quinta-feira, maio 19, 2016

IMAGINÁRiO #610

José de Matos-Cruz | 08 Maio 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

FÓRMULAS
No último quartel do Século XX, o cinema sob chancela de Hollywood assumiu profundas mutações, marcadas pela evolução e a sobrevivência. Além de um olhar já harmonizado pelo espectáculo virtual, entre o grande e o pequeno ecrãs, tal sucessão mediática processou-se numa expressão híbrida quanto a temas ou géneros, tendo em vista um agrado espontâneo por toda a gente. Em paralelo, diluiu-se o carácter das personagens e a carisma dos intérpretes. Graças à comédia - com fascínio, conflitos e o inevitável epílogo moral ou reconciliatório - a indústria artística mantém a tradição, o espectáculo continua e o público sabe o que o espera. Na constante exploração de implicações recentes, dos fenómenos de moda, Hollywood recorre, inevitavelmente, aos processos de reciclagem temática, ou formal. Considerando, também, as fórmulas em que triunfou, tradicionalmente; e os actuais factores de ressurreição - investindo nas virtualidades da ficção, na simpatia dos intérpretes, nas potencialidades de vanguarda… Uma das vertentes mais sugestivas da comédia, como género primordial do cinema americano, o humor entrou em declínio pelo início dos anos ’80. Motivos principais: o desaparecimento de artistas que fizeram história (logo um genial Jerry Lewis); e o desvio para outros estilos (como o inconfundível Woody Allen), ou modelos (assim o extravagante Dan Aykroyd).

CALENDÁRiO

07MAR-22ABR2016 - Em Lisboa, Espaço Chiado 8 - Arte Contemporânea expõe Mauro Cerqueira e Musa Paradisíaca [Miguel Ferrão e Eduardo Guerra] Na Colecção António Cachola, sendo curador Delfim Sardo. IMAG.349

1944-09MAR2016 - Juvenal de Holanda Vasconcelos, aliás Naná Vasconcelos: Percussionista brasileiro, por oito vezes considerado «o melhor do mundo» (DownBeat) - «A minha maneira de pensar a música vai continuar viva depois de mim».

11MAR-13JUN2016 - No Centro de Arte Moderna/CAM, em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian expõe Echolalia - quatro instalações de Ana Torfs (Bélgica), sendo curadora Caroline Dumalin.

12MAR-02ABR2016 - Em Lisboa, Livraria Sá da Costa apresenta Contraluz - exposição de pintura de Pedro Homem de Mello.

17MAR-13MAI2016 - No Estoril, Espaço Memória dos Exílios apresenta Israel Sketchbook de Ricardo Cabral; exposição de trinta quadros com desenhos sobre a obra lançada em 2009 por Edições Asa, em organização da Câmara Municipal de Cascais, com a Fundação D. Luís I e a Embaixada de Israel em Portugal. IMAG.185-340-378-393-424-430-539-589

02ABR-02OUT2016 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo expõe Os Ciclos do Arroz, sendo curador João Madeira; sobre as mulheres e o trabalho em terras alagadas, numa experiência colectiva, realizada em 1953, entre escritores e artistas plásticos, com a participação de Alves Redol, Júlio Pomar, Cipriano Dourado, Lima de Freitas, António Alfredo e Rogério Ribeiro.

INVENTÁRiO

Um alienígena é enviado à Terra para determinar um meio de vencer a crise de energia que afecta o seu planeta, pondo em risco a sobrevivência dos habitantes. Isolado, anónimo, procura garantir influências, graças ao superior conhecimento tecnológico, através de patentes que revolucionarão o sistema de produção americano e as estratégias económicas internacionais. A fama e o poder tornam-no, porém, cativo duma existência fantomática e incorruptível, enfrentando ainda a reacção de corporações rivais e da política dominante… Adaptação de um romance por Walter Trevis, O Homem Que Veio do Espaço/The Man Who Fell to Earth (1976) de Nicolas Roeg é um clássico do cinema de ficção científica, com perturbadoras implicações alegóricas e visionárias sobre a realidade mundial nos anos ’70 do Século XX, e uma projecção futurista quanto aos desígnios da aventura humana. A narração sincopada, o espectáculo crepuscular, convergem numa dimensão estética e simbólica assumida pelo protagonista David Bowie (1947-2016) - ícone sofisticado e virtual, entre o mito da eterna juventude e a nostalgia da essência original. IMAG.194-223-232-292-333-338-488-600-609

MEMÓRiA

12MAI1907-2003 - Katharine Houghton Hepburn, aliás Katharine Hepburn: Actriz americana - «A ambição média das estrelas de Hollywood é ser admirada por um americano, cortejada por um italiano, casada com um inglês e ter um namorado francês». IMAG.27-160-274-290-318-424

