terça-feira, setembro 15, 2015

IMAGINÁRIO #573



José de Matos-Cruz | 01 Agosto 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
REMINISCÊNCIAS

Ao longo de décadas, considerou-se que o primeiro Green Lantern da Terra apareceu no Universo dos DC Comics, durante a Época de Ouro. Afinal, o futuro também serve para corrigir a história, quando às virtualidades do passado. Nesta actualidade, é revelado que, antes de Alan Scott ter combatido os nazis, durante a II Guerra Mundial, um outro Green Lantern fez cintilar a luz esmeralda - em plena China feudal, pelo ano 660 dC. Tão misterioso herói surge em Dragon Lord (2001) - um tríptico excitante e perturbador, concebido por Doug Moench, para ilustração de Paul Gulacy & Joseph Rubinstein.
Não se trata de mais um capítulo de Elsewords - especulando incidências apócrifas ou alternativas à versão oficial das sagas - mas de um reenquadramento épico sobre Green Lantern, através do qual desponta Jong Li. Um eleito místico, membro do Último Templo dos Lordes-Dragões, que dedicou a sua vida à solidão, ao recolhimento interior. Até que adquire, subitamente, um poder sobrenatural, com a visita e a dádiva de um alienígena Green Lantern. Jong Li terá, pois, que decidir entre o heroísmo humano e a devoção celestial… IMAG.370

                          
CALENDÁRiO

¸1923-07MAR2015 - Maria de Lurdes Dias Costa, aliás Bárbara Virgínia: Actriz e cineasta portuguesa (Três Dias Sem Deus - 1946), radicada no Brasil - «A importância [da sua] obra na história do cinema português é grande, não só por ser a primeira [de] ficção realizada por uma mulher, como pelo facto de ter sido a única produção feminina até 1976» (Olhares do Mediterrâneo - Cinema No Feminino).

¸1922-07JUN2015 - Christopher Frank Carandini Lee, aliás Christopher Lee: Actor inglês do cinema internacional, consagrado em filmes fantásticos e de terror, em especial interpretando o Conde Drácula - «Sou alto, carismático e assustador».

®1960-09JUN2015 - Nuno Jorge Lopes de Melo Cardoso, aliás Nuno Melo: Actor português de teatro, cinema e televisão - «Era muito afirmativo, mas ao mesmo tempo muito receoso. Tinha ali uma fragilidade que me encanta. Impunha-se à bruta, ao mesmo tempo que pedia carinho. Sentia-me desafiado quando trabalhava com ele» (Jorge Silva Melo). IMAG.189-381

µ09JUN-16AGO2015 - No Porto, Galeria Municipal / Jardins do Palácio de Cristal expõe Tesouros da Fotografia Portuguesa do Século XIX, sendo curadoras Emília Tavares e Margarida Medeiros. IMAG.566

¸18JUN2015 - Real Ficção produziu, e estreia com Midas Filmes, Alto Bairro (2014) de Rui Simões. IMAG.158-277-301-411
                  
VISTORiA

O Indiferente
¨Teus olhos são suaves como
Os de uma moça, jovem forasteiro
E a curva delicada de teu belo rosto
Com sombras de penugem
Tem um perfil muito sedutor
Teus lábios cantam à minha porta
Em um idioma desconhecido
E encantador
Qual música desafinada
Entra! E que meu vinho te reanime
Mas não segues adiante
E de minha porta te vejo desaparecer
Acenando-me graciosamente
Com o quadril levemente inclinado
Pelo teu andar feminino e cansado
Tristan Klingsor
- Shéhérazade (excerto
- Tradução de Maria Sylvia Nunes)

