sexta-feira, maio 13, 2016

IMAGINÁRiO #609


José de Matos-Cruz | 01 Maio 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

ORIGENS

Historicamente, a banda desenhada impôs-se ao cinema como uma inspiração e uma referência, a que Hollywood raras vezes correspondeu, mas sempre privilegiou. No caso dos super-heróis clássicos, sobressaem sagas como X-Men. Criados por Stan Lee (argumento) & Jack Kirby (ilustração) em 1963, a cargo dos Marvel Comics, os X-Men intervêm numa realidade como a nossa. Tudo se passa nesta actualidade. Uma sociedade em que o fenómeno genético está em alteração. Um tempo de desafios e transformações. A humanidade enfrenta uma misteriosa subespécie dotada com poderes estranhos e terríveis. Ocultos entre a população, eles são temidos e odiados. Então, dois homens excepcionais assumem o desígnio de salvaguardarem as mentes e os corações dos jovens mutantes. Um deles, o Professor Charles Xavier torna-se mentor de discípulos como Cyclops, Jean Grey e Beast, os chamados X-Men. Mas outros há que ainda não estão na sua Escola - como Ororo Munroe, ou um mais perigoso, Logan/Wolverine. Entretanto, um terrorista conhecido por Magneto organiza a Brotherhood, um grupo militante que afrontará a autoridade estabelecida…

IMAG
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CALENDÁRiO

04MAR-19JUN2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga/MNAA expõe, na Sala do Tecto Pintado, O Tesouro da Rainha Santa - Imagem e Poder, sendo curadora Luísa Penalva. IMAG.305-569


1929-05MAR2016 - Johann Nikolaus Graf de la Fontaine und d'Harnoncourt-Unverzagt, aliás Nikolaus Harnoncourt: Maestro austríaco - «Alguém que foi verdadeiramente um portador de luz sobre a arte de interpretar a música erudita da tradição ocidental» (Bernardo Mariano).

03JAN1926-08MAR2016 - George Henry Martin, aliás George Martin: Músico inglês, compositor e maestro, produtor discográfico de The Beatles - «Obrigado por todo o teu amor e amabilidade» (Ringo Starr). IMAG.153

10MAR2016 - NOS Audiovisuais estreia O Amor É Lindo… Porque Sim! de Vicente Alves do Ó; com Maria Rueff e André Nunes. IMAG.353-399

15MAR-28MAI2016 - Em Lisboa, Perve Galeria expõe O Som da Criação - Pinturas Sonoras de Beezy Bailey (África do Sul) e Brian Eno (Reino Unido); em tributo a David Bowie, sendo curadores Luca Berta e Francesca Giubilei. IMAG.194-223-232-292-333-338-488-600


VISTOR
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Saudade
Naquele dia, que nunca esqueci,
Parti de casa ao lado de meu pai.
Minha mãe soluçava!… «Filho, vai,
Que eu ficarei rezando a Deus por ti.»

Manhã de Maio… Adeus, oh! bem querida
Aldeia carinhosa onde eu nasci…
Mares e grandes terras percorri,
Sempre lembrando aquela despedida.

E anos passaram… Lutas, ansiedades,
E ela sempre dizendo: «Filho meu,
Volta, vem mitigar minhas saudades!

Vem descansar aqui, perto de mim.»
E eu não voltei… E minha mãe morreu

Saudosa, me esperando até ao fim!

Cruz d’Alva (Aristides de Matos-Cruz)

- Saudades (São Paulo - Brasil, 1956)

