sábado, abril 11, 2015

IMAGINÁRiO #552

José de Matos-Cruz | 24 Fevereiro 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO
 
ORIGENS
Em 10 de Janeiro de 1929, nas páginas do suplemento juvenil do jornal Le Vingtième Siècle, começaram, semanalmente, as aventuras de Tintin No País dos Sovietes / Tintin au Pays des Soviets. O respectivo álbum saiu logo no ano seguinte e, tornando-se politicamente incorrecto, nunca foi redesenhado ou colorido. Então e aí apareceu, também, o fiel Milu, juntando-se depois o tremendo Capitão Haddock, o lunático professor Girassol, os inconfundíveis Dupont e Dupond, ou a diva Bianca Castafiore. Entretanto, Tintin esteve na América, no Congo (ex-Belga), na China e Oriente, na Escócia, na Sildávia (algures nos Balcãs), no Golfo, no Tibete, na América do Sul… e, até, na Lua! Primitivo ou moderno, Tintin fascina os velhos fanáticos e envolve as novas gerações. Para além da narrativa exuberante, de uma escrita rigorosa, sugestivamente enquadrada pelo estilo de Hergé - aliás, Georges Prosper Remi (1907-1983) - expõe-se uma saga universalista, entre drama e euforia, tragédia e resgate, em que a camaradagem sobrevive, paralelamente aos valores do bem e do mal. IMAG. 26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-411-460

                                             

CALENDÁRiO

¢23OUT2014-08MAR2015 - Em Lisboa, Atelier-Museu Júlio Pomar expõe Edição e Utopia - Obra Gráfica de Júlio Pomar, sendo comissária Sara António Matos. IMAG.19-312-449-495-505-534

¸07SET1926-09JAN2015 - Samuel Goldwin Jr: Produtor de cinema americano, filho de Samuel Goldwin, ligado à indústria independente, responsável por Pizza, Amor e Fantasia / Mystic Pizza (1988 - Donald Petrie) - «Era uma pessoa com classe, num tipo de negócio duro e caótico… Lançou realizadores como Kenneth Branagh, Anthony Minghella, Ang Lee, David Lynch ou John Sayles» (Tom Rothman).

¸1922-10JAN2015 - Francesco Rosi: Cineasta italiano de intervenção social e política, realizador de Salvatore Giuliano / O Bandido da Sicília (1962), As Mãos Sobre a Cidade / Le Mani Sulla Città (1963) ou O Caso Mattei / Il Caso Mattei (1972) - «Através do seu cinema, caracterizado por um grande envolvimento civil, foi um dos intérpretes mais extraordinários da Itália moderna, captando e contando as suas contradições e tensões profundas» (Paolo Baratta). IMAG.403

µ17JAN-17FEV2015 - Em Lisboa, Galeria dos Paços do Concelho expõe EFE: 75 Anos Em Fotos - sobre a agência de notícias internacional fundada em Espanha (1939).

MEMÓRiA

¨24FEV1786-1859 - Wilhelm Grimm: Escritor alemão, com Jacob Grimm, conhecidos como Irmãos Grimm - autores de Grande Dicionário Alemão, coligiram fábulas infantis e relatos fantásticos - «Aqueles dias do colapso de todas as instituições existentes até o momento permanecerão, para sempre, perante os meus olhos… O ardor com o qual os estudos em Alemão Antigo eram perseguidos ajudou a superar a depressão espiritual… Sem sombra de dúvida, a situação do mundo, e a necessidade de nos envolvermos na tranquilidade do conhecimento, contribuíram para o despertar da literatura há muito esquecida; mas nós buscámos não apenas algo de consolo no passado, como a nossa esperança, naturalmente, era que este curso devesse contribuir um tanto para o regresso de dias melhores» (1806). IMAG.116-421-435-497

¯1919-26FEV1996 - Moisey Samuilovich Vaynberg, aliás Mieczyslaw Weinberg: Compositor soviético de origem polaca/judaica - «Embora a sua vida e a sua música se tenham tornado mais conhecidas, as suas óperas continuam por divulgar» (Simon Wynberg). IMAG.540

1849-27FEV1936 - Ivan Petrovich Pavlov, aliás Ivan Pavlov: Fisiologista russo, distinguido com o Prémio Nobel da Medicina (1904) - «Os factos são o ar dos cientistas… Sem eles, os cientistas não conseguiriam voar».

