sexta-feira, abril 07, 2023

Extra: Aurora Boreal obtém Menção Honrosa em concurso de BD

A banda desenhada "Aurora Boreal em O Reverso do Universo," por José Bandeira e José de Matos-Cruz, foi distinguida com uma Menção Honrosa no concurso internacional Fado ecoa em Banda Desenhada,” promovido pelo Leitorado de Poznan de Camões e Fundação Instituto de Cultura Popular de Poznan.


O concurso, aberto a todas as faixas etárias e nacionalidades, pediu trabalhos centrados no fenómeno do Fado, em todas as suas expressões, prometendo aos vencedores um prémio pecuniário e publicação, a ser lançada durante o Festival de BD de Poznan ‘2023, em final de Abril. O júri elegeu como vencedor “A Morte e o Fadista,” de Michal Romanski, e duas Menções Honrosas ex-aequo, pelas duplas Catarin Pisco e Mosnica Alves, com “Fado Eterno,” e os portugueses José Bandeira e José de Matos-Cruz, com “Fernando Pessoa e Aurora Boreal em O Reverso do Universo,” que foi expandida da história editada originalmente em Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, com mais 2 páginas.

sábado, março 25, 2023

Extra: Análise crítica - CoBrA: Operação Goa [Ala dos Livros]

As obras de banda desenhada que aliem a imersão histórica ao alcance ficcional são escassas, por autores portugueses. Tais expectativas consumam-se agora, sob chancela editorial da Ala dos Livros, em CoBrA: Operação Goa – por Marco Calhorda (argumento) e Daniel Maia (desenho) – forjando uma trama de implicação recente e subtil contexto artístico.


Em incidência, a invasão de Goa (Dezembro de 1961) pelo exército indiano, pondo fim a quatrocentos e cinquenta anos de domínio territorial português. Virtualmente, eis a intervenção clandestina de Jorge Jardim – através da sua agência secreta CoBrA – para lograr o resgate dos milhares de soldados feitos prisioneiros de guerra.

No vórtice do tempo e por cenários fluidos,
CoBrA: Operação Goa traça um jogo aliciante de sombras e reflexos, ambíguo e obscuro, intenso ou matizado, entre política e espionagem, astúcia e diplomacia, coragem e abnegação, ameaças e cumplicidades, altos valores ou golpes baixos, envolvendo a tensão do poder e a correlação de forças, no foro pátrio ou a nível internacional.

Marco Calhorda compõe uma narrativa complexa mas insinuante, uma intriga volúvel e testemunhadora, entre os vectores da realidade e da especulação, a que o estilo gráfico de Daniel Maia, versátil e meticuloso, dinâmico e sofisticado, corresponde nos detalhes circunstanciais e pelos contrastes a preto e branco.

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segunda-feira, janeiro 09, 2023

Imaginário-Extra: Aurora Boreal em Reflexos Partilhados - Crítica

No final de Novembro passado, o blogue Vinheta2020, de Hugo Pinto, publicou uma análise crítica da antologia Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, coeditada por Kafre e Arga Warga. Partilhamos essa apreciação:



"Por alturas do último Festival Internacional de Banda Desenhada de Beja, em Maio, foi lançada a antologia Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, que conta com a participação de vários autores portugueses como José de Matos-Cruz, José Ruy, Daniel Maia, Fernando Vilhena de Mendonça, João Raz, José Bandeira, Nuno Dias, Renato Abreu e Susana Resende.
Devo admitir que o alcance das histórias deste livro me surpreendeu. E quando digo que me surpreendeu não tem de ser, forçosamente, uma coisa positiva nem negativa. Surpreendeu-me pois não conhecia todo o envolvimento em torno da personagem de Aurora Boreal. E talvez por esse motivo, fiquei quase atordoado com toda a viagem onírica que esta personagem transporta consigo e que está bem patente nas várias histórias que constituem esta antologia.
Dito por outras palavras, se esperam encontrar uma leitura simples e leve, como é, muitas vezes, apanágio das antologias de banda desenhada, Aurora Boreal em Reflexos Partilhados não será para vós. Por outro lado, se apreciam poesia, questões do metafísico e banda desenhada… é bem provável que devam conhecer esta antologia.

A personagem que dá mote a estas histórias foi criada em 2012 por José de Matos-Cruz e apareceu na sua trilogia de livros dedicados a O Infante Portugal. É uma figura feminina e sensual, carregada de elementos cósmicos, que a fazem parecer uma deusa do imaginário.
Não diria que exista nestas histórias uma linha narrativa que nos conte uma história concreta à volta da personagem. Ao invés, vão-nos sendo dado abordagens diferentes que colocam Aurora Boreal em variadas situações. Mas há sempre um toque de fantástico, de exótico e de transcendente nestas histórias.
Em muitos casos – não há como não – o leitor acaba por se perder na própria premissa, já que a mesma é demasiado lata e abstrata. No entanto, por vezes também sabe bem deixarmo-nos levar por narrativas mais psicadélicas. É o caso.
O estilo de ilustração que aqui podemos encontrar é expetavelmente muito variado, dada a quantidade de autores que participam na antologia. Destacam-se o belo estilo de sketch a carvão de Susana Resende, o estilo realista de Daniel Maia, o estilo mais clássico de José Ruy, ou a abordagem mais estilizada e abstrata de Renato Abreu.

Como história, propriamente dita, fiquei agradavelmente surpreendido com "Aurora Boreal e o Reverso do Universo," com desenho de José Macedo Bandeira, que nos dá um belo conto ambientado na temática de Fernando Pessoa.
Já quanto aos desenhos, enquanto confesso fã das ilustrações de Daniel Maia, posso dizer que as mesmas não desiludem e que revelam como o autor é virtuoso na execução de belos desenhos. Além disso, também tem a capacidade para ilustrar vários tipos de ambientes e histórias diferentes, o que revela que é um autor com um potencial enorme, ainda por explorar.

Em termos de edição, tendo em conta que é independente, parece-me que o trabalho é bastante decente. Este livro a preto e branco tem capa mole e um papel brilhante que me parece adequado. Acho apenas que deveria ter sido feita uma maior divisão entre histórias, uma vez que, por vezes, ainda estamos mergulhados numa história e já o conto seguinte começou. Julgo que mesmo que não fosse dada uma página branca entre histórias, ao menos poderia ter sido feita uma divisão gráfica mais inequívoca.

Em suma, Aurora Boreal em Reflexos Partilhados, pelo universo alegórico-fantástico que traz consigo, é uma antologia bastante original na sua génese. Nem sempre de fácil de leitura, relembro, mas audaz nos intuitos de significados profundos que procura atingir."

Agradeço ao Hugo Pinto pela consideração e leitura prestada ao livro.