terça-feira, março 15, 2016

IMAGINÁRiO #600

José de Matos-Cruz | 24 Fevereiro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
FENÓMENOS
No Ocidente, Pokémon é um fenómeno compósito, sobre o qual convergem a propensão artística de sectores primordiais entre os criadores ianques, o culto sublimado por significativas camadas de um público mentor, e as amplas conexões de uma próspera / multifacetada indústria de conteúdos lúdicos, do Japão aos Estados Unidos. O combate de Pocket Monsters - em síntese, Pokémon - travou-se, a partir de 1996, no território nipónico do game-boy, expandindo-se em 1998 como série televisiva favorita dos jovens americanos, entre os quatro e os dezasseis anos. Depois, foi a rápida conquista da Europa. Finalmente, atingiu o grande ecrã com Pokémon: O Filme / Pokémon: The First Movie (1999) de Kunihiko Yuyama, sob a irrepreensível chancela Warner Bros. Pela original concepção de Satochi Tajiri, que a Nintendo impulsionou além-fronteiras, tudo foi explorado em cartões, livros, canções, logo jorrando um surto fanático pela via Internet… Entretanto, a pokémania converteu-se em problema sociológico, e Pokémon: O Filme num sucesso absoluto. IMAG.189



CALENDÁRiO

¯1925-05JAN2016 - Pierre Boulez: Músico e ensaísta francês, compositor, maestro e pianista - «Estamos diante da personalidade mais marcante e influente que a música da tradição erudita ocidental conheceu desde o final da II Guerra Mundial» (Bernardo Mariano). IMAG.67-236-317-343-358-411
 
µ05-16JAN2016 - Em Braga, Salão Nobre do Theatro Circo apresenta As Variações de António - exposição de fotografia de Teresa Couto Pinto, sobre António Variações/António Joaquim Rodrigues Ribeiro (1944-1984). IMAG.99-470

07-30JAN2016 - Bedeteca da Amadora expõe Estúpidos, Maldosos e Semanais. Uma Constelação Em Torno do Charlie Hebdo, sendo curador Pedro Moura em colaboração com Osvaldo Macedo de Sousa. IMAG.499-550-553

¯08JAN1947-10JAN2016 - David Robert Jones, aliás David Bowie: Artista inglês, cantor e compositor, produtor musical, actor - «Ao que parece, há muita gente que pretende ser imortal… Andamos atrás de quê, exactamente? Quem é que quer arrastar-se, velho e decadente, até ter noventa anos? Só por uma questão de ego? Seguramente, não é esse o meu desejo».

¢14JAN-31MAR2016 - Em Lisboa, Palácio Nacional da Ajuda apresenta, na Galeria de Pintura do Rei D. Luís, Belas Artes da Academia. Uma Colecção Desconhecida - exposição de pintura, escultura e desenho, por ocasião do 180º aniversário da Academia Nacional de Belas Artes/ANBA, sendo comissária executiva Cristina Azevedo.
          

VISTORiA

Maria Lisboa

¨É varina, usa chinela,
tem movimentos de gata.
Na canastra, a caravela;
no coração, a fragata.

Em vez de corvos, no xaile
gaivotas vêm pousar.
Quando o vento a leva ao baile,
baila no baile co’o mar.

É de conchas o vestido;
tem algas na cabeleira;
e nas veias o latido
do motor de uma traineira.

Vende sonho e maresia,
tempestades apregoa.
Seu nome próprio, Maria.
Seu apelido, Lisboa.
David Mourão-Ferreira

VISTORiA

®E vós, senhores, aproveitai de tudo o que vistes para vantagem e segurança dos vossos corações.  E se alguma vez estiverdes numa ocasião de duvidar, quase a ceder, pensai nos artifícios que vistes. E lembrai-vos da Estalajadeira!
Carlo Goldoni
A Estalajadeira (excerto)



¨A través del follaje perenne
que oír deja rumores extraños,
y entre un mar de ondulante verdura,
amorosa mansión de los pájaros,
desde mis ventanas veo
el templo que quise tanto.

El templo que tanto quise…,
pues no sé decir ya si le quiero,
que en el rudo vaivén que sin tregua
se agitan mis pensamientos,
dudo si el rencor adusto
vive unido al amor en mi pecho.
Rosalía de Castro
- A Orillas del Sar

¨ Ela própria tirou, num movimento brusco, o vestido e a combinação. Dobrou, depois, a colcha, e puxou para trás o lençol e o cobertor. E tudo isto, a sábia segurança com que fazia tudo isto, a desenvoltura com que se me entregou, os gritos roucos, a gesto de, no último momento, cravar os dentes na almofada – tudo isto me deu a repulsiva sensação de que se tratava de uma profissional…
Mas quando abri os olhos e vi a expressão dos olhos dela, o rosto que de repente se fizera muito mais jovem, aquela beatitude afogueada – senti-me injusto, senti quanto é injusto condenarmos seja quem for. Parecia ter dezasseis anos.
David Mourão-Ferreira
- E Aos Costumes Disse Nada (excerto)
- Gaivotas Em Terra
   
