sábado, fevereiro 06, 2016

IMAGINÁRiO #595

José de Matos-Cruz | 16 Janeiro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004 

PRONTUÁRiO
 
HUMORES
É conhecida a fábula sobre um congresso de humoristas, em que o britânico apenas reagiu trinta minutos depois de um latino ter contado uma anedota. Não tanto por ser lento em detectar a graça, justificou-se, mas porque nessa retenção do riso é que residia a sua própria piada… O cineasta Terry Jones evocou-a em 1983, embaraçado pelos jornalistas de Hollywood, onde fora tratar da co-produção O Sentido da Vida / The Meaning of Life, com os Monty Python. O problema era: cada país tem específicos alvos e modelos de humor; no inglês, há um refinado cinismo, que pode tornar-se cáustico e violento. Pairava, pois, a questão de saber como iria Terry Jones - realizador (e co-argumentista) com Terry Gilliam - conciliar essa sofisticação britânica, com a espontaneidade dos ianques. Tendo recordado o tal congresso, Terry Jones concluía: «Depois de ver uns quantos filmes americanos, estou certo de que os farei soltar umas gargalhadas!». IMAG.62-419-431-504



CALENDÁRiO
 
µ16OUT-13DEZ2015 - Em Lisboa, Fundação EDP apresenta, no Museu da Electricidade, One’s Own Arena - exposição de fotografia de José Pedro Cortes, sendo comissário Nuno Crespo. IMAG.297-516

23OUT2015-22JAN2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de História Natural e da Ciência apresenta O Palácio da Memória - exposição de João Ó, sobre a Era dos Descobrimentos; produção de Impromptu Projects com Galeria Zé dos Bois, sendo curador Natxo Checa.

¢13NOV2015-10ABR2016 - Em Castelo Branco, Centro de Cultura Contemporânea expõe Pintura Modernista Na Colecção Millennium BCP, sendo curadora Raquel Henriques da Silva.

¸19NOV2015 - Midas Filmes estreia Montanha de João Salaviza; com David Mourato e Maria João Pinho. IMAG.269-409


20NOV2015 - Na Biblioteca de S. Domingos de Rana, Câmara Municipal de Cascais inaugura a Bedeteca José de Matos-Cruz.

¢21NOV2015-03ABR2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de Arte Antiga/MNAA expõe Colección Masaveu - Grandes Mestres da Pintura Espanhola.

O23NOV-19DEZ2015 - Em Lisboa, Palácio da Independência expõe Resistência e Liberdade - Independências Na Arte das Lusofonias; organização da Casa da Liberdade - Mário Cesariny com o Colectivo Multimédia Perve, a convite da Sociedade Histórica da Independência de Portugal.

¸26NOV2015 - NOS Audiovisuais estreia O Leão da Estrela de Leonel Vieira; com Miguel Guilherme e Dânia Neto. IMAG.19-30-168-180-223-579

¢27NOV2015-28FEV2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação Luís I apresenta Fragmentos - exposição de pintura e desenho de Raúl Perez.
               
PARLATÓRiO

¨ Os americanos são um povo tolerante… Conseguem aceitar que alguém seja alcoólatra, drogado, espancador de mulheres, e até mesmo jornalista… Mas, se um homem for incapaz de mandar, então, é porque há algo de errado com ele.
Art Buchwald
(1968)




VISTORiA

Lisboa sob névoa

¨Na névoa, a cidade, ébria
oscila, tomba.
Informes, as casas
perdem o lugar e o dia.
Cravadas no nada,
as paredes são menires,
pedras antigas vagas
sem princípio, sem fim.
Fiama Hasse Pais Brandão

