sexta-feira, outubro 10, 2014

IMAGINÁRiO #526


José de Matos-Cruz | 08 Agosto 2015 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

EXPANSÕES
Através do imaginário em banda desenhada - domínio privilegiado e prodigioso, para explorar todas as sagas, para exaltar todas as fantasias - o talento dos criadores revela, ainda, outras virtualidades, distintas implicações, para além do sortilégio realista. Pela série O Vagabundo dos Limbos / Le Vagabond des Limbes (1975), Christian Godard (argumento) & Julio Ribera (grafismo) desvendam um universo onírico, erótico, em espiral orgânica e orgástica, poética e tecnológica - de reflexos / aparências sobre o desejo, a perversão, a inocência, o humor, a fatalidade, como alegoria aos símbolos alquímicos, aos desígnios do poder, estilhaçando os limites do tempo e do espaço. «Tudo se passa como se estivéssemos irremediavelmente condenados a errar eternamente num pesadelo incoerente. O sentido aparecerá mais tarde e, se for preciso, poderemos inventar um que agrade…» Eis um épico exposto aos desafios físicos, místicos e do fantástico, onde convergem os estigmas da visão com os estímulos da evasão.


VISTORiA

Litania Nos Cem Anos de Shostakovich
Para M.R. e B.R.
¨O torso de beleza afastando-se
Como se afasta um afogado
Das margens da praia
Também recuada para trás
De onde o Mediterrâneo
Vinha beijar os pés das sílfides,
Debaixo do sol silencioso.

Abandonados pelas crianças,
Os brinquedos da marina
Zunem de calor no metal
Aquecido como as águas.

O planeta está mais quente
E mais enlouquecido
Entre os pios nublados
Do pássaro escondido
Em árvores molhadas
Da chuva ácida que se filtra
De um céu de tempestade.

Aviões caíram nesta manhã,
Levando passageiros
Para o fundo de uma laguna
E o nenhum lugar da selva
Remota que irá retomar
Seu espaço sobre azulejos
Encardidos e embalagens
Não-degradáveis
Num mundo que prefere o desastre.

Tudo o prenuncia, de certa forma,
E nada está perdoado
Nem foi esquecido
Com todas as coisas que já foram
E com aquelas que ainda serão
Ou que apenas dormem na tarde
À espera dos anos sem emoção.

Os humanos repousam
No sono da sombra de toldos
Estalando na Veneza insalubre
Deste lado do Atlântico
De exímios nadadores
Que não viram as crianças
Se afogando.

Sim, eu prefiro estar
Por apanhar um resfriado
Antes da peste
No limite da cerca-viva
De mato e detritos do lixo
Avançando até o antigo gradil
De gladíolos brancos.

É minha a opção de não manter
A saúde, fumar e perder esperança
Na vigilância sem objeto,
Exposto ao vento da tarde,
Ao siroco da mente
Igualmente desistindo
Das perguntas a ninguém
Muito depois de Pã
Anunciado como morto
Antes da morte dos mares.

Então, não importa molhar
Os sapatos da espuma de solfejos
Rumorejando as queixas do Adriático
Como outrora o mar dos gregos
Deixava leve gosto de salgado
Entre os artelhos limpos
De náiades banhando-se
Nos oceanos mitológicos
Que hoje são de plástico
Cor de chumbo.
Fernando Monteiro

MEMÓRiA
 
¸ 1906-08AGO1985 - Louise Brooks: Bailarina e actriz do cinema americano - «A grande arte do cinema não consiste no movimento descritivo do rosto e do corpo, mas nos movimentos de pensamento e de alma transmitidos numa espécie de isolamento intenso». IMAG.40-118

¯1906-09AGO1975 - Dmitri Dmitrievich Shostakovich: Compositor russo - «O maior compositor do Século XX» (William Walton), cuja música é «visionária de poder e originalidade, para uns, ou, segundo outros, derivativa, estranha, vazia e repetitiva» (Gerard McBurney). IMAG.100-266-408-499

¨ 12AGO1925-2011 - Thor Vilhjálmsson: Escritor islandês, nascido na Escócia - «Quem diz que o poeta tem de compreender todos? Ou tudo? Crês que um poeta tem de ser pastor de almas? Não, o poeta é o criador. É aos outros que cabe compreender» (Arde o Musgo Cinzento). IMAG.451

¨ 13AGO1875-1941 - Carlos Malheiro Dias: Ficcionista, historiador, cronista e jornalista português - «A arte não consiste em desfigurar a verdade em artifício, mas em emprestar ao artifício a fisionomia simples da verdade».

