De dia
30 Abril a 20 de Maio, o Ateneu Popular do Montijo vai expor Traços
& Tons, uma mostra composta por uma selecção de trabalhos recentes,
figurando personagens de comics, como Batman, Tartarugas
Ninja e Mulher-Maravilha, ou de ficção como O Infante Portugal (criado por
José de Matos-Cruz), e complementada por diários gráficos e cadernos de
desenho.
Comissariada
por Marta Ferreira, a exposição visa mostrar obras recentes, em banda desenhada
e ilustração, demonstrar o meu processo de trabalho – que será de interesse ao
público escolar, para dar a conhecer as fases criativas que levam um trabalho
desde o guião ou esboço inicial à peça finalizada e respectiva edição –, e
partilhar comparações entre estes e desenhos de fase amadora, pré-adolescência.
Volvidos
dez anos desde que exponho a solo, estarei presente na inauguração, no dia 30
Abril, às 15h30. Estão convidados a comparecer.
Agradeço
à direcção do Ateneu Popular de Montijo, a Marta Ferreira e João Miguel Ferreira,
pelo convite e organização da mostra; à Câmara Municipal do Montijo e Junta de
Freguesia da União de Freguesias de Montijo e Afonsoeiro, pelo apoio prestado;
e a José de Matos-Cruz e direcção da Bedeteca da Biblioteca Municipal de S.
Domingos de Rana, pela cedência do seu ex-libris para imagem gráfica do cartaz
do evento.
Talento, sensibilidade e uma rigorosa, mas versátil e sugestiva
expressão gráfica, estimulam a criatividade de Susana Resende, que tem estendido as virtualidades como artista
plástica e ilustradora profissional ao universo da banda desenhada. Assim, e a
partir da revelação em 2013, com Sayonara(no álbum antológico Zona Nippon 2 –
distinguida com o 2º lugar na categoria Melhor Obra Curta dos XII Troféus
Central Comics), destacam-se a
prancha autoconclusiva Cadáver Esquisito!
#51 (na banda desenhada colectiva em método cadavre
exquis, coordenada por Daniel Maia, 2015), 24(sobre história breve de André Oliveira, na revista Cais #212, 2015) e, já sob o signo da
maturidade, também como argumentista, Navegador(na revista Gerador #6, 2015).
Pessoalmente, assinalo a estilizada transfiguração com que Susana
Resende participou em O Infante Portugal e as Sombras Mutantes(Apenas Livros, 2012), tendo – entretanto – aceite o
desafio para conceber as visões originais de Aurora Boreal, a que se seguiu uma deslumbrante e prodigiosa
inspiração para esta minha saga, actualmente em expansão narrativa. E deixo
manifesto o meu apreço pelos atributos inquietadores e fantásticos que se
enunciam em Navegador, aliando uma
perturbante conflitualidade ficcional às valências da textura cromática.
José
de Matos-Cruz | 08 Abril 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em
2004
PRONTUÁRiO
(IN)SUCESSOS
Sustentado
por uma indústria precária e esporádica, o cinema português encontra na
essência artística a sua motivação primordial, com os inerentes desaires quando
se pretende explorá-lo como um mero negócio. Os exemplos são quase tantos,
quantas as tentativas sobre os filmes em causa, ao longo de um século - gerando
a decepção, o afastamento, o rancor ou, mesmo, a ruína daqueles que o
manipularam numa mera expectativa comercial. Porém, há casos de um insólito
sucesso, e outros marcados por um bizarro sentido de oportunidade. Assim, Os Crimes de Diogo Alves (1911 - João
Tavares), a nossa primeira ficção autónoma, continuava a ser explorada nos anos
’30, já em pleno sonoro. E A Severa (1931
- Leitão de Barros), nossa primeira longa metragem falante, era reposta em 1955, a propósito da peça
de Júlio Dantas, então em cena no Teatro Monumental. Mais recentemente, quando
estreou Amor de Perdição (1978) de
Manoel de Oliveira, também reaparecia o clássico (1943) de António Lopes
Ribeiro, sobre a obra de Camilo Castelo Branco… Em geral, faltando ao cinema
português uma estratégia notória de rendibilização nas salas, o alento maior de
sobrevivência ou ressurreição seria atribuído por alternativas excepcionais -
como a passagem na televisão ou a edição em vídeo.
