terça-feira, abril 07, 2015

IMAGINÁRiO #551

José de Matos-Cruz | 16 Fevereiro 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO
 
EVOCAÇÕES
Personalidade incontornável pela crítica e pelo sarcasmo com que desafia a opinião pública, entre nós, Rui Zink revelar-se-ia um prestigiado argumentista de quadradinhos - tal como deixou testemunho em A Arte Suprema (1997) por António Jorge Gonçalves, ou O Halo Casto (2000) por Luís Louro. Em outro âmbito da sua prolífica actividade, Zink escreveu Literatura Gráfica? Banda Desenhada Portuguesa Contemporânea (1999) - fascinante no contexto analítico e imprescindível pela abordagem da criatividade nacional em 1968-1984. Com ligeiras correcções, Zink retomou, assim, a tese de doutoramento apresentada em 1998, sendo professor do Departamento de Estudos Portugueses da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Viajando ao acaso, descobrimos - em Capítulo 12, a páginas 153-166 - As Cidades Por Construir, onde Zink aprecia Wanya - Escala em Orongo (1973), como «o primeiro livro de Bd portuguesa da era do livro na Bd portuguesa». Aos seus talentosos autores, Nelson Dias & Augusto Mota, se deve ainda Copra - A Flor da Memória, aparecida em fanzine de Coimbra, na Primavera de 1974.
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CALENDÁRiO

¸1931-11JAN2015 - Kerstin Marianne Ekberg, aliás Anita Ekberg: Actriz e modelo sueca, intérprete de A Doce Vida / La Dolce Vita (1960 - Federico Fellini), ao lado de Marcello Mastroianni - «Comunicávamos com o olhar. Era incrível. Não precisámos de dialogar a maior parte do tempo. Com o pouco italiano que eu sabia, e com o pouco inglês que ele sabia, comunicávamos muito, muito bem».

¢23JAN-21MAR2015 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I apresenta Connections - exposição de pintura de Henrique Reis.

VISTORiA

¨Estar vestido de branco deste homem é evidente que nunca voltará a ser encontrado
Depois o choque duma lança contra um elmo aqui o músico fez maravilhas
É toda a razão que se vai quando podia soar a hora sem que tu estejas presente

Nas sombras do cenário permite-se ao povo contemplar os grandes festins
Comer em cena é sempre do agrado geral
De dentro da empada rematada a faisões
Anões metade pretos metade arco-íris levantam a tampa
E soltam-se ajaezado de guizos e de risos
Brilho contrastado de vestígios de tiros das côdeas sobrantes
Plano sequência do baile dos Ardentes flash-back desfocado do episódio que vem logo a seguir ao do cervo
Um homem talvez ágil demais desce do alto das torres de Notre-Dame
A rodopiar numa corda
Seu pêndulo de archotes clarão insólito à luz do dia
A sarça dos cinco selvagens quatro deles cativos um do outro o sol de plumas
O duque de Orléans segura o facho a mão a mão fatal
Às oito horas da noite tempos depois a mão
Não esquece a brincar com a luva
A mão a luva uma vez duas vezes três vezes
A um canto com o palácio mais branco em fundo as belas feições ambíguas de Pedro de Luna a cavalo
Personificando o segundo luminar
Acabar sobre o brasão da rainha em lágrimas
A
mágoa
Nada mais me é nada nada me é mais nada
Sim sem ti
O sol
André Breton
- Marselha, Dezembro de 1940
(Tradução de Ernesto Sampaio)

MEMÓRiA

®16FEV1946-2011 - Pete Postlethwaite: Artista inglês de teatro e do cinema internacional, agraciado com a Ordem do Império Britânico (2004) - «Quando estava a contracenar com ele, era necessário subir a parada, porque se tratava de um actor perigoso e atrevido» (Miriam Margolyles).IMAG.337

¨ 17FEV1836-1870 - Gustavo Adolfo Claudio Domínguez Bastida, aliás Gustavo Adolfo Bécquer: Poeta e ficcionista espanhol - «É um sonho esta vida, / mas um sonho febril de um instante único. /Quando dele se acorda, / vê-se que tudo é só vaidade e fumo…». IMAG.77

¨ 1797-17FEV1856 - Christian Johann Heinrich Heine, aliás Heinrich Heine: Escritor alemão, poeta, jornalista e ensaísta - «Nunca admiro o acto ou o facto, mas apenas o espírito humano. O acto, o facto, são vestimentas e a história não é mais do que o velho guarda-roupa do espírito humano» (A Batalha de Marengo).IMAG.92

¯ 1483-18FEV1546 - Martinho Lutero: Sacerdote e teólogo alemão, ligado à Reforma Protestante - «Devemos submeter-nos à autoridade do príncipe. Se ele abusa ou faz mal uso dela, não devemos odiá-lo, buscar vingança ou punição. A obediência é devida em nome de Deus, pois a autoridade é o representante de Deus. Por mais que tributem e exijam, devemos obedecer e suportar com paciência» (Tributo a César). IMAG.357-442

¨ 19FEV1896-28SET1966 - André Breton: - Prosador e poeta francês - «Passarei a minha vida a provocar as confidências dos loucos. São pessoas de uma honestidade escrupulosa, e cuja inocência só em mim encontra um igual». IMAG.137-142-212-426

¨ 20FEV1926-2013 - Richard Burton Matheson, aliás Richard Matheson: Escritor americano, ficcionista e guionista, autor de Eu Sou a Lenda / I Am Legend (1954) - «Era curioso. Não tinha pensado nisso durante anos. Para ele, a palavra horrível não tinha sentido. Um horror acumulado acaba por ser um hábito». IMAG.470

¨ 1780-22FEV1846 - Januário da Cunha Barbosa: Poeta, historiador e biógrafo brasileiro - «Homem de múltiplos talentos e funções, trabalhador incansável, foi pregador, jornalista, político, historiador, cronista do Império, professor de Filosofia e por fim, bibliotecário da Biblioteca Pública da Corte» (Lia Ramos Jordão).
       
