quinta-feira, outubro 20, 2016

IMAGINÁRiO #632

José de Matos-Cruz | 24 Outubro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO


CREPÚSCULOS

Agente da CIA treinado na violência e na destruição, Al Simmons trabalhou para o governo americano, em missões que provocariam o massacre de inocentes. Quando põe em causa tais proezas - já casado e feliz, esperando abandonar a funesta profissão - Simmons é vitima de traição e deslealdade dos superiores, representados no nefando chefe Jason Wynn, acabando por desaparecer num terrível holocausto. Até que as forças do submundo enviam a sua alma de volta à Terra, mas já não é o mesmo. Nem sequer uma pessoa. Transformou-se num monstro, com aspecto demoníaco e ávido de punição. Renascido, inexorável, sem princípios aparentes, Spawn tem de lutar contra o negro desígnio que lhe deu nova vida, de modo a evitar a chegada do Armagedão - pelo seu próprio regresso… Spawn foi concebido e ilustrado por Todd McFarlane, um prestigiado artista de banda desenhada em viragem de carreira, pelo início dos anos ’90, após ter reactivado o futuro de vigilantes clássicos, como Spider-Man dos Marvel Comics. Sob chancela Image Comics, Spawn trouxe consigo a materialização de um super-herói anacrónico e horripilante, cuja acção dilacera os limites do bem e do mal - um universo em transe, mutante, no qual se tornou este mundo, entre os sortilégios demoníacos e um paraíso idealizado. IMAG.3-38




CALENDÁRiO



03JUN-30SET2016 - No Estoril, Fundação Luís I apresenta no Espaço Memória dos Exílios, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores/SPA, Desassossegos da Memória - exposição de Inácio Ludgero (fotografia) e Rosa Llórden (pintura). IMAG.629



1921-31JUL2016 - Mário Alberto Freire Moniz Pereira, aliás Professor Moniz Pereira, aliás Senhor Atletismo: Desportista português, atleta, praticante de várias modalidades, treinador, professor, autor musical e pianista - «Dêem-nos as melhores condições, que obteremos iguais resultados» (1975).



03AGO-17SET2016 - Câmara Municipal de Braga apresenta, em parceria com o Núcleo Fotográfico do Arquivo Municipal de Lisboa, a exposição de fotografia Braga de Artur Pastor (1922-1999), na Casa dos Crivos (A Alma e as Gentes) e no Museu da Imagem (Os Lugares da Memória).



1923-17AGO2016 - Arthur Hiller: Cineasta americano de origem canadense, director de televisão, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood (1993), realizador de Uma História de Amor / Love Story (1970) - «Contar histórias faz parte da condição humana. Os seus fundamentos são cerebrais, emocionais, colectivos, psicológicos. Um dos objectivos do narrador é insinuar no espírito do público algo que o sensibilize e, sobretudo, atraia a um nível que lhe seja irresistível» (2004). IMAG.117-294



18AGO-23SET2016 - Em Lisboa, Instituto Cultural Romeno apresenta O Jardim Com Anjos - exposição de escultura, cerâmica e pintura de Silvia Radu.



10SET2016 - Em Lisboa, e integrado no Festival Motel X, São Jorge exibe O Segredo das Pedras Vivas (2016) - filme de longa metragem realizado por António de Macedo, em remodelação da sua série televisiva O Altar dos Holocaustos (1992), produzida por Cinequanon; imagem restaurada a partir dos negativos originais, e novos som, música e montagem, a cargo de Kintop. IMAG.12-24-63-96-109-120-135-158-167-180-197-224-290-358-380-413-434-511-521-548



PARLATÓRiO

Sinto, por detrás do destino trágico do homem moderno, a natureza bela e eterna que não se interessa de maneira nenhuma pelas nossas tragédias efémeras. Somos sufocados pela angústia, não respiramos, sentimos, mais do que nunca, a necessidade de abrir uma pequena janela para ver, em um breve clarão, o céu, as estrelas, o mar, a primavera: mas, sobre tudo, a pequena janela fecha-se, e ficamos novamente perante os demónios das trevas que nos combatem. Lançar um olhar breve e violento sobre a natureza, entre dois gritos de luta e de angústia, torna-se cada vez mais, eu creio, uma fuga indispensável em direcção a um paraíso perdido. Mas esse olhar deve ser muito rápido, pois não temos mais tempo para nos determos com descrições detalhadas.

Nikos Kazantzákis (1957)

MEMÓRiA



1883-26OUT1957 - Nikos Kazantzákis: Ficcionista, poeta e pensador grego - «Atingir o homem do seu país, até chegar ao homem sem fronteiras, francês, grego ou chinês, o homem simplesmente, eis qual deve ser a ambição suprema do romancista. Acrescentemos algo importante: não podemos atingir o homem de todos os países, sem colher a sua essência no homem do nosso país». IMAG.10-69-152



1912-30OUT1997 - Samuel Michael Fuller, aliás Samuel Fuller: Cineasta e produtor americano - «Na guerra, só existe uma glória: sobreviver… O filme é um campo de batalha, com amor, ódio, violência, acção, morte… Numa palavra, emoção!». IMAG.127-206



VISTORiA



Um Grande Português – Origem do Conto do Vigário


Vivia há já não poucos anos, algures, num concelho do Ribatejo, um pequeno lavrador, e negociante de gado, chamado Manuel Peres Vigário.