CALENDÁRiO
18FEV-25ABR2016
- No Porto, Galeria Municipal / Jardins do Palácio de Cristal apresenta Habitar Portugal 12-14 - um olhar sobre
a produção arquitectónica portuguesa do triénio (obras concluídas entre
01JAN2012 e 31DEZ2014), em exposição organizada pela Ordem dos Arquitectos, com
a Câmara Municipal do Porto.
¨28ABR2026-19FEV2016 - Nelle Harper Lee, aliás Harper
Lee: Ficcionista americana, autora de Mataram
a Cotovia/Não Matem a Cotovia (1960)
- «A única coisa que não devemos curvar ao julgamento da maioria é a nossa
própria consciência».
¨1932-19FEV2016 - Umberto Eco: Escritor italiano,
filósofo e semiólogo, ensaísta e ficcionista, autor de O Nome da Rosa (1980) - «Nada é mais nocivo para a criatividade do
que o furor da inspiração». IMAG.22-40-58-175-283-417-603
¢23JAN-01MAI2016 - Em Évora, Fórum Eugénio de Almeida
expõe Realidade Suspensa de Michael
Biberstein (1948-2013), sendo curador Reto Pulfer; e Estados de Rememoração de Reto Pulfer, sendo curadora Filipa
Oliveira.
VISTORiA
O Bailado Velado
¨Na encruzilhada impossível da imobilidade
uma turba de objectos inertes
não consegue parar de se mover fremir dançar
E os carteiros do vento
como os do mar
espalham a correspondência aqui e lá
Cada coisa sem dúvida se destina a alguém
ou a alguma coisa talvez
A pluma da ave
como a concha da ostra
a cruz da legião de honra
como a estrela do mar
ou a pinça do caranguejo e a âncora da fragata
a rã verde de lata
e a boneca de som
e a coleira do cão
E nesta paisagem onde nada parecia mexer-se
excepto a vela do náufrago na lanterna em ferrugem
é o bailado velado
o bailado dos objectos inanimados.
Jacques Prévert
(Tradução de Adriano
Scandolara)
MEMÓRiA
10ABR1847-1911 - Joseph Pulitzer: Emigrante húngaro nos EUA, repórter - «um
defensor ao lado das pessoas, um porta-voz da democracia» -, empresário e
proprietário de The World (1883),
definiu as regras de um jornalismo rigoroso e confiou parte da fortuna à
Universidade de Columbia, Nova Iorque, a partir da qual foi instituído o Prémio
Pulitzer (1917), com o objectivo de «encorajar e distinguir a excelência». IMAG.344
¯
1562-11ABR1607 - Bento de Goes: Missionário e explorador português - por ordem
de Nicolau Pimenta, Visitador da Companhia de Jesus em Goa, percorreu a Rota da
Seda, em busca do mítico Cataio, e morreu exausto junto à Grande Muralha da
China, próximo já de Pequim. IMAG.126
¨1900-11ABR1977 - Jacques Prévert: Poeta francês, autor
de Paroles (1946) - «Teus jovens
seios brilhavam ao luar / Mas arremeti o / Gelo frio / Da pedra do ciúme /
Contra o rio / Que reflectia o / Dançar de tua nudez na Riviera / Pelo
esplendor do estio.» (Riviera). IMAG.185-262
¨1903-11ABR1987 - Erskine Preston Caldwell, aliás
Erskine Caldwell: Escritor americano, autor de Estrada do Tabaco (1932) - «Um bom Governo é como uma boa digestão…
Enquanto funciona, nem nos apercebemos». IMAG.593
¨1919-11ABR1987 - Primo Levi: Escritor italiano,
prisioneiro em Auschwitz, autor de Se
Isto É Um Homem (1947) - «O objectivo da vida é criar a melhor defesa
possível contra a morte». IMAG.126-236-244-412-416-575
¨12ABR1947-2013 - Thomas Leo Clancy Jr, aliás Tom
Clancy: Ficcionista americano, criador da personagem de Jack Ryan - «Hoje em
dia, as pessoas vivem mais tempo do que no passado. E vivem vidas mais felizes,
possuem mais conhecimento, mais informação. Tudo isto é o resultado da
tecnologia da comunicação… Pessoalmente, considero-me alguém com sorte. Mas não
acredito em nada. Tudo
que faço, é analisar as possibilidades». IMAG.488
TRAJECTÓRiA
BENTO DE GOES
¯
Nasceu Luiz Gonçalves em
Vila Franca do Campo, Ilha de São Miguel, em Julho de 1562.
