quinta-feira, março 17, 2016
terça-feira, março 15, 2016
IMAGINÁRiO #600
José de Matos-Cruz | 24 Fevereiro 2017 | Edição Kafre
| Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
FENÓMENOS
No
Ocidente, Pokémon é um fenómeno
compósito, sobre o qual convergem a propensão artística de sectores primordiais
entre os criadores ianques, o culto sublimado por significativas camadas de um
público mentor, e as amplas conexões de uma próspera / multifacetada indústria
de conteúdos lúdicos, do Japão aos Estados Unidos. O combate de Pocket Monsters
- em síntese, Pokémon - travou-se, a partir de 1996, no território nipónico do game-boy, expandindo-se em 1998 como
série televisiva favorita dos jovens americanos, entre os quatro e os dezasseis
anos. Depois, foi a rápida conquista da Europa. Finalmente, atingiu o grande
ecrã com Pokémon: O Filme / Pokémon: The
First Movie (1999) de Kunihiko Yuyama, sob a irrepreensível chancela Warner
Bros. Pela original concepção de Satochi Tajiri, que a Nintendo impulsionou
além-fronteiras, tudo foi explorado em cartões, livros, canções, logo jorrando
um surto fanático pela via Internet… Entretanto, a pokémania converteu-se em problema sociológico, e Pokémon: O Filme num sucesso absoluto. IMAG.189
CALENDÁRiO
¯1925-05JAN2016 - Pierre Boulez: Músico e ensaísta
francês, compositor, maestro e pianista - «Estamos diante da personalidade mais
marcante e influente que a música da tradição erudita ocidental conheceu desde
o final da II Guerra Mundial» (Bernardo Mariano). IMAG.67-236-317-343-358-411
µ05-16JAN2016 - Em Braga, Salão Nobre do Theatro Circo
apresenta As Variações de António -
exposição de fotografia de Teresa Couto Pinto, sobre António Variações/António Joaquim
Rodrigues Ribeiro (1944-1984). IMAG.99-470
07-30JAN2016
- Bedeteca da
Amadora expõe Estúpidos, Maldosos e Semanais. Uma Constelação Em Torno do Charlie
Hebdo, sendo curador Pedro Moura em colaboração com Osvaldo Macedo de Sousa. IMAG.499-550-553
¯08JAN1947-10JAN2016 - David Robert Jones, aliás David
Bowie: Artista inglês, cantor e compositor, produtor musical, actor - «Ao que
parece, há muita gente que pretende ser imortal… Andamos atrás de quê,
exactamente? Quem é que quer arrastar-se, velho e decadente, até ter noventa
anos? Só por uma questão de ego? Seguramente, não é esse o meu desejo».
¢14JAN-31MAR2016 - Em Lisboa, Palácio Nacional da Ajuda
apresenta, na Galeria de Pintura do Rei D. Luís, Belas Artes da Academia. Uma Colecção Desconhecida - exposição de
pintura, escultura e desenho, por ocasião do 180º aniversário da Academia
Nacional de Belas Artes/ANBA, sendo comissária executiva Cristina Azevedo.
VISTORiA
Maria Lisboa
¨É
varina, usa chinela,
tem
movimentos de gata.
Na
canastra, a caravela;
no
coração, a fragata.
Em
vez de corvos, no xaile
gaivotas
vêm pousar.
Quando
o vento a leva ao baile,
baila
no baile co’o mar.
É
de conchas o vestido;
tem
algas na cabeleira;
e
nas veias o latido
do
motor de uma traineira.
Vende
sonho e maresia,
tempestades
apregoa.
Seu
nome próprio, Maria.
Seu
apelido, Lisboa.
David
Mourão-Ferreira
VISTORiA
®E vós, senhores, aproveitai de tudo o que vistes para
vantagem e segurança dos vossos corações. E se alguma vez estiverdes numa
ocasião de duvidar, quase a ceder, pensai nos artifícios que vistes. E
lembrai-vos da Estalajadeira!
Carlo
Goldoni
- A Estalajadeira (excerto)
¨A
través del follaje perenne
que
oír deja rumores extraños,
y entre un mar de ondulante
verdura,
amorosa
mansión de los pájaros,
desde
mis ventanas veo
el
templo que quise tanto.
pues
no sé decir ya si le quiero,
que
en el rudo vaivén que sin tregua
se
agitan mis pensamientos,
dudo
si el rencor adusto
vive
unido al amor en mi pecho.
Rosalía
de Castro
-
A Orillas del Sar
¨ Ela
própria tirou, num movimento brusco, o vestido e a combinação. Dobrou, depois,
a colcha, e puxou para trás o lençol e o cobertor. E tudo isto, a sábia
segurança com que fazia tudo isto, a desenvoltura com que se me entregou, os gritos
roucos, a gesto de, no último momento, cravar os dentes na almofada – tudo isto
me deu a repulsiva sensação de que se tratava de uma profissional…
Mas
quando abri os olhos e vi a expressão dos olhos dela, o rosto que de repente se
fizera muito mais jovem, aquela beatitude afogueada – senti-me injusto, senti
quanto é injusto condenarmos seja quem for. Parecia ter dezasseis anos.
