terça-feira, setembro 20, 2016

IMAGINÁRiO #628

José de Matos-Cruz | 24 Setembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

AVENTURAS
Suriá era bem pequenininha quando nasceu. O pai e a mãe são malabaristas, e ela é uma miúda cheia de ideias trepidantes. E malabarista… Eis a apresentação de Suriá - A Garota do Circo! (2000), revelando mais uma vertente do prolífico talento de Laerte Coutinho, em sua peculiar expressão sensível e divertida. Confessando que tem um pé em Portugal, pois «meu bisavô Miguel veio de Ponte do Lima», o popular artista brasileiro dedicou à filha Laila este livro, que resulta de uma aliança editorial entre a Jacarandá e a Devir. Em rodapé às aventuras de Suriá com os amigos (Marion, Luca, Sílvio, Robledo) e bichos (o leão Daniel, a elefanta Úrsula, o urso Kurtz, o camelo Gaspar, o macaco Fred), Laerte apresenta a história e as estórias sobre O Mundo do Circo. Suriá foi criada para a Folhinha, suplemento infantil do jornal Folha de São Paulo, tendo original publicação em 1997-98. Aí prosseguiu Laerte - com site na internet: www.laerte.com.br - a sua actividade regular e irresistível. Formando com Angeli uma cumplicidade de nomes maiores dos quadrinhos, em sátira aos costumes e vivências sociopolíticas, através de uma leitura irreverente e corrosiva, para adultos. IMAG.560

CALENDÁRiO

¨1928-27JUN2016 - Alvin Toffler: Escritor e futurista americano, autor de Choque do Futuro (1970) - «Os analfabetos do próximo século, não serão aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que se recusam a aprender, reaprender e voltar a aprender».

¸1929-27JUN2016 - Carlo Pedersoli, aliás Bud Spencer: Nadador e actor italiano, intérprete de Trinitá - Cowboy Insolente (1970) com Mario Girotti / Terence Hill - «Era daqueles actores populares cujo carisma poucos conseguiam explicar» (Rui Pedro Tendinha).

®1924-02JUL2016 - Camilo Venâncio de Oliveira, aliás Camilo de Oliveira: Actor e argumentista português - «Foi tanta gente nos palcos e na televisão, nunca deixando de ser um exigente trabalhador para que o povo se risse de si próprio e sobretudo desta condição de sermos portugueses» (Júlio Isidro).

¸1939-02JUL2016 - Michael Cimino: Cineasta americano, produtor e argumentista, realizador de O Caçador / The Deer Hunter (1978) - «A indústria de Hollywood não mudou absolutamente nada. Continua exactamente igual ao que sempre foi. A única coisa que se alterou foi o rosto dos jogadores. As pessoas morrem, desaparecem, reformam-se, mas o sistema permanece de pé» (a Vincent Maraval - Sofilm#03 - registo de Brieux Férot). IMAG.72-287-331-443

BREVIÁR
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Dom Quixote edita Açores - O Segredo das Ilhas de João de Melo. IMAG.94-157-191-297-298-627

NOTICIÁR
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O Primeiro Telégrafo
O Governo americano deseja comprar o aparelho telegráfico, como curiosidade histórica. Esse aparelho foi construído por Alfred Vail, e deve custar nove contos de réis.
21JUL1888 - Diário de Notícias

COMENTÁRiO

O amor não é senão o desejo; e assim, o desejo é o princípio original de que todas as nossas paixões decorrem, como os riachos da sua origem; por isso, sempre que o desejo de um objecto se acende nos nossos corações, pomo-nos a persegui-lo e a procurá-lo, e somos levados a mil desordens.
Miguel de Cervantes
PARLATÓRiO

É indubitável que entre a minha obra, a minha maneira de pintar e a publicidade, há uma relação muito directa. Às vezes, censuram-me por, com o meu estilo, contribuir para tornar mais aceitável essa publicidade e incrementar o consumismo. Porém, existe uma enorme ironia no meu trabalho. Pelo menos, procuro assumir uma postura crítica face aos temas que represento, de sarcasmo perante a nossa cultura industrial e de desprendimento visual quanto à sociedade industrializada. Aquilo que, a princípio, parecia tipicamente americano, converteu-se, actualmente, num fenómeno internacional. Daí que a minha pintura já possa ser compreendida em todo o mundo.
Roy Lichtenstein (1983)