MEMÓRiA
 
¨ 24FEV1837-1885 - Rosalía de Castro: Novelista e poetisa galega, autora de Folhas Novas (1880) - «De improviso los ángeles / desde sus altos nichos / de mármol, me miraron tristemente». IMAG.43-522

¨ 24FEV1927-1996 - David de Jesus Mourão-Ferreira, aliás David Mourão-Ferreira: Ficcionista e poeta português - «Não perguntem nada: nós estamos dentro / Do aro de frio, no frio do muro, / Tão longe da feira do Tempo!». IMAG.90-107-192-438-513-566

¨ 25FEV1707-1793 - Carlo Osvaldo Goldoni, aliás Carlo Goldoni: Dramaturgo italiano - «Discutir gostos, é tempo perdido… Não é o belo que é belo, mas sim aquilo que agrada». IMAG.134-405-441


¯1936-22JAN1977 - Maysa Figueira Monjardim, aliás Maysa Matarazzo: Compositora e cantora brasileira - «Quando estou só, tenho certeza de que sou maior do que eu mesma, e isto me apavora. Ninguém deve conhecer a sua própria dimensão». IMAG.253-565
     
SUMÁRiO

António Variações - Perfil
¯Filho de camponeses e barbeiro de profissão foi, apesar da curta carreira, um dos principais nomes da música ligeira portuguesa.
Em 1981, o primeiro single tinha os temas Povo Que Lavas No Rio de Amália Rodrigues e Estou Além, a que se seguiu Dar e Receber (1984). A sua música misturava pop, rock, blues, fado.

09JUN2009 - Diário de Notícias
                 


BREVIÁRiO
 
¯Sony Music edita em CD, Blackstar de David Bowie (1947-2016). IMAG.194-223-232-292-333-338-488
 
¨ Dom Quixote edita Astronomia de Mário Cláudio. IMAG.51-220-520-522-541-591
 
¨ Averno edita Amor Universal de Billy Collins; tradução de Ricardo Marques.
 
¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Complete Concerto Recordings por Martha Argerich e Claudio Abbado (1933-2014). IMAG.202-217-220-229-244-285-296-318-327-449-452-490-497-534-563-598
 
¨ Relógio D’Água edita Fogo Pálido de Vladimir Nabokov (1899-1977); tradução de Telma Costa. IMAG.63-223-253-272-325-338-418-503-504-505-507

¨ Presença edita Diálogo Entre o Autor e o Crítico de José-Augusto França. IMAG.92-195-201-232-235-490-572
        
EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS - Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO - 3

Por fim, já estavam mais aliviados, junto ao antigo Cais de Ver-o-Peso. Porém, dentro de si, cada um remordia o parceiro. Ele a penas lhe daria amarguras, mas ela não lhe ia retribuir com rebuçados.
Isco e anzol.
O Petisco havia de mastigá-la, até desenjoar. Sopas de cavalo cansado. A Chiba desejaria castigá-lo. Espevitando o animal, sem lhe matar o bicho.
Pelo menos, navegavam nesta espera. Que, no mais, sempre Lisboa, a caprichosa, se afectava, qual ancoradouro em arribada.
Portanto, eles derivavam, um contra o outro - e também de encontro ao mundo. Incertos, naufragando em terra firme.
Pescarias tão profundas que uma bóia de cortiça à tona dos desvarios.
– Continua    


quarta-feira, março 02, 2016

IMAGINÁRiO #599

José de Matos-Cruz | 16 Fevereiro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO
 
APARÊNCIAS
Uma intriga sofisticada. Uma ilustração deslumbrante. Uma teia de artifícios. Uma fusão reveladora. Eis o talento perverso, o fascínio sensual de Vittorio Giardino - argumentista e ilustrador de Férias Fatais / Vacances Fatales (1991)… Pessoas que representam, personagens que desvendam. Episódios de aparência banal, conspirações da realidade inócua, compõem o destino em seis opções para todos os anseios e apetites: Férias Programadas em Marrocos, Húmido e Distante em Banguecoque, Sob Um Nome Falso em Capri, Safari em Ngorongoro, Época Baixa à beira-mar, Segredos Inocentes numa estância de esqui. Transitando com uma elegância surpreendente do enleio gráfico ao jogo das palavras, Giardino evolui por atmosferas serenas, ou aprazíveis, entre gente errática, que se entrega aos prazeres e aos acasos, assumindo afinal as facetas mais ocultas ou monstruosas do ser humano. O olhar intenso, a mentira insinuante, a traição banal, a ambição funesta, corrompem pela ironia cáustica a pose destes homens e mulheres virtualmente ociosos mas, afinal, intensos e activos na sua teia inexorável de cumplicidades e vitimações. IMAG.75