COMENTÁRiO

Fritz Lang
¸François Truffaut: Em O Homem Que Sabia Demasiado, dirigiu Pierre Fresnay e, na remake que fez muitos anos depois, para o mesmo papel, escolheu também um actor francês, Daniel Gelin. Porquê?
Alfred Hitchcock: Creio que isso se deve a arranjos de produção. Eu não queria, necessariamente, um francês. O actor que desejava em especial, e a quem fiz chamar, era Peter Lorre, que faria o seu primeiro desempenho em Inglaterra. Acabara de filmar M/Matou de Fritz Lang. Tinha um sentido de humor muito desenvolvido e, como se tornava notado pelo seu longo gabão, que lhe chegava quase até aos pés, chamavam-lhe «o Gabão ambulante».
Truffaut: O senhor tinha visto M?
Hitchcock: Sim, mas não me recordo muito bem. Não aparecia um homem que assobiava?
Truffaut: Sim, era precisamente Peter Lorre! Suponho que, na época, terá visto outros filmes de Fritz Lang: Os Espiões, O Testamento do Doutor Mabuse
Hitchcock: Sim. Mabuse, sim. Mas tudo isso foi há muito tempo
François Truffaut
- O Cinema de Alfred Hitchcock

MEMÓRiA

¢1450-AGO1516 - Jeroen Anthoniszoon van Aken, aliás Jeronimus Bosch: Pintor e gravador flamengo, célebre pelos temas oníricos e fantásticos, de inspiração religiosa, estilizando o tormento, o horror e a morte. IMAG.272-355

¸ 1890-02AGO1976 - Friedrich Anton Christian Lang, aliás Fritz Lang: Cineasta austríaco, com carreira na Alemanha e na América - «Sou uma pessoa muito visual… Adquiro experiências com os meus olhos e, raramente, pelos meus ouvidos». IMAG.38-93-272-301-419-501

¨ 1874-03AGO1966 - Arthur Justin Léon Leclère, aliás Tristan Klingsor: Poeta, músico e pintor francês - «Ásia / Qual imenso pássaro nocturno / No céu dourado / Eu queria partir para as ilhas floridas / Ouvindo cantar o mar perverso / Em ritmo que enfeitiça / Eu queria ver Damasco / E as cidades da Pérsia / E seus leves minaretes no ar». IMAG.478

O 07AGO1876-1917 - Margaretha Gertruida Zelle, aliás Mata Hari: Dançarina exótica, aventureira, natural dos Países Baixos, fuzilada por espionagem, como agente dupla de França e da Alemanha - «Sou uma mulher que em si mesma se desfruta: umas vezes ganho, outras perco». IMAG.35-93
           
ANUÁRiO

¨ 1936-2012 - Carlos Pujol: Escritor espanhol, membro permanente do júri do Prémio Planeta - «Atrás da sua discrição e humildade, encontrávamos um editor proeminente e enciclopedista, autor de uma poesia extensa e altamente pessoal, um bom romancista, um excelente tradutor de clássicos e um grande professor» (José Manuel Lara). IMAG.392

¢1946-2000 - João António da Silva Palolo, aliás António Palolo: Artista plástico português - «Estes corpos desmaterializados, sem rosto nem espessura, são os elementos pictóricos de um trabalho sem sentido descritivo, e que se organiza para além do visível, em torno de um espaço cósmico feito de enigmas e decifrações» (Maria Helena Freitas). IMAG.417
        
BREVIÁRiO


¨Relógio D’Água edita Contos e Diários de Isaac Babel (1894-1940); tradução de Nina e Filipe Guerra. IMAG.419-474

Gradiva edita Logicomix - Uma Busca Épica da Verdade de Apostolos Doxiadis e Christos H. Papadimitriou (narração) e Alecos Papadatos e Annie Di Donna (imagem); a partir de Bertrand Russell (1872-1970). IMAG.261-371

¨ Gradiva edita José Veiga Simão [1929-2014] - Uma Vida Vivida / Volume I - Do Estado Novo de Salazar à Primavera Marcelista de Pedro Vieira.


EXTRAORDINÁRiO

OS HUMANIMAIS – Folhetim Aperiódico

JORNAL D’ONTEM, PAPÉIS VELHOS - 8
Plínio aquiesceu, com um enxuto sinal de cabeça. Aliás, poderia bem compenetrar-se naquela conveniência sem compromisso que, entre as altas patentes, cumpliciava uma família militar - inocentando a ambição camuflada, com o artifício da incontinência pelo sangue. Ou, como representar uma estratégia de parentesco aos paradoxos da hierarquia. Por isso, fora do seu berço e do seu meio, impessoal pela carreira incerta, um volúvel Coronel evoluía no seu posto, com as boas graças do General Silvino.