VISTORiA

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Os longos duzentos quilómetros não a deixavam mais triste nem a faziam sentir-se mais isolada do que a consciência de que eles eram eles, e estavam juntos, e ela era apenas ela, longe deles, sozinha. E, sentindo um enjoo, causado por essa sensação, ocorreu-lhe, de repente, um pensamento e uma explicação, e quase disse em voz alta: «Eles são o ‘nós’ de mim!». Na véspera, e em todos os doze anos de sua vida, fora apenas Frankie. Era uma pessoa «eu», que tinha de se virar e fazer as coisas sozinha. Todas as outras pessoas tinham um «nós» a reivindicar, todas, menos ela. Quando Berenice dizia «nós», referia-se a Honey, a sua mãe, ao seu barracão ou à sua igreja. O «nós» do pai dela era a loja. Todos os sócios de clubes têm um «nós» a que pertencem, e a respeito do qual falam. Os soldados no exército podem dizer «nós», e até mesmo os criminosos, acorrentados uns aos outros. Mas a velha Frankie não tinha nenhum «nós» a reivindicar, a menos que fosse o terrível «nós» do seu verão com John Henry e Berenice – e aquele era o último «nós» que desejava.
Carson McCullers
- A Sócia do Casamento (excerto)
MEMÓRiA

25SET1807-1859 - Alfred Lewis Vail, aliás Alfred Vail: Mecânico e inventor americano, autor do panfleto The American Electro Magnetic - Dots, Lines and Spaces Created on Board the Packet Sully, By Prof. Samuel F.B. Morse (1945); fez parceria com Morse, após a sua demonstração pública do aparelho telegráfico (1837), contribuindo ainda para melhorar os instrumentos, em especial o relé. IMAG.24

25SET1897-1962 - William Cuthbert Faulkner, aliás William Faulkner: Escritor americano, Prémio Nobel da Literatura em 1949 - «Olhando de perto, um sonho não é algo que esteja isento de perigos. É como uma pistola com dois gatilhos… Se existe durante muito tempo, acaba por ferir alguém». IMAG.86-153-231-232-305-340-356-377-438-578

1894-26SET1937 - Bessie Smith: Cantora americana de blues - «It’s all about a man, who always kicks and dogs me aroun’ / And when I try to kill him, that’s when my love for him come down.». IMAG.148

1834-27SET1917 - Edgar Hilaire Germain Degas, aliás Edgar Degas: Pintor francês - «Eu gostava de ser famoso, mas desconhecido». IMAG.81-148-416-459-488

27SET1627-1704 - Jacques Bossuet: Teólogo francês - «A ambição é, entre todas as paixões humanas, a mais ferina nas suas aspirações e a mais desenfreada nas suas cobiças e, todavia, a mais astuta no intento e a mais ardilosa ao planear». IMAG.462

1905-2SET1957 - Leopoldo Longanesi, aliás Leo Longanesi: Pintor, gráfico, humorista, escritor, jornalista e editor italiano - «O paradoxo é o luxo das pessoas de espírito… A verdade é o lugar-comum dos medíocres». IMAG.528

29SET1547-1616 - Miguel de Cervantes Saavedra: Ficcionista, poeta e dramaturgo castelhano, autor de Dom Quixote (1605) - «A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens. Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos. Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida». IMAG.25-38-79-92-103-349-503-559-609-616

¨ 16FEV1917-29SET1967 - Lula Carson Smith, aliás Carson McCullers: Escritora americana - «Muitas vezes, o amado desencadeia a força lentamente acumulada no coração daquele que ama. O amor é uma coisa solitária. É esta descoberta que faz sofrer». IMAG.317-392

1923-29SET1997 - Roy Fox Lichtenstein, aliás Roy Lichtenstein: Pintor americano, ligado à Pop Art e inspirado pela banda desenhada - «Agrada-me presumir que a minha arte não tem nada a ver comigo». IMAG.70-440-463

INVENTÁR
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Miguel de Cervantes
Miguel de Cervantes Saavedra foi um génio, e pode-se dizer mesmo o génio do bom senso. Na sua obra, cujo herói é um dementado, vibram-se profundos gilvazes a todas as demências humanas: e ela não fere tão vivamente o espírito de todos só porque é cáustica: mas sim porque é causticamente, crudelissimamente, sensata. Daí todo o seu sucesso. Daí toda a perdurabilidade desta obra que não teria um carácter tão imutável se fosse unicamente alegre, ou se fosse simplesmente imaginosa. A imaginação é um grande dom, que tem uma larga influência nos povos infantis; mas o bom senso é uma faculdade rara, quando aliada à imaginação, que se esculpe imperecivelmente nos povos lógicos, nos povos racionalistas, nos povos reflectidos das civilizações adiantadas. Quando, porém, à imaginação e ao bom senso se acrescenta a irresistível, a demolidora ironia, essa obra toma um carácter mais imutável do que o bronze de Corinto, ou a estátua grega de um mestre, feita com mármore pentélico.
Assim se explica a acolhida que ela tem ainda hoje, como no tempo de Filipe III, e que continuará a alcançar dos nossos pósteros, quando já não restar na memória do homem um hexâmetro grego de Homero, nem um versículo hebraico do Pentateuco de Moisés. Acrescente-se a isto que o seu herói tem o carácter profundamente objectivo, na sua subjectividade, e ter-se-á explicado as causas que fizeram deste livro um monumento verdadeiramente cosmopolita e humano. Neste género, com tais requisitos, só uma obra conhecemos que rivalize com D. Quixote, e que talvez para os espíritos delicados e subtis, se avantaja ainda: é As Viagens de Gulliver, de Swift.
Nesta obra tudo tem um carácter de mais originalidade e de mais subtileza. Sendo eminentemente humana, isto é, sendo uma sátira dum carácter verdadeiramente universal, tem talvez como vantagem para nós, empregar um humour muito mais ático, – se é possível fazer ático sinónimo de delicado, – em vez do grosso sal de cozinha de que em largas doses se serve Cervantes, como condimento. A sua imaginação é decerto muito mais rica: e em bom senso cáustico não lhe fica também, em nada, inferior. Falta porém ao seu herói aquele entusiasmo simpático do D. Quixote, que tanto nos prende a ele, mau grado todas as suas demências, e todas as suas insânias cavaleirosas e andantes. Falta-lhe também aquele já hoje lendário escudeiro Sancho Pança, cavalgando no seu lendário sendeiro, através dos montes e dos vales de Espanha, atrás do seu cavaleiro, que vai em demanda de gigantes e do elmo de Mambrino: tipo patusco e bon vivant, folião e pantagruélico, tão dementado como positivo, tão burlesco como escudeiro leal, símbolo de burguês de todas as eras, e do materialismo ventrúdo de todos os tempos. A firmeza de traços com que estão pintadas, à Velásquez, estas duas figuras típicas, no meio dos episódios e dos vários acidentes, sem nunca se desmentirem, nem nunca se desmancharem, é decerto dum relevo cómico, que os não torna inferiores, antes os sobreleva aos personagens do teatro de Lope de Vega, ou de Calderón de la Barca.
- Gomes Leal (excerto)

