sexta-feira, dezembro 14, 2018

IMAGINÁRiO #748

José de Matos-Cruz | 24 Março 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CUMPLICIDADES
Um gangue anglo-americano efectua um audacioso furto de jóias em Londres, acabando por trair-se reciprocamente: Wanda e o seu suposto irmão, Otto, denunciam à polícia George, o chefe da quadrilha que, pouco antes, retirou o saque do local onde os companheiros o julgavam oculto. Desconfiando entre si, porém fingindo uma inabalável cumplicidade, envolvem-se nas mais hilariantes aventuras. Uns tentam um meio de escapar à prisão, outros sonham já com um exílio dourado…
Realizado pelo veterano Charles Crichton - celebrado entre nós por Roubei Um Milhão (1951) - Um Peixe Chamado Wanda (1988) consuma um humor transgressivo e absurdo, sob o signo da comédia aventuresca. Ao característico sarcasmo britânico à Monty Python - representado por John Cleese e Michael Palin - corresponde a chancela de Hollywood, pela feliz e subversiva estilização heróica: associando um dos Amigos de Alex, Kevin Kline, e Jamie Lee Curtis, filha do mítico casal Tony Curtis e Janet Leigh. Após longas negociações, os quatro voltariam a ser Criaturas Ferozes (1997 - Fred Schepisi), revitalizando a mística… IMAG.447

CALENDÁRiO

23JUN-15SET2018 - Em Lisboa, Galeria Caroline Pagès apresenta Les Chemins de la Montagne Jaune - exposição de artes plásticas de Sérgio Carronha & Luisa Correia Pereira (1945-2009).

07JUL-23SET2018 - Museu Municipal de Faro expõe A Evolução do Braço: Surrealismo Na Colecção Millennium BCP e Alguns Ecos Contemporâneos, sendo curador Nuno Faria.

1926-23AGO2018 - Russell Heath Jr, aliás Russ Heath: Ilustrador americano, autor de banda desenhada (anos 1960 - Little Annie Fanny em Playboy, relatos de guerra para DC Comics - tendo inspirado a pop art de Roy Lichtenstein) - «O seu trabalho era tão bom, em expressão realista, que outros artistas recorriam a ele, como manancial de referência» (Joe Kubert). IMAG.18-221-360-620-705

1927-26AGO2018 - Marvin Neil Simon, aliás Neil Simon: Escritor americano, dramaturgo e argumentista - «Sinto-me mais escritor quando trabalho numa peça, por causa da tradição teatral… Tal não existe no cinema, a menos que o argumentista seja também o realizador, o que faz dele um autor».

30AGO2018 - Midas Filmes estreia Milla (2017) de Valérie Massadian; produção de Terratreme, com Severine Jonckeere e Luc Chessel.

01SET-30SET2018 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe, no ciclo OitoXOito, Nem Todos os Cactos Têm Picos de Mosi.

06SET2018 - Ukbar Filmes produziu, e estreia Joaquim - O Tiradentes (2017) de Marcelo Gomes; com Júlio Machado e Nuno Lopes.

06SET2018 - Ukbar Filmes produziu, e estreia Vazante (2017) de Daniela Thomas; com Adriano Carvalho e Luana Tito Nastas.

08SET-11NOV2018 - Bedeteca da Amadora apresenta, em parceria com Clube Português de Banda Desenhada / CPBD, Parabéns Garcês - exposição comemorativa dos 90 anos de Mestre José Garcês - homenageando a vida e em retrospectiva a obra, numa carreira artística como ilustrador, pintor e autor de banda desenhada.  
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PARLATÓRiO


Dois poderosos mitos fizeram-nos acreditar que o amor podia, devia sublimar-se em criação estética: o mito socrático (amar serve para criar uma multidão de belos e magníficos discursos) e o mito romântico (produzirei uma obra imortal escrevendo a minha paixão).
Roland Barthes

VISTORiA

A Voz

É tão suave ess’hora,
Em que nos foge o dia,
E em que suscita a Lua
Das ondas a ardentia,

Se em alcantis marinhos,
Nas rochas assentado,*
O trovador medita
Em sonhos enteado!

O mar azul se encrespa
Co’a vespertina brisa,
E no casal da serra
A luz já se divisa.

E tudo em roda cala
Na praia sinuosa,
Salvo o som do remanso
Quebrando em furna algosa.

Ali folga o poeta
Nos desvarios seus,
E nessa paz que o cerca
Bendiz a mão de Deus.

Mas despregou seu grito
A alcíone gemente,
E nuvem pequenina
Ergueu-se no ocidente:

E sobe, e cresce, e imensa
Nos céus negra flutua,
E o vento das procelas
Já varre a fraga nua.

Turba-se o vasto oceano.
Com hórrido clamor;
Dos vagalhões nas ribas
Expira o vão furor

E do poeta a fronte
Cobriu véu de tristeza;
Calou, à luz do raio,
Seu hino à natureza.

Pela alma lhe vagava
Um negro pensamento,
Da alcíone ao gemido,
Ao sibilar do vento.