David
Mourão-Ferreira
-
E Aos Costumes Disse Nada (excerto)
-
Gaivotas Em Terra
MEMÓRiA
¨ 24FEV1837-1885
- Rosalía de Castro: Novelista e poetisa galega, autora de Folhas Novas (1880) - «De improviso los ángeles / desde sus altos
nichos / de mármol, me miraron tristemente». IMAG.43-522
¨ 24FEV1927-1996
- David de Jesus Mourão-Ferreira, aliás
David Mourão-Ferreira: Ficcionista e poeta português - «Não perguntem
nada: nós estamos dentro / Do aro de frio, no frio do muro, / Tão longe da
feira do Tempo!».
IMAG.90-107-192-438-513-566
¨ 25FEV1707-1793 - Carlo Osvaldo Goldoni, aliás Carlo
Goldoni: Dramaturgo italiano - «Discutir gostos, é tempo perdido… Não é o belo
que é belo, mas sim aquilo que agrada». IMAG.134-405-441
¯1936-22JAN1977 - Maysa Figueira Monjardim, aliás Maysa Matarazzo:
Compositora e cantora brasileira - «Quando
estou só, tenho certeza de que sou maior do que eu mesma, e isto me apavora.
Ninguém deve conhecer a sua própria dimensão». IMAG.253-565
SUMÁRiO
¯Filho de camponeses e barbeiro de profissão foi, apesar
da curta carreira, um dos principais nomes da música ligeira portuguesa.
Em
1981, o primeiro single tinha os
temas Povo Que Lavas No Rio de Amália
Rodrigues e Estou Além, a que se
seguiu Dar e Receber (1984). A sua
música misturava pop, rock, blues, fado.
09JUN2009 - Diário de Notícias
BREVIÁRiO
¯Sony Music edita em CD, Blackstar de David Bowie (1947-2016). IMAG.194-223-232-292-333-338-488
¨ Dom Quixote edita Astronomia
de Mário Cláudio. IMAG.51-220-520-522-541-591
¨ Averno edita Amor
Universal de Billy Collins; tradução de Ricardo Marques.
¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche
Grammophon, Complete Concerto Recordings por
Martha Argerich e Claudio Abbado (1933-2014). IMAG.202-217-220-229-244-285-296-318-327-449-452-490-497-534-563-598
¨ Relógio D’Água edita Fogo Pálido de Vladimir Nabokov (1899-1977); tradução de Telma Costa. IMAG.63-223-253-272-325-338-418-503-504-505-507
¨ Presença edita Diálogo
Entre o Autor e o Crítico de José-Augusto França. IMAG.92-195-201-232-235-490-572
EXTRAORDINÁRiO
OS ALTERNATIVOS - Folhetim Aperiódico
QUANDO ME ENTERNEÇO EM VÃO, DESAPAREÇO - 3
Por
fim, já estavam mais aliviados, junto ao antigo Cais de Ver-o-Peso. Porém,
dentro de si, cada um remordia o parceiro. Ele a penas lhe daria amarguras, mas
ela não lhe ia retribuir com rebuçados.
Isco
e anzol.
O
Petisco havia de mastigá-la, até desenjoar. Sopas de cavalo cansado. A Chiba
desejaria castigá-lo. Espevitando o animal, sem lhe matar o bicho.
Pelo
menos, navegavam nesta espera. Que, no mais, sempre Lisboa, a caprichosa, se
afectava, qual ancoradouro em arribada.
Portanto,
eles derivavam, um contra o outro - e
também de encontro ao mundo. Incertos, naufragando em terra firme.
Pescarias
tão profundas que uma bóia de cortiça à tona dos desvarios.
