quinta-feira, abril 16, 2015

IMAGINÁRiO #553

José de Matos-Cruz | 01 Março 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

DESAFIOS
Estilizando versáteis grafismos pela pulsão estética e narrativa, a banda desenhada de expressão franco-belga explora distintos horizontes, tempos e protagonistas. Por tais parâmetros sobressai a dupla Yslaire (aliás Bernard Hislaire, argumentista e ilustrador) & Balac (aliás Yann/Yannick le Pennetier, argumentista parcial), revelada com Sambre (1986). Tudo começa com Olhos de Sangue, cuja acção decorre numa sociedade rural, pela viragem ao século passado, sob privilégios e humilhações, com uma inspiração romântica traçada entre O Vermelho e o Negro e O Monte dos Vendavais. Em causa, o infante Bernard, arrebatado herdeiro de família, e a jovem Julie, filha de prostituta feiticeira. Assim contam as superstições da terra, corroboradas por um obscuro ensaio antropológico - sinais que se precipitam em conflito tenso mas arrebatador, de vingança latente e sacrifício póstumo. Sambre é uma proposta para leitores maduros, ávidos de emoções fortes, sensuais, sob um erotismo mórbido, cuja ressurreição se precipitaria em Eu Sei Que Tu Virás, com múltiplas gerações e derivações…


CALENDÁRiO

¢27SET2014-20ABR2015 - Em Lisboa, Casa da Achada expõe 10 Artistas de Que Mário Dionísio [1916-1993] Falou - sobre Cândido Portinari (1903-1962), Júlio Pomar (n. 1926), Júlio (1902-1983), Manuel Ribeiro de Pavia (1907-1957), Carlos de Oliveira (1921-1981), Abel Salazar (1889-1946), Júlio Resende (1917-2011), Manuel Filipe (1908-2002), Vieira da Silva (1908-1992) e José Júlio (1916-1963). IMAG.89-243-443-530

¢10JAN-21FEV2015 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa apresenta Árvores, Flores e Frutos do Meu Jardim - exposição de desenho e escultura de Alberto Carneiro, sendo curadora Catarina Rosendo. IMAG.21-241-299-467

17JAN-MAR2015 - No Porto, Museu Nacional da Imprensa apresenta Charlie - Wolinski - exposição sobre Georges Wolinski (1934-2015) e a revista Charlie Hebdo, com organização de Luís Humberto Marcos. IMAG.27-89-499-550

24JAN2015 - Na Casa Galería, em México DF, Maria João Worm expõe Te Escribo de Lejos - com o apoio de Nemours e a colaboração de Quarto de Jade e da Embaixada de Portugal no México. IMAG.289-301-325-359-386-409-416-430-444-451

¯15JUN1946-25JAN2015 - Artemios Ventouris Roussos, aliás Demis Roussos: Cantor grego, nascido no Egipto, intérprete de Goodbye, My Love, Goodbye - «Sou como um pintor que teve diferentes períodos: jazz, soul, pop e, depois, variedades. Mas não posso lamentar-me, pois tornei felizes sessenta milhões de pessoas com os meus discos».

¢30JAN-29MAR2015 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Esculturas e Obras Em Papel de Pablo Serrano.

¢30JAN-24ABR2015 - Em Lisboa, Galeria Millennium expõe Pintura Modernista Na Colecção Millennium BCP.

¸03-20FEV2015 - Em Aveiro, Galeria do IPDJ expõe Desenhos de Filmes da Animação Portuguesa - sobre produções do Cine-Clube de Avanca, Foi o Fio de Patrícia Figueiredo e A Minha Casinha de Raquel Atalaia.

¢06FEV-12ABR2015 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Na Colecção de Carlos Carreiro.
       