¨ 1901-13AGO1975 - Murilo Monteiro Mendes, aliás Murilo Mendes: Poeta brasileiro - «Nunca mais andarei de bicicleta / Nem conversarei no portão / Com meninas de cabelos cacheados / Adeus valsa Danúbio Azul / Adeus tardes preguiçosas / Adeus cheiros do mundo sambas / Adeus puro amor» (O Filho do Século - excerto). IMAG.333-448

¨15AGO1785-1859 - Thomas De Quincey: Escritor e intelectual inglês, autor de Confissões de Um Opiómano Inglês (1821) - «O simples entendimento, por muito útil e indispensável que possa ser, é a faculdade mais maligna no ser humano, aquela em que se deve confiar menos. E, no entanto, a grande maioria das pessoas não depende de nenhuma outra - o que pode servir na vida vulgar, mas não para os propósitos filosóficos» (Knocking At The Gate In Macbeth - 1823). IMAG.387
  
ANTIQUÁRiO

ü09AGO1505 - Seis anos após o descobrimento da Índia, acham-se na Serra de Sintra, junto ao mar, três colunas de pedra quadradas com letreiros romanos, quase indecifráveis, um dos quais dizia: «Revolver-se-ão as letras direitas e ornadas quando tu, Oriente, vires as riquezas do Ocidente. O Ganges, Indo e Tejo (coisa maravilhosa!), trocarão entre si suas mercadorias». Afirma o insigne matemático Pedro Apiano que ele próprio vira e lera o sobredito letreiro, que mais tarde veio a gozar em Itália de grande celebridade. 09AGO1865 - Diário de Notícias
           
PARLATÓRiO

¨O estadista das democracias é sempre o escravo das multidões. Pode não fazer o que elas reclamam. Mas tem que dizer-lhes sempre o que elas querem.
Hipocrisia! Estratégia da grande guerra da vida, é ela quem move as acções de todos os seres.
Malheiro Dias
        







VISTORiA

Pré-História
¨Mamãe vestida de rendas
Tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém!
Caiu no álbum de retratos.
Murilo Mendes
      
CALENDÁRiO

¨20JUL1924-13JUL2014 - Thomas Louis Berger, aliás Thomas Berger: Ficcionista americano, autor de Little Big Man (1964) - «Nunca encarei o que faço de um ponto de vista divertido. A minha forma de escrever corresponde ao modo como olho para as coisas».

1942-18JUL2014 - José João Amaral Estrompa, aliás Estrompa: Ilustrador português, cartoonista e autor de banda desenhada - «Um dos seus personagens carismáticos é o detective de paródia, Tornado, numa Nova Iorque que mais parece o Bairro Alto ou o Cais do Sodré que o Bronx…» (Leonardo De Sá e António Dias de Deus - Dicionário dos Autores de Banda Desenhada e Cartoon Em Portugal - 1999).

¢31JUL-19OUT2014 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Os Seres Imaginários (fotografia) de Gonzalo Bénard, e Da Idade do Ferro (escultura e desenho) de Daniel Gamelas.
             
BREVÁRiO

¨Relógio D’Água edita Ulisses de James Joyce (1882-1941); tradução de Jorge Vaz de Carvalho. IMAG.136-306-357-404-431

¯Sony edita em CD, sob chancela RCA, Giuseppe Verdi (1813-1901): Rigoletto por Leonard Warren e Erna Berger, com Robert Shaw Chorale e RCA Victor Orchestra, sob a direcção de Renato Cellini. IMAG.72-89-156-188-203-308-314-318-328-420-438-440-464-483-496-497-500-522

¨Assírio & Alvim edita Poemas de Federico Garcia Lorca (1898-1936); selecção e tradução de Eugénio de Andrade. IMAG.38-108-173-404

¯UMC edita em CD, TuckBox de Nick Drake (1948-1974). IMAG.208-492

¨Alfaguara edita Histórias de Loucura Normal de Charles Bukowski (1920-1994); tradução de Vasco Gato. IMAG.287-350-457

¯Sony edita em CD, Puro por Xutos & Pontapés. IMAG.76-138 

sexta-feira, outubro 03, 2014

IMAGINÁRiO #525

José de Matos-Cruz | 01 Agosto 2015 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

RECRIAÇÕES

Exploradas ao longo de décadas, as façanhas do tenente Mike Steve - aliás Blueberry -, enquadradas por Forte Navajo, atingiram um ponto culminante por 1969, quando na Europa se registava um fenómeno apócrifo de recriação do western, com bizarro e prolífico culto em distintos meios - do cinema ao romance popular, passando pela banda desenhada. Quanto ao universo gráfico, o excepcional talento de Jean-Michel Charlier & Jean Giraud/Gir - aliás, Moebius - revirtualizar-se-ia em segunda fase, ou evocando A Juventude de Blueberry, continuada por François Corteggiani & Colin Wilson; além de Marshall Blueberry, por Gir & William Vance. Aliando a densidade e o empolgamento de acção, eivada com drama ou humor, a saga de Blueberry evolui - no sortilégio de leitura, sobre múltiplas recorrências, míticas e carismáticas - pelos transes, os contrastes românticos, a trágica sobrevivência, a bravura ou abominação de personagens… IMAG.12-127-400