Da sua qualidade, como diriam os psicólogos práticos, falará o bastante a circunstância que dá princípio a esta narrativa. Chegou uma vez ao pé dele certo fabricante ilegal de notas falsas, e disse-lhe: «Sr. Vigário, tenho aqui umas notazinhas de cem mil réis que me falta passar. O senhor quer? Largo-lhas por vinte mil réis cada uma.» «Deixa ver», disse o Vigário; e depois, reparando logo que eram imperfeitíssimas, rejeitou-as: «Para que quero eu isso?», disse; «isso nem a cegos se passa.» O outro, porém, insistiu; Vigário cedeu um pouco regateando; por fim fez-se negócio de vinte notas, a dez mil réis cada uma.

Sucedeu que dali a dias tinha o Vigário que pagar a uns irmãos negociantes de gado como ele a diferença de uma conta, no valor certo de um conto de réis. No primeiro dia da feira, em a qual se deveria efectuar o pagamento, estavam os dois irmãos jantando numa taberna escura da localidade, quando surgiu pela porta, cambaleando de bêbado, o Manuel Peres Vigário. Sentou-se à mesa deles, e pediu vinho. Daí a um tempo, depois de vária conversa, pouco inteligível da sua parte, lembrou que tinha que pagar-lhes. E, puxando da carteira, perguntou se importavam de receber tudo em notas de cinquenta mil réis. Eles disseram que não, e, como a carteira nesse momento se entreabrisse, o mais vigilante dos dois chamou, com um olhar rápido, a atenção do irmão para as notas, que se via que eram de cem. Houve então a troca de outro olhar.

O Manuel Peres, com lentidão, contou tremulamente vinte notas, que entregou. Um dos irmãos guardou-as logo, tendo-as visto contar, nem se perdeu em olhar mais para elas. O vigário continuou a conversa, e, várias vezes, pediu e bebeu mais vinho. Depois, por natural efeito da bebedeira progressiva, disse que queria ter um recibo. Não era uso, mas nenhum dos irmãos fez questão. Ditava ele o recibo, disse, pois queria as coisas todas certas. E ditou o recibo – um recibo de bêbedo, redundante e absurdo: de como em tal dia, a tais horas, na taberna de fulano, e «estando nós a jantar» (e por ali fora com toda a prolixidade frouxa do bêbedo…), tinham eles recebido de Manuel Peres Vigário, do lugar de qualquer coisa, em pagamento de não sei quê, a quantia de um conto de réis em notas de cinquenta mil réis. O recibo foi datado, foi selado, foi assinado. O Vigário meteu-o na carteira, demorou-se mais um pouco, bebeu ainda mais vinho, e daí a um tempo foi-se embora.

Quando, no próprio dia ou no outro, houve ocasião de se trocar a primeira nota, o que ia a recebê-la devolveu-a logo, por escarradamente falsa, e o mesmo fez à segunda e à terceira… E os irmãos, olhando então verdadeiramente para as notas, viram que nem a cegos se poderiam passar.

Queixaram-se à polícia, e foi chamado o Manuel Peres, que, ouvindo atónito o caso, ergueu as mãos ao céu em graças da bebedeira providencial que o havia colhido no dia do pagamento. Sem isso, disse, talvez, embora inocente, estivesse perdido.

Se não fosse ela, explicou, nem pediria recibo, nem com certeza o pediria como aquele que tinha, e apresentou, assinado pelos dois irmãos, e que provava bem que tinha feito o pagamento em notas de cinquenta mil réis. «E se eu tivesse pago em notas de cem», rematou o Vigário, «nem eu estava tão bêbedo que pagasse vinte, como estes senhores dizem que têm, nem muito menos eles, que são homens honrados, mas receberiam.» E, como era de justiça foi mandado em paz.

O caso, porém, não pôde ficar secreto; pouco a pouco se espalhou. E a história do «conto de réis do Manuel Vigário» passou, abreviada, para a imortalidade quotidiana, esquecida já da sua origem.

Os imperfeitíssimos imitadores, pessoais como políticos, do mestre ribatejano nunca chegaram, que eu saiba, a qualquer simulacro digno do estratagema exemplar. Por isso é com ternura que relembro o feito deste grande português, e me figuro, em devaneio, que, se há um céu para os hábeis, como constou que o havia para os bons, ali lhe não deve ter faltado o acolhimento dos próprios grandes mestres da Realidade – nem um leve brilho de olhos de Macchiavelli ou Guicciardini, nem um sorriso momentâneo de George Savile, Marquês de Halifax.