– Continua
quarta-feira, março 02, 2016
IMAGINÁRiO #599
José de Matos-Cruz | 16 Fevereiro 2017 | Edição Kafre
| Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
Uma
intriga sofisticada. Uma ilustração deslumbrante. Uma teia de artifícios. Uma
fusão reveladora. Eis o talento perverso, o fascínio sensual de Vittorio Giardino - argumentista e ilustrador
de Férias
Fatais / Vacances Fatales (1991)… Pessoas que representam, personagens
que desvendam. Episódios de aparência banal, conspirações da realidade inócua,
compõem o destino em seis opções para todos os anseios e apetites: Férias Programadas em Marrocos, Húmido e Distante em Banguecoque, Sob Um Nome Falso em Capri, Safari em Ngorongoro, Época Baixa à beira-mar, Segredos Inocentes numa estância de
esqui. Transitando com uma elegância surpreendente do enleio gráfico ao jogo
das palavras, Giardino evolui por atmosferas serenas, ou aprazíveis, entre
gente errática, que se entrega aos prazeres e aos acasos, assumindo afinal as
facetas mais ocultas ou monstruosas do ser humano. O olhar intenso, a mentira
insinuante, a traição banal, a ambição funesta, corrompem pela ironia cáustica
a pose destes homens e mulheres virtualmente ociosos mas, afinal, intensos e
activos na sua teia inexorável de cumplicidades e vitimações. IMAG.75
MEMÓRiA
¨16FEV1927-2015 - Maria Luísa Saraiva Pinto dos Santos,
aliás Luísa Dacosta: Escritora portuguesa, autora de Província (1955), distinguida com o Prémio Máxima de Literatura
(1992) - «Desde muito jovem, considerou que a escrita era um modo de lutar
contra as injustiças e a indiferença» (Guilherme d’Oliveira Martins). IMAG.554
1904-20FEV1987
- Edgar Pierre Jacobs: Artista belga, cantor lírico, pintor e cenógrafo,
argumentista e ilustrador de banda desenhada, criador de As Aventuras de Blake e Mortimer (1946) - «Hoje, a arte de Jacobs
parece ao mesmo tempo clássica e moderna, de onde a sua prosperidade e difusão
sem precedentes… Finalmente, aquele que veio para a banda desenhada malgré lui, tornou-se num dos dois
pilares históricos na Europa, juntamente com Hergé, o seu irmão inimigo e, tal
como ele, situa-se hoje acima da sua disciplina, já que a universalidade dos
seus talentos artísticos e da sua mensagem permitiu-lhe transcender a sua época
para a eternidade» (Stéphane Thomas - L’Immanquable). IMAG.10-66-119-218-245-281-348-427-451-460-487-507
R1632-21FEV1677 - Bento de Espinosa: Filósofo
racionalista holandês, de família judaica portuguesa, autor de Ética e Tratado Teológico-Político - «Tanto a decisão da mente, quanto o
apetite e a determinação do corpo são, por natureza, coisas simultâneas, ou
melhor, são uma só e mesma coisa, a que chamamos decisão quando considerada sob
o atributo do pensamento e explicada por si mesma; e determinação, quando
considerada sob o atributo da extensão e deduzida das leis do movimento e do
repouso». IMAG.396
¢1928-22FEV1987 - Andrej Varhola Jr, aliás Andy Warhol:
Pintor, cineasta e empresário americano, de origem checa, símbolo da pop art - «No futuro, todas as pessoas
serão famosas durante quinze minutos». IMAG.64-119-128-173-189-319-520
¢23FEV1817-1904 - George Frederic Watts: Pintor
simbolista inglês - «O que eu pretendo é fazer as pessoas pensarem». IMAG.473
¯1929-23FEV1987 - José Afonso: Cantor e compositor português - «Que amor
não me engana / Com a sua brandura / Se de antiga chama / Mal vive a amargura
// Duma mancha negra / Duma pedra fria / Que amor não se entrega / Na noite
vazia» (excerto).
IMAG.6-119-170-237-269-328-421-422-427
CALENDÁRiO
¯1945-28DEZ2015 - Ian Fraiser Kilmister, aliás Lemmy
Kilmister, aliás Lemmy: Músico inglês, fundador e vocalista dos Motorhead -
«Éramos a melhor banda má do mundo».
¯1950-31DEZ2015 - Stephanie Natalie Maria Cole, aliás
Natalie Cole: Cantora e compositora americana, filha de Nat King Cole - «Os
meus ídolos são Janis Joplin e Annie Lennox, que nada têm a ver com a típica
cultura pop».
COMENTÁRiO
RNão é por julgarmos uma coisa boa que nos esforçamos
por ela, que a queremos, que ela nos apetece, que a desejamos, mas, pelo
contrário, é por nos esforçarmos por ela, por querê-la, por ela nos apetecer,
por a desejarmos, que a julgamos boa.
Espinosa
-
Ética (excerto)
PARLATÓRiO
¢Um artista é alguém que produz coisas de que as pessoas
não têm necessidade, mas que ele - por uma qualquer razão - pensa que será uma
boa ideia proporcionar-lhas…
Andy Warhol
VISTORiA
¯Eu fui à terra do bravo
Bravo
meu bem
Para
ver se embravecia
Cada
vez fiquei mais manso
Bravo
meu bem
Para
a tua companhia
Eu
fui à terra do bravo
Bravo
meu bem
Com
o meu vestido vermelho
O
que eu vi de lá mais bravo
Bravo
meu bem
Foi
um mansinho coelho
As
ondas do mar são brancas
Bravo
meu bem
E
no meio amarelas
Coitadinho
de quem nasce
Bravo
meu bem
P'ra
morrer no meio delas
José
Afonso
TRAJECTÓRiA
Edgar Pierre Jacobs
Desde
muito novo manifestou grande fascínio pelo desenho e pelas representações
cénicas. Os seus cadernos escolares de História reproduzem cenas quotidianas,
batalhas, pormenores arquitetónicos ou de indumentária, a par do esmero
colocado na caligrafia, revelando o seu talento.
Após
ter visto uma representação de Fausto, em 1917, nasce a sua outra grande
paixão, a ópera.
Em
1919, depois de concluir a Escola Comercial, começou por trabalhar em
publicidade, então inteiramente ilustrada, realizando gravuras para puzzles,
álbuns para colorir, jogos, catálogos para grandes armazéns e cartazes,
atividade que desenvolveu nos anos 20.
Em
simultâneo, Jacobs aspirava a fazer carreira na ópera, tendo começado por ser
figurante numa representação de Guilherme Tell no Teatro de La Monnaie , em 1921. Chegou a
barítono da Ópera de Lille em 1929, ano em que ganhou um grande prémio de canto.