Foi para a Índia como soldado, entrando na Companhia de Jesus em 1584.
Abandonando o noviciado, ao frustrar-se o sacerdócio, dirigiu-se a Ormuz, mas
regressou à Companhia de Inácio de Loiola em 1588, para tornar-se Irmão como
Bento de Goes.
A 3 de Dezembro de 1594, pediu missão diplomática ao reino
Mogol, onde logrou as simpatias de Ackbar, levando-o a manter-se em paz com o
Vice-Rei, em Goa, através duma embaixada de que foi incumbido, em 1600-1601. Os
superiores jesuítas da Índia pretendiam descobrir o caminho terrestre até à
China, contornando e transpondo pelo poente as cadeias dos Himalaias, para desvendar
o mistério do Grão-Cataio e a sua identificação com o Império Celeste, tal como
presumia Mateo Ricci. Nicolau Pimenta confiou-lhe tal empresa, pois sabia o
persa, o turco e os costumes muçulmanos. Disfarçado de mercador arménio, com o
nome de Banda Abdullah ou Abdulllah Isahi, e acompanhado por dois negociantes
gregos, Leone Grimam e Demétrio, dirigiu-se pelo Dekong, com o arménio Isaac
como criado, a Agra em 29 de Outubro de 1602, e a Lahore a 6 de Janeiro de
1603. Com cartas de recomendação de Ackbar, chegou a Cabul, onde Grimam
permaneceu. Prosseguiu com a irmã do Khan de Casgar, que, regressada de
peregrinação a Meca, encontrara em Cabul, emprestando-lhe o produto da venda de
umas pedras semipreciosas. Galgou o planalto de Pamir e, em Novembro de 1603,
chegava a Iarcand, onde ficou até 14 de Novembro de 1604, visitando Chotan,
para ser retribuído dos favores à rainha-mãe, da qual se fizera credor em Cabul.
Prosseguindo
para leste, por Zilan e Cucha, chegou a Chalis, onde recebeu as primeiras
notícias dos missionários de Pequim e, em 22 de Dezembro de 1605, atingiu
Soucheu, extremo da Grande Muralha. Ali, pôde identificar o Cataio com a China
e Kambalik com Pequim. Dirigindo recados a Mateo Ricci, este enviou-lhe um
jesuíta chinês, Ciommimli, aliás João Fernandes, que o encontrou mísero e
doente. Faleceu em Soucheu, China, a 11 de Abril de 1607. Com notas avulsas da
viagem, relatada num diário, contendo apontamentos que os devedores muçulmanos
tentaram destruir, para evitar o pagamento, mas recolhidos por Isaac e
Ciommimli, Ricci logrou reconstituir o itinerário de Bento de Goes, em
1608-1610.
COMENTÁRiO
A nossa República e a sua Imprensa erguer-se-ão e cairão juntas… O poder para
moldar o futuro da República estará nas mãos dos jornalistas das próximas
gerações.
Com
o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um
público tão vil como ela própria.