MEMÓRiA
 
¨16FEV1927-2015 - Maria Luísa Saraiva Pinto dos Santos, aliás Luísa Dacosta: Escritora portuguesa, autora de Província (1955), distinguida com o Prémio Máxima de Literatura (1992) - «Desde muito jovem, considerou que a escrita era um modo de lutar contra as injustiças e a indiferença» (Guilherme d’Oliveira Martins). IMAG.554

1904-20FEV1987 - Edgar Pierre Jacobs: Artista belga, cantor lírico, pintor e cenógrafo, argumentista e ilustrador de banda desenhada, criador de As Aventuras de Blake e Mortimer (1946) - «Hoje, a arte de Jacobs parece ao mesmo tempo clássica e moderna, de onde a sua prosperidade e difusão sem precedentes… Finalmente, aquele que veio para a banda desenhada malgré lui, tornou-se num dos dois pilares históricos na Europa, juntamente com Hergé, o seu irmão inimigo e, tal como ele, situa-se hoje acima da sua disciplina, já que a universalidade dos seus talentos artísticos e da sua mensagem permitiu-lhe transcender a sua época para a eternidade» (Stéphane Thomas - L’Immanquable). IMAG.10-66-119-218-245-281-348-427-451-460-487-507


R1632-21FEV1677 - Bento de Espinosa: Filósofo racionalista holandês, de família judaica portuguesa, autor de Ética e Tratado Teológico-Político - «Tanto a decisão da mente, quanto o apetite e a determinação do corpo são, por natureza, coisas simultâneas, ou melhor, são uma só e mesma coisa, a que chamamos decisão quando considerada sob o atributo do pensamento e explicada por si mesma; e determinação, quando considerada sob o atributo da extensão e deduzida das leis do movimento e do repouso». IMAG.396

¢1928-22FEV1987 - Andrej Varhola Jr, aliás Andy Warhol: Pintor, cineasta e empresário americano, de origem checa, símbolo da pop art - «No futuro, todas as pessoas serão famosas durante quinze minutos». IMAG.64-119-128-173-189-319-520

¢23FEV1817-1904 - George Frederic Watts: Pintor simbolista inglês - «O que eu pretendo é fazer as pessoas pensarem». IMAG.473

¯1929-23FEV1987 - José Afonso: Cantor e compositor português - «Que amor não me engana / Com a sua brandura / Se de antiga chama / Mal vive a amargura // Duma mancha negra / Duma pedra fria / Que amor não se entrega / Na noite vazia» (excerto). IMAG.6-119-170-237-269-328-421-422-427
             
CALENDÁRiO
 
¯1945-28DEZ2015 - Ian Fraiser Kilmister, aliás Lemmy Kilmister, aliás Lemmy: Músico inglês, fundador e vocalista dos Motorhead - «Éramos a melhor banda má do mundo».

¯1950-31DEZ2015 - Stephanie Natalie Maria Cole, aliás Natalie Cole: Cantora e compositora americana, filha de Nat King Cole - «Os meus ídolos são Janis Joplin e Annie Lennox, que nada têm a ver com a típica cultura pop».
 
COMENTÁRiO
 
RNão é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos por ela, que a queremos, que ela nos apetece, que a desejamos, mas, pelo contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por ela nos apetecer, por a desejarmos, que a julgamos boa.
Espinosa
- Ética (excerto)

PARLATÓRiO
 
¢Um artista é alguém que produz coisas de que as pessoas não têm necessidade, mas que ele - por uma qualquer razão - pensa que será uma boa ideia proporcionar-lhas…
Andy Warhol

VISTORiA

Os Bravos

¯Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Para ver se embravecia
Cada vez fiquei mais manso
Bravo meu bem
Para a tua companhia

Eu fui à terra do bravo
Bravo meu bem
Com o meu vestido vermelho
O que eu vi de lá mais bravo
Bravo meu bem
Foi um mansinho coelho

As ondas do mar são brancas
Bravo meu bem
E no meio amarelas
Coitadinho de quem nasce
Bravo meu bem
P'ra morrer no meio delas
José Afonso
   
