segunda-feira, abril 18, 2016

IMAGINÁRiO #605

José de Matos-Cruz | 01 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO
 
CREPÚSCULOS
Num panorama de banda desenhada por autores portugueses, David Soares - lisboeta nascido em 1976, artista gráfico e editor de fanzines - sobressairia como um autor aliciante, em evolução pelo Círculo de Abuso. Após Cidade-Túmulo e Mr. Burroughs em álbuns de 2000, o novo milénio foi estigmatizado com Sammahel (2001), pelas sombras do nazismo durante o século findo. Escritor e ilustrador, Soares apelou à inspiração de Thomas Mann, em Doutor Fausto, reivindicando um fascínio pela «literatura alemã; e por toda a literatura da Europa do leste, já que o menciono». Em causa está uma descida ao inferno que habita no íntimo de Adrian Leverkhün, estudante de teologia e compositor. Obcecado pelo medo de executar a sua música, com o pressentimento de que morrerá, Adrian parece nem se aperceber do regime de horror que germina na Alemanha, e avassalará na crepuscular bestialidade do Terceiro Reich. Uma obra complexa, madura e perturbante, Sammahel apela à consciência cultural/histórica do leitor, consumando as virtualidades de um criador que se aprofunda, sob o desígnio da sua radicalidade. IMAG.6-358-410


CALENDÁRiO
 
¢06FEV-08MAI2016 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta The Sonnabend Collection: Meio Século de Arte Europeia e Americana (Parte 1), sendo comissário António Homem. IMAG.554

¢20FEV2016 - Na Amadora, Casa Roque Gameiro apresenta A Casa, Vida e Obra da Família [Alfredo] Roque Gameiro (1864-1935) - exposição permanente, e a Coletiva da Associação de Aguarela de Portugal. IMAG.197-558-585-602

¯ABR1937-14FEV2016 - Vera Varela Cid: Bailarina portuguesa, professora de dança, co-fundadora da Companhia Nacional de Bailado/CNB (1977) - «Deixa um legado de dedicação, profissionalismo e criatividade artística de valor inestimável, na história do bailado e das artes performativas em Portugal» (Ministério da Cultura).
      
PARLATÓRiO
 
¯Não custa muito escrever música, mas é extraordinariamente difícil deixar as notas supérfluas em cima da secretária… Por vezes, eu pondero em variantes formais, e o resultado final acaba por me parecer mais específico, mais puro.
Johannes Brahms

¨ Continuo a viajar pela arte. Neste fim-de-semana, não sei o que se passou com o mundo. Não quero saber. Por uma noite, permitam-me ser como a avestruz. Só por esta noite, porque amanhã já é segunda feira…
Leonora Carrington
              
VISTORi

Desaparecido
¨Sempre que leio nos jornais:
«De casa de seus pais desapar’ceu…»
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
– Livre o instinto, em vez de coagido.
«De casa de seus pais desapar’ceu…»
Eu, o feliz desaparecido!
Carlos Queiroz
- Desaparecido e Outros Poemas (1950)


MEMÓRiA

¯1833-03ABR1897 - Johannes Brahms: Compositor alemão - «Herdeiro de Beethoven, oferece em sua obra a síntese perfeita do romantismo e do classicismo. Não desprezou o canto popular húngaro, que incorporou a uma poesia tipicamente nórdica e suntuosa» (Renata Cortez Sica). IMAG.82-171-193-199-256-286-303-324-393-417-482-531-554-597

¨ 05ABR1907-1949 - José Carlos de Queiroz Nunes Ribeiro, aliás Carlos Queiroz: Poeta e ensaísta português - «Por que vieste? – Não chamei por ti! / Era tão natural o que eu pensava, / (Nem triste, nem alegre, de maneira / Que pudesse sentir a tua falta…) / E tu vieste, / Como se fosses necessária!» (Apelo à Poesia). IMAG.167-307-491

¨ 1926-05ABR1997 - Irwin Allen Ginsberg, aliás Allen Ginsberg: Poeta americano, ligado à beat generation - «Os corpos quentes / brilham juntos / na escuridão, / a mão move-se / para o centro / da carne, / a pele treme / na felicidade / e a alma sobe / feliz até ao olhar – // sim, sim, / é isso que / eu queria, / eu sempre quis, / eu sempre quis / voltar / ao corpo / em que nasci.» (Canção). IMAG.9-13-64-85-89-247-306-362-426-469-565