COMENTÁRiO
 
Raymond Roussel Grito ou Canto?
¨Com Raymond Roussel, um primeiro paradoxo poderia ser formulado: Como explicar que um escritor, no avesso do que se chamaria de um bom escritor, tenha sua obra reconhecida como primordial, nessa entrada do século XX francês, e seja capaz de exercer tamanho fascínio sobre gerações inteiras de escritores e artistas? De Marcel Duchamp (que assistira à adaptação teatral de Impressions d'Afrique, recebendo ali uma parte do impulso para o seu Grande Vidro), ao Oulipo (com suas oficinas de escrita sob restrição), passando por grandes autores cuja obra foi marcada por ele, como Michel Leiris, Georges Perec e Leonardo Sciascia, a leitura e a vida de Roussel impressionam. Sem ele, talvez não se pudessem ler tão bem Proust, Joyce ou Mallarmé com suas «subdivisões prismáticas da ideia», nem compreender o vazio que a literatura instala na linguagem. Roussel tem, no entanto, uma prosa que passa da monotonia mais descritiva e monocórdica para engenhosos emaranhados narrativos, tudo detalhadamente servido em uma cacofonia no limite do legível. De uma frase inicial, decomposta em expressões homófonas, é que nascem os enredos. A armadura da obra é seu ponto de partida, a trama é construída mecanicamente, escolhe-se ao acaso: um calembur, um acalanto, um verso de Victor Hugo…
Ana Maria Amorim de Alencar
             
MEMÓRiA


¸ 17JAN1867-1939 - Karl Lämmle, aliás Carl Laemmle, aliás Carl Lemmle: Produtor do cinema americano, nascido na Alemanha, fundador dos estúdios Universal (The Universal Film Manufacturing Company - 1912). IMAG.23

¨ 1925-17JAN2007 - Arthur Buchwald, aliás Art Buchwald: Colunista e humorista americano - «Sendo a pessoa que sou, quero que se lembrem de mim pelo humor, pelo facto de os ter feito rir. Também quero que me recordem como um sujeito simpático - faz parte da fantasia». IMAG.129-535

¨ 1938-19JAN2007 - Fiama Hasse Pais Brandão: Escritora portuguesa, poetisa e ficcionista, dramaturga, ensaísta e tradutora - «A pedra crê: esta / criança é de pedra. / Não crê que veio do ventre / e que um cordão de sangue / a liga à Natureza.». IMAG.72-98-131-191-254-361

¨ 20JAN1877-1933 - Raymond Roussel: Escritor francês, precursor do surrealismo, autor de Impressões da África (1910) e Locus Solus (1914) - «Influenciou uma plêiade de artistas ao longo de um século» (João Fernandes). IMAG.426
       
GALERi

One’s Own Arena
µJosé Pedro Cortes usa a fotografia para mostrar o lado quotidiano da vida, o casual, o banal. Interessa-lhe o estudo do corpo anónimo, tanto da mulher como do homem, que retrata nesta série pela primeira vez, e os limites e a tensão da relação masculino / feminino. Aprofundou também o estudo dos espaços interiores onde insere os modelos, os objectos e os seus materiais.  
José Pedro Cortes regressou este ano à cidade de Toyama no Japão. Anteriormente, em 2012, tinha sido convidado a passar seis semanas a fotografar nesta cidade, no âmbito do projecto European Eyes on Japan.
Entre abril e maio deste ano, decidiu voltar e procurar o mesmo tipo de cenários e personagens: homens e mulheres vulgares, sem nenhuma história particular ou marca social que os distinguisse de todos os outros que encontrava na rua.
O resultado é uma seleção de 39 fotografias que retratam de forma intensa personagens anónimas, ruas, objectos que surgem do olhar contemporâneo do artista.
«São umas ruas, seis ou sete pessoas, um restaurante, o mesmo quarto de hotel e pouco mais. Tudo isto num país muito diferente, com dificuldade de comunicação. Mas é a rotina de voltar às pessoas e aos sítios e a forma frágil e intensa com que as imagens foram feitas que me faz pensar em Toyama como um território» (José Pedro Cortes).
           