terça-feira, setembro 13, 2016

IMAGINÁRiO #627

José de Matos-Cruz | 16 Setembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

INOCÊNCIA
Genuíno testemunho, em que convergiriam as expectativas do Novo Cinema português, Os Verdes Anos (1963) revelou gente jovem, aliás publicitada «sem responsabilidades na produção nacional, e que tem uma visão universal, que lhe advém do longo contacto com os estúdios parisienses». O realizador Paulo Rocha (1935-2012) diplomara-se pelo IDHEC, em França, tal como o produtor António da Cunha Telles, que fez um investimento de 900 contos. Nuno Bragança adaptou o argumento de Rocha, elaborando os diálogos. A psicologia das personagens insinua-se no elo realista dos seus conflitos e tensões, reflectindo a crise social através da singularidade poética. Isabel Ruth e Rui Gomes são os nóveis protagonistas duma época virtual, em suas referências testemunhadoras. Inquietação, sensibilidade, pairam neste retrato de geração - entre a alienação e a rebeldia. É a idade duma inocência perdida, pervertida nos paradoxos do tempo e do envolvimento. Aos dilemas convencionais, como o desenraizamento ou a inadaptação, corresponde uma obsessão funesta, precipitando a catástrofe. Amor, ciúme, virilidade, frustração. Uma síntese radical - ética e estética. A música de Carlos Paredes constitui um sugestivo elemento dramático. As filmagens decorreram em interiores e em locais autênticos. A fotografia de Luc Mirot desvenda uma outra Lisboa - segundo Rocha, fixando «bocados da Avenida dos Estados Unidos, as colinas cobertas de oliveiras que dominam a zona nova e o rio, os descampados à volta da cidade universitária»…
De resto, tudo está patente: gente humilde, destino fatal. IMAG.4-31-87-180-445-521-543-567

CALENDÁRiO

¢14MAI-02JUL2016 - Em Lisboa, Galeria Salgadeiras apresenta De Um Lugar Onde Não Há Sapos - exposição de pintura de Guilherme Parente.

¸16JUN2016 - Cine-Clube de Avanca produziu, e estreia Grandes Esperanças (2007) de Miguel Marques; em complemento, O Acidente (2008) de André Marques e Carlos Silva.

¸16JUN2016 - NOS Audiovisuais estreia E Agora Invadimos o Quê? / Where To Invade Next (2015) de Michael Moore; rodagem parcial em Portugal.

16JUN-18SET2016 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe Matéria-Prima: Um Olhar Sobre o Arquivo de Álvaro Siza, sendo curador André Tavares. IMAG.41-56-298-424-432-447-495-510-579-611-620

¢17JUN2016-17JUN2017 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado expõe Vanguardas e Neovanguardas Na Arte Portuguesa | Séculos XX e XXI, sendo curador Rui Afonso Santos.

21JUN-18SET2016 - Em Lisboa, Centro Cultural de Belém/CCB apresenta, na Garagem Sul, Eduardo Souto de Moura: Continuidade - exposição de arquitectura, sendo curadores António Sérgio Koch e André de França Campos. IMAG.249-349-529-611

¢24JUN-16AGO2016 - Em Lisboa, Instituto Cultural Romeno apresenta Tatuagens No Cérebro | Um Mapa das Obsessões - exposição de artes plásticas por Calin Dan, Teodor Graur, Iosif Király, Petru Lucaci, Carmen e Gheorghe Rasovszky (anos ‘80), e Aurora Király (anos ‘90).