MEMÓRiA

¯02AGO1935-2010 - Hank Cochran: Compositor de música country - «Alguém ao meu lado deve escrever as minhas canções, pois a maior parte das vezes não tenho a menor ideia de onde me vem a inspiração». IMAG.317

¨1860-02AGO1935 - Bento de Sousa Carqueja, aliás Bento Carqueja: Escritor e jornalista português, autor de O Povo Português (1916) - «Acção notabilíssima, evidenciando sempre a superioridade do seu sentimento nacional e o vigor de admiráveis qualidades na defesa de causas» (Diário de Notícias - 06NOV1960).

¸ 1918-03AGO1995 - Ida Lupino: Actriz e cineasta inglesa, radicada nos EUA - «Gostaria muito de ver mais mulheres, no mundo do cinema, a trabalharem como realizadoras e produtoras. Hoje, é quase impossível consegui-lo, se não formos uma artista ou uma escritora com poder... Eu não hesitaria, um minuto sequer, em contratar uma mulher que fosse a pessoa competente para uma certa incumbência». IMAG.165-318

O04AGO1755-1812 - Rodrigo de Sousa Coutinho: Político, 1º Conde de Linhares, promotor do Jardim Botânico da Ajuda - No Brasil, voltou a «dar provas de sua atividade meio desordenada e de sua fé um tanto utópica no progresso, a chocar-se com a falta de preparo, a rotina, a inveja dos rivais ou as tergiversações do príncipe reinante» (Otávio Tarquínio de Sousa - História dos Fundadores do Império do Brasil). IMAG.356

¨1820-05AGO1895 - Friedrich Engels: Filósofo alemão, autor de Origem da Família, da Propriedade e do Estado - «A produção económica e a organização social que dela necessariamente resulta para cada época da história constituem a base da história política e intelectual dessa época». IMAG.299-410

¸1909-05AGO1955 - Cármen Miranda: Cantora, bailarina e actriz brasileira, nascida em Portugal - «O que é ser feliz? Para mim, é aquele momento do orgasmo sexual, em que a gente pensa que vai morrer, mas numa boa. Outros momentos: quando entro em um palco e sou aplaudida de pé por pessoas que nem conheço - o som divino daquelas palmas com tanto entusiasmo». IMAG.45-141-232-310-339http://www.rosangelaliberti.recantodasletras.com.br/blog.php?idb=10973

¨06AGO1715-1747 - Luc de Clapiers, Marquês de Vauvenargues: Ensaísta e moralista francês - «A natureza concedeu aos grandes homens a capacidade de fazer, e aos outros a faculdade de julgar… As coisas que sabemos melhor, são aquelas que não nos ensinaram».

µ06AGO1925-2011 - Gérard Castello Lopes: Crítico e distribuidor de cinema, fotógrafo discípulo de Henri Cartier-Bresson - «Não é de admirar que o tenha escolhido como Mestre e, na medida das minhas possibilidades, tenha tentado seguir o mesmo caminho que ele, entre todos, desbravou. Essa decisão não define nada mais do que uma influência; um caminho que eu desejava calcorrear, à minha maneira… Mas essa influência nunca atingiu uma qualquer forma de identificação… Só posso dizer que, desde sempre, toda a gente influenciou toda a gente, e como dizia um amigo antigo é a imitar os homens que se aprende a ser homem» (2005). IMAG.342-375