- Continua

sábado, setembro 12, 2015

IMAGINÁRIO #572

José de Matos-Cruz | 24 Julho 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO
 
SENSAÇÕES
Temerária, inteligente, desinibida, irrequieta, sensual, implacável, Lara Croft simboliza um fenómeno emblemático - personificada por Angelina Jolie, a partir do filme realizado por Simon West, em 2001. Porém, o seu sucesso é mais antigo e peculiar - como protagonista de Tomb Raider (1996), um vídeo-jogo Eidos delineado por Core, cujo culto se estimou em mais de vinte e um milhões de unidades, em todo o mundo. O mesmo por onde Lara - uma arqueóloga britânica e multimilionária - viaja sem cessar, de espírito livre e sem prestar contas a ninguém, em busca de acção e aventura. Paisagens exóticas, locais com história. Prestigiada fotógrafa, erudita e poliglota, Lara é fanática por túmulos ancestrais. Aliás, a aparência cosmopolita, o fascínio da erudição, ocultam os seus fantasmas íntimos, o fascínio da violência expiatória. Em criança, Lara sobreviveu à queda do avião que vitimou os seus aristocráticos progenitores. O encontro com a morte deixou-a para sempre insatisfeita, quanto a uma existência tranquila. Lara só se sente viver, desafiando o perigo. E quando enfrenta adversários perversos, que constituem uma ameaça à sociedade, ela não hesita em ministrar justiça rápida, empunhando a sua arma de 9 mm… A interactividade de Lara Croft /Tomb Raider expandiu-se em quadradinhos sob chancela Image, cabendo à Paramount investir no filão cinematográfico.  IMAG.6-46-170



CALENDÁRiO

µ30MAI2015 - Em Lisboa, Carpe Diem Arte e Pesquisa apresenta Instantânea: Fotógrafos Latino-Americanos da Colecção Carpe Diem - exposição colectiva integrada na manifestação anual PHotoEspaña.

¸08JUN2015 - Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema expõe, com Câmara Municipal de Vila Franca de Xira / Museu do Neo-Realismo, Rever Manuel Guimarães (1915-1975), sendo curadora Leonor Areal. IMAG.47-74-86-131-137-150-223-334-347-500-521-527-548

¢09JUN-25JUL2015 - Em Lisboa, Perve Galeria expõe Whispers de João Ribeiro. IMAG.343-537

¢10JUN-25JUL2015 - Em Lisboa, Casa da Liberdade expõe L’Aprés Midi d’Un Faune de Hirondino Pedro e Manuel João Vieira. IMAG.363-537

¸11JUN2015 - Midas Filmes estreia Manhã de Santo António (2012) de João Pedro Rodrigues. IMAG.68-165-272-456-487

INVENTÁRiO

Schumann, o Homem Que Foi Todo o Romantismo
¯Três meses após Chopin, nascia em Zwickau (Saxónia) Robert Schumann. Os dois conhecer-se-iam, manteriam relações amistosas e haveriam de um ao outro dedicar obras (todas para piano solo): a Balada n.º 2, op. 38 por parte de Chopin, a Kreisleriana, op. 16 por parte de Schumann - o qual também deixou um retrato musical do polaco no n.º 12 do seu Carnaval, op. 9.
Se Chopin haveria de simbolizar o romantismo musical em Paris (pelo menos na sua faceta mais intimista), então Schumann foi a figura dominante desse mesmo movimento no espaço alemão. Se bem que com menor projecção pública que Mendelssohn (que, além de compositor, era um maestro profissional e personalidade extremamente popular e cativante), Schumann acabaria por epitomizar o romantismo de uma forma abrangente. Porque nele a vida toda e a obra inteira se constituíram ilustração concreta dos ideais românticos.
À muita e quase sempre genial música para piano solo (45 opere), juntou Schumann música de câmara, Lied, música sinfónica, coral-sinfónica, ópera, concertante e géneros híbridos (sempre rompeu géneros, formas, combinações, etc.). Numa imaginação inesgotável, só a sua mente se esgotou…
Bernardo Mariano (excertos)
08JUN2010 - Diário de Notícias


VISTORiA

Convite
¨É brincar com palavras
como se brinca
com bola, papagaio, pião.
Só que
bola, papagaio, pião
de tanto brincar
se gastam.

As palavras não:
quanto mais se brinca
com elas
mais novas ficam.