VISTORiA

Floriram Por Engano
¨Floriram por engano as rosas bravas
No Inverno: veio o vento desfolhá-las…
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!…
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que num momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos…

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze – quanta flor! – do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?
Camilo Pessanha


VISTORiA

¨ O oleiro dispõe ainda de um grande thesouro de formas tradicionaes. […] A arte applicada a industria, o desenho e a modelação, fariam sahir d’esses barros obras primorosas, depois da ciência dos chimicos ter estudado e ter ensinado aos oleiros a conhecer os materiaes. Mas falta tambem o laboratorio, e falta enfim o agente honrado, ou a intervenção paternal da câmara mais proxima, que podia estabelecer ou vigiar, pelo menos, as relações do oleiro da aldeia com o comerciante das cidades, porque este especula tambem, sem piedade, com a miseria e com a ignorância do operário, vendendo a obra por um preço excessivo que o prejudica.
Joaquim de Vasconcelos
- A Arte Portuguesa (Nº 12 - excerto)



ANUÁRiO

1865-1866 - Neste ano lectivo, o número de matriculados no Liceu de Coimbra ascende a 1.145 estudantes.
   
COMENTÁRiO

¨É, sem dúvida, o estado que eu procuro encontrar, quando escrevo… Um estado de escuta extremamente intensa, mas do exterior… Quando as pessoas que escrevem, dizem «quando se escreve, está-se em concentração»; eu diria: não, quando escrevo, tenho a sensação de estar em extrema desconcentração, não me possuo mais de nenhum modo, sou eu própria um passadiço, tenho a cabeça esburacada. Só posso explicar-me o que escrevo dessa maneira, porque há coisas que eu não reconheço, naquilo que escrevo. Então, elas vêm de outra parte, não estou sozinha quando escrevo. Mas, isso, eu sei. A pretensão é acreditar que se está só diante da folha de papel, quando tudo nos chega de todos os lados. Evidentemente, os tempos são diferentes, as coisas chegam de mais ou menos longe, chegam de ti, chegam de outro, não importa, chegam do exterior…
Michelet diz que as bruxas surgiram assim… Durante a Idade Média, os homens iam à guerra ou em cruzada, e as mulheres nos campos ficavam completamente sós, isoladas, durante meses e meses, em suas cabanas. E foi assim, a partir da solidão, de uma solidão inimaginável para nós, hoje em dia, que elas começaram a falar às árvores, às plantas, aos animais selvagens, ou seja, a entrar…, a…, como dizer?, a inventar uma inteligência com a natureza, a reinventá-la. Uma inteligência que devia remontar à pré-história, reatá-la. E chamaram-lhes bruxas, e queimaram-nas… Foi na floresta que nós, as mulheres, falámos pela primeira vez, que proferimos uma expressão livre, uma fala inventada. Tudo isso que eu dizia de Michelet, que as mulheres começaram a falar aos animais, às plantas, é uma conversa delas, que elas não tinham aprendido. É porque era uma expressão livre, que foi punida. É que, por causa dessa fala, a mulher desistia de seus deveres para com o homem, para com a casa, justamente. É a voz da liberdade, é normal que ela provoque medo.
Marguerite Duras
Michelle Porte
- Les Lieux de Marguerite Duras (1977 - excertos)
BREVIÁRiO

¨Quetzal edita Herzog de Saul Bellow (1915-2005); tradução de Salvato Telles de Menezes. IMAG.36-87-360-421-518-546

¨Círculo de Leitores edita Defesa Perante o Tribunal do Santo Ofício de Padre António Vieira (1608-1697); coordenação de Paulo Borges. IMAG.118-139-165-191-215-226-237-241-295-494

¯Deutsche Grammophon edita em CD, Classic Karajan: The Essential Collection por Herbert von Karajan (1908-1989). IMAG.173-203-212-223-227-235-236-237-239-266-538-551

¨Porto Editora lança Alabardas / Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas de José Saramago (1922-2010); ilustrações de Gűnter Grass. IMAG.38-75-155-158-196-198-224-241-245-252-263-268-311-331-385-394-412-475-521-539

¨Dom Quixote edita Domingos de Agosto de Patrick Modiano; tradução de António José Massano. IMAG.535-552

Âncora Editora re-edita O Juiz de Soajo (1996) de José Ruy. IMAG.4-16-19-36-61-78-96-117-129-141-149-197-223-224-252-263-267-271-279-305-392-416-430-504-514-531

