terça-feira, junho 07, 2016

IMAGINÁRiO #613

José de Matos-Cruz | 01 Junho 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

SOBRESSALTOS
Prestigiado nos anais de Hollywood como o realizador que mais contribuiu para a revelação de Bucha & Estica (aliás, Stan Laurel e Oliver Hardy), Leo McCarey (1898-1969) dirigiu ainda, a partir de meados dos anos ’20, uma série de populares comédias a cargo das principais companhias - da MGM à Paramount, da Fox à United Artists, da Columbia à RKO. Para esta, a primeira produção foi Lua Sem Mel (1942) - sendo ainda argumentista com Sheridan Gibney, e a qual assinalou o lançamento, nos EUA, do actor Walter Slezak. Tendo incidência através da Europa, acção romântica e estilizado humor forjam uma obra tipificada como propaganda anti-nazi, que estreou antes da entrada da América na II Guerra Mundial. Significativamente, só apareceu em Portugal em 1945, e em França quatro anos depois.
Com uma nomeação da Academia ao Oscar do Melhor Som (Stephen Dunn), Lua Sem Mel teve como protagonistas Cary Grant e Ginger Rogers, que voltariam a encontrar-se em A Culpa Foi do Macaco (1952 - Howard Hawks). A rodagem principiou em 25 de Abril de 1942, tendo Grant (aliás, Archibald Alexander Leach) conseguido um atraso quanto ao seu alistamento, que ele pretendia nos Army Air Corps; a 26 de Junho, e mantendo embora um emblemático vínculo pró-britânico, tornou-se cidadão ianque, adoptando legalmente o nome artístico. IMAG.197-233-377


CALENDÁRiO

23MAR-30ABR2016 - Em Lisboa, Galeria Múrias | Centeno expõe Current Upcoming Past de Florian Meisenberg.

30MAR-29MAI2016 - Em Lisboa, Centro Cultural de Belém/CCB expõe, na Garagem Sul, Arquitectura Em Concurso: Percurso Crítico Pela Modernidade Portuguesa, sendo curador Luís Santiago Baptista.

1929-31MAR2016 - Imre Kertész: Escritor húngaro, sobrevivente do Holocausto, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 2002 (por praticar «uma tradição filosófica em que a vida e o espírito humano são inimigos, deixando os seus leitores na fronteira com as emoções compulsivas que inspiram uma liberdade de expressão muito particular»).

1950-31MAR2016 - Zaha Mohammad Hadid, aliás Zaha Hadid: Arquitecta inglesa de origem iraquiana, distinguida com o prémio Pritzker em 2004 - «Explorou criativa e intensamente a sua concepção espacial para o mundo contemporâneo, um espaço de tensões, energias e movimentos que responde à dinâmica da vida contemporânea» (Luís Santiago Baptista).

31MAR2016 - O Som e a Fúria produziu, e estreia John From (2015) de João Nicolau; com Júlia Palha e Filipe Vargas. IMAG.48-115-297-353-488

1932-02ABR2016 - Leandro José Barbieri, aliás Gato Barbieri: Saxofonista argentino, distinguido com o Grammy Latino à Carreira em 2015 (pelo seu estilo musical «rebelde mas, ao mesmo tempo, bastante acessível, combinando o jazz contemporâneo com os géneros latino-americanos, e incorporando elementos da pop instrumental»).

05ABR-30SET2016 - Em Lisboa, Espaço Novo Banco Arte apresenta Linhas de Diálogo - exposição de fotografia das Colecções da Fundación Coca-Cola (Espanha) e de Fotografia Contemporânea do Novo Banco, por 50 artistas portugueses e espanhóis, sendo curadora Lorena Martínez de Corral.

09ABR-14MAI2016 - Em Lisboa, Galeria Monumental apresenta O Barqueiro Com a Palavra Debaixo da Língua - exposição de pintura de Maria João Worm. IMAG.289-301-325-359-386-409-416-430-444-451-553-591-594

INVENTÁRiO

PAIXÃO E GUERRA
Conhecido pela sua ganância (consta que chegou a cobrar por cada autógrafo), Cary Grant - que não estava vinculado a qualquer estúdio - logrou da RKO um salário semanal de 6.250 dólares, mais dois por cento das receitas de exploração de Lua Sem Mel (1942) de Leo McCarey - isto, numa altura em que as taxas do fisco atingiam os 93 por cento dos rendimentos, nos Estados Unidos. Ginger Rogers, que o considerava «um dandy irresistível», consagrara-se pelos musicais com Fred Astaire na década de ’30, assumindo - agora - uma ex-bailarina de cabaré em Nova Iorque, Katie, que por 1938, em Viena, se faz passar por membro da melhor sociedade de Filadélfia, estando prestes a casar com o Barão austríaco Von Luber. Numa trama cosmopolita, de aparências e disfarces, a jovem fascinada por jóias é, então, assediada por Pat - suposto costureiro francês e, na realidade, um compatriota, repórter radiofónico que pretende extrair-lhe informações sobre o noivo, sem que ela o saiba um influente colaborador de Adolf Hitler. De facto, e celebrado o matrimónio na Checoslováquia, uma agitada viagem de núpcias continua pela Polónia, Holanda, Bélgica - sempre com Pat a segui-los, cada vez mais seduzido - países que irão caindo sob o domínio do III Reich. Até França ameaçada e, finalmente em Paris sob ocupação, uma Katie já incrédula, e aliada Pat, dedicar-se-á à espionagem conjugal…
Aventura insinuante sob o signo histriónico - e com implicações que Alfred Hitchcock evocaria em Difamação (1946), reincidindo Grant ao lado de Ingrid Bergman - Lua Sem Mel patenteia a expressiva dinâmica de McCarey, em que um enleio fantasista entre personagens se recorta na efusão de alusões e subentendidos, em suas máscaras ou equívocos, ou pela ironia contrastada dos diálogos. Em momento tão crítico para a História do Século XX, Lua Sem Mel constitui, também, uma curiosa alegoria da representação pelo Novo Mundo sobre o Velho Continente, a cargo de um californiano de origem irlandesa. As contingências próprias da época fazem denotar uma rodagem rápida e ligeira, privilegiando a ênfase do burlesco e a eficácia das vedetas, sobre a estrutura narrativa ou o quilate técnico. Tal risco virtual entre artifício e consistência - que McCarey sempre joga, como trunfos criativos - remeteria para uma alusão de Com a Verdade Me Enganas (1937 - McCarey), donde o talento de Grant se exubera, cúmplice e cativo. Bastaria apreciar, nesta Lua Sem Mel, a sequência da partida de cartas no barco, por excelência visual, detalhada, com todos os requintes de uma conjugação sobre o cinema mudo. Algo que, aliás, se prefigura na recorrência mordaz entre Rogers e Grant - quando, logo no início, ele lhe tira as medidas… servindo-se de uma fita métrica em metal!
MEMÓRiA