¨ 06ABR1917-2011 - Leonora Carrington: Escritora, pintora e escultora de origem inglesa, ligada ao surrealismo e ao México - «Não é uma poetisa, mas um poema que caminha, que sorri, que de repente exibe o seu sorriso e se converte em pássaro, depois em peixe, e desaparece» (Octavio Paz). IMAG.361

1863-07ABR1947 - Henry Ford: Industrial americano - «Se o dinheiro for a nossa esperança de independência, jamais a alcançaremos. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência… Há um punhado de homens que conseguem enriquecer, simplesmente, porque prestam atenção aos pormenores que a maior parte das pessoas despreza». IMAG.125-428
                                   
TRAJECTÓRiA
 
Joannes Brahms
¯ Compositor e pianista alemão, Brahms nasceu em 1833, em Hamburgo, na Alemanha, e morreu em 1897, em Viena, na Áustria. Compôs sinfonias, concertos, música de câmara, peças para piano, peças corais e mais de 200 canções. Foi o grande mestre da sinfonia e da sonata da segunda metade do século XIX e um dos grandes compositores da época romântica.
Johannes Brahms era talentoso, produtivo e, além do êxito alcançado, tornou-se imensamente popular. Apesar disso, era visto como um conservador, em contraste com o progressismo de outros compositores seus contemporâneos. As suas sinfonias e concertos são bastante formais e não fossem os pequenos toques de classe, nomeadamente em alguns andamentos, não seriam hoje tão considerados. A sua excelência revela-se nesses pequenos detalhes. Talvez por isso, os seus trabalhos de menor dimensão - as peças de câmara e as sonatas - demonstrem tanta imaginação e energia. O simples facto de a sua Primeira Sinfonia ser ironicamente apelidada de Décima de Beethoven, prova o seu apego ao formalismo clássico de um compositor falecido há 50 anos. Adicionalmente, o facto de Johannes Brahms se ter demarcado de Liszt, Wagner e Bruchner e outros compositores da chamada Nova Escola Alemã atesta a sua inadaptação à rápida mudança estética da segunda metade do século XIX.
Os estudos musicais de Brahms foram iniciados muito cedo, no piano e na composição. O seu desejo era ser reconhecido como maestro e compositor. Tornou-se amigo de Robert Schumann, até porque partilhavam o mesmo estilo musical. A partir daí, Brahms tentou a sua sorte em Viena, a capital musical da Europa, e conheceu algum sucesso. Adicionalmente, atuou um pouco por toda a Europa, dando a conhecer a sua obra, perante audiências cada vez maiores. Depois disso, como muitos outros músicos, tornou-se professor. Quando em 1869 compôs Um Requiem Alemão, um trabalho coral e orquestral grandioso, conseguiu críticas bastante positivas e o retorno financeiro de que necessitava. Com a confiança renovada, trabalhou no formato que sempre o tinha amedrontado: a sinfonia. Veio a compor quatro sinfonias, além de numerosos concertos.
Entre as suas composições mais conhecidas encontram-se o Concerto para Piano N.º 1 em Ré Menor (1854-58), o Um Requiem Alemão (1868), as Danças Húngaras (1869), as Variações sobre um Tema de Haydn (1873), a Sinfonia N.º 1 em Dó Menor (1876), a Sinfonia N.º 2 em Ré Maior (1877), o Concerto para Violino em Ré Maior (1878), a Sinfonia N.º 3 em Fá Maior (1883), a Sinfonia N.º 4 em Mi Menor (1884-85), a Sonata para Violino em Ré Menor (1886-88), o Quinteto para Cordas em Fá Maior (1882), o Quinteto para Cordas em Sol Maior (1890), o Quinteto para Clarinete e Cordas (1891) e as Sonatas para Clarinete e Piano (1894).
Uma boa parte da sua obra foi inspirada diretamente na música popular alemã, húngara e zíngara. Toda a sua música apresenta solidez, riqueza harmónica, expressividade melódica e uma força rítmica baseada na utilização de síncopas. Embora não tenha sido um inovador, a sua arte marca uma forte maturidade dentro do movimento romântico alemão, o que faz de Brahms uma das figuras máximas da História da música.
        
SUMÁRiO
 
¨ Nasceu em 1907, em Paris. Poeta, ensaísta, crítico literário e de arte, estudou Direito na Universidade de Coimbra, tornando-se funcionário da Emissora Nacional, onde organizou programas culturais. Assíduo colaborador da Presença e de outras publicações literárias, foi considerado um elo de ligação entre a geração presencista e a de Orpheu. Considerado um discípulo directo de Fernando Pessoa, a sua poesia caracteriza-se pela perfeição formal, pelo equilíbrio e sobriedade e pela sugestão musical. Denuncia alguma herança romântica e certa aproximação ao simbolismo. Morreu em 1949, em Paris.
        