Joseph Pulitzer
- The North American Review (1904)
PARLATÓRiO
¨Com o passar dos anos, as minhas recordações não
empalidecem nem se dissipam, pelo contrário, enriquecem-se com detalhes que eu
acreditava esquecidos e que, às vezes, adquirem sentido à luz das recordações
de outras pessoas, de cartas que recebo ou de livros que leio.
Primo Levi
BREVIÁRiO
¨Alêtheia Editores lança Os Lugar-Tenentes de Salazar (1889-1970) - Biografias de Manuel de Lucena (1938-2015). IMAG.554
José de Matos-Cruz | 01 Abril 2017 | Edição Kafre |
Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
CREPÚSCULOS
Num
panorama de banda desenhada por autores portugueses, David Soares - lisboeta
nascido em 1976, artista gráfico e editor de fanzines - sobressairia como um
autor aliciante, em evolução pelo Círculo de Abuso. Após Cidade-Túmulo e Mr. Burroughs
em álbuns de 2000, o novo milénio foi estigmatizado com Sammahel (2001), pelas sombras do nazismo durante o século findo.
Escritor e ilustrador, Soares apelou à inspiração de Thomas Mann, em Doutor
Fausto, reivindicando um fascínio pela «literatura alemã;
e por toda a literatura da Europa do leste, já que o menciono». Em causa está
uma descida ao inferno que habita no íntimo de Adrian Leverkhün, estudante de
teologia e compositor. Obcecado pelo medo de executar a sua música, com o
pressentimento de que morrerá, Adrian parece nem se aperceber do regime de
horror que germina na Alemanha, e avassalará na crepuscular bestialidade do
Terceiro Reich. Uma obra complexa, madura e perturbante, Sammahel apela à consciência cultural/histórica do leitor,
consumando as virtualidades de um criador que se aprofunda, sob o desígnio da
sua radicalidade.
IMAG.6-358-410
CALENDÁRiO
¢06FEV-08MAI2016 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea
de Serralves apresenta The Sonnabend
Collection: Meio Século de Arte Europeia e Americana (Parte 1), sendo
comissário António Homem. IMAG.554
¢20FEV2016 - Na Amadora,
Casa Roque Gameiro apresenta A Casa, Vida e Obra da Família [Alfredo]Roque Gameiro (1864-1935) - exposição
permanente, e a Coletiva da Associação de
Aguarela de Portugal. IMAG.197-558-585-602
¯ABR1937-14FEV2016 - Vera Varela Cid: Bailarina portuguesa,
professora de dança, co-fundadora da Companhia Nacional de Bailado/CNB (1977) -
«Deixa um legado de dedicação, profissionalismo e criatividade artística de
valor inestimável, na história do bailado e das artes performativas em
Portugal» (Ministério da Cultura).
PARLATÓRiO
¯Não
custa muito escrever música, mas é extraordinariamente difícil deixar as notas
supérfluas em cima da secretária… Por vezes, eu pondero em variantes formais, e
o resultado final acaba por me parecer mais específico, mais puro.
Johannes Brahms
¨Continuo a viajar pela arte. Neste fim-de-semana, não
sei o que se passou com o mundo. Não quero saber. Por uma noite, permitam-me
ser como a avestruz. Só por esta noite, porque amanhã já é segunda feira…
Leonora Carrington
VISTORiA
Desaparecido
¨Sempre que leio nos jornais:
«De
casa de seus pais desapar’ceu…»
Embora
sejam outros os sinais,
Suponho
sempre que sou eu.
Eu,
verdadeiramente jovem,
Que
por caminhos meus e naturais,
Do
meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse
ser o próprio arrais.
Eu,
que tentasse errado norte;
Vencido,
embora, por contrário vento,
Mas
desprezasse, consciente e forte,
O
porto do arrependimento.
Eu,
que pudesse, enfim, ser eu!
–
Livre o instinto, em vez de coagido.
«De
casa de seus pais desapar’ceu…»
Eu,
o feliz desaparecido!