Durante os anos que esteve profundamente envolvido no meio operista, aproveitou também para utilizar o seu talento gráfico, concebendo projetos de indumentárias e maquetas de cenários. Trabalhou durante dez anos na Ópera de Lille, até ser mobilizado em 1939, com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, e, posteriormente, com a invasão da Bélgica, pelo que a sua carreira ficou comprometida.
Durante os anos que esteve profundamente envolvido no meio operista, aproveitou também para utilizar o seu talento gráfico, concebendo projetos de indumentárias e maquetas de cenários. Trabalhou durante dez anos na Ópera de Lille, até ser mobilizado em 1939, com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, e, posteriormente, com a invasão da Bélgica, pelo que a sua carreira ficou comprometida.
Com
a Bélgica invadida, em 1940 recorre ao desenho como meio de sustento. Contactou
a revista Bravo, para a qual realizou o mais variado tipo de
ilustrações. Em 1942, quando a Bravo deixa de receber as provas da muito
popular banda desenhada estado-unidense Flash
Gordon, Edgar foi desafiado a continuar as suas aventuras, sob o título de Gordon l'Intrepide. No entanto, por
imposição da censura alemã, teve de concluir precipitadamente o seu trabalho,
que visava dar uma hipotética continuação à história criada originalmente por
Alex Raymond.
Entre
1943 e 1944 continuou a trabalhar em BD, tendo sido convidado pela mesma revista
a desenvolver uma história que substituísse Flash
Gordon. A sua primeira BD criada de raiz foi Le Rayon «U» (O Raio
«U»), que surgiu na revista Bravo, em 1943. Uma segunda versão
apareceu em 1974 na revista Tintin e em álbum da Lombard.
Em
simultâneo, começou a colaborar com Hergé, o pai de Tintim, em 1944, tendo participado em Tintim quando Hergé sentiu a necessidade de redesenhar e colorir
várias aventuras inicialmente saídas a preto e branco. Assim sendo, realizou os
desenhos dos cenários e a coloração das seguintes histórias de Tintim: O Lótus Azul, O Cetro
de Ottokar, As 7 Bolas de Cristal e O Templo do Sol. Como
nota do seu bom humor, Jacobs não se coibiu de se desenhar a si próprio, a
Hergé e a outras pessoas conhecidas de ambos, entre os figurantes de algumas histórias.
Outra
colaboração sua com Hergé esteve ligada à realização de ilustrações que
documentassem a história da marinha, da aviação e do caminho de ferro, para a
enciclopédia Voir et Savoir.
Em
26 de Setembro de 1946 surgiu o número inaugural da mítica revista Tintin,
que ficou marcado pela estreia da série Blake
e Mortimer, da autoria de Edgar Pierre Jacobs, cujos protagonistas são um
capitão da força aérea ligado aos serviços secretos e um físico apaixonado pela
arqueologia, ambos cidadão britânicos, cultivando toda a série um ambiente
muito british de meados do século XX.
A
história inicial da série, Le Secret de l'Espadon (O Segredo do
Espadão), impôs-se rapidamente com sucesso ante os leitores da revista,
acabando por ser reunida em dois álbuns, editados em 1950 e 1953, começando
assim uma das séries de culto da BD europeia.
Depois
surgiram Le Mystère de la
Grande Pyramide (O Mistério da Grande Pirâmide),
história também em duas partes, publicada na Tintin entre 1950 e 1954
(com álbuns editados em 1954 e 1955), e La Marque Jaune (A
Marca Amarela), publicada em 1953 (álbum de 1956). Seguiram-se L'Enigme
de l'Atlantide (O Enigma da Atlântida), de 1955 (álbum em 1957), SOS
Météores (SOS Meteoros), de 1958 (álbum de 1959), Le Piège
Diabolique (A Armadilha Diabólica), de 1960 (álbum de 1962), L'Affaire
du Collier (O Caso do Colar), de 1965 (álbum de 1967) e Les 3
Formules du Professeur Sato I (As 3 Fórmulas do Professor Sato I),
de 1971 (álbum de 1977), todas histórias publicadas inicialmente na revista Tintin
e editadas em álbum pela Lombard.
De
permeio, realizou ainda uma curta história, Le
Trésor de Toutânkhamon (O Tesouro de
Toutânkhamon) para a Tintin, em 1964, evocando a descoberta do
célebre tesouro egípcio.
A
publicação do segundo tomo As 3 Fórmulas do Professor Sato I foi sendo
protelada até à sua morte, ocorrida em 1987.
Em
1986 criou a chancela Éditions Blake et Mortimer, que editou todos os álbuns
num novo formato, com nova coloração e páginas suplementares, como sucedeu em O Segredo do
Espadão, agora editado em três volumes.
Depois
de vários problemas de saúde e tributários, que marcaram os seus últimos anos
de vida, faleceu vítima da doença de Parkinson, em Bruxelas, a 20 de fevereiro
de 1987, deixando uma obra pequena pelo número de títulos mas de inegável
qualidade narrativa e plástica, que se tornou uma importante referência da BD
franco-belga.