¨1843-28FEV1916 - Henry James: Escritor americano, naturalizado britânico - «É necessária uma grande quantidade de História para se fazer um pouco de literatura». IMAG.229-414-437

VISTORiA

¨Ela, Kate Croy, esperava a vinda do pai, mas ele fazia-se esperar, sem a menor consideração, e houve momentos em que a moça exibiu para si mesma, no espelho em cima da lareira, um rosto decididamente pálido, com uma irritação que a levou ao ponto de ir-se embora sem vê-lo.
Henry James
- As Asas da Pomba
(excerto - 1902)
    
EPISTOLÁRiO

Carta Enviada de Bruges, Pelo Infante D. Pedro, em 1426, a D. Duarte
+ O governo do Estado deve basear-se nas quatro virtudes cardeais e, sob esse ponto de vista, a situação de Portugal não é satisfatória. A força reside em parte na população; é pois preciso evitar o despovoamento, diminuindo os tributos que pesam sobre o povo. Impõem-se medidas que travem a diminuição do número de cavalos e de armas. É preciso assegurar um salário fixo e decente aos coudéis, a fim de se evitarem os abusos que eles cometem para assegurar a sua subsistência. É necessário igualmente diminuir o número de dias de trabalho gratuito que o povo tem de assegurar, e agir de tal forma que o reino se abasteça suficientemente de víveres e de armas; uma viagem de inspecção, atenta a estes aspectos, deveria na realidade fazer-se de dois em dois anos. A justiça só parece reinar em Portugal no coração do Rei [D. João I] e de D. Duarte; e dá ideia que de lá não sai, porque se assim não fosse aqueles que têm por encargo administrá-la comportar-se-iam mais honestamente. A justiça deve dar a cada qual aquilo que lhe é devido, e dar-lho sem delonga. É principalmente deste último ponto de vista que as coisas deixam a desejar: o grande mal está na lentidão da justiça. Quanto à temperança, devemos confiar sobretudo na acção do clero, mas ele [o Infante D. Pedro] tem a impressão de que a situação em Portugal é melhor do que a dos países estrangeiros que visitou. Enfim, um dos erros que lesam a prudência é o número exagerado das pessoas que fazem parte da casa do Rei e da dos príncipes. De onde decorrem as despesas exageradas que recaem sobre o povo, sob a forma de impostos e de requisições de animais. Acresce que toda a gente ambiciona viver na Corte, sem outra forma de ofício.
(Resumo de) Robert Ricard
- L’Infant D. Pedro de Portugal
et «O Livro da Virtuosa Bemfeitoria»
(1953)

ANUÁRiO

1865-1866 - O rendimento do Estado para o exercício deste ano económico, e calculado no Orçamento pelo Ministro da Fazenda, é de 17.226.219$094 réis.
 
PARLATÓRiO

Não penses que sabes tudo… Ocupa-te dos elementos essenciais, antes de avançar. Aprende, compara, recompila os factos. Por muito que te valorizes, tem sempre a coragem de dizer a ti mesmo: «Sou um ignorante».
Ivan Pavlov

BREVIÁRiO

¨ Presença edita A História de Catherine de Patrick Modiano; ilustração de Jean-Jacques Sempé, tradução de Álvaro Manuel Machado. IMAG.535

¯Harmonia Mundi edita em CD, Carl Philipp Emanuel Bach [1714-1788] - Magnificat: Heilig Ist Gott por Elizabeth Watts e Wiebke Lehmkuhl, com RIAS Kammerchor e Akademie fűr Alte Musik Berlin, sob a direcção de Hans-Christoph Rademann. IMAG.306-458
 
¨Relógio D’Água edita História Em Duas Cidades de Charles Dickens (1812-1870); tradução de Paulo Faria. IMAG.117-278-357-447-488
 
¯Harmonia Mundi edita em CD, Antonin Dvorák [1841-1904]: Symphony N.º 6; American Suite por Luzerner Sinfonieorchester, sob a direcção de James Gaffigan. IMAG.199-201-219-338-368-465-499-530-538

¨Relógio D’Água edita A Morte de Virgílio de Hermann Broch (1886-1951); tradução de Maria Adélia Silva Melo. IMAG.105-324

¯Masterworks edita em CD, The 1954-1961 Albums - 15 Complete Albums de Frank Sinatra (1915-1998). IMAG.76-178-337-542

¨Arranha Céus edita Viagem Pela Literatura Europeia de António Mega Ferreira. IMAG.403-537

¯Harmonia Mundi edita em CD, Francis Poulenc [1899-1963]: Sept Répons de Ténèbres - Sabat Mater por Carolyn Sampson, com Capella Amsterdam, Estonian Philharmonic Chamber Choir, Estonian National Symphony Orchestra, sob a direcção de Daniel Reuss.