Carlos
Queiroz
-
Desaparecido e Outros Poemas (1950)
MEMÓRiA
¯1833-03ABR1897
- Johannes Brahms: Compositor alemão - «Herdeiro de Beethoven, oferece em sua
obra a síntese perfeita do romantismo e do classicismo. Não desprezou o canto
popular húngaro, que incorporou a uma poesia tipicamente nórdica e suntuosa»
(Renata Cortez Sica). IMAG.82-171-193-199-256-286-303-324-393-417-482-531-554-597
¨05ABR1907-1949 - José Carlos de Queiroz Nunes Ribeiro,
aliás Carlos Queiroz: Poeta e ensaísta português - «Por que vieste? – Não
chamei por ti! / Era tão natural o que eu pensava, / (Nem triste, nem alegre,
de maneira / Que pudesse sentir a tua falta…) / E tu vieste, / Como se fosses
necessária!» (Apelo à Poesia). IMAG.167-307-491
¨1926-05ABR1997 - Irwin Allen Ginsberg, aliás Allen
Ginsberg: Poeta americano, ligado à beat
generation - «Os corpos quentes / brilham juntos / na escuridão, / a mão
move-se / para o centro / da carne, / a pele treme / na felicidade / e a alma
sobe / feliz até ao olhar – // sim, sim, / é isso que / eu queria, / eu
sempre quis, / eu sempre quis / voltar / ao corpo / em que nasci.» (Canção). IMAG.9-13-64-85-89-247-306-362-426-469-565
¨06ABR1917-2011 - Leonora Carrington: Escritora, pintora
e escultora de origem inglesa, ligada ao surrealismo e ao México - «Não é uma
poetisa, mas um poema que caminha, que sorri, que de repente exibe o seu sorriso
e se converte em pássaro, depois em peixe, e desaparece» (Octavio Paz). IMAG.361
1863-07ABR1947 - Henry
Ford: Industrial americano - «Se o
dinheiro for a nossa esperança de independência, jamais a alcançaremos. A única
segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de
competência… Há um punhado de homens que conseguem enriquecer, simplesmente,
porque prestam atenção aos pormenores que a maior parte das pessoas despreza». IMAG.125-428
TRAJECTÓRiA
Joannes Brahms
¯ Compositor
e pianista alemão, Brahms nasceu em 1833, em Hamburgo, na Alemanha, e morreu em
1897, em Viena, na Áustria. Compôs sinfonias, concertos, música de câmara,
peças para piano, peças corais e mais de 200 canções. Foi o grande mestre da
sinfonia e da sonata da segunda metade do século XIX e um dos grandes
compositores da época romântica.
Johannes Brahms era talentoso, produtivo e, além do êxito alcançado, tornou-se
imensamente popular. Apesar disso, era visto como um conservador, em contraste
com o progressismo de outros compositores seus contemporâneos. As suas
sinfonias e concertos são bastante formais e não fossem os pequenos toques de
classe, nomeadamente em alguns andamentos, não seriam hoje tão considerados. A sua
excelência revela-se nesses pequenos detalhes. Talvez por isso, os seus
trabalhos de menor dimensão - as peças de câmara e as sonatas - demonstrem
tanta imaginação e energia. O simples facto de a sua Primeira Sinfonia
ser ironicamente apelidada de Décima de
Beethoven, prova o seu apego ao formalismo clássico de um compositor
falecido há 50 anos. Adicionalmente, o facto de Johannes Brahms se ter
demarcado de Liszt, Wagner e Bruchner e outros compositores da chamada Nova
Escola Alemã atesta a sua inadaptação à rápida mudança estética da segunda
metade do século XIX.
Os
estudos musicais de Brahms foram iniciados muito cedo, no piano e na
composição. O seu desejo era ser reconhecido como maestro e compositor.