O
derradeiro álbum, Les 3 Formules du Professeur Sato II (As 3 Fórmulas
do Professor Sato II), cujos esboços deixou terminados, viria a ser
concluído por Bob de Moor, sendo editado em 1990. Em 1996 Jean Van Hamme e Ted
Benoit prosseguiram a série com grande êxito, a que se juntou, mais tarde,
outra dupla de autores, Yves Sente e André Juillard.
http://www.infopedia.pt/$edgar-pierre-jacobs
BREVIÁRiO
¨Livros do Brasil edita O Velho e o Mar de Ernest Hemingway (1899-1961); tradução de Jorge
de Sena (1919-1978). IMAG.76-180-235-329-377-474-477
quinta-feira, fevereiro 25, 2016
IMAGINÁRiO #598
José
de Matos-Cruz | 08 Fevereiro 2017 | Edição Kafre | Ano XIV – Semanal – Fundado
em 2004
PRONTUÁRiO
As
iniciativas dedicadas aos quadradinhos evidenciam, e consagram, um investimento
renovado, sugestivo, além de um prestigiante interesse por esta expressão
artística. Tal motiva outros fenómenos de apelo e aliciamento - para além do
culto ou nostalgia; e suscita manifestações pontuais - determinantes para o
estudo ou a reavaliação das obras, dos seus criadores ou respectivas
envolvências.
Em
2015, e em paralelo à exposição Viriato Na Banda Desenhada,
comissariada por Luiz Beira, prestou-se uma justa homenagem em Viseu a mestre José Garcês, com a atribuição do Prémio
Especial Anim’arte BD (Carreira), conferido pelo GICAV/Grupo de Intervenção e
Criatividade Artística de Viseu. Muito a propósito, o GICAV procedeu ainda à
reedição, com a Câmara Municipal de Viseu, do precioso clássico Viriato - com história e desenhos de
José Garcês, originalmente apresentado no Cavaleiro
Andante (1952-53). Um trabalho minucioso e fascinante, agora realçado com
paginação e tratamento de imagens por Carlos Rico, e que testemunha a
intemporal vitalidade da banda desenhada em Portugal.
Pela oportunidade, assinala-se de um depoimento
que, anos atrás, nos foi concedido por José Garcês: «O autor de banda desenhada
procura transmitir, para o público em geral, uma mensagem visual apoiada num
texto, e essa mensagem não terá de ser igual para um adulto ou uma criança com
menos de dez anos… Mas, se o conseguir, melhor para todos!».
IMAG.24-70-78-117-129-149-226-251-256-258-265-321-361-374-416-430
CALENDÁRiO
¢20NOV2015-22FEV2016 - Em Lisboa, Centro de Arte Moderna
José Azeredo Perdigão apresenta Hein
Semke [1899-1995] - Um Alemão Em
Lisboa - exposição de artes plásticas. IMAG.54
11DEZ2015-17ABR2016
- Em Lisboa, Museu do Design e da Moda/MUDE expõe José Espinho [1915-1973] -
Vida e Obra, sendo curadora Graça Pedroso.
¢18DEZ2015-21FEV2016 - Em Lisboa, Fundação EDP expõe, no Museu da
Electricidade, Álvaro Lapa [1939-2006]
- Alguns Desenhos e Pinturas, sendo
curador João Pinharanda. IMAG.20-21-81
¯1927-19DEZ2015 - Kurt Masur: Maestro alemão, radicado
nos EUA - «Será lembrado, sobretudo, pela sua profunda crença na música como
expressão de humanismo» (Matthew VanBesien). IMAG.245
¸24DEZ2015 - Big Picture estreia Amor Impossível de António-Pedro Vasconcelos; com Victoria Guerra e
José Mata. IMAG.3-10-158-177-204-223-236-288-453-533
¨É verdade que não poderemos encontrar a pedra
filosofal, mas é bom que ela seja procurada; ao partir em sua busca,
descobrimos muitos e importantes segredos que, de outro modo, ficariam por
revelar.
Bernard
de Fontenelle
VISTORiA
¨Sonhar, quando estamos a dormir, é voar, colorir mais o
nosso mundo. De certa forma, é seguirmos – tal como vos tenho dito inúmeras
vezes – o nosso arco-íris e o nosso girassol! Assim percorremos outros mundos
até então completamente desconhecidos, mas que, no fundo, acho eu, moravam na
nossa mente: são fragmentos do nosso coração e da nossa alma. São mundos
imaginários que têm talvez outras paisagens, outra cor, outro ar, outro cheiro,
outras formas. São mundos virados de pernas para o ar!
Rita Bulhosa (excerto)
- Aos Olhos da Rita
VISTORiA
¨A terra coberta de erva sobre a qual estava construída
a sua cabana estendia-se ao longe, penetrando num grande lago, e parecia que
essa língua de terra tivesse penetrado por amor nas águas de um azul
cristalino, e que essas mesmas águas haviam acolhido com os braços enamorados a
bonita várzea, as suas altas ervas batidas pelo vento e as suas flores, tal
como as refrescantes sombras das árvores.
La Motte-Fouqué
- Ondina (1811
- excerto)
Gota de Água¨Eu, quando choro,
não choro eu.