15MAI1567-1643 - Claudio Giovanni Antonio Monteverdi, aliás Claudio Monteverdi: Compositor italiano, maestro e cantor - «Os maiores compositores sempre tenderam a aparecer no final de um período artístico, quando as técnicas se estabilizam e a estética musical que as rodeia se torna mais ou menos estável. Talvez o mais extraordinário, quanto a Monteverdi, seja ele ter-se revelado um mestre tão completo quando ainda se forjava um novo estilo musical - um estilo que representaria, em grande medida, uma completa rotura com o passado… Há pouquíssimos compositores que, como ele, prenunciaram tanto do que estava por vir, e ainda viveram o suficiente para realizar as suas próprias profecias» (Raymond Leppard). IMAG.134-211-265-279-444

TRAJECTÓRiA

Compositor italiano do final do Renascimento. Nasceu em 1567, em Cremona, no Ducado de Milão, e morreu em 1643, em Veneza. Foi o grande impulsionador da ópera, para além de introduzir um novo espírito na música religiosa. Começou a estudar música com o diretor musical da Catedral de Cremona, Marcantonio Ingegneri, revelando-se um excelente aluno. Pouco depois, o livreiro mais famoso de Veneza publicou os seus dois primeiros livros de madrigais. Em 1590, ficou ao serviço do duque de Mântua, Gonzaga, tendo ocupado esse cargo durante vinte anos.
Monteverdi mostrou como a filosofia da sua música poderia ser utilizada na composição de pequenas áreas, de duetos e de ensembles, e de como seria possível uni-la com a expressividade recitativa, menos em voga no início do século XIX. Os seus trabalhos mais importantes incluem as óperas La Favola d'Orfeo (1607), Il Ritorno di Ulisse in Patria (1641) e L'Incoronazione di Poppea (1642); e as composições dramáticas Il Ballo delle Ingrate (1608), Tirsi e Clori (1616) e La Vittoria d'Amore (1641).

GALERiA

Contraluz – Pedro Homem de Mello
Se a principal – senão única – fonte de inspiração do artista tem sido a natureza, a imensa, belíssima e multifacetada riqueza das plantas e das flores, não é menos verdade que na sua pintura o modelo é retratado em suspensão, hierático, como se o movimento, o tempo, se tivessem evadido do espaço pictórico, sugerindo-nos, por vezes, um jardim plantado num planeta desprovido de atmosfera. Essa mesma característica manifestava-se já nas obras mais antigas, quando as paisagens eram emolduradas em ambientes de sabor surrealizante – a exuberância e riqueza cromática das pinturas era enquadrada numa grelha geométrica rigorosa, que funcionava como seu alter-ego. A dualidade entre o rigor geométrico conceptual e a espontaneidade do mundo natural são ainda visíveis nas pinturas actuais, apesar da rarefacção de elementos a que estas obras foram sujeitas. Em algumas das obras mais recentes – nomeadamente a série Ikebana Lusitana – Pedro Homem de Mello recupera o cromatismo e o lirismo suave da arte popular portuguesa, sobretudo de algumas zonas do Norte de Portugal, imprimindo-lhe uma rigorosa abstracção e síntese geométrica.
José Sousa Machado

BREVIÁRiO

Universal edita em CD, sob chancela Decca, Alexander Scriabin [1872-1915]: The Complete Works. IMAG.534

Dom Quixote edita Bichos de Miguel Torga (1907-1995). IMAG.21-142-165-168-217-261-288-307-342-352-499-538

Delphian edita em CD, Olivier Messiaen [1908-1992]: La Fauvette Passerinette - A Messiaen Premiere With Birds, Landscapes and Homages pelo pianista Peter Hill. IMAG.213-228-235-282-304-367-421-451

Relógio D’Água edita A Conquista da Felicidade de Bertrand Russell (1872-1970); tradução de José António Machado. IMAG.261-371-573

Relógio D’Água edita Carta a Um Refém de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944); tradução de Júlia Ferreira e José Cláudio. IMAG.88-243-280-351-405-476

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO - 5
Ora, a Chiba porfiava sempre à coca.
Enciumada, foi esticando a vista, até ficar de olhos em bico, pois que lhe estavam a molhar a doca. Podia lá ser!
Cata-lhe a caspa, antes qu’escape…
Por fim, a Chiba foi-se à borrasca - picou-o todo, deixando Petisco a parecer uma varicela póstuma.
Continua