Fernando Pessoa

30OUT1926 - Sol (Lisboa)

BREVIÁRiO



Parceria A.M. Pereira edita As Aventuras de Fernando Pessoa [1888-1935] - Escritor Universal… de Miguel Moreira (texto e desenhos) e CatarinaVerdier (cor).
IMAG.26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-404-417-426-433-450-460-467-491-507-509-524-540-551-556-561-576-593-596-604-605-612-613-617-622



Tinta da China edita Obra Completa de Alberto Caeiro de Fernando Pessoa (1888-1935); organização de Jerónimo Pizarro e Patrício Ferrari.



Sony Classical edita em CD, Utopia Triumphans por Huelgas Ensemble, sob a direcção de Paul van Nevel.



Tinta da China edita Histórias de Nova Iorque de Enric González; tradução de Raquel Mouta.
 

quarta-feira, outubro 12, 2016

IMAGINÁRiO #631

José de Matos-Cruz | 16 Outubro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

INTERVENÇÃO
A via documental, com uma ampla e significativa expressão no cinema português, adquiriu primordial alcance e predomínio pela Revolução de Abril, com reflexos até finais dos anos ’70 do Século XX. Razões específicas motivaram tal fenómeno: o fim da censura criou forte apetência para a abordagem de temas e assuntos até então interditos; gerou-se um enorme interesse em registar e difundir uma realidade social, política e económica sob profundas transformações. Pela visão testemunhatória, em detrimento da leitura alegórica, o cinema sobressaiu como veículo privilegiado para reportar o respectivo contexto e análise dialéctica - um importante mecanismo para influenciar os centros de decisão, ou alterar mentalidades através de uma informação popular. Reflectia-se, assim, uma opção radical: acções de rua, manifestações urbanas, reivindicações sindicais, sessões de esclarecimento, crises laborais em fábricas, greves e comícios partidários, a reforma agrária, uma denúncia de obscurantismo religioso, emancipação feminina, marginalidade juvenil, libertação sexual - eis os temas preponderantes em filmes e séries sobre o Portugal de Abril.
Paralelamente às obras de montagem, com materiais de arquivo - projectando uma reflexão sobre o regime deposto e os seus problemas fulcrais (Estado Novo - guerra colonial, emigração) ou as principais ocorrências durante a Revolução dos Cravos. Eis o que ficou conhecido por cinema de intervenção, com uma tónica militante ou de consciencialização.

CALENDÁRiO

04JUL-31DEZ2016 - Em Chaves, inaugura o Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, com a exposição Nadir Afonso [1920-2013] - Chaves Para Uma Obra, sendo curador Bernardo Pinto de Almeida. IMAG.165-323-393-494-604

15JUL-31JUL2016 - Em Lisboa, Espaço Chiado 8 - Arte Contemporânea apresenta Anatomia e Boxe - exposição de fotografia de Jorge Molder, pertencente à Colecção António Cachola, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.165-237-252-475-491-505-570-612

1934-19JUL2016 - Garry Kent Marsciarelli, aliás Garry Marshall: Cineasta americano, actor, produtor e argumentista, realizador de Pretty Woman / Um Sonho de Mulher (1990) - «Para aqueles que não têm acesso a um filme ou a uma peça teatral, creio que a televisão continua a ser o único meio de entretenimento e eficaz enriquecimento social».

21JUL-23OUT2016 - Em Gaia, Arrábida Shopping apresenta Retratos do Cinema Português - Membros da Academia Portuguesa de Cinema - exposição de fotografia de José Pinto Ribeiro.

21JUL-31DEZ2016 - Em Óbidos, Museu Municipal apresenta Dom Quixote - exposição de gravura, serigrafia e desenho de Júlio Pomar, assinalando os quatrocentos anos da morte de Miguel de Cervantes (1547-1616), e sendo curador Alexandre Pomar. IMAG.19-312-449-495-505-534-552-553-562-582-596-604-610-620

22JUL-15OUT - Em Matosinhos, Galeria Municipal apresenta No Fio da Respiração - exposição de pintura, escultura e desenho (1966-2011) de Julião Sarmento, sendo comissário Miguel von Hafe Pérez. IMAG.33-341-427-437-524-554-625

23JUL-30SET2016 - Em Évora, Biblioteca Pública apresenta Os Testamentos de Orfeu - exposição de «obras (pinturas, cartazes, esculturinhas) onde abundam textos dos seus membros, colagens e abusos sobre eles, ou pequenos ensaios» de Pedro Proença. IMAG.393-561-591

27JUL-11SET2016 - Em Évora, Galeria da Casa de Burgos apresenta (a)Riscar o Património: Exposição de Desenhos - iniciativa da Direção-Geral do Património Cultural/DGPC, com apoio dos Urban Sketchers Portugal. IMAG.544

28JUL-18SET2016 - Em Cascais, Casa das Histórias Paula Rego apresenta 1ª Edição | Prémio Paula Rego - exposição de Estudantes da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa.