Como a água do rio
que é água sempre nova.

Como cada dia
que é sempre um novo dia.

Vamos brincar de poesia?
José Paulo Paes

MEMÓRiA

¨ 22JUL1926-1998 - José Paulo Paes: Poeta e ensaísta brasileiro - «conciso? / com siso //prolixo? / pro lixo» (poética).

¨ 24JUL1886-1965 - Junichiro Tanizaki: Escritor nipónico - «A verdade é que não sentimos, face ao papel do Ocidente, outra impressão que não a de estarmos perante uma matéria estritamente utilitária, enquanto que nos basta ver a textura de um papel da China ou do Japão, para sentir uma espécie de tepidez que nos satisfaz o coração» (Elogio da Sombra). IMAG.92-524

¸ 1903-25JUL1986 - Lester Anthony Minelli, aliás Vincent Minnelli: Cineasta e encenador americano - «Os filmes americanos são muito populares em todo o mundo, e as vedetas americanas de cinema também o são… Mas, não me perguntem porquê». IMAG.408

¨ 26JUL1856-1950 - George Bernard Shaw: Dramaturgo e ensaísta irlandês - «Quando um homem quer matar um tigre, chama a isso desporto; quando é o tigre que quer matá-lo, chama a isso ferocidade. A distinção entre crime e justiça não é muito grande». IMAG.297-301

¯1810-29JUL1856 - Robert Alexander Schumann: Compositor e pianista alemão - «Sem entusiasmo, nada de correcto pode ser alcançado na arte». IMAG.105-194-203-233-268-278-301-341-344-365-375-418-458-509

¯1811-31JUL1886 - Franz Liszt: Compositor e pianista húngaro - «A música é o coração da vida. Por ela, fala o amor; sem ela, não há mesmo possível; com ela, tudo é harmonioso». IMAG.92-175-319-337-384-392-394-395-396-410-446-497-498

ANTIQUÁRiO

05JUL1946 - Em Paris, na piscina Molitor, decorre o primeiro desfile do bikini, novo fato de banho feminino de duas peças, concebido pelo designer Louis Réard e envergado pela showgirl Micheline Bernardini. IMAG.6-565

BREVIÁRiO

¨Guerra & Paz edita José-Augusto França: Com o O’Neill Falava de Janela Para Janela de José Jorge Letria. IMAG.45-54-69-120-198-235-352-398-490

¨Caminho edita Os Armários da Noite de Alice Vieira. IMAG.16-38-92-170-495

¨Antígona edita A Ilha de Aldous Huxley (1894-1963); tradução de Virgínia MottaIMAG.71-165-332-444-475-510-521

¨Relógio D’Água edita Os Sonâmbulos - Como a Europa Entrou Em Guerra Em 1914 de Christopher Clark; tradução de Miguel Serras Pereira.

¨Antígona edita Cavalo Pálido, Pálido Cavaleiro de Katherine Anne Porter (1890-1980); tradução de Paulo Faria.

SUMÁRiO

MANUEL GUIMARÃES
¸Manuel Fernandes Pinheiro Guimarães nasceu em Vale Maior / Albergaria-a-Velha, em 19 de Agosto de 1915. Cursou Belas-Artes, no Porto (1931) e em Lisboa. Fez pintura (1933), ilustração para jornais e decoração teatral, trabalhando (1936-1943) - também com assinatura MaGui - como cartazista / publicista em cinemas do Porto. A partir de 1942, foi assistente de Manoel de Oliveira, António Lopes Ribeiro, Jorge Brum do Canto, João Moreira, Arthur Duarte e Armando de Miranda. Em 1949, lançou-se com O Desterrado (Soares dos Reis). Ainda documentarista (com destaque para temas de arte em 1966-1973), foi responsável pelas Produções Manuel Guimarães, esteve ligado ao neo-realismo e dirigiu as longas metragens: Saltimbancos (1951), Nazaré (1952), Vidas Sem Rumo (1956), A Costureirinha da Sé (1958), O Crime de Aldeia Velha (1964), O Trigo e o Joio (1965), Lotação Esgotada (1972), Cântico Final (1975). Em 1965, frequentou um estágio em Roma, bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian. Faleceu em Lisboa, em 29 de Janeiro de 1975.