Era blasfema ideia,
Que triunfava enfim;
Mas voz soou ignota,
Que lhe dizia assim:

«Cantor, esse queixume
Da núncia das procelas,
E as nuvens, que te roubam
Miríades de estrelas,

E o frémito dos euros,
E o estourar da vaga,
Na praia, que revolve,
Na rocha, onde se esmaga,

Onde espalhava a brisa
Sussurro harmonioso,
Enquanto do éter puro
Descia o Sol radioso,

Tipo da vida do homem,
É do universo a vida:
Depois do afã repouso,
Depois da paz a lida.

Se ergueste a Deus um hino
Em dias de amargura;
Se te amostraste grato
Nos dias de ventura,

Seu nome não maldigas
Quando se turba o mar:
No Deus, que é pai, confia,
Do raio ao cintilar.

Ele o mandou: a causa
Disso o universo ignora,
E mudo está. O nume,
Como o universo, adora!»

Oh, sim, torva blasfémia
Não manchará seu canto!
Brama a procela embora;
Pese sobre ele o espanto;

Que de sua harpa os hinos
Derramará contente
Aos pés de Deus, qual óleo
Do nardo recendente.
Alexandre Herculano

MEMÓRiA

1915-23MAR1980 - Roland Gérard Barthes, aliás Roland Barthes: Escritor, crítico literário, sociólogo, semiólogo e filósofo francês - «É a linguagem, em todos os níveis (da frase ao discurso) e através das diversas formas (artes, literaturas, sistemas), que sempre me tem interessado, que eu sempre tenho desejado». IMAG.125-267-303-538

1932-27MAR2010 - Richard Joseph Giordano, aliás Dick Giordano: Editor, ilustrador e artista norte-americano de banda desenhada, lançou Action Heroes em Charlton Comics, e assinou aventuras de super-heróis como Batman, Lanterna Verde / Green Lantern, Wonder Woman / Mulher Maravilha e The Flash, sendo executivo de DC Comics; distinguido como Melhor Editor (Prémio Alley - 1969) ou Melhor Arte-Finalista (Prémio Shazam - 1970-1974). IMAG.26-243-297-379

28MAR1810-1877 - Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, aliás Alexandre Herculano: Ficcionista, poeta, dramaturgo, historiador e jornalista português - «O homem é mais propenso a contentar-se com as ideias dos outros, do que a reflectir e a raciocinar».  
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GALERiA

Exposição de originais do livro de banda desenhada editado pela Polvo (2017), incluído no Plano Nacional de Leitura.
«Eu e a Luísa conhecemo-nos na primária, e somos amigas desde então. Sempre fomos um bocado diferentes, se calhar é por isso que nos completamos. Mas, quero acreditar que a conheço melhor que ninguém. A Luísa, naquele dia, levou um lírio. E ela não usava brincos.»
Mosi (Joana Simão) nasceu em 1994, Lisboa, e gosta de desenhar desde criança, sendo mais tarde licenciada em Pintura pela FBAUL, em 2017.
Atualmente, vive na Ericeira, onde fundou a associação cultural sem fins lucrativos EriceiraBD, que visa promover a banda desenhada, a ilustração e todas as artes visuais relacionadas. Paralelamente, frequenta o Mestrado em Desenvolvimento de Projecto Cinematográfico na ESTC e coordena o curso de Concept Art, na Etic, onde também dá aulas de Desenho.

BREVIÁRiO

Tinta da China edita O Grilo Na Varanda - Correspondência (1966-2001) de Luiz Pacheco (1925-2008) para Laureano Barros (1921-2008); introdução e notas de João Pedro George. IMAG.68-180-198-312-411-513-523-597-641

Cavalo de Ferro edita Os Prémios de Julio Cortázar (1914-1984); tradução de Isabel Pettermann. IMAG.205-298-330-454-539-546-563-602-614-736
 

domingo, dezembro 09, 2018

IMAGINÁRiO #747

José de Matos-Cruz | 16 Março 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

AUDÁCIAS
O acontecimento mais importante da banda desenhada europeia, desde que Tintin e o Capitão Haddock desceram na Lua, consumou-se enfim com o lançamento d’As Aventuras de Tintin, Repórter do “Petit Vingtième”, No País dos Sovietes. Setenta anos depois, assim voltámos ao princípio - pois foi em 10 de Janeiro de 1929, nas páginas daquele suplemento juvenil do jornal Le Vingtième Siècle, que tudo começou, semanalmente, para o audaz mancebo e herói. O respectivo álbum saiu logo no ano seguinte e, tornando-se politicamente incorrecto, nunca foi redesenhado ou colorido. Então e aí apareceu, também, o fiel Milu, juntando-se depois o tremendo Haddock, o lunático professor Girassol, os inconfundíveis Dupont e Dupond, a diva Bianca Castafiore. Entretanto, Tintin esteve na América, no Congo (ex-Belga), na China e Oriente, na Escócia, na Sildávia (algures nos Balcãs), no Golfo, no Tibete ou na América do Sul…
Primitivo ou moderno, Tintin fascina os velhos fanáticos e envolve as novas gerações. Para além da narrativa exuberante, de uma escrita rigorosa, sugestivamente enquadrada pelo estilo de Hergé - aliás, Georges Prosper Remi (1907-1983) - expõe-se uma saga universalista, entre drama e euforia, tragédia e resgate, em que a camaradagem sobrevive, paralelamente aos valores do bem e do mal.
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CALENDÁRiO

1953-10JUN2018 - Joana Pimentel: Investigadora da Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema, responsável pelas aquisições patrimoniais - «Os estudos sobre a imagem em movimento de âmbito colonial, num sentido muito lato, devem-lhe e dever-lhe-ão sempre muito» (José Manuel Costa).