30JUL-11SET2016 - Em Faro, Museu Municipal expõe Esconjurações Na Colecção Millennium BCP e Noutras Obras de José de Guimarães, sendo curador Nuno Faria. IMAG.393-603

MEMÓRiA

16OUT1927-2015 - Günter Wilhelm Grass, aliás Günter Grass: Escritor e artista plástico alemão, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1999) - «Quando o Diabo não está para aí virado, a virtude triunfa. Mas, não terá o Diabo, de vez em quando, o direito de não estar para aí virado?» (O Tambor - 1959). IMAG.212-553-564

1905-17OUT1967 - José Galhardo: Escritor teatral, letrista para teatro e cinema, sócio fundador da Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais Portugueses, advogado, especialista em Direito de Autor, filho de Luís Galhardo e primo de Vasco Santana - «Um dos autores maiores do panorama do espectáculo em Portugal no século XX» (Jorge Leitão Ramos - Dicionário do Cinema Português 1895-1961). IMAG.95-145-307-518

21OUT1917-1993 - John Birks Gillespie, aliás Dizzy Gillespie: Trompetista norte-americano de bebop e jazz moderno - «Na minha vida, tive duas grandes revelações: a primeira, na música, foi o bebop; a segunda, na medicina, a descoberta da homeopatia». IMAG.401-436

22OUT1887-1920 - John Silas Reed, aliás John Reed: Escritor e activista americano, autor de Dez Dias Que Abalaram o Mundo (1919) - «Eu soube, então, e não foi pelos livros, como os trabalhadores produzem toda a riqueza do mundo, e que esta vai para aqueles que nada fazem para merecê-la. Vi as batalhas bem de perto, vi os meus companheiros serem derrotados e mortos, corri pelo deserto para salvar a minha vida».

22OUT1917-2013 - Joan de Beauvoir de Havilland, aliás Joan Fontaine: Actriz americana, distinguida com o Oscar por Suspeita / Suspicion (1941), irmã de Olívia de Havilland - «Eu adoro e respeito a minha irmã, mas não procuramos a companhia uma da outra. Somos completamente diferentes». IMAG.351-495

23OUT1817-1875 - Pierre Athanase Larousse: Filólogo, enciclopedista, pedagogo e editor francês - concebeu «um livro (em) que fosse possível encontrar, por ordem alfabética, todo o conhecimento que actualmente enriquece o espírito humano», concretizado no Grande Dicionário Universal (1863). IMAG.112-497

23OUT1917-2011 - Júlio Martins Resende da Silva Dias, aliás Júlio Resende: Artista plástico português, distinguido com o Prémio AICA/Associação Internacional de Críticos de Arte - «Às vezes, pergunto-me: tu achas que valeu a pena? Essas dúvidas também doem muito. Não sei se valeu a pena. O futuro o dirá, talvez». IMAG.132-168-376-393-548-553-604

1905-23OUT1957 - Christian Dior: Estilista francês, vestiu as actrizes Brigitte Bardot e Marlene Dietrich, a cantora Edith Piaf ou a princesa Grace do Mónaco. IMAG.26-499

TRAJECTÓRiA

Júlio Resende
Júlio Resende diplomou-se em Pintura, em 1945, pela Escola Superior de Belas-Artes do Porto, onde foi discípulo de Dórdio Gomes. Fez a sua primeira aparição pública em 1944, na I Exposição dos Independentes. Em 1948, partiu para Paris, recebendo formação de Duco de la Haix e de Otto Friez. O trabalho produzido em terras gaulesas é exposto em Portugal, em 1949, e as propostas actualizadas que Resende demonstra têm reflexo nos artistas portugueses, definindo a sua vocação de expressionista. Assimilou algum cubismo, que vai construir na sua fase alentejana, e mais tarde, no Porto, desenvolveu uma pintura caracterizada pela plasticidade e pela dinâmica, de malhas triangulares ou quadrangulares, aproximando-se de forma progressiva da não-figuração. Do geometrismo ao não-figurativismo, do gestualismo ao neofigurativo, a sua arte desenvolveu-se numa encruzilhada de pesquisas, cuja dominante será sempre expressionista e lírica. Pintor de transição entre o figurativo e o abstracto, distingue-se também como professor, trazendo à Escola do Porto um novo espírito, aos alunos que a frequentaram na década de 1960. A obra pictórica de Júlio Resende revela como percebeu a pintura europeia, pois a observou, experimentou e soube transmitir aos pintores e aos alunos que formou na Escola Superior de Belas-Artes do Porto. Uma das suas obras mais conhecidas é Ribeira Negra, no Porto.

BREVIÁRiO

Dom Quixote edita Porquê Ler os Clássicos? de Italo Calvino (1923-1985); tradução de José Colaço Barreiros. IMAG.51-439-482-531

Sémele edita em CD, sob chancela Pan, Elisabeth Jacquet de la Guerre [1665-1729]: Chamber Music por Musica Fiorita, sob a direcção de Daniela Dolci.