TRAJECTÓRiA
 
Edgar Pierre Jacobs

Autor belga de banda desenhada, nasceu a 30 de março de 1904, em Bruxelas (Bélgica).
Desde muito novo manifestou grande fascínio pelo desenho e pelas representações cénicas. Os seus cadernos escolares de História reproduzem cenas quotidianas, batalhas, pormenores arquitetónicos ou de indumentária, a par do esmero colocado na caligrafia, revelando o seu talento.
Após ter visto uma representação de Fausto, em 1917, nasce a sua outra grande paixão, a ópera.
Em 1919, depois de concluir a Escola Comercial, começou por trabalhar em publicidade, então inteiramente ilustrada, realizando gravuras para puzzles, álbuns para colorir, jogos, catálogos para grandes armazéns e cartazes, atividade que desenvolveu nos anos 20.
Em simultâneo, Jacobs aspirava a fazer carreira na ópera, tendo começado por ser figurante numa representação de Guilherme Tell no Teatro de La Monnaie, em 1921. Chegou a barítono da Ópera de Lille em 1929, ano em que ganhou um grande prémio de canto.
Durante os anos que esteve profundamente envolvido no meio operista, aproveitou também para utilizar o seu talento gráfico, concebendo projetos de indumentárias e maquetas de cenários. Trabalhou durante dez anos na Ópera de Lille, até ser mobilizado em 1939, com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, e, posteriormente, com a invasão da Bélgica, pelo que a sua carreira ficou comprometida.
Com a Bélgica invadida, em 1940 recorre ao desenho como meio de sustento. Contactou a revista Bravo, para a qual realizou o mais variado tipo de ilustrações. Em 1942, quando a Bravo deixa de receber as provas da muito popular banda desenhada estado-unidense Flash Gordon, Edgar foi desafiado a continuar as suas aventuras, sob o título de Gordon l'Intrepide. No entanto, por imposição da censura alemã, teve de concluir precipitadamente o seu trabalho, que visava dar uma hipotética continuação à história criada originalmente por Alex Raymond.
Entre 1943 e 1944 continuou a trabalhar em BD, tendo sido convidado pela mesma revista a desenvolver uma história que substituísse Flash Gordon. A sua primeira BD criada de raiz foi Le Rayon «U» (O Raio «U»), que surgiu na revista Bravo, em 1943. Uma segunda versão apareceu em 1974 na revista Tintin e em álbum da Lombard.
Em simultâneo, começou a colaborar com Hergé, o pai de Tintim, em 1944, tendo participado em Tintim quando Hergé sentiu a necessidade de redesenhar e colorir várias aventuras inicialmente saídas a preto e branco. Assim sendo, realizou os desenhos dos cenários e a coloração das seguintes histórias de Tintim: O Lótus Azul, O Cetro de Ottokar, As 7 Bolas de Cristal e O Templo do Sol. Como nota do seu bom humor, Jacobs não se coibiu de se desenhar a si próprio, a Hergé e a outras pessoas conhecidas de ambos, entre os figurantes de algumas histórias.
Outra colaboração sua com Hergé esteve ligada à realização de ilustrações que documentassem a história da marinha, da aviação e do caminho de ferro, para a enciclopédia Voir et Savoir.


Em 26 de Setembro de 1946 surgiu o número inaugural da mítica revista Tintin, que ficou marcado pela estreia da série Blake e Mortimer, da autoria de Edgar Pierre Jacobs, cujos protagonistas são um capitão da força aérea ligado aos serviços secretos e um físico apaixonado pela arqueologia, ambos cidadão britânicos, cultivando toda a série um ambiente muito british de meados do século XX.
A história inicial da série, Le Secret de l'Espadon (O Segredo do Espadão), impôs-se rapidamente com sucesso ante os leitores da revista, acabando por ser reunida em dois álbuns, editados em 1950 e 1953, começando assim uma das séries de culto da BD europeia.
Depois surgiram Le Mystère de la Grande Pyramide (O Mistério da Grande Pirâmide), história também em duas partes, publicada na Tintin entre 1950 e 1954 (com álbuns editados em 1954 e 1955), e La Marque Jaune (A Marca Amarela), publicada em 1953 (álbum de 1956). Seguiram-se L'Enigme de l'Atlantide (O Enigma da Atlântida), de 1955 (álbum em 1957), SOS Météores (SOS Meteoros), de 1958 (álbum de 1959), Le Piège Diabolique (A Armadilha Diabólica), de 1960 (álbum de 1962), L'Affaire du Collier (O Caso do Colar), de 1965 (álbum de 1967) e Les 3 Formules du Professeur Sato I (As 3 Fórmulas do Professor Sato I), de 1971 (álbum de 1977), todas histórias publicadas inicialmente na revista Tintin e editadas em álbum pela Lombard.
De permeio, realizou ainda uma curta história, Le Trésor de Toutânkhamon (O Tesouro de Toutânkhamon) para a Tintin, em 1964, evocando a descoberta do célebre tesouro egípcio.
A publicação do segundo tomo As 3 Fórmulas do Professor Sato I foi sendo protelada até à sua morte, ocorrida em 1987.
Em 1986 criou a chancela Éditions Blake et Mortimer, que editou todos os álbuns num novo formato, com nova coloração e páginas suplementares, como sucedeu em O Segredo do Espadão, agora editado em três volumes.
Depois de vários problemas de saúde e tributários, que marcaram os seus últimos anos de vida, faleceu vítima da doença de Parkinson, em Bruxelas, a 20 de fevereiro de 1987, deixando uma obra pequena pelo número de títulos mas de inegável qualidade narrativa e plástica, que se tornou uma importante referência da BD franco-belga.
O derradeiro álbum, Les 3 Formules du Professeur Sato II (As 3 Fórmulas do Professor Sato II), cujos esboços deixou terminados, viria a ser concluído por Bob de Moor, sendo editado em 1990. Em 1996 Jean Van Hamme e Ted Benoit prosseguiram a série com grande êxito, a que se juntou, mais tarde, outra dupla de autores, Yves Sente e André Juillard.
http://www.infopedia.pt/$edgar-pierre-jacobs
                             