VISTORiA

¨Os nossos leitores desculparão a publicidade que damos aos seguintes versos joco-sérios; eles são produções de um mestre sapateiro, sem estudos; mas o seu gênio aparece nos mesmos disparates de suas composições, e por isso os espíritos joviais amarão ler, depois de tantas poesias sérias, estas que recreiam pela sua singularidade.
Januário da Cunha Barbosa
(Parnazo Brasileiro)
             
PARLATÓRiO

¯Que me convençam mediante testemunho das Escrituras e claros argumentos da razão - porque não acredito nem no Papa nem nos concílios, já que está provado amiúde que estão errados, contradizendo-se a si mesmos - pelos textos da Sagrada Escritura que citei, estou submetido à minha consciência e unido à palavra de Deus. Por isto, não posso nem quero retratar-me de nada, porque fazer algo contra a consciência não é seguro nem saudável.
Não posso fazer outra coisa, esta é a minha posição. Que Deus me ajude!
Martinho Lutero
(Dieta de Worms - 16 ABR 1521)


¨Quando conseguirmos que a população em geral compreenda os assuntos da actualidade, livraremos o povo do incitamento ao ódio e à guerra, realizado pelos bajuladores da aristocracia. Então, a grande aliança entre os povos, a Santa Aliança, formar-se-á. Não será mais necessário alimentar exércitos formados por milhares de assassinos motivados por uma desconfiança recíproca. Utilizaremos como arado as suas espadas e os seus cavalos, a fim de obter o bem-estar e a liberdade. A minha vida é dedicada a este labor, esta é a minha missão.
Heinrich Heine
           
BREVIÁRiO

¯Universal edita em CD, sob chancela Deutsche Grammophon, em Herbert von Karajan Classic Albums, Jean Sibelius [1865-1957]: Finlandia, The Swan of Tuonela, Tapiola, Pelléas et Mélisande; [Edvard] Grieg [1843-1907]: Peer Gynt Suites N.º 1 & N.º 2; [Carl] Nielsen [1865-1931]: Symphony N.º 4 por Berliner Philharmoniker, sob a direcção de Herbert von Karajan (1908-1989). IMAG.173-203-212-223-227-235-236-237-239-266-538
 
¨ Tinta da China lança Obra Completa de Álvaro de Campos / Fernando Pessoa (1888-1935); edição de Jerónimo Pizarro e Antonio Cardiello. IMAG.26-28-64-82-130-131-157-182-187-196-207-211-236-264-323-326-330-333-343-347-376-382-384-385-395-399-403-404-417-426-433-450-460-467-491-507-509-524-540


domingo, abril 05, 2015

Reportagem "Vasco Granja e o Cinema de Animação"

Figura incontornável da história do cinema de animação em Portugal, Vasco Granja faz parte do imaginário colectivo de várias gerações de portugueses das décadas de 70 e 80. A Câmara Municipal de Cascais e a Fundação D. Luis I/Centro Cultural de Cascais apresentam, no âmbito do Bairro dos Museus, a exposição “Vasco Granja e o Cinema de animação" numa homenagem ao senhor dos desenhos animados.

sexta-feira, abril 03, 2015

IMAGINÁRiO EXTRA: Manoel de Oliveira ou O Cinema Original

Um estranho efeito repercutiu o fenómeno de Manoel de Oliveira, consagrado em todo o Mundo, sobretudo a partir da última década do século passado: as suas referências pessoais e culturais converteram-se numa espécie de parâmetro confluente ao próprio cinema português. Desde finais dos anos ’20, Oliveira ousara um percurso estético, temático e artístico com a sua carreira, exemplar e excepcional. Assim sobressaem o rosto e o vulto de um homem complexo, intenso, cuja matriz de criador se delimita entre a sensibilidade e a veterania, através de olhares, intuições, deixando transparecer uma sublimação ritual de ironia e serenidade.

Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no Porto, a 11 de Dezembro de 1908 (mas foi registado no dia seguinte), numa família da alta burguesia industrial (lâmpadas eléctricas Hércules; Hidro-Eléctrica de Portugal - no Rio Ave, Ermal - sobre a qual fez o curto documentário, por 1930), influente no ramo têxtil - sector de passamanaria - com a Fábrica 9 de Julho. Fez estudos primários no Colégio Universal do Porto, e prosseguiu num Colégio em La Guardia, Galiza (Espanha), a cargo dos Jesuítas. O pai, Francisco José de Oliveira, levava-o a ver fitas de Charles Chaplin e Max Linder.
Oliveira sonhou, então, ser actor cómico. Mas foi como desportista (ginástica, natação, remo; atletismo - campeão de salto à vara; automobilismo - venceu um dos circuitos da Gávea/Rio de Janeiro) que o seu nome primeiro adquiriu notoriedade, com o irmão mais velho Casimiro de Oliveira, ganhando inúmeros prémios em Portugal, Espanha e Brasil. Viveu uma juventude algo boémia, chegando a fazer um número de trapézio amador, nas festas anuais do Sport Club do Porto. Apaixonado pela aviação, logrou experiência de piloto acrobático. Em 1927, assumiu uma actividade profissional, repartida pela indústria, com o pai, e pela agricultura.