Livros do Brasil edita A Aldeia de William Faulkner (1897-1972); tradução de Jorge Sampaio. IMAG.86-153-231-232-305-340-356-377-438-578-628

Devir edita A Liga dos Cavalheiros Extraordinários: Século de Alan Moore & Kevin O’Neill; tradução de Ana Raquel Santos e Paulo Salgado Moreira. IMAG.35

terça-feira, outubro 04, 2016

IMAGINÁRiO #630

José de Matos-Cruz | 08 Outubro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

CONFLITOS
Em tempos, a DC anunciara o lançamento, pela vertente Vertigo, de abordagens do escritor Garth Ennis sobre os autênticos horrores da II Guerra Mundial. Enfim, apresentou War Story: Screaming Eagles (2001) - com ilustração de Dave Gibbons, o lendário criador de Watchmen.
Como se presume, eis um impressionante testemunho sobre as mitificadas façanhas bélicas, cuja revelação dificilmente será esquecida. Tudo começa com um antigo combatente, ainda obcecado por esses dias de fúria e demolição. Os seus filhos e netos sempre quiseram saber o que realmente se passou, como sobreviveu, e do que foi ele precária testemunha ou protagonista eventual. Então, e escutado com a maior atenção, conta-lhes uma história. Sobre a Europa devastada, e um bravo sargento que recebe ordens para, com os que restam dos seus homens dizimados, fiscalizarem um castelo remoto, em plena frente germânica. Ali, encontram um fantástico tesouro de bens e valores espoliados pelos nazis, algo que nunca teriam imaginado, durante os selváticos combates que vinham travando. Porém, saberiam agora resistir à mais terrível ameaça - a cobiça humana?
IMAG.8-18-25-28-86-236-286-614

CALENDÁRiO

µ08JUL-25SET2016 - Em Coimbra, Centro de Artes Visuais/CAV apresenta Suspension of Disbelief - exposição de fotografia e vídeo (2009-2016) de António Júlio Duarte, sendo curador Sérgio Mah.

¸07FEV1946-13JUL2016 - Héctor Eduardo Babenco, aliás Héctor Babenco: Cineasta nascido na Argentina, naturalizado brasileiro (1977) e realizador de O Beijo da Mulher-Aranha (1985) - «Contento-me em ser uma pessoa não resolvida, porque acho que, das minhas imperfeições, ainda sairão coisas interessantes». IMAG.398

¸14JUL2016 - NOS Audiovisuais estreia A Canção de Lisboa (2016) de Pedro Varela; com Miguel Guilherme e César Mourão.

µ15JUL-04SET2016 - Em Monsaraz, igreja de Santiago - Galeria de Arte apresenta Imagens de Uma Vida - exposição de fotografia de João Cutileiro, integrada no âmbito da Bienal Cultural Monsaraz Museu Aberto 2016. IMAG.68-532-563-577-579-594

¢21JUL-10SET2016 - Em Lisboa, Casa da Liberdade - Mário Cesariny apresenta Agora Na Ágora - exposição centrada na obra plástica e musical (1991-2016) de Carlos “Zíngaro”, sendo curador Carlos Cabral Nunes. IMAG.247-416-430-448-466

23JUL-25SET2016 - Na Cidadela de Cascais, Casa do Cartoon expõe Cartoons de Augusto Cid - em retrospectiva entre 1993 e 2012. IMAG.45-197-252-279-292-429

¢21JUL-25SET2016 - Em Lisboa, Galerias Municipais apresenta Underground Cinemas & Towering Radios - exposição de escultura, vídeo, som, fotografia, serigrafia e desenho de Ângela Ferreira, sendo curadora Ana Balona de Oliveira. IMAG.427-577

¢29JUL-16OUT2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Kadeiras - exposição/instalação de Dário Vidal. IMAG.388-431-451-454-481

ANUÁRiO

1905 - Em Paris, Mata Hari exibe-se como bailarina exótica a convite de Émile Guimet, famoso coleccionador de arte oriental, perante convidados ilustres - aristocratas, milionários, diplomatas, militares e políticos - convertendo-se em símbolo sexual, fascinante e misterioso, mas recusando-se a destapar os seios, supostamente porque fora mordida por um tigre no mamilo esquerdo, quando era favorita num templo brâmane.

MEMÓRiA

09OUT1907-1982 - Jacques Tatischeff, aliás Jacques Tati: Cineasta francês de origem russa, criador de Sr. Hulot - «Uma das vantagens das boas acções, é que nos engrandecem a alma e predispõem-nos à realização de actividades ainda mais gratificantes». IMAG.225-371-393

1885-09OUT1967 - Emile Salomon Wilhelm Herzog, aliás André Maurois: Romancista, historiador e ensaísta francês - «A morte não pode ser pensada, pois é ausência de pensamento. Temos de viver como se fôssemos eternos». IMAG.524

¯10OUT1917-1982 - Thelonious Sphere Monk, aliás Thelonious Monk: Pianista americano, compositor de jazz - «Costumo dizer, toca à tua maneira. Não toques como o público gosta. Prefere o teu próprio estilo, e deixa que as pessoas acabem por apreciar o que fazes - mesmo que demore quinze ou vinte anos». IMAG.585

1876-15OUT1917 - Margaretha Geertruida Zelle, aliás Mata Hari: Dançarina exótica, aventureira, natural dos Países Baixos, fuzilada por espionagem, como agente dupla de França e da Alemanha - «Foi vítima de um erro judicial. Tinha culpa de ser imoral, uma mulher livre» (Philippe Collas). IMAG.35-93-573