BREVIÁRiO
 
¨Livros do Brasil edita O Velho e o Mar de Ernest Hemingway (1899-1961); tradução de Jorge de Sena (1919-1978). IMAG.76-180-235-329-377-474-477


quinta-feira, fevereiro 25, 2016

IMAGINÁRiO #598

José de Matos-Cruz | 08 Fevereiro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
TRIBUTO
As iniciativas dedicadas aos quadradinhos evidenciam, e consagram, um investimento renovado, sugestivo, além de um prestigiante interesse por esta expressão artística. Tal motiva outros fenómenos de apelo e aliciamento - para além do culto ou nostalgia; e suscita manifestações pontuais - determinantes para o estudo ou a reavaliação das obras, dos seus criadores ou respectivas envolvências.
Em 2015, e em paralelo à exposição Viriato Na Banda Desenhada, comissariada por Luiz Beira, prestou-se uma justa homenagem em Viseu a mestre José Garcês, com a atribuição do Prémio Especial Anim’arte BD (Carreira), conferido pelo GICAV/Grupo de Intervenção e Criatividade Artística de Viseu. Muito a propósito, o GICAV procedeu ainda à reedição, com a Câmara Municipal de Viseu, do precioso clássico Viriato - com história e desenhos de José Garcês, originalmente apresentado no Cavaleiro Andante (1952-53). Um trabalho minucioso e fascinante, agora realçado com paginação e tratamento de imagens por Carlos Rico, e que testemunha a intemporal vitalidade da banda desenhada em Portugal.
Pela oportunidade, assinala-se de um depoimento que, anos atrás, nos foi concedido por José Garcês: «O autor de banda desenhada procura transmitir, para o público em geral, uma mensagem visual apoiada num texto, e essa mensagem não terá de ser igual para um adulto ou uma criança com menos de dez anos… Mas, se o conseguir, melhor para todos!».
IMAG.24-70-78-117-129-149-226-251-256-258-265-321-361-374-416-430

CALENDÁRiO
 
¢20NOV2015-22FEV2016 - Em Lisboa, Centro de Arte Moderna José Azeredo Perdigão apresenta Hein Semke [1899-1995] - Um Alemão Em Lisboa - exposição de artes plásticas. IMAG.54

11DEZ2015-17ABR2016 - Em Lisboa, Museu do Design e da Moda/MUDE expõe José Espinho [1915-1973] - Vida e Obra, sendo curadora Graça Pedroso.

¢18DEZ2015-21FEV2016 - Em Lisboa, Fundação EDP expõe, no Museu da Electricidade, Álvaro Lapa [1939-2006] - Alguns Desenhos e Pinturas, sendo curador João Pinharanda. IMAG.20-21-81

¯1927-19DEZ2015 - Kurt Masur: Maestro alemão, radicado nos EUA - «Será lembrado, sobretudo, pela sua profunda crença na música como expressão de humanismo» (Matthew VanBesien). IMAG.245

¸24DEZ2015 - Big Picture estreia Amor Impossível de António-Pedro Vasconcelos; com Victoria Guerra e José Mata. IMAG.3-10-158-177-204-223-236-288-453-533
                    
COMENTÁRiO
 
¨É verdade que não poderemos encontrar a pedra filosofal, mas é bom que ela seja procurada; ao partir em sua busca, descobrimos muitos e importantes segredos que, de outro modo, ficariam por revelar.
Bernard de Fontenelle
 
VISTORiA

Os Sonhos
¨Sonhar, quando estamos a dormir, é voar, colorir mais o nosso mundo. De certa forma, é seguirmos – tal como vos tenho dito inúmeras vezes – o nosso arco-íris e o nosso girassol! Assim percorremos outros mundos até então completamente desconhecidos, mas que, no fundo, acho eu, moravam na nossa mente: são fragmentos do nosso coração e da nossa alma. São mundos imaginários que têm talvez outras paisagens, outra cor, outro ar, outro cheiro, outras formas. São mundos virados de pernas para o ar!
Rita Bulhosa (excerto)
- Aos Olhos da Rita

VISTORiA

¨A terra coberta de erva sobre a qual estava construída a sua cabana estendia-se ao longe, penetrando num grande lago, e parecia que essa língua de terra tivesse penetrado por amor nas águas de um azul cristalino, e que essas mesmas águas haviam acolhido com os braços enamorados a bonita várzea, as suas altas ervas batidas pelo vento e as suas flores, tal como as refrescantes sombras das árvores.
La Motte-Fouqué
- Ondina (1811 - excerto)