VISTORiA

¨Até agora, os homens formaram sempre ideias falsas sobre eles próprios, sobre aquilo que são ou deveriam ser. Organizaram as suas relações mútuas em função das representações de Deus, do homem normal, et cætera, que aceitavam. Estes produtos do seu cérebro acabaram por os dominar; apesar de criadores, inclinaram-se perante as suas próprias criações. Libertemo-los portanto das quimeras, das ideias, dos dogmas, dos seres imaginários cujo jugo os faz degenerar. Revoltemo-nos contra o império dessas ideias. Ensinemos os homens a substituir essas ilusões por pensamentos que correspondam à essência do homem, afirma um; a ter perante elas uma atitude crítica, afirma outro; a tirá-las da cabeça, diz um terceiro, e a realidade existente desaparecerá.
Estes sonhos inocentes e pueris formam o núcleo da filosofia actual dos Jovens Hegelianos; e, na Alemanha, são não só acolhidos pelo público com um misto de respeito e pavor, como ainda apresentados pelos próprios heróis filosóficos com a solene convicção de que tais ideias, de uma virulência criminosa, constituem para o mundo um perigo revolucionário. O primeiro volume desta obra propõe-se desmascarar estas ovelhas que se julgam lobos e que são tomadas como lobos, mostrando que os seus balidos apenas repetem, numa linguagem filosófica, as representações dos burgueses alemães, e que as suas fanfarronadas se limitam a reflectir a pobreza lastimosa da realidade alemã; propõe-se ridicularizar e desacreditar esse combate filosófico contra as sombras da realidade que tanto agrada à sonolência sonhadora do povo alemão.
Em tempos, houve quem pensasse que os homens se afogavam apenas por acreditarem na ideia da gravidade. Se tirassem esta ideia da cabeça, declarando por exemplo que não era mais do que uma representação religiosa, supersticiosa, ficariam imediatamente livres de qualquer perigo de afogamento. Durante toda a sua vida, o homem que assim pensou, viu-se obrigado a lutar contra todas as estatísticas que demonstram repetidamente as consequências perniciosas de uma tal ilusão. Este homem constituía um exemplo vivo dos actuais filósofos revolucionários alemães.
Karl Marx e Friedrich Engels
- A Ideologia Alemã
(Prefácio)

ANTIQUÁRiO

AGO1865 - O material que a administração da limpeza de Lisboa emprega, neste mês, é de 36 bois e 71 cavalgaduras, tendo em serviço 3 carros de 2 bois, 27 de 1 boi, 33 carroças de cavalgaduras e 15 pipas; e tendo de reserva 17 carros de 2 bois, 4 de 1 boi, 25 carroças de cavalgaduras e 45 pipas.
           
CALENDÁRiO

¸ 1930-01JUL2014 - Paul Mazursky: Dramaturgo e cineasta americano, actor, produtor, argumentista e realizador de Bob, Carol, Ted e Alice / Bob & Carol & Ted & Alice (1969) - «…Cronista atento, satírico e às vezes empático das mudanças de costumes, valores e mentalidades que abalaram a sociedade dos EUA no final dos anos 1960 e na década de 70, e das modas que foram então abraçadas pela classe média urbana e suburbana» (Eurico de Barros). IMAG.492



¸10JUL2014 - NOS Audiovisuais estreia Njinga - Rainha de Angola de Sérgio Graciano; com Lesliana Pereira e José Fidalgo. IMAG.407

¢1926-10JUL2014 - Nuno Belger Alves de San-Payo, aliás Nuno San-Payo: Pintor e arquitecto português, nascido no Brasil - «É um homem na sua humanidade» (Rui Mário Gonçalves).

¯1937-11JUL2014 - Charlie Haden: Contrabaixista e compositor americano - «Para os anais, enquanto líder, em colectivos de geometria mais ou menos variável marcados pelos humores do associativismo ou como instrumentista convidado, fica uma vastíssima discografia, não exclusiva ao idioma do jazz…» (João Santos). IMAG.337

¢11JUL-28SET2014 - No Centro Cultural de Cascais, Fundação D. Luís I expõe Pintura de Tomás Moreno.

¨ 1923-13JUL2014 - Nadine Gordimer: Escritora sul-africana, distinguida com o Prémio Nobel da Literatura (1991) por tornar «visíveis as condições de vida extremamente difíceis e até desumanas durante a segregação racial» - «Somos formados pelo contexto social e estamos sempre a crescer. Encaro este processo, enquanto escritores, como uma descoberta da vida à nossa volta».

¯1930-13JUL2014 - Lorin Varencove Maazel, aliás Lorin Maazel: Maestro americano, nascido em França, violinista e compositor - «Um ser à parte, cuja personalidade terá sido em boa parte construída a partir da de músicos de uma ou duas gerações anteriores que o influenciaram na primeira fase da sua vida e cuja postura ele viria, com as devidas adaptações ao seu tempo e à sua índole, a recriar» (B.M. - Diário de Notícias). IMAG.222

¨1941-18JUL2014 - João Ubaldo Ribeiro: Escritor brasileiro, autor de A Casa dos Budas Ditosos (1999), distinguido com o Prémio Camões (2008) - «…Um escritor inconfundível, com obra muito diversa e rica, tão plena de personagens fortes e construção de linguagem, ora comprazendo-se no dizer popular ora buscando os lugares inovadores que cruzam cultura, poder contestatário, notações subjectivas, um humor contagiante» (José Manuel Mendes).