02JUN1857-1934 - Edward William Elgar, aliás Edward Elgar: Compositor inglês - «Há música no ar». IMAG.524
GALERiA

Linhas de Diálogo
A exposição Linhas de Diálogo junta duas colecções. A da Fundación Coca-Cola (Espanha), na qual há todo o tipo de técnicas e expressões da arte actual, mas onde a fotografia tem uma grande relevância, com uma das mais importantes colecções de fotografia contemporânea do mundo, a Colecção do Novo Banco. O resultado é uma visão sobre duas colecções que exploram a fotografia espanhola e portuguesa num mesmo período temporal, oferecendo uma pluralidade de olhares que convidam a reflectir sobre o mundo, através de imagens que tanto remetem para as marcas do passado como para aspectos diversos do quotidiano e da actualidade. 
Nas palavras da curadora, Lorena Martínez de Corral, «a fotografia foi primeiro um meio visual de massas, e é a chave de toda a produção técnica de imagens». Por isso, conclui: «Mais do que qualquer outro meio visual, a fotografia moldou a memória do nosso tempo, tanto a colectiva como a individual». 

O Barqueiro Com a Palavra Debaixo da Língua
- Maria João Worm
Registo de uma passagem que atravessa o tempo da insónia usando as palavras como reflexão e passatempo.
Nesse silêncio, com o corpo deitado, aparentemente quieto, aparecem imagens que procuram o seu significado. 
E se as palavras forem desenhos inscritos dentro das formas que designam?

BREVIÁRiO

Quetzal edita Pó, Cinza e Recordações de J. Rentes de Carvalho.

Sony edita em CD, Romance(s) de Aldina Duarte.

Esfera dos Livros edita O Dia-a-Dia Em Portugal Na Idade Média de Ana Rodrigues Oliveira.

Clube do Autor edita Mulheres Portuguesas de Irene Flunser Pimentel e Helena Pereira de Melo. IMAG.185-269-519
Guerra & Paz edita Fernando Pessoa [1888-1935] - Minha Mulher, A Solidão; organização de Manuel S. Fonseca. IMAG.26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-404-417-426-433-450-460-467-491-507-509-524-540-551-556-561-576-593-596-604-605-612

Deutesche Grammophon edita em CD, Maria João Pires - Complete Concerto Recordings On Deutesche Grammophon.IMAG.106-411-449-463-495--507
EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO – 7
O certo é que a Chiba não voltou a pôr-lhe o travo, ou a tragar o Petisco. Logo, Benigna da Purificação cortou-se à sorte, fez contas aos tostões e tornou-se vendedeira com banca certa na Praça da Figueira.
Continua

segunda-feira, maio 30, 2016

IMAGINÁRiO #612

José de Matos-Cruz | 24 Maio 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

IMPLICAÇÕES
Ano 2001, em Los Angeles - uma metrópole dividida entre o dia e a noite. Entre aqueles que se atraem com as luzes, investem as fortunas do capitalismo - banqueiros, advogados, executivos; e os outros que avassalam nas trevas - larápios, prostitutas, traficantes, marginais, desafiando a lâmina da existência. E há também o Million Dollar Hotel - refúgio para todos os que se perderam ou evadiram de tal vertigem assassina, desumana. Aí, o ingénuo Tom Tom e cândida Eloise apaixonam-se. Aí também, o intenso Izzy precipita-se do telhado. Suicídio?, homicídio? Ao investigar, o imponderável Skinner traça o limite entre redenção e expiação…
Produtor e realizador de O Hotel / The Million Dollar Hotel (2000), Wim Wenders foi, ainda, responsável pelo argumento do escritor americano Nicholas Klein - inspirado em velha ideia de Bono, líder e vocalista da banda de rock U2.
No prelúdio para este novo milénio, sendo protagonistas Jeremy Davies, Milla Jovovich e Mel Gibson, cumpria-se, assim, uma exigência mais profunda, vasta e revolucionária - a urgência de uma revisão, em valores e potencialidades, quanto à exaltação das emoções.
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CALENDÁRiO

¢19MAR-30ABR2016 - Em Lisboa, Fundação Carmona e Costa expõe Do Negro a Luz de Ilda David, sendo curador Nuno Faria. IMAG.115

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22MAR-13MAI2016 - Em Lisboa, Galeria João Esteves de Oliveira apresenta Horas Quietas - exposição de trabalhos sobre papel de Pedro Cabrita Reis. IMAG.405-427

¢23MAR-25SET2016 - Em Lisboa, Museu Colecção Berardo expõe O Enigma - Arte Portuguesa Na Colecção Berardo; sendo curador Pedro Lapa, inclui obras de Rui Chafes, Jorge Molder, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Pedro Cabrita Reis, João Tabarra e Ana Vieira.