Tornou-se amigo de Robert Schumann, até porque partilhavam o mesmo estilo
musical. A partir daí, Brahms tentou a sua sorte em Viena, a capital musical da
Europa, e conheceu algum sucesso. Adicionalmente, atuou um pouco por toda a
Europa, dando a conhecer a sua obra, perante audiências cada vez maiores.
Depois disso, como muitos outros músicos, tornou-se professor. Quando em 1869
compôs Um Requiem Alemão, um trabalho coral e orquestral grandioso,
conseguiu críticas bastante positivas e o retorno financeiro de que
necessitava. Com a confiança renovada, trabalhou no formato que sempre o tinha
amedrontado: a sinfonia. Veio a compor quatro sinfonias, além de numerosos
concertos.
Entre
as suas composições mais conhecidas encontram-se o Concerto para Piano N.º 1
em Ré Menor
(1854-58), o Um Requiem Alemão (1868), as Danças Húngaras (1869),
as Variações sobre um Tema de Haydn (1873), a Sinfonia N.º 1 em Dó Menor (1876), a Sinfonia
N.º 2 em Ré Maior
(1877), o Concerto para Violino em Ré Maior (1878), a Sinfonia N.º 3 em Fá Maior (1883), a Sinfonia
N.º 4 em Mi Menor
(1884-85), a Sonata para Violino em Ré Menor (1886-88), o Quinteto para Cordas
em Fá Maior
(1882), o Quinteto para Cordas em Sol Maior (1890), o Quinteto para
Clarinete e Cordas (1891) e as Sonatas para Clarinete e Piano
(1894).
Uma
boa parte da sua obra foi inspirada diretamente na música popular alemã,
húngara e zíngara. Toda a sua música apresenta solidez, riqueza harmónica,
expressividade melódica e uma força rítmica baseada na utilização de síncopas.
Embora não tenha sido um inovador, a sua arte marca uma forte maturidade dentro
do movimento romântico alemão, o que faz de Brahms uma das figuras máximas da
História da música.
¨Nasceu em 1907, em Paris. Poeta,
ensaísta, crítico literário e de arte, estudou Direito na Universidade de
Coimbra, tornando-se funcionário da Emissora Nacional, onde organizou programas
culturais. Assíduo colaborador da Presença
e de outras publicações literárias, foi considerado um elo de ligação entre a
geração presencista e a de Orpheu.
Considerado um discípulo directo de Fernando Pessoa, a sua poesia
caracteriza-se pela perfeição formal, pelo equilíbrio e sobriedade e pela
sugestão musical. Denuncia alguma herança romântica e certa aproximação ao simbolismo.
Morreu em 1949, em Paris.
BREVIÁRiO
¨Relógio D’Água edita Convite Para Uma Decapitação de Vladimir Nabokov (1899-1977); tradução de Carlos Leite. IMAG.63-223-253-272-325-338-418-503-504-505-507-600
¨Cavalo de Ferro edita Thérèse Desqueyroux de François Mauriac (1885-1970); tradução de Manuela Barros. IMAG.112-484-534
¨Fundação Francisco Manuel dos Santos edita Malditos - Histórias de Homens e de Lobos de
Ricardo J. Rodrigues.
José
de Matos-Cruz | 24 Março 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado em
2004
PRONTUÁRiO
SUPERAÇÕES
Estranhas manchas alastram
nos ecrãs de radar. Pouco depois, começam a chegar notícias de perturbação
pública, por todo o mundo. Nos Estados Unidos, os canais de televisão passam a
transmitir notícias sobre objectos bizarros, avistados no céu. Tensões,
agitação, substituem a curiosidade e expectativa entre todos: trata-se de
enormes naves espaciais, que obscurecem o céu.