MEMÓRiA
   
¨ 1867-01MAR1926 - Camilo Pessanha: Escritor português, poeta simbolista - «Cansei-me de tentar o teu segredo: / No teu olhar sem cor, – frio escalpelo, / O meu olhar quebrei, a debatê-lo, / Como a onda na crista dum rochedo. // Segredo dessa alma e meu degredo / E minha obsessão! Para bebê-lo / Fui teu lábio oscular, num pesadelo, / Por noites de pavor, cheio de medo.» (Estátua - excerto). IMAG.5-72-307-326
¨ 1849-02MAR1936 - Joaquim de Vasconcelos: Crítico de arte, arqueólogo, musicólogo e historiador, professor da Escola de Belas-Artes de Lisboa - «Há vinte e cinco anos que imprimo no país, viajo no país, prelecciono no país à minha custa, e dou o que não me querem comprar» (1895).

¨ 1914-03MAR1996 - Marguerite Donnadieu, aliás Marguerite Duras: Escritora francesa, e cineasta - «Quando se tem uma certa moral de combate e de poder, é preciso muito pouco para se deixar levar, e passar ao excesso». IMAG.461

sábado, abril 11, 2015

IMAGINÁRiO #552

José de Matos-Cruz | 24 Fevereiro 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
ORIGENS
Em 10 de Janeiro de 1929, nas páginas do suplemento juvenil do jornal Le Vingtième Siècle, começaram, semanalmente, as aventuras de Tintin No País dos Sovietes / Tintin au Pays des Soviets. O respectivo álbum saiu logo no ano seguinte e, tornando-se politicamente incorrecto, nunca foi redesenhado ou colorido. Então e aí apareceu, também, o fiel Milu, juntando-se depois o tremendo Capitão Haddock, o lunático professor Girassol, os inconfundíveis Dupont e Dupond, ou a diva Bianca Castafiore. Entretanto, Tintin esteve na América, no Congo (ex-Belga), na China e Oriente, na Escócia, na Sildávia (algures nos Balcãs), no Golfo, no Tibete, na América do Sul… e, até, na Lua! Primitivo ou moderno, Tintin fascina os velhos fanáticos e envolve as novas gerações. Para além da narrativa exuberante, de uma escrita rigorosa, sugestivamente enquadrada pelo estilo de Hergé - aliás, Georges Prosper Remi (1907-1983) - expõe-se uma saga universalista, entre drama e euforia, tragédia e resgate, em que a camaradagem sobrevive, paralelamente aos valores do bem e do mal. IMAG. 26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-411-460

                                             

CALENDÁRiO

¢23OUT2014-08MAR2015 - Em Lisboa, Atelier-Museu Júlio Pomar expõe Edição e Utopia - Obra Gráfica de Júlio Pomar, sendo comissária Sara António Matos. IMAG.19-312-449-495-505-534

¸07SET1926-09JAN2015 - Samuel Goldwin Jr: Produtor de cinema americano, filho de Samuel Goldwin, ligado à indústria independente, responsável por Pizza, Amor e Fantasia / Mystic Pizza (1988 - Donald Petrie) - «Era uma pessoa com classe, num tipo de negócio duro e caótico… Lançou realizadores como Kenneth Branagh, Anthony Minghella, Ang Lee, David Lynch ou John Sayles» (Tom Rothman).

¸1922-10JAN2015 - Francesco Rosi: Cineasta italiano de intervenção social e política, realizador de Salvatore Giuliano / O Bandido da Sicília (1962), As Mãos Sobre a Cidade / Le Mani Sulla Città (1963) ou O Caso Mattei / Il Caso Mattei (1972) - «Através do seu cinema, caracterizado por um grande envolvimento civil, foi um dos intérpretes mais extraordinários da Itália moderna, captando e contando as suas contradições e tensões profundas» (Paolo Baratta). IMAG.403

µ17JAN-17FEV2015 - Em Lisboa, Galeria dos Paços do Concelho expõe EFE: 75 Anos Em Fotos - sobre a agência de notícias internacional fundada em Espanha (1939).