¨11DEZ1937-26MAR2016 - James Harrison, aliás Jim Harrison: Escritor americano, poeta e ficcionista, autor de Lendas de Paixão (1979) - «A sua voz vinha do coração da América, e o seu amor pelas paisagens americanas é visível em toda a sua obra» (Morgan Entrekin).

31MAR-07MAI2016 - Bedeteca da Amadora apresenta Figuras Clássicas do Terror - exposição constituída por desenhos de trinta artistas, evocativos de personagens icónicas do cinema clássico de terror, sendo comissário Bruno Caetano.

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01ABR-29MAI2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta ¡Paisa! - exposição de pintura de Pedro Batista.

PARLATÓRiO

Acredito que o mundo actual se caracteriza por todo o tipo de dúvidas.
Todos se perguntam pelas razões das coisas. Creio que actualmente, pela primeira vez numa guerra, a dos americanos no Vietname, os soldados realmente procuram descobrir os motivos que levaram ao combate. Entre 1939 e 1945, os soldados não souberam colocar adequadamente esta questão. De 1914 a 1918, os soldados deixaram-se matar sem qualquer indagação.
Perguntar pela razão das coisas, não conduz ao imediato encontro da resposta. Mas, quando a dúvida chega, as ligações entre o observador e o observado deixam de ser automáticas - passam a ser mais humanas. Com frequência, a preocupação com uma atitude antropológica leva o observador a comportar-se como alguém culto que coloca questões a pessoas sem qualquer cultura, quando o importante é conseguir um diálogo antropológico entre pessoas que pertençam a culturas diferentes. O cinema, neste sentido, é ideal para o diálogo, porque tanto propõe perguntas às pessoas observadas como ao observador.
Jean Rouch (1973)

MEMÓRiA 26MAI1907-1979 - Marion Michael Morrison, aliás John Wayne: Actor americano - «A vida é dura. Mas ainda é pior, se formos estúpidos». IMAG.23-56-85-114-132-230-362-596

27MAI1907-1964 - Rachel Carson: Escritora e cientista norte-americana, zoóloga e bióloga - «Sei que ajudei pouco o meio ambiente. Afinal, não seria muito realista pensar que um livro poderia mudar algo no mundo. O homem é parte da natureza, e a sua guerra contra a natureza é, inevitavelmente, uma guerra contra si mesmo… Temos diante de nós um desafio como nunca a humanidade enfrentou, de provar a nossa maturidade e o nosso domínio, não da natureza, mas de nós mesmos» (sobre A Primavera Silenciosa - 1962). IMAG.462

1715-28MAI1747 - Luc de Clapiers, Marquês de Vauvenargues: Ensaísta e moralista francês - «A natureza concedeu aos grandes homens a capacidade de fazer, e aos outros a faculdade de julgar… As coisas que sabemos melhor, são aquelas que não nos ensinaram». IMAG.525

¸ 1885-29MAI1967 - Georg Wilhelm Pabst, aliás G.W. Pabst: Cineasta austríaco, realizador de Lulu - A Boceta de Pandora / ie Büchse der Pandora (1928) - «…Com brilhantismo, […] está, em termos de qualidade visual, bastante acima dos filmes expressionistas que o precedem, embora uma certa estilização de caracterizações e cenários remeta para essa corrente visual» (A Janela Encantada). IMAG.531
31MAI1917-2004 - Jean Rouch: Realizador e etnólogo francês, documentarista e mentor do cinema directo - «Eu faço filmes, primeiro, para os africanos, depois, para os meus amigos, e só por último para as academias». IMAG.96-217-404-455
¢1900-31MAI1967 - Eduardo Augusto D'Oliveira Morais Melo Jorge Malta, aliás Eduardo Malta: Pintor português, distinguido com o Prémio Columbano (1936), director do Museu de Arte Contemporânea (1959-1967) - «Pelos panoramas que os meus antecedentes viram e me legaram no sangue para que os amasse, e pela graça que me abarca todo nesta cidade, eu sinto-me como se aqui tivera nascido, um verdadeiro pedaço vivo do Porto» (1935).

BREVIÁRiO

¨ Assírio & Alvim edita Identificar Almada (Negreiros - 1893-1970) de Maria José Almada Negreiros.  IMAG.84-135-154-173-224-278-292-305-371-413-498-547-561-579

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Porto Editora lança A Paixão do Conde de Fróis de Mário de Carvalho. IMAG.327-410-528-541-542-543-581-603
¯Distrijazz edita em CD, sob chancela ECM, Samuel Barber [1910-1981]: Piano Concerto; [Bela] Bartók [1881-1945]: Piano Concerto Nº 3 por Keith Jarrett, com Rundfunk-Sinfonieorchester Saarbrücken sob a direcção de Dennis Russell Davies, e New Japan Philharmonic Orchestra, sob a direcção de Kazuyoshi Akiyama. IMAG. 128-213-236-316-335-435-443-517-519-532

¨
Quetzal edita A Liberdade do Drible de Dinis Machado (1930-2008). IMAG.218-232-261-267-296-332-387

¯
Warner edita em CD, sob chancela Rhino, Soul Manifesto: 1964-1970 de Otis Redding (1941-1967). IMAG.328

¨ INCM/Imprensa Nacional - Casa da Moeda edita Poemas de Ricardo Reis de Fernando Pessoa (1888-1935); edição de Luiz Fagundes Duarte. IMAG. 26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-404-417-426-433-450-460-467-491-507-509-524-540-551-556-561-576-593-596-604-605

COMENTÁRiO

Até que tenhamos coragem de reconhecer a crueldade pelo que ela é - seja a vítima um animal humano ou não humano - não podemos esperar que as coisas melhorem neste mundo… Não podemos ter paz, vivendo entre homens cujos corações se deleitam em matar criaturas vivas. Por cada acto que glorifica o prazer de matar, estamos a atrasar o progresso da humanidade.
Rachel Carson
- The House of Life: Rachel Carson at Work (1972)