25JUN-30OUT2016 - Em Lisboa, Padrão dos Descobrimentos apresenta Fora do Padrão: Lembranças da Exposição de 1940 - sobre a Exposição do Mundo Português, sendo comissária Maria Cardeira da Silva. IMAG.76-154-205-227-244-251-436-452-545

¢01JUL-25SET2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe terEstado - Auto-retratos e Paisagens de Miguel Navas e João Jacinto.

¢21JUL-11SET2016 - Em Lisboa, Museu do Oriente apresenta Do Ocidente Para o Oriente - exposição de pintura de Natália Gromicho.

06AGO-28AGO2016 - Em Lisboa, Museu do Oriente expõe Parallel Nippon - Arquitectura Japonesa Contemporânea 1996-2006.

PARLATÓRiO

®O verdadeiro silêncio não existe… Quando estou no palco, fala a minha alma – e esse respeito pelo silêncio é susceptível de tocar as pessoas, de um modo mais profundo do que qualquer palavra.
O silêncio é infinito como o movimento, não tem limites. Para mim, os limites resultam da palavra… Eu sou uma testemunha da minha observação sobre a vida.
Marcel Marceau

MEMÓRiA

16SET1927-2011 - Peter Michael Falk, aliás Peter Falk: Actor americano de cinema e televisão, protagonista do Tenente Columbo (1971) - «Trabalhei em vários filmes com John Cassavetes, mas nunca percebi nada do que me dizia… Creio que ele fazia de propósito». IMAG.364

1923-16SET1977 - Maria Cecilia Sofia Anna Kalogeropoulou, aliás Maria Callas: Cantora lírica americana, de ascendência grega - «Quem me quiser compreender realmente, irá encontrar-me inteira no meu trabalho… Eu gostaria de ser Maria, mas La Callas exige que eu me comporte com a sua dignidade». IMAG.31-147-188-207-406-495

18SET1887-1966 - Hans Peter Wilhelm Arp, aliás Hans Arp / Jean Arp: Poeta, escultor e pintor germânico, naturalizado francês (1926) e ligado aos movimentos surrealista e dadaísta - «Em breve, o silêncio será uma lenda do passado. O homem inventa, dia após dia, máquinas e dispositivos que aumentam o ruído e distraem a humanidade quanto à essência da vida, da contemplação, da meditação». IMAG.565-567

1865-20SET1957 - Johan Julius Christian Sibelius, aliás Jean Sibelius: Compositor finlandês, autor de Tapiola - «Ele estava a recuperar do seu acostumado passeio matinal. Maravilhado, contou à esposa Aino que tinha visto um bando de curleus a aproximar-se. “Aí vêm eles, os pássaros da minha juventude!”, exclamou então. Repentinamente, um dos pássaros saiu da formação e, esvoaçando, fez um círculo em torno de Aino. Depois, voltou ao grupo e continuaram a voar, seguindo o seu destino. Dois dias depois, Sibelius morria de uma hemorragia cerebral» (Erik Tawaststjerna). IMAG. 213-402-404-542-551-602-621

¾21SET1947-2014 - Emídio Arnaldo Freitas Rangel, aliás Emídio Rangel: Jornalista português, com actividade e funções directivas na rádio e na televisão, cofundador da TSF Rádio Jornal e da SIC Notícias - «No pós-25 de Abril, é o nome maior do jornalismo português… Mudou a forma de fazer rádio e televisão em Portugal… O jornalismo no geral não seria o mesmo que é hoje» (Paulo Baldaia). IMAG.529

¨ 1883-22SET1947 - Pierre Lecomte du Nouy: Biofísico e filósofo francês - «O drama mais frequente ao homem comum é o de ele não saber o que quer. Quando um homem consegue saber exactamente o que pretende, a sua vontade de execução torna-se irresistível. São a hesitação, o cálculo mental do interesse, a negociação em si mesmo, a comparação raciocinada do pró e do contra, que enfraquecem a vontade, até ao ponto de a aniquilarem». IMAG.448

1923-22SET2007 - Marcel Mangel, aliás Marcel Marceau: Actor e mímico francês - «Expressar-me com o corpo é, pessoalmente, mais que uma técnica ou uma corrente interpretativa, uma autêntica necessidade… Se há algo que não se representa com a mímica, é a mentira, pois, para mentir, é necessário usar a palavra». IMAG.165-411

VISTORiA

¨ Todo o ser capaz de apenas considerar um acto, ao mesmo tempo, é forte: o homem primário, sem instrução, sem imaginação, é forte.
No outro extremo, o homem culto, imaginativo, sensível, é, muitas vezes, fraco, por ser paralisado pela representação de todas as consequências, próximas e remotas, de cada um dos seus actos.
O seu bom senso recomenda-lhe, inevitavelmente, as soluções descoloridas, os compromissos, as abdicações. Importa que a necessidade de um acto lance para a sombra todas as outras possibilidades, para que esse acto se imponha.
Enquanto tergiversa consigo, o homem é dominado por vago mas lancinante desejo de escolher uma solução neutra, fácil, que não exija esforço e nada altere.
Acredita decidir, quando apenas obedece.
Pierre Lecomte du Nouy
- A Dignidade Humana (excertos)
PARLATÓRiO