segunda-feira, maio 16, 2016

IMAGINÁRiO EXTRA: Arquivo de Cascais


A Câmara Municipal de Cascais lançou uma edição especial de Arquivo de Cascais – História | Memória | Património, obra da autoria de especialistas que apresentam novos contributos para a história do concelho.
O Arquivo de Cascais – que remonta a 1980 – apresenta, neste nº 14, novas reflexões sobre a origem do topónimo Cascais e sobre a relação do navegador Cristóvão Colon com o nosso país. Tem, também, uma temática dedicada ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Cascais: Da Anexação do Hospital dos Mareantes Pescadores à Inauguração do Hospital Condes de Castro Guimarães, na qual se estuda a gestão desta unidade de saúde de referência do concelho entre 1587 e 1941.
Apresenta, igualmente, novas fontes para a história das elites locais, evocando-se ainda, em Cascais e Alenquer: A E. N. 9, a importância estratégica desta secular via de comunicação entre as duas localidades.
São, ainda, abordadas reflexões relacionadas com a arquitectura, como sucede em Gaston Landeck, que nos revela os principais projectos que gizou no concelho, assim como em O “Brasão” da Capela da Cidadela: Análise de Alguns Elementos Decorativos. Por sua vez, em A Obra de António de Oliveira Bernardes na Casa de Santa Maria, em Cascais, aprofunda-se o estudo do emprego da azulejaria na construção deste emblemático edifício.
Em Informação & Promoção Turística Oficial nos Anos 20 e 30: Da Comissão de Iniciativa à Junta de Turismo de Cascais, e em O Rádio Clube Português e a Guerra Civil de Espanha, apresentam-se novas reflexões acerca de um período da história contemporânea ainda por desbravar. A obra encerra com Cascais e Estoril: Um Roteiro Fílmico, 1896-1974, estudo que aborda a relação de Cascais com a história do cinema, enfatizando a relevância de um concelho que, geração após geração, se soube afirmar nos mais variados domínios.
António José Pereira da Costa, Tiago Henriques, António Cota Fevereiro, Maria da Conceição Santos, Cristina Carvalho, Marco Oliveira Borges, Helena Condeço de Castro, Carlos Calado, Isabel Ferrão, João Miguel Henriques e José d’Encarnação, Ana Cristina Brites Antunes, Francisco Matta Pereira e José de Matos-Cruz são os autores das investigações que acrescentam novos conhecimentos para a História, Memória e Património do concelho de Cascais – que, recentemente, celebrou 650 anos de autonomia.

sexta-feira, maio 13, 2016

IMAGINÁRiO #609


José de Matos-Cruz | 01 Maio 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

ORIGENS

Historicamente, a banda desenhada impôs-se ao cinema como uma inspiração e uma referência, a que Hollywood raras vezes correspondeu, mas sempre privilegiou. No caso dos super-heróis clássicos, sobressaem sagas como X-Men. Criados por Stan Lee (argumento) & Jack Kirby (ilustração) em 1963, a cargo dos Marvel Comics, os X-Men intervêm numa realidade como a nossa. Tudo se passa nesta actualidade. Uma sociedade em que o fenómeno genético está em alteração. Um tempo de desafios e transformações. A humanidade enfrenta uma misteriosa subespécie dotada com poderes estranhos e terríveis. Ocultos entre a população, eles são temidos e odiados. Então, dois homens excepcionais assumem o desígnio de salvaguardarem as mentes e os corações dos jovens mutantes. Um deles, o Professor Charles Xavier torna-se mentor de discípulos como Cyclops, Jean Grey e Beast, os chamados X-Men. Mas outros há que ainda não estão na sua Escola - como Ororo Munroe, ou um mais perigoso, Logan/Wolverine. Entretanto, um terrorista conhecido por Magneto organiza a Brotherhood, um grupo militante que afrontará a autoridade estabelecida…

IMAG
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CALENDÁRiO

04MAR-19JUN2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga/MNAA expõe, na Sala do Tecto Pintado, O Tesouro da Rainha Santa - Imagem e Poder, sendo curadora Luísa Penalva. IMAG.305-569


1929-05MAR2016 - Johann Nikolaus Graf de la Fontaine und d'Harnoncourt-Unverzagt, aliás Nikolaus Harnoncourt: Maestro austríaco - «Alguém que foi verdadeiramente um portador de luz sobre a arte de interpretar a música erudita da tradição ocidental» (Bernardo Mariano).

03JAN1926-08MAR2016 - George Henry Martin, aliás George Martin: Músico inglês, compositor e maestro, produtor discográfico de The Beatles - «Obrigado por todo o teu amor e amabilidade» (Ringo Starr). IMAG.153

10MAR2016 - NOS Audiovisuais estreia O Amor É Lindo… Porque Sim! de Vicente Alves do Ó; com Maria Rueff e André Nunes. IMAG.353-399

15MAR-28MAI2016 - Em Lisboa, Perve Galeria expõe O Som da Criação - Pinturas Sonoras de Beezy Bailey (África do Sul) e Brian Eno (Reino Unido); em tributo a David Bowie, sendo curadores Luca Berta e Francesca Giubilei. IMAG.194-223-232-292-333-338-488-600


VISTOR
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Saudade
Naquele dia, que nunca esqueci,
Parti de casa ao lado de meu pai.
Minha mãe soluçava!… «Filho, vai,
Que eu ficarei rezando a Deus por ti.»

Manhã de Maio… Adeus, oh! bem querida
Aldeia carinhosa onde eu nasci…
Mares e grandes terras percorri,
Sempre lembrando aquela despedida.