BREVIÁRiO
 
¨ Relógio D’Água edita Convite Para Uma Decapitação de Vladimir Nabokov (1899-1977); tradução de Carlos Leite. IMAG.63-223-253-272-325-338-418-503-504-505-507-600
 
¨ Cavalo de Ferro edita Thérèse Desqueyroux de François Mauriac (1885-1970); tradução de Manuela Barros. IMAG.112-484-534

¨ Fundação Francisco Manuel dos Santos edita Malditos - Histórias de Homens e de Lobos de Ricardo J. Rodrigues.

terça-feira, abril 05, 2016

IMAGINÁRiO #604

José de Matos-Cruz | 24 Março 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
SUPERAÇÕES
Estranhas manchas alastram nos ecrãs de radar. Pouco depois, começam a chegar notícias de perturbação pública, por todo o mundo. Nos Estados Unidos, os canais de televisão passam a transmitir notícias sobre objectos bizarros, avistados no céu. Tensões, agitação, substituem a curiosidade e expectativa entre todos: trata-se de enormes naves espaciais, que obscurecem o céu.
O ataque brutal, pelo conjunto das forças extraterrestres, concretiza-se em 4 de Julho, O Dia da Independência/Independence Day. Em 1996, este superespectáculo de Hollywood, em tal data estreado nos Estados Unidos, batia finalmente o recorde de Parque Jurássico/Jurassic Park (1993): mais de cem milhões de dólares (os custos de produção e promoção) de receitas, em apenas uma semana de exibição. Admirador confesso de Steven Spielberg, o realizador Roland Emmerich - também argumentista - pretendeu aliar, ao épico/fantástico, outros dois géneros consagrados: as sagas de guerra e de catástrofe. Uma estratégia dramática em crescendo, e colectiva, permitiu polarizar várias acções motivadas pela mesma tragédia… Arrasadas as grandes metrópoles, a nível planetário, a humanidade formará a resistência para sobreviver: cidadãos comuns, autoridades e estadistas, exércitos aliados. Superando conflitos pessoais, unindo esforços contra a adversidade, enfrentando com bravura um adversário desconhecido, inexorável e imensamente poderoso.


CALENDÁRiO
 
¢SET2015-28FEV2016 - Em Lisboa, Galeria São Roque expõe António Costa Pinheiro [1932-2015] - O Pintor Ele-Mesmo (1955 a 1985). IMAG.239-312-486-569-590-593

ü20NOV2015-06MAR2016 - Em Lisboa, Museu do Oriente expõe A Arte da Falcoaria - De Oriente a Ocidente, sendo comissária Natália Correia Guedes.

µ12DEZ2015-13FEV2016 - Em Lisboa, Galeria Pedro Alfacinha apresenta Valor de Face - exposição de fotografia de José Pedro Cortes. IMAG.297-516-595

µ22JAN-26MAR2016 - Em Lisboa, Galeria Miguel Nabinho apresenta L’Année Dernière - exposição de fotografia e vídeo de Nuno Cera. IMAG.398

¢30JAN-26MAR2016 - Em Vila do Conde, Centro de Memória expõe Colecção Dr. Couto Soares Pacheco - Uma Selecção, incluindo obras de Vieira da Silva, Júlio Pomar, Júlio Resende, Nadir Afonso, Manuel Cargaleiro, Ângelo de Sousa, Fernando Lanhas ou Noronha da Costa.

¸11FEV2016 - Nitrato Filmes estreia Lisbon Revisited (2014) de Edgar Pêra; vozes de Marina Albuquerque e Miguel Borges. IMAG.23-53-91-142-284-381-541

µ12FEV-27MAR2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta [Conspiração dos Espelhos] - exposição de fotografia de Luísa Alpalhão.

µ17FEV-12MAR1016 - Em Lisboa, Casa da Liberdade - Mário Cesariny apresenta Lisboa Revistada - Photo-Liturgya Lisboeta & Kino-Exorcismo Pessoano; exposição de fotografia em formato 3D de Edgar Pêra, a propósito da estreia do filme Lisbon Revisited (2014), sendo curador Carlos Cabral Nunes. IMAG.23-53-91-142-284-381-541
        

ANUÁRiO
 
287aC-212aC - Arquimedes: Físico e matemático grego, engenheiro, astrónomo e inventor - «Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio, e eu levantarei o mundo». IMAG.108-133-362
 