BREVIÁRiO

¨ Assírio & Alvim edita Almada [Negreiros - 1893-1970]- Os Painéis, a Geometria e Tudo (com entrevistas) de António Valdemar. IMAG.84-135-154-173-224-278-292-305-371-413-498-547-561-579-612

¨ Quetzal edita A Zona de Interesse de Martin Amis; tradução de José Vieira de Lima. IMAG.157-313

¯Sémele edita em CD, sob chancela Aeon, Tristan Murail: Le Partage des Eaux - Contes Cruels - Sillages por BBC Symphony Orchestra e Netherlands Radio Philharmonic, sob a direcção de Pierre-André Valade. IMAG.629

¨Assírio & Alvim edita A Sombra do Mar de Armando Silva Carvalho. IMAG.136-338

¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, The French Collection por Piotr Beczala, com Orchestre de l’Opéra National de Lyon, sob a direcção de Alain Altinoglu.

¨ Relógio D’Água edita Hamlet de William Shakespeare (1564-1616); tradução de António Feijó. IMAG.25-26-33-66-79-92-110-131-141-146-164-179-188-193-198-199-202-232-239-322-326-342-366-377-387-404-410-415-443-457-464-471-495-499-531-533-559-561-581

Gradiva edita A Era do Deslumbramento de Richard Holmes; tradução de David Gaspar.

TRAJECTÓRiA

MATA HARI

Margaretha Geertruida Zelle - de nome artístico Mata Hari (ou Olho da Madrugada em malaio), como bailarina exótica - nasceu em Leeuwarden, a 7 de Agosto de 1876. Ainda adolescente, estudou várias línguas, mas teve que lutar pela sobrevivência - pois o pai, um desafogado chapeleiro, abandonou a família calvinista, e a mãe, de origem javanesa, faleceu pouco depois. Após tentativa como professora, em 1895 formalizou um casamento por correspondência com um capitão mais velho, que a maltratava, viveu vários anos nas Índias Ocidentais, e teve dois filhos. Por volta de 1900, divorciada, radicou-se para Paris, onde posou como modelo de pintores e fotógrafos - outrora, seria princesa indonésia ou favorita num templo sagrado de Bali - e logrou notoriedade, a partir de 1905, exibindo-se em danças orientais. Com o tempo, tornou-se cortesã e favorita de influentes personalidades militares e políticas, circulando entre Milão e Berlim. Em 1915, residia na Haia, conhecendo privações em plena Guerra Mundial. De regresso a Paris, investiu nos talentos que a converteram em símbolo erótico, pela sensualidade e mística de um fascínio misterioso, como mulher fatal. Em 1917, foi envolvida numa acusação de espionagem enquanto agente duplo H-21, ao serviço da Alemanha e de França, responsável pela morte de milhares de soldados. Condenada à morte por traição, foi executada em Paris, a 15 de Outubro de 1917. Segundo a lenda, e pouco antes, soltou os lábios num beijo ao pelotão de fuzilamento, cujos membros estariam de olhos vendados, para não sucumbirem aos seus encantos. Em tribunal, ela havia proclamado a sua inocência. À época, Mata Hari terá sido a ingénua e ideal vítima pública - porque a parte vulnerável, ostensiva e manipulável - duma encenação oficial, destinada a atenuar os efeitos do Caso Dreyfus, ou a encobrir outros crimes e escândalos, por culpados impunes e sempre influentes. Em 1932, Greta Garbo imortalizou-a em grande ecrã. Já em 2001, a Holanda solicitou ao Governo gaulês uma reabilitação oficial.

JACQUES TATI

Mais de trinta anos passados sobre a morte de Jacques Tati (1907-1982), persiste um estilo de humor crítico, amável, com a ressurreição em pequeno ecrã, ou voltando ocasional aos rituais na tela - após uma prévia divulgação ampla, por meados da década de ’70, a qual permitiu atrair as jovens gerações e consolidar o prestígio de um dos mais versáteis criadores cómicos. Génio do cinema europeu, com um olhar satírico à vivência americana, tudo se consumou na personalidade excêntrica, solitária e silenciosa do Sr. Hulot. Eu estranhava as suas meias às riscas, o lacinho e aquele chapéu ridículo, mas fascinava-me por fumar cachimbo. Francês de origem russa, nascido Jacques Tatischeff em Pelq, adolescente desportista e artista de music-hall, Jacques Tati abrilhantou várias curtas metragens em 1932-1946, modalidade que escolheu para lançar-se como realizador (L’École de Facteurs, 1947). Depois, Há Festa Na Aldeia (1949), As Férias do Sr. Hulot (1953), O Meu Tio (1958), Play Time - Vida Moderna (1967), Trafic - Sim, Sr. Hulot (1971)…
Fanático da montagem, perdulário durante a rodagem, a partir de uma rigorosa planificação visual, Jacques Tati despediu-se com Parade em 1974. 

terça-feira, setembro 27, 2016

IMAGINÁRiO #629

José de Matos-Cruz | 01 Outubro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

