sábado, abril 23, 2016

IMAGINÁRiO EXTRA: Daniel Maia - Exposição a solo

De dia 30 Abril a 20 de Maio, o Ateneu Popular do Montijo vai expor Traços & Tons, uma mostra composta por uma selecção de trabalhos recentes, figurando personagens de comics, como Batman, Tartarugas Ninja e Mulher-Maravilha, ou de ficção como O Infante Portugal (criado por José de Matos-Cruz), e complementada por diários gráficos e cadernos de desenho.
Comissariada por Marta Ferreira, a exposição visa mostrar obras recentes, em banda desenhada e ilustração, demonstrar o meu processo de trabalho – que será de interesse ao público escolar, para dar a conhecer as fases criativas que levam um trabalho desde o guião ou esboço inicial à peça finalizada e respectiva edição –, e partilhar comparações entre estes e desenhos de fase amadora, pré-adolescência.

Volvidos dez anos desde que exponho a solo, estarei presente na inauguração, no dia 30 Abril, às 15h30. Estão convidados a comparecer.
Agradeço à direcção do Ateneu Popular de Montijo, a Marta Ferreira e João Miguel Ferreira, pelo convite e organização da mostra; à Câmara Municipal do Montijo e Junta de Freguesia da União de Freguesias de Montijo e Afonsoeiro, pelo apoio prestado; e a José de Matos-Cruz e direcção da Bedeteca da Biblioteca Municipal de S. Domingos de Rana, pela cedência do seu ex-libris para imagem gráfica do cartaz do evento.
?Daniel Maia
LIMAG.196-387-416-430-435-528-538-563-596

quarta-feira, abril 20, 2016

IMAGINÁRiO EXTRA: Susana Resende - Navegador

Talento, sensibilidade e uma rigorosa, mas versátil e sugestiva expressão gráfica, estimulam a criatividade de Susana Resende, que tem estendido as virtualidades como artista plástica e ilustradora profissional ao universo da banda desenhada.
Assim, e a partir da revelação em 2013, com Sayonara (no álbum antológico Zona Nippon 2 – distinguida com o 2º lugar na categoria Melhor Obra Curta dos XII Troféus Central Comics), destacam-se a prancha autoconclusiva Cadáver Esquisito! #51 (na banda desenhada colectiva em método cadavre exquis, coordenada por Daniel Maia, 2015), 24 (sobre história breve de André Oliveira, na revista Cais #212, 2015) e, já sob o signo da maturidade, também como argumentista, Navegador (na revista Gerador #6, 2015).
Pessoalmente, assinalo a estilizada transfiguração com que Susana Resende participou em O Infante Portugal e as Sombras Mutantes (Apenas Livros, 2012), tendo – entretanto – aceite o desafio para conceber as visões originais de Aurora Boreal, a que se seguiu uma deslumbrante e prodigiosa inspiração para esta minha saga, actualmente em expansão narrativa. E deixo manifesto o meu apreço pelos atributos inquietadores e fantásticos que se enunciam em Navegador, aliando uma perturbante conflitualidade ficcional às valências da textura cromática.
IMAG.403-416-430-528-563