Durante anos, esforcei-me para criar essa qualidade doentia na voz de Violetta; afinal, ela é uma mulher doente. Na verdade, tudo se resume a uma questão de respiração, e é preciso ter uma garganta muito limpa para sustentar esse cansaço na maneira de falar ou de cantar. E o que foi que eles disseram? «Callas está cansada, a voz está cansada!». Mas essa era, justamente, a impressão que eu queria criar. No estado em que se encontrava, como poderia Violetta cantar em tons grandiosos, altos, sonoros?
Maria Callas
BREVIÁRiO

Europress edita Santo António Em Banda Desenhada de José Garcês. IMAG.24-70-78-117-129-149-226-251-256-258-265-321-361-374-416-430-598-Extra

¨Dom Quixote edita Os Navios da Noite de João de Melo. IMAG.94-157-191-297-298

Tinta da China edita Os Vampiros de Filipe Melo (argumento) e Juan Cavia (ilustração). IMAG.308-335-337-523

¨Assírio & Alvim edita País Possível de Ruy Belo (1933-1978); prefácio de Nuno Júdice. IMAG.190-332-408-490

¯Harmonia Mundi edita em CD, sob chancela Vision Fugitive, Juneteenth de Stanley Cowell.  

quinta-feira, setembro 08, 2016

IMAGINÁRIO EXTRA - 1ª Conversa(s) sobre Banda Desenhada: José Ruy

Após a inauguração no final do ano passado, a Bedeteca José de Matos-Cruz, incluída na Biblioteca Municipal de São Domingos de Rana, dá início à sua programação nas lides da arte sequencial e demais àreas de afinidade, com a rúbrica Conversa(s) sobre Banda Desenhada, tendo como primeiro convidado o mestre José Ruy, num encontro com moderação por José de Matos-Cruz. A entrada é gratuita e agradece-se a divulgação da iniciativa.

quarta-feira, setembro 07, 2016

IMAGINÁRiO #626

José de Matos-Cruz | 08 Setembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

ALTERNATIVAS
Um lendário criador dos quadradinhos americanos, Stan Lee - pai de Spiderman, Hulk ou X-Men - foi, em 2001, homenageado pelos DC Comics, com a fascinante vertente Just Imagine. Tendo como base o conceito e o carácter de heróis primordiais, o celebrado artista é colocado em virtual aliança, com alguns maiores autores da actualidade, numa perspectiva editorial. Assim, Just Imagine Stan Lee With Jim Lee Creating Wonder Woman considera o fenomenal fundador da WildStorm, para apresentar uma bela e brava justiceira, em acção na selva do Perú. Quando a sua terra natal é espoliada dos tesouros ancestrais, a idealista Maria Mendonza serve-se dum artefacto mágico para adquirir os extraordinários poderes de Wonder Woman, combatendo o cruel e odiado Señor Gómez - também responsável pela morte de seu pai, um prestigiado juíz… Imaginada pela dupla Lee - a propósito, não há parentesco entre Stan e Jim - esta aventura exótica, empolgante, culmina com Gómez transformado pelo sinistro Reverendo Darrke numa criatura ainda mais pérfida e fatídica!
IMAG.1-3-5-18-20-23-27-28-40-45-47-74-98-110-114-133-148-155-199-203-217-219-248-372-416-448-461-477-508-609


VISTORiA
A Graça

¨Que harmonia suave
É esta, que na mente
Eu sinto murmurar,
Ora profunda e grave,
Ora meiga e cadente,
Ora que faz chorar?
Porque da morte a sombra,
Que para mim em tudo
Negra se reproduz,
Se aclara, e desassombra
Seu gesto carrancudo,
Banhada em branda luz?
Porque no coração
Não sinto pesar tanto
O férreo pé da dor,
E o hino da oração,
Em vez de irado canto,
Me pede íntimo ardor?
És tu, meu anjo, cuja voz divina
Vem consolar a solidão do enfermo,
E a contemplar com placidez o ensina
De curta vida o derradeiro termo?
Oh, sim!, és tu, que na infantil idade,
Da aurora à frouxa luz,
Me dizias: «Acorda, inocentinho,
Faz o sinal da Cruz.»
És tu, que eu via em sonhos, nesses anos
De inda puro sonhar,
Em nuvem d’ouro e púrpura descendo
Coas roupas a alvejar.
És tu, és tu!, que ao pôr do Sol, na veiga,
Junto ao bosque fremente,
Me contavas mistérios, harmonias
Dos Céus, do mar dormente.
És tu, és tu!, que, lá, nesta alma absorta
Modulavas o canto,
Que de noite, ao luar, sozinho erguia
Ao Deus três vezes santo.
És tu, que eu esqueci na idade ardente
Das paixões juvenis,
E que voltas a mim, sincero amigo,
Quando sou infeliz.
Sinta a tua voz de novo,
Que me revoca a Deus:
Inspira-me a esperança,
Que te seguiu dos Céus!…
Alexandre Herculano

Os Cavaleiros de Almacave 

De capa e volta, de calção e vara,
hei-de ir, Procurador do meu Concelho,
falar ao Senhor-Rey com fala clara,
dizer-lhe uma oratória que aparelho!