Gota de Água
¨Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.
António Gedeão

MEMÓRiA
 
¨ 08FEV1577-1640 - Robert Burton: Académico inglês e clérigo da Universidade de Oxford, autor de A Anatomia da Melancolia (1631) - «estuda as causas do fenómeno: ociosidades e estudos intensos, o enamoramento ou a religiosidade rigorista, a hereditariedade, as dietas e as perturbações do sono» (Pedro Mexia) - «Cada religião é tão verdadeira como qualquer outra». IMAG.502
 
¨ 11FEV1657-09JAN1757 - Bernard Le Bovier de Fontenelle, aliás Bernard de Fontenelle: Escritor francês, autor de Conversações Sobre a Pluralidade dos Mundos (1668) - «Um dos precursores de um registo imaginativo na descrição de outros lugares do universo, que assim antecipa a literatura de ficção científica» (Diário de Notícias).
 
¨ 12FEV1777-1843 - Friedrich de La Motte-Fouqué: Escritor alemão, de pseudónimo Pellegrin e A.L.T. Frank - «Despimo-la e, deitada bem quente na cama, demos-lhe bebidas reconfortantes. A tudo isto ela nada disse, embora nos sorrisse, olhando-nos com os seus belos olhos de um azul celeste, límpidos como as ondas do lago.» (Ondina). IMAG.384-403

¨ 1865-17FEV1947 - Matthew Phipps Shiell, aliás M.P. Shiel: Escritor britânico, originário das Índias Ocidentais, autor de A Nuvem Púrpura (1901) - «O estilo é voluptuoso, cheio de cintilações macabras. A ordem moral desaparecida, da culpa e expiação, ainda não foi substituída por uma nova ética humana, assente no amor» (José Guardado Moreira). IMAG.363-523
 
¨ 1906-19FEV997 - Rómulo de Carvalho, professor, aliás António Gedeão, poeta português: «Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu, / sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito». IMAG.82-123-355-505-588

GALERi

José Espinho – Vida e Obra
Um dos pioneiros do design português, José Espinho (1915-1973) ainda hoje é quase desconhecido do grande público. A sua vasta obra vai da arquitetura de interiores ao design de produto, passando pelos design efémero, design expositivo, design gráfico, pela edição e pela ilustração.
Em exibição no MUDE - Museu do Design e da Moda estão cerca de 90 peças de mobiliário, e uma vasta documentação iconográfica que dá a conhecer vários espaços interiores em que o designer interveio, nomeadamente o Teatro Micaelense, o Cine-Teatro Monumental, a Cervejaria Solmar, o Hotel Mundial, o Hotel Tivoli, o Hotel Estoril-Sol, o Casino Estoril, o Hotel Alvor e o Hotel Trópico Luanda, na sua grande maioria desvirtuados ou demolidos.
Para conhecer o homem por detrás da obra, a mostra inclui também alguns objectos pessoais que testemunham o gosto de José Espinho pela pintura, o seu talento para o desenho, o sentido de humor e o interesse pela fotografia e pela música.
O mobiliário, produzido em colaboração com várias empresas, particularmente com os Móveis Olaio, onde foi consultor de Estética Industrial, é apresentado numa sequência cronológica e em três momentos principais: neo-rústico, moderno e estética industrial.
                 
BREVIÁRiO

¨ Guerra & Paz edita, com Clube do Livro e SIC, Aos Olhos da Rita de Rita Bulhosa; prefácio de Valter Hugo Mãe, outros textos de Francisco José Viegas, Mário Augusto e Diogo Mainardi. www.aosolhosdarita.pt

¨Dom Quixote edita O Último Europeu - 2284 de Miguel Real. IMAG.237-318-352-507-546

¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, Piano Duos por Martha Argerich e Daniel Barenboim. IMAG.202-301-314-390-440

¨A Esfera dos Livros edita Viver e Morrer Nos Cárceres do Santo Ofício de Isabel Drumond Braga. IMAG.29-34-49-51-139-147-162-183-297-314-321-323-417-428-436-485-491-509-553


sexta-feira, fevereiro 19, 2016

IMAGINÁRiO #597

José de Matos-Cruz | 01 Fevereiro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
SURREALISMO
O intenso e aliciante labor de Maria Estela Guedes, como escritora e investigadora, logra uma expressiva notoriedade através dos Cadernos Surrealistas Sempre - colecção de que é directora, sob chancela editorial de Apenas Livros. Em perspectiva, «juntar trabalhos sobre o Surrealismo e criação pura de surrealistas que retratem essa tão pujante, poética, divertida, desconcertante e maldizente arte que foi a mais importante contribuição da modernidade para a cultura europeia do século XX e no nosso país constituiu terreno fértil para o desenvolvimento de artistas que não só deram poderes à imaginação como tornaram a liberdade poética uma prática de contestação política». Ao número 3, Maria Estela Guedes assume também a autoria de Surrealismo ‘Incertae Sedis’ - em que reúne «comunicações, conferências, textos publicados n' A Ideia, na Incomunidade e no TriploV, de análise semântica, sobre Manuel de Castro, Herberto Helder, Luiz Pacheco, José Emílio-Nelson, Luís Filipe Coelho, Nicolau Saião e João César Monteiro - e eu pergunto, esperando que alguém responda: então não há mulheres no Surrealismo? Teremos de as desencantar, não me conformo com a sua ausência». Eis um desafio pleno de expectativas… IMAG.345