terça-feira, abril 19, 2016

IMAGINÁRiO #606

José de Matos-Cruz | 08 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
(IN)SUCESSOS
Sustentado por uma indústria precária e esporádica, o cinema português encontra na essência artística a sua motivação primordial, com os inerentes desaires quando se pretende explorá-lo como um mero negócio. Os exemplos são quase tantos, quantas as tentativas sobre os filmes em causa, ao longo de um século - gerando a decepção, o afastamento, o rancor ou, mesmo, a ruína daqueles que o manipularam numa mera expectativa comercial. Porém, há casos de um insólito sucesso, e outros marcados por um bizarro sentido de oportunidade. Assim, Os Crimes de Diogo Alves (1911 - João Tavares), a nossa primeira ficção autónoma, continuava a ser explorada nos anos ’30, já em pleno sonoro. E A Severa (1931 - Leitão de Barros), nossa primeira longa metragem falante, era reposta em 1955, a propósito da peça de Júlio Dantas, então em cena no Teatro Monumental. Mais recentemente, quando estreou Amor de Perdição (1978) de Manoel de Oliveira, também reaparecia o clássico (1943) de António Lopes Ribeiro, sobre a obra de Camilo Castelo Branco… Em geral, faltando ao cinema português uma estratégia notória de rendibilização nas salas, o alento maior de sobrevivência ou ressurreição seria atribuído por alternativas excepcionais - como a passagem na televisão ou a edição em vídeo.
  
CALENDÁRiO
 
18FEV-25ABR2016 - No Porto, Galeria Municipal / Jardins do Palácio de Cristal apresenta Habitar Portugal 12-14 - um olhar sobre a produção arquitectónica portuguesa do triénio (obras concluídas entre 01JAN2012 e 31DEZ2014), em exposição organizada pela Ordem dos Arquitectos, com a Câmara Municipal do Porto.

¨28ABR2026-19FEV2016 - Nelle Harper Lee, aliás Harper Lee: Ficcionista americana, autora de Mataram a Cotovia/Não Matem a Cotovia (1960) - «A única coisa que não devemos curvar ao julgamento da maioria é a nossa própria consciência».

 ¨1932-19FEV2016 - Umberto Eco: Escritor italiano, filósofo e semiólogo, ensaísta e ficcionista, autor de O Nome da Rosa (1980) - «Nada é mais nocivo para a criatividade do que o furor da inspiração». IMAG.22-40-58-175-283-417-603

¢23JAN-01MAI2016 - Em Évora, Fórum Eugénio de Almeida expõe Realidade Suspensa de Michael Biberstein (1948-2013), sendo curador Reto Pulfer; e Estados de Rememoração de Reto Pulfer, sendo curadora Filipa Oliveira.
      
VISTORiA
 
O Bailado Velado

¨Na encruzilhada impossível da imobilidade
uma turba de objectos inertes
não consegue parar de se mover fremir dançar
E os carteiros do vento
como os do mar
espalham a correspondência aqui e lá
Cada coisa sem dúvida se destina a alguém
       ou a alguma coisa talvez
A pluma da ave
como a concha da ostra
a cruz da legião de honra
como a estrela do mar
ou a pinça do caranguejo e a âncora da fragata
a rã verde de lata
e a boneca de som
e a coleira do cão
E nesta paisagem onde nada parecia mexer-se
excepto a vela do náufrago na lanterna em ferrugem
é o bailado velado
o bailado dos objectos inanimados.
Jacques Prévert
(Tradução de Adriano Scandolara)

MEMÓRiA
 
 10ABR1847-1911 - Joseph Pulitzer: Emigrante húngaro nos EUA, repórter - «um defensor ao lado das pessoas, um porta-voz da democracia» -, empresário e proprietário de The World (1883), definiu as regras de um jornalismo rigoroso e confiou parte da fortuna à Universidade de Columbia, Nova Iorque, a partir da qual foi instituído o Prémio Pulitzer (1917), com o objectivo de «encorajar e distinguir a excelência». IMAG.344

¯ 1562-11ABR1607 - Bento de Goes: Missionário e explorador português - por ordem de Nicolau Pimenta, Visitador da Companhia de Jesus em Goa, percorreu a Rota da Seda, em busca do mítico Cataio, e morreu exausto junto à Grande Muralha da China, próximo já de Pequim. IMAG.126

¨ 1900-11ABR1977 - Jacques Prévert: Poeta francês, autor de Paroles (1946) - «Teus jovens seios brilhavam ao luar / Mas arremeti o / Gelo frio / Da pedra do ciúme / Contra o rio / Que reflectia o / Dançar de tua nudez na Riviera / Pelo esplendor do estio.» (Riviera). IMAG.185-262