 
VISTOR
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À medida que me elevava, a ascensão entrava a dificultar-se; folhas em tufos compactos prendiam-me os cabelos, os ramos oscilavam sob o peso do meu corpo, e de quando em quando soavam estalidos ameaçadores. Mas via já bem o ninho de águia; primeiro um alicerce de quatro ou cinco ramos de sobro, cruzados; depois um leito de folhas secas e pequenas hastes; sobre o leito folhas macias de trevos, de tamujes e fenos – e, forrando delicadamente o estojo, uma colcha de penugens brancas que a águia arrancava do peito, nos seus transportes de mãe. Com insano trabalho cheguei-lhe ao pé. Pulava-me o coração no peito, e qual não foi a minha alegria ao ver aconchegadas no ninho, uma de encontro à outra, adormecidas e tremendo de frio, duas aguiazinhas implumes, disformes ainda, mas de vigorosas proporções! Cerrara-se de todo a noite. Um claro luar com reflexos metálicos atravessava as vaporizações do arvoredo, penetrando-as de uma poeira de átomos cintilantes. Nas faias da ribeira, os rouxinóis faziam jogos florais arremessando-se os sonetos mais rítmicos; o veio cristalino dos regatos ia contando às folhagens húmidas dos balseiros e canaviais uma lenda antiga de fadas azuis e tesouros mouriscos, narrativa muito em segredo, ente murmúrios de beijos que ao longe mansamente se perdiam.
Dava trindades o sino da aldeia – e as aspirações pairavam naquele calado ar em que borboletas negras saltitavam, traçando sinais de mulheres predestinadas. A lua, na tela do céu esmaiado, lembrava, com as suas ranhuras, a máscara da comédia de uma ópera cómica, que a luz da ribalta ilumina. Ergui os olhos – acabava de ouvir um grito. Vi a águia pairar um momento por sobre a minha cabeça, de asas abertas, cujas rémiges em cutelo siflavam como velas de um moinho em actividade. Depois aquele vulto negro desceu perpendicularmente, raivoso da minha audácia e estendendo o bico de gumes curvos, para me ferir. Agarrado à corda dei um salto, abandonando o ninho, e fiquei suspenso na árvore um instante, a dez metros do chão pedregoso, batendo os dentes de terror. Que fazer? A corda por curta não chegava ao chão. Deixar-me cair era morrer. De repente, porém a enorme pernada dá um estalido seco, houve um atrito de folhas e lentamente vim baixando. Quando pousei no chão, com os dois filhos da águia no peito da camisola e a navalha nos dentes, senti um prazer sem limites. Tinha destruído uma felicidade e praticado a façanha de subir à azinheira, sem outro auxílio mais do que uma pequena corda nodosa e fina. Levaria os implumes para a herdade e criá-los-ia com carne e sangue fresco de cordeiro. E eles cresceriam, alcançando as poderosas formas dos pais – bico adunco e córneo, a terrível garra contráctil, simetria elegante nas asas, que um jogo muscular movimenta com inexplicável destreza. E pertencer-me-iam, estariam na gaiola por minha vontade, comeriam se eu quisesse. Esta ideia de ter alguém sob a minha obediência encheu-me de orgulho. Podia fazer mal sem ter medo das queixas que arrancasse. E vinham-me tendências para oprimir, para espicaçar, para expor à tortura. Também meu pai me batia! que sofressem! Na azinheira a águia ia de ramo em ramo, soltando, a cada investigação inútil, o seu grito melancólico. Corria as árvores próximas, voejava quase à flor do terreno, batendo com as asas dos tojais da selva, e indo em todos os sentidos como alucinada. Depois abriu as asas horizontalmente com um pulo, susteve-se nas penas como um pára-quedas, e com firmeza cortou o ar obliquamente subindo à região das nuvens. De quando em quando, na calada do campo morto, o seu grito de mãe roubada ouvia-se na escuridade, como o silvo de um barco em perigo que pede socorro.
Fialho de Almeida
- O Ninho de Águia (Vila de Frades, 1881 - excerto)


MEMÓR
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06MAI1897-1985 - Arpad Szènes: Artista plástico húngaro, nascido em Budapeste, casado com Maria Helena Vieira da Silva (1908-1992) em 1930 - um dos mais significativos representantes da Escola de Paris dos anos ’40 do Século XX. IMAG.39-134-162-486-490-499-500-502-567-603

07MAI1857-1911 - José Valentim Fialho de Almeida: Escritor e jornalista português, autor de Carta a D. Luís Sobre as Vantagens de Ser Assassinado - «Civilizado ou embrutecido, todo o homem é presa de duas forças rivais que constantemente se investem e disputam primazias. Uma, que o reporta ao passado e lhe transmite por hereditariedade as ideias, hábitos e modos de ser e de ver dos antecessores. Outra, evolutiva, que adapta o indivíduo aos meios novos, e não cuida senão de o renovar e transformar rapidamente. A vida humana não é mais que o duelo entre duas forças antagónicas».

IMAG.129-199-296-313-364-608

Aristides de Matos-Cruz, aliás Cruz d’Alva: Escritor português, ficcionista e poeta, radicado no Brasil, autor de A Ilha da Esperança (1944), Vida Nova (1952), Saudades (1956) ou A Caridade (1957). IMAG.156


BREVIÁR
iO

Relógio D’Água edita Balada da Praia dos Cães (1982) de José Cardoso Pires (1925-1998); prefácio de António Lobo Antunes. IMAG.53-200-226-227-314-366-367-533-581-602


Dom Quixote edita Dom Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes (1547-1616); tradução de Miguel Serras Pereira. IMAG.25-38-79-92-103-349-503-559