1923-24AGO2018 - Luís Amaro: Escritor português, poeta e investigador, editor e bibliófilo, cofundador da revista Árvore (1951), autor de Diário Íntimo (1975) - «Fiel a esse espaço interior a que se chama alma, a sua poesia é a tentativa permanente de se integrar nela ou de a habitar, mau grado todas as agressões do mundo exterior» (António Ramos Rosa).

01SET-14OUT2018 - No Barreiro, Auditório Municipal Augusto Cabrita expõe Barreiro Ilustra BD - com a participação de Ana Pais, Artur Filipe, Carlos Rocha, Catarina Teixeira, Daniel da Silva Lopes, Daniel Maia, Derradé, Diana Marques, Dina Barbosa, Diogo Carvalho, Diogo Mané, Eliseu Gouveia, Filipe Duarte, Henrique e Duarte Gandum, Inocência Dias, João Amaral, João Gordinho, João Raz, Luís Belerique, Mariana Flores, Miguel Falcato, Miguel Mendonça, Nuno Saraiva, Osvaldo Medina, Patrik Caetano, Paulo Monteiro, Paulo Montes, Pedro Brito, Pedro Potier, Phermad, Quico Nogueira, Rui Ramos, Samuel Santos, Sérgio Santos, Sofia Neto, Susana Resende e Tânia Cardoso.

VISTORiA

Não Repararam Nunca?

Não repararam nunca? Pela aldeia,
Nos fios telegráficos da estrada,
Cantam as aves, desde que o Sol nada,
E, à noite, se faz sol a Lua cheia.

No entanto, pelo arame que as tenteia,
Quanta tortura vai, numa ânsia aiada!
O Ministro que joga uma cartada,
Alma que, às vezes, d’Além-Mar anseia:

– Revolução! – Inútil. – Cem feridos,
Setenta mortos. – Beijo-te! – Perdidos!
– Enfim, feliz! – ? – ! – Desesperado. – Vem.

E as boas aves, bem se importam elas!
Continuam cantando, tagarelas:
Assim, António! deves ser também.
António Nobre - Colónia, 1891

VISTORiA

Metade da Vida

Peras amarelas
E rosas silvestres
Da paisagem sobre a
Lagoa.

Ó cisnes graciosos,
Bêbedos de beijos,
Enfiando a cabeça
Na água santa e sóbria!

Ai de mim, aonde, se
É inverno agora, achar as
Flores? e aonde
O calor do sol
E a sombra da terra?
Os muros avultam
Mudos e frios; à fria nortada
Rangem os cata-ventos.
Friedrich Hölderlin

11. O Despertador
Um despertador exposto sobre um tapete cheio de pó era tudo quanto possuía, para vender, o pobre comerciante árabe. Durante dias, reparou que uma velha se interessava pelo relógio. Era uma bebuína, pertencente a uma daquelas tribos que voam com o vento.
«Desejas comprá-lo?», perguntou-lhe um dia.
«Quanto custa?»
«Pouco. Mas não sei se o vendo. Se este desaparecer, deixarei de ter trabalho.»
«Então, porque o tens exposto?»
«Porque me dá a sensação de viver. E tu porque o queres, não vês que lhe faltam os ponteiros?»
«Faz tiquetaque?», quis saber a velha.
O comerciante deu corda ao despertador, fazendo soar um sonoro e metálico tiquetaque. A velha fechou os olhos e percebeu que, na escuridão da noite, podia assemelhar-se a um coração que bate ao lado do seu.
Tonino Guerra
- Histórias Para Uma Noite de Calmaria
(Tradução de Mário Rui de Oliveira)

MEMÓRiA

16MAR1920-2012 - Antonio Guerra, aliás Tonino Guerra: Ficcionista, poeta e argumentista italiano, colaborador de cineastas como Federico Fellini, Vittorio De Sica, Francesco Rosi e Michelangelo Antonioni - «A lua é o único astro que nasce atrás das montanhas e se põe no íntimo de cada um de nós». IMAG.403

1613-17MAR1680 - François, Duque de La Rochefoucauld: Pensador e memorialista francês - «Deploramos com facilidade os defeitos alheios, mas raramente nos servimos deles para corrigirmos os nossos… / Não se deve avaliar o mérito de um homem apenas pelas suas grandes qualidades, mas também pelo uso que delas faz». IMAG.42-267-377-434

1867-18MAR1900 - António Pereira Nobre, aliás António Nobre: Poeta português, autor de Despedidas - «Ai os meus nervos, quando a lua é cheia! / Da arte novas concepções descubro / Todo me aflijo, lá fazem ideia… / Ai a ascensão da Lua em Outubro!» (Da Influência da Lua - excerto). IMAG.143-267-307-623-639

1924-18MAR2010 - Fess Elisha Parker Jr, aliás Fess Parker: Artista norte-americano de cinema e televisão, protagonista de Davy Crockett (1954) e Daniel Boone (1964-1970) - «Foi um modelo como actor e um ídolo para mim, desde que eu o vi pela primeira vez no grande ecrã. Ele era uma verdadeira lenda de Hollywood» (Arnold Schwarzenegger). IMAG.85-295-479