MEMÓRiA

¨24FEV1786-1859 - Wilhelm Grimm: Escritor alemão, com Jacob Grimm, conhecidos como Irmãos Grimm - autores de Grande Dicionário Alemão, coligiram fábulas infantis e relatos fantásticos - «Aqueles dias do colapso de todas as instituições existentes até o momento permanecerão, para sempre, perante os meus olhos… O ardor com o qual os estudos em Alemão Antigo eram perseguidos ajudou a superar a depressão espiritual… Sem sombra de dúvida, a situação do mundo, e a necessidade de nos envolvermos na tranquilidade do conhecimento, contribuíram para o despertar da literatura há muito esquecida; mas nós buscámos não apenas algo de consolo no passado, como a nossa esperança, naturalmente, era que este curso devesse contribuir um tanto para o regresso de dias melhores» (1806). IMAG.116-421-435-497

¯1919-26FEV1996 - Moisey Samuilovich Vaynberg, aliás Mieczyslaw Weinberg: Compositor soviético de origem polaca/judaica - «Embora a sua vida e a sua música se tenham tornado mais conhecidas, as suas óperas continuam por divulgar» (Simon Wynberg). IMAG.540

1849-27FEV1936 - Ivan Petrovich Pavlov, aliás Ivan Pavlov: Fisiologista russo, distinguido com o Prémio Nobel da Medicina (1904) - «Os factos são o ar dos cientistas… Sem eles, os cientistas não conseguiriam voar».

¨1843-28FEV1916 - Henry James: Escritor americano, naturalizado britânico - «É necessária uma grande quantidade de História para se fazer um pouco de literatura». IMAG.229-414-437

VISTORiA

¨Ela, Kate Croy, esperava a vinda do pai, mas ele fazia-se esperar, sem a menor consideração, e houve momentos em que a moça exibiu para si mesma, no espelho em cima da lareira, um rosto decididamente pálido, com uma irritação que a levou ao ponto de ir-se embora sem vê-lo.
Henry James
- As Asas da Pomba
(excerto - 1902)
    
EPISTOLÁRiO

Carta Enviada de Bruges, Pelo Infante D. Pedro, em 1426, a D. Duarte
+ O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspecção, atenta a estes aspectos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na acção do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício.
(Resumo de) Robert Ricard
- L’Infant D. Pedro de Portugal
et «O Livro da Virtuosa Bemfeitoria»
(1953)

ANUÁRiO

1865-1866 - O rendimento do Estado para o exercício deste ano económico, e calculado no Orçamento pelo Ministro da Fazenda, é de 17.226.219$094 réis.
 
PARLATÓRiO

Não penses que sabes tudo… Ocupa-te dos elementos essenciais, antes de avançar. Aprende, compara, recompila os factos. Por muito que te valorizes, tem sempre a coragem de dizer a ti mesmo: «Sou um ignorante».
Ivan Pavlov

BREVIÁRiO

¨ Presença edita A História de Catherine de Patrick Modiano; ilustração de Jean-Jacques Sempé, tradução de Álvaro Manuel Machado. IMAG.535

¯Harmonia Mundi edita em CD, Carl Philipp Emanuel Bach [1714-1788] - Magnificat: Heilig Ist Gott por Elizabeth Watts e Wiebke Lehmkuhl, com RIAS Kammerchor e Akademie fűr Alte Musik Berlin, sob a direcção de Hans-Christoph Rademann. IMAG.306-458
 
¨Relógio D’Água edita História Em Duas Cidades de Charles Dickens (1812-1870); tradução de Paulo Faria. IMAG.117-278-357-447-488
 
¯Harmonia Mundi edita em CD, Antonin Dvorák [1841-1904]: Symphony N.º 6; American Suite por Luzerner Sinfonieorchester, sob a direcção de James Gaffigan. IMAG.199-201-219-338-368-465-499-530-538

¨Relógio D’Água edita A Morte de Virgílio de Hermann Broch (1886-1951); tradução de Maria Adélia Silva Melo. IMAG.105-324