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO - 6
Adão Malfeito percebeu então, instintivamente, que, com aquela mulher, nunca teria descanso ou escapatória. Nem liberdade. Nem seria respeitado. Mais lhe servia morrer ou matar. Ou ir para outro lado. Viver uma outra história, ou lá o que fosse…
Continua 

segunda-feira, maio 23, 2016

IMAGINÁRiO #611

José de Matos-Cruz | 16 Maio 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

SUPER-HOMEM
Encontrando-se o planeta Krypton em risco de extinção, o cientista Jor-El envia o filho bebé, Kal-El, numa astronave para a Terra. Adoptado por um casal de anciãos, o jovem revela, graças às diferenças morfológicas e atmosféricas, excepcionais poderes de que se servirá na maioridade - em defesa dos fracos e dos oprimidos, contra a perversidade, a corrupção e a malfeitoria… Assim nasceu Superman, em banda desenhada - por Jerry Siegel (argumento) & Joe Shuster (ilustração) - aparecido em 1938. Após transposições dos anos ’40 e ’50, ainda em vacilação ritual, o Homem-de-Aço irradiou pelo grande ecrã, empolgante e espectacular, em 1978: a mais cara produção até à altura e, graças ao prodígio dos efeitos especiais, Richard Donner dotou-o da capacidade de voar, duma forma verosímil, em imagem real. Entretanto, as proezas de Superman expandiram-se por várias e diversas prequelas, sequelas ou coligações, sobre as origens, o crepúsculo ou a ressurreição.
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PARLATÓRiO

Perguntam-me, muitas vezes, o que tem mais importância: o texto ou o desenho? Pois bem, nem um nem outro: quanto a mim, ambos nascem em sequência, sendo que se complementam e explicam entre si…
Para mim, criar uma banda desenhada significa, antes de mais, contar uma história. É melhor que os desenhos sejam atraentes, sem dúvida, mas esse não é o objectivo. Em minha opinião, o que se pretende é explicar a história de modo o mais claro possível, para que se torne compreensível; quer seja emocionante, triste ou divertida, há que conceber, antes de tudo, uma coluna vertebral.
—Hergé

CALENDÁRiO

®1940-14MAR2016 - João Nicolau de Melo Breyner Moreira Lopes, aliás Nicolau Breyner: Artista português de teatro, cinema e televisão, actor, cantor, encenador, realizador, argumentista, produtor e professor - «Tinha o poder da leveza, de desdramatizar os problemas, e era contagiante, na vida e em palco» (Maria do Céu Guerra). IMAG.37-151-167-168-177-212-232-242-408-490-584

¸17MAR2016 - Leopardo Filmes produziu, e estreia Posto Avançado do Progresso de Hugo Vieira da Silva; com Nuno Lopes e Ivo Alexandre. IMAG.125-402

¢17MAR-21MAI2016 - Em Lisboa, Galeria Filomena Soares apresenta Vermelho Era o Tom - exposição de pintura de Bruno Pacheco.

18MAR-06JUN2016 - Em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian apresenta Inside a Creative Mind - exposição de arquitectura de Aires Mateus, ARX Portugal, Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne, Inês Lobo, Siza Vieira e Souto de Moura, sendo comissária Eduarda Lobato de Faria.

COMENTÁRiO

Pedro Julião, aliás Pedro Hispano
Pedro Julião é sobretudo o autor, admirador de Aristóteles e conhecedor de medicina e teologia, mestre das universidades de Paris e Siena.
—Saul Gomes

VISTORiA

Para excitar o coito, triturem-se bagas de loureiro e prepare-se uma confecção das mesmas com suco de satirião; untem-se com isso os rins e as partes genitais; excita poderosamente ao coito.
Experimentador.
2. Item fervamse em azeite eufórbio bagas de loureiro, eruca e raiz de satirião triturados, para ficar um ungüento; untem-se as partes genitais e os rins; excitam admiravelmente o poder de geração.
Experimentador.
Pedro Hispano
- Tesouro dos Pobres/Thesaurus Pauperum
INVENTÁRiO

Pedro Hispano
Os seus tratados e comentários sobre o problema da alma constituem um rico manancial do saber medieval sobre a constituição anímica do homem, para além de nos indicarem a sua perspectiva sobre o âmbito da pesquisa filosófica, que em seu entender, abrange o conjunto das coisas criadas, indagando «as essências, as propriedades, as forças, as obras, a ordem, o peso, a medida, os efeitos e as causas de todas as coisas». E fá-lo, ora dirigindo o mais penetrante aspecto do seu olhar para as realidades supremas, ora descendo até às mínimas, ora circulando por entre as realidades intermédias de uma forma média, ora elaborando discursos comparativos acerca de cada uma, girando em torno das mais elevadas e das médias, e esforçando-se por investigar em cada uma delas «o poder, a sabedoria e a bondade do Criador, bem como os segredos da natureza» (Scientia Libri de Anima).
Pedro Calafate

Teoria Glaciar de Louis Agassiz
A Europa setentrional, a Ásia e as regiões da América do Norte estão cobertas de espessos mantos de gelo, que podem expandir-se ou contrair-se, levando no seu percurso acumulações rochosas vindas de zonas muito diferentes das dos glaciares de origem.
Marco Steiner

MEMÓRiA

16MAI1917-1986 - Juan Nepomuceno Carlos Pérez Rulfo Vizcaíno, aliás Juan Rulfo: Escritor mexicano - «A chuva está regenerando a terra, agora que não necessitam dela está voltando a ser produtiva, quando já não há remédio» (sobre Pedro Páramo - 1955). IMAG.66-83-339-545

¾16MAI1937-2015 - Yvonne Joyce Craig, aliás Yvonne Craig: Bailarina americana, e actriz de cinema e televisão, intérprete de Batgirl na série Batman (anos ’60) - «Um fenómeno invulgar de popularidade, ainda hoje objecto de culto para muitos espectadores, especialmente fascinados pelo kitsch das suas histórias e do universo visual» (João Lopes). IMAG.581

18MAI1807-1873 - Jean Louis Rodolphe Agassiz, aliás Louis Agassiz: Zoólogo e geólogo suíço, autor da teoria glaciar e «um dos que demarcaram os novos limites entre textos científicos e relatos de viagem» (Brasiliana da Biblioteca Nacional) - «Aqueles que põem em dúvida os efeitos perniciosos da mistura de raças e são levados, por falsa filantropia, a romper todas as barreiras colocadas entre elas, deveriam vir ao Brasil».