¨ 1903-11ABR1987 - Erskine Preston Caldwell, aliás Erskine Caldwell: Escritor americano, autor de Estrada do Tabaco (1932) - «Um bom Governo é como uma boa digestão… Enquanto funciona, nem nos apercebemos». IMAG.593

¨ 1919-11ABR1987 - Primo Levi: Escritor italiano, prisioneiro em Auschwitz, autor de Se Isto É Um Homem (1947) - «O objectivo da vida é criar a melhor defesa possível contra a morte». IMAG.126-236-244-412-416-575

¨ 12ABR1947-2013 - Thomas Leo Clancy Jr, aliás Tom Clancy: Ficcionista americano, criador da personagem de Jack Ryan - «Hoje em dia, as pessoas vivem mais tempo do que no passado. E vivem vidas mais felizes, possuem mais conhecimento, mais informação. Tudo isto é o resultado da tecnologia da comunicação… Pessoalmente, considero-me alguém com sorte. Mas não acredito em nada. Tudo que faço, é analisar as possibilidades». IMAG.488
                     
TRAJECTÓRiA
 
BENTO DE GOES
¯ Nasceu Luiz Gonçalves em Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, em Julho de 1562. Foi para a Índia como soldado, entrando na Companhia de Jesus em 1584. Abandonando o noviciado, ao frustrar-se o sacerdócio, dirigiu-se a Ormuz, mas regressou à Companhia de Inácio de Loiola em 1588, para tornar-se Irmão como Bento de Goes.
A 3 de Dezembro de 1594, pediu missão diplomática ao reino Mogol, onde logrou as simpatias de Ackbar, levando-o a manter-se em paz com o Vice-Rei, em Goa, através duma embaixada de que foi incumbido, em 1600-1601. Os superiores jesuítas da Índia pretendiam descobrir o caminho terrestre até à China, contornando e transpondo pelo poente as cadeias dos Himalaias, para desvendar o mistério do Grão-Cataio e a sua identificação com o Império Celeste, tal como presumia Mateo Ricci. Nicolau Pimenta confiou-lhe tal empresa, pois sabia o persa, o turco e os costumes muçulmanos. Disfarçado de mercador arménio, com o nome de Banda Abdullah ou Abdulllah Isahi, e acompanhado por dois negociantes gregos, Leone Grimam e Demétrio, dirigiu-se pelo Dekong, com o arménio Isaac como criado, a Agra em 29 de Outubro de 1602, e a Lahore a 6 de Janeiro de 1603. Com cartas de recomendação de Ackbar, chegou a Cabul, onde Grimam permaneceu. Prosseguiu com a irmã do Khan de Casgar, que, regressada de peregrinação a Meca, encontrara em Cabul, emprestando-lhe o produto da venda de umas pedras semipreciosas. Galgou o planalto de Pamir e, em Novembro de 1603, chegava a Iarcand, onde ficou até 14 de Novembro de 1604, visitando Chotan, para ser retribuído dos favores à rainha-mãe, da qual se fizera credor em Cabul.
Prosseguindo para leste, por Zilan e Cucha, chegou a Chalis, onde recebeu as primeiras notícias dos missionários de Pequim e, em 22 de Dezembro de 1605, atingiu Soucheu, extremo da Grande Muralha. Ali, pôde identificar o Cataio com a China e Kambalik com Pequim. Dirigindo recados a Mateo Ricci, este enviou-lhe um jesuíta chinês, Ciommimli, aliás João Fernandes, que o encontrou mísero e doente. Faleceu em Soucheu, China, a 11 de Abril de 1607. Com notas avulsas da viagem, relatada num diário, contendo apontamentos que os devedores muçulmanos tentaram destruir, para evitar o pagamento, mas recolhidos por Isaac e Ciommimli, Ricci logrou reconstituir o itinerário de Bento de Goes, em 1608-1610.
            