BREVIÁRiO
 
Pato Lógico edita Eu Quero a Minha Cabeça! de António Jorge Gonçalves. IMAG.19-169-183-195-227-252-292-296-310-342-356-430-433-498-521-551
 

¯Distrijazz edita em CD, sob chancela ECM, Serguei Prokofiev [1891-1953]: Visions Fugitives, [Nikolai] Medtner [1880-1951]: Fairy Tale in F Minor, [Frédéric] Chopin [1810-1849]: Sonata N.º 3 pela pianista Anna Gourari. IMAG.92-117-191-203-247-265-284-298-319-325-375-380-389-409-412-446-462-517-533-549-572
           
EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO – 1

8 de Maio de 1923
- Tu já pensaste, ó Petisco, que, se nós os dois quisermos, a gente poderia entender-se?! - questionou-o Benigna da Purificação, num assomo de extraordinária ternura.
– Continua  

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

IMAGINÁRiO #594

 José de Matos-Cruz | 08 Janeiro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
SUBLIMAÇÕES
«De cada um se espera que seja o D. Sebastião da banda desenhada lusitana - uma espécie de monstro condenado a falar sozinho, e a subliminar as suas tendências…» Respigadas em síntese, estas palavras de Pedro Massano assumiriam viva voz, anos depois, com a publicação de Le Chevalier du Christ, primeiro volume (2001) de Le Deuil Impossible, sob chancela das Éditions Glénat. Sendo Massano o ilustrador, estão em causa os mitos e os rostos - aqui, ao estilo do Século XIX - sobre o Rei Desejado, em versão visionária que o argumentista Patrick Lizé, sugestivamente, simboliza como «um verdadeiro ciclo de mentiras».
Um dos mais versáteis artistas portugueses, Pedro Massano - distinguido com o Prémio Nacional de Banda Desenhada/Troféu de Honra, no Amadora Bd 2015 - expandiu assim, em prestigiada alternativa europeia, as notáveis virtualidades que consumara já com A Conquista de Lisboa (1997) - e repercutiria em A Batalha - 14 de Agosto de 1385 (2014) - «fruto do meu interesse em abordar temas nacionais, não para recordar a grandeza do Império ou para louvar as Gestas Heróicas, mas para, numa altura de natural desagregação das identidades, e dos regionalismos, reflectir sobre alguns aspectos específicos do nosso passado»
. IMAG.57-127-149-256-265-416-430-507

CALENDÁRiO
 
¸05NOV2015 - Midas Filmes produziu, e estreia Portugal, Um Dia de Cada Vez de João Canijo e Anabela Moreira. IMAG.1-13-54-63-220-299-379-462

06NOV2015 - Nas antigas instalações do extinto Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem/CNBDI, na Amadora, é inaugurada a nova sede do Clube Português de Banda Desenhada/CPBD, sendo Pedro Mota o actual presidente. IMAG.17-53-87-95-96-129-141-240-294-301-303-317-361-363-367-505-521

¢06NOV-06DEZ2015 - Em Aveiro, Museu da Cidade expõe Lugares Onde Estarei - sendo artista convidada a ceramista Cristina Bolborea, em organização do Instituto Cultural Romeno.

¢06NOV2015 - Em Aljustrel, Oficinas de Formação e Animação Cultural expõe João Cutileiro - Escultura, Desenho, Fotografia. IMAG.68-532-563-577-579

µ07NOV-06DEZ2015 - No Porto, Árvore - Cooperativa de Actividades Artísticas expõe Sérgio Valente - Um Fotógrafo Na Revolução.

¸09NOV2015 - Em Portugal, com uma exibição única em 25 salas, estreia Ronaldo de Anthony Wonke; sobre Cristiano Ronaldo.

¨1937-10NOV2015 - André Glucksmann: Filósofo, pensador e ensaísta francês - «Tive a incrível oportunidade de conhecer, rir, debater, viajar, brincar, fazer tudo e não fazer nada com um homem tão bom quão genial» (Raphaël Glucksmann, seu filho).