Chora aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
As lágrimas são as minhas
mas o choro não é meu.
António
Gedeão
MEMÓRiA
¨ 08FEV1577-1640 - Robert Burton: Académico inglês e
clérigo da Universidade de Oxford, autor de A
Anatomia da Melancolia (1631) - «estuda as causas do fenómeno: ociosidades
e estudos intensos, o enamoramento ou a religiosidade rigorista, a
hereditariedade, as dietas e as perturbações do sono» (Pedro Mexia) - «Cada
religião é tão verdadeira como qualquer outra». IMAG.502
¨ 11FEV1657-09JAN1757 - Bernard Le Bovier de Fontenelle,
aliás Bernard de Fontenelle: Escritor francês, autor de Conversações Sobre a Pluralidade dos Mundos (1668) - «Um dos
precursores de um registo imaginativo na descrição de outros lugares do
universo, que assim antecipa a literatura de ficção científica» (Diário de Notícias).
¨ 12FEV1777-1843 - Friedrich de La Motte-Fouqué: Escritor
alemão, de pseudónimo Pellegrin e A.L.T. Frank - «Despimo-la e, deitada bem
quente na cama, demos-lhe bebidas reconfortantes. A tudo isto ela nada disse,
embora nos sorrisse, olhando-nos com os seus belos olhos de um azul celeste,
límpidos como as ondas do lago.» (Ondina). IMAG.384-403
¨ 1865-17FEV1947 - Matthew Phipps Shiell, aliás M.P.
Shiel: Escritor britânico, originário das Índias Ocidentais, autor de A Nuvem Púrpura (1901) - «O estilo é
voluptuoso, cheio de cintilações macabras. A ordem moral desaparecida, da culpa
e expiação, ainda não foi substituída por uma nova ética humana, assente no
amor» (José Guardado Moreira). IMAG.363-523
¨ 1906-19FEV997
- Rómulo de Carvalho, professor, aliás António Gedeão, poeta português: «Eu sei
que a Humanidade é mais gente do que eu, / sei que o Mundo é maior do que o
bairro onde habito». IMAG.82-123-355-505-588
GALERiA
José Espinho – Vida e Obra
Um
dos pioneiros do design português,
José Espinho (1915-1973) ainda hoje é quase desconhecido do grande público. A
sua vasta obra vai da arquitetura de interiores ao design de produto, passando pelos design efémero, design
expositivo, design gráfico, pela
edição e pela ilustração.
Em
exibição no MUDE - Museu do Design e da Moda estão cerca de 90 peças de
mobiliário, e uma vasta documentação iconográfica que dá a conhecer vários
espaços interiores em que o designer
interveio, nomeadamente o Teatro Micaelense, o Cine-Teatro Monumental, a
Cervejaria Solmar, o Hotel Mundial, o Hotel Tivoli, o Hotel Estoril-Sol, o
Casino Estoril, o Hotel Alvor e o Hotel Trópico Luanda, na sua grande maioria
desvirtuados ou demolidos.
Para
conhecer o homem por detrás da obra, a mostra inclui também alguns objectos
pessoais que testemunham o gosto de José Espinho pela pintura, o seu talento
para o desenho, o sentido de humor e o interesse pela fotografia e pela música.
O
mobiliário, produzido em colaboração com várias empresas, particularmente com
os Móveis Olaio, onde foi consultor de Estética Industrial, é apresentado numa sequência
cronológica e em três momentos principais: neo-rústico, moderno e estética
industrial.
BREVIÁRiO
¨ Guerra & Paz edita, com Clube do Livro e SIC, Aos Olhos da Rita de Rita Bulhosa;
prefácio de Valter Hugo Mãe, outros textos de Francisco José Viegas, Mário
Augusto e Diogo Mainardi. www.aosolhosdarita.pt
¨Dom Quixote edita O
Último Europeu - 2284 de Miguel Real. IMAG.237-318-352-507-546
¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche
Grammophon, Piano Duos por Martha
Argerich e Daniel Barenboim. IMAG.202-301-314-390-440
¨A Esfera dos Livros edita Viver e Morrer Nos Cárceres do Santo Ofício de Isabel Drumond Braga.