COMENTÁRiO
 
 A nossa República e a sua Imprensa erguer-se-ão e cairão juntas… O poder para moldar o futuro da República estará nas mãos dos jornalistas das próximas gerações.
Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela própria.
Joseph Pulitzer
- The North American Review (1904)
            
PARLATÓRiO
 
¨ Com o passar dos anos, as minhas recordações não empalidecem nem se dissipam, pelo contrário, enriquecem-se com detalhes que eu acreditava esquecidos e que, às vezes, adquirem sentido à luz das recordações de outras pessoas, de cartas que recebo ou de livros que leio.
Primo Levi
           
BREVIÁRiO
 

¨ Alêtheia Editores lança Os Lugar-Tenentes de Salazar (1889-1970) - Biografias de Manuel de Lucena (1938-2015). IMAG.554

segunda-feira, abril 18, 2016

IMAGINÁRiO #605

José de Matos-Cruz | 01 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO
 
CREPÚSCULOS
Num panorama de banda desenhada por autores portugueses, David Soares - lisboeta nascido em 1976, artista gráfico e editor de fanzines - sobressairia como um autor aliciante, em evolução pelo Círculo de Abuso. Após Cidade-Túmulo e Mr. Burroughs em álbuns de 2000, o novo milénio foi estigmatizado com Sammahel (2001), pelas sombras do nazismo durante o século findo. Escritor e ilustrador, Soares apelou à inspiração de Thomas Mann, em Doutor Fausto, reivindicando um fascínio pela «literatura alemã; e por toda a literatura da Europa do leste, já que o menciono». Em causa está uma descida ao inferno que habita no íntimo de Adrian Leverkhün, estudante de teologia e compositor. Obcecado pelo medo de executar a sua música, com o pressentimento de que morrerá, Adrian parece nem se aperceber do regime de horror que germina na Alemanha, e avassalará na crepuscular bestialidade do Terceiro Reich. Uma obra complexa, madura e perturbante, Sammahel apela à consciência cultural/histórica do leitor, consumando as virtualidades de um criador que se aprofunda, sob o desígnio da sua radicalidade. IMAG.6-358-410


CALENDÁRiO
 
¢06FEV-08MAI2016 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves apresenta The Sonnabend Collection: Meio Século de Arte Europeia e Americana (Parte 1), sendo comissário António Homem. IMAG.554

¢20FEV2016 - Na Amadora, Casa Roque Gameiro apresenta A Casa, Vida e Obra da Família [Alfredo] Roque Gameiro (1864-1935) - exposição permanente, e a Coletiva da Associação de Aguarela de Portugal. IMAG.197-558-585-602

¯ABR1937-14FEV2016 - Vera Varela Cid: Bailarina portuguesa, professora de dança, co-fundadora da Companhia Nacional de Bailado/CNB (1977) - «Deixa um legado de dedicação, profissionalismo e criatividade artística de valor inestimável, na história do bailado e das artes performativas em Portugal» (Ministério da Cultura).
      
PARLATÓRiO
 
¯Não custa muito escrever música, mas é extraordinariamente difícil deixar as notas supérfluas em cima da secretária… Por vezes, eu pondero em variantes formais, e o resultado final acaba por me parecer mais específico, mais puro.
Johannes Brahms

¨ Continuo a viajar pela arte. Neste fim-de-semana, não sei o que se passou com o mundo. Não quero saber. Por uma noite, permitam-me ser como a avestruz. Só por esta noite, porque amanhã já é segunda feira…
Leonora Carrington
              
VISTORi

Desaparecido
¨Sempre que leio nos jornais:
«De casa de seus pais desapar’ceu…»
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
– Livre o instinto, em vez de coagido.
«De casa de seus pais desapar’ceu…»
Eu, o feliz desaparecido!
Carlos Queiroz
- Desaparecido e Outros Poemas (1950)