COMENTÁRiO


Nadine Gordimer
¨Ela sabia que, para perceber qualquer personagem, negra ou branca, é preciso compreender o modo como a política entra na nossa vida individual.
Stephen Clingman
- The Washington Post






BREVÁRiO
¯Warner edita em CD, sob chancela Clã Ldª, Corrente dos Clã.

terça-feira, setembro 30, 2014

IMAGINÁRiO #524

José de Matos-Cruz | 24 Julho 2015 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

OUSADIAS
«Confesso que tenho ideias formadas sobre os quadradinhos, a sua importância como arte e expressão. Em minha opinião, não se trata de uma linguagem autónoma, se bem que raros criadores tenham logrado uma obra incomparável, embora nem sempre reconhecida pelo público» - assim comentou Max Cabanes, um dos mais prestigiados autores de banda desenhada, na moderna expressão franco-belga. Revelado entre nós por Cabra Cega - galardoado em 1990 com o Grande Prémio no Festival de Angoulême - Cabanes regressou com Paixões / Bouquets des Flirts (1996), a partir de um insinuante e ousado argumento de Sylvie Brasquet. A acção decorre em 1975, relatando as experiências de férias, em Inglaterra, da jovem Pascale, aluna do austero Colégio de St. Joseph. Sexo, religião, valores e preconceitos, manipulações e libertinagem, contrastam-se numa narrativa insólita, irónica, entre o discurso convencional e a ilustração sem complexos. Em causa, o retrato simbólico e crítico de uma época em que a crise de mentalidades, por tempos de rotura e transição, representaria uma vivência determinante para o mundo presente. Afinal, como remataria Cabanes, «é preciso não ficarmos presos ao passado - as coisas evoluem e, com elas, nós próprios e as nossas expectativas».
     
MEMÓRiA

¨25JUL1905-1994 - Elias Canetti: Escritor búlgaro, Prémio Nobel da Literatura em 1981 - «Os homens apenas se podem salvar entre eles próprios. É por isso que, por vezes, Deus se disfarça de homem» (A Província do Homem - 1973). IMAG.388-478

¨1619-26JUL1655 - Hector Savinien de Cyrano de Bergerac: Escritor e duelista francês - «Et puis, mourir n’est rien, c’est achever de naître ; / Un esclave hier mourut pour divertir son maître ; / Au malheur de la vie on n’est point enchaîné, / Et l’âme est dans la main du plus infortuné.» (La Mort d’Agrippine - 1654).

¨26JUL1885-1967 - Emile Salomon Wilhelm Herzog, aliás André Maurois: Romancista e ensaísta francês - «A morte não pode ser pensada, pois é ausência de pensamento. Temos de viver como se fôssemos eternos».

26JUL1875-1961 - Carl Gustav Jung: Psicoterapeuta suíço, fundador da psicologia analítica - «A alma primitiva do homem confina com a vida da alma animal, da mesma forma que as grutas dos tempos primitivos foram frequentemente habitadas por animais antes que os homens se apoderassem delas». IMAG.325

O29JUL1805-1859 - Alexis-Charles-Henri Clérel, Visconde de Tocqueville, aliás Alexis de Tocqueville: Escritor francês, historiador e pensador político - «O despotismo logra governar sem fé, mas a liberdade não o consegue. Como será possível a tal sociedade escapar da destruição, se o nexo moral não é fortalecido em proporção a quanto o nexo político é descuidado? E o que se poderá fazer com pessoas que são mestres de elas próprias ou, não o sendo, estão submissas à Divindade?». IMAG.50-152


¸29JUL1905-27SET1965 - Clara Gordon Bow, aliás Clara Bow: Actriz americana de cinema - «Ser um sex symbol é difícil de suportar, principalmente quando me sinto cansada, ferida e desorientada». IMAG.286

®30JUL1925-2010 - Ursula Vian-Kübler: Bailarina, actriz de cinema dirigida por Louis Malle, Agnès Varda e Roger Vadim, casada com Boris Vian e fundadora da Association (1963) e da Fond’action Boris Vian (1992). IMAG.286

¨1886-30JUL1965 - Junichiro Tanizaki: Escritor nipónico - «Não é que tenhamos uma reserva a priori relativamente a tudo o que cintila, mas, a um brilho superficial e gelado, preferimos sempre os reflexos profundos, um pouco velados» (Elogio da Sombra). IMAG.92
                                                         
CALENDÁRiO

¨03NOV1934-03JUL2014 - Ivan Nóbrega Junqueira, aliás Ivan Junqueira: Escritor brasileiro, poeta, ensaísta, crítico literário, membro da Academia Brasileira das Letras - «[T.S.] Eliot e [Charles] Baudelaire, tanto quanto Fernando Pessoa, me ensinaram como poucos esse milagre que consiste em fazer que o pensamento se emocione e a emoção pense». IMAG.144-497


VISTORiA
 
A palavra de Deus traz a vida. A palavra do demónio traz a morte. Mas Abraxas profere palavras santificadas e malditas, que simultaneamente são fonte de vida e de morte.
Carl Gustav Jung
- Septem Sermones ad Mortuos
(1916 - excerto)