Alêtheia edita O Egipto - Notas de Viagem de Eça de Queiroz (1845-1900) IMAG.14-19-52-60-90-101-148-165-178-199-203-205-214-275-287-313-342-394-434-470-483-532-540-554-593


segunda-feira, maio 02, 2016

IMAGINÁRiO #608

José de Matos-Cruz | 24 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
ANIMAÇÕES
Um fenómeno da animação em Portugal, A Suspeita (1999) agitou, mesmo, todos os parâmetros do cinema que por cá se produzia, virtualizando as expectativas sobre o audiovisual na transição para um novo milénio. Duas palavras poderiam caracterizar esta obra, dirigida por José Miguel Ribeiro: simplicidade e fascínio. Há nela uma espécie de ovo de Colombo, a partir do argumento por Gonçalo Galvão Teles, Levina Valentim e Virgílio Almeida. Explorando a animação de volumes, através do solidário entusiasmo da Zeppelin Filmes (com Luís da Matta Almeida), A Suspeita logrou sucesso entre nós e além-fronteiras. A história evolui assim: um compartimento de comboio, quatro pessoas, um revisor, um canivete de Barcelos e um potencial assassino… Chegarão todos ao fim da viagem? A resposta está, também, na série de galardões, conquistados em todo o mundo. Ainda irresistível, o convite posto no papel por A Suspeita: Os Bastidores do Filme de José Miguel Ribeiro e Virgílio Almeida, uma edição profusamente ilustrada e colorida, em parceria da Bedeteca de Lisboa com a Zeppelin. IMAG.548-555


CALENDÁRiO

¯1931-20FEV2016 - Vasco Barbosa: Violinista português, distinguido com a Ordem Militar de Sant’Iago de Espada, fundador do Quarteto Atalaya - «Um grande intérprete de Brahms e um divulgador de compositores portugueses como Freitas Branco e de Frederico de Freitas» (José Cutileiro).

¸1913-22FEV2016 - Ralph Douglas V Slocombe, aliás Douglas Slocombe: Cineasta britânico, director de fotografia da saga Indiana Jones (1981-1989) - «Adorava o seu trabalho e, para mim, tornou-se um grande colaborador. E era um ser humano fantástico - acessível, entusiasta» (Steven Spielberg).

®06JUN1926-24FEV2016 - Joaquim Rosa: Actor português de teatro, cinema (Manhã Submersa - 1980 de Lauro António) e televisão, distinguido com o Prémio Eduardo Brazão (1967 - por A Família Sam, de Peter Ustinov).

¸1933-02MAR2016 - Maria Noémia de Freitas Delgado, aliás Noémia Delgado: Cineasta portuguesa, realizadora de Máscaras (1976) - «Um filme muito pioneiro e muito importante para quem trabalha em cinema etnográfico em Portugal» (Catarina Alves Costa). IMAG.95-182-443
 
¸03MAR2016 - Fado Filmes produziu, e estreia Gelo de Luís Galvão Teles e Gonçalo Galvão Teles; com Ivana Baquero e Albano Jerónimo. IMAG.34-38-143

¢04MAR-30ABR2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Navegar É Preciso - exposição de pintura de Nuno Mendoça.

µ10MAR-08MAI2016 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva expõe, no Ciclo Uma Obra, Uma Colecção com Fundação Colecção Sonnabend, 62 Membros do Clube do Rato Mickey Em 1955 de Christian Boltanski. IMAG.475

¢19MAR-26JUN2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Museu Nacional Grão Vasco - Reservas Em Bruto - Pintura e Escultura dos Séculos XVI e XVII.
   
VISTORiA

¨Parece, ó Trasímaco, que não dás qualquer importância a nós que aqui estamos, pouco te preocupando que vivamos melhor ou pior, na ignorância do que dizes saber… Meu amigo, não guardes para ti a tua ciência; somos um grupo numeroso e, todo benefício que nos conferires, ser-te-á amplamente recompensado.
Platão
 - A República




MEMÓRiA

¯ 25ABR1917-1996 - Ella Jane Fitzgerald, aliás Ella Fitzgerald: Cantora americana de jazz - «A minha vida é como o tempo / e muda a cada hora / quando ele está perto, sinto-me bem e acalentada / quando ele parte, fico enevoada e chove.». IMAG.460-566

¨ 27ABR1737-1794 - Edward Gibbon: Historiador inglês - «Nunca cometo o equívoco de argumentar em relação a pessoas por cuja opinião não tenho o menor respeito». IMAG.451
                               
ANUÁRiO

¨ 428ac-347ac - Platão: Filósofo e matemático grego - «De todos os animais selvagens, o menino é o mais incontrolável.» (Leis, 808). IMAG.39-145-476-519
        
PARLATÓRiO

¨ Eu posso compreender o fascínio que se encerra na união de desejo, amizade e ternura que uma simples mulher pode suscitar, e que leva a torná-la favorita quanto às restantes pessoas de tal sexo, fazendo corresponder a sua posse à única ou à suprema felicidade do homem que assim se sente motivado.
Edward Gibbon

¯Estou sempre com receio de dizer alguma coisa errada - o que, normalmente, acaba por acontecer… É por isso que me parece que, o melhor que tenho a fazer, é cantar.
Ella Fitzgerald