1205-20MAI1277 - Pedro Julião, ou Pedro Hispano, aliás João XXI (187º Papa - 13SET1276-20MAI1277): Médico e filósofo, professor e matemático, nascido em Lisboa, autor de Tesouro dos Pobres / Thesaurus Pauperum - «Coligi fielmente todos os que pude encontrar, nos livros dos antigos físicos e mestres e modernos experimentadores.». IMAG.36-498-579

22MAI1907-1983 - Georges Prosper Remi, aliás Hergé: Artista belga de banda desenhada, criador de Tintin (1929) - «Ele é como um tenaz escuteiro… E porque não? Por acaso, acharemos ridículo praticar uma boa acção, amar e respeitar a natureza e os animais, esforçarmo-nos por sermos fiéis à palavra dada?». IMAG. 26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-411-460-552-599

¨ 22MAI1927-2014 - Peter Matthiessen: Escritor americano, co-fundador da revista literária The Paris Review (1953) - «Sou um escritor de ficção que também escreve não-ficção, em nome das causas sociais e ambientais». IMAG.509

¨ 1878-23MAI1947 - Charles-Ferdinand Ramuz, aliás C.F. Ramuz: Poeta e ficcionista suíço - «O Leitor: Entre Dorte, Corte e Moura / Toma a direito, vai-se embora. // Onde irá ele onde quer que vá? / Onde vai ele? Sabe-o alguém? // Não. Nem ele, nem ninguém. / Sabe apenas que assim tem de ser, / que já não podia ali ficar.» (História do Soldado).

BREVIÁRiO

¨Dom Quixote edita Senhora das Tempestades de Manuel Alegre. IMAG.66-205-276-314-337-366-377-560-603

sábado, maio 21, 2016

O Infante Portugal: O autor e o herói


Em visita à exposição Traços & Tons, do autor Daniel Maia, no Ateneu Popular de Montijo, deu-se o "encontro" do criador com a sua criação, O Infante Portugal. Uma convergência oportuna, enquanto se última a estreia da personagem e todo o respectivo universo criativo em banda desenhada.

Figura ilustrada por Daniel Maia e produzida pelo dept. gráfico da C. M. do Montijo.

quinta-feira, maio 19, 2016

IMAGINÁRiO #610

José de Matos-Cruz | 08 Maio 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

FÓRMULAS
No último quartel do Século XX, o cinema sob chancela de Hollywood assumiu profundas mutações, marcadas pela evolução e a sobrevivência. Além de um olhar já harmonizado pelo espectáculo virtual, entre o grande e o pequeno ecrãs, tal sucessão mediática processou-se numa expressão híbrida quanto a temas ou géneros, tendo em vista um agrado espontâneo por toda a gente. Em paralelo, diluiu-se o carácter das personagens e a carisma dos intérpretes. Graças à comédia - com fascínio, conflitos e o inevitável epílogo moral ou reconciliatório - a indústria artística mantém a tradição, o espectáculo continua e o público sabe o que o espera. Na constante exploração de implicações recentes, dos fenómenos de moda, Hollywood recorre, inevitavelmente, aos processos de reciclagem temática, ou formal. Considerando, também, as fórmulas em que triunfou, tradicionalmente; e os actuais factores de ressurreição - investindo nas virtualidades da ficção, na simpatia dos intérpretes, nas potencialidades de vanguarda… Uma das vertentes mais sugestivas da comédia, como género primordial do cinema americano, o humor entrou em declínio pelo início dos anos ’80. Motivos principais: o desaparecimento de artistas que fizeram história (logo um genial Jerry Lewis); e o desvio para outros estilos (como o inconfundível Woody Allen), ou modelos (assim o extravagante Dan Aykroyd).

CALENDÁRiO

07MAR-22ABR2016 - Em Lisboa, Espaço Chiado 8 - Arte Contemporânea expõe Mauro Cerqueira e Musa Paradisíaca [Miguel Ferrão e Eduardo Guerra] Na Colecção António Cachola, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.349

1944-09MAR2016 - Juvenal de Holanda Vasconcelos, aliás Naná Vasconcelos: Percussionista brasileiro, por oito vezes considerado «o melhor do mundo» (DownBeat) - «A minha maneira de pensar a música vai continuar viva depois de mim».

11MAR-13JUN2016 - No Centro de Arte Moderna/CAM, em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian expõe Echolalia - quatro instalações de Ana Torfs (Bélgica), sendo curadora Caroline Dumalin.

12MAR-02ABR2016 - Em Lisboa, Livraria Sá da Costa apresenta Contraluz - exposição de pintura de Pedro Homem de Mello.

17MAR-13MAI2016 - No Estoril, Espaço Memória dos Exílios apresenta Israel Sketchbook de Ricardo Cabral; exposição de trinta quadros com desenhos sobre a obra lançada em 2009 por Edições Asa, em organização da Câmara Municipal de Cascais, com a Fundação D. Luís I e a Embaixada de Israel em Portugal. IMAG.185-340-378-393-424-430-539-589

02ABR-02OUT2016 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo expõe Os Ciclos do Arroz, sendo curador João Madeira; sobre as mulheres e o trabalho em terras alagadas, numa experiência colectiva, realizada em 1953, entre escritores e artistas plásticos, com a participação de Alves Redol, Júlio Pomar, Cipriano Dourado, Lima de Freitas, António Alfredo e Rogério Ribeiro.