O ataque brutal, pelo conjunto
das forças extraterrestres, concretiza-se em 4 de Julho, O Dia da Independência/Independence
Day. Em 1996, este superespectáculo de Hollywood, em tal data estreado
nos Estados Unidos, batia finalmente o recorde de Parque Jurássico/Jurassic
Park (1993): mais de cem milhões de dólares (os custos de produção e
promoção) de receitas, em apenas uma semana de exibição. Admirador confesso de
Steven Spielberg, o realizador Roland
Emmerich - também argumentista - pretendeu aliar, ao épico/fantástico,
outros dois géneros consagrados: as sagas de guerra e de catástrofe. Uma
estratégia dramática em crescendo, e colectiva, permitiu polarizar várias
acções motivadas pela mesma tragédia… Arrasadas as grandes metrópoles, a nível
planetário, a humanidade formará a resistência para sobreviver: cidadãos
comuns, autoridades e estadistas, exércitos aliados. Superando conflitos
pessoais, unindo esforços contra a adversidade, enfrentando com bravura um
adversário desconhecido, inexorável e imensamente poderoso.
CALENDÁRiO
¢SET2015-28FEV2016 - Em Lisboa, Galeria São Roque expõe António Costa Pinheiro [1932-2015] - O Pintor Ele-Mesmo (1955 a 1985). IMAG.239-312-486-569-590-593
ü20NOV2015-06MAR2016 - Em Lisboa, Museu do Oriente expõe A Arte da Falcoaria - De Oriente a Ocidente,
sendo comissária Natália Correia Guedes.
µ12DEZ2015-13FEV2016 - Em Lisboa, Galeria Pedro Alfacinha apresenta Valor de Face - exposição de fotografia
de José Pedro Cortes. IMAG.297-516-595
µ22JAN-26MAR2016 - Em Lisboa, Galeria Miguel Nabinho apresenta L’Année Dernière - exposição de
fotografia e vídeo de Nuno Cera. IMAG.398
¢30JAN-26MAR2016 - Em Vila do Conde, Centro de Memória expõe Colecção Dr. Couto Soares Pacheco - Uma
Selecção, incluindo obras de Vieira da Silva, Júlio Pomar, Júlio Resende,
Nadir Afonso, Manuel Cargaleiro, Ângelo de Sousa, Fernando Lanhas ou Noronha da
Costa.
¸11FEV2016 - Nitrato Filmes estreia Lisbon
Revisited (2014) de Edgar Pêra; vozes de Marina Albuquerque e Miguel Borges. IMAG.23-53-91-142-284-381-541
µ12FEV-27MAR2016 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I
apresenta [Conspiração dos Espelhos] -
exposição de fotografia de Luísa Alpalhão.
µ17FEV-12MAR1016 - Em Lisboa, Casa da Liberdade - Mário Cesariny apresenta
Lisboa Revistada - Photo-Liturgya
Lisboeta & Kino-Exorcismo Pessoano; exposição de fotografia em formato
3D de Edgar Pêra, a propósito da estreia do filme Lisbon Revisited (2014), sendo curador Carlos Cabral Nunes. IMAG.23-53-91-142-284-381-541
ANUÁRiO
287aC-212aC -
Arquimedes: Físico e matemático grego,
engenheiro, astrónomo e inventor - «Dêem-me
uma alavanca e um ponto de apoio, e eu levantarei o mundo». IMAG.108-133-362
MEMÓRiA
¯1770-26MAR1827
- Ludwig van Beethoven: Compositor alemão, entre o classicismo e o romantismo -
«Atingi um tal grau de perfeição, que me encontro acima de qualquer crítica».IMAG.134-163-202-204-210-228-229-236-237-239-255-268-285-298-303-323-360-375-384-409-430-431-432-436-442-445-452-458-481-502-529-581
¯1882-28MAR1937
- Karol Maciej Korwin-Szymanowski, aliás Karol Szymanowski: Compositor polaco -
«É-me impossível falar dele de maneira objectiva, como pessoa ou como maestro,
pois não pode esperar-se que um admirador consiga ser isento ou emitir um juízo
desapaixonado» (Simon Ratlle). IMAG.343-358-389
R1851-31MAR1927
- Mabel Collins: Escritora e mística britânica - «Nenhum homem é teu inimigo;
nenhum homem é teu amigo. Um ou o outro, todos são, igualmente, teus
instrutores».