¯Masterworks edita em CD, The 1954-1961 Albums - 15 Complete Albums de Frank Sinatra (1915-1998). IMAG.76-178-337-542

¨Arranha Céus edita Viagem Pela Literatura Europeia de António Mega Ferreira. IMAG.403-537

¯Harmonia Mundi edita em CD, Francis Poulenc [1899-1963]: Sept Répons de Ténèbres - Sabat Mater por Carolyn Sampson, com Capella Amsterdam, Estonian Philharmonic Chamber Choir, Estonian National Symphony Orchestra, sob a direcção de Daniel Reuss.

¨& Etc edita Da Propriedade Literária e da Recente Convenção Com França - Carta ao Senhor Visconde de Almeida Garrett (1799-1854) de Alexandre Herculano (1810-1877). IMAG.10-13-38-95-99-100-125-146-163-169-176-180-189-201-220-213-244-268-307-309-312-321-328-338-384-412-416-430-447-489-494-513-541-544


terça-feira, abril 07, 2015

IMAGINÁRiO #551

José de Matos-Cruz | 16 Fevereiro 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO
 
EVOCAÇÕES
Personalidade incontornável pela crítica e pelo sarcasmo com que desafia a opinião pública, entre nós, Rui Zink revelar-se-ia um prestigiado argumentista de quadradinhos - tal como deixou testemunho em A Arte Suprema (1997) por António Jorge Gonçalves, ou O Halo Casto (2000) por Luís Louro. Em outro âmbito da sua prolífica actividade, Zink escreveu Literatura Gráfica? Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea (1999) - fascinante no contexto analítico e imprescindível pela abordagem da criatividade nacional em 1968-1984. Com ligeiras correcções, Zink retomou, assim, a tese de doutoramento apresentada em 1998, sendo professor do Departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Viajando ao acaso, descobrimos - em Capítulo 12, a páginas 153-166 - As Cidades Por Construir, onde Zink aprecia Wanya - Escala em Orongo (1973), como «o primeiro livro de Bd portuguesa da era do livro na Bd portuguesa». Aos seus talentosos autores, Nelson Dias & Augusto Mota, se deve ainda Copra - A Flor da Memória, aparecida em fanzine de Coimbra, na Primavera de 1974.
IMAG.4-23-41-87-169-173-178-183-227-250-263-314-385-404
                                                

CALENDÁRiO

¸1931-11JAN2015 - Kerstin Marianne Ekberg, aliás Anita Ekberg: Actriz e modelo sueca, intérprete de A Doce Vida / La Dolce Vita (1960 - Federico Fellini), ao lado de Marcello Mastroianni - «Comunicávamos com o olhar. Era incrível. Não precisámos de dialogar a maior parte do tempo. Com o pouco italiano que eu sabia, e com o pouco inglês que ele sabia, comunicávamos muito, muito bem».

¢23JAN-21MAR2015 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Connections - exposição de pintura de Henrique Reis.

VISTORiA

¨Estar vestido de branco deste homem é evidente que nunca voltará a ser encontrado
Depois o choque duma lança contra um elmo aqui o músico fez maravilhas
É toda a razão que se vai quando podia soar a hora sem que tu estejas presente

Nas sombras do cenário permite-se ao povo contemplar os grandes festins
Comer em cena é sempre do agrado geral
De dentro da empada rematada a faisões
Anões metade pretos metade arco-íris levantam a tampa
E soltam-se ajaezado de guizos e de risos
Brilho contrastado de vestígios de tiros das côdeas sobrantes
Plano sequência do baile dos Ardentes flash-back desfocado do episódio que vem logo a seguir ao do cervo
Um homem talvez ágil demais desce do alto das torres de Notre-Dame
A rodopiar numa corda
Seu pêndulo de archotes clarão insólito à luz do dia
A sarça dos cinco selvagens quatro deles cativos um do outro o sol de plumas
O duque de Orléans segura o facho a mão a mão fatal
Às oito horas da noite tempos depois a mão
Não esquece a brincar com a luva
A mão a luva uma vez duas vezes três vezes
A um canto com o palácio mais branco em fundo as belas feições ambíguas de Pedro de Luna a cavalo
Personificando o segundo luminar
Acabar sobre o brasão da rainha em lágrimas
A
mágoa
Nada mais me é nada nada me é mais nada
Sim sem ti
O sol
André Breton
- Marselha, Dezembro de 1940
(Tradução de Ernesto Sampaio)