Os filmes que quero fazer não são os das grandes estruturas e das grandes produções. É uma escala mais humana. Eu acredito no cinema, e acredito que este vai continuar. 
José Miguel Ribeiro
        
GALERiA

Navegar É Preciso
¢Tudo acaba a dar ao mar, tudo acaba por vir do mar – o sal, as redes e os antigos navegantes. Mesmo a esperança de velas gastas, vai e vem consoante os desígnios e os sonhos, ao sabor do vento e das marés. Falo dele e dos veleiros e principio as suas marinhas pela caligrafia do cordame, pela elegância dos cascos e do velame, como aguarelas de água, sal e vento. Pintar é já por algum modo, a ilusão de navegar, enquanto o desenho determina e recria e a transparência da aguarela simula a luz e as tonalidades do mar e do céu, infinitudes de instável grandeza. Viver não é preciso se não houver barco e mar e o devaneio criador, nem que seja apenas ir e voltar. Navegar é preciso porque o sonho ilumina e engrandece a vida na sua essência. 
Nuno Mendoça
                 
BREVIÁRiO
 
¨ Gradiva edita Filhos de Saturno - Escritos Sobre o Tempo Que Passa de António José Saraiva (1917-1993). IMAG.456

¯Sony edita em CD, Lady Day: The Master Takes and Singles por Billie Holiday (1915-1959). IMAG.235-390-396-509
¨ Relógio D’Água edita Não Posso Nem Quero de Lydia Davis; tradução de Inês Dias.

¨ Temas e Debates edita Identificação de Um País de José Mattoso. IMAG.140-148-308-335-343-363-505

¨ Relógio D’Água edita As Ondas de Virginia Woolf (1882-1941); tradução de Francisco Vale. IMAG.51-99-220-315-316-328-356-439-483-581

¨ Livros do Brasil edita Contos de Nick Adams de Ernest Hemingway (1899-1961); tradução de Fernanda Pinto Rodrigues e Alexandra P. Torres. IMAG.76-180-235-329-377-474-477-599
             
COMENTÁRiO
 
A Princesinha das Rosas
¸ Tendo-se revelado através da expressão documental com Máscaras (1976), Noémia Delgado enveredou em 1979 pela ficção, com a série Contos Fantásticos produzida por Era Nova para a RTP. Um desses filmes - orçado em 700 contos, sendo a execução de João Meneses Ferreira - A Princesinha das Rosas (1979) teve carreira em cinema, a partir de uma ante-estreia no Festival de Santarém, em Novembro de 1979. Noémia Delgado escreveu o argumento, sobre o romanesco original por Fialho de Almeida; Zita Duarte e Luís Gaspar cederam voz à narração.
Era uma vez uma menina, nascida dos amores entre uma sereia e um pescador, sendo adoptada por um casal de monarcas sem herdeiros… Foram intérpretes Suzanne, Rui Baptista, António Barahona e José de Matos-Cruz. Mário Cabrita Gil dirigiu a fotografia no Algarve, com interiores na Torre de Belém. A Princesinha das Rosas foi emitido pela RTP, em Janeiro de 1981.

terça-feira, abril 26, 2016

IMAGINÁRiO #607

José de Matos-Cruz | 16 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
DEMANDAS
Um mundo longínquo, há muitos e muitos anos. Numa bucólica aldeia do Vale Verde, vivem os Grinos. Se perguntássemos a um destes anões agricultores, qual o seu maior desejo, responderia: «Controlar a chuva», indispensável aos magníficos campos de cultivo. Um dia, o Conselho de Sábios envia uma expedição aos distantes Montes de Vidro, para descobrir o segredo dos Sopradores de Nuvens, gigantes azuis capazes de influenciar os elementos naturais. Os aventureiros regressam com Orull, um semi-deus, com extraordinários poderes… Privilegiando uma vertente especialmente destinada aos mais jovens, eis Orull, o Senhor das Nuvens / Orull, le Faiseur de Nuages (1998), por Denis-Pierre Filippi (argumentista) e Tiburce Oger (ilustrador). Ao conjugar a heroic-fantasy de vanguarda com os intemporais contos de fadas, esta talentosa dupla artística principiou Orull, le Souffleur de Nuages - uma saga mágica, luxuriante, com distintos níveis de leitura e sugestão, tendo em vista «regressar à origem obscura e ancestral dos cancioneiros infantis».
 
VISTORiA
 
A Serenata
 
¨Vestida de gemidos de bordão,
lancinâncias de violino,
na noite parada
vem descendo a seresta.

Sumiu-se a cidade barulhenta
inimiga das crianças e dos poetas.

Uma voz canta sentimentalmente um samba.

                   Aquele aperto de mão
                   não foi adeus!