MEMÓRiA

¯1833-03ABR1897 - Johannes Brahms: Compositor alemão - «Herdeiro de Beethoven, oferece em sua obra a síntese perfeita do romantismo e do classicismo. Não desprezou o canto popular húngaro, que incorporou a uma poesia tipicamente nórdica e suntuosa» (Renata Cortez Sica). IMAG.82-171-193-199-256-286-303-324-393-417-482-531-554-597

¨ 05ABR1907-1949 - José Carlos de Queiroz Nunes Ribeiro, aliás Carlos Queiroz: Poeta e ensaísta português - «Por que vieste? – Não chamei por ti! / Era tão natural o que eu pensava, / (Nem triste, nem alegre, de maneira / Que pudesse sentir a tua falta…) / E tu vieste, / Como se fosses necessária!» (Apelo à Poesia). IMAG.167-307-491

¨ 1926-05ABR1997 - Irwin Allen Ginsberg, aliás Allen Ginsberg: Poeta americano, ligado à beat generation - «Os corpos quentes / brilham juntos / na escuridão, / a mão move-se / para o centro / da carne, / a pele treme / na felicidade / e a alma sobe / feliz até ao olhar – // sim, sim, / é isso que / eu queria, / eu sempre quis, / eu sempre quis / voltar / ao corpo / em que nasci.» (Canção). IMAG.9-13-64-85-89-247-306-362-426-469-565

¨ 06ABR1917-2011 - Leonora Carrington: Escritora, pintora e escultora de origem inglesa, ligada ao surrealismo e ao México - «Não é uma poetisa, mas um poema que caminha, que sorri, que de repente exibe o seu sorriso e se converte em pássaro, depois em peixe, e desaparece» (Octavio Paz). IMAG.361

1863-07ABR1947 - Henry Ford: Industrial americano - «Se o dinheiro for a nossa esperança de independência, jamais a alcançaremos. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência… Há um punhado de homens que conseguem enriquecer, simplesmente, porque prestam atenção aos pormenores que a maior parte das pessoas despreza». IMAG.125-428
                                   