¨Não cometeu um erro e nunca gaguejou. Orgulho do seu professor, lia cada vez mais depressa. Quando acabou e o mestre lhe tirou a cartilha, fiz-lhe uma festa na cabeça e elogiei-o, em francês, mas isso percebeu ele. Voltou para o seu lugar e fez de conta que já me não via, enquanto chegava a vez do próximo aluno, tão envergonhado como pronto a errar. O professor deixou-o ir, dando-lhe uma leve palmada, e foi buscar mais um ou dois rapazes. Durante todo este quadro o barulho ensurdecedor não abrandou nunca, e as sílabas hebraicas caíam como pingos de chuva no mar agitado da escola.
Outras crianças aproximavam-se, entretanto, e olhavam-me algumas com curiosidade, algumas com atrevimento, algumas com vergonha e algumas, até, com certa coquetterie. O professor, inabalável, corria, sem piedade, com os envergonhados e deixava só os mais atrevidos. Tudo tinha o seu significado! Ele era o pobre e triste Senhor daquela secção da escola e mal a representação acabou logo lhe desapareceram do rosto todos e quaisquer leves vestígios de orgulho.
Apresentei cordialmente os meus agradecimentos, muito embora com certa condescendência, como se eu próprio fosse uma visita importante. Tão satisfeito me sentia que, com a falta de tacto que me perseguiu por toda a Mellah, resolvi voltar no dia seguinte e dar-lhe então algum dinheiro. Ainda fiquei um bocado a ver os meninos a recitar, no seu vaivém balanceado.
Tudo aquilo me tocou, tudo aquilo amei com raro amor.
 Elias Canetti
- As Vozes de Marraquexe (1968 - excerto)

A Imortalidade
¨O que é a imortalidade?
Um sopro que nos carrega
para os confins da orfandade,

onde o espírito se nega
e de si já não recorda
após a última entrega?

Que luz é a que nos acorda
quando a morte, em dada hora,
bate à porta e chega à borda

do ser que se vai embora,
mas crê que não vai de todo,
pois do invólucro que fora

algo fica em meio ao lodo
que lhe veste o corpo morto
com a púrpura do engodo?

E o que cabe ao que foi torto
e nunca exigiu conserto?
Irá chegar a algum porto?

Será que na alma um aperto
não lhe purgou a maldade
quando do fim se viu perto?

O que é a imortalidade?
Uma insígnia, uma medalha
com que se louva a vaidade?

Ou não será a mortalha
que te poupa só a cara
escanhoada a navalha?

Será talvez a mais rara
das obras que publicaste
ou da crítica a mais cara?

Será isto, já pensaste,
a herança em que se resume
o que aos amigos deixaste?

Esquece. Sente o perfume
de algo que se fez distante:
a mão de uma criança, o gume

de seu olhar penetrante
quando viu, no ermo do cais,
que o tempo que segue adiante

é o mesmo que volta atrás
e confunde a realidade,
e a desmantela, e a refaz.

É isto a imortalidade:
esse eterno e estranho rio
que corre em ti e te invade.

E o mais é só o pavio
de um lívido círio que arde
no insuportável vazio
que enche toda a tua tarde.
 Ivan Junqueira
 
COMENTÁRiO

 A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começará a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos colectivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo.
 Carl Gustav Jung
- Psicologia do Inconsciente
(Prefácio - excerto)
       
ANUÁRiO

1865 - Neste ano, exportam-se da ilha de São Miguel, Açores, 197.758 caixas de laranjas.
    
BREVÁRiO

¸Edições 70 re-edita O Cinema Português Através dos Seus Filmes de Carolin Overhoff Ferreira (organização), José de Matos-Cruz, Roland Balczuweit, Martin Barnier, Bárbara Barroso, Maria do Rosário Lupi Belo, Jorge Campos, Fausto Cruchinho, Paulo Cunha, Paulo Granja, Malte Hagener, Randal Johnson, Jorge Leitão Ramos, Paulo Filipe Monteiro, Jorge Seabra, Lisa Shaw, Daniel Ribas, Luís Reis Torgal e Oliver Vogt.

¨ Publicações Europa-América edita A Queda de Artur de J.R.R. Tolkien (1892-1973); organização de Christopher Tolkien. IMAG. 10-19-125-151-353-433

¯Harmonia Mundi edita em CD, Edward Elgar [1857-1934]: Cello Concerto por Jean-Guihen Queyras, com BBC Symphony Orchestra, sob a direcção de Jiri Belohlávek.