Logo interessado pelo cinema, e presente no imaginário nacional desde finais da década de ‘20 - quando se afirma a primeira geração de realizadores nossos, e as fitas passam a ser faladas - assinalaria como autor um peculiar itinerário temático, criativo, libelatório, estético e estilístico. Académico, fulgurante, pedagógico. Insólito, insinuante, ao patentear uma extraordinária capacidade com que capta tendências, impressões. Modelando-as de modo subtil, com lucidez e talento, ao seu mundo interior de expectativas, valores, inquietações.
O impedimento, a exclusão ou a indiferença oficial, designadamente através do Fundo do Cinema, quase chegaram a afastar Oliveira da actividade a que dedicaria a sua vida. Até lhe ser permitido desenvolvê-la de um modo que, incomparável desde sempre em Portugal, poucos exemplos semelhantes tem noutros países: um filme dirigido em cada doze meses, sendo também argumentista; todos estreados por cá, com sucesso e prestígio em festivais lá fora. Muito se vem questionando sobre o que o faz correr, e onde vai buscar tanto dinamismo. Ele-próprio adiantou respostas, não isentas de sarcasmo e simbolismo: “As árvores, à medida que envelhecem, dão mais frutos!”
Ao distinto atleta que foi, na sua adolescência, Oliveira impôs a maturidade e a aprendizagem árdua duma carreira de fundo. Porventura - entre os estímulos da iconografia e os signos da lenda - superando-se por não ter, apenas, uma meta específica! A partir dos anos ’70, acumularam-se os galardões e os louvores, tal como se reacenderam polémicas - sobre um percurso que, remontando às origens do cinematógrafo, se perspectivaria na vanguarda dos audiovisuais. “Na minha cabeça há um turbilhão de ideias, de projectos. Mesmo que me proporcionem facilidades, a minha vida não será suficiente para concretizar tudo isso”...

Virtualizando um repositório actual de angústias, emoções, que é, simultaneamente, premonitório e de compromisso, Manoel de Oliveira traça, afinal, os estigmas do seu próprio imaginário - puro e tremendo, inocente ou monstruoso, poético e solene, insolente ou expiatório, em que o tributo ancestral acaba por transfigurar, além do testemunho sobre as adversidades, as marcas cintilantes quanto ao futuro. “Tudo é memória, tudo resta na memória. E a memória da vida é a arte, que existe como representação. Todos somos actores e espectadores - estamos isolados mas, ao mesmo tempo, em sociedade”. Eis um artista exposto, na plenitude do génio e da perplexidade. Ao vivo, no Porto, ainda em 2 de Abril de 2015.

-- José de Matos-Cruz

segunda-feira, março 30, 2015

Penim Loureiro – Curso de Banda Desenhada no Museu Bordalo Pinheiro

Entre 11 de Abril e 30 de Maio, todos os Sábados, das 14h às 17h, decorre o Curso de Banda Desenhada no Museu Bordalo Pinheiro (Campo Grande, 382, Lisboa), organizada por Penim Loureiro, com a colaboração dos autores João Mascarenhas, André Oliveira, Daniel Maia, Susana Resende, Rosário Félix, Lígia Sousa e, ainda, aparição especial (como anfitrião do Lisbon Studio) de Nuno Lourenço Rodrigues.
Destinado a maiores de 16 anos, este Curso é especialmente indicado para todos aqueles que querem conhecer um pouco mais acerca do fascinante universo da Banda Desenhada e pretendem fugir da trivialidade e de histórias estereotipadas. Para quem procura uma nova forma de libertar a criatividade e testar os seus próprios limites artísticos, para os que nunca tentaram a narrativa gráfica mas gostavam de experimentar algo inovador, ou para os que até já se iniciaram nesta área, mas perderam o ânimo e agora gostariam de voltar.

Características: 1º Módulo (Aprender algumas técnicas básicas da Banda Desenhada. Enfrentar o medo de desenhar ou até mesmo esboçar BD. Descobrir como superar possíveis limitações no argumento ou no desenho) | 2º Módulo (Estimular a criatividade através da linguagem da Banda Desenhada. Ganhar motivação para realizar projetos de narrativa gráfica dando ênfase ao estilo pessoal através da prática e da troca de experiências).
Duração: 1º Módulo - 4 dias | 2º Módulo - 4 dias. Custo: Cada módulo - 50 euros | Dois módulos (curso completo) - 90 euros. Limites de inscrição: Mínimo - 5 participantes | Máximo - 20 participantes. Inscrições e informações: museu.bordalopinheiro@cm-lisboa.pt | tel. 218 170 671.

sexta-feira, março 27, 2015

IMAGINÁRIO #550

José de Matos-Cruz | 08 Fevereiro 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EXPANSÕES