TRAJECTÓRiA
 
Joannes Brahms
¯ Compositor e pianista alemão, Brahms nasceu em 1833, em Hamburgo, na Alemanha, e morreu em 1897, em Viena, na Áustria. Compôs sinfonias, concertos, música de câmara, peças para piano, peças corais e mais de 200 canções. Foi o grande mestre da sinfonia e da sonata da segunda metade do século XIX e um dos grandes compositores da época romântica.
Johannes Brahms era talentoso, produtivo e, além do êxito alcançado, tornou-se imensamente popular. Apesar disso, era visto como um conservador, em contraste com o progressismo de outros compositores seus contemporâneos. As suas sinfonias e concertos são bastante formais e não fossem os pequenos toques de classe, nomeadamente em alguns andamentos, não seriam hoje tão considerados. A sua excelência revela-se nesses pequenos detalhes. Talvez por isso, os seus trabalhos de menor dimensão - as peças de câmara e as sonatas - demonstrem tanta imaginação e energia. O simples facto de a sua Primeira Sinfonia ser ironicamente apelidada de Décima de Beethoven, prova o seu apego ao formalismo clássico de um compositor falecido há 50 anos. Adicionalmente, o facto de Johannes Brahms se ter demarcado de Liszt, Wagner e Bruchner e outros compositores da chamada Nova Escola Alemã atesta a sua inadaptação à rápida mudança estética da segunda metade do século XIX.
Os estudos musicais de Brahms foram iniciados muito cedo, no piano e na composição. O seu desejo era ser reconhecido como maestro e compositor. Tornou-se amigo de Robert Schumann, até porque partilhavam o mesmo estilo musical. A partir daí, Brahms tentou a sua sorte em Viena, a capital musical da Europa, e conheceu algum sucesso. Adicionalmente, atuou um pouco por toda a Europa, dando a conhecer a sua obra, perante audiências cada vez maiores. Depois disso, como muitos outros músicos, tornou-se professor. Quando em 1869 compôs Um Requiem Alemão, um trabalho coral e orquestral grandioso, conseguiu críticas bastante positivas e o retorno financeiro de que necessitava. Com a confiança renovada, trabalhou no formato que sempre o tinha amedrontado: a sinfonia. Veio a compor quatro sinfonias, além de numerosos concertos.
Entre as suas composições mais conhecidas encontram-se o Concerto para Piano N.º 1 em Ré Menor (1854-58), o Um Requiem Alemão (1868), as Danças Húngaras (1869), as Variações sobre um Tema de Haydn (1873), a Sinfonia N.º 1 em Dó Menor (1876), a Sinfonia N.º 2 em Ré Maior (1877), o Concerto para Violino em Ré Maior (1878), a Sinfonia N.º 3 em Fá Maior (1883), a Sinfonia N.º 4 em Mi Menor (1884-85), a Sonata para Violino em Ré Menor (1886-88), o Quinteto para Cordas em Fá Maior (1882), o Quinteto para Cordas em Sol Maior (1890), o Quinteto para Clarinete e Cordas (1891) e as Sonatas para Clarinete e Piano (1894).
Uma boa parte da sua obra foi inspirada diretamente na música popular alemã, húngara e zíngara. Toda a sua música apresenta solidez, riqueza harmónica, expressividade melódica e uma força rítmica baseada na utilização de síncopas. Embora não tenha sido um inovador, a sua arte marca uma forte maturidade dentro do movimento romântico alemão, o que faz de Brahms uma das figuras máximas da História da música.
        
SUMÁRiO
 
¨ Nasceu em 1907, em Paris. Poeta, ensaísta, crítico literário e de arte, estudou Direito na Universidade de Coimbra, tornando-se funcionário da Emissora Nacional, onde organizou programas culturais. Assíduo colaborador da Presença e de outras publicações literárias, foi considerado um elo de ligação entre a geração presencista e a de Orpheu. Considerado um discípulo directo de Fernando Pessoa, a sua poesia caracteriza-se pela perfeição formal, pelo equilíbrio e sobriedade e pela sugestão musical. Denuncia alguma herança romântica e certa aproximação ao simbolismo. Morreu em 1949, em Paris.
        
BREVIÁRiO
 
¨ Relógio D’Água edita Convite Para Uma Decapitação de Vladimir Nabokov (1899-1977); tradução de Carlos Leite. IMAG.63-223-253-272-325-338-418-503-504-505-507-600
 
¨ Cavalo de Ferro edita Thérèse Desqueyroux de François Mauriac (1885-1970); tradução de Manuela Barros. IMAG.112-484-534

¨ Fundação Francisco Manuel dos Santos edita Malditos - Histórias de Homens e de Lobos de Ricardo J. Rodrigues.

terça-feira, abril 05, 2016

IMAGINÁRiO #604

José de Matos-Cruz | 24 Março 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
SUPERAÇÕES
Estranhas manchas alastram nos ecrãs de radar. Pouco depois, começam a chegar notícias de perturbação pública, por todo o mundo. Nos Estados Unidos, os canais de televisão passam a transmitir notícias sobre objectos bizarros, avistados no céu. Tensões, agitação, substituem a curiosidade e expectativa entre todos: trata-se de enormes naves espaciais, que obscurecem o céu.
O ataque brutal, pelo conjunto das forças extraterrestres, concretiza-se em 4 de Julho, O Dia da Independência/Independence Day. Em 1996, este superespectáculo de Hollywood, em tal data estreado nos Estados Unidos, batia finalmente o recorde de Parque Jurássico/Jurassic Park (1993): mais de cem milhões de dólares (os custos de produção e promoção) de receitas, em apenas uma semana de exibição. Admirador confesso de Steven Spielberg, o realizador Roland Emmerich - também argumentista - pretendeu aliar, ao épico/fantástico, outros dois géneros consagrados: as sagas de guerra e de catástrofe. Uma estratégia dramática em crescendo, e colectiva, permitiu polarizar várias acções motivadas pela mesma tragédia… Arrasadas as grandes metrópoles, a nível planetário, a humanidade formará a resistência para sobreviver: cidadãos comuns, autoridades e estadistas, exércitos aliados. Superando conflitos pessoais, unindo esforços contra a adversidade, enfrentando com bravura um adversário desconhecido, inexorável e imensamente poderoso.