¨& Etc edita Da Propriedade Literária e da Recente Convenção Com França - Carta ao Senhor Visconde de Almeida Garrett (1799-1854) de Alexandre Herculano (1810-1877). IMAG.10-13-38-95-99-100-125-146-163-169-176-180-189-201-220-213-244-268-307-309-312-321-328-338-384-412-416-430-447-489-494-513-541-544


terça-feira, abril 07, 2015

IMAGINÁRiO #551

José de Matos-Cruz | 16 Fevereiro 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO
 
EVOCAÇÕES
Personalidade incontornável pela crítica e pelo sarcasmo com que desafia a opinião pública, entre nós, Rui Zink revelar-se-ia um prestigiado argumentista de quadradinhos - tal como deixou testemunho em A Arte Suprema (1997) por António Jorge Gonçalves, ou O Halo Casto (2000) por Luís Louro. Em outro âmbito da sua prolífica actividade, Zink escreveu Literatura Gráfica? Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea (1999) - fascinante no contexto analítico e imprescindível pela abordagem da criatividade nacional em 1968-1984. Com ligeiras correcções, Zink retomou, assim, a tese de doutoramento apresentada em 1998, sendo professor do Departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Viajando ao acaso, descobrimos - em Capítulo 12, a páginas 153-166 - As Cidades Por Construir, onde Zink aprecia Wanya - Escala em Orongo (1973), como «o primeiro livro de Bd portuguesa da era do livro na Bd portuguesa». Aos seus talentosos autores, Nelson Dias & Augusto Mota, se deve ainda Copra - A Flor da Memória, aparecida em fanzine de Coimbra, na Primavera de 1974.
IMAG.4-23-41-87-169-173-178-183-227-250-263-314-385-404
                                                

CALENDÁRiO

¸1931-11JAN2015 - Kerstin Marianne Ekberg, aliás Anita Ekberg: Actriz e modelo sueca, intérprete de A Doce Vida / La Dolce Vita (1960 - Federico Fellini), ao lado de Marcello Mastroianni - «Comunicávamos com o olhar. Era incrível. Não precisámos de dialogar a maior parte do tempo. Com o pouco italiano que eu sabia, e com o pouco inglês que ele sabia, comunicávamos muito, muito bem».

¢23JAN-21MAR2015 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Connections - exposição de pintura de Henrique Reis.

VISTORiA

¨Estar vestido de branco deste homem é evidente que nunca voltará a ser encontrado
Depois o choque duma lança contra um elmo aqui o músico fez maravilhas
É toda a razão que se vai quando podia soar a hora sem que tu estejas presente

Nas sombras do cenário permite-se ao povo contemplar os grandes festins
Comer em cena é sempre do agrado geral
De dentro da empada rematada a faisões
Anões metade pretos metade arco-íris levantam a tampa
E soltam-se ajaezado de guizos e de risos
Brilho contrastado de vestígios de tiros das côdeas sobrantes
Plano sequência do baile dos Ardentes flash-back desfocado do episódio que vem logo a seguir ao do cervo
Um homem talvez ágil demais desce do alto das torres de Notre-Dame
A rodopiar numa corda
Seu pêndulo de archotes clarão insólito à luz do dia
A sarça dos cinco selvagens quatro deles cativos um do outro o sol de plumas
O duque de Orléans segura o facho a mão a mão fatal
Às oito horas da noite tempos depois a mão
Não esquece a brincar com a luva
A mão a luva uma vez duas vezes três vezes
A um canto com o palácio mais branco em fundo as belas feições ambíguas de Pedro de Luna a cavalo
Personificando o segundo luminar
Acabar sobre o brasão da rainha em lágrimas
A
mágoa
Nada mais me é nada nada me é mais nada
Sim sem ti
O sol
André Breton
- Marselha, Dezembro de 1940
(Tradução de Ernesto Sampaio)

MEMÓRiA

®16FEV1946-2011 - Pete Postlethwaite: Artista inglês de teatro e do cinema internacional, agraciado com a Ordem do Império Britânico (2004) - «Quando estava a contracenar com ele, era necessário subir a parada, porque se tratava de um actor perigoso e atrevido» (Miriam Margolyles).IMAG.337

¨ 17FEV1836-1870 - Gustavo Adolfo Claudio Domínguez Bastida, aliás Gustavo Adolfo Bécquer: Poeta e ficcionista espanhol - «É um sonho esta vida, / mas um sonho febril de um instante único. /Quando dele se acorda, / vê-se que tudo é só vaidade e fumo…». IMAG.77

¨ 1797-17FEV1856 - Christian Johann Heinrich Heine, aliás Heinrich Heine: Escritor alemão, poeta, jornalista e ensaísta - «Nunca admiro o acto ou o facto, mas apenas o espírito humano. O acto, o facto, são vestimentas e a história não é mais do que o velho guarda-roupa do espírito humano» (A Batalha de Marengo).IMAG.92

¯ 1483-18FEV1546 - Martinho Lutero: Sacerdote e teólogo alemão, ligado à Reforma Protestante - «Devemos submeter-nos à autoridade do príncipe. Se ele abusa ou faz mal uso dela, não devemos odiá-lo, buscar vingança ou punição. A obediência é devida em nome de Deus, pois a autoridade é o representante de Deus. Por mais que tributem e exijam, devemos obedecer e suportar com paciência» (Tributo a César). IMAG.357-442