Os cavaquinhos desmaiam de puro sentimento,
a cidade morreu lá longe,
e a lua vem surgindo cor de prata.

                   Nessa história de amor todos são iguais,
                   até o rei volta sua palavra atrás…

O meio tom brasileiro deixa interrogativamente a sua
                nostalgia.

                   É hora que os poetas escolheram
                   para a procura dos seus mundos perdidos…
                                                  
Amanhã a cidade virá novamente
inimiga dos poetas.
Mas agora ela dorme,
ela não sabe que os poetas falam com Nossenhor,
com a lua e as estrelas,
nesta hora tão lírica…

Menina romântica, irmã
das crianças e dos poetas…
A tua janela, florida de esperanças,
é um mistério que a cidade não entende.

Passa a serenata.
Mas no coração dos que temem a primeira luz do dia que vai
chegar
ficam os gemidos do violão e do cavaquinho,
vozes crioulas neste noturno brasileiro
de Cabo Verde.
Baltazar Lopes / Osvaldo Alcântara
 
CALENDÁRiO
 
18FEV-24MAR2016 - Bedeteca da Amadora apresenta, na Biblioteca Municipal Fernando Piteira Santos, ‘Os Doze de Inglaterra’ de Eduardo Teixeira Coelho - exposição de materiais originais de impressão da obra, impressões do livro e arte original do artista. IMAG.28-31-41-43-85-117-129-132-209-328-372-568-578

µ27FEV-11JUN2016 - Em Guimarães, Palácio Vila Flor apresenta Still There - exposição de fotografia (Líbano, 2011) de Carlos Lobo.

¢03MAR-15MAI2016 - Centro de Exposições de Odivelas apresenta, na Galeria D. Dinis, a exposição retrospectiva de pintura João Feijó - 30 Anos Pela Arte.

VISTORiA
 
¨ Julgo razoável, leitor, antes de prosseguirmos juntos, explicar-lhe que, sempre que tiver ensejo ou oportunidade, pretendo fazer digressões no decurso de toda esta história, da qual sou melhor juiz do que qualquer lastimoso crítico que exista; e cumpre-me pedir aqui a todos esses críticos que tratem da sua vida, e não se metam em negócios ou obras que, de maneira nenhuma, lhes dizem respeito; pois, enquanto não demonstrarem a autoridade por cuja virtude se constituíram juízes, não me sujeitarei à sua jurisdição.
Henry Fielding
- A História de Tom Jones (1749 - excerto)
                     



MEMÓRiA
 
15ABR1707-1783 - Leonhard Paul Euler: Matemático e físico suíço de língua alemã, radicado na Rússia e na Alemanha, desenvolveu a geometria analítica e a trigonometria - «Calculava, sem esforço aparente, como os homens respiram, como as águias planam ao vento» (François Arago - 1786-1853). IMAG.146

¨ 18ABR1927-2008 - Samuel Phillips Huntington, aliás Samuel Huntington: Escritor e analista americano, especialista em ciência política - «O universalismo ocidental é perigoso para o mundo… [Importa] reconhecer que a intervenção ocidental nos assuntos de outras civilizações é, provavelmente, a mais perigosa causa de instabilidade e de potencial conflito global num mundo multicivilizacional.» (Clash of Civilizations - 1993).

¨ 22ABR1707-1754 - Henry Fielding: Novelista e dramaturgo inglês, um dos fundadores do romance moderno; em 1754, radicou-se em Lisboa, à procura de melhor clima. Tendo escrito Journal of a Voyage To Lisbon, faleceu dois meses depois na capital portuguesa, e foi enterrado no Cemitério dos Ingleses. IMAG.140-486

¨ 1783-23ABR1847 - Erik Gustaf Geijer: Escritor e compositor sueco - «Cada um de nós tem qualidades para fazer alguma coisa melhor do que as outras pessoas». IMAG.402

¨ 23ABR1907-1989 - Baltazar Lopes da Silva, aliás Osvaldo Alcântara: Poeta, ficcionista e linguista cabo-verdiano, cultor do crioulo, co-fundador do movimento Claridade - «Venham todas as vozes, todos os ruídos e todos os gritos, / venham os silêncios compadecidos e também os silêncios satisfeitos;  / venham todas as coisas que não consigo ver na superfície da sociedade dos homens; / venham todas as areias, lodos, fragmentos de rocha / que a sonda recolhe nos oceanos navegáveis…» (Ressaca - excerto).
               