CALENDÁRiO
 
¢SET2015-28FEV2016 - Em Lisboa, Galeria São Roque expõe António Costa Pinheiro [1932-2015] - O Pintor Ele-Mesmo (1955 a 1985). IMAG.239-312-486-569-590-593

ü20NOV2015-06MAR2016 - Em Lisboa, Museu do Oriente expõe A Arte da Falcoaria - De Oriente a Ocidente, sendo comissária Natália Correia Guedes.

µ12DEZ2015-13FEV2016 - Em Lisboa, Galeria Pedro Alfacinha apresenta Valor de Face - exposição de fotografia de José Pedro Cortes. IMAG.297-516-595

µ22JAN-26MAR2016 - Em Lisboa, Galeria Miguel Nabinho apresenta L’Année Dernière - exposição de fotografia e vídeo de Nuno Cera. IMAG.398

¢30JAN-26MAR2016 - Em Vila do Conde, Centro de Memória expõe Colecção Dr. Couto Soares Pacheco - Uma Selecção, incluindo obras de Vieira da Silva, Júlio Pomar, Júlio Resende, Nadir Afonso, Manuel Cargaleiro, Ângelo de Sousa, Fernando Lanhas ou Noronha da Costa.

¸11FEV2016 - Nitrato Filmes estreia Lisbon Revisited (2014) de Edgar Pêra; vozes de Marina Albuquerque e Miguel Borges. IMAG.23-53-91-142-284-381-541

µ12FEV-27MAR2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta [Conspiração dos Espelhos] - exposição de fotografia de Luísa Alpalhão.

µ17FEV-12MAR1016 - Em Lisboa, Casa da Liberdade - Mário Cesariny apresenta Lisboa Revistada - Photo-Liturgya Lisboeta & Kino-Exorcismo Pessoano; exposição de fotografia em formato 3D de Edgar Pêra, a propósito da estreia do filme Lisbon Revisited (2014), sendo curador Carlos Cabral Nunes. IMAG.23-53-91-142-284-381-541
        

ANUÁRiO
 
287aC-212aC - Arquimedes: Físico e matemático grego, engenheiro, astrónomo e inventor - «Dêem-me uma alavanca e um ponto de apoio, e eu levantarei o mundo». IMAG.108-133-362
 

MEMÓRiA
 
¯1770-26MAR1827 - Ludwig van Beethoven: Compositor alemão, entre o classicismo e o romantismo - «Atingi um tal grau de perfeição, que me encontro acima de qualquer crítica».IMAG.134-163-202-204-210-228-229-236-237-239-255-268-285-298-303-323-360-375-384-409-430-431-432-436-442-445-452-458-481-502-529-581

¯1882-28MAR1937 - Karol Maciej Korwin-Szymanowski, aliás Karol Szymanowski: Compositor polaco - «É-me impossível falar dele de maneira objectiva, como pessoa ou como maestro, pois não pode esperar-se que um admirador consiga ser isento ou emitir um juízo desapaixonado» (Simon Ratlle). IMAG.343-358-389

R 1851-31MAR1927 - Mabel Collins: Escritora e mística britânica - «Nenhum homem é teu inimigo; nenhum homem é teu amigo. Um ou o outro, todos são, igualmente, teus instrutores».
               