MEMÓRiA
 
¯1770-26MAR1827 - Ludwig van Beethoven: Compositor alemão, entre o classicismo e o romantismo - «Atingi um tal grau de perfeição, que me encontro acima de qualquer crítica».IMAG.134-163-202-204-210-228-229-236-237-239-255-268-285-298-303-323-360-375-384-409-430-431-432-436-442-445-452-458-481-502-529-581

¯1882-28MAR1937 - Karol Maciej Korwin-Szymanowski, aliás Karol Szymanowski: Compositor polaco - «É-me impossível falar dele de maneira objectiva, como pessoa ou como maestro, pois não pode esperar-se que um admirador consiga ser isento ou emitir um juízo desapaixonado» (Simon Ratlle). IMAG.343-358-389

R 1851-31MAR1927 - Mabel Collins: Escritora e mística britânica - «Nenhum homem é teu inimigo; nenhum homem é teu amigo. Um ou o outro, todos são, igualmente, teus instrutores».
               
VISTORiA

R Considerai comigo que a existência individual é uma corda que se estende do infinito até ao infinito, e que não tem fim nem princípio, nem é susceptível de ser quebrada. Essa corda é composta de inúmeros pequenos fios, os quais, juntos e apertados, constituem a sua grossura. Esses fios são incolores, são perfeitos nas suas qualidades de serem direitos, fortes e paralelos. A corda, passando, como passa, por todos os lugares, sofre estranhos acidentes…
E lembrai-vos que os fios são vivos, que são como fios eléctricos; mais, que são como nervos que vibram. Quão longe, portanto, se não comunica a mancha, o desvio acontecido! Mas tempo vem em que os longos cordões, os fios vivos, que na sua continuidade ininterrupta formam o indivíduo, passam da sombra para a luz. Então os fios já não são incolores, porém dourados; tornam a ficar unidos e paralelos. Torna a estabelecer-se entre eles a harmonia; e dessa harmonia interna a harmonia maior se conclui.
Mabel Collins
- Luz Sobre o Caminho (excertos
- Tradução de Fernando Pessoa)
            
TRAJECTÓRiA
 
ARQUIMEDES
Arquimedes nasceu em Siracusa, Sicília, em 287 aC. Ainda jovem, mudou-se para Alexandria, estudando na Biblioteca com discípulos de Euclides. Regressado à pátria, devotou-se à exploração científica - envolvendo a Aritmética, a Astronomia, a Hidrostática e a Mecânica - com o privilégio do tirano Hierão. Durante a II Guerra Púnica, liderou a defesa de Siracusa atacada pelas tropas de Marcus Claudius Marcellus, com recurso a catapultas e outras máquinas de guerra. Após quase três anos de cerco, e invadida a cidade em 212 aC, quanto às lendas/versões sobre a sua morte, sobressai o ferimento letal de espada por um soldado romano - segundo Plutarco, contra as ordens do comandante - pois, absorto com uma figura geométrica, recusou-se a acompanhá-lo de imediato. Foi autor de uma dezena de tratados como Da Esfera e do Círculo (Matemática) e Do Equilíbrio dos Planos (Mecânica). Como investigador, determinou a razão entre o perímetro da circunferência e o seu diâmetro (número pi) ou a teoria da alavanca simples; inventou o parafuso sem fim, a espiral, a roda dentada ou o guindaste por combinação de roldanas para levantar pesos.
               
PARLATÓRiO
 
A matemática é a mais alta das ciências, o dom mais alto que os deuses deram aos homens. Ela é mais poesia do que a própria poesia.
Arquimedes
          

ELUCIDÁRiO
 
Princípio de Arquimedes
Qualquer corpo mergulhado total ou parcialmente num fluido em equilíbrio, dentro de um campo gravitacional, sofre por parte desse fluido uma impulsão vertical, dirigida de baixo para cima, de valor igual ao peso do volume do fluido deslocado.
Tratado dos Corpos Flutuantes
            

BREVIÁRiO

®Na colecção Teatro No Cordel, Apenas Livros edita Ano Teatral 1890 de José de Matos-Cruz, para a série Anuário Teatral - Portugal - Século XIX.
       