Cortes-Gerais. O Reyno se prepara
p'ra ouvir a voz dos Povos em conselho,
Monforte ao Banco-Doze me mandara.
Real! Real! e incline-se o joelho.

Ó Deus de Ourique, cumpre o prometido!
Leva-nos contra os novos muçulmanos,
nós somos livres, livre é o nosso Rey!

Eu reconheço-lhe o morrião florido.
Onde eu me achava há setecentos anos
com ele, já erguido, me encontrei!
António Sardinha
- Epopeia da Planície
MEMÓRiA

09SET1887-1925 - António Maria de Sousa Sardinha, aliás António Sardinha: Poeta e ensaísta português, membro do Integralismo Lusitano - «Meu coração de lusitano antigo / bateu às portas de Toledo, a estranha. / Mais roto e ensanguentado que um mendigo, / só a saudade os passos lhe acompanha. // Pois a saudade ali me deu abrigo, / ao pé do Tejo que a Toledo banha. / Levava os dias a falar comigo, / como um pastor com outro na montanha. // Em todo o mundo há terra portuguesa, / desde que a alma a tenha na lembrança / e a sirva sempre com fervor igual. // Talvez por isso, em horas de tristeza, / eu pude à sua amada semelhança /criar p’ra mim um novo Portugal!» (Memória - Na Corte da Saudade).IMAG.55-498

1782-10SET1857 - Sophia Petrovna Soïmonov, aliás Anne Sophie Swetchine: Mística e escritora russa, radicada em França - «A cada passo, os homens invocam a justiça, quando a justiça deveria fazê-los tremer». IMAG.395

¨ 10SET1897-1962 - Georges Albert Maurice Victor Bataille, aliás Georges Bataille: Escritor e intelectual francês, nas áreas da antropologia, filosofia, sociologia e história da arte - «Um homem que ignora o erotismo, é tão estranho como um homem sem experiência interior». IMAG.13

11SET1917-2012 - Herbert Charles Angelo Kuchacevich von Schluderbacheru, aliás Herbert Lom: Actor inglês de origem austro-húngara, personificou o Comissário Charles Dreyfus na série A Pantera Cor-de-Rosa (a partir de 1964), sendo protagonista Peter Sellers - «Ele era uma pessoa magnífica, mas muito cruel com as crianças. Comigo, acontece o contrário. São os meus filhos que me tratam mal» (2004). IMAG.429

¨ 1810-13SET1877 - Alexandre Herculano de Carvalho e Araújo, aliás Alexandre Herculano: Ficcionista, poeta, dramaturgo, historiador e jornalista português - «Eu não me envergonho de corrigir os meus erros e mudar de opinião, porque não me envergonho de raciocinar e aprender». IMAG.38-95-146-220-268-309-312-321-338-384-412-416-430-489-541-544-552-618

¯27MAI1877-14SET1927 - Angela Isadora Duncan, aliás Isadora Duncan: Bailarina americana - «Quem era eu, o menino que vivia das sopas de Cerqueira César, para afrontar de perto, sozinho e a horas mortas, o gênio andejo da mulher despida que levara o escândalo de seu espírito e o fascínio de sua carne às cinco partes do mundo?» (Oswald de Andrade - Um Homem Sem Profissão).

15SET1907-2004 - Vina Fay Wray, aliás Fay Wray: Actriz do cinema americano, nascida no Canadá, protagonista feminina de King Kong (1933 - Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack) - «King Kong foi o meu namorado mais impressionante». IMAG.7-94