TECNOLOGIA
A consolidação do DVD em Portugal constituiu o fenómeno cinematográfico mais significativo, pelo ano 2000. Para tal contribuiu um expressivo incremento editorial - sobre filmes clássicos e modernos, susceptíveis de agradarem a todos os públicos - além das mais-valias a curto e longo prazo: melhores som e imagem, conteúdos adicionais, qualidade de conservação… e menor ocupação na prateleira.
Quanto ao panorama de estreias, acentuou-se o prodígio tecnológico em grandes espectáculos, revitalizando embora a componente artística. Se tais aspectos caracterizam a estratégia de produção, sob o signo de Hollywood, reflectem também uma adequação a mecanismos uniformes quanto ao audiovisual - com um sugestivo vínculo entre a tradição e a vanguarda, o estilo e a sofisticação, o desempenho e a temática. Ao envolvimento imaginário e animatográfico correspondeu ainda, em termos criativos ou lúdicos, uma expressiva conversão sonora e melódica. Numa realidade cada vez mais virtual, transfigurada, é também curioso - por cá - o triunfo da palavra: em radical exposição narrativa, com o ecrã a negro (Branca de Neve - João César Monteiro), ou celebrando quem a tornou soberana (Palavra e Utopia - Manoel de Oliveira).

CALENDÁRiO

26MAI-29SET2016 - Em Lisboa, Museu Bordalo Pinheiro apresenta Diálogos Imaginados - Rafael Bordalo Pinheiro [1846-1905] e Paula Rego, sendo comissário Pedro Bebiano Braga. IMAG.11-13-22-31-32-43-59-77-98-115-197-199-205-208-236-242-246-258-269-304-325-342-351-357-364-365-370-381-399-416--464-486-489-499-515-517-518-545-555-571-596-597-615-621

1940-04JUL2016 - Abbas Kiarostami: Poeta, fotógrafo e cineasta iraniano, argumentista, produtor e realizador de Através das Oliveiras (1994) - «Existe violência na vida real, mas eu nunca imporia a violência num filme, apenas para atrair público… Em minha opinião, a violência nunca pode justificar-se». IMAG.287

04JUL-28SET2016 - Em Lisboa, Centro Comercial Colombo apresenta Faces of the Stars - exposição de fotografia de Terry O’Neill (GB), sobre de ícones lendários do Século XX, incluindo músicos, actores e outras figuras ilustres.

1925-08JUL2016 - João Ribeiro: Fotojornalista português, detentor da carteira profissional n.º 1 e sócio mais antigo do Sindicato dos Jornalistas - «Revolucionou o Portugal sentado, humanizou a fotografia» (Inácio Ludgero).

09JUL-09OUT2016 - Em Cascais, Fundação D. Luís I expõe, na Casa de Santa Maria, Agatha Ruiz de la Prada em Portugal.

09JUL-31OUT2016 - Em Lisboa, Museu Calouste Gulbenkian - Colecção Moderna apresenta Eu Não Evoluo, Viajo - exposição de desenhos, recortes e ilustrações de José Escada (1934-1980), sendo curadora Rita Fabiana. IMAG.392-486-537-569

15JUL-18SET2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta A Gota e o Ponto - exposição de fotografia de Luiza Menescal (Brasil). 

GALERiA
Agatha Ruiz de la Prada
É um mundo jovem, alegre, livre, transgressor e imensamente criativo que, nascido em Espanha, tem conquistado prestígio em muitos pontos do globo.
Mário Vargas Llosa
VISTORiA

Nas praças da cidade, na sombra de um campanário,
No intervalo do escritório, eu vi o meu povo.
Tinha fome, e eu estava lá a perguntar,
Esta terra é feita para ti e para mim?
Quando andava, eu vi uma placa,
E na placa, tinha escrito Propriedade Privada.
Mas, no reverso, não dizia nada!
Esse lado foi feito para ti e para mim.
Woody Guthrie

MEMÓRiA


02OUT1917-2013 - Óscar Luís de Freitas Lopes, aliás Óscar Lopes: Intelectual e professor português, investigador de literatura e linguística, autor de A Busca de Sentido: Questões de Literatura Portuguesa (1994) - «Aqui em Portugal, sozinho e sem condições de investigação absolutamente nenhumas, consegue produzir a gramática e transformar-se num linguista absolutamente único» (Isabel Pires de Lima). IMAG.241-456

1912-03OUT1967 - Woodrow Wilson Guthrie, aliás Woody Guthrie: Compositor e cantor americano de folk music - «Odeio uma música que nos faz pensar que não valemos nada. Odeio uma música que nos faz pensar que nascemos para perder. Que estamos obrigados a perder. Tais músicas não servem a ninguém. Não servem para nada… Tudo o que podemos testemunhar, é aquilo que nós somos ou que vemos». IMAG.472-491