¨Colibri edita Urbano - O Eterno Sedutor de Eduardo M. Raposo; sobre Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013). IMAG.71-96-157-229-384-420-476-520
 

¨Dom Quixote edita António Ferro (1895-1956) - O Inventor do Salazarismo de Orlando Raimundo. IMAG.74-115-180-210-223-224-297-327-339-355-436-484-527-562-586
        

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO – 4
O Petisco atreveu-se como rabo de saias vadias.
Marinheiro d’água doce, que a vida açoita de vento à poupa, despenteando em amargos de brilhantina.  
– Continua  

sexta-feira, abril 01, 2016

IMAGINÁRiO #603

José de Matos-Cruz | 16 Março 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
ASSOMBRAÇÕES
Uma ameaça insidiosa paira sobre o sombrio mundo de DarkMinds (1998). A história terrível de um assassino múltiplo, e de dois investigadores especiais com a missão de o capturarem, levando-o a submeter-se à justiça. Ambientada em futuro próximo, na cidade de Macropolis, Paradox é o primeiro capítulo duma aventura cruzada, entre os clássicos de acção criminal e a ficção científica cyberpunk. Concebida por Adrian Tsang & Pat Lee, também ilustrador com Alvin Lee, para cores de Angelo Tsang, esta perturbante síntese artística testemunha, afinal, o desafio aos agentes Tedashi Nagawi e Akane Nakiko, que se confrontam com inimigos no seio da ordem e à margem da lei. Inspirados pelo estilo gráfico e ficcional da mangà nipónica, os quadradinhos americanos para adultos rasgam, assim, os artifícios de uma textura social, sobre as luzes e as trevas, ritualizando o próprio conflito íntimo, pervertido, quanto aos protagonistas/antagonistas entre o bem e o mal. Nakiko e Nagawi debatem-se, pois, ante a ambígua personalidade de Paradox…


CALENDÁRiO
 
¢14JAN-12MAR2016 - Em Lisboa, Fundação Portuguesa das Comunicações apresenta, com Giefarte, Suite Alentejana - exposição de pintura de Rui Sanches. IMAG.461

22JAN-17ABR2016 - Em Lisboa, Fundação EDP apresenta no Museu da Electricidade, Ilustrarte 2016 - VII Bienal Internacional de Ilustração Para a Infância; inclui uma homenagem à escritora Alice Vieira, sendo a artista espanhola Violeta Lópis distinguida com o Prémio Ilustrarte 2016. IMAG.394-505

µ26JAN-27FEV2016 - Em Oeiras, Livraria-Galeria Municipal Verney apresenta Luz & Multidão - exposição colectiva de fotografia de Fabian Stamate, Luciano Cruz e Miguel Almeida, e de pintura de Carlos Setemares.

26JAN-30JUN2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arqueologia/MNA expõe Lusitânia Romana. Origem de Dois Povos, sendo comissário José María Alvarez Martínez.

¢27JAN-20ABR2016 - Em Lisboa, Galeria Millennium BCP expõe Esconjurações de José de Guimarães, sendo curador Nuno Faria. IMAG.393

¸28JAN2016 - Leopardo Filmes estreia Jogo de Damas de Patrícia Sequeira; com Rita Blanco e Maria João Luís.

¸28JAN2016 - Midas Filmes estreia Quatro de João Botelho; com João e Jorge Queiroz, Pedro e Francisco Tropa. IMAG.1-68-168-189-236-243-326-532

¸1928-29JAN2016 - Jacques Rivette: Cineasta francês, realizador de A Religiosa / Suzanne Simonin, la Religieuse de Diderot (1966) - «Gosto de um filme que seja uma aventura para aqueles que o fazem e, depois, para aqueles que o vêem». IMAG.197

¢29JAN-28FEV2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Amanhã - exposição de pintura de Isabel Baraona.

µ30JAN-25ABR2016 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta No Limiar da Visibilidade - exposição de fotografia de Wolfgang Tillmans, sendo comissária Suzanne Cotter. IMAG.554

µ04FEV-06MAR2016 - Em Lisboa, Fundação Arpad Szènes-Vieira da Silva apresenta (Maria Helena) Vieira da Silva [1908-1992] e Arpad Szènes [1897-1985]. Um Dia Em Yèvre - exposição de fotografia de Maria do Carmo Galvão Teles. IMAG.14-39-42-75-134-168-182-224-227-382-386-392-434-461-486-490-499-500-502-522-554-567-579
         
ANUÁRiO
 
¨1507-1582 - Fernão de Oliveira, aliás Fernando Oliveira: Frade dominicano, humanista, piloto marítimo, construtor bélico-naval, diplomata, renascentista, escritor e filólogo, autor de Grammatica da Lingoagem Portuguesa (1536) - «Deo gratias. Todas coisas têm seu tempo e os ociosos o perdem». IMAG.374