MEMÓRiA
 
¯01FEV1907-1993 - Mozart Camargo Guarnieri: Compositor e maestro brasileiro - «Personalidade original, que vivencia a problemática envolvida pela estética nacionalista através da sua própria experiência e sensibilidade» (P.Q.P. Bach/Sul21). IMAG.494
 
¨ 01FEV1937-1995 - Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco, aliás Fernando Assis Pacheco: Jornalista, poeta e ficcionista português, autor de Trabalhos e Paixões de Benito Prada (1993) - «como discursa uma alma enlevada / se a retórica foi bem explicada / por culto e sólido professor». IMAG. 117-190-317-416-539-549
 
¨ 02FEV1847-1921 - Maria Amália Vaz de Carvalho: Escritora e pedagoga portuguesa - «A mulher é um poder, é preciso aproveitá-la na obra comum da civilização». IMAG.91-352-334
                        
CALENDÁRiO

¢15NOV2015-28FEV2016 - Em Lisboa, Torreão Nascente da Cordoaria Nacional apresenta Canal Caveira - exposição colectiva de escultura de António Bolota, Bruno Cidra, Gonçalo Barreiros e Gonçalo Sena.

¢10DEZ2015-11JAN2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de História Natural e da Ciência / MUHNAC apresenta, na Sala do Veado, Quarto Escuro - exposição de pintura de Adriana Molder. IMAG.416

¢10DEZ2015-17JAN2016 - Em Oeiras, Centro Cultural Palácio do Egipto apresenta Fading - exposição de pintura de Paiva Raposo.
 
¢17DEZ2015-24ABR2016 - Em Cascais, Casa das Histórias Paula Rego expõe Caçadora Furtiva de Paula Rego, sendo curadora Catarina Alfaro. IMAG.11-13-31-199-205-258-269-325-342-351-357-364-370-399-416-464-486-489-515-545-596

µ18DEZ2015-18ABR2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Obras-Primas - exposição de fotografia de Nicolás Muller (1913-2000).
     
VISTORiA
 
Giga das Fogueiras

¨Embora me escutasses nada saberás de mim
e fosses à janela
e embora olhasses não me vês que passo
e digas um adeus pequeno
e embora às vezes já sentisses náusea
e afinal te inclinas
e embora seca embora secamente
e finjo que não ligo
e embora as baças ténues luzes das
e eu por timidez sempre apagado
e embora as marés-vivas batendo
e amámos nisso o Verão
e embora lerda a caneta se apure
e tu não entendesses nada
não entendesses nada
Fernando Assis Pacheco
- A Bela do Bairro e Outros Poemas (1986)

VISTORiA


¨ À indiferença oponhamos o amor, à dúvida oponhamos a fé.
O céu tem ainda o azul radiante dos dias da mocidade; a natureza é ainda a bela insensível, que assiste radiosa e iluminada às nossas lágrimas eternas, que o vento enxuga num momento!
Contemplemos de mais alto a evolução dos ideais e a transformação das coisas.
Se na terra somos efémeros de uma hora, nunca se quebra a cadeia que se vai forjando, dos ideais belos que concebemos ao passar.
Soframos, tal é o nosso destino e quase o nosso dever, mas amemos, que é o meio de tornarmos fecunda para os outros a dor que acima de nós mesmos nos levanta, a dor que é inspiração de todo o bom, de todo o belo, que em nós há.
O pessimismo leva à abdicação da vontade, à própria negação do sofrimento, pela completa insensibilidade a que aspira, e que de vez em quando já começa a atingir.
Não vale a pena! Eis a divisa da nossa desolada geração!
Pois é necessário que, em contradição e em protesto a este lema egoístico, se levante das nossas entranhas de mães, dos nossos corações de mulheres, um grito de amor intenso, um grito de amor fecundante e poderoso.
Porque um dos defeitos da nossa quadra é este: depois de termos dado ao amor um lugar enorme, predominante, decisivo e tirânico, tendemos a cercear-lhe todos os direitos, a destruir-lhe todas as influências boas.
O nosso século, que por meio de radiante romantismo fez do amor o Deus pagão que foi na Renascença, hoje, pela escola científica do temperamento e do meio, vai fazer do amor um poder inconsciente, que, segundo as circunstâncias em que é chamado a actuar, é um órgão de reprodução animal, ou um elemento de corrupção dissolvente.
Reabilitemos o amor.
Façamos dele alguma coisa de mais ou de menos do que o estão fazendo os mestres da literatura contemporânea, fotógrafos, neste ponto, dos costumes decadentes da época.
Ele não é a suprema e última embriaguez embrutecedora em que a humanidade tende a adormecer, como essa literatura de sensualismo agonizante, parece querer demonstrar-nos; pelo contrário, ele, é a fonte da eterna juventude em que, os velhos, da velhice precoce deste século, da velhice que se traduz pelo excesso do pensamento e da sensação, podem ainda retemperar as forças exaustas; é dele que podem ainda partir as grandes iniciativas transformadoras, as poderosas e viris energias, os sonhos iluminados da virtude e do bem.
Maria Amália Vaz de Carvalho
 - Cartas a Luísa
(excerto)
     