PARLATÓRiO
 
¨ Um autor deve considerar-se, não um cavalheiro que oferece um banquete particular ou de caridade, e sim alguém que dirige uma casa de pasto, pública, na qual são bem-vindas todas as pessoas, em troca do seu dinheiro.
Henry Fielding
           
SUMÁRiO
 
Matemático suíço, nascido em 1707 e falecido em 1783, foi um professor brilhante, cuja autoridade foi incontestada, expandindo todas as áreas conhecidas da Matemática. O seu nome está ligado a uma grande quantidade de entidades matemáticas como o número e – número de Euler –, base dos logaritmos naturais, e o número i, número imaginário. Aluno de Johann Bernoulli, foi grande amigo do sobrinho deste, Daniel Bernoulli, que o chamou para São Petersburgo, Rússia, onde foi professor no Colégio Naval e na Academia de Ciências (1730). Aqui, no seguimento de observações astronómicas, ao olhar para o Sol, perdeu a visão do olho direito. De 1741 a 1766, deslocou-se para Berlim, onde foi director da Academia de Ciências. Voltaria à Rússia a convite de Catarina, a Grande, tornando-se director da Academia de Ciências de São Petersburgo. Ficaria completamente cego, devido a cataratas, mantendo todas as suas responsabilidades e trabalhos durante mais de quinze anos até à sua morte.
          
BREVIÁRiO
 
Gradiva edita Os Doze de Inglaterra (1950-1951) de Eduardo Teixeira Coelho (1919-2005).

¯Harmonia Mundi edita em CD, Michel-Richard de Lalande [1657-1726]: Leçons de Ténèbres por Sophie Karthäuser, com Ensemble Correspondances, sob a direcção de Sébastien Daucé.
            
COMENTÁRiO

Pela primeira vez, os admiradores do grande mestre Eduardo Teixeira Coelho vão poder apreciar na íntegra uma das obras mais belas que desenhou, Os Doze de Inglaterra. Trata-se, seguramente, de uma obra-prima da literatura de quadradinhos mundial.
Publicada agora, finalmente, em álbum, sem as amputações que na sua edição original [O Mosquito, 1950-1951] sacrificaram, frequentemente, a integralidade do desenho ao espaço ocupado pelo texto de Raul Correia – também ele belo, mas, nalguns passos, porventura, redundante –, numa edição que só foi possível pela arte, o conhecimento e o empenho de outro grande criador da banda desenhada portuguesa, José Ruy.
Guilherme Valente
(Editor da Gradiva)


sábado, abril 23, 2016

IMAGINÁRiO EXTRA: Daniel Maia - Exposição a solo

De dia 30 Abril a 20 de Maio, o Ateneu Popular do Montijo vai expor Traços & Tons, uma mostra composta por uma selecção de trabalhos recentes, figurando personagens de comics, como Batman, Tartarugas Ninja e Mulher-Maravilha, ou de ficção como O Infante Portugal (criado por José de Matos-Cruz), e complementada por diários gráficos e cadernos de desenho.
Comissariada por Marta Ferreira, a exposição visa mostrar obras recentes, em banda desenhada e ilustração, demonstrar o meu processo de trabalho – que será de interesse ao público escolar, para dar a conhecer as fases criativas que levam um trabalho desde o guião ou esboço inicial à peça finalizada e respectiva edição –, e partilhar comparações entre estes e desenhos de fase amadora, pré-adolescência.

Volvidos dez anos desde que exponho a solo, estarei presente na inauguração, no dia 30 Abril, às 15h30. Estão convidados a comparecer.
Agradeço à direcção do Ateneu Popular de Montijo, a Marta Ferreira e João Miguel Ferreira, pelo convite e organização da mostra; à Câmara Municipal do Montijo e Junta de Freguesia da União de Freguesias de Montijo e Afonsoeiro, pelo apoio prestado; e a José de Matos-Cruz e direcção da Bedeteca da Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana, pela cedência do seu ex-libris para imagem gráfica do cartaz do evento.
?Daniel Maia
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quarta-feira, abril 20, 2016

IMAGINÁRiO EXTRA: Susana Resende - Navegador

Talento, sensibilidade e uma rigorosa, mas versátil e sugestiva expressão gráfica, estimulam a criatividade de Susana Resende, que tem estendido as virtualidades como artista plástica e ilustradora profissional ao universo da banda desenhada.
Assim, e a partir da revelação em 2013, com Sayonara (no álbum antológico Zona Nippon 2 – distinguida com o 2º lugar na categoria Melhor Obra Curta dos XII Troféus Central Comics), destacam-se a prancha autoconclusiva Cadáver Esquisito! #51 (na banda desenhada colectiva em método cadavre exquis, coordenada por Daniel Maia, 2015), 24 (sobre história breve de André Oliveira, na revista Cais #212, 2015) e, já sob o signo da maturidade, também como argumentista, Navegador (na revista Gerador #6, 2015).
Pessoalmente, assinalo a estilizada transfiguração com que Susana Resende participou em O Infante Portugal e as Sombras Mutantes (Apenas Livros, 2012), tendo – entretanto – aceite o desafio para conceber as visões originais de Aurora Boreal, a que se seguiu uma deslumbrante e prodigiosa inspiração para esta minha saga, actualmente em expansão narrativa. E deixo manifesto o meu apreço pelos atributos inquietadores e fantásticos que se enunciam em Navegador, aliando uma perturbante conflitualidade ficcional às valências da textura cromática.
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terça-feira, abril 19, 2016