COMENTÁRiO

Isaac Newton
Não sei o que as pessoas possam considerar que eu sou, mas, intimamente, acho-me como uma criança que está a brincar à beira-mar, a divertir-se - até que, de repente, encontra uma pedra mais lisa ou uma concha mais bonita do que o costume… Enquanto o grande oceano da verdade permanece, para mim, integralmente por descobrir.
Memoirs of the Life, Writings, and Discoveries of Sir Isaac Newton (1855)
Sir David Brewster


¨ O panorama do Renascimento Português do século XVI é tão rico em personalidades distintas, que tem humanistas de grande relevo ainda pouco conhecidos. Tal é o caso de Fernando Oliveira (c.1507- c.1582), uma personalidade devidamente apreciada por alguns especialistas que lhe dedicaram estudos no domínio específico da história da náutica mas que, pelo valor e originalidade da sua obra, merece uma mais larga e aprofundada abordagem e divulgação. Um contributo importante para lograr tal desiderato foi alcançado com a edição desta recolha de vinte e seis ensaios, os quais abordam as várias facetas deste ilustre polígrafo aveirense e o homenageiam por ocasião da passagem do quinto centenário do seu nascimento.
Neste livro são-nos apresentados aspectos do homem em que se foca a sua natureza insubmissa e o seu carácter de precursor, tal como se reflecte sobre o ambiente dominicano da sua formação e a natureza da sua religiosidade. Os restantes trabalhos têm em atenção a diversidade dos seus textos, destacando-se a sua faceta de linguista e filólogo ao aprofundar-se a sua escrita e em particular o conhecimento da sua Gramática da Linguagem Portuguesa, a primeira a ser impressa em Portugal em 1536; continuando-se pelo estudo da sua tradução do De Re Rustica de Columela; aprofundando o estudo da temática da marinharia em que se especializou, com destaque para a análise do conteúdo dos seus livros: Arte da Guerra do Mar, Livro da Fábrica das Naus e Ars Nautica, neste caso um trabalho que teima em não se conseguir editar e traduzir para português; considerados ainda alguns dos seus trabalhos menos conhecidos como uma introdução e adaptação de um texto sobre a viagem de Fernão de Magalhães e finalmente a sua última obra que deixou incompleta e foi dedicada à História de Portugal, numa altura em que entrava na sua fase filipina e ele se aproximava da morte.
José Manuel Garcia
(sobre) Fernando Oliveira - Um Humanista Genial (2009)
- coordenação de Carlos Morais, edição da Universidade de Aveiro

BREVIÁRiO
 
¨ Dom Quixote edita Bairro Ocidental de Manuel Alegre. IMAG.66-205-276-314-337-366-377-560
 
¨ Porto Editora lança Novelas Extravagantes de Mário de Carvalho. IMAG.327-410-528-541-542-543-581
 
¯Harmonia Mundi edita em CD, Emilio de Cavalieri [1550-1602]: Rappresentatione di Anima & di Corpo por Concerto Vocale, com Akademie für Alte Musik Berlin, sob a direcção de René Jacobs.
 
¨ Gradiva edita Número Zero de Umberto Eco (1932-2016); tradução de Jorge Vaz de Carvalho. IMAG.22-40-58-175-283-417
   
¨ Assírio & Alvim edita Literatura Explicativa - Ensaios Sobre Ruy Belo (1933-1978); organização de Manaíra Athayde. IMAG.190-332-408-490
 
¨ Alêtheia re-edita Perfil do Marquês de Pombal de Camilo Castelo Branco (1825-1890).  IMAG.27-31-41-87-111-113-145-146-161-171-179-180-185-209-227-236-237-244-256-277-293-328-370-389-390-414-421-432-453-497-507-520-529-534-544
            

MEMÓRiA
 
¯ 16MAR1937-1992 - Constança Capdeville: Pianista, percussionista, pedagoga e criadora, fundadora do grupo de teatro musical ColectViva (anos ’80) - «Ao compor Libera Me, situava-me no centro da terra, enquanto que, durante a composição de Que Mon Chant Ne Soit Plus d’Oiseau, sentia-me num ponto central do espaço sideral». IMAG.175-357

1643-20MAR1727 - Isaac Newton: Cientista inglês, filósofo, astrónomo, físico, matemático, alquimista e teólogo - «A maravilhosa disposição e harmonia do universo só pode ter tido origem segundo o plano de um Ente que tudo sabe e tudo pode. Esta ficará a ser a minha última e mais elevada descoberta». IMAG.29-46-87-124-353-401-560-58
 