Além das peripécias aventurescas que popularizaram os paladinos juvenis, através de gerações, a escola franco-belga adquiriu maturidade por distintas vertentes, em que se virtualizam outros horizontes do imaginário. Assim contribuíram artistas como François Bourgeon - cuja inspiração histórica culminaria com Os Companheiros do Crepúsculo ou Os Passageiros do Vento. Em 1993, estas séries tiveram uma fascinante alternativa, com a apresentação de A FOnte da SOnda - iniciando a saga fantástica O Ciclo de Cyann, graças à colaboração entre Bourgeon e o argumentista Claude Lacroix. A revelação deste épico impressionante, sensual, prosseguiria, depois, com Seis Estações em IlФ - mais um estranho planeta onde a indómita Cyann buscará o precioso antídoto, para as terríveis febres amarelas que vitimam o seu povo, num outro mundo a anos-luz de distância… Imprevisível, surpreendente, tal jornada heróica - sob meticulosa concepção / exploração por Bourgeon & Lacroix - simboliza, também, a aprendizagem íntima e afectiva, de uma mulher em resgate da própria humanidade.


CALENDÁRiO

¸1930-07JAN2015 - Rodney Sturt Taylor, aliás Rod Taylor: Actor australiano de cinema e televisão, radicado nos EUA, protagonista de Os Pássaros / The Birds (1963 - Alfred Hitchcock) - «Foi um grande companheiro, e tornou-se um enorme apoio para mim. Éramos muito, muito bons amigos» (Tippi Hedren). IMAG.429-500

07JAN2015 - Em Paris, durante um ataque terrorista às instalações do jornal satírico Charlie Hebdo, por dois homens armados, conotados ao extremismo islâmico, morrem doze pessoas, entre as quais cinco artistas/ilustradores - Stéphane Charbonnier/Charb (director - n. 1967), Bernard Verlhac /Tignous (n. 1957), Philippe Honoré (n. 1941), Jean Cabut/Cabu (n. 1938) e Georges Wolinski (n. 1934). IMAG.499

MEMÓRiA

¨1920-11FEV1986 - Frank Herbert: Escritor americano de ficção científica, autor de Dune / Duna (1963-65) - «O homem é um idiota em não dar tudo de si, sempre, no acto de criação. Alguém escreve algo num papel. Não está a destruir, está a plantar uma semente. Então, não tem que se preocupar com inspiração, ou qualquer coisa no género. É apenas uma questão de se sentar e de pôr-se a trabalhar. Eu nunca tive problemas por escrever, apenas, um parágrafo. Fala-se muito nisso. Pela minha parte, havia dias em que me sentia relutante em escrever, ou às vezes durante semanas inteiras, outras até mais tempo. Então, preferiria muito mais pescar, por exemplo, ou pôr-me a afiar lápis, ou ia nadar, ou… Por que não? Mas, depois, voltando à leitura do que havia produzido, era incapaz de distinguir entre o que me ocorreu facilmente e o que elaborei, sentando-me e decidindo: “Bem, chegou a hora de escrever, e é isso que agora vou fazer”. Não havia diferença entre uma coisa e outra que registei no papel». IMAG.111-462

¸11FEV1926-2010 - Leslie William Nielsen, aliás Leslie Nielsen: Actor canadense - «A violência nas comédias ao estilo vaudeville corresponde a uma técnica muito própria; assumimo-la, estamos a fazer algo específico… Isto é, fazemos o público rir».IMAG.333

¨12FEV1856-1931 - Henrique Lopes de Mendonça: Ficcionista, poeta, dramaturgo e cronista português - «Mulher que anda no paço há de ter embaraço. / Se o crédulo marido ignorava este adágio, / Que se queixe de si, quando vir o naufrágio / Que lhe escangalha o lar.» (A Morta - 1890). IMAG. 87-258-336

¨13FEV1906-1994 - Agostinho da Silva: Filósofo, ensaísta e pedagogo português - «Quem pretende servir os homens tem aí a melhor dádiva a fazer-lhes: a de se manter sem desvio nas épocas piores, quando todos os outros recorreram ao subterfúgio e a todos cegou a mesma escuridão de um mal presente» (Considerações - excerto). IMAG.20-71-144-158-461

1910-14FEV1996 - Fernando Carvalho Trindade Bento, aliás Fernando Bento: Ilustrador, figurinista, pintor, autor de banda desenhada - transpôs As Mil e Uma Noites de Adolfo Simões Muller, e colaborou no Cavaleiro Andante a partir de 1952.IMAG.257-299-307-328-367-533                

VISTORiA     

O Povo Culto
¨Os povos serão cultos na medida em que entre eles crescer o número dos que se negam a aceitar qualquer benefício dos que podem; dos que se mantêm sempre vigilantes em defesa dos oprimidos não porque tenham este ou aquele credo político, mas por isso mesmo, porque são oprimidos e neles se quebram as leis da Humanidade e da razão; dos que se levantam, sinceros e corajosos, ante as ordens injustas, não também porque saem de um dos campos em luta, mas por serem injustas; dos que acima de tudo defendem o direito de pensar e de ser digno.
Agostinho da Silva
- Diário de Alcestes (excerto)