¨ 19FEV1896-28SET1966 - André Breton: - Prosador e poeta francês - «Passarei a minha vida a provocar as confidências dos loucos. São pessoas de uma honestidade escrupulosa, e cuja inocência só em mim encontra um igual». IMAG.137-142-212-426

¨ 20FEV1926-2013 - Richard Burton Matheson, aliás Richard Matheson: Escritor americano, ficcionista e guionista, autor de Eu Sou a Lenda / I Am Legend (1954) - «Era curioso. Não tinha pensado nisso durante anos. Para ele, a palavra horrível não tinha sentido. Um horror acumulado acaba por ser um hábito». IMAG.470

¨ 1780-22FEV1846 - Januário da Cunha Barbosa: Poeta, historiador e biógrafo brasileiro - «Homem de múltiplos talentos e funções, trabalhador incansável, foi pregador, jornalista, político, historiador, cronista do Império, professor de Filosofia e por fim, bibliotecário da Biblioteca Pública da Corte» (Lia Ramos Jordão).
       
VISTORiA

¨Os nossos leitores desculparão a publicidade que damos aos seguintes versos joco-sérios; eles são produções de um mestre sapateiro, sem estudos; mas o seu gênio aparece nos mesmos disparates de suas composições, e por isso os espíritos joviais amarão ler, depois de tantas poesias sérias, estas que recreiam pela sua singularidade.
Januário da Cunha Barbosa
(Parnazo Brasileiro)
             
PARLATÓRiO

¯Que me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios, já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido à minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.
Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude!
Martinho Lutero
(Dieta de Worms - 16 ABR 1521)


¨Quando conseguirmos que a população em geral compreenda os assuntos da actualidade, livraremos o povo do incitamento ao ódio e à guerra, realizado pelos bajuladores da aristocracia. Então, a grande aliança entre os povos, a Santa Aliança, formar-se-á. Não será mais necessário alimentar exércitos formados por milhares de assassinos motivados por uma desconfiança recíproca. Utilizaremos como arado as suas espadas e os seus cavalos, a fim de obter o bem-estar e a liberdade. A minha vida é dedicada a este labor, esta é a minha missão.
Heinrich Heine
           
BREVIÁRiO

¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, em Herbert von Karajan Classic Albums, Jean Sibelius [1865-1957]: Finlandia, The Swan of Tuonela, Tapiola, Pelléas et Mélisande; [Edvard] Grieg [1843-1907]: Peer Gynt Suites N.º 1 & N.º 2; [Carl] Nielsen [1865-1931]: Symphony N.º 4 por Berliner Philharmoniker, sob a direcção de Herbert von Karajan (1908-1989). IMAG.173-203-212-223-227-235-236-237-239-266-538
 
¨ Tinta da China lança Obra Completa de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa (1888-1935); edição de Jerónimo Pizarro e Antonio Cardiello. IMAG.26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-404-417-426-433-450-460-467-491-507-509-524-540


domingo, abril 05, 2015

Reportagem "Vasco Granja e o Cinema de Animação"

Figura incontornável da história do cinema de animação em Portugal, Vasco Granja faz parte do imaginário colectivo de várias gerações de portugueses das décadas de 70 e 80. A Câmara Municipal de Cascais e a Fundação D. Luis I/Centro Cultural de Cascais apresentam, no âmbito do Bairro dos Museus, a exposição “Vasco Granja e o Cinema de animação" numa homenagem ao senhor dos desenhos animados.

sexta-feira, abril 03, 2015

IMAGINÁRiO EXTRA: Manoel de Oliveira ou O Cinema Original

Um estranho efeito repercutiu o fenómeno de Manoel de Oliveira, consagrado em todo o Mundo, sobretudo a partir da última década do século passado: as suas referências pessoais e culturais converteram-se numa espécie de parâmetro confluente ao próprio cinema português. Desde finais dos anos ’20, Oliveira ousara um percurso estético, temático e artístico com a sua carreira, exemplar e excepcional. Assim sobressaem o rosto e o vulto de um homem complexo, intenso, cuja matriz de criador se delimita entre a sensibilidade e a veterania, através de olhares, intuições, deixando transparecer uma sublimação ritual de ironia e serenidade.

Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no Porto, a 11 de Dezembro de 1908 (mas foi registado no dia seguinte), numa família da alta burguesia industrial (lâmpadas eléctricas Hércules; Hidro-Eléctrica de Portugal - no Rio Ave, Ermal - sobre a qual fez o curto documentário, por 1930), influente no ramo têxtil - sector de passamanaria - com a Fábrica 9 de Julho. Fez estudos primários no Colégio Universal do Porto, e prosseguiu num Colégio em La Guardia, Galiza (Espanha), a cargo dos Jesuítas. O pai, Francisco José de Oliveira, levava-o a ver fitas de Charles Chaplin e Max Linder.
Oliveira sonhou, então, ser actor cómico. Mas foi como desportista (ginástica, natação, remo; atletismo - campeão de salto à vara; automobilismo - venceu um dos circuitos da Gávea/Rio de Janeiro) que o seu nome primeiro adquiriu notoriedade, com o irmão mais velho Casimiro de Oliveira, ganhando inúmeros prémios em Portugal, Espanha e Brasil. Viveu uma juventude algo boémia, chegando a fazer um número de trapézio amador, nas festas anuais do Sport Club do Porto. Apaixonado pela aviação, logrou experiência de piloto acrobático. Em 1927, assumiu uma actividade profissional, repartida pela indústria, com o pai, e pela agricultura.