E anos passaram… Lutas, ansiedades,
E ela sempre dizendo: «Filho meu,
Volta, vem mitigar minhas saudades!

Vem descansar aqui, perto de mim.»
E eu não voltei… E minha mãe morreu

Saudosa, me esperando até ao fim!

Cruz d’Alva (Aristides de Matos-Cruz)

- Saudades (São Paulo - Brasil, 1956)

 
VISTOR
iA
À medida que me elevava, a ascensão entrava a dificultar-se; folhas em tufos compactos prendiam-me os cabelos, os ramos oscilavam sob o peso do meu corpo, e de quando em quando soavam estalidos ameaçadores. Mas via já bem o ninho de águia; primeiro um alicerce de quatro ou cinco ramos de sobro, cruzados; depois um leito de folhas secas e pequenas hastes; sobre o leito folhas macias de trevos, de tamujes e fenos – e, forrando delicadamente o estojo, uma colcha de penugens brancas que a águia arrancava do peito, nos seus transportes de mãe. Com insano trabalho cheguei-lhe ao pé. Pulava-me o coração no peito, e qual não foi a minha alegria ao ver aconchegadas no ninho, uma de encontro à outra, adormecidas e tremendo de frio, duas aguiazinhas implumes, disformes ainda, mas de vigorosas proporções! Cerrara-se de todo a noite. Um claro luar com reflexos metálicos atravessava as vaporizações do arvoredo, penetrando-as de uma poeira de átomos cintilantes. Nas faias da ribeira, os rouxinóis faziam jogos florais arremessando-se os sonetos mais rítmicos; o veio cristalino dos regatos ia contando às folhagens húmidas dos balseiros e canaviais uma lenda antiga de fadas azuis e tesouros mouriscos, narrativa muito em segredo, ente murmúrios de beijos que ao longe mansamente se perdiam.
Dava trindades o sino da aldeia – e as aspirações pairavam naquele calado ar em que borboletas negras saltitavam, traçando sinais de mulheres predestinadas. A lua, na tela do céu esmaiado, lembrava, com as suas ranhuras, a máscara da comédia de uma ópera cómica, que a luz da ribalta ilumina. Ergui os olhos – acabava de ouvir um grito. Vi a águia pairar um momento por sobre a minha cabeça, de asas abertas, cujas rémiges em cutelo siflavam como velas de um moinho em actividade. Depois aquele vulto negro desceu perpendicularmente, raivoso da minha audácia e estendendo o bico de gumes curvos, para me ferir. Agarrado à corda dei um salto, abandonando o ninho, e fiquei suspenso na árvore um instante, a dez metros do chão pedregoso, batendo os dentes de terror. Que fazer? A corda por curta não chegava ao chão. Deixar-me cair era morrer. De repente, porém a enorme pernada dá um estalido seco, houve um atrito de folhas e lentamente vim baixando. Quando pousei no chão, com os dois filhos da águia no peito da camisola e a navalha nos dentes, senti um prazer sem limites. Tinha destruído uma felicidade e praticado a façanha de subir à azinheira, sem outro auxílio mais do que uma pequena corda nodosa e fina. Levaria os implumes para a herdade e criá-los-ia com carne e sangue fresco de cordeiro. E eles cresceriam, alcançando as poderosas formas dos pais – bico adunco e córneo, a terrível garra contráctil, simetria elegante nas asas, que um jogo muscular movimenta com inexplicável destreza. E pertencer-me-iam, estariam na gaiola por minha vontade, comeriam se eu quisesse. Esta ideia de ter alguém sob a minha obediência encheu-me de orgulho. Podia fazer mal sem ter medo das queixas que arrancasse. E vinham-me tendências para oprimir, para espicaçar, para expor à tortura. Também meu pai me batia! que sofressem! Na azinheira a águia ia de ramo em ramo, soltando, a cada investigação inútil, o seu grito melancólico. Corria as árvores próximas, voejava quase à flor do terreno, batendo com as asas dos tojais da selva, e indo em todos os sentidos como alucinada. Depois abriu as asas horizontalmente com um pulo, susteve-se nas penas como um pára-quedas, e com firmeza cortou o ar obliquamente subindo à região das nuvens. De quando em quando, na calada do campo morto, o seu grito de mãe roubada ouvia-se na escuridade, como o silvo de um barco em perigo que pede socorro.
Fialho de Almeida
- O Ninho de Águia (Vila de Frades, 1881 - excerto)


MEMÓR
iA

06MAI1897-1985 - Arpad Szènes: Artista plástico húngaro, nascido em Budapeste, casado com Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) em 1930 - um dos mais significativos representantes da Escola de Paris dos anos ’40 do Século XX. IMAG.39-134-162-486-490-499-500-502-567-603

07MAI1857-1911 - José Valentim Fialho de Almeida: Escritor e jornalista português, autor de Carta a D. Luís Sobre as Vantagens de Ser Assassinado - «Civilizado ou embrutecido, todo o homem é presa de duas forças rivais que constantemente se investem e disputam primazias. Uma, que o reporta ao passado e lhe transmite por hereditariedade as ideias, hábitos e modos de ser e de ver dos antecessores. Outra, evolutiva, que adapta o indivíduo aos meios novos, e não cuida senão de o renovar e transformar rapidamente. A vida humana não é mais que o duelo entre duas forças antagónicas».