VISTORiA

O Erotismo Na Experiência Interior

¨ O erotismo, aspecto imediato da experiência interior, opondo-se à sexualidade animal
O erotismo é um dos aspectos da vida interior do homem. Nisso nos enganamos, porque ele procura constantemente fora um objecto de desejo. Mas este objecto responde à interioridade do desejo. A escolha de um objecto depende sempre dos gostos pessoais do indivíduo: mesmo se ela recai sobre a mulher que a maioria teria escolhido, o que entra em jogo é frequentemente um aspecto indizível, não uma qualidade objectiva dessa mulher, que talvez não tivesse, se ela não nos tocasse o ser interior, nada que nos forçasse a escolhê-la. Em resumo, mesmo estando de acordo com a maioria, a escolha humana difere da do animal: ela apela para essa mobilidade interior, infinitamente complexa, que é típica do homem. O animal tem ele próprio uma vida subjectiva, mas essa vida, parece, é-lhe dada, como acontece com os objectos sem vida, de uma vez por todas. O erotismo do homem difere da sexualidade animal justamente no ponto em que ele põe a vida interior em questão. O erotismo é na consciência do homem aquilo que põe nele o ser em questão. A própria sexualidade animal introduz um desequilíbrio e este desequilíbrio ameaça a vida, mas o animal não o sabe. Nele nada se abre que se assemelhe com uma questão.
Seja como for, se o erotismo é a actividade sexual do homem, é-o na medida em que ela difere da dos animais. A actividade sexual dos homens não é necessariamente erótica. Ela o é sempre que não for rudimentar, que não for simplesmente animal.
Georges Bataille
- O Erotismo (1957, excerto
- Tradução de Antonio Carlos Viana)
CALENDÁRiO

¢14MAI-04SET2016 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta Quasi Tutto - exposição de pintura e desenho de Giorgio Griffa, sendo curador Andrea Bellini.

¢17JUN-28AGO2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta No Limite da Forma - exposição de escultura de Pedro Figueiredo.

23JUN-26AGO2016 - Na Bedeteca da Amadora, Clube Português de Banda Desenhada / CPBD apresenta Augusto Trigo e Jorge Magalhães - exposição da obra conjunta do ilustrador e do argumentista. IMAG.126-129-132-149-160-234-256-385-414-416-430-453-550

BREVÁRiO

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Sistema Solar edita O Nascimento da Arte de Georges Bataille (1897-1962); tradução de Aníbal Fernandes.

segunda-feira, setembro 05, 2016

IMAGINÁRiO #625

José de Matos-Cruz | 01 Setembro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

AUDIOVISUAL
Entendido como um fenómeno interactivo, sob a chancela de Hollywood, o audiovisual transformou a indústria artística simbolizada no cinema. As fitas tornaram-se produtos híbridos quanto a temas ou géneros, tendo em vista um agrado espontâneo por toda a gente, com uma uniformização dos meios - cinema, televisão, digital - interligados para uma exploração sucedânea e globalizadora. Mas, paralelamente, os imaginários sagrados tornaram-se mais familiares, disponíveis, contribuindo tal imediatez ou acessibilidade para uma democratização e o refinamento da cinefilia. Assim se instituiu a edição videográfica. Mas nem por isso os mais exigentes deixarão de protestar que os filmes foram concebidos para serem vistos numa sala, em grande ecrã. Claro que sim, esse é o objectivo prioritário. Porém, há que atenuar inconvenientes e realçar vantagens. Os mais elitistas continuam - por exemplo - a insistir que uma obra dos primórdios apenas poderá ser apreciada no sortilégio das cópias originais em nitrato. Em contrapartida, a transição do VHS para o DVD não só melhorou a qualidade, como diversificaria o manancial sobre as imagens animadas…

CALENDÁRiO

¢19MAI-27JUL2016 - Em Lisboa, Galeria Pedro Cera apresenta LL/EE - exposição de escultura e objectos de Rachel Foullon & Matt Keegan (EUA).

¢28MAI-28AGO2016 - Em Lisboa, Pavilhão Branco do Museu da Cidade apresenta Mise En Abyme - exposição de pintura de Eduardo Batarda, sendo curador Julião Sarmento. IMAG.146-388-515

1942-03JUN2016 - Cassius Marcellus Clay Jr, aliás Cassius Clay, aliás Muhammad Ali: Pugilista americano, activista político e religioso, campeão do mundo de boxe de pesos pesados em 1964, 1974 e 1978 - «Flutuo como uma borboleta e pico como uma abelha… As mãos não podem chegar ao que os olhos não vêem».

09JUN-03JUL2016 - Em Setúbal, Galeria Municipal do 11 apresenta Exposição Retrospectica de Luís Filipe de Abreu - em desenho e ilustração.

VISTORiA

Lisboa onde todos os que bebem água, não tem mais de um estreito chafariz para tanta gente… Deve de trazer a Lisboa Água Livre que de duas léguas dela trouxeram os Romanos, por condutas debaixo da terra, subterrâneos furando muitos montes e com muito gasto e trabalho…
Francisco de Holanda
- Da Fábrica Que Falece à Cidade de Lisboa (1571 - excerto)
Interrogação

¨Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno…
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro o olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo…
Eu não sei que mudança a minha alma pressente…
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
Camilo Pessanha

MEMÓRiA

¨ 01SET1887-1961 - Frédéric Louis Sauser, aliás Blaise Cendrars: Poeta e ficcionista suíço - «Interlaken. A estação de Marte… Elevadores sobem e descem. Fortes projectores acendem-se. Sinais luminosos. Telegrafia óptica colorida. O comboio que parte, é agarrado e, depois, arremessado pela funda dos dínamos gigantes. Um relâmpago ultra-violeta. Desenrola-se uma espiral. O comboio já partiu. Vemos o seu farol traseiro desaparecer no céu estrelado. Os sinais luminosos redobram de intensidade.» (O Fim do Mundo Filmado Pelo Anjo N.-D.). IMAG.68