INVENTÁRiO

Um alienígena é enviado à Terra para determinar um meio de vencer a crise de energia que afecta o seu planeta, pondo em risco a sobrevivência dos habitantes. Isolado, anónimo, procura garantir influências, graças ao superior conhecimento tecnológico, através de patentes que revolucionarão o sistema de produção americano e as estratégias económicas internacionais. A fama e o poder tornam-no, porém, cativo duma existência fantomática e incorruptível, enfrentando ainda a reacção de corporações rivais e da política dominante… Adaptação de um romance por Walter Trevis, O Homem Que Veio do Espaço/The Man Who Fell to Earth (1976) de Nicolas Roeg é um clássico do cinema de ficção científica, com perturbadoras implicações alegóricas e visionárias sobre a realidade mundial nos anos ’70 do Século XX, e uma projecção futurista quanto aos desígnios da aventura humana. A narração sincopada, o espectáculo crepuscular, convergem numa dimensão estética e simbólica assumida pelo protagonista David Bowie (1947-2016) - ícone sofisticado e virtual, entre o mito da eterna juventude e a nostalgia da essência original. IMAG.194-223-232-292-333-338-488-600-609

MEMÓRiA

12MAI1907-2003 - Katharine Houghton Hepburn, aliás Katharine Hepburn: Actriz americana - «A ambição média das estrelas de Hollywood é ser admirada por um americano, cortejada por um italiano, casada com um inglês e ter um namorado francês». IMAG.27-160-274-290-318-424

15MAI1567-1643 - Claudio Giovanni Antonio Monteverdi, aliás Claudio Monteverdi: Compositor italiano, maestro e cantor - «Os maiores compositores sempre tenderam a aparecer no final de um período artístico, quando as técnicas se estabilizam e a estética musical que as rodeia se torna mais ou menos estável. Talvez o mais extraordinário, quanto a Monteverdi, seja ele ter-se revelado um mestre tão completo quando ainda se forjava um novo estilo musical - um estilo que representaria, em grande medida, uma completa rotura com o passado… Há pouquíssimos compositores que, como ele, prenunciaram tanto do que estava por vir, e ainda viveram o suficiente para realizar as suas próprias profecias» (Raymond Leppard). IMAG.134-211-265-279-444

TRAJECTÓRiA

Compositor italiano do final do Renascimento. Nasceu em 1567, em Cremona, no Ducado de Milão, e morreu em 1643, em Veneza. Foi o grande impulsionador da ópera, para além de introduzir um novo espírito na música religiosa. Começou a estudar música com o diretor musical da Catedral de Cremona, Marcantonio Ingegneri, revelando-se um excelente aluno. Pouco depois, o livreiro mais famoso de Veneza publicou os seus dois primeiros livros de madrigais. Em 1590, ficou ao serviço do duque de Mântua, Gonzaga, tendo ocupado esse cargo durante vinte anos.
Monteverdi mostrou como a filosofia da sua música poderia ser utilizada na composição de pequenas áreas, de duetos e de ensembles, e de como seria possível uni-la com a expressividade recitativa, menos em voga no início do século XIX. Os seus trabalhos mais importantes incluem as óperas La Favola d'Orfeo (1607), Il Ritorno di Ulisse in Patria (1641) e L'Incoronazione di Poppea (1642); e as composições dramáticas Il Ballo delle Ingrate (1608), Tirsi e Clori (1616) e La Vittoria d'Amore (1641).

GALERiA

Contraluz – Pedro Homem de Mello
Se a principal – senão única – fonte de inspiração do artista tem sido a natureza, a imensa, belíssima e multifacetada riqueza das plantas e das flores, não é menos verdade que na sua pintura o modelo é retratado em suspensão, hierático, como se o movimento, o tempo, se tivessem evadido do espaço pictórico, sugerindo-nos, por vezes, um jardim plantado num planeta desprovido de atmosfera. Essa mesma característica manifestava-se já nas obras mais antigas, quando as paisagens eram emolduradas em ambientes de sabor surrealizante – a exuberância e riqueza cromática das pinturas era enquadrada numa grelha geométrica rigorosa, que funcionava como seu alter-ego. A dualidade entre o rigor geométrico conceptual e a espontaneidade do mundo natural são ainda visíveis nas pinturas actuais, apesar da rarefacção de elementos a que estas obras foram sujeitas. Em algumas das obras mais recentes – nomeadamente a série Ikebana Lusitana – Pedro Homem de Mello recupera o cromatismo e o lirismo suave da arte popular portuguesa, sobretudo de algumas zonas do Norte de Portugal, imprimindo-lhe uma rigorosa abstracção e síntese geométrica.
José Sousa Machado

BREVIÁRiO

Universal edita em CD, sob chancela Decca, Alexander Scriabin [1872-1915]: The Complete Works. IMAG.534

Dom Quixote edita Bichos de Miguel Torga (1907-1995). IMAG.21-142-165-168-217-261-288-307-342-352-499-538

Delphian edita em CD, Olivier Messiaen [1908-1992]: La Fauvette Passerinette - A Messiaen Premiere With Birds, Landscapes and Homages pelo pianista Peter Hill. IMAG.213-228-235-282-304-367-421-451

Relógio D’Água edita A Conquista da Felicidade de Bertrand Russell (1872-1970); tradução de José António Machado. IMAG.261-371-573

Relógio D’Água edita Carta a Um Refém de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944); tradução de Júlia Ferreira e José Cláudio. IMAG.88-243-280-351-405-476