IMAG.129-199-296-313-364-608

Aristides de Matos-Cruz, aliás Cruz d’Alva: Escritor português, ficcionista e poeta, radicado no Brasil, autor de A Ilha da Esperança (1944), Vida Nova (1952), Saudades (1956) ou A Caridade (1957). IMAG.156


BREVIÁR
iO

Relógio D’Água edita Balada da Praia dos Cães (1982) de José Cardoso Pires (1925-1998); prefácio de António Lobo Antunes. IMAG.53-200-226-227-314-366-367-533-581-602


Dom Quixote edita Dom Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes (1547-1616); tradução de Miguel Serras Pereira. IMAG.25-38-79-92-103-349-503-559

Alêtheia edita O Egipto - Notas de Viagem de Eça de Queiroz (1845-1900) IMAG.14-19-52-60-90-101-148-165-178-199-203-205-214-275-287-313-342-394-434-470-483-532-540-554-593


segunda-feira, maio 02, 2016

IMAGINÁRiO #608

José de Matos-Cruz | 24 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
ANIMAÇÕES
Um fenómeno da animação em Portugal, A Suspeita (1999) agitou, mesmo, todos os parâmetros do cinema que por cá se produzia, virtualizando as expectativas sobre o audiovisual na transição para um novo milénio. Duas palavras poderiam caracterizar esta obra, dirigida por José Miguel Ribeiro: simplicidade e fascínio. Há nela uma espécie de ovo de Colombo, a partir do argumento por Gonçalo Galvão Teles, Levina Valentim e Virgílio Almeida. Explorando a animação de volumes, através do solidário entusiasmo da Zeppelin Filmes (com Luís da Matta Almeida), A Suspeita logrou sucesso entre nós e além-fronteiras. A história evolui assim: um compartimento de comboio, quatro pessoas, um revisor, um canivete de Barcelos e um potencial assassino… Chegarão todos ao fim da viagem? A resposta está, também, na série de galardões, conquistados em todo o mundo. Ainda irresistível, o convite posto no papel por A Suspeita: Os Bastidores do Filme de José Miguel Ribeiro e Virgílio Almeida, uma edição profusamente ilustrada e colorida, em parceria da Bedeteca de Lisboa com a Zeppelin. IMAG.548-555


CALENDÁRiO

¯1931-20FEV2016 - Vasco Barbosa: Violinista português, distinguido com a Ordem Militar de Sant’Iago de Espada, fundador do Quarteto Atalaya - «Um grande intérprete de Brahms e um divulgador de compositores portugueses como Freitas Branco e de Frederico de Freitas» (José Cutileiro).

¸1913-22FEV2016 - Ralph Douglas V Slocombe, aliás Douglas Slocombe: Cineasta britânico, director de fotografia da saga Indiana Jones (1981-1989) - «Adorava o seu trabalho e, para mim, tornou-se um grande colaborador. E era um ser humano fantástico - acessível, entusiasta» (Steven Spielberg).

®06JUN1926-24FEV2016 - Joaquim Rosa: Actor português de teatro, cinema (Manhã Submersa - 1980 de Lauro António) e televisão, distinguido com o Prémio Eduardo Brazão (1967 - por A Família Sam, de Peter Ustinov).

¸1933-02MAR2016 - Maria Noémia de Freitas Delgado, aliás Noémia Delgado: Cineasta portuguesa, realizadora de Máscaras (1976) - «Um filme muito pioneiro e muito importante para quem trabalha em cinema etnográfico em Portugal» (Catarina Alves Costa). IMAG.95-182-443
 
¸03MAR2016 - Fado Filmes produziu, e estreia Gelo de Luís Galvão Teles e Gonçalo Galvão Teles; com Ivana Baquero e Albano Jerónimo. IMAG.34-38-143

¢04MAR-30ABR2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Navegar É Preciso - exposição de pintura de Nuno Mendoça.

µ10MAR-08MAI2016 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva expõe, no Ciclo Uma Obra, Uma Colecção com Fundação Colecção Sonnabend, 62 Membros do Clube do Rato Mickey Em 1955 de Christian Boltanski. IMAG.475

¢19MAR-26JUN2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Museu Nacional Grão Vasco - Reservas Em Bruto - Pintura e Escultura dos Séculos XVI e XVII.
   