VISTORiA

R Considerai comigo que a existência individual é uma corda que se estende do infinito até ao infinito, e que não tem fim nem princípio, nem é susceptível de ser quebrada. Essa corda é composta de inúmeros pequenos fios, os quais, juntos e apertados, constituem a sua grossura. Esses fios são incolores, são perfeitos nas suas qualidades de serem direitos, fortes e paralelos. A corda, passando, como passa, por todos os lugares, sofre estranhos acidentes…
E lembrai-vos que os fios são vivos, que são como fios eléctricos; mais, que são como nervos que vibram. Quão longe, portanto, se não comunica a mancha, o desvio acontecido! Mas tempo vem em que os longos cordões, os fios vivos, que na sua continuidade ininterrupta formam o indivíduo, passam da sombra para a luz. Então os fios já não são incolores, porém dourados; tornam a ficar unidos e paralelos. Torna a estabelecer-se entre eles a harmonia; e dessa harmonia interna a harmonia maior se conclui.
Mabel Collins
- Luz Sobre o Caminho (excertos
- Tradução de Fernando Pessoa)
            
TRAJECTÓRiA
 
ARQUIMEDES
Arquimedes nasceu em Siracusa, Sicília, em 287 aC. Ainda jovem, mudou-se para Alexandria, estudando na Biblioteca com discípulos de Euclides. Regressado à pátria, devotou-se à exploração científica - envolvendo a Aritmética, a Astronomia, a Hidrostática e a Mecânica - com o privilégio do tirano Hierão. Durante a II Guerra Púnica, liderou a defesa de Siracusa atacada pelas tropas de Marcus Claudius Marcellus, com recurso a catapultas e outras máquinas de guerra. Após quase três anos de cerco, e invadida a cidade em 212 aC, quanto às lendas/versões sobre a sua morte, sobressai o ferimento letal de espada por um soldado romano - segundo Plutarco, contra as ordens do comandante - pois, absorto com uma figura geométrica, recusou-se a acompanhá-lo de imediato. Foi autor de uma dezena de tratados como Da Esfera e do Círculo (Matemática) e Do Equilíbrio dos Planos (Mecânica). Como investigador, determinou a razão entre o perímetro da circunferência e o seu diâmetro (número pi) ou a teoria da alavanca simples; inventou o parafuso sem fim, a espiral, a roda dentada ou o guindaste por combinação de roldanas para levantar pesos.
               
PARLATÓRiO
 
A matemática é a mais alta das ciências, o dom mais alto que os deuses deram aos homens. Ela é mais poesia do que a própria poesia.
Arquimedes
          

ELUCIDÁRiO
 
Princípio de Arquimedes
Qualquer corpo mergulhado total ou parcialmente num fluido em equilíbrio, dentro de um campo gravitacional, sofre por parte desse fluido uma impulsão vertical, dirigida de baixo para cima, de valor igual ao peso do volume do fluido deslocado.
Tratado dos Corpos Flutuantes
            

BREVIÁRiO

®Na colecção Teatro No Cordel, Apenas Livros edita Ano Teatral 1890 de José de Matos-Cruz, para a série Anuário Teatral - Portugal - Século XIX.
       
¨Colibri edita Urbano - O Eterno Sedutor de Eduardo M. Raposo; sobre Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013). IMAG.71-96-157-229-384-420-476-520
 

¨Dom Quixote edita António Ferro (1895-1956) - O Inventor do Salazarismo de Orlando Raimundo. IMAG.74-115-180-210-223-224-297-327-339-355-436-484-527-562-586
        

EXTRAORDINÁRiO

OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico

QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO – 4
O Petisco atreveu-se como rabo de saias vadias.
Marinheiro d’água doce, que a vida açoita de vento à poupa, despenteando em amargos de brilhantina.  
– Continua