1875-19MAR1950 - Edgar Rice Burroughs: Escritor norte-americano, autor de Tarzan (1912) - «Surgiu-me a ideia de alguém que não tinha actividade, e decidi romanceá-la». IMAG.37-149-204-224-267-297-384-529-684

1623-20MAR1680 - Johann Heinrich Schmelzer: Violinista austríaco e compositor do barroco - as suas virtuosas sonatas «influenciaram o desenvolvimento futuro da música instrumental alemã» (Joseph Stevenson). IMAG.411

20MAR1770-1843 - Johann Christian Friedrich Hölderlin, aliás Friedrich Hölderlin: Ficcionista alemão, poeta lírico - «Meu dia outrora principiava alegre; / No entanto, à noite eu chorava. Hoje, mais velho, / / Nascem-me em dúvida os dias, mas / Findam sagrada, serenamente.» (Outrora e Hoje). IMAG.32-307-421-677

20MAR1940-2015 - Mary Ellen Mark: Fotógrafa americana - «Através das suas fotografias, deparamos com cenas menos óbvias de universos que julgamos conhecer, ao mesmo tempo que percebemos que tais registos nos remetem para temas e considerações muito para além do carácter efémero de um instantâneo» (João Lopes). IMAG.571

21MAR1930-2008 - Dinis Ramos Machado, aliás Dinis Machado: Escritor e jornalista português - «A novidade, para mim, desapareceu. Tenho pena de não me surpreender, quando escrevo».  
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21MAR1960-1994 - Ayrton Senna da Silva, aliás Ayrton Senna: Piloto brasileiro de Fórmula 1 - «Ele estava sereno. Levantei-lhe pálpebras e tornou-se claro para mim, pelas suas pupilas, que sofrera um ferimento maciço no cérebro. Tirámo-lo do cockpit e colocámos o corpo no chão. Embora eu seja totalmente agnóstico, senti a sua alma partir nesse momento» (Sidney Watkins, neurocirurgião - 1994). IMAG.267-465

23MAR1910-1998 - Akira Kurosawa: Cineasta nipónico, realizador de Os Sete Samurais (1954) - «No Japão, não se percebe claramente que uma das suas mais notáveis realizações culturais é a cinematografia nacional».  
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PARLATÓRiO

Considero-me uma pessoa discreta, nunca me interessou a exposição. A única coisa que eu sempre desejei, verdadeiramente, foi ser um bom actor.
Fess Parker

A última sessão de qualificação. Eu já estava com a pole, por meio segundo à frente do segundo colocado, e depois um segundo. De repente, eu estava próximo de abrir dois segundos à frente dos outros, incluindo meu companheiro de equipe com o mesmo carro. Então, eu percebi que eu não estava mais pilotando com consciência. Eu pilotava por instinto, me sentia numa outra dimensão. Era como se eu fosse entrar num túnel. Não apenas o túnel sob o hotel, mas todo o circuito parecia um túnel. Eu estava apenas indo e indo, mais e mais e mais…
Ayrton Senna
(GP do Mónaco - 1988)

terça-feira, dezembro 04, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: JORGE MAGALHÃES, Até Sempre

O nome de Jorge Magalhães (1938-2018) é indissociável das histórias em quadradinhos, desde que passou a coordenar o Mundo de Aventuras, em 1974. Iniciando uma intensa e múltipla actividade editorial, que se estende da essência dos fanzines à virtualidade dos blogues.
Noutras duas vertentes desenvolveu, também, um labor excepcional – logo, enquanto crítico e historiador em jornais e revistas; e como argumentista, tendo colaborado com inúmeros artistas, veteranos ou em iniciação, através de obras originais ou adaptações literárias.
Investigador, Jorge Magalhães conjugou a versatilidade autoral com o rigor do testemunho. Ficcionista, aliou uma fértil inspiração ao fascínio das narrativas clássicas, por diversos géneros, ou em alcances actuais e realistas. Numa feliz relação com os ilustradores.
Paixão e experiência motivaram, e distinguiram a intervenção exemplar de Jorge Magalhães. Com quem partilhei tantas vivências de amizade e colaboração, desde a troca epistolar durante a sua estadia em Angola, por 1968, e depois na Agência Portuguesa de Revistas…
Até à participação do Jorge, com Catherine Labey, nas Conversa(s) Sobre Banda Desenhada, em 2017, na Bedeteca José de Matos-Cruz/Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana, em Cascais. Evocando um longo caminho mútuo, de memórias e transfigurações.

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Foto de Catherine Labey

segunda-feira, dezembro 03, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: ORION #2

Com coordenação e edição de Renato Abreu, surge o número 2 do fanzine Orion, acessível online na Yumpu, com data de Janeiro de 2019, e tendo ainda uma edição de referência em papel, destinada aos colaboradores.
São eles Bernardino Costantino, Jeremy Smookler, José de Matos-Cruz, Nicola
Rettino, Ornella Micheli, Renato Abreu, Shigehiro Okada e Sofia Gonçalves Lobo.