¸Tinta da China edita Cinemateca de Pedro Mexia; prefácio de Julião Sarmento. IMAG.283-450

¨Arranha Céus edita A História da Ciência em Portugal de Carlos Fiolhais. IMAG.85

sábado, setembro 27, 2014

IMAGINÁRiO #523

José de Matos-Cruz | 16 Julho 2015 | Edição Kafre | Ano XII – Semanal – Fundado em 2004

PRONTUÁRiO

MISTÉRIOS
Uma das convenções tradicionais da banda desenhada respeita à identidade secreta dos heróis, sujeitos a uma exposição pública, que os vulnerabiliza perante todos os perigos e as piores vinganças. Tal estimula os autores às mais insólitas especulações, as quais, muitas vezes, remontam às próprias origens de um desígnio justiceiro. Imagine-se então um homem privado de memória e, no entanto, constrangido por um passado obscuro, perturbante, que o torna vulnerável a volúveis suspeitas, sob ameaças que, simultaneamente, impelem o seu destino para um confronto de vingança… ou expiação! Eis os fundamentos de XIII (1984) - uma das sagas mais aliciantes, com a marca moderna da escola franco-belga. Mistério, aventura, disputam uma acção de contornos políticos - em flagrantes de espionagem, sob implicações militares - em que o poder absoluto se insinua, irreversível, pairando entre referências financeiras ou proezas criminais. Dois criadores veteranos - o argumentista Jean Van Hamme (lembrar Thorgal) & o ilustrador William Vance (lembrar Bob Morane) expandem as proezas do enigmático mas empolgante XIII entre muitos nomes, sempre mais próximo da verdade - mas o futuro é uma realidade instável… IMAG.2-10-12-32--127-218-253-281-348-451-507


CALENDÁRiO

µ27JUN-08SET2014 - Em Lisboa, Galeria de Exposições Temporárias da Fundação Calouste Gulbenkian apresenta A Impossibilidade Poética de Conter o Infinito - exposição de fotografia de Edgar Martins sobre a Agência Espacial Europeia - ESA, sendo comissária Leonor Nazaré. IMAG.380

¨1932-27JUN2014 - Allen Richard Grossman, aliás Allen Grossman: Poeta americano, professor universitário - A sua obra «é frequentemente descrita como saindo da tradição romântica moderna da poesia lírica» (Diário de Notícias).

¯01JUL2014 - Em Miami, EUA, a Latin Academy of Recording Arts & Sciences atribui a Carlos do Carmo o Grammy Lifetime Achievement Award. IMAG.166-314-434-463-509-515

¢12JUL2014 - Em Cascais, Fundação D. Luís I expõe, na Casa Duarte Pinto Coelho (antiga Casa dos Guardas do Museu Condes de Castro Guimarães), Vidros Pintados do Salão Vermelho da Colecção Duarte Pinto Coelho (1923-2010), em colaboração com a Fundación Duques de Soria, a sua sobrinha Maria Castello Branco e a Câmara Municipal de Cascais. IMAG.222-488
        
VISTORiA

A Adormecida
¨Que segredo incandesces no peito, minha amiga,
Alma por doce máscara aspirando a flor?
De que alimentos vãos teu cândido calor
Gera essa irradiação: mulher adormecida?

Sopro, sonhos, silêncio, invencível quebranto,
Tu triunfas, ó paz mais potente que um pranto,
Quando de um pleno sono a onda grave e estendida
Conspira sobre o seio de tal inimiga.
 
Dorme, dourada soma: sombras e abandono.
De tais dons cumulou-se esse temível sono,
Corça languidamente longa além do laço,

Que embora a alma ausente, em luta nos desertos,
Tua forma ao ventre puro, que veste um fluido braço,
Vela, tua forma vela, e meus olhos: abertos.
 Paul Valéry
(Tradução de Augusto de Campos)

Simetria
¨Há uma espécie de reciprocidade entre a necessidade e o objecto que a satisfará. Não penso em beber; mas este copo ao meu alcance dá-me sede. Tenho sede, e imagino o delicioso copo de água.
Paul Valéry
- Tel Quel (1944)

MEMÓRiA

¨ 16JUL1855-1898 - Georges Rodenbach: Escritor belga de língua francesa, autor de Bruges-a-Morta (1892) - «No amor, sobretudo, é que esta espécie de requinte actua: encanto de uma mulher recém-chegada que se parece com a antiga… / Os olhos são as janelas da alma». IMAG.512

¨1917-16JUL1985 - Heinrich Böll: Escritor alemão, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura (1972) - «A poesia é a impressão de estar sempre em contacto com a morte» (Uma Memória Alemã).

¢20JUL1895-1946 - László Moholy-Nagy: Pintor e escultor húngaro, designer e fotógrafo, membro do grupo Construtivismo - «A câmara fotográfica ofereceu-nos extraordinárias possibilidades, que apenas começámos a explorar. A imagem visual expandiu-se, e as lentes modernas estão para além dos limites próximos do olhar».

