IMAG.658

1898-29JUL1979 - Herbert Marcuse: Filósofo alemão, naturalizado americano, autor de Psicanálise e Política (1968) - «O tempo não resolve tudo. Mas, acaba por afastar o que não tem solução das nossas preocupações centrais». IMAG.667

1910-30JUL1999 - Joaquim Martins Correia: Artista plástico português, escultor e pintor - «Um artista altamente criativo que, para além das encomendas oficiais, tem a sua escultura íntima, apaixonada por aquilo que mais admirava - o povo português, a memória da sua mãe, que trabalhava na terra, e a exaltação das grandes figuras da História de Portugal» (Lagoa Henriques). IMAG.236-261-585

31JUL1919-1987 - Primo Michele Levi, aliás Primo Levi: Escritor italiano, prisioneiro em Auschwitz, autor de Se Isto É Um Homem (1947) - «É melhor não governar o destino dos outros, pois orientar o nosso é já difícil e incerto». IMAG.126-236-244-412-416-575-606

PARLATÓRiO

As mulheres desconfiam muito dos homens na generalidade, e pouco na especialidade.
Jean Commerson

Tornei-me judeu em Auschwitz. A plena consciência da minha diferença foi-me imposta. Alguém, sem nenhuma razão, decidiu que sou diferente e inferior. Por uma reacção normal, senti-me diferente e superior. Neste sentido, Auschwitz deu-me algo que ficou… Recuperei o meu património cultural, a minha identidade como judeu.
Primo Levi

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Os Que Sucumbem e os Que Se Salvam de Primo Levi (1919-1987); tradução de José Colaço Barreiros.

Universal edita em CD, Nação Valente de Sérgio Godinho. IMAG.125-508-593

A+A Books edita Eduardo Souto de Moura - Projetos Construídos de Marta Sequeira e Michel Toussaint. IMAG.249-349-529-611-627-664-669

Valentim de Carvalho edita em CD, Amália Em Itália - “A Una Terra Che Amo” por Amália Rodrigues (1920-1999).
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EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS - Folhetim Aperiódico

IRONIA E RECONSTITUIÇÃO DA CAVEIRA HIPOCONDRÍACA - 4

Num só criador, Arthur Lopes de Barros fizera-se humilde e versátil galã capaz de varrer os camarins, enquanto aprendia a compor uma cena, mas aguçando também o engenho como pintor, dramaturgo ou encenador de grandes reconstituições históricas. Popular pelos caprichos da comédia, insinuante pelos conflitos dramáticos, imortal pela saga épica contudo, seria exclusivamente o Cineasta, graças ao testemunho apologético em que, agora, investia o regime sagrado por Antero d’Oliveira Saraiva.
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