¢13NOV2015-07JAN2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação Luís I apresenta Madonas - exposição de pintura de Beatriz Manteigas.

¢14-28NOV2015 - Na Lx Factory, em Lisboa, El Pep Store & Gallery apresenta Pelo Caminho - exposição de ilustrações de Maria João Worm. IMAG.289-301-325-359-386-409-416-430-444-451-553-591

COMENTÁRiO

HUMPHREY BOGART
¸ Entre as luzes e as trevas de Hollywood, cintilou como nenhum outro astro um signo de culto, nas virtualidades do imaginário cinematográfico. Através de personagens em crise, românticas, sob a decepção e a tragédia, dilaceradas entre o bem e o mal - celebrando «o homem que fez do crime a sua profissão, e das mulheres o seu passatempo» - mitificou a  personalidade ambígua e sedutora de um actor cúmplice, cínico e sedutor, referenciado em suas múltiplas facetas de fascínio e carisma pela representação artística.

VISTORiA
 
BALADA

¨Él pasó con otra;
yo le vi pasar.

Siempre dulce el viento
y el camino en paz.

¡Y estos ojos míseros
le vieron pasar!

El va amando a otra
por la tierra en flor.

Ha abierto el espino;
pasa una canción.

¡Y él va amando a otra
por la tierra en flor!

El besó a la otra
a orillas del mar;
resbaló en las olas
la luna de azahar.

¡Y no untó mi sangre
la extensión del mar!

El irá con otra
por la eternidad.

Habrá cielos dulces.

(Dios quiere callar.)

¡Y él irá con otra
por la eternidad!
Gabriela Mistral  

¨ A tua beleza submerge-me, submerge o mais fundo de mim. E quando a tua beleza me queima, dissolvo-me como nunca, perante um homem, me dissolvera. De entre os homens, eu era a diferente, era eu própria, mas em ti vejo a parte de mim que és tu. Sinto-te em mim. Sinto a minha própria voz tornar-se mais grave como se te tivesse bebido, como se cada parcela da nossa semelhança estivesse soldada pelo fogo e a fissura não fosse detectável…
Todos os navios se afundam com fogo nos porões e há fogos que crepitam nas arrecadações de cada casa. A mais branca carne do ser que se ama é a que o vidro partido irá cortar e a que a roda irá esmagar. Os longos uivos na noite são uivos de morte. A noite é o assessor dos carrascos. O dia é a luz das descobertas estridentes. Se um cão ladra é porque o homem que ama feridas profundas salta pela janela. O riso precede a histeria. Eu espero a grande queda com a espuma na boca.
Anaïs Nin
- A Casa do Incesto (excertos)

PARLATÓRiO

¢Digo aos meus discípulos: pensais que vos envio ao Louvre com outro objectivo senão o de encontrardes a mais alta natureza? Se assim fosse, estaria a fazer o que tem trazido a decadência à arte. Eu recomendo os antigos, porque eles mostrarão a natureza, pois os antigos são a natureza.
Ingres

¨É monstruoso dizer-se que o artista não serve a humanidade. Ele foi os olhos, os ouvidos, a voz da humanidade. Sempre foi, ele, o transcendentalista a passar, a raios X, os nossos verdadeiros estados de alma.
Anaïs Nin

MEMÓRiA
 
¨ 1889-10JAN1957 - Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga, aliás Gabriela Mistral: Poetisa e diplomata chilena, distinguida com o Prémio Nobel da Literatura (1945) - «Ama a beleza, que ela é a sombra de Deus no universo». IMAG.112-114-484

13JAN1807-1876 - William J. Bailey: Físico britânico, radicado na América - «O progresso proporciona-nos tantas coisas, que não nos sobra nada - nem para pedir, nem para desejar, nem para desperdiçar». IMAG.549

¢1780-14JAN1867 - Jean-Auguste Dominique Ingres, aliás Ingres: Pintor e desenhista francês, entre o neoclassicismo e o romantismo - «Sigo os grandes mestres que floresceram naquele século de gloriosa memória, quando Rafael estabeleceu os eternos e incontestáveis padrões do sublime em arte… Sou, assim, um conservador de boa doutrina, e não um inovador».