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO - 5
Ora, a Chiba porfiava sempre à coca.
Enciumada, foi esticando a vista, até ficar de olhos em bico, pois que lhe estavam a molhar a doca. Podia lá ser!
Cata-lhe a caspa, antes qu’escape…
Por fim, a Chiba foi-se à borrasca - picou-o todo, deixando Petisco a parecer uma varicela póstuma.
Continua

segunda-feira, maio 16, 2016

IMAGINÁRiO EXTRA: Arquivo de Cascais


A Câmara Municipal de Cascais lançou uma edição especial de Arquivo de Cascais – História | Memória | Património, obra da autoria de especialistas que apresentam novos contributos para a história do concelho.
O Arquivo de Cascais – que remonta a 1980 – apresenta, neste nº 14, novas reflexões sobre a origem do topónimo Cascais e sobre a relação do navegador Cristóvão Colon com o nosso país. Tem, também, uma temática dedicada ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Cascais: Da Anexação do Hospital dos Mareantes Pescadores à Inauguração do Hospital Condes de Castro Guimarães, na qual se estuda a gestão desta unidade de saúde de referência do concelho entre 1587 e 1941.
Apresenta, igualmente, novas fontes para a história das elites locais, evocando-se ainda, em Cascais e Alenquer: A E. N. 9, a importância estratégica desta secular via de comunicação entre as duas localidades.
São, ainda, abordadas reflexões relacionadas com a arquitectura, como sucede em Gaston Landeck, que nos revela os principais projectos que gizou no concelho, assim como em O “Brasão” da Capela da Cidadela: Análise de Alguns Elementos Decorativos. Por sua vez, em A Obra de António de Oliveira Bernardes na Casa de Santa Maria, em Cascais, aprofunda-se o estudo do emprego da azulejaria na construção deste emblemático edifício.
Em Informação & Promoção Turística Oficial nos Anos 20 e 30: Da Comissão de Iniciativa à Junta de Turismo de Cascais, e em O Rádio Clube Português e a Guerra Civil de Espanha, apresentam-se novas reflexões acerca de um período da história contemporânea ainda por desbravar. A obra encerra com Cascais e Estoril: Um Roteiro Fílmico, 1896-1974, estudo que aborda a relação de Cascais com a história do cinema, enfatizando a relevância de um concelho que, geração após geração, se soube afirmar nos mais variados domínios.
António José Pereira da Costa, Tiago Henriques, António Cota Fevereiro, Maria da Conceição Santos, Cristina Carvalho, Marco Oliveira Borges, Helena Condeço de Castro, Carlos Calado, Isabel Ferrão, João Miguel Henriques e José d’Encarnação, Ana Cristina Brites Antunes, Francisco Matta Pereira e José de Matos-Cruz são os autores das investigações que acrescentam novos conhecimentos para a História, Memória e Património do concelho de Cascais – que, recentemente, celebrou 650 anos de autonomia.

sexta-feira, maio 13, 2016

IMAGINÁRiO #609


José de Matos-Cruz | 01 Maio 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

ORIGENS

Historicamente, a banda desenhada impôs-se ao cinema como uma inspiração e uma referência, a que Hollywood raras vezes correspondeu, mas sempre privilegiou. No caso dos super-heróis clássicos, sobressaem sagas como X-Men. Criados por Stan Lee (argumento) & Jack Kirby (ilustração) em 1963, a cargo dos Marvel Comics, os X-Men intervêm numa realidade como a nossa. Tudo se passa nesta actualidade. Uma sociedade em que o fenómeno genético está em alteração. Um tempo de desafios e transformações. A humanidade enfrenta uma misteriosa subespécie dotada com poderes estranhos e terríveis. Ocultos entre a população, eles são temidos e odiados. Então, dois homens excepcionais assumem o desígnio de salvaguardarem as mentes e os corações dos jovens mutantes. Um deles, o Professor Charles Xavier torna-se mentor de discípulos como Cyclops, Jean Grey e Beast, os chamados X-Men. Mas outros há que ainda não estão na sua Escola - como Ororo Munroe, ou um mais perigoso, Logan/Wolverine. Entretanto, um terrorista conhecido por Magneto organiza a Brotherhood, um grupo militante que afrontará a autoridade estabelecida…

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CALENDÁRiO

04MAR-19JUN2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga/MNAA expõe, na Sala do Tecto Pintado, O Tesouro da Rainha Santa - Imagem e Poder, sendo curadora Luísa Penalva. IMAG.305-569


1929-05MAR2016 - Johann Nikolaus Graf de la Fontaine und d'Harnoncourt-Unverzagt, aliás Nikolaus Harnoncourt: Maestro austríaco - «Alguém que foi verdadeiramente um portador de luz sobre a arte de interpretar a música erudita da tradição ocidental» (Bernardo Mariano).

03JAN1926-08MAR2016 - George Henry Martin, aliás George Martin: Músico inglês, compositor e maestro, produtor discográfico de The Beatles - «Obrigado por todo o teu amor e amabilidade» (Ringo Starr). IMAG.153

10MAR2016 - NOS Audiovisuais estreia O Amor É Lindo… Porque Sim! de Vicente Alves do Ó; com Maria Rueff e André Nunes. IMAG.353-399

15MAR-28MAI2016 - Em Lisboa, Perve Galeria expõe O Som da Criação - Pinturas Sonoras de Beezy Bailey (África do Sul) e Brian Eno (Reino Unido); em tributo a David Bowie, sendo curadores Luca Berta e Francesca Giubilei. IMAG.194-223-232-292-333-338-488-600


VISTOR
i

Saudade
Naquele dia, que nunca esqueci,
Parti de casa ao lado de meu pai.
Minha mãe soluçava!… «Filho, vai,
Que eu ficarei rezando a Deus por ti.»

Manhã de Maio… Adeus, oh! bem querida
Aldeia carinhosa onde eu nasci…
Mares e grandes terras percorri,
Sempre lembrando aquela despedida.

E anos passaram… Lutas, ansiedades,
E ela sempre dizendo: «Filho meu,
Volta, vem mitigar minhas saudades!

Vem descansar aqui, perto de mim.»
E eu não voltei… E minha mãe morreu

Saudosa, me esperando até ao fim!