Logo interessado pelo cinema, e presente no imaginário nacional desde finais da década de ‘20 - quando se afirma a primeira geração de realizadores nossos, e as fitas passam a ser faladas - assinalaria como autor um peculiar itinerário temático, criativo, libelatório, estético e estilístico. Académico, fulgurante, pedagógico. Insólito, insinuante, ao patentear uma extraordinária capacidade com que capta tendências, impressões. Modelando-as de modo subtil, com lucidez e talento, ao seu mundo interior de expectativas, valores, inquietações.
O impedimento, a exclusão ou a indiferença oficial, designadamente através do Fundo do Cinema, quase chegaram a afastar Oliveira da actividade a que dedicaria a sua vida. Até lhe ser permitido desenvolvê-la de um modo que, incomparável desde sempre em Portugal, poucos exemplos semelhantes tem noutros países: um filme dirigido em cada doze meses, sendo também argumentista; todos estreados por cá, com sucesso e prestígio em festivais lá fora. Muito se vem questionando sobre o que o faz correr, e onde vai buscar tanto dinamismo. Ele-próprio adiantou respostas, não isentas de sarcasmo e simbolismo: “As árvores, à medida que envelhecem, dão mais frutos!”
Ao distinto atleta que foi, na sua adolescência, Oliveira impôs a maturidade e a aprendizagem árdua duma carreira de fundo. Porventura - entre os estímulos da iconografia e os signos da lenda - superando-se por não ter, apenas, uma meta específica! A partir dos anos ’70, acumularam-se os galardões e os louvores, tal como se reacenderam polémicas - sobre um percurso que, remontando às origens do cinematógrafo, se perspectivaria na vanguarda dos audiovisuais. “Na minha cabeça há um turbilhão de ideias, de projectos. Mesmo que me proporcionem facilidades, a minha vida não será suficiente para concretizar tudo isso”...

Virtualizando um repositório actual de angústias, emoções, que é, simultaneamente, premonitório e de compromisso, Manoel de Oliveira traça, afinal, os estigmas do seu próprio imaginário - puro e tremendo, inocente ou monstruoso, poético e solene, insolente ou expiatório, em que o tributo ancestral acaba por transfigurar, além do testemunho sobre as adversidades, as marcas cintilantes quanto ao futuro. “Tudo é memória, tudo resta na memória. E a memória da vida é a arte, que existe como representação. Todos somos actores e espectadores - estamos isolados mas, ao mesmo tempo, em sociedade”. Eis um artista exposto, na plenitude do génio e da perplexidade. Ao vivo, no Porto, ainda em 2 de Abril de 2015.

-- José de Matos-Cruz

segunda-feira, março 30, 2015

Penim Loureiro – Curso de Banda Desenhada no Museu Bordalo Pinheiro

Entre 11 de Abril e 30 de Maio, todos os Sábados, das 14h às 17h, decorre o Curso de Banda Desenhada no Museu Bordalo Pinheiro (Campo Grande, 382, Lisboa), organizada por Penim Loureiro, com a colaboração dos autores João Mascarenhas, André Oliveira, Daniel Maia, Susana Resende, Rosário Félix, Lígia Sousa e, ainda, aparição especial (como anfitrião do Lisbon Studio) de Nuno Lourenço Rodrigues.
Destinado a maiores de 16 anos, este Curso é especialmente indicado para todos aqueles que querem conhecer um pouco mais acerca do fascinante universo da Banda Desenhada e pretendem fugir da trivialidade e de histórias estereotipadas. Para quem procura uma nova forma de libertar a criatividade e testar os seus próprios limites artísticos, para os que nunca tentaram a narrativa gráfica mas gostavam de experimentar algo inovador, ou para os que até já se iniciaram nesta área, mas perderam o ânimo e agora gostariam de voltar.