Entretanto, o número 1 de Orion, referenciado a Julho de 2018, e o número 0, experimental e aparecido em Março de 2018, continuam patentes online na Yumpu, podendo também ser estabelecidos contactos através de: Zorion@sapo.pt

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sábado, dezembro 01, 2018

IMAGINÁRiO #746

José de Matos-Cruz | 08 Março 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

PRECONCEITOS
A solitária Carrie, com dezasseis anos, é vítima de escárnio das companheiras de liceu, pelas suas inabilidade e ignorância, face às questões essenciais da vida. Tais problemas resultam, em grande parte, da educação repressiva e traumatizante da mãe, uma fanática religiosa cuja obsessão do pecado, a par de horror pelo comportamento sexual, se devem ao abandono do marido com outra mulher. Durante a festa de finalistas, Carrie - com poderes especiais, para movimentar pessoas e objectos - é ridicularizada pelas colegas. Desesperada, inicia então uma vingança terrível e sanguinária - que se estende à progenitora, para quem está possuída pelo demónio…Carrie (1976) é um dos filmes marcantes de Brian DePalma, em homenagem ao seu mestre Alfred Hitchcock - sob o signo do terror-fantástico, com argumento de Lawrence D. Cohen, sobre uma novela de Stephen King (de novo transposta em 2013, por Kimberly Peirce). Eis a família americana em causa, quanto aos preconceitos morais e aos fantasmas da sensualidade. Um perturbante desempenho por Sissy Spacek, candidata ao Oscar, ao lado de John Travolta em ascensão. IMAG.101-134-152-710

CALENDÁRiO

05JUL-23SET2018 - Em Lisboa, Galeria Avenida da Índia apresenta La Neblina - instalações de escultura, colagem, desenho, performance e vídeo de Runo Lagomarsino (Suécia), sendo curadora Filipa Oliveira.

26JUL-09SET2018 - Em Lisboa, Capela do Rato apresenta Junto ao Chão - instalação de Carlos Nogueira, com textos de Manuel de Freitas. IMAG.279-300/732

10AGO1950-16AGO2018 - Pedro Leitão de Campos Rosado, aliás Pedro de Campos Rosado: Artista plástico português, escultor e professor, cofundador da Escola Superior de Arte e Design/ESAD das Caldas da Rainha.

1942-18AGO2018 - Maria Isabel Laginhas Vaz, aliás Isabel Laginhas: Artista plástica portuguesa, ilustradora e figurinista, professora de tapeçaria e desenho - «Para além da obra artística, deixa também uma experiência de vida única nos seus antigos alunos» (António Costa).

23AGO2018 - Leopardo Filmes produziu, e estreia Sol Cortante / Soleil Battant (2017) de Clara Laperrousaz e Laura Laperrousaz; com Ana Girardot e Teresa Madruga.

25AGO-14OUT2018 - Torre do Castelo de Evoramonte apresenta Marcado Pelo Tempo - exposição de cerâmica de Yvonne Halfens (Holanda).

VISTORiA

A Vida

Foi-se-me pouco a pouco amortecendo
a luz que nesta vida me guiava,
olhos fitos na qual até contava
ir os degraus do túmulo descendo.

Em se ela anuviando, em a não vendo,
já se me a luz de tudo anuviava;
despontava ela apenas, despontava
logo em minha alma a luz que ia perdendo.

Alma gémea da minha, e ingénua e pura
como os anjos do céu (se o não sonharam…)
quis mostrar-me que o bem bem pouco dura!

Não sei se me voou, se ma levaram;
nem saiba eu nunca a minha desventura
contar aos que inda em vida não choraram…
João de Deus
- Campo de Flores
VISTORiA


Tudo passa. Sofrimentos, dores, sangue, fome e peste. A espada vai desaparecer, mas as estrelas vão permanecer no céu, quando nem uma sombra dos nossos corpos e das nossas obras restar no mundo.
Milkhail Bulgákov
- A Guarda Branca (excerto)

MEMÓRiA

08MAR1830-1896 - João de Deus de Nogueira Ramos, aliás João de Deus: Poeta e pedagogo português, autor de Campo de Flores e criador do método de leitura Cartilha Maternal - «A vida é o dia de hoje, / a vida é ai que mal soa, / a vida é sombra que foge, / a vida é nuvem que voa; / a vida é sonho tão leve / que se desfaz como a neve / e como o fumo se esvai: / A vida dura um momento, / mais leve que o pensamento, / a vida leva-a o vento, / a vida é folha que cai!» (A Vida - excerto).  
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09MAR1910-1981 - Samuel Osborne Barber, aliás Samuel Barber: Compositor americano - «A minha obra nasce daquilo que eu sinto. Não sou um criador por consciência própria». IMAG.443-612

09MAR1930-2015 - Randolph Denard Ornette Coleman, aliás Ornette Coleman: Compositor e saxofonista americano - «…A quem se devem algumas das mais importantes inovações na história do jazz» (João Moço). IMAG.574-618

1926-09MAR2010 - Alda Neves da Graça do Espírito Santo, aliás Alda Graça, aliás Alda do Espírito Santo: Escritora natural de São Tomé e Príncipe, militante da luta pela independência, autora do Hino Nacional, ministra e deputada - «Perde a literatura de língua portuguesa uma grande figura, e perdemos todos no campo dos afectos» (Pepetela). IMAG.293-560