®20JUL1925-2011 - Mário Alberto: Artista plástico, cenógrafo e figurinista português, co-fundador do Teatro Adoque (1974) e do grupo A Barraca (1976) - «A biografia deste cidadão exemplar pela ética, modelar pelo trabalho, pode perceber-se por aquilo que ele recusa, mais do que por aquilo que ele aceita. O que ele recusa é a hipocrisia militante, a mediocridade indomável, a ignorância atrevida, os colarinhos gomados, as frases brunidas, a bem-pensância. O que ele aceita é a coragem de ser livre, a altivez dos que enfrentam o medo, os escrúpulos dos que persistem em ter carácter contra os que vendem a alma ao Poder» (Baptista-Bastos). IMAG.380

¨ 1871-20JUL1945 - Ambroise-Paul-Toussaint-Jules Valéry, aliás Paul Valéry: Poeta francês, ligado ao simbolismo - «Um grande homem é aquele que morre duas vezes. Primeiro, como homem; e depois, como grande homem». IMAG.344

­ 1869-20JUL1955 - Calouste Sarkis Gulbenkian, aliás Calouste Gulbenkian: Engenheiro e empresário arménio otomano, naturalizado britânico - «Uma integridade inabalável subjacente, que ajuda a perceber o invulgar grau de afecto que ele inspirava aos sócios mais próximos e ao público, para quem o seu nome era uma palavra familiar» (Ralph Hewins – O Senhor Cinco Por Cento - 1957). IMAG.43

¨ 21JUL1865-1947 - Matthew Phipps Shiell, aliás M.P. Shiel: Escritor britânico, originário das Índias Ocidentais - «A especial qualidade do trabalho artístico consiste em produzir a convicção momentânea de que nada, possivelmente, poderia ser melhor» (A Nuvem Púrpura – 1901). IMAG.363
           
COMENTÁRiO

Cidadão do Mundo
 Calouste Sarkis Gulbenkian nasceu numa família arménia em 1869, ainda cidadão do império otomano. Engenheiro de petróleos, de que é um dos expoentes do seu tempo, distinguiu-se ainda como coleccionador, tendo viajado por quase todo o mundo. Fixou-se em Portugal durante a II Guerra Mundial, associando o seu nome à fundação que se tornou uma referência na vida cultural do país. Nesta encontram-se expostas as colecções que reuniu ao longo da vida.
17OUT2009 - Diário de Notícias

Mário Alberto           
- Uma Personalidade, Uma Personagem

®Outros falarão, ou já falaram, das muitas capacidades e realizações de Mário Alberto, como profissional de Teatro-Cinema-Televisão, Cenógrafo-Figurinista-Autor-Actor. Anoto e sublinho, pessoas e profissionais como ele.
O meu depoimento, que não pretende ignorar o seu talento multi    facetado, pretende englobar, como seu camarada e mano, a sua vivência de Homem do Parque Mayer. Animal de Palco, todos sabemos que ele é. Boémio incorrigível, aliando o funambulismo de tal condição a uma portentosa generosidade e um sentido de camaradagem que o tornaram um mito do Parque Mayer e da Lisboa nocturna que já não há.
Porque o Parque Mayer não era só um centro de Teatros, restaurantes e animação brejeira, era um pólo do Portugal salazarento e jesuítico que atraía gente de todo o País.
O provinciano que vinha a Lisboa não perdia uma visita ao Parque Mayer. Não perdia a Revista de sucesso do momento. Mais: vinha ouvir os actores de revista censurarem, ainda que de modo cauteloso, o ditador Salazar.
Ora o Parque Mayer, com Mário Alberto e outros, era o centro urbano dessa sátira ao regime. Não receio exagerar, todas as referências que fiz atrás têm muito a ver com o estilo e significado da sua pintura. Esta condensa nas telas dos quadros a explosão do seu espírito inconformista, pela sua rebeldia que, mesmo de cabelos brancos, conserva… Não se trata de terrorismo nem dessas barbaridades de agora. Mas tais quadros são actos explosivos de uma testemunha do último meio século português, de um interventor, de um inconformista, de um Resistente.
Luiz Pacheco
(excerto)
            


PARLATÓRiO

¨Sobre os amantes e os soldados, sobre os homens condenados à morte, sobre todos aqueles que o poder cósmico da vida preenche, o poder do destino desce por vezes imprevisto, numa súbita iluminação que será a sua graça e o seu fardo.
Heinrich Böll
        
BREVÁRiO

¸Guerra e Paz edita O Cinema Ideal e a Casa da Imprensa - 110 Anos de Filmes de Maria do Carmo Piçarra. IMAG.445

Tinta da China edita As Fantásticas Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy III - Requiem de Filipe Melo (argumento), Juan Cavia e Santiago Villa (ilustração); prefácio de Tob Hooper. 
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