MEMÓRiA

®16FEV1946-2011 - Pete Postlethwaite: Artista inglês de teatro e do cinema internacional, agraciado com a Ordem do Império Britânico (2004) - «Quando estava a contracenar com ele, era necessário subir a parada, porque se tratava de um actor perigoso e atrevido» (Miriam Margolyles).IMAG.337

¨ 17FEV1836-1870 - Gustavo Adolfo Claudio Domínguez Bastida, aliás Gustavo Adolfo Bécquer: Poeta e ficcionista espanhol - «É um sonho esta vida, / mas um sonho febril de um instante único. /Quando dele se acorda, / vê-se que tudo é só vaidade e fumo…». IMAG.77

¨ 1797-17FEV1856 - Christian Johann Heinrich Heine, aliás Heinrich Heine: Escritor alemão, poeta, jornalista e ensaísta - «Nunca admiro o acto ou o facto, mas apenas o espírito humano. O acto, o facto, são vestimentas e a história não é mais do que o velho guarda-roupa do espírito humano» (A Batalha de Marengo).IMAG.92

¯ 1483-18FEV1546 - Martinho Lutero: Sacerdote e teólogo alemão, ligado à Reforma Protestante - «Devemos submeter-nos à autoridade do príncipe. Se ele abusa ou faz mal uso dela, não devemos odiá-lo, buscar vingança ou punição. A obediência é devida em nome de Deus, pois a autoridade é o representante de Deus. Por mais que tributem e exijam, devemos obedecer e suportar com paciência» (Tributo a César). IMAG.357-442

¨ 19FEV1896-28SET1966 - André Breton: - Prosador e poeta francês - «Passarei a minha vida a provocar as confidências dos loucos. São pessoas de uma honestidade escrupulosa, e cuja inocência só em mim encontra um igual». IMAG.137-142-212-426

¨ 20FEV1926-2013 - Richard Burton Matheson, aliás Richard Matheson: Escritor americano, ficcionista e guionista, autor de Eu Sou a Lenda / I Am Legend (1954) - «Era curioso. Não tinha pensado nisso durante anos. Para ele, a palavra horrível não tinha sentido. Um horror acumulado acaba por ser um hábito». IMAG.470

¨ 1780-22FEV1846 - Januário da Cunha Barbosa: Poeta, historiador e biógrafo brasileiro - «Homem de múltiplos talentos e funções, trabalhador incansável, foi pregador, jornalista, político, historiador, cronista do Império, professor de Filosofia e por fim, bibliotecário da Biblioteca Pública da Corte» (Lia Ramos Jordão).
       
VISTORiA

¨Os nossos leitores desculparão a publicidade que damos aos seguintes versos joco-sérios; eles são produções de um mestre sapateiro, sem estudos; mas o seu gênio aparece nos mesmos disparates de suas composições, e por isso os espíritos joviais amarão ler, depois de tantas poesias sérias, estas que recreiam pela sua singularidade.
Januário da Cunha Barbosa
(Parnazo Brasileiro)
             
PARLATÓRiO

¯Que me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios, já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido à minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.
Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude!
Martinho Lutero
(Dieta de Worms - 16 ABR 1521)


¨Quando conseguirmos que a população em geral compreenda os assuntos da actualidade, livraremos o povo do incitamento ao ódio e à guerra, realizado pelos bajuladores da aristocracia. Então, a grande aliança entre os povos, a Santa Aliança, formar-se-á. Não será mais necessário alimentar exércitos formados por milhares de assassinos motivados por uma desconfiança recíproca. Utilizaremos como arado as suas espadas e os seus cavalos, a fim de obter o bem-estar e a liberdade. A minha vida é dedicada a este labor, esta é a minha missão.
Heinrich Heine
           