10MAR1920-1959 - Boris Paul Vian, aliás Boris Vian: Ficcionista, poeta, actor e cantor francês - «Se nos queremos lembrar apenas dos bons momentos, então para que servem os maus?».
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1882-10MAR1930 - Artur Alves Cardoso: Pintor português, discípulo de Carlos Reis, membro do Grupo Silva Porto - «Descansarei trabalhando, habituando de novo a minha visão ao ambiente da nossa terra» (1929). IMAG.639

1891-10MAR940 - Milkhail Afanásievitch Bulgákov, aliás Milkhail Bulgákov: Ficcionista e dramaturgo russo - «Todo o poder é uma violência exercida contra as pessoas». IMAG.378-588

ITINERÁRiO

Compositor clássico norte-americano, nasceu a 9 de março de 1910, em West Chester, Pensilvânia, e faleceu a 23 de janeiro de 1981, em Nova Iorque. O seu talento musical revelou-se bastante cedo: aos sete anos de idade escrevia a sua primeira peça, aos 10 anos tentava a sua primeira ópera e, aos 12, conseguia um emprego como organista.
Com 14 anos entrou para o Curtis Institut of Music, em Filadélfia, onde estudou voz com Emílio de Gogorza, composição com Rosário Scalero e piano com Isabelle Vengerova.
Neste instituto conheceu Gian Carlo Menotti, com quem iria manter uma longa relação profissional e de amizade. Depois de cumprir o serviço militar, durante o qual compôs a Segunda Sinfonia, voltou para os Estados Unidos, partilhando uma casa com Menotti. Aqui, em Mt. Kisco, compôs a maioria das suas obras pós-guerra. Menotti forneceu os libretos para as óperas Vanessa (com a qual Barber venceu o Pulitzer) e A Hand of Bridge. Em 1963, voltou a vencer um Prémio Pulitzer com Concerto for Piano and Orchestra. A estreia mundial da ópera Antony and Cleópatra deu-se em 1966, na abertura do novo auditório da Metropolitan Opera do Lincoln Centre for the Perfoming Arts.
A composição orquestral tornou-se predominante na sua criação, sendo Adagio for Strings a sua mais famosa obra. Barber atingiu o reconhecimento mundial como o primeiro americano a ser interpretado por Toscanini e pela NBC Symphony, quando apresentaram Adagio juntamente com Essay nº 1 for Orchestra.
Apesar de a sua popularidade provir de Adagio for Strings, as suas composições para voz representavam uma significante parte da sua obra. Barber era sobrinho da famosa contra-alto Louise Homer, daí ter acesso à música desde muito cedo, levando-o mesmo a estudar voz, mais tarde.
Foi galardoado com inúmeros prémios e distinções, entre os quais o American Prix de Rome, dois Pulitzer Awards e a eleição para a Academia Americana de Artes e Letras.
A sua obra intensamente lírica Adagio for Strings tornou-se numa das mais amadas composições, estando presente em inúmeros concertos e bandas sonoras (Platoon, The Elephant Man, El Norte, Lorenzo’s Oil).

LAUDATÓRiO

João de Deus
João de Deus é uma das personificações mais belas do nosso carácter peninsular; vivo e indolente, devaneador e apaixonado, crente e sentimental. É uma flor do meio-dia, cheia de seiva e colorido, dos poetas e nunca ninguém sentiu entre nós mais ardente a sua imortalidade do que Bocage. Com que entusiasmo ele exclamava ao ver os seus versos elogiados na boca de Filinto: «Zoilos tremei; posteridade, és minha!» Sob este ponto de vista, João de Deus é a antítese completa de Bocage. Este tinha a inspiração orgulhosa, cheia de fogo, rebentando quase num caudal de ironia e de sarcasmo. João de Deus tem a inspiração serena, espontânea, quase inconsciente. João de Deus é como a flor do campo, que rebenta formosa sem cultivo, velada apenas pela graça de Deus, o jardineiro supremo. As suas poesias são verdadeiras flores do campo, mas das mimosas, das encantadoras na sua singeleza, das que, guardadas num álbum, conservam perfeitamente a delicadeza da forma, o colorido transparente da corola, o aveludado do cálice, a disposição encantadora das pétalas.
08MAR1895 - Diário de Notícias

BREVIÁRiO

Ítaca edita O Castelo de Franz Kafka (1883-1924); tradução de Isabel Castro Silva.
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sábado, novembro 24, 2018

IMAGINÁRiO-Extra: Aurora Boreal e O Princípio Infinito – Livro Quatro [Apenas Livros]

O novo segmento de Aurora Boreal, criada por José de Matos-Cruz, corresponde ao 4º Universo da primeira série, O Princípio Infinito, e intitula-se A Mecânica Celeste. A edição, sob chancela Apenas Livros, será apresentada no próximo encontro da Tertúlia BD de Lisboa (na Casa do Alentejo), no dia 4 de Dezembro, a partir das 19h, onde igualmente estarão disponíveis para consulta e para aquisição os restantes #1, #2 e #3.

Explorando o universo criativo de uma Lisboa misteriosa e mágica, povoada por super-heróis e seres sobrenaturais, que fora revelada originalmente na saga d'O Infante Portugal, a enigmática Aurora Boreal prossegue, assim, as suas aventuras por novos mundos, e através de outras realidades e dimensões.