IMAG.29-34-49-51-139-147-162-183-297-314-321-323-417-428-436-485-491-509-553
sexta-feira, fevereiro 19, 2016
IMAGINÁRiO #597
José de Matos-Cruz | 01 Fevereiro 2017 | Edição Kafre
| Ano XIV – Semanal – Fundado em 2004
PRONTUÁRiO
SURREALISMO
O
intenso e aliciante labor de Maria
Estela Guedes, como escritora e investigadora, logra uma expressiva
notoriedade através dos Cadernos
Surrealistas Sempre - colecção de que é directora, sob chancela editorial
de Apenas Livros. Em perspectiva, «juntar trabalhos sobre o Surrealismo e
criação pura de surrealistas que retratem essa tão pujante, poética, divertida,
desconcertante e maldizente arte que foi a mais importante contribuição da
modernidade para a cultura europeia do século XX e no nosso país constituiu
terreno fértil para o desenvolvimento de artistas que não só deram poderes à
imaginação como tornaram a liberdade poética uma prática de contestação
política». Ao número 3, Maria Estela Guedes assume também a autoria de Surrealismo ‘Incertae Sedis’ - em que
reúne «comunicações, conferências, textos publicados n' A Ideia, na Incomunidade e no TriploV, de análise semântica, sobre
Manuel de Castro, Herberto Helder, Luiz Pacheco, José Emílio-Nelson, Luís
Filipe Coelho, Nicolau Saião e João César Monteiro - e eu pergunto, esperando
que alguém responda: então não há mulheres no Surrealismo? Teremos de as
desencantar, não me conformo com a sua ausência». Eis um desafio pleno de
expectativas… IMAG.345
MEMÓRiA
¯01FEV1907-1993 - Mozart Camargo Guarnieri: Compositor e
maestro brasileiro - «Personalidade original, que vivencia a problemática
envolvida pela estética nacionalista através da sua própria experiência e
sensibilidade» (P.Q.P. Bach/Sul21). IMAG.494
¨ 01FEV1937-1995
- Fernando Santiago Mendes de Assis Pacheco, aliás Fernando Assis Pacheco: Jornalista,
poeta e ficcionista português, autor de Trabalhos
e Paixões de Benito Prada (1993) - «como discursa uma alma enlevada / se a
retórica foi bem explicada / por culto e sólido professor». IMAG. 117-190-317-416-539-549
¨ 02FEV1847-1921 - Maria Amália Vaz de Carvalho:
Escritora e pedagoga portuguesa - «A mulher é um poder, é preciso aproveitá-la
na obra comum da civilização». IMAG.91-352-334
CALENDÁRiO
¢15NOV2015-28FEV2016 - Em Lisboa, Torreão Nascente da
Cordoaria Nacional apresenta Canal
Caveira - exposição colectiva de escultura de António Bolota, Bruno Cidra,
Gonçalo Barreiros e Gonçalo Sena.
¢10DEZ2015-11JAN2016 - Em Lisboa, Museu Nacional de
História Natural e da Ciência / MUHNAC apresenta, na Sala do Veado, Quarto Escuro - exposição de pintura de
Adriana Molder.
IMAG.416
¢10DEZ2015-17JAN2016 - Em Oeiras, Centro Cultural
Palácio do Egipto apresenta Fading -
exposição de pintura de Paiva Raposo.
¢17DEZ2015-24ABR2016 - Em Cascais, Casa das Histórias
Paula Rego expõe Caçadora Furtiva de
Paula Rego, sendo curadora Catarina Alfaro. IMAG.11-13-31-199-205-258-269-325-342-351-357-364-370-399-416-464-486-489-515-545-596
µ18DEZ2015-18ABR2016 - No Centro Cultural de Cascais,
Fundação D. Luís I apresenta Obras-Primas
- exposição de fotografia de Nicolás Muller (1913-2000).
Giga das
Fogueiras
¨Embora me escutasses nada saberás de mim
e fosses à janela
e fosses à janela
e embora olhasses não me
vês que passo
e digas um adeus pequeno
e digas um adeus pequeno
e embora às vezes já
sentisses náusea
e afinal te inclinas
e afinal te inclinas
e embora seca embora
secamente
e finjo que não ligo
e finjo que não ligo
e embora as baças ténues
luzes das
e eu por timidez sempre apagado
e eu por timidez sempre apagado
e embora as marés-vivas
batendo
e amámos nisso o Verão
e amámos nisso o Verão
e embora lerda a caneta se
apure
e tu não entendesses nada
e tu não entendesses nada
não entendesses nada
Fernando
Assis Pacheco
- A Bela do Bairro e Outros Poemas (1986)
VISTORiA
O
céu tem ainda o azul radiante dos dias da mocidade; a natureza é ainda a bela
insensível, que assiste radiosa e iluminada às nossas lágrimas eternas, que o
vento enxuga num momento!
Contemplemos
de mais alto a evolução dos ideais e a transformação das coisas.
Se
na terra somos efémeros de uma hora, nunca se quebra a cadeia que se vai
forjando, dos ideais belos que concebemos ao passar.
Soframos,
tal é o nosso destino e quase o nosso dever, mas amemos, que é o meio de
tornarmos fecunda para os outros a dor que acima de nós mesmos nos levanta, a
dor que é inspiração de todo o bom, de todo o belo, que em nós há.
O
pessimismo leva à abdicação da vontade, à própria negação do sofrimento, pela
completa insensibilidade a que aspira, e que de vez em quando já começa a
atingir.
Não
vale a pena! Eis a divisa da nossa desolada geração!
Pois
é necessário que, em contradição e em protesto a este lema egoístico, se
levante das nossas entranhas de mães, dos nossos corações de mulheres, um grito
de amor intenso, um grito de amor fecundante e poderoso.
Porque
um dos defeitos da nossa quadra é este: depois de termos dado ao amor um lugar
enorme, predominante, decisivo e tirânico, tendemos a cercear-lhe todos os
direitos, a destruir-lhe todas as influências boas.