TRAJECTÓRiA

Fernando Bento, As Aventuras de Uma Vida
Chamava-se Fernando Bento e foi um dos mais notáveis autores portugueses de banda desenhada, no tempo em que esta ainda era (apenas) histórias aos quadradinhos. Em Fevereiro último fez dez anos que nos foi servido um dos últimos tesouros coloridos por Fernando Bento. Foi nas páginas da revista Selecções BD (II série) e era uma vinheta do seu (inacabado) Regresso à Ilha do Tesouro, uma sequela do clássico de Stevenson, que o mestre português dos quadradinhos adaptou com argumento de Jorge Magalhães. Nele, o jovem Jim Hawkins, enquanto desce por uma amarra de um barco encalhado, afirma: «A aventura correu melhor do que eu esperava!» O mesmo se pode dizer, sem dúvida, da vida e obra de Fernando Carvalho Trindade Bento, nascido em Lisboa a 26 de Outubro de 1910.
Com os seus heróis fez A Volta ao Mundo em 80 Dias, levando muitos leitores ao longo de várias gerações a dar consigo A Volta a Portugal em Bicicleta, conhecer Histórias da Nossa História, partilhar uma Viagem ao Centro da Terra, percorrer Vinte Mil Léguas Submarinas, subir A Montanha do Fim do Mundo ou avançar pelo espaço Da Terra à Lua, em companhia de Um Herói de 15 Anos, 34 Macacos e Eu, Beau Geste, Matias Sandorf ou Quintino Durward, até à Ilha do Tesoiro, tudo em Mil e Uma Noites maravilhosas e mágicas.
Vividas, sentidas, sofridas em constantes sobressaltos, sem sair de casa, descobertas nas fantásticas, vibrantes e envolventes páginas aos quadradinhos que delineou com um traço elegante, único e personalizado, vivo, ágil e dinâmico, se bem que fosse (ou porque era) autodidacta, apenas com um curso de desenho por correspondência, obtido na escola parisiense ABC.
Na sua formação «prática», no entanto, encontram-se também longos períodos nos movimentados bastidores teatrais do Coliseu dos Recreios, local de trabalho do pai, onde, quem sabe, foi beber o sentido dos diálogos, a noção de movimento, a agilidade na composição das pranchas, a técnica de picado e contrapicado, o ritmo narrativo, a legibilidade e a eficácia da narrativa sequencial que viriam a distingui-lo como um caso único na nona arte nacional.
No entanto, nada parecia dirigi-lo para a BD, pois foi no mundo do teatro, na concepção de figurinos e cenários (muito elogiados) para A Última Maravilha e O Fim do Mundo que se fez notado, tinha apenas 25 anos. E só três anos depois surgiriam os primeiros quadradinhos, na secção infantil do jornal República.
Estava longe de saber, certamente, mas muitas seriam as revistas que se lhe seguiriam - Pim-Pam-Pum!, Diabrete, Cavaleiro Andante, foram as mais significativas - onde, a par da BD, espraiou também a sua arte por capas, ilustrações, caricaturas e desenhos humorísticos, como maquetista e director gráfico… Tudo feito em serões e tempos livres pois, «profissionalmente», foi sempre funcionário de escritório da BP.
A sua bibliografia - em que muitas vezes teve ao lado argumentistas como Helena Neves, Maria Amélia Bárcia ou Adolfo Simões Müller - é feita especialmente da adaptação de episódios da história pátria e de clássicos infantis, da literatura ou de aventuras (especialmente Júlio Verne, mas também Robert Louis Stevenson, Herman Melville, Enid Blyton…), que soube recriar como poucos, em verdadeiras versões em quadradinhos, que patenteavam o espírito e todas as qualidades dos originais no novo suporte e que faziam igualmente sonhar. Foram cerca de três décadas de redobrado labor, até aos anos 1970, vividos mais longe das páginas desenhadas, às quais só regressaria de forma pontual.
Até ao tal Regresso à Ilha do Tesoiro, corria a década de 1990 e tinha Fernando Bento ultrapassado já a barreira dos 80 anos, em que (re)encontrou energia e mestria para, num traço com todas as qualidades que lhe eram conhecidas mas renovado na forma, de uma surpreendente modernidade, voltar a fazer vibrar todos os que leram as novas pranchas de reencontro com Jim Hawkins, Ben Gunn ou o pirata Long John Silver!
A morte - invejosa da sua arte? - levá-lo-ia a 14 de Fevereiro de 1996, pondo um ponto final nas suas aventuras, impedindo-o de terminar esta obra e de ver impressos os seus últimos desenhos.
F. Cleto e Pina
- 30OUT2010 - NS - Diário de Notícias / Jornal de Notícias