¸ 1899-14JAN1957 - Humphrey DeForest Bogart, aliás Humphrey Bogart: Actor americano, «a maior estrela masculina do cinema norte-americano de todos os tempos» (American Film Institute) - «A melhor maneira de sobreviver a um Oscar, é não tentar ganhar outro». IMAG.35-52-91-114-256-338-513-529-578-581

¨ 1903-14JAN1977 - Angela Anaïs Juana Antolina Rosa Edelmira Nin y Culmell, aliás Anaïs Nin: Escritora francesa, de família cubana - «Nós não vemos as coisas como são. Vemos as coisas como somos… A vida contrai-se e expande-se, proporcionalmente à coragem de cada pessoa. Eu ajusto-me a mim, não ao mundo». IMAG.114-279-407
                             
BREVIÁRiO

¯Sony Music edita em CD, Shadows In the Night de Bob Dylan - em homenagem a Frank Sinatra (1915-1998). IMAG. 13-24-61-85-115-136-151-187-211-227-233-256-265-290-347-453-503-539
         
EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS – Folhetim Aperiódico

JORNAL D’ONTEM, PAPÉIS VELHOS - 11

- Enfim, nada de mais… Às vezes, compram-se certos serviços às pessoas… - insinuou o Coronel Mathias Plínio, em expectativa.
- Sim… - corrigiu um soturno General Sílvio Silvino. - Às vezes, compram-se as pessoas, para nos fazerem certos serviços.   

– Continua  

sexta-feira, janeiro 22, 2016

IMAGINÁRiO #593

 José de Matos-Cruz | 01 Janeiro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
PRIMÓRDIOS
A coisa pior e mais certa que se comentou sobre os primórdios de Bryan Singer, é que se tratou de um cruzamento entre Woody Allen e Quentin Tarantino. Essa mutação brotaria num filme insólito, fenomenal - Os Suspeitos do Costume / The Usual Suspects (1995). Mas o realizador de X-Men (2000) já tivera Public Access (1992), e lá está a matriz essencial de um cineasta que, com ironia e inteligência, explora um imaginário subtilmente perverso, nos estigmas entre o bem e o mal, enquadrados pelo padrão psicológico de cada personagem distorcida; estilhaçando tais referências sob as pulsações de uma intriga insinuante e fatídica. Ao assinar a sua terceira longa metragem, as características em causa encontraram um protagonista excepcional em Ian McKellen, que contra os X-Men assumiu Magneto, a trágica nemésis dos super-heróis. 
Começando a filmar em adolescente, com uma câmara de 8 mm, Singer estudou na School of Visual Arts em Nova Iorque, prosseguindo a sua aprendizagem na University of South California de Los Angeles, revelando-se com a curta metragem Lion’s Dead (1988). Public Access distinguiu Singer com o Grande Prémio do Júri no Sundance Film Festival, mas a consagração chegaria com Os Suspeitos do Costume: Oscars para os Melhores Actor Secundário (Kevin Spacey) e Argumento Original (Christopher McQuarrie) - manipulando uma acção equívoca, surpreendente, estilizada por Singer com olhar brutal, fascinador, quanto às (ex)tensões do thriller no cinema independente. IMAG.109

CALENDÁRiO
 
¢SET-31DEZ2015 - Em Lisboa, Galeria São Roque Too expõe António Costa Pinheiro [1932-2015] - O Pintor Por Ele-Mesmo, sendo comissário Bernardo Pinto de Almeida. IMAG.239-312-486-569-590

¸17OUT2015-30ABR2016 - Em Vila Franca de Xira, Museu do Neo-Realismo expõe Manuel Guimarães [1915-1975], Sonhador Indómito, sendo curadora Leonor Areal. IMAG.47-74-86-131-137-150-223-334-347-500-521-527-548-572