IMAGINÁRiO #606

José de Matos-Cruz | 08 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
(IN)SUCESSOS
Sustentado por uma indústria precária e esporádica, o cinema português encontra na essência artística a sua motivação primordial, com os inerentes desaires quando se pretende explorá-lo como um mero negócio. Os exemplos são quase tantos, quantas as tentativas sobre os filmes em causa, ao longo de um século - gerando a decepção, o afastamento, o rancor ou, mesmo, a ruína daqueles que o manipularam numa mera expectativa comercial. Porém, há casos de um insólito sucesso, e outros marcados por um bizarro sentido de oportunidade. Assim, Os Crimes de Diogo Alves (1911 - João Tavares), a nossa primeira ficção autónoma, continuava a ser explorada nos anos ’30, já em pleno sonoro. E A Severa (1931 - Leitão de Barros), nossa primeira longa metragem falante, era reposta em 1955, a propósito da peça de Júlio Dantas, então em cena no Teatro Monumental. Mais recentemente, quando estreou Amor de Perdição (1978) de Manoel de Oliveira, também reaparecia o clássico (1943) de António Lopes Ribeiro, sobre a obra de Camilo Castelo Branco… Em geral, faltando ao cinema português uma estratégia notória de rendibilização nas salas, o alento maior de sobrevivência ou ressurreição seria atribuído por alternativas excepcionais - como a passagem na televisão ou a edição em vídeo.
  
CALENDÁRiO
 
18FEV-25ABR2016 - No Porto, Galeria Municipal / Jardins do Palácio de Cristal apresenta Habitar Portugal 12-14 - um olhar sobre a produção arquitectónica portuguesa do triénio (obras concluídas entre 01JAN2012 e 31DEZ2014), em exposição organizada pela Ordem dos Arquitectos, com a Câmara Municipal do Porto.

¨28ABR2026-19FEV2016 - Nelle Harper Lee, aliás Harper Lee: Ficcionista americana, autora de Mataram a Cotovia/Não Matem a Cotovia (1960) - «A única coisa que não devemos curvar ao julgamento da maioria é a nossa própria consciência».

 ¨1932-19FEV2016 - Umberto Eco: Escritor italiano, filósofo e semiólogo, ensaísta e ficcionista, autor de O Nome da Rosa (1980) - «Nada é mais nocivo para a criatividade do que o furor da inspiração». IMAG.22-40-58-175-283-417-603

¢23JAN-01MAI2016 - Em Évora, Fórum Eugénio de Almeida expõe Realidade Suspensa de Michael Biberstein (1948-2013), sendo curador Reto Pulfer; e Estados de Rememoração de Reto Pulfer, sendo curadora Filipa Oliveira.
      
VISTORiA
 
O Bailado Velado

¨Na encruzilhada impossível da imobilidade
uma turba de objectos inertes
não consegue parar de se mover fremir dançar
E os carteiros do vento
como os do mar
espalham a correspondência aqui e lá
Cada coisa sem dúvida se destina a alguém
       ou a alguma coisa talvez
A pluma da ave
como a concha da ostra
a cruz da legião de honra
como a estrela do mar
ou a pinça do caranguejo e a âncora da fragata
a rã verde de lata
e a boneca de som
e a coleira do cão
E nesta paisagem onde nada parecia mexer-se
excepto a vela do náufrago na lanterna em ferrugem
é o bailado velado
o bailado dos objectos inanimados.
Jacques Prévert
(Tradução de Adriano Scandolara)

MEMÓRiA
 
 10ABR1847-1911 - Joseph Pulitzer: Emigrante húngaro nos EUA, repórter - «um defensor ao lado das pessoas, um porta-voz da democracia» -, empresário e proprietário de The World (1883), definiu as regras de um jornalismo rigoroso e confiou parte da fortuna à Universidade de Columbia, Nova Iorque, a partir da qual foi instituído o Prémio Pulitzer (1917), com o objectivo de «encorajar e distinguir a excelência». IMAG.344

¯ 1562-11ABR1607 - Bento de Goes: Missionário e explorador português - por ordem de Nicolau Pimenta, Visitador da Companhia de Jesus em Goa, percorreu a Rota da Seda, em busca do mítico Cataio, e morreu exausto junto à Grande Muralha da China, próximo já de Pequim. IMAG.126

¨ 1900-11ABR1977 - Jacques Prévert: Poeta francês, autor de Paroles (1946) - «Teus jovens seios brilhavam ao luar / Mas arremeti o / Gelo frio / Da pedra do ciúme / Contra o rio / Que reflectia o / Dançar de tua nudez na Riviera / Pelo esplendor do estio.» (Riviera). IMAG.185-262