VISTORiA
RConsiderai
comigo que a existência individual é uma corda que se estende do infinito até
ao infinito, e que não tem fim nem princípio, nem é susceptível de ser
quebrada. Essa corda é composta de inúmeros pequenos fios, os quais, juntos e
apertados, constituem a sua grossura. Esses fios são incolores, são perfeitos
nas suas qualidades de serem direitos, fortes e paralelos. A corda, passando,
como passa, por todos os lugares, sofre estranhos acidentes…
E lembrai-vos que os fios
são vivos, que são como fios eléctricos; mais, que são como nervos que vibram.
Quão longe, portanto, se não comunica a mancha, o desvio acontecido! Mas tempo
vem em que os longos cordões, os fios vivos, que na sua continuidade
ininterrupta formam o indivíduo, passam da sombra para a luz. Então os fios já
não são incolores, porém dourados; tornam a ficar unidos e paralelos. Torna a
estabelecer-se entre eles a harmonia; e dessa harmonia interna a harmonia maior
se conclui.
Mabel Collins
- Luz Sobre o Caminho (excertos
- Tradução de Fernando
Pessoa)
TRAJECTÓRiA
ARQUIMEDES
Arquimedes nasceu em Siracusa, Sicília, em 287 aC.
Ainda jovem, mudou-se para Alexandria, estudando na Biblioteca com discípulos de
Euclides. Regressado à pátria, devotou-se à exploração científica - envolvendo
a Aritmética, a Astronomia, a Hidrostática e a Mecânica - com o privilégio do
tirano Hierão. Durante a II Guerra Púnica, liderou a defesa de Siracusa atacada
pelas tropas de Marcus Claudius Marcellus, com recurso a catapultas e outras
máquinas de guerra. Após quase três anos de cerco, e invadida a cidade em 212
aC, quanto às lendas/versões sobre a sua morte, sobressai o ferimento letal de
espada por um soldado romano - segundo Plutarco, contra as ordens do comandante
- pois, absorto com uma figura geométrica, recusou-se a acompanhá-lo de
imediato. Foi autor de uma dezena de tratados como Da Esfera e do Círculo (Matemática) e Do Equilíbrio dos Planos (Mecânica). Como investigador, determinou
a razão entre o perímetro da circunferência e o seu diâmetro (número pi) ou a teoria da alavanca simples;
inventou o parafuso sem fim, a espiral, a roda dentada ou o guindaste por
combinação de roldanas para levantar pesos.
PARLATÓRiO
A matemática é a mais alta das ciências, o dom mais
alto que os deuses deram aos homens. Ela é mais poesia do que a própria poesia.
Arquimedes
ELUCIDÁRiO
Princípio
de Arquimedes
Qualquer corpo mergulhado total ou parcialmente num
fluido em equilíbrio, dentro de um campo gravitacional, sofre por parte desse
fluido uma impulsão vertical, dirigida de baixo para cima, de valor igual ao
peso do volume do fluido deslocado.
Tratado dos Corpos Flutuantes
BREVIÁRiO
®Na colecção Teatro No Cordel, Apenas
Livros edita Ano
Teatral 1890 de José de Matos-Cruz, para a série Anuário Teatral - Portugal - Século XIX.
¨Colibri edita Urbano - O Eterno
Sedutor de Eduardo M. Raposo; sobre Urbano Tavares Rodrigues (1923-2013). IMAG.71-96-157-229-384-420-476-520
¨Dom Quixote edita António Ferro (1895-1956)
- O Inventor do Salazarismo de
Orlando Raimundo.
IMAG.74-115-180-210-223-224-297-327-339-355-436-484-527-562-586
EXTRAORDINÁRiO
OS ALTERNATIVOS – Folhetim Aperiódico
QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO – 4
O Petisco atreveu-se como
rabo de saias vadias.
Marinheiro d’água doce,
que a vida açoita de vento à poupa, despenteando em amargos de brilhantina.