Aurora Boreal e O Princípio Infinito: Quarto Universo – A Mecânica Celeste é o último de quatro livros de cordel do ciclo inicial desta heroína, concebida por Susana Resende e com ilustrações suas, e dos artistas Daniel Maia, Teotónio Agostinho e Renato Abreu, que igualmente assina a capa e a contracapa desta edição culminante. O livro é completado por uma galeria de esboços e de desenhos adicionais, e um foto-painel da autoria de Renato Abreu, com texto de José de Matos-Cruz.


Aurora Boreal
Surgiu na saga d’O Infante Portugal, nascida de uma relação efémera
entre a soviética Oktobraia e o cósmico Malsão. Irradiando além das luzes
e das trevas, a sua aparência torna-se Presente, ao romper os ciclos da infância
e da realidade, pelo capricho súbito e intenso de uma libertação…

A Mecânica Celeste
Odores pestilentos, sabores equívocos e ruídos estridentes...
Isto tudo misturado, invisível ao foco cintilante – que
desvenda os graus e degraus da realidade,
revela os perigos da volúpia humana, dispersa as trevas infinitas ou precárias.
Farol do Bugio. Garras astrais ou ancestrais ali o cravaram,
volúvel, como um caleidoscópio profundo e paradoxal.


Aurora Boreal e O Princípio Infinito
Quarto Universo: A Mecânica Celeste
(Apenas Livros)
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustração: Renato Abreu,
Daniel Maia, Susana Resende e Teotónio Agostinho
BD: Renato Abreu (arte) + José de Matos-Cruz (texto)
1ª Edição: Novembro 2018
Prosa Ilustrada | 40p/PB | PVP: 4,10€

quinta-feira, novembro 22, 2018

IMAGINÁRiO #745

José de Matos-Cruz | 01 Março 2020 | Edição Kafre | Ano XVI – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EXPERIÊNCIAS
«Confesso que tenho ideias formadas sobre os quadradinhos, a sua importância como arte e expressão. Em minha opinião, não se trata de uma linguagem autónoma, se bem que raros criadores têm logrado uma obra incomparável, embora nem sempre reconhecida pelo público» - assim fala Max Cabanes, um dos mais prestigiados autores de banda desenhada, na expressão franco-belga. Revelado entre nós por Cabra Cega / Colin Maillard - galardoado em 1990 com o Grande Prémio no Festival de Angoulême -, Cabanes regressou com Paixões (1996), a partir de um insinuante e ousado argumento de Sylvie Brasquet.
A acção decorre em 1975, relatando as experiências de férias, em Inglaterra, da jovem Pascale, aluna do austero Colégio de St. Joseph. Sexo, religião, valores e preconceitos, revelações e libertinagem, contrastam-se numa narrativa insólita, irónica, entre o discurso convencional e a ilustração sem complexos. Em causa, o retrato simbólico e crítico de uma época em que a crise de mentalidades, por tempos de rotura e transição, representaria uma vivência determinante para o mundo presente. Afinal, como remataria Cabanes, «é preciso não ficarmos presos ao passado - as coisas evoluem e, com elas, nós próprios e as nossas expectativas».
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CALENDÁRiO

13JUL-16SET2018 - Em Coimbra, Museu Nacional de Machado de Castro expõe, em Tesouros Partilhados com Museu Nacional Grão Vasco, Virgem da Ternura - Ícones Russos do Legado Pereira da Gama.

18ABR-01SET2018 - Em Matosinhos, Casa do Design expõe Portugal Imaginário - Turismo, Propaganda e Poder (1910-1970), sendo curadores José Bártolo e Sara Pinheiro.
09AGO-22SET2018 - No Porto, Maus Hábitos apresenta no ciclo Caravana, promovido por Saco Azul, Eu Nunca Emergi / Emergir Para Afundar - exposição de pintura, fotografia, escultura e arte digital de Volkan Diyaroglu (Turquia).

1932-11AGO2018 - Vidiadhar Surajprasad Naipaul, aliás Vidia Naipaul, aliás V.S. Naipaul: Escritor e jornalista britânico, nascido em Trinidad, autor de The Mistic Masseur (1957), distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (2001) - «Eu sou a soma dos meus livros». IMAG.460

1947-13AGO2018 - Filipe Alberto do Paço d’Oliveira Mendes, aliás Filipe Mendes, aliás Phil Mendrix: Músico português de rock, compositor, instrumentista e vocalista, ligado a Os Chinchilas, Roxigénio ou Ena Pá 2000 - «Desde cedo considerado um virtuoso da guitarra eléctrica, e conhecido como o Jimi Hendrix português» (Luís Miguel Queirós).

1942-16AGO2018 - Aretha Louise Franklin, aliás Aretha Franklin, aliás the Queen of Soul: Cantora e pianista americana, compositora, empresária e produtora, intérprete de Respect (1967) - «Eu sou a minha música». IMAG.211

28SET2018 - Em Matosinhos, Casa da Arquitectura expõe Infinito Vão - 90 Anos de Arquitectura Brasileira, sendo curadores Fernando Serapião e Guilherme Wisnick.