O
nosso século, que por meio de radiante romantismo fez do amor o Deus pagão que
foi na Renascença, hoje, pela escola científica do temperamento e do meio, vai
fazer do amor um poder inconsciente, que, segundo as circunstâncias em que é
chamado a actuar, é um órgão de reprodução animal, ou um elemento de corrupção
dissolvente.
Reabilitemos
o amor.
Façamos
dele alguma coisa de mais ou de menos do que o estão fazendo os mestres da
literatura contemporânea, fotógrafos, neste ponto, dos costumes decadentes da
época.
Ele
não é a suprema e última embriaguez embrutecedora em que a humanidade tende a
adormecer, como essa literatura de sensualismo agonizante, parece querer
demonstrar-nos; pelo contrário, ele, é a fonte da eterna juventude em que, os
velhos, da velhice precoce deste século, da velhice que se traduz pelo excesso
do pensamento e da sensação, podem ainda retemperar as forças exaustas; é dele
que podem ainda partir as grandes iniciativas transformadoras, as poderosas e
viris energias, os sonhos iluminados da virtude e do bem.
Maria
Amália Vaz de Carvalho
- Cartas
a Luísa
(excerto)
TRAJECTÓRiA
Camargo Guarnieri
¯Mozart Camargo Guarnieri nasceu no dia 1 de fevereiro
de 1907, na cidade de Tietê, no estado de São Paulo. Filho de músico, iniciou
seus estudos de teoria musical aos 10 anos de idade com o professor Virgínio
Dias, a quem dedicou Sonho de Artista,
sua primeira composição.
Em
1923 a família mudou-se para São Paulo. A partir de 1924 Guarnieri passou a
estudar piano com Sá Pereira e Ernani Braga. De 1926 a 1930 estudou composição
e direção de orquestra com o italiano Lamberto Baldi.
Camargo
Guarnieri começou a escrever música regularmente após a Semana de Arte Moderna,
iniciando-se como compositor essencialmente brasileiro em 1928, aos 21 anos,
quando compôs a Dança Brasileira e a Canção Sertaneja. Chegou a submeter essas
duas obras a Mário de Andrade, então o mais importante intelectual da época,
que tornou-se mestre de Guarnieri. Essa relação mestre-discípulo se alongou por
muitos anos.
O
maestro foi contratado em 1937 pelo Departamento de Cultura da Cidade de São
Paulo, dirigido, na época, por Mário de Andrade. Em 1938 recebeu uma viagem
para a Europa do Conselho de Orientação Artística do Estado de São Paulo. Em
Paris estudou contraponto, fuga, composição e estética musical com Charles
Koechlin, regência de orquestra e de coros com François Rühlmann, maestro da
Orquestra da Ópera de Paris na época, além de realizar uma audição de suas
obras na série Revue Musicale,
retornando ao Brasil em 1939, em decorrência da II Guerra Mundial.
Em
1942 fez sua primeira viagem aos Estados Unidos, onde realizou um concerto com
a Orquestra League of Composers of New York e dirigiu a Orquestra Sinfônica de
Boston a convite de Sergey Koussevitzky.
De
1955 a 1960 foi assessor técnico de assuntos musicais do Ministério da Educação
e Cultura.
Durante
toda sua vida Guarnieri acumulou prêmios e ocupou altos cargos no cenário da
música nacional e internacional.
Diferenciando-se
de seus antecessores e mesmo de contemporâneos, Camargo Guarnieri não veio da música européia para a
brasileira, pelo contrário, iniciou-se já envolvido em música brasileira.
Compôs vasta obra em todos os gêneros, atingindo um número de mais de
setecentas peças.
Grande
apreciador da música de Brahms, devoto de Bach, além de admirar Mozart de tal
maneira que deixou de assinar seu primeiro nome em respeito ao mestre. Ficava
furioso quando alguém o chamava de Mozart ou cometia o crime de colocar seu nome completo em um programa de concerto ou
capa de disco.
Foi
criador e diretor do Coral Paulistano, idealizou o 1º Festival de Campos do
Jordão, foi diretor da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo, regente
titular e diretor artístico da Orquestra Sinfônica da USP desde a sua criação,
em 1975, e membro fundador da Academia Brasileira de Música, da qual foi
presidente.
Regeu
as mais importantes orquestras estrangeiras. Foi membro do júri dos mais
importantes concursos internacionais, além de ter sido agraciado com inúmeros
prêmios, condecorações e medalhas, somando mais de cem títulos nacionais e
estrangeiros, e ainda premiado em mais de 10 concursos nacionais e
internacionais de composição.
Camargo
Guarnieri faleceu em 13 de janeiro de 1993, aos 85 anos, em São Paulo , logo após ter
sido agraciado com o Prêmio Gabriela Mistral, pela OEA (Washington), com o
título de Maior Compositor Contemporâneo das Três Américas.
http://www.usp.br/osusp/maestro_camargo.html
BREVIÁRiO
¨ Xerefé edita Poemas
do Conta-Gotas de João Pedro Mésseder; ilustrações de Ana Biscaia. IMAG.310-416-430-509-531-555
¯Warner edita em
CD, sob chancela Swan Song, Physical
Graffiti / 40th Anniversary De Luxe Edition por Led Zeppelin. IMAG.192
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