BREVIÁRiO

¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, em Herbert von Karajan Classic Albums, Jean Sibelius [1865-1957]: Finlandia, The Swan of Tuonela, Tapiola, Pelléas et Mélisande; [Edvard] Grieg [1843-1907]: Peer Gynt Suites N.º 1 & N.º 2; [Carl] Nielsen [1865-1931]: Symphony N.º 4 por Berliner Philharmoniker, sob a direcção de Herbert von Karajan (1908-1989). IMAG.173-203-212-223-227-235-236-237-239-266-538
 
¨ Tinta da China lança Obra Completa de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa (1888-1935); edição de Jerónimo Pizarro e Antonio Cardiello. IMAG.26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-404-417-426-433-450-460-467-491-507-509-524-540


domingo, abril 05, 2015

Reportagem "Vasco Granja e o Cinema de Animação"

Figura incontornável da história do cinema de animação em Portugal, Vasco Granja faz parte do imaginário colectivo de várias gerações de portugueses das décadas de 70 e 80. A Câmara Municipal de Cascais e a Fundação D. Luis I/Centro Cultural de Cascais apresentam, no âmbito do Bairro dos Museus, a exposição “Vasco Granja e o Cinema de animação" numa homenagem ao senhor dos desenhos animados.

sexta-feira, abril 03, 2015

IMAGINÁRiO EXTRA: Manoel de Oliveira ou O Cinema Original

Um estranho efeito repercutiu o fenómeno de Manoel de Oliveira, consagrado em todo o Mundo, sobretudo a partir da última década do século passado: as suas referências pessoais e culturais converteram-se numa espécie de parâmetro confluente ao próprio cinema português. Desde finais dos anos ’20, Oliveira ousara um percurso estético, temático e artístico com a sua carreira, exemplar e excepcional. Assim sobressaem o rosto e o vulto de um homem complexo, intenso, cuja matriz de criador se delimita entre a sensibilidade e a veterania, através de olhares, intuições, deixando transparecer uma sublimação ritual de ironia e serenidade.

Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no Porto, a 11 de Dezembro de 1908 (mas foi registado no dia seguinte), numa família da alta burguesia industrial (lâmpadas eléctricas Hércules; Hidro-Eléctrica de Portugal - no Rio Ave, Ermal - sobre a qual fez o curto documentário, por 1930), influente no ramo têxtil - sector de passamanaria - com a Fábrica 9 de Julho. Fez estudos primários no Colégio Universal do Porto, e prosseguiu num Colégio em La Guardia, Galiza (Espanha), a cargo dos Jesuítas. O pai, Francisco José de Oliveira, levava-o a ver fitas de Charles Chaplin e Max Linder.
Oliveira sonhou, então, ser actor cómico. Mas foi como desportista (ginástica, natação, remo; atletismo - campeão de salto à vara; automobilismo - venceu um dos circuitos da Gávea/Rio de Janeiro) que o seu nome primeiro adquiriu notoriedade, com o irmão mais velho Casimiro de Oliveira, ganhando inúmeros prémios em Portugal, Espanha e Brasil. Viveu uma juventude algo boémia, chegando a fazer um número de trapézio amador, nas festas anuais do Sport Club do Porto. Apaixonado pela aviação, logrou experiência de piloto acrobático. Em 1927, assumiu uma actividade profissional, repartida pela indústria, com o pai, e pela agricultura.