COMENTÁRiO

Frédéric Chopin
A sua apresentação foi sempre nobre e bela; os seus tons cantados, ora num forte ora no mais suave piano. Teve de passar por infinitas dores, para ensinar aos pupilos o seu legato, o seu estilo cantabile de tocar. A sua crítica mais severa era: «Ele – ou ela – não sabe como combinar duas notas simultaneamente». Exigia, também, uma precisa adesão ao ritmo. Odiava tudo o que fosse vagaroso e demorado, como rubatos fora do lugar, ou exagerados andamentos… E é precisamente a esse respeito que as pessoas cometem os maiores erros, ao tocar as suas obras.
Friederike Muller

VISTORiA

As irmãs não se entregavam a grandes conversas. Agatha, loura, baixa e decidida, revoltava-se contra a atmosfera doméstica, contra a doutrina da outra face. Sobrevivia só no mundo, e estava a ponto de conquistar a sua independência. Insistia no valor dos juízos mundanos, das aparências, das maneiras, da situação social, coisas que Miriam desdenhava.
D.H. Lawrence
- Filhos e Amantes (1913 - excerto)

MEMÓRiA

MAR1360-1415 - Philippa of Lancaster, aliás D. Filipa de Lencastre, Rainha de Portugal: Princesa inglesa, filha do primeiro Duque de Lencastre, casou com El-Rei D. João I (1387), tendo fortalecido por laços familiares os acordos do Tratado de Aliança Luso-Britânica, que perdura até hoje. IMAG.43

01MAR40-104 - Marco Valério Marcial: Poeta hispano-latino - «O homem bom amplia o espaço da sua vida: poder usufruir da vida passada, é poder viver duas vezes». IMAG.495

01MAR1810-1849 - Fryderyk Franciszec, aliás Frédéric Chopin: Pianista polaco radicado em França, compositor do período romântico - «O meu desejo é que conseguisse eliminar todos os pensamentos que envenenam a minha felicidade, mas acabo por tirar uma espécie de prazer ao ser indulgente com eles».
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1885-02MAR1930 - David Herbert Lawrence, aliás D.H. Lawrence: Escritor inglês - «Come e embriaga-te com Baco, ou mastiga pão seco como Jesus, mas não fiques sentado sem um dos deuses». IMAG.50-58-280-401-530-593-656-669

02MAR1930-2018 - Thomas Kennerly Wolfe, aliás Tom Wolfe: Escritor e jornalista americano, ficcionista e ensaísta, autor de A Fogueira das Vaidades (1987) - «Provavelmente, o mais dotado escritor americano, pois consegue fazer mais coisas com palavras do que qualquer outro» (William F. Buckley). IMAG.120-729

03MAR1920-2011 - Ronald William Fordham Searle, aliás Ronald Searle: Ilustrador e cartoonista britânico, autor de St Trinian’s School (1948) - «Até ao fim, com um lápis e um pedaço de papel, continuou a desenhar tranquilamente, o que nos dá ideia da diferença de carácter entre ele e um ser humano comum» (Russell Branddon). IMAG.390

04MAR1810-1879 - José Feliciano de Castilho Barreto e Noronha, aliás Castilho José, aliás José Feliciano de Castilho - Escritor, bibliotecário e jornalista português, radicado no Brasil - «Em nome do progresso, que abrandou os nossos hábitos, da Constituição, cujo espírito suprime os escusados padecimentos corporais, da lei, que apagou em nossos códigos as manchas de sangue, apareça de novo uma lei de bronze, declarando o divertimento nacional dos touros impolítico, imoral, impossível». IMAG.698

05MAR1930-2011 - Jean Tabary: Ilustrador francês de banda desenhada, nascido na Suécia, criador de Iznogoud (1962, com René Goscinny) - «Je veux être calife à la place du calife!». IMAG.119-372

06MAR1930-2014 - Lorin Varencove Maazel, aliás Lorin Maazel: Maestro americano, violinista e compositor - «Um sobredotado - porque não dizê-lo: um génio, na pura acepção da palavra. Para ele, tudo vinha com facilidade, tudo absorvia, tudo dominava. Era brilhante» (B.M. - Diário de Notícias). IMAG.222-525



PARLATÓRiO

Frédéric Chopin
A sua aparência fazia lembrar algumas plantas de finos caules, que o menor contacto pode quebrar.
Franz Liszt

Ninguém encarna tão completamente a ligação entre os espirituais afro-americanos, os blues, o R&B e o rock’n’roll, o modo como a diversidade e o sofrimento se transformam em algo cheio de beleza, e vitalidade, e esperança.
Barack Obama

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Se Numa Noite de Inverno Um Viajante de Italo Calvino (1923-1985); tradução de José Colaço Barreiros.  
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Warner edita em CD, Hitchhiker de Neil Young. IMAG.101-157-254-339

Dom Quixote edita O Nosso Agente Em Havana de Graham Green (1904-1991); tradução de Ana Lourenço.
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EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

A MELANCOLIA FIXA DO CONTROLADOR DE ONDAS - 10

Inquieto, extrovertido, Damião de Magalhães ia-se teimando de que apenas lhe prezaria um qualquer refúgio solitário. Agora, que recobrava em razão, de onde ousara por megalomania. Sem glória, encoberto, ante o dissoluto e o ouropel. Onde o céu levantara a névoa, dissipar-se-ia o seu fascínio. Quando o escorbuto não o vitimara, torturavam-no já os escrúpulos.
Continua