VISTORiA

¨Parece, ó Trasímaco, que não dás qualquer importância a nós que aqui estamos, pouco te preocupando que vivamos melhor ou pior, na ignorância do que dizes saber… Meu amigo, não guardes para ti a tua ciência; somos um grupo numeroso e, todo benefício que nos conferires, ser-te-á amplamente recompensado.
Platão
 - A República




MEMÓRiA

¯ 25ABR1917-1996 - Ella Jane Fitzgerald, aliás Ella Fitzgerald: Cantora americana de jazz - «A minha vida é como o tempo / e muda a cada hora / quando ele está perto, sinto-me bem e acalentada / quando ele parte, fico enevoada e chove.». IMAG.460-566

¨ 27ABR1737-1794 - Edward Gibbon: Historiador inglês - «Nunca cometo o equívoco de argumentar em relação a pessoas por cuja opinião não tenho o menor respeito». IMAG.451
                               
ANUÁRiO

¨ 428ac-347ac - Platão: Filósofo e matemático grego - «De todos os animais selvagens, o menino é o mais incontrolável.» (Leis, 808). IMAG.39-145-476-519
        
PARLATÓRiO

¨ Eu posso compreender o fascínio que se encerra na união de desejo, amizade e ternura que uma simples mulher pode suscitar, e que leva a torná-la favorita quanto às restantes pessoas de tal sexo, fazendo corresponder a sua posse à única ou à suprema felicidade do homem que assim se sente motivado.
Edward Gibbon

¯Estou sempre com receio de dizer alguma coisa errada - o que, normalmente, acaba por acontecer… É por isso que me parece que, o melhor que tenho a fazer, é cantar.
Ella Fitzgerald

Os filmes que quero fazer não são os das grandes estruturas e das grandes produções. É uma escala mais humana. Eu acredito no cinema, e acredito que este vai continuar. 
José Miguel Ribeiro
        
GALERiA

Navegar É Preciso
¢Tudo acaba a dar ao mar, tudo acaba por vir do mar – o sal, as redes e os antigos navegantes. Mesmo a esperança de velas gastas, vai e vem consoante os desígnios e os sonhos, ao sabor do vento e das marés. Falo dele e dos veleiros e principio as suas marinhas pela caligrafia do cordame, pela elegância dos cascos e do velame, como aguarelas de água, sal e vento. Pintar é já por algum modo, a ilusão de navegar, enquanto o desenho determina e recria e a transparência da aguarela simula a luz e as tonalidades do mar e do céu, infinitudes de instável grandeza. Viver não é preciso se não houver barco e mar e o devaneio criador, nem que seja apenas ir e voltar. Navegar é preciso porque o sonho ilumina e engrandece a vida na sua essência. 
Nuno Mendoça
                 
BREVIÁRiO
 
¨ Gradiva edita Filhos de Saturno - Escritos Sobre o Tempo Que Passa de António José Saraiva (1917-1993). IMAG.456

¯Sony edita em CD, Lady Day: The Master Takes and Singles por Billie Holiday (1915-1959). IMAG.235-390-396-509
¨ Relógio D’Água edita Não Posso Nem Quero de Lydia Davis; tradução de Inês Dias.

¨ Temas e Debates edita Identificação de Um País de José Mattoso. IMAG.140-148-308-335-343-363-505

¨ Relógio D’Água edita As Ondas de Virginia Woolf (1882-1941); tradução de Francisco Vale. IMAG.51-99-220-315-316-328-356-439-483-581

¨ Livros do Brasil edita Contos de Nick Adams de Ernest Hemingway (1899-1961); tradução de Fernanda Pinto Rodrigues e Alexandra P. Torres. IMAG.76-180-235-329-377-474-477-599
             
COMENTÁRiO
 
A Princesinha das Rosas
¸ Tendo-se revelado através da expressão documental com Máscaras (1976), Noémia Delgado enveredou em 1979 pela ficção, com a série Contos Fantásticos produzida por Era Nova para a RTP. Um desses filmes - orçado em 700 contos, sendo a execução de João Meneses Ferreira - A Princesinha das Rosas (1979) teve carreira em cinema, a partir de uma ante-estreia no Festival de Santarém, em Novembro de 1979. Noémia Delgado escreveu o argumento, sobre o romanesco original por Fialho de Almeida; Zita Duarte e Luís Gaspar cederam voz à narração.
Era uma vez uma menina, nascida dos amores entre uma sereia e um pescador, sendo adoptada por um casal de monarcas sem herdeiros… Foram intérpretes Suzanne, Rui Baptista, António Barahona e José de Matos-Cruz. Mário Cabrita Gil dirigiu a fotografia no Algarve, com interiores na Torre de Belém. A Princesinha das Rosas foi emitido pela RTP, em Janeiro de 1981.