PARLATÓRiO

¨Em minha opinião, a ficção científica é inspiradora, e aponta em direcções muito interessantes. Isto é, orienta-nos para dimensões eventuais. Graças à nossa imaginação, podemos tentar outras oportunidades, tomar opções distintas. Por tendência, ficamos presos a escolhas limitadas. Pensamos: «Bom, a única possibilidade é...» ou «Se, pelo menos...» Algo que se siga a tais suposições elimina, de imediato, quaisquer alternativas. Torna tão básica a nossa perspectiva, que não conseguimos ver para além do que sucede à nossa volta. O ser humano tem tendência a não olhar para mais longe. Actualmente, porém, sentimo-nos impelidos a ampliar o nosso raio de visão, a reparar em tudo o que infligimos ao mundo que nos rodeia. Então, em meu entender, a ficção científica pode tornar-se significativa, e relevante. Não me parece que, apenas, escrever um livro como Admirável Mundo Novo, ou como 1984, evite que as coisas ali tratadas acabem por ocorrer. Mas considero que esses testemunhos, especulativos, tornam menos provável que assim aconteça. Em suma, ganhamos consciência de que, porventura, se está a correr o risco de que possam tornar-se realidade.
Frank Herbert

quarta-feira, março 25, 2015

O Infante Portugal e As Tramóias Capitais

2015 marcará o 10º aniversário do nascimento d’O Infante Portugal. Inicialmente criado para protagonista do conto “Com Penas de Anjo e a Expiação do Demo,” incluído no livro Os SobreNaturais (2005), sequela d’Os EntreTantos (Editorial Notícias; 2003), também por José de Matos-Cruz, este universo criativo de nuances mágicas e super-heróicas foi posteriormente desenvolvido em seriado em website próprio, recuperando o formato dos folhetins do século passado, e contou nas capas dos capítulos desta Primeira Jornada com a participação gráfica de vários dos mais renomados ilustradores portugueses de banda desenhada.

A obra foi depois compilada em livro pelo selo editorial do próprio autor, Kafre (2007), e mais tarde, em simultâneo a uma Segunda Jornada, foi reeditado pela Apenas Livros (2010), que assumiu a publicação da trilogia.

“Lisboa é uma cidade imaginária, intemporal, onde se entrecruzam ou entrechocam  alfacinhas solitários, vadios e boémios, cidadãos ilustres, super-heróis fantásticos,  jornalistas e filósofos, mulheres prodigiosas, infandos malfeitores,  necrófagos e estapafúrdios, intelectuais sórdidos, amorais e puritanos, políticos ubíquos,virgens fatais, náufragos e forasteiros, angélicos facínoras, autóctones estrangeirados, emigrados neurasténicos, arrivistas e refractários, insubmissos conformados, aberrações umbilicais e outras virtuais aparições, em fantasmagorias e abominações, em artimanhas e manigâncias, em dissídios e adversidades, em compromissos e rupturas, em perigos e desafios, em sensos comuns e sentidos proibidos, em memórias efémeras e leviandades consagradas, amalgamando-se entre ruínas e vielas, rotinas e vivências, equívocos e assombros, pactos e traições, euforias e nostalgias, artimanhas e maquinações, tudo num turbilhão precário ou numa monotonia secular.

Sol e lua… E, certa manhã, nos arredores da capital, quando o Infante Portugal porfiava em mais um descanso do guerreiro, sob a identidade pública de Rui Ruivo, um impoluto causídico, após mais uma banal incursão nocturna, entre insónias e convulsões, entre horrores e irrisões, eis que tudo recomeça… Ao receber um telefonema provocador de Vulcão,  o seu mais infame e funesto antagonista.”


O Infante Portugal e As Tramóias Capitais
Kafre | 1ª Edição: 2007
Edição online: 2005-2007
Autor: José de Matos-Cruz
Ilustradores: Isabel Aboim, Filipe Abranches, Renato Abreu, Luís Diferr,
José Carlos Fernandes, José Garcês, António Jorge Gonçalves, Luís Louro,
Zé Manel, Pedro Massano, José Ruy, Eugénio Silva e Augusto Trigo.
Capa Brochada, 84 páginas | Prosa ilustrada
[Esgotado]

Imagem de capa por Pedro Massano e brasão por José Garcês.

terça-feira, março 24, 2015

IMAGINÁRiO #549

José de Matos-Cruz | 01 Fevereiro 2016 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004


PRONTUÁRiO

VERTENTES
Revelado em Portugal com Crónicas Incongruentes (1986) e Quotidiano Delirante (1987), Miguelanxo Prado logo atraiu os leitores, sensibilizados por uma visão crítica, irónica ou onírica. A sofisticada narrativa, o grafismo estilizado deste artista galego (nascido na Corunha, em 1958), adquiriram outras virtualidades com O Manancial da Noite (1991), de colaboração com Fernando Luna; reafirmando-se pessoalmente em Quotidiano Delirante - Tomo 2 (1990), sobre os rituais urbanos, rurais e periféricos; O Traço de Giz (1993), uma surpreendente obra-prima insular; Tangências (1995), através do elã homem/mulher; Pedro e o Lobo (1995), sobre um conto de Serguei Prokofiev; até Carta de Lisboa (1995), em transfiguração estética da nossa capital. Distinguido com o Troféu de Honra no Amadora Bd ’94, Prado regressou até nós com Fragmentos da Enciclopédia Délfica (1985), a sua surpreendente e recuperada obra de estreia; ou A Mansão dos Pimpão (2005), que recebeu os Prémios ao Melhor Argumento e ao Melhor Álbum Estrangeiro no Salão do Comic de Barcelona… Sarcástico, mas aliciante argumentista; caricatural, mas expressivo ilustrador, Prado explora lances de aparente rotina, sobre o indivíduo e a sociedade, além do tempo, transfigurando-os esteticamente, em flagrantes de perturbante actualidade. LIMAG.117-241-263


CALENDÁRiO         

¸11DEZ2014 - NOS Audiovisuais estreia Uma Noite Na Praia (2013) de São José Correia; com Lucinda Loureiro e Victor Norte.