Características: 1º Módulo (Aprender algumas técnicas básicas da Banda Desenhada. Enfrentar o medo de desenhar ou até mesmo esboçar BD. Descobrir como superar possíveis limitações no argumento ou no desenho) | 2º Módulo (Estimular a criatividade através da linguagem da Banda Desenhada. Ganhar motivação para realizar projetos de narrativa gráfica dando ênfase ao estilo pessoal através da prática e da troca de experiências).
Duração: 1º Módulo - 4 dias | 2º Módulo - 4 dias. Custo: Cada módulo - 50 euros | Dois módulos (curso completo) - 90 euros. Limites de inscrição: Mínimo - 5 participantes | Máximo - 20 participantes. Inscrições e informações: museu.bordalopinheiro@cm-lisboa.pt | tel. 218 170 671.

sexta-feira, março 27, 2015

IMAGINÁRIO #550

José de Matos-Cruz | 08 Fevereiro 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EXPANSÕES

Além das peripécias aventurescas que popularizaram os paladinos juvenis, através de gerações, a escola franco-belga adquiriu maturidade por distintas vertentes, em que se virtualizam outros horizontes do imaginário. Assim contribuíram artistas como François Bourgeon - cuja inspiração histórica culminaria com Os Companheiros do Crepúsculo ou Os Passageiros do Vento. Em 1993, estas séries tiveram uma fascinante alternativa, com a apresentação de A FOnte da SOnda - iniciando a saga fantástica O Ciclo de Cyann, graças à colaboração entre Bourgeon e o argumentista Claude Lacroix. A revelação deste épico impressionante, sensual, prosseguiria, depois, com Seis Estações em IlФ - mais um estranho planeta onde a indómita Cyann buscará o precioso antídoto, para as terríveis febres amarelas que vitimam o seu povo, num outro mundo a anos-luz de distância… Imprevisível, surpreendente, tal jornada heróica - sob meticulosa concepção / exploração por Bourgeon & Lacroix - simboliza, também, a aprendizagem íntima e afectiva, de uma mulher em resgate da própria humanidade.


CALENDÁRiO

¸1930-07JAN2015 - Rodney Sturt Taylor, aliás Rod Taylor: Actor australiano de cinema e televisão, radicado nos EUA, protagonista de Os Pássaros / The Birds (1963 - Alfred Hitchcock) - «Foi um grande companheiro, e tornou-se um enorme apoio para mim. Éramos muito, muito bons amigos» (Tippi Hedren). IMAG.429-500

07JAN2015 - Em Paris, durante um ataque terrorista às instalações do jornal satírico Charlie Hebdo, por dois homens armados, conotados ao extremismo islâmico, morrem doze pessoas, entre as quais cinco artistas/ilustradores - Stéphane Charbonnier/Charb (director - n. 1967), Bernard Verlhac /Tignous (n. 1957), Philippe Honoré (n. 1941), Jean Cabut/Cabu (n. 1938) e Georges Wolinski (n. 1934). IMAG.499

MEMÓRiA

¨1920-11FEV1986 - Frank Herbert: Escritor americano de ficção científica, autor de Dune / Duna (1963-65) - «O homem é um idiota em não dar tudo de si, sempre, no acto de criação. Alguém escreve algo num papel. Não está a destruir, está a plantar uma semente. Então, não tem que se preocupar com inspiração, ou qualquer coisa no género. É apenas uma questão de se sentar e de pôr-se a trabalhar. Eu nunca tive problemas por escrever, apenas, um parágrafo. Fala-se muito nisso. Pela minha parte, havia dias em que me sentia relutante em escrever, ou às vezes durante semanas inteiras, outras até mais tempo. Então, preferiria muito mais pescar, por exemplo, ou pôr-me a afiar lápis, ou ia nadar, ou… Por que não? Mas, depois, voltando à leitura do que havia produzido, era incapaz de distinguir entre o que me ocorreu facilmente e o que elaborei, sentando-me e decidindo: “Bem, chegou a hora de escrever, e é isso que agora vou fazer”. Não havia diferença entre uma coisa e outra que registei no papel». IMAG.111-462

¸11FEV1926-2010 - Leslie William Nielsen, aliás Leslie Nielsen: Actor canadense - «A violência nas comédias ao estilo vaudeville corresponde a uma técnica muito própria; assumimo-la, estamos a fazer algo específico… Isto é, fazemos o público rir».IMAG.333

¨12FEV1856-1931 - Henrique Lopes de Mendonça: Ficcionista, poeta, dramaturgo e cronista português - «Mulher que anda no paço há de ter embaraço. / Se o crédulo marido ignorava este adágio, / Que se queixe de si, quando vir o naufrágio / Que lhe escangalha o lar.» (A Morta - 1890). IMAG. 87-258-336

¨13FEV1906-1994 - Agostinho da Silva: Filósofo, ensaísta e pedagogo português - «Quem pretende servir os homens tem aí a melhor dádiva a fazer-lhes: a de se manter sem desvio nas épocas piores, quando todos os outros recorreram ao subterfúgio e a todos cegou a mesma escuridão de um mal presente» (Considerações - excerto). IMAG.20-71-144-158-461