Logo interessado pelo cinema, e presente no imaginário nacional desde finais da década de ‘20 - quando se afirma a primeira geração de realizadores nossos, e as fitas passam a ser faladas - assinalaria como autor um peculiar itinerário temático, criativo, libelatório, estético e estilístico. Académico, fulgurante, pedagógico. Insólito, insinuante, ao patentear uma extraordinária capacidade com que capta tendências, impressões. Modelando-as de modo subtil, com lucidez e talento, ao seu mundo interior de expectativas, valores, inquietações.
O impedimento, a exclusão ou a indiferença oficial, designadamente através do Fundo do Cinema, quase chegaram a afastar Oliveira da actividade a que dedicaria a sua vida. Até lhe ser permitido desenvolvê-la de um modo que, incomparável desde sempre em Portugal, poucos exemplos semelhantes tem noutros países: um filme dirigido em cada doze meses, sendo também argumentista; todos estreados por cá, com sucesso e prestígio em festivais lá fora. Muito se vem questionando sobre o que o faz correr, e onde vai buscar tanto dinamismo. Ele-próprio adiantou respostas, não isentas de sarcasmo e simbolismo: “As árvores, à medida que envelhecem, dão mais frutos!”
Ao distinto atleta que foi, na sua adolescência, Oliveira impôs a maturidade e a aprendizagem árdua duma carreira de fundo. Porventura - entre os estímulos da iconografia e os signos da lenda - superando-se por não ter, apenas, uma meta específica! A partir dos anos ’70, acumularam-se os galardões e os louvores, tal como se reacenderam polémicas - sobre um percurso que, remontando às origens do cinematógrafo, se perspectivaria na vanguarda dos audiovisuais. “Na minha cabeça há um turbilhão de ideias, de projectos. Mesmo que me proporcionem facilidades, a minha vida não será suficiente para concretizar tudo isso”...

Virtualizando um repositório actual de angústias, emoções, que é, simultaneamente, premonitório e de compromisso, Manoel de Oliveira traça, afinal, os estigmas do seu próprio imaginário - puro e tremendo, inocente ou monstruoso, poético e solene, insolente ou expiatório, em que o tributo ancestral acaba por transfigurar, além do testemunho sobre as adversidades, as marcas cintilantes quanto ao futuro. “Tudo é memória, tudo resta na memória. E a memória da vida é a arte, que existe como representação. Todos somos actores e espectadores - estamos isolados mas, ao mesmo tempo, em sociedade”. Eis um artista exposto, na plenitude do génio e da perplexidade. Ao vivo, no Porto, ainda em 2 de Abril de 2015.

-- José de Matos-Cruz

segunda-feira, março 30, 2015

Penim Loureiro – Curso de Banda Desenhada no Museu Bordalo Pinheiro

Entre 11 de Abril e 30 de Maio, todos os Sábados, das 14h às 17h, decorre o Curso de Banda Desenhada no Museu Bordalo Pinheiro (Campo Grande, 382, Lisboa), organizada por Penim Loureiro, com a colaboração dos autores João Mascarenhas, André Oliveira, Daniel Maia, Susana Resende, Rosário Félix, Lígia Sousa e, ainda, aparição especial (como anfitrião do Lisbon Studio) de Nuno Lourenço Rodrigues.
Destinado a maiores de 16 anos, este Curso é especialmente indicado para todos aqueles que querem conhecer um pouco mais acerca do fascinante universo da Banda Desenhada e pretendem fugir da trivialidade e de histórias estereotipadas. Para quem procura uma nova forma de libertar a criatividade e testar os seus próprios limites artísticos, para os que nunca tentaram a narrativa gráfica mas gostavam de experimentar algo inovador, ou para os que até já se iniciaram nesta área, mas perderam o ânimo e agora gostariam de voltar.

Características: 1º Módulo (Aprender algumas técnicas básicas da Banda Desenhada. Enfrentar o medo de desenhar ou até mesmo esboçar BD. Descobrir como superar possíveis limitações no argumento ou no desenho) | 2º Módulo (Estimular a criatividade através da linguagem da Banda Desenhada. Ganhar motivação para realizar projetos de narrativa gráfica dando ênfase ao estilo pessoal através da prática e da troca de experiências).
Duração: 1º Módulo - 4 dias | 2º Módulo - 4 dias. Custo: Cada módulo - 50 euros | Dois módulos (curso completo) - 90 euros. Limites de inscrição: Mínimo - 5 participantes | Máximo - 20 participantes. Inscrições e informações: museu.bordalopinheiro@cm-lisboa.pt | tel. 218 170 671.