®1941-22DEZ2014 - António Montez: Actor português de teatro, televisão e cinema - «…Um grande profissional, […] um homem que me ensinou muito. Ensinou-me literalmente a falar e deixou que eu partilhasse momentos que recordo como pertencendo à categoria dos melhores da minha vida» (Heitor Lourenço). LIMAG.10

¯1944-22DEZ2014 - John Robert Cocker, aliás Joe Cocker: Cantor britânico, intérprete de You Are So Beautiful (1975) e You Can Leave Your Hat On (1986) - «Era uma pessoa incrível e adorável, que deu tanto ao mundo que vamos todos sentir muito a sua falta» (Paul McCartney).
                   
¢03-16JAN2014 - Em Lisboa, Eka Palace apresenta Psicobullets and Pills - exposição de pintura de Sara Franco. LIMAG.168-248-416-430

¢30JAN-03MAI2915 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe Forma Aberta de Oskar Hansen.

¢12FEV-31MAI2015 - No Centro de Arte Moderna/CAM, em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian expõe Isto É Uma Ponte de Bernard Frize.

¢12FEV-31MAI2015 - No Centro de Arte Moderna/CAM, em Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian expõe Antes e Depois de Miguel Ângelo Rocha.

¢20FEV-31MAI2015 - No Porto, Museu de Arte Contemporânea de Serralves expõe Architectonisation de Monica Sosnowska.
   
MEMÓRiA

¯04FEV1906-1945 - Dietrich Bonhoeffer: Poeta e teólogo alemão - «Se embarcas no comboio errado, não adianta seguires pelo corredor na direcção oposta». LIMAG.510

E1807-05FEV1876 - William J. Bailey: Físico britânico, radicado na América - «Quem nunca duvidou, nunca acreditou. Onde está a dúvida, está também a verdade - pois uma é a sombra da outra».

¨1470-03FEV1536 - Garcia de Resende: Cronista, poeta, médico, arquitecto, autor de Miscelânea e Variedade de Histórias (ed. 1554) - «Muitos emperadores, reis e pessoas de memória, polos rimances e trovas sabemos suas estórias e nas cortes dos grandes Príncepes é mui necessária na gentileza, amores, justas e momos e também para os que maus trajos e envenções fazem, per trovas sam castigados e lhe dam suas emendas» (Prólogo ao Cancioneiro Geral - 1516 - excerto). LIMAG.92-296


VISTORiA
     
Da Caça
¨Ó que caça tam real
que se caça em Portugal!

Rica caça, mui real,
que nunca deve morrer,
pera folguar de lhe correr
toda jente natural.

Linda caça, mui sobida,
se descobre em nossa vida,
a qual nunqua foi sabida,
nem seu preço quanto val.

O da gram mata Lixboa,
onde toda caça voa!
Arabia, Persia e Goa,
tudo cabe em seu curral.

Calequd e Cananor,
Melláqua, Tauriz menor,
Adem, Jafo jnterior,
todos veem per huú portal.

Talhamar da grã riqueza,
Damasquo com fortaleza,
Troia, Cairo, cõ sa grãdeza,
nom domarom nunqua tal.

Ho mui sabio Salamom,
que fez o grande montom,
teve [sa] parte e quinhom,
mas nom todo ho cabedal.

Ouro, aljofar, pedraria,
gomas e especearia,
toda outra drogaria
se recolhe em Portugal.
?Garcia de Resende
- Da Caça Que Se Caça Em Portugal (excerto)

A Insurreição dos Peles-Vermelhas
¨Davy Crockett deslizou sorrateiramente do selim e, sem ruído, avançou por entre as moitas, até encontrar um enorme carvalho, perto da margem do rio Tallapoosa. Ficou tão quieto, colado à árvore, que parecia fazer parte do tronco. Dali podia, com os seus olhos penetrantes, vigiar o rio em ambas as direcções.
Não se avistava qualquer ser vivo; no entanto, as marcas frescas de mocassins, na terra mole da margem, mostraram a Crockett o que ele queria saber. Furtivamente, rastejou de novo por entre as moitas.
Em voz baixa, dirigiu-se aos homens que o aguardavam no lugar onde deixara o cavalo.
– Os Creek passaram por aqui – disse – e dirigiram-se para sul, ainda não há muito tempo. O que pensa fazer, major?
O major Russell observou o céu.
– O melhor é voltarmos para o acampamento, antes que a escuridão nos impeça de vermos o caminho – replicou. – Vamos!