1850-04OUT1907 - Alfredo Cristiano Keil, aliás Alfredo Keil: Compositor português, artista plástico, poeta, arqueólogo, coleccionador de arte, autor do canto patriótico A Portuguesa, convertido em Hino Nacional, após a instauração da República em Portugal - «Era fina e requintada a sua natureza artística, excepcionalmente vibrante e entusiasta, notamos também que a sua obra creadora se ressentia da dispersão do seu talento e do seu instinto predominante de diletantismo. Poderia ter sido um grande músico ou um paisagista, se se tivesse clausurado em uma d’essas duas artes, para as quais tinha igualmente uma incontestável e espontanea vocação. Mas isso não se coadunava com o feitio caprichoso do seu talento artístico, e não estava na sua mão resistir ás seducções que alternadamente exerciam no seu espírito todas as manifestações do bello. Assim depois de ter feito D. Branca, a Irene e a Serrana, depois de ter assignado os numerosos quadros que pintava tão prodigamente, Keil quis também ser poeta e para isso rimou as páginas de Tojos e Rosmaninhos» (Illustração Portuguesa - 22JUN1908). IMAG.87-161-281

06OUT1887-1965 - Charles-Édouard Jeanneret-Gris, aliás Le Corbusier: Arquitecto, urbanista, pintor e escultor nascido na Suiça, e naturalizado francês (1930) - «A arquitectura deve ser a expressão do nosso tempo, e não um plágio das culturas do passado, tornando-se um ponto de partida para quem queira proporcionar à humanidade um futuro melhor». IMAG.55-149

PARLATÓRiO

Há músicas que nos consideram muito velho ou muito novo, muito gordo ou muito magro, muito feio ou muito isto, muito aquilo. Músicas que nos rebaixam ou nos ridicularizam, pela nossa má sorte ou pelas nossas dificuldades…
Eu cantarei músicas que nos façam sentir orgulhosos de nós e do que fazemos!
- Woody Guthrie

As palavras são armas… Se não me compreenderem, sou eu que não me sei fazer entender.
- —Óscar Lopes

EPISTOLÁRiO

Uma imprensa venal e deformada pela Censura, calunia, não apenas doutrinas, mas também homens. A cada dia que passa vemos democratas honestos e até inteligentes praticar erros que ajudam a essa calúnia, até porque só estando quietinho, sem fazer nada, é que, aparentemente, se não erra. Todavia o nosso povo não perde a confiança em certos democratas que tanto têm errado. Como poderia perdê-la num intelectual a que o Estado já nada pode tirar, excepto a liberdade - e precisamente na ocasião em que, digamos, dois milhares de pessoas lhe prestam a maior e mais espontânea homenagem que um escritor teve no Porto e talvez até no País?
Óscar Lopes
- Carta a Ferreira de Castro (1959)
BREVIÁRiO

Imprensa Nacional edita O Modernismo Português e o Modernismo Brasileiro de Arnaldo Saraiva. IMAG.165

Guilhotina edita O Homem da Guitarra Azul & Outros Poemas de Wallace Stevens (1879-1955); tradução de Luís Quintais. IMAG.103-211-245

Sémele edita em CD, sob chancela Aeon, Tristan Murail: Le Partage des Eaux - Contes Cruels - Sillages por BBC Symphony Orchestra e Netherlands Radio Philharmonic, sob a direcção de Pierre-André Valade.

Guerra & Paz edita A Cidade e as Serras de Eça de Queiroz (1845-1900). IMAG.14-19-52-60-90-101-148-165-178-199-203-205-214-275-287-313-342-394-434-470-483-532-540-554-593-609-618-621

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS - Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO – 11
Inconfortável, o marido ia aparando os golpes. Sentia-se descoroçoado porém, qual pequeno burguês constrito à âncora sentimental, engrandecia o matrimónio como seguro valor do património.

Continua

sexta-feira, setembro 23, 2016

IMAGINÁRiO EXTRA - Histórias e Quadradinhos

A manifestação em quadradinhos, sobre ocorrências e personalidades determinantes da História de Portugal, fica assinalada com a recente publicação, por Âncora Editora, do álbum Histórias de Valdevez de José Ruy (argumento e ilustração), no qual se aborda o «bafordo acontecido entre Afonso Henriques e Afonso Raimundes no século XII», pelas origens do reino de Portugal, como envolvência à comemoração dos 500 anos do Foral outorgado por D. Manuel I em 1515, já na época dos Descobrimentos.
Apresentada com o patrocínio do Município de Arcos de Valdevez, esta obra exemplar – testemunhando a mestria artística e a expressiva dinâmica de José Ruy – detém-se sobre aspectos e pormenores cuja evocação suscita, afinal, as circunstâncias e as correlações entre o poder e o povo.


Entretanto, sob chancela do Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu/GICAV, regista-se o oportuno lançamento – em edição conjunta – de Infante Don Henrique de José Ruy e Infante D. Henrique de Baptista Mendes. Divulgadas, originalmente, em 1960, por iniciativa do autor e no Cavaleiro Andante, eis duas visões complementares / alternativas, sobre o primeiro Duque de Viseu e génio dos Descobrimentos, propostas por notáveis criadores, ambos distinguidos com o Troféu Anim’arte, atribuído pelo GICAV.

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