02SET1907-1993 - Hermínia Silva Leite Guerreiro, aliás Hermínia Silva: Fadista e actriz portuguesa - «Desde que me entendo que gostei de cantar. E o fado, cantava­ o a todo o mo­mento, e por toda a parte: na rua, em casa, na escola, desde que aos seis anos comecei a frequentar a escola… O meu fado foi sempre de revista, de teatro». IMAG.150-371-422

02SET1917-2013 - Armando Trovaioli: Maestro e pianista italiano, compositor cinematográfico - para filmes de realizadores como Dino Risi e Alberto Lattuada. IMAG.454

¯1926-03SET1987 - Morton Feldman: Compositor americano - «Fala-se das suas peças como se fala das profundezas de um mar gelado» (JS). IMAG.502-546

1843-04SET1907 - Edvard Hagerup Grieg, aliás Edvard Grieg: Compositor norueguês - «E porque não lembrar a sensação maravilhosa, quase mística de, pela primeira vez, estender os braços até ao piano, e começar a criar? Não uma melodia, ainda longe disso». IMAG.163-367-422-451-533-551

04SET1927-2011 - John McCarthy: Matemático americano, pioneiro da inteligência artificial e cientista informático - «A inteligência artificial lida com objectos e predicados que não admitem simples e meras definições. Cabe-lhe aproximar teorias e carências para estudar a relação entre entidades e diferentes níveis de abordagem». IMAG.383

05SET1847-1882 - Jesse Woodson James, aliás Jesse James: Bandoleiro americano, assaltante de bancos e comboios - «Apesar de tudo, continuo a ter esperança… Durante a Guerra, fui ferido sete vezes, e uma outra no mesmo pulmão… Não acredito que vá morrer». IMAG.365-467

¨ 1798-05SET1857 - Isidore Auguste Marie François Xavier Comte, aliás Auguste Comte: Filósofo francês, fundador da Sociologia - «A moral consiste em fazer prevalecer os instintos simpáticos sobre os impulsos egoístas».

05SET1857-1935 - Konstantin Eduardovich Tsiolkovsky: Físico russo, pioneiro no estudo da cosmonáutica - «A Terra é o berço da Humanidade, mas ninguém pode viver no berço para sempre». IMAG.531

06SET1517-1584 - Francisco de Holanda: Escritor e ensaísta português, arquitecto e pintor, bolseiro em Roma, discípulo de Miguel Ângelo, vulto do Renascimento, autor de Da Fábrica Que Falece à Cidade de Lisboa. IMAG.471

¨ 07SET1867-1926 - Camilo de Almeida Pessanha, aliás Camilo Pessanha: Escritor português, poeta simbolista - «Ao meu coração um peso de ferro / Eu hei-de prender na volta do mar. / Ao meu coração um peso de ferro… / Lançá-lo ao mar. // Quem vai embarcar, que vai degredado, / As penas do amor não queira levar… / Marujos, erguei o cofre pesado, / Lançai-o ao mar.» (Canção da Partida - excerto). IMAG.5-72-307-326-553

ANTIQUÁRiO

03SET1907 - No Theatro do Príncipe Real, estreia O Rapto de Uma Actriz de Lino Ferreira - primeiro filme português de ficção, sketch integrado na revista Ó da Guarda!, sendo protagonistas Lucinda do Carmo, Carlos Leal e Nascimento Fernandes. IMAG.7-108-145-209-257

COMENTÁRiO

Autêntica, igual a si própria, fruto da sua vivência, revela uma subtileza interpretativa e de fino recorte vocal. A sua voz parece uma cascata de água fresca. Nunca ninguém tentou imitá-la, ou sequer aproximar-se do seu estilo.
A sua capacidade de criar melodias dentro da melodia tornaram-na única, e de tal forma extraordinária que, se foi grande entre nós, sê-lo-ia em qualquer outra parte do mundo. Hermínia tinha uma capacidade inultrapassável de improviso, tanto a cantar como no teatro onde foi aclamada pelas plateias. O público adorava-a, escreveram os jornais que a adorava até ao fanatismo.
Hermínia foi essencialmente uma criativa! Criava sempre algo de novo em cada fado que cantava mesmo que o cantasse todas as noites e que todos o conhecêssemos.
N.L.
BREVIÁRiO

¯Naxos edita em CD, José Vianna da Motta [1868-1948]: À Pátria - Sinfonia, Inês de Castro, Chula, Three Impromptus, Vito por Royal Liverpool Philharmonic, sob a direcção de Álvaro Cassuto. IMAG.48-115-158-175-182-187-513

¨ Biblioteca Nacional de Portugal/BNP edita Diários 1883-93 - José Vianna da Motta (1868-1948) de Christine Wassermann Beirão, José Manuel Beirão e Elvira Archer.