1910-14FEV1996 - Fernando Carvalho Trindade Bento, aliás Fernando Bento: Ilustrador, figurinista, pintor, autor de banda desenhada - transpôs As Mil e Uma Noites de Adolfo Simões Muller, e colaborou no Cavaleiro Andante a partir de 1952.IMAG.257-299-307-328-367-533                

VISTORiA     

O Povo Culto
¨Os povos serão cultos na medida em que entre eles crescer o número dos que se negam a aceitar qualquer benefício dos que podem; dos que se mantêm sempre vigilantes em defesa dos oprimidos não porque tenham este ou aquele credo político, mas por isso mesmo, porque são oprimidos e neles se quebram as leis da Humanidade e da razão; dos que se levantam, sinceros e corajosos, ante as ordens injustas, não também porque saem de um dos campos em luta, mas por serem injustas; dos que acima de tudo defendem o direito de pensar e de ser digno.
Agostinho da Silva
- Diário de Alcestes (excerto)

TRAJECTÓRiA

Fernando Bento, As Aventuras de Uma Vida
Chamava-se Fernando Bento e foi um dos mais notáveis autores portugueses de banda desenhada, no tempo em que esta ainda era (apenas) histórias aos quadradinhos. Em Fevereiro último fez dez anos que nos foi servido um dos últimos tesouros coloridos por Fernando Bento. Foi nas páginas da revista Selecções BD (II série) e era uma vinheta do seu (inacabado) Regresso à Ilha do Tesouro, uma sequela do clássico de Stevenson, que o mestre português dos quadradinhos adaptou com argumento de Jorge Magalhães. Nele, o jovem Jim Hawkins, enquanto desce por uma amarra de um barco encalhado, afirma: «A aventura correu melhor do que eu esperava!» O mesmo se pode dizer, sem dúvida, da vida e obra de Fernando Carvalho Trindade Bento, nascido em Lisboa a 26 de Outubro de 1910.
Com os seus heróis fez A Volta ao Mundo em 80 Dias, levando muitos leitores ao longo de várias gerações a dar consigo A Volta a Portugal em Bicicleta, conhecer Histórias da Nossa História, partilhar uma Viagem ao Centro da Terra, percorrer Vinte Mil Léguas Submarinas, subir A Montanha do Fim do Mundo ou avançar pelo espaço Da Terra à Lua, em companhia de Um Herói de 15 Anos, 34 Macacos e Eu, Beau Geste, Matias Sandorf ou Quintino Durward, até à Ilha do Tesoiro, tudo em Mil e Uma Noites maravilhosas e mágicas.
Vividas, sentidas, sofridas em constantes sobressaltos, sem sair de casa, descobertas nas fantásticas, vibrantes e envolventes páginas aos quadradinhos que delineou com um traço elegante, único e personalizado, vivo, ágil e dinâmico, se bem que fosse (ou porque era) autodidacta, apenas com um curso de desenho por correspondência, obtido na escola parisiense ABC.
Na sua formação «prática», no entanto, encontram-se também longos períodos nos movimentados bastidores teatrais do Coliseu dos Recreios, local de trabalho do pai, onde, quem sabe, foi beber o sentido dos diálogos, a noção de movimento, a agilidade na composição das pranchas, a técnica de picado e contrapicado, o ritmo narrativo, a legibilidade e a eficácia da narrativa sequencial que viriam a distingui-lo como um caso único na nona arte nacional.
No entanto, nada parecia dirigi-lo para a BD, pois foi no mundo do teatro, na concepção de figurinos e cenários (muito elogiados) para A Última Maravilha e O Fim do Mundo que se fez notado, tinha apenas 25 anos. E só três anos depois surgiriam os primeiros quadradinhos, na secção infantil do jornal República.
Estava longe de saber, certamente, mas muitas seriam as revistas que se lhe seguiriam - Pim-Pam-Pum!, Diabrete, Cavaleiro Andante, foram as mais significativas - onde, a par da BD, espraiou também a sua arte por capas, ilustrações, caricaturas e desenhos humorísticos, como maquetista e director gráfico… Tudo feito em serões e tempos livres pois, «profissionalmente», foi sempre funcionário de escritório da BP.
A sua bibliografia - em que muitas vezes teve ao lado argumentistas como Helena Neves, Maria Amélia Bárcia ou Adolfo Simões Müller - é feita especialmente da adaptação de episódios da história pátria e de clássicos infantis, da literatura ou de aventuras (especialmente Júlio Verne, mas também Robert Louis Stevenson, Herman Melville, Enid Blyton…), que soube recriar como poucos, em verdadeiras versões em quadradinhos, que patenteavam o espírito e todas as qualidades dos originais no novo suporte e que faziam igualmente sonhar. Foram cerca de três décadas de redobrado labor, até aos anos 1970, vividos mais longe das páginas desenhadas, às quais só regressaria de forma pontual.
Até ao tal Regresso à Ilha do Tesoiro, corria a década de 1990 e tinha Fernando Bento ultrapassado já a barreira dos 80 anos, em que (re)encontrou energia e mestria para, num traço com todas as qualidades que lhe eram conhecidas mas renovado na forma, de uma surpreendente modernidade, voltar a fazer vibrar todos os que leram as novas pranchas de reencontro com Jim Hawkins, Ben Gunn ou o pirata Long John Silver!
A morte - invejosa da sua arte? - levá-lo-ia a 14 de Fevereiro de 1996, pondo um ponto final nas suas aventuras, impedindo-o de terminar esta obra e de ver impressos os seus últimos desenhos.
F. Cleto e Pina
- 30OUT2010 - NS - Diário de Notícias / Jornal de Notícias