O31OUT2015-23JAN2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação Luís I apresenta D. Luís de Portugal - Perspectivas; ciclo de Conferências / Concerto sobre El-Rei D. Luís I (1838-1889). IMAG.200-247-368-531
 
¸1933-01NOV2015 - José Fonseca e Costa: Cineasta português, realizador e produtor - «A burocracia mata a criatividade. A criatividade devia matar a burocracia, a criatividade somos nós» (2014). IMAG.63-77-117-126-158-192-223-334-508

¢02NOV-19DEZ2015 - Em Lisboa, Casa da Liberdade - Mário Cesariny apresenta Artur Bual [1926-1999] - Exposição Retrospectiva (1940-1999).
  
PARLATÓRiO

¨A caridade é isto: é este condescender incessante com todos os apelos; é esta concorrência ofegante e apressada a todos os chamamentos! E a sua influência são amanhã as enfermidades saradas, os pobres consolados, e as tristezas sem dor… Deixem-me alevantar o espírito neste país que talhou a pique as suas formas esculturais, e recortou, como de pólo a pólo, as suas feições gigantescas n’uma montanha imensa, que atira com a sua testa para o meio das nuvens para que as estrelas lhe emoldurem lá em cima tiara esplêndida, e cá em baixo assenta as suas bases n’um mundo imenso, onde Alexandre d’Humbold, sábio imenso como ele, viu, à luz poderosa da sua presciência enorme, o empório da civilização futura!
Vieira de Castro
- Discurso Sobre a Caridade (excerto)
- Recitado no Salão do Theatro Lyrico do Rio de Janeiro, em 26JAN1867


TRAJECTÓRiA

João Gaspar Simões
¨ Escritor, ensaísta, crítico literário e jornalista português nascido a 25 de Fevereiro de 1903, na Figueira da Foz, e falecido a 6 de Janeiro de 1987, em Lisboa. Enquanto cursava Direito em Coimbra, colaborou com José Régio e Branquinho da Fonseca, participando, em 1927, na fundação da revista Presença, aí se revelando como crítico literário especialmente atento aos valores intrínsecos da obra literária na sua conexão, com eixos biográficos e geracionais. Foi também bibliotecário na Biblioteca da Imprensa Nacional, em Lisboa. Como outros críticos da Presença, pertence-lhe o mérito de ter divulgado o primeiro modernismo, tendo, com Luís de Montalvor, editado as Obras Completas, de Fernando Pessoa (Ática, 1942-45) e publicado uma biografia exaustiva sobre o autor de Mensagem, umas e outra responsáveis, de modo diverso, pela difusão da estética pessoana junto de gerações posteriores ao Orpheu, e, muito especialmente, junto da geração de 50. Tendo, entre os anos 30 e 70, marcado a história da crítica literária em Portugal, por uma metodologia especialmente atenta à análise da obra literária na sua interdependência com o percurso biográfico e geracional dos autores abordados, de que se destaca como modelares as obras Eça de Queirós, o Homem e o Artista (1945) e Vida e Obra de Fernando Pessoa (1950), exerceu a crítica literária de modo sistemático nas páginas de publicações periódicas como Diário de Lisboa, Diário Popular, Primeiro de Janeiro, Mundo Literário, Diário de Notícias, Átomo, entre outras. No domínio da criação literária, tentado pelo teatro, com cinco peças de factura pouco inovadora, distinguiu-se essencialmente como romancista, tendo-se, com a publicação de Elói, afirmado como representante, em Portugal, de um romance de cunho introspectivo e psicologista. Desenvolveu ainda uma vastíssima actividade como tradutor, tendo vertido para português autores como Balzac, Bernanos, Charlotte Brontë, Caldwell, Jean Cocteau, Diderot, Dostoievski, Gogol, Aldous Huxley, Joyce, Kafka, D. H. Lawrence, Thomas Mann, Merimée, Tchekov, Tolstoi, Turguenev, Oscar Wilde, Voltaire ou Zola.
http://www.infopedia.pt/$joao-gaspar-simoes