Cruz d’Alva (Aristides de Matos-Cruz)

- Saudades (São Paulo - Brasil, 1956)

 
VISTOR
iA
À medida que me elevava, a ascensão entrava a dificultar-se; folhas em tufos compactos prendiam-me os cabelos, os ramos oscilavam sob o peso do meu corpo, e de quando em quando soavam estalidos ameaçadores. Mas via já bem o ninho de águia; primeiro um alicerce de quatro ou cinco ramos de sobro, cruzados; depois um leito de folhas secas e pequenas hastes; sobre o leito folhas macias de trevos, de tamujes e fenos – e, forrando delicadamente o estojo, uma colcha de penugens brancas que a águia arrancava do peito, nos seus transportes de mãe. Com insano trabalho cheguei-lhe ao pé. Pulava-me o coração no peito, e qual não foi a minha alegria ao ver aconchegadas no ninho, uma de encontro à outra, adormecidas e tremendo de frio, duas aguiazinhas implumes, disformes ainda, mas de vigorosas proporções! Cerrara-se de todo a noite. Um claro luar com reflexos metálicos atravessava as vaporizações do arvoredo, penetrando-as de uma poeira de átomos cintilantes. Nas faias da ribeira, os rouxinóis faziam jogos florais arremessando-se os sonetos mais rítmicos; o veio cristalino dos regatos ia contando às folhagens húmidas dos balseiros e canaviais uma lenda antiga de fadas azuis e tesouros mouriscos, narrativa muito em segredo, ente murmúrios de beijos que ao longe mansamente se perdiam.
Dava trindades o sino da aldeia – e as aspirações pairavam naquele calado ar em que borboletas negras saltitavam, traçando sinais de mulheres predestinadas. A lua, na tela do céu esmaiado, lembrava, com as suas ranhuras, a máscara da comédia de uma ópera cómica, que a luz da ribalta ilumina. Ergui os olhos – acabava de ouvir um grito. Vi a águia pairar um momento por sobre a minha cabeça, de asas abertas, cujas rémiges em cutelo siflavam como velas de um moinho em actividade. Depois aquele vulto negro desceu perpendicularmente, raivoso da minha audácia e estendendo o bico de gumes curvos, para me ferir. Agarrado à corda dei um salto, abandonando o ninho, e fiquei suspenso na árvore um instante, a dez metros do chão pedregoso, batendo os dentes de terror. Que fazer? A corda por curta não chegava ao chão. Deixar-me cair era morrer. De repente, porém a enorme pernada dá um estalido seco, houve um atrito de folhas e lentamente vim baixando. Quando pousei no chão, com os dois filhos da águia no peito da camisola e a navalha nos dentes, senti um prazer sem limites. Tinha destruído uma felicidade e praticado a façanha de subir à azinheira, sem outro auxílio mais do que uma pequena corda nodosa e fina. Levaria os implumes para a herdade e criá-los-ia com carne e sangue fresco de cordeiro. E eles cresceriam, alcançando as poderosas formas dos pais – bico adunco e córneo, a terrível garra contráctil, simetria elegante nas asas, que um jogo muscular movimenta com inexplicável destreza. E pertencer-me-iam, estariam na gaiola por minha vontade, comeriam se eu quisesse. Esta ideia de ter alguém sob a minha obediência encheu-me de orgulho. Podia fazer mal sem ter medo das queixas que arrancasse. E vinham-me tendências para oprimir, para espicaçar, para expor à tortura. Também meu pai me batia! que sofressem! Na azinheira a águia ia de ramo em ramo, soltando, a cada investigação inútil, o seu grito melancólico. Corria as árvores próximas, voejava quase à flor do terreno, batendo com as asas dos tojais da selva, e indo em todos os sentidos como alucinada. Depois abriu as asas horizontalmente com um pulo, susteve-se nas penas como um pára-quedas, e com firmeza cortou o ar obliquamente subindo à região das nuvens. De quando em quando, na calada do campo morto, o seu grito de mãe roubada ouvia-se na escuridade, como o silvo de um barco em perigo que pede socorro.
Fialho de Almeida
- O Ninho de Águia (Vila de Frades, 1881 - excerto)


MEMÓR
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06MAI1897-1985 - Arpad Szènes: Artista plástico húngaro, nascido em Budapeste, casado com Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) em 1930 - um dos mais significativos representantes da Escola de Paris dos anos ’40 do Século XX. IMAG.39-134-162-486-490-499-500-502-567-603

07MAI1857-1911 - José Valentim Fialho de Almeida: Escritor e jornalista português, autor de Carta a D. Luís Sobre as Vantagens de Ser Assassinado - «Civilizado ou embrutecido, todo o homem é presa de duas forças rivais que constantemente se investem e disputam primazias. Uma, que o reporta ao passado e lhe transmite por hereditariedade as ideias, hábitos e modos de ser e de ver dos antecessores. Outra, evolutiva, que adapta o indivíduo aos meios novos, e não cuida senão de o renovar e transformar rapidamente. A vida humana não é mais que o duelo entre duas forças antagónicas».

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Aristides de Matos-Cruz, aliás Cruz d’Alva: Escritor português, ficcionista e poeta, radicado no Brasil, autor de A Ilha da Esperança (1944), Vida Nova (1952), Saudades (1956) ou A Caridade (1957). IMAG.156


BREVIÁR
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Relógio D’Água edita Balada da Praia dos Cães (1982) de José Cardoso Pires (1925-1998); prefácio de António Lobo Antunes. IMAG.53-200-226-227-314-366-367-533-581-602


Dom Quixote edita Dom Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes (1547-1616); tradução de Miguel Serras Pereira. IMAG.25-38-79-92-103-349-503-559

Alêtheia edita O Egipto - Notas de Viagem de Eça de Queiroz (1845-1900) IMAG.14-19-52-60-90-101-148-165-178-199-203-205-214-275-287-313-342-394-434-470-483-532-540-554-593