¯1632-22MAR1687 - Jean-Baptiste Lully: Nascido Giovanni Battista em Florença, começou como bailarino e, amigo de Luís XIV, rei de França, aí naturalizado em 1661, concebeu o estilo lírico, enquanto compositor da corte. IMAG.272-314-396-543


terça-feira, março 22, 2016

IMAGINÁRiO #602

José de Matos-Cruz | 08 Março 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
EXEMPLOS
Se há um cineasta que, segundo as coordenadas de Hollywood, possa ser apontado para a concretização de qualquer espectáculo em expectativa, exemplar é porventura o canadense Norman Jewison, nascido em 1926. Prolixo e prolífico, brilhante e eloquente, encontramos uma estilização, não propriamente um cunho pessoal, em quantos filmes dirigiu - dos mais variados géneros, com distinto grau de exigência técnica e estética. Alguns títulos serão, de imediato, reconhecidos pelo público: Um Violino no Telhado (1971), Jesus Cristo Superstar (1973), …E Justiça Para Todos (1979), Agnés de Deus (1985). Mas, curioso, é verificar que, até Bogus (1996) em vídeo, todas as suas realizações estrearam entre nós, no circuito comercial. Quanto às últimas, citem-se O Feitiço da Lua» (1987), Um Herói Como Nós (1989), Larry, o Liquidador (1991), Só Tu (1994) com o nosso Joaquim de Almeida, ou O Furacão (1999). Implicado na pesquisa e formação de nóveis autores, Jewison - também com interesses na produção - foi em 1999, por esta categoria, distinguido pela Academia com o Prémio Irving Thalberg. Um Oscar especial, instituído em 1937, e destinado a laurear «os criativos cujos trabalhos reflectem, constantemente, um elevado nível de qualidade». IMAG.268-590

CALENDÁRiO
 
µ28NOV2015-30JAN2016 - Em Lisboa, Barbado Gallery apresenta Facing the Camera: 1970 To Tomorrow - exposição de fotografia de Arno Rafael Minkkinen.

¢09JAN-27FEV2016 - Em Ponte de Sor, Centro de Artes e de Cultura apresenta Gabinete de Curiosidades - exposição de pintura de Rui Macedo. IMAG.192-298

®21FEV1946-14JAN2016 - Alan Sidney Patrick Rickman, aliás Alan Rickman: Actor inglês de teatro, televisão e cinema, intérprete de Die Hard / Assalto ao Arranha-Céus (1988) - «Os actores são agentes de mudança. Um filme, uma obra teatral, um musical ou um livro podem marcar a diferença… Podem alterar o mundo».

¾1955-16JAN2016 - Fernando Ávila: Realizador português de televisão, encenador - «Generoso, competente e talentoso, um português que houvera louvar como ele merece» (Maria Vieira).

¨1924-18JAN2016 - Michel Tournier: Escritor francês, distinguido com o Prémio Goncourt (1970) - «Ficará para a história da literatura francesa precisamente por ter escrito à sua maneira a história de vários mitos e lendas» (Maria João Caetano).

¸1931-19JAN2016 - Ettore Scola: Cineasta italiano - «O cenário do pós-guerra na realidade italiana foi uma das suas frequentes temáticas, e o vincado espírito político nunca deixou de estar presente» (Inês Lourenço). IMAG.126-214-454

1922-20JAN2016 - Nuno Teotónio Pereira: Arquitecto português - «Em geral, os arquitectos centram-se no seu trabalho e não se preocupam muito com o contexto. Há um culto do objecto, esquecendo o envolvimento. A arquitectura portuguesa actual é de muito boa qualidade, mas recai no edifício» (2004). IMAG.46-192-197-255-435
            
VISTORiA

O Jardim
¨Existe um jardim antigo com o qual às vezes sonho,
sobre o qual o sol de Maio despeja um brilho tristonho;
onde as flores mais vistosas perderam a cor, secaram;
e as paredes e as colunas são ideias que passaram.

Crescem heras de entre as fendas, e o matagal desgrenhado
sufoca a pérgula, e o tanque foi pelo musgo tomado.
Pelas áleas silenciosas, vê-se a erva esparsa brotar,
e o odor a mofo de coisas mortas derrama-se no ar.

Não há nenhuma criatura viva no espaço ao redor,
e entre a quietude das cercas não se ouve qualquer rumor.
E, enquanto ando, observo, escuto, uma ânsia às vezes me invade
de saber quando é que vi tal jardim numa outra idade.