VISTORiA
 
¨ Em Juvenal, a inteligência dava-lhe para aquilo: para se negar, para se complicar, para se dissolver por dentro. Assim, inútil pensar em viver. Para viver há que fechar os olhos e parecer cego. Para amar também.
João Gaspar Simões
- Pântano (1940 - excerto)
MEMÓRiA

¯1666-02JAN1747 - Jean-Féry Rebel: Compositor e violinista francês, ao estilo barroco, autor de Les Éléments (1737). IMAG.294-559

¨ 02JAN1837-1872 - José Cardoso Vieira de Castro: Escritor e político português - «Um dirigente académico com alguma importância; um jornalista menor; um escritor sem talento; um político sem poder; um criminoso e um degredado» (Vasco Pulido Valente - Glória). IMAG.389

¨ 1903-06JAN1987 - João Gaspar Simões: Escritor e ensaísta português, biógrafo e crítico literário - «Tudo o que tenho dito sobre o romance acaba na mesma trivialidade: não há romance onde não houver imaginação psicológica».  IMAG.128-131-191-203-502
       

INVENTÁRiO

Vieira de Castro
¨ No dia 7 de Maio de 1870, a tragédia aproxima-se, quando, julgando confirmadas as suas suspeitas de infidelidade da sua esposa, com o sobrinho de Almeida Garrett, acaba por assassinar a sua jovem esposa, quando esta dormia, usando para isso, uma almofada com clorofórmio.
No dia seguinte entregou-se às autoridades, confessando o crime. Em 1871, é julgado, partindo para Angola, a fim de cumprir a pena de 10 anos de degredo, vindo a falecer nos arredores de Luanda em 5 de Outubro de 1872, com apenas 36 anos de idade.
Miguel Monteiro
- José Cardoso Vieira de Castro (excerto)
¸Revelando-se com O Recado (1971), após notável experiência pela via documental, José Fonseca e Costa voltou às longas metragens, para exorcizar Os Demónios de Alcácer-Kibir (1975). A produção coube à Tobis Portuguesa - com a participação do Centro Português de Cinema / CPC - executada por Artur Semedo, também protagonista, e coordenada por Paulo de Morais. António H. Escudeiro dirigiu a fotografia em exteriores no Alentejo, e nos estúdios da Tobis Portuguesa - decorados por Madalena & Fernando Pinto Coelho e Jasmim de Matos - de que se manteve o som directo. Também argumentista, com a colaboração de Augusto Sobral, Fonseca e Costa sagra uma visão épica / simbólica de Portugal contra os fantasmas do passado, sobre as vitórias a conquistar de arma na mão. No elenco, destacam-se António Beringela, Ana Zanatti, Sérgio Godinho, Luís Barradas e João Guedes. Os Demónios de Alcácer-Kibir estreou no Quarteto, em 1977, tendo Fonseca e Costa reivindicado uma reflexão «sobre o fim do Império, sem parecer que o faça. Há sinais básicos - como o mito de Dom Sebastião, a independência nacional… É como se, de certa forma, se advertissem as pessoas de que podemos perdê-la de novo. A maior parte dos textos são resultado de leituras da História Trágico-Marítima, d’A Peregrinação de Fernão Mendes Pinto, da História de Portugal de Oliveira Martins. Em minha opinião, só poderá ser bem compreendido em Portugal e por Portugueses, ou então por gente do Terceiro Mundo».
 
BREVIÁRiO
 
Na série Astérix o Gaulês de René Gosciny & Albert Uderzo, Asa edita O Papiro de César de Jean-Yves Ferri e Didier Conrad. IMAG.2-4-21-29-37-58-69-76-94-101-136-179-206-245-248-275-290-342-356-390-406-418-431-453-504-574