PARLATÓRiO

¨Em minha opinião, a ficção científica é inspiradora, e aponta em direcções muito interessantes. Isto é, orienta-nos para dimensões eventuais. Graças à nossa imaginação, podemos tentar outras oportunidades, tomar opções distintas. Por tendência, ficamos presos a escolhas limitadas. Pensamos: «Bom, a única possibilidade é...» ou «Se, pelo menos...» Algo que se siga a tais suposições elimina, de imediato, quaisquer alternativas. Torna tão básica a nossa perspectiva, que não conseguimos ver para além do que sucede à nossa volta. O ser humano tem tendência a não olhar para mais longe. Actualmente, porém, sentimo-nos impelidos a ampliar o nosso raio de visão, a reparar em tudo o que infligimos ao mundo que nos rodeia. Então, em meu entender, a ficção científica pode tornar-se significativa, e relevante. Não me parece que, apenas, escrever um livro como Admirável Mundo Novo, ou como 1984, evite que as coisas ali tratadas acabem por ocorrer. Mas considero que esses testemunhos, especulativos, tornam menos provável que assim aconteça. Em suma, ganhamos consciência de que, porventura, se está a correr o risco de que possam tornar-se realidade.
Frank Herbert

quarta-feira, março 25, 2015

O Infante Portugal e As Tramóias Capitais

2015 marcará o 10º aniversário do nascimento d’O Infante Portugal. Inicialmente criado para protagonista do conto “Com Penas de Anjo e a Expiação do Demo,” incluído no livro Os SobreNaturais (2005), sequela d’Os EntreTantos (Editorial Notícias; 2003), também por José de Matos-Cruz, este universo criativo de nuances mágicas e super-heróicas foi posteriormente desenvolvido em seriado em website próprio, recuperando o formato dos folhetins do século passado, e contou nas capas dos capítulos desta Primeira Jornada com a participação gráfica de vários dos mais renomados ilustradores portugueses de banda desenhada.

A obra foi depois compilada em livro pelo selo editorial do próprio autor, Kafre (2007), e mais tarde, em simultâneo a uma Segunda Jornada, foi reeditado pela Apenas Livros (2010), que assumiu a publicação da trilogia.

“Lisboa é uma cidade imaginária, intemporal, onde se entrecruzam ou entrechocam  alfacinhas solitários, vadios e boémios, cidadãos ilustres, super-heróis fantásticos,  jornalistas e filósofos, mulheres prodigiosas, infandos malfeitores,  necrófagos e estapafúrdios, intelectuais sórdidos, amorais e puritanos, políticos ubíquos,virgens fatais, náufragos e forasteiros, angélicos facínoras, autóctones estrangeirados, emigrados neurasténicos, arrivistas e refractários, insubmissos conformados, aberrações umbilicais e outras virtuais aparições, em fantasmagorias e abominações, em artimanhas e manigâncias, em dissídios e adversidades, em compromissos e rupturas, em perigos e desafios, em sensos comuns e sentidos proibidos, em memórias efémeras e leviandades consagradas, amalgamando-se entre ruínas e vielas, rotinas e vivências, equívocos e assombros, pactos e traições, euforias e nostalgias, artimanhas e maquinações, tudo num turbilhão precário ou numa monotonia secular.

Sol e lua… E, certa manhã, nos arredores da capital, quando o Infante Portugal porfiava em mais um descanso do guerreiro, sob a identidade pública de Rui Ruivo, um impoluto causídico, após mais uma banal incursão nocturna, entre insónias e convulsões, entre horrores e irrisões, eis que tudo recomeça… Ao receber um telefonema provocador de Vulcão,  o seu mais infame e funesto antagonista.”


O Infante Portugal e As Tramóias Capitais
Kafre | 1ª Edição: 2007
Edição online: 2005-2007
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustradores: Isabel Aboim, Filipe Abranches, Renato Abreu, Luís Diferr,
José Carlos Fernandes, José Garcês, António Jorge Gonçalves, Luís Louro,
Zé Manel, Pedro Massano, José Ruy, Eugénio Silva e Augusto Trigo.
Capa Brochada, 84 páginas | Prosa ilustrada
[Esgotado]

Imagem de capa por Pedro Massano e brasão por José Garcês.