terça-feira, abril 26, 2016

IMAGINÁRiO #607

José de Matos-Cruz | 16 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
DEMANDAS
Um mundo longínquo, há muitos e muitos anos. Numa bucólica aldeia do Vale Verde, vivem os Grinos. Se perguntássemos a um destes anões agricultores, qual o seu maior desejo, responderia: «Controlar a chuva», indispensável aos magníficos campos de cultivo. Um dia, o Conselho de Sábios envia uma expedição aos distantes Montes de Vidro, para descobrir o segredo dos Sopradores de Nuvens, gigantes azuis capazes de influenciar os elementos naturais. Os aventureiros regressam com Orull, um semi-deus, com extraordinários poderes… Privilegiando uma vertente especialmente destinada aos mais jovens, eis Orull, o Senhor das Nuvens / Orull, le Faiseur de Nuages (1998), por Denis-Pierre Filippi (argumentista) e Tiburce Oger (ilustrador). Ao conjugar a heroic-fantasy de vanguarda com os intemporais contos de fadas, esta talentosa dupla artística principiou Orull, le Souffleur de Nuages - uma saga mágica, luxuriante, com distintos níveis de leitura e sugestão, tendo em vista «regressar à origem obscura e ancestral dos cancioneiros infantis».
 
VISTORiA
 
A Serenata
 
¨Vestida de gemidos de bordão,
lancinâncias de violino,
na noite parada
vem descendo a seresta.

Sumiu-se a cidade barulhenta
inimiga das crianças e dos poetas.

Uma voz canta sentimentalmente um samba.

                   Aquele aperto de mão
                   não foi adeus!

Os cavaquinhos desmaiam de puro sentimento,
a cidade morreu lá longe,
e a lua vem surgindo cor de prata.

                   Nessa história de amor todos são iguais,
                   até o rei volta sua palavra atrás…

O meio tom brasileiro deixa interrogativamente a sua
                nostalgia.

                   É hora que os poetas escolheram
                   para a procura dos seus mundos perdidos…
                                                  
Amanhã a cidade virá novamente
inimiga dos poetas.
Mas agora ela dorme,
ela não sabe que os poetas falam com Nossenhor,
com a lua e as estrelas,
nesta hora tão lírica…

Menina romântica, irmã
das crianças e dos poetas…
A tua janela, florida de esperanças,
é um mistério que a cidade não entende.

Passa a serenata.
Mas no coração dos que temem a primeira luz do dia que vai
chegar
ficam os gemidos do violão e do cavaquinho,
vozes crioulas neste noturno brasileiro
de Cabo Verde.
Baltazar Lopes / Osvaldo Alcântara
 
CALENDÁRiO
 
18FEV-24MAR2016 - Bedeteca da Amadora apresenta, na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, ‘Os Doze de Inglaterra’ de Eduardo Teixeira Coelho - exposição de materiais originais de impressão da obra, impressões do livro e arte original do artista. IMAG.28-31-41-43-85-117-129-132-209-328-372-568-578

µ27FEV-11JUN2016 - Em Guimarães, Palácio Vila Flor apresenta Still There - exposição de fotografia (Líbano, 2011) de Carlos Lobo.

¢03MAR-15MAI2016 - Centro de Exposições de Odivelas apresenta, na Galeria D. Dinis, a exposição retrospectiva de pintura João Feijó - 30 Anos Pela Arte.

VISTORiA
 
¨ Julgo razoável, leitor, antes de prosseguirmos juntos, explicar-lhe que, sempre que tiver ensejo ou oportunidade, pretendo fazer digressões no decurso de toda esta história, da qual sou melhor juiz do que qualquer lastimoso crítico que exista; e cumpre-me pedir aqui a todos esses críticos que tratem da sua vida, e não se metam em negócios ou obras que, de maneira nenhuma, lhes dizem respeito; pois, enquanto não demonstrarem a autoridade por cuja virtude se constituíram juízes, não me sujeitarei à sua jurisdição.
Henry Fielding
- A História de Tom Jones (1749 - excerto)
                     



MEMÓRiA
 
15ABR1707-1783 - Leonhard Paul Euler: Matemático e físico suíço de língua alemã, radicado na Rússia e na Alemanha, desenvolveu a geometria analítica e a trigonometria - «Calculava, sem esforço aparente, como os homens respiram, como as águias planam ao vento» (François Arago - 1786-1853). IMAG.146

¨ 18ABR1927-2008 - Samuel Phillips Huntington, aliás Samuel Huntington: Escritor e analista americano, especialista em ciência política - «O universalismo ocidental é perigoso para o mundo… [Importa] reconhecer que a intervenção ocidental nos assuntos de outras civilizações é, provavelmente, a mais perigosa causa de instabilidade e de potencial conflito global num mundo multicivilizacional.» (Clash of Civilizations - 1993).