TRAJECTÓRiA
 
Camargo Guarnieri

¯Mozart Camargo Guarnieri nasceu no dia 1 de fevereiro de 1907, na cidade de Tietê, no estado de São Paulo. Filho de músico, iniciou seus estudos de teoria musical aos 10 anos de idade com o professor Virgínio Dias, a quem dedicou Sonho de Artista, sua primeira composição.
Em 1923 a família mudou-se para São Paulo. A partir de 1924 Guarnieri passou a estudar piano com Sá Pereira e Ernani Braga. De 1926 a 1930 estudou composição e direção de orquestra com o italiano Lamberto Baldi.
Camargo Guarnieri começou a escrever música regularmente após a Semana de Arte Moderna, iniciando-se como compositor essencialmente brasileiro em 1928, aos 21 anos, quando compôs a Dança Brasileira e a Canção Sertaneja. Chegou a submeter essas duas obras a Mário de Andrade, então o mais importante intelectual da época, que tornou-se mestre de Guarnieri. Essa relação mestre-discípulo se alongou por muitos anos.
O maestro foi contratado em 1937 pelo Departamento de Cultura da Cidade de São Paulo, dirigido, na época, por Mário de Andrade. Em 1938 recebeu uma viagem para a Europa do Conselho de Orientação Artística do Estado de São Paulo. Em Paris estudou contraponto, fuga, composição e estética musical com Charles Koechlin, regência de orquestra e de coros com François Rühlmann, maestro da Orquestra da Ópera de Paris na época, além de realizar uma audição de suas obras na série Revue Musicale, retornando ao Brasil em 1939, em decorrência da II Guerra Mundial.
Em 1942 fez sua primeira viagem aos Estados Unidos, onde realizou um concerto com a Orquestra League of Composers of New York e dirigiu a Orquestra Sinfônica de Boston a convite de Sergey Koussevitzky.
De 1955 a 1960 foi assessor técnico de assuntos musicais do Ministério da Educação e Cultura.
Durante toda sua vida Guarnieri acumulou prêmios e ocupou altos cargos no cenário da música nacional e internacional.
Diferenciando-se de seus antecessores e mesmo de contemporâneos, Camargo Guarnieri não veio da música européia para a brasileira, pelo contrário, iniciou-se já envolvido em música brasileira. Compôs vasta obra em todos os gêneros, atingindo um número de mais de setecentas peças.
Grande apreciador da música de Brahms, devoto de Bach, além de admirar Mozart de tal maneira que deixou de assinar seu primeiro nome em respeito ao mestre. Ficava furioso quando alguém o chamava de Mozart ou cometia o crime de colocar seu nome completo em um programa de concerto ou capa de disco.
Foi criador e diretor do Coral Paulistano, idealizou o 1º Festival de Campos do Jordão, foi diretor da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, regente titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica da USP desde a sua criação, em 1975, e membro fundador da Academia Brasileira de Música, da qual foi presidente.
Regeu as mais importantes orquestras estrangeiras. Foi membro do júri dos mais importantes concursos internacionais, além de ter sido agraciado com inúmeros prêmios, condecorações e medalhas, somando mais de cem títulos nacionais e estrangeiros, e ainda premiado em mais de 10 concursos nacionais e internacionais de composição.
Camargo Guarnieri faleceu em 13 de janeiro de 1993, aos 85 anos, em São Paulo, logo após ter sido agraciado com o Prêmio Gabriela Mistral, pela OEA (Washington), com o título de Maior Compositor Contemporâneo das Três Américas.
http://www.usp.br/osusp/maestro_camargo.html
          
BREVIÁRiO
 
¨ Xerefé edita Poemas do Conta-Gotas de João Pedro Mésseder; ilustrações de Ana Biscaia. IMAG.310-416-430-509-531-555

¯Warner edita em CD, sob chancela Swan Song, Physical Graffiti / 40th Anniversary De Luxe Edition por Led Zeppelin. IMAG.192