A visão de dias idos em mim ressurge e demora,
quando olho as cenas cinzentas que sinto ter visto outrora.
E, de tristeza, estremeço ao ver que essas flores são
minhas esperanças murchas – e, o jardim, meu coração.
H.P. Lovecraft


MEMÓRiA
 
¢1768-08MAR1837 - Domingos António Sequeira, aliás Domingos Sequeira: Artista plástico português - «No que diz respeito à fé católica, nunca vacilou, foi sempre fiel; é, aliás, dessa fé que ele parte, no período final da sua vida e carreira» (José Luís Porfírio). IMAG.496-513
 
¯1886-08MAR1957 - Othmar Schoeck: Compositor e director de orquestra suíço, autor da ópera Penthesilea (1927). IMAG.310-577

¢09MAR1907-1983 - António Amadeu Conceição Cruz, aliás António Cruz: Artista plástico português - «De todos os pintores do Porto do Século XX, foi decerto aquele que melhor soube entender a alma da cidade» (Bernardo Pinto de Almeida). IMAG.432

¨ 12MAR1867-1930 - Raul Germano Brandão, aliás Raul Brandão: Escritor e jornalista português, autor de Húmus (1917) - «Nem sei o que é a vida. Chamo vida ao espanto. Chamo vida a esta saudade, a esta dor; chamo vida e morte a este cataclismo. É a imensidade e um nada que me absorve; é uma queda imensa e infinita, onde disponho de um único momento. IMAG.48-161-293-301-342-350-384-394-400-431-495-582

¨ 13MAR1907-1985 - Mircea Eliade: Ficcionista e filósofo americano, de origem romena - «…E, de repente, surgiram na minha memória as imagens dos parques na província portuguesa. Lembro-me da sua melancolia terrível. Mundos há muitos mortos que só aguardam o punho vigoroso do bárbaro para se descomporem» (Diário - 07FEV1965). IMAG.511

¨ 1890-15MAR1937 - Howard Phillips Lovecraft, alias H.P. Lovecraft: Escritor americano - «A emoção mais antiga e mais forte da humanidade é o medo, e o mais antigo e mais forte de todos os medos é o medo do desconhecido». IMAG.16-85-140-288-436
                        
VISTORiA

¨Nós não vemos a vida – vemos um instante da vida. Atrás de nós a vida é infinita, adiante de nós a vida é infinita. A primavera está aqui, mas atrás deste ramo em flor houve camadas de primaveras de oiro, imensas primaveras extasiadas, e flores desmedidas por trás desta flor minúscula. O tempo não existe. O que eu chamo a vida é um elo, e o que aí vem um tropel, um sonho desmedido que há-de realizar-se. E nenhum grito é inútil, para que o sonho vivo ande pelo seu pé. A alma que vai desesperada à procura de Deus, que erra no universo, ensanguentada e dorida, a cada grito se aproxima de Deus. Lá vamos todos a Deus, os vivos e os mortos.
Raul Brandão
- Húmus (excerto)

¨Quando a lança trespassou o corpo de Cristo, o sangue jorrou e salpicou a túnica da mulher de Pilatos, e espalhou-se em redor. Então, ela correu para casa, para limpar a mancha e lavar a túnica; mas, por temer o marido, correu para uma vinha, debaixo de um pessegueiro, escavou e enterrou a túnica, e então a vinha cresceu, carregada de cachos de uvas.
Mircea Eliade
- Des Herbes Sous la Croix (excerto)
       
COMENTÁRiO
 
António Cruz
¢…É, sem contestação possível, o maior aguarelista português dos tempos modernos. Tirou a aguarela da banalidade para que a tinham arrastado Roque Gameiro e os aguarelistas portugueses. Deu-lhe grandeza, ressonância sinfónica; levou-a até atingir o valor de uma alta expressão sintética e afastou-a da superficialidade habitual.
Abel Salazar
                 
BREVIÁRiO
   
¨ Relógio D’Água re-edita O Delfim (1968) de José Cardoso Pires (1925-1998); prefácio de Gonçalo M. Tavares. IMAG.53-200-226-227-314-366-367-533-581

¨ Cavalo de Ferro edita Bestiário de Julio Cortázar (1914-1984); tradução de Miguel Mochila. IMAG.205-298-330-454-539-546-563
 
¯Sony edita em CD, sob chancela Columbia, Jean Sibelius [1865-1957]: The Symphonies por N.Y. Philharmonic, sob a direcção de Leonard Bernstein. IMAG. 213-402-404-542-551
 
¨Porto Editora lança Diário de Um Killer Sentimental de Luis Sepúlveda; tradução de Pedro Tamen.
 
¨Relógio D’Água edita Contos de Guerra de Lev/Leon Tolstoi (1828-1910); tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra. IMAG.56-194-299-305-358-363-444-506-515-527-593