?Enid Lamonte Meadowcroft
- Davy Crockett (excerto) - Tradução de Ana Ribeiro

INVENTÁRiO

PEDRO SÓ
¸Em 1971, Alfredo Tropa realizou Pedro Só, com produção do Centro Português de Cinema/CPC e da Média Filmes. Em causa, Pedro, Romance de Um Vagabundo de Manuel Mendes - que feleceu sem conhecer a adaptação final por Tropa, numa sua primeira longa metragem, aliado aos jornalistas Afonso Praça - também intérprete; e Fernando Assis Pacheco - que lhe revelara a obra. Eis a errância de um camponês de aldeia montanhosa do interior - que, após uma rixa entre famílias, se põe em fuga… Segundo Tropa, «Pedro não é analfabeto, mas sim o chamado vagabundo consciente, revoltado contra os preconceitos, um homem rebelde e livre». António Montez foi o protagonista, com Jorge Ramalho no companheiro e Ermelinda Duarte como prostituta; intervêm ainda actores do teatro universitário, e o povo de Trás-os-Montes. Com orçamento estimado em mil contos, sob direcção de João Matos Silva, a rodagem decorreu na região de Mirandela - em Múrias e Valbom dos Figos. Elso Roque assinou a fotografia, com interiores decorados por António Casimiro. Numa linha ficcional de implicações dramáticas e sociais, ressalta um testemunho sobre os rituais quotidianos, as fainas e as comunidades, através do tempo e das paisagens. Elemento aliciante é a música tradicional, executada pela Banda de Nogueira; e de Manuel Jorge Veloso, com poemas de Assis Pacheco para a voz de Manuel Freire. Pedro Só estreou no Apolo 70, em Junho de 1971; exibido no Festival de Valladolid em 1972, recebeu uma Menção Especial do Júri.
      
ANTIQUÁRiO

X06FEV1336 - No Convento de São Francisco, em Évora, celebram-se os desposórios do Infante D. Pedro, futuro D. Pedro I, filho de El-Rei D. Afonso IV e de D. Beatriz de Castela, com a Infanta D. Constança Manuel, filha de D. João Manuel de Castela. LIMAG.38-189-324-509

ANUÁRiO

¨ 1898-1966 - Enid Lamonte Meadowcroft: Escritora americana - «Depois de verificares que a razão te assiste, segue para diante… Por isso, bater-me-ei pelo que considero justo, custe o que custar!» (Davy Crockett).

BREVIÁRiO

¨Edições 70 lança O Império da Visão - Fotografia No Contexto Colonial Português (1860-1960); organização de Filipa Lowndes Vicente.

¨Esfera dos Livros edita História da Expansão e do Império Português de João Paulo Oliveira e Costa, José Damião Rodrigues e Pedro Aires Oliveira.
        
EXTRAORDINÁRiO

OS SOBRENATURAIS - Folhetim Aperiódico

ENTRE AS TERRAS DO SOL E O REINO DAS TREVAS - 12
Portanto, Hélio Alvorada tinha duas opções. Ou entrava no recém Túnel d’El-Rei – que ligava ao Pinheiro e, antes de ali chegar, desapareceria no âmago das trevas. Ou seguiria até à nova Ponte de D. Pia Maria, e lá havia de se soltar – qual precipício, para o vazio inanimado.

– Continua   

sexta-feira, março 20, 2015

Edições Kafre

Kafre é o selo editorial de José de Matos-Cruz, através do qual o editor/autor publicou a nível independente várias obras de prosa e poesia, tais como Tempo Possível e outras Fábulas (1967), Não Vai a Parte Alguma/Não Vem de Nenhum Lugar (1968 e 1997), Cafre (1970), Livro dos Temas (1970 e 1997), Alma de Cadáver (1985), A Erosão dos Lábios (1992), Cama, Leão! (1997), Folhetos Kafre (série de treze folhetins; 1998), Cardo as Charlot em Portugal – 1916 (1998), Artur Costa de Macedo, um olhar à câmara (1998), Aurélio da Paz dos Reis: Das flores aos Fotogramas (1998), Histórias & Testemunhos 1908-1922 (1998), Estórias Invisíveis (1999), Hexálogo – Os Livros da Luz (2000), Os Palcos Giratórios – 7 Peças de Teatro em 1 Acto (1966-70) (2004), Ano Teatral: 1885 (2006 e 2007), Ano Teatral: 1897 (2008), e a edição original d'O Infante Portugal e As Tramóias Capitais (2007).

O logótipo da chancela é baseado num linóleo da autoria de Cação Biscaia. 

quinta-feira, março 19, 2015

Exposição: Vasco Granja e o Cinema de Animação (C.C.C.)

Organizada a partir do espólio de Vasco Granja (1925-2009) sobre cinema de animação, com referências inevitáveis à banda desenhada, a mostra Vasco Granja e o Cinema deAnimação, patente na galeria do pátio interno da Fundação D. Luís I – Centro Cultural de Cascais, propõe uma visão de cariz pessoal, aliando um testemunho contextualizado pelas suas vivências e memórias, patentes ou alusivas aos documentos e materiais da posse dos seus herdeiros.
A exposição manifesta-se portanto, não apenas no cunho artístico ou lúdico, mas sobretudo nos sinais e emoções de quem privou intimamente com Vasco Granja, e usufruiu das suas paixões e experiências significativas. As quais sagraram uma intervenção ampla e pioneira na divulgação em Portugal dos quadradinhos e da animação, com uma autêntica motivação e sensibilidade que lhe eram características. O estilo peculiar de Vasco Granja, o seu entusiasmo e generosidade, pairam por este universo fascinante e diverso, em que o pleno privilégio do imaginário corresponde, afinal, à própria evolução que – através das suas diversas tendências e expectativas, concretizações e manifestações, por todo o mundo – marcou um vasto e decisivo panorama cultural e de entretenimento, a partir de meados do Século XX.





A mostra estará patente entre 7 Março e 19 Abril (2015); de terça-feira a domingo, entre 10h-18h.
Preço ao público – 3,00€ (1,50€ a residentes).