¨ 22ABR1707-1754 - Henry Fielding: Novelista e dramaturgo inglês, um dos fundadores do romance moderno; em 1754, radicou-se em Lisboa, à procura de melhor clima. Tendo escrito Journal of a Voyage To Lisbon, faleceu dois meses depois na capital portuguesa, e foi enterrado no Cemitério dos Ingleses. IMAG.140-486

¨ 1783-23ABR1847 - Erik Gustaf Geijer: Escritor e compositor sueco - «Cada um de nós tem qualidades para fazer alguma coisa melhor do que as outras pessoas». IMAG.402

¨ 23ABR1907-1989 - Baltazar Lopes da Silva, aliás Osvaldo Alcântara: Poeta, ficcionista e linguista cabo-verdiano, cultor do crioulo, co-fundador do movimento Claridade - «Venham todas as vozes, todos os ruídos e todos os gritos, / venham os silêncios compadecidos e também os silêncios satisfeitos;  / venham todas as coisas que não consigo ver na superfície da sociedade dos homens; / venham todas as areias, lodos, fragmentos de rocha / que a sonda recolhe nos oceanos navegáveis…» (Ressaca - excerto).
               
PARLATÓRiO
 
¨ Um autor deve considerar-se, não um cavalheiro que oferece um banquete particular ou de caridade, e sim alguém que dirige uma casa de pasto, pública, na qual são bem-vindas todas as pessoas, em troca do seu dinheiro.
Henry Fielding
           
SUMÁRiO
 
Matemático suíço, nascido em 1707 e falecido em 1783, foi um professor brilhante, cuja autoridade foi incontestada, expandindo todas as áreas conhecidas da Matemática. O seu nome está ligado a uma grande quantidade de entidades matemáticas como o número e – número de Euler –, base dos logaritmos naturais, e o número i, número imaginário. Aluno de Johann Bernoulli, foi grande amigo do sobrinho deste, Daniel Bernoulli, que o chamou para São Petersburgo, Rússia, onde foi professor no Colégio Naval e na Academia de Ciências (1730). Aqui, no seguimento de observações astronómicas, ao olhar para o Sol, perdeu a visão do olho direito. De 1741 a 1766, deslocou-se para Berlim, onde foi director da Academia de Ciências. Voltaria à Rússia a convite de Catarina, a Grande, tornando-se director da Academia de Ciências de São Petersburgo. Ficaria completamente cego, devido a cataratas, mantendo todas as suas responsabilidades e trabalhos durante mais de quinze anos até à sua morte.
          
BREVIÁRiO
 
Gradiva edita Os Doze de Inglaterra (1950-1951) de Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005).

¯Harmonia Mundi edita em CD, Michel-Richard de Lalande [1657-1726]: Leçons de Ténèbres por Sophie Karthäuser, com Ensemble Correspondances, sob a direcção de Sébastien Daucé.
            
COMENTÁRiO

Pela primeira vez, os admiradores do grande mestre Eduardo Teixeira Coelho vão poder apreciar na íntegra uma das obras mais belas que desenhou, Os Doze de Inglaterra. Trata-se, seguramente, de uma obra-prima da literatura de quadradinhos mundial.
Publicada agora, finalmente, em álbum, sem as amputações que na sua edição original [O Mosquito, 1950-1951] sacrificaram, frequentemente, a integralidade do desenho ao espaço ocupado pelo texto de Raul Correia – também ele belo, mas, nalguns passos, porventura, redundante –, numa edição que só foi possível pela arte, o conhecimento e o empenho de outro grande criador da banda desenhada portuguesa, José Ruy.
Guilherme Valente
(Editor da Gradiva)


sábado, abril 23, 2016

IMAGINÁRiO EXTRA: Daniel Maia - Exposição a solo

De dia 30 Abril a 20 de Maio, o Ateneu Popular do Montijo vai expor Traços & Tons, uma mostra composta por uma selecção de trabalhos recentes, figurando personagens de comics, como Batman, Tartarugas Ninja e Mulher-Maravilha, ou de ficção como O Infante Portugal (criado por José de Matos-Cruz), e complementada por diários gráficos e cadernos de desenho.
Comissariada por Marta Ferreira, a exposição visa mostrar obras recentes, em banda desenhada e ilustração, demonstrar o meu processo de trabalho – que será de interesse ao público escolar, para dar a conhecer as fases criativas que levam um trabalho desde o guião ou esboço inicial à peça finalizada e respectiva edição –, e partilhar comparações entre estes e desenhos de fase amadora, pré-adolescência.

Volvidos dez anos desde que exponho a solo, estarei presente na inauguração, no dia 30 Abril, às 15h30. Estão convidados a comparecer.
Agradeço à direcção do Ateneu Popular de Montijo, a Marta Ferreira e João Miguel Ferreira, pelo convite e organização da mostra; à Câmara Municipal do Montijo e Junta de Freguesia da União de Freguesias de Montijo e Afonsoeiro, pelo apoio prestado; e a José de Matos-Cruz e direcção da Bedeteca da Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana, pela cedência do seu ex-libris para imagem gráfica do cartaz do evento.
?Daniel Maia
LIMAG.196-387-416-430-435-528-538-563-596