¨ 1903-11ABR1987 - Erskine Preston Caldwell, aliás Erskine Caldwell: Escritor americano, autor de Estrada do Tabaco (1932) - «Um bom Governo é como uma boa digestão… Enquanto funciona, nem nos apercebemos». IMAG.593

¨ 1919-11ABR1987 - Primo Levi: Escritor italiano, prisioneiro em Auschwitz, autor de Se Isto É Um Homem (1947) - «O objectivo da vida é criar a melhor defesa possível contra a morte». IMAG.126-236-244-412-416-575

¨ 12ABR1947-2013 - Thomas Leo Clancy Jr, aliás Tom Clancy: Ficcionista americano, criador da personagem de Jack Ryan - «Hoje em dia, as pessoas vivem mais tempo do que no passado. E vivem vidas mais felizes, possuem mais conhecimento, mais informação. Tudo isto é o resultado da tecnologia da comunicação… Pessoalmente, considero-me alguém com sorte. Mas não acredito em nada. Tudo que faço, é analisar as possibilidades». IMAG.488
                     
TRAJECTÓRiA
 
BENTO DE GOES
¯ Nasceu Luiz Gonçalves em Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, em Julho de 1562. Foi para a Índia como soldado, entrando na Companhia de Jesus em 1584. Abandonando o noviciado, ao frustrar-se o sacerdócio, dirigiu-se a Ormuz, mas regressou à Companhia de Inácio de Loiola em 1588, para tornar-se Irmão como Bento de Goes.
A 3 de Dezembro de 1594, pediu missão diplomática ao reino Mogol, onde logrou as simpatias de Ackbar, levando-o a manter-se em paz com o Vice-Rei, em Goa, através duma embaixada de que foi incumbido, em 1600-1601. Os superiores jesuítas da Índia pretendiam descobrir o caminho terrestre até à China, contornando e transpondo pelo poente as cadeias dos Himalaias, para desvendar o mistério do Grão-Cataio e a sua identificação com o Império Celeste, tal como presumia Mateo Ricci. Nicolau Pimenta confiou-lhe tal empresa, pois sabia o persa, o turco e os costumes muçulmanos. Disfarçado de mercador arménio, com o nome de Banda Abdullah ou Abdulllah Isahi, e acompanhado por dois negociantes gregos, Leone Grimam e Demétrio, dirigiu-se pelo Dekong, com o arménio Isaac como criado, a Agra em 29 de Outubro de 1602, e a Lahore a 6 de Janeiro de 1603. Com cartas de recomendação de Ackbar, chegou a Cabul, onde Grimam permaneceu. Prosseguiu com a irmã do Khan de Casgar, que, regressada de peregrinação a Meca, encontrara em Cabul, emprestando-lhe o produto da venda de umas pedras semipreciosas. Galgou o planalto de Pamir e, em Novembro de 1603, chegava a Iarcand, onde ficou até 14 de Novembro de 1604, visitando Chotan, para ser retribuído dos favores à rainha-mãe, da qual se fizera credor em Cabul.
Prosseguindo para leste, por Zilan e Cucha, chegou a Chalis, onde recebeu as primeiras notícias dos missionários de Pequim e, em 22 de Dezembro de 1605, atingiu Soucheu, extremo da Grande Muralha. Ali, pôde identificar o Cataio com a China e Kambalik com Pequim. Dirigindo recados a Mateo Ricci, este enviou-lhe um jesuíta chinês, Ciommimli, aliás João Fernandes, que o encontrou mísero e doente. Faleceu em Soucheu, China, a 11 de Abril de 1607. Com notas avulsas da viagem, relatada num diário, contendo apontamentos que os devedores muçulmanos tentaram destruir, para evitar o pagamento, mas recolhidos por Isaac e Ciommimli, Ricci logrou reconstituir o itinerário de Bento de Goes, em 1608-1610.
            
COMENTÁRiO
 
 A nossa República e a sua Imprensa erguer-se-ão e cairão juntas… O poder para moldar o futuro da República estará nas mãos dos jornalistas das próximas gerações.
Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela própria.
Joseph Pulitzer
- The North American Review (1904)
            
PARLATÓRiO
 
¨ Com o passar dos anos, as minhas recordações não empalidecem nem se dissipam, pelo contrário, enriquecem-se com detalhes que eu acreditava esquecidos e que, às vezes, adquirem sentido à luz das recordações de outras pessoas, de cartas que recebo ou de livros que leio.
Primo Levi
           
BREVIÁRiO
 

¨ Alêtheia Editores lança Os Lugar-Tenentes de Salazar (1889-1970) - Biografias de Manuel de